Revista ComSertões


 Editorial

Nestes tempos de demolição das conquistas e dos direitos sociais oriundos da Constituição de 1988, a ComSertões floresce, ainda que um tanto tardia. Talvez, para revelar que “por mais que haja dor e agonia, por mais que haja treva sombria, existe uma luz que é uma guia, plantada no azul da amplidão” (Dori Caymmi/ Paulo César Pinheiro). E essa luz simboliza a produção incessante de conhecimento no Vale do São Francisco. Esta edição da revista é uma bela demonstração do quanto se pode pesquisar, mesmo em condições difíceis. E a pesquisa aponta caminhos, revela aspectos do real – inauditos e muitas vezes ocultados por fontes oficiais do discurso público – e manifesta soluções para problemas antigos. E também manifesta sentidos transfigurados, identidades em mutação, conflitos de interesses sob a aparente homogeneidade do poder-dominação.

Nesta edição, encontramos um mosaico de saberes e valores cultivados em um momento nada propício para a estabilidade de nossos anseios e previsões. Denúncias socioambientais como no caso do artigo que versa sobre o lixão em Pilar, mas também no artigo sobre as mulheres que trabalham na colheita da uva na região, revelam sobremaneira as contradições das promessas de desenvolvimento econômico, sob a égide de uma colonização que não se deixa dizer o nome. Mas também há  espaço para modelos insurgentes de desenvolvimento, como no caso do artigo sobre a Horta comunitária Povo Unido, em um bairro periférico de Juazeiro-BA.

As questões identitárias percorrem pelo menos três dos artigos reunidos nesta edição. Nada mais oportuno do que tratar da identidade de gênero, em um ano em que esteve tão evidente o quanto a misoginia e o machismo povoam a cultura política deste país. Mas também encontraremos  uma reflexão com base na psicanálise e o complexo de cinderela na literatura, o que  fortalece o caráter interdisciplinar e plural para os sertões que queremos fazer comunicar.

Esta edição da Revista traz uma entrevista com o professor Professor Dr. Eneus Trindade Barreto Filho, professor do Doutorado Interinstitucional da UNEB com a USP, uma das inovações mais promissoras, sendo colhidas em ano tão agonístico.

Pois mesmo com os tempos sombrios que se avizinham – e esta revista não poderia deixar de registrar o ano em que a PEC 241/55 foi aprovada, culminando as leviandades de um governo ilegítimo – é preciso continuar a ouvir a voz de Nana Caymmi, que professa: “E a gente já prepara o chão para semente, para vinda da estrela cadente, que vai florescer no sertão.” Por tempos mais felizes.

A Comsertões agradece.

 

Cordialmente,

João José de Santana Borges

Notícias

 

CHAMADA PÚBLICA DE TRABALHOS 2016.1

 

A ComSertões – Revista de Comunicação e Cultura do Semiárido  – convida estudantes e pesquisadores a enviarem trabalhos para a edição 2016.1 da quarta publicação. Os interessados e interessadas devem enviar trabalhos para seleção editorial até o próximo dia 22 de Agosto, seguindo as normas editoriais da publicação disponíveis no site.

 
Publicado: 2016-05-31 Mais...
 

Revista ComSertões abre inscrições para segundo concurso de fotografia

 
A Revista ComSertões está com inscrições abertas até o dia 10 de junho para o concurso de fotografia que irá compor a capa de sua terceira edição.  
Publicado: 2015-05-29 Mais...
 

Concurso de fotografia para a nova capa da ComSertões

 
A partir de hoje, todos estão convidados a nos enviar fotos que retratem a temática “Comunicação e Cultura no Semiárido”.  
Publicado: 2014-07-14 Mais...
 

CHAMADA DE TRABALHOS – 2014.1

 
Os interessados devem enviar trabalhos para seleção editorial até o próximo dia 14 de abril, seguindo as normas editoriais da publicação.  
Publicado: 2014-02-19 Mais...
 
Outras notícias...

v. 1, n. 4 (2016): Revista ComSertões (2016)


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