Literatura Infantil e Juvenil com personagens negras:

uma abordagem afrocentrada

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21879/faeeba2358-0194.2021.v30.n62.p89-102

Palavras-chave:

Persnoagens femininas, Representação negra, Temática africana, Literatura Infantil e juvenil

Resumo

O texto tem como objetivo principal analisar a representação de três personagens femininas em contos destinados ao público infantil e juvenil, com temática africana. Para tanto, foi escolhido o livro Ulomma – A casa da beleza e outros contos, do escritor nigeriano Sunny e ilustrado por Denise Nascimento. Parte-se do reconhecimento da importância dos estudos clássicos sobre contos de fadas e literatura infantil e juvenil, todavia a análise apresentada assume uma perspectiva afrocentrada, buscando a importância da palavra nas culturas africanas e afro-brasileira, o papel das narrativas nas sociedades africanas, onde a oralidade é um elemento central na produção e manutenção das mais diversas culturas, dos valores, conhecimentos, ciência, história, modos de vida, formas de compreender a realidade, religiosidade, arte e ludicidade. O segundo ponto de análise será a representação das personagens femininas, sendo um bloco para cada personagem. A análise se dá tanto do ponto de vista imagético, quanto da construção discursiva via enredo da narrativa, objetivando localizar nos contos a questão das tradições e dos papéis femininos, a maternidade, as relações entre o ser humano e a natureza, o sagrado, relações de poder e principalmente a valorização estética negra.  O artigo é finalizado com   questionamentos sobre os caminhos que os textos dirigidos ao público infantil e juvenil percorreram para chegarem até nós, indicando que a necessidade de construção e rotas alternativas para a compreensão dos mesmos.

 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Renan Fagundes de Souza, Universidade Estadual de Ponta Grossa

Licenciado em Letras - Português/Espanhol, pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Paraná, ano de 2013 e licenciando em Pedagogia, pelo Centro Universitário de Maringá (Unicesumar). Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem (UEPG), ano de 2017. Atualmente é professor colaborador na disciplina de "Estágio Supervisionado em Língua Portuguesa e Línguas Estrangeiras" na UEPG. Trabalha como Docente Articulador da área de Linguagens, códigos e suas tecnologias no Marista Escola Social (MES) Unidade Santa Mônica.

Ione da Silva Jovino, Universidade Estadual de Ponta Grossa

Possui graduação em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1997), mestrado em Educação (2005) pela Universidade Federal de São Carlos, com doutorado em Educação (2010) e Pós-doutorado em Educação (2018) na mesma universidade. Docente do Departamento Estudos da Linguagem da UEPG, e do Mestrado em Estudos da Linguagem, atuou na coordenação do Programa de agosto de 2013 a dezembro de 2016. Atualmente está como Pró-reitora de Assuntos Estudantis da UEPG. É integrante do Núcleo de Relações Étnico-raciais, Gênero e Sexualidade do Laboratório de Estudos do Texto da UEPG nos quais participa de ações de pesquisa e extensão, bem como em cursos de formação de professoras e professores. Trabalha com os seguintes temas: criança, infância e raça; literatura infanto-juvenil e relações étnico-raciais; educação e diversidade étnico-racial-cultural; iconografia e representação; desigualdades no plano simbólico.

Referências

ALMEIDA, Maria Inez Couto de. Cultura Iorubá: costumes e tradições. Rio de Janeiro: Dialogarts, 2006. 173 p. – (Coleção Em Questão virtual, nº 1).
AKÍNRÚLÍ, Olúségun Michael. Gèlèdé: o poder feminino na cultura africana-yorùbá. Revista África e Africanidades - Ano III - n. 12 – Fev. 2011. p.1-12.
ASANTE, Molefi. Afrocentricidade: notas sobre uma posição disciplinar In: NASCIMENTO, Elisa Larkin. Afrocentricidade: uma abordagem epistemológica inovadora. Tradução Carlos Alberto Medeiros. São Paulo: Selo Negro, 2009, p. 93-110.
BÂ, Amadou Hampâté. A tradição viva. In: KI ZERBO, J. História geral da África: metodologia e pré-história da África, v. 1. Brasília: UNESCO, MEC, UFSCar, 2010. p. 167-212.
BARBOSA, Rogério Andrade. Três contos africanos de adivinhação. São Paulo: Paulinas, 2009. 3ª Ed. 2011.
COSTA, Patrícia de Fátima Abreu. Os Contos de Fadas: de narrativas Populares a Instrumentos de intervenção. 2006.73p. (Dissertação, Mestrado em Letras). Universidade Vale do Rio Verde /UNINCOR: Três Corações (MG).
CUNHA, Susana Rangel Vieira da. Infância e Cultura Visual. In: 31ª reunião da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação -ANPED, 2008, Caxambu. Constituição Brasileira, Direitos Humanos e Educação. Rio de janeiro: Associação Nacional de Pesquisadores em Educação, 2008. p 102-132.
CUNHA JUNIOR, Henrique. NTU. Revista Espaço Acadêmico. Nº 108, maio de 2010. p.81-92.
GOÈS, Lucia Pimentel. Introdução a Literatura infantil e juvenil. 2 ed. São Paulo: Pioneira,1991.
GOMES, Nilma Lino. Educação, identidade negra e formação de professores/as: um olhar sobre o corpo negro e o cabelo crespo. Educação e Pesquisa, São Paulo, v.29, n.1, p. 167-182, jan./jun. 2003.
IFATOSIN, Maria Inez Couto de. Cultura Iorubá: costumes e tradições. 2006.
JOVINO, Ione da Silva. Literatura Infanto-Juvenil com personagens negros no Brasil. In: SOUZA, Florentina e LIMA, Maria Nazaré (Orgs.). Literatura afro-brasileira. Salvador: Centro de Estudos Afro-Orientais; Brasília: Fundação Cultural Palmares, 2006, p. 181 – 217.
LIMA, Tânia. Apresentação. In: LIMA, Tânia; NASCIMENTO, Isabel; OLIVEIRA, Andrey. Griots - culturas africanas: linguagem, memória, imaginário, 1.ed. - Natal: Lucgraf, 2009. p.
MARÇAL, Maria Antonia. Reflexões preliminares sobre a representação das mulheres nas sociedades africanas. In: COSTA, Hilton; SILVA, Paulo Vinícius Baptista da. Notas de história e cultura afro-brasileiras. 2.ed. Ponta Grossa: Editora da UEPG, 2011. p.1-279.
MAZAMA, Ama. A afrocentricidade como um novo paradigma. In: NASCIMENTO, Elisa Larkin. Afrocentricidade: uma abordagem epistemológica inovadora. Tradução Carlos Alberto Medeiros. São Paulo: Selo Negro, 2009, p. 111-127.
NASCIMENTO, Elisa Larkin. Introdução à nova edição. In: NASCIMENTO, Elisa Larkin. Afrocentricidade: uma abordagem epistemológica inovadora. Tradução Carlos Alberto Medeiros. São Paulo: Selo Negro, 2009, p. 21-23.
______________________. Introdução. Corpos e conhecimento. In: NASCIMENTO, Elisa Larkin. Afrocentricidade: uma abordagem epistemológica inovadora. São Paulo: Selo Negro, 2009, p. 27-32
PALME, Denise. La mère devorante. Essai sur la morphologie des contes africains. Paris: Gallmard, 1976.
SALUM, Marta Heloísa Leuba. África: culturas e sociedades. São Paulo: Museu de arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, 2005. Disponível em: <http://www.arteafricana.usp.br/codigos/textos_didaticos/002/africa_culturas_e_sociedades.html>. Acesso: julho de 2015.
SANTOS JUNIOR, Renato Nogueira dos. Afrocentricidade e educação: os princípios gerais para um currículo afrocentrado. Revista África e Africanidades, Rio de Janeiro, Ano 3 - n. 11, novembro, 2010. p.1-16.
SEGABINAZZI, Cinara da Palma. As religiões de matriz africana e o papel das mulheres: candomblé e cultura no século XX. 41f Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Licenciatura em História, Centro Universitário Franciscano – UNIFRA, Santa Maria, 2013.
SILVA, Ciranilia Cardoso da. Mulheres trançadeiras: o trabalho expressando a identidade cultural afro-brasileira. Revista Desenvolvimento Social. Nº 9 v 1/n. 9, 2013. p. 39-48
SILVA, Maria Rodrigues da. Ulomma: a maternidade como vivência de reencantamento pelo sagrado no conto de matriz afro-brasileira, 2010, 83f. Dissertação (Mestrado em Ciência das Religiões): Universidade Federal da Paraíba: João Pessoa, 2010.
SILVA, Nelson Fernando Inocêncio da. Africanidade e religiosidade: uma possibilidade de abordagem sobre as sagradas matrizes africanas na escola. In: BRASIL. Educação antirracista: caminhos abertos pela Lei Federal nº 10.639/03. Brasília: Ministério da Educação. SECAD. Coleção Educação para todos. 2005. p.121-132.
SILVA, Petronilha Beatriz Gonçalves e. Aprender a conduzir a própria vida: dimensões do educar-se entre afrodescendentes e africanos. In: BARBOSA, Lucia Maria de Assunção, SILVA, Petronilha Beatriz Gonçalves e, SILVÉRIO, Valter Roberto. De preto a afrodescendentes: trajetos de pesquisa sobreo negro, cultura negra e relações étnico-raciais no Brasil. São Carlos: Edusfcar, 2003. p. 165-180.
SOMÉ, Sobonfu. O espírito da intimidade. Ensinamentos ancestrais africanos sobre maneiras de se relacionar. Trad. Deborah Weinberg. São Paulo: Odysseus Editora, 2007.
SUNNY. Ulomma: a casa da beleza e outros contos. São Paulo: Paulinas, 2006.
VANSINA, J. A tradição oral e sua metodologia. In: KI ZERBO, J. História geral da África, v. 1: metodologia e pré-história da África. Brasília: UNESCO, MEC, UFSCar, 2010. p. 139-166.
TODOROV, Tzvetan. As Estruturas narrativas. 2. ed. São Paulo: Perspectiva,1970.

Publicado

2021-06-30

Como Citar

DE SOUZA, R. F.; JOVINO, I. da S. Literatura Infantil e Juvenil com personagens negras:: uma abordagem afrocentrada. Revista da FAEEBA - Educação e Contemporaneidade, [S. l.], v. 30, n. 62, p. 89–102, 2021. DOI: 10.21879/faeeba2358-0194.2021.v30.n62.p89-102. Disponível em: https://revistas.uneb.br/index.php/faeeba/article/view/11329. Acesso em: 25 maio. 2024.