A representação do acusativo anafórico de terceira pessoa em contexto escolar: diagnose e proposta

  • Monique Débora Alves de Oliveira Lima Universidade Federal do Rio de Janeiro e Colégio Pedro II

Resumo

Neste artigo, apresenta-se uma análise diagnóstica realizada acerca da retomada do acusativo anafórico, em redações de alunos do 6º e 9º anos do Ensino Fundamental de uma escola de rede municipal de ensino do Rio de Janeiro. Ancorada na Sociolinguística Variacionista (WEINREICH; LABOV; HERZOG, 2006 [1968]; LABOV, 2008 [1972]), a investigação parte do pressuposto de que a língua é variável e há, portanto, formas distintas com mesmo valor representacional para expressar o acusativo anafórico de terceira pessoa. A partir da análise diagnóstica realizada, propôs-se um material didático destinado a alunos do 9º em diante, que se prestasse ao ensino de pronomes – dentre os quais as estratégias de retomada do acusativo anafórico de terceira pessoa – no âmbito escolar. Para a elaboração do material didático, tomou-se como base a proposta de Ensino de Gramática em Três Eixos de VIEIRA (2017). A investigação ora desenvolvida busca contribuir tanto com as reflexões sobre o ensino de Língua Portuguesa quanto com efetivas propostas para ensino de fenômenos variáveis.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

AVERBUG, Mayra Cristina Guimarães. Objeto indireto anafórico e sujeito pronominal na escrita de estudantes. Dissertação (Mestrado). Rio de Janeiro: Faculdade de Letras/UFRJ, 2000.
AVERBUG, Mayra Cristina. Objeto Direto Anafórico: variação na produção oral e escrita e influência no ensino. In: Estudos da linguagem: atualidade & paradoxos: Anais do VII Congresso da ASSEL, Rio de Janeiro, p. 680-687, 1998.
BARBOSA, Afrânio Gonçalves. Variação linguística no curso de Letras: práticas de ensino. In: ZILLES, Ana Maria Stahl; FARACO, Carlos Alberto. (Orgs.). Pedagogia da variação linguística: língua e diversidade. São Paulo: Parábola Editorial, 2015, p. 249-286.
BORTONI-RICARDO, Stella Maris. O Português brasileiro. In: BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Educação em língua materna: a sociolinguística na sala de aula. São Paulo: Parábola editorial, 2004, p. 51-70.
BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Um modelo para análise sociolinguística do português brasileiro. In: Nós cheguemu na escola, e agora? Sociolinguística e educação. São Paulo: Parábola editorial, 2005, p. 45-52.
BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais: língua portuguesa. Brasília: MEC, 1998. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/ Acesso em: 01 abr. 2021.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 01 abr. 2021.
CHAGAS, Danieli Silva. Concordância verbal de terceira pessoa: descrição sociolinguística e proposta pedagógica em turmas do ensino fundamental. Dissertação (Mestrado Profissional em Letras). Rio de Janeiro: Faculdade de Letras, UFRJ, 2016.
CYRINO, Sônia Maria Lazzarini. O Objeto Nulo no Português Brasileiro: um estudo sintático-diacrônico. Tese (Doutorado). Campinas: Unicamp, 1994.
DUARTE, Maria Eugênia Lammoglia; SERRA, Carolina Ribeiro. Gramática(s), ensino de português e adequação linguística?. Matraga, v. 22, p. 31-55. 2015.
DUARTE, Maria Eugênia Lammoglia. O papel da Sociolinguística no (re)conhecimento do Português Brasileiro e suas implicações para o ensino. Revista Letra, v. 1, p. 15-30. 2013.
DUARTE, Maria Eugênia Lammoglia. Do pronome nulo ao pronome pleno: a trajetória do sujeito no português do Brasil. In: ROBERTS, Ian; KATO, Mary Aizawa. Português brasileiro: uma viagem diacrônica. São Paulo: Contexto, 2018 [1993].
DUARTE, Maria Eugênia Lammoglia. Variação e sintaxe: clítico acusativo, pronome lexical e categoria vazia no português do Brasil. Dissertação (Mestrado). São Paulo, PUC/SP, 1986.
FARACO, Carlos Alberto. Norma culta brasileira: construção e ensino In: ZILLES, Ana Maria Stahl; FARACO, Carlos Alberto. (Orgs.). Pedagogia da variação linguística: língua e diversidade. São Paulo: Parábola Editorial, 2015, p. 249-286.
FARACO, Carlos Alberto. Norma culta Brasileira: desatando alguns nós. São Paulo: Parábola, 2008.
FARACO, Carlos Alberto. Norma culta Brasileira: construção e ensino. In: ZILLES, Ana Maria Stahl; FARACO, Carlos Alberto. (Orgs.). Pedagogia da variação linguística: língua e diversidade. São Paulo: Parábola Editorial, 2015, p. 19-30.
FREIRE, Gilson Costa. A realização do acusativo e do dativo anafóricos de terceira pessoa na escrita brasileira e lusitana. Tese (Doutorado em Letras Vernáculas). Rio de Janeiro: Faculdade de Letras/UFRJ, 2005.
FREIRE, Gilson Costa. Os clíticos de terceira pessoa e as estratégias para sua substituição na fala culta brasileira e lusitana. Dissertação (Mestrado em Letras Vernáculas). Rio de Janeiro: Faculdade de Letras/UFRJ, 2000.
GOUVÊA, Isabela Passos. Variação das formas interlocutivas de segunda pessoa: estratégias pedagógicas. Dissertação (Mestrado Profissional em Letras). Rio de Janeiro: Faculdade de Letras/UFRJ, 2016.
LABOV, William. Padrões sociolinguísticos. Trad.: Marcos Bagno; Marta Scherre e Caroline Cardoso. São Paulo: Parábola, 2008 [1972].
LIMA, Ricardo Joseh. Variação linguística e os livros didáticos de português, 2014. In: MARTINS, Marco Antonio; VIEIRA, Silvia Rodrigues; TAVARES, Maria Alice. (Orgs.). Ensino de Português e Sociolinguística. São Paulo: Contexto, 2014, p. 115-131.
MACHADO, Ana Carla Morito. O uso e a ordem dos clíticos da escrita de estudantes da cidade do Rio de Janeiro. Dissertação (Mestrado em Letras Vernáculas). Rio de Janeiro: Faculdade de Letras/UFRJ, 2006.
OMENA, Nelize Pires de. Pronome pessoal de terceira pessoa: suas formas variantes em função acusativa. Dissertação (Mestrado). Rio de Janeiro: PUC/RJ, 1978.
PAULIUKONIS, Maria Aparecida Lino. Texto e contexto. In: VIEIRA, Silvia Rodrigues; BRANDÃO, Silvia Figueiredo. (Orgs.). Ensino de gramática: descrição e uso. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2007, p. 237-258.
SANKOF, David et alii. GoldVarb-X: a variable rule application for Macintosh and Windows, 2005.
SANTANA, Juliana Magalhães Catta Preta de. Diagnose e ensino de pronomes: um estudo sobre a retomada anafórica do objeto direto de terceira pessoa no Português Brasileiro. Dissertação (Mestrado em Letras Vernáculas). Rio de Janeiro: Faculdade de Letras/UFRJ, 2016.
SOUZA, Daniela da Silva de. Estratégias de indeterminação do sujeito: uma proposta pedagógica para o ensino de gramática. Dissertação (Mestrado Profissional em Letras). Rio de Janeiro: Faculdade de Letras/UFRJ, 2015.
VIEIRA, Silvia Rodrigues. Ensino de português e o contínuo fala-escrita: o caso das estratégias de relativização. Revista PerCursos, Florianópolis, v. 18, n. 37, p. 08-35, maio/ago. 2017b.
VIEIRA, Silvia Rodrigues. Três eixos para o ensino de gramática: uma proposta experimental. In: NORONHA, Claudianny Amorim; SÁ JR., Lucrécio Araújo de. (Org.). Escola, ensino e linguagem. Natal-RN: EDUFRN, 2017a, v. 1, 78-104.
VIEIRA, Silvia Rodrigues; FREIRE, Gilson Costa. Variação morfossintática e ensino de Português. In: MARTINS, Marco Antonio; VIEIRA, Silvia Rodrigues; TAVARES, Maria Alice. (Orgs.) Ensino de Português e Sociolinguística. São Paulo: Contexto, 2014, p. 81-114.
WEINREICH, Uriel; LABOV, William; HERZOG, Marvin. Fundamentos empíricos para uma teoria da mudança linguística. Tradução: Marcos Bagno. Revisão técnica: Carlos Alberto Faraco. São Paulo: Parábola Editorial, 2006 [1968].
XAVIER, Alice Carla Marcelino. O acusativo anafórico e normas do Português na escola: uma proposta de intervenção para o ensino de gramática. Dissertação (Mestrado Profissional em Letras). Natal: UFRN, 2015.
Publicado
2021-12-17
Métricas
  • Visualizações do Artigo 54
  • PDF downloads: 51
Seção
ARTIGOS