(Des)Colonizar-se a si mesmo:

memória e identidades em Venenos de Deus, remédios do Diabo, de Mia Couto

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35499/tl.v16i2.15230

Resumo

O escritor moçambicano Mia Couto se destaca como representante da literatura africana de expressão lusófona identificada como “pós-colonial”, surgida depois da emancipação de países outrora colonizados por Portugal e que, na afirmação de sua identidade (mesmo usando a língua do colonizador), assume um discurso de discordância ou revisão da dominação cultural sofrida por séculos. Contudo, a ficção de Couto transcende a filiação a uma tendência de época, buscando a universalidade. Analisaremos no romance Venenos de Deus, Remédios do Diabo (2008) como a noção de identidade (pessoal, social, histórica) se articula à de memória coletiva na experiência dos principais personagens. Os problemas da “descolonização” sem horizontes são vivenciados por Bartolomeu Sozinho, o velho doente, saudoso dos tempos coloniais. Ele cultiva a memória de um suposto tempo de glória evocado na idealização de sua atividade de marinheiro no navio Infante dom Henrique. As dificuldades do presente o levam a legitimar o discurso do colonizador. Em sentido oposto, a estada do médico português Sidónio em Moçambique, na busca frustrada de um amor, resulta no seu rico envolvimento com o país africano, e aponta para a busca da construção possível de uma identidade a partir do confronto com o diferente.

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Biografia do Autor

Marcelo Franz, UTFPR

Possui Graduação em Letras pela Universidade Federal do Paraná (1997) e Doutorado em Letras (Literatura Portuguesa) pela Universidade de São Paulo (2002). Atualmente é professor adjunto a, Classe a nível 1 da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. 

Referências

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Publicado

2022-12-21

Como Citar

FRANZ, M. (Des)Colonizar-se a si mesmo:: memória e identidades em Venenos de Deus, remédios do Diabo, de Mia Couto. Tabuleiro de Letras, [S. l.], v. 16, n. 2, p. 141–151, 2022. DOI: 10.35499/tl.v16i2.15230. Disponível em: https://revistas.uneb.br/index.php/tabuleirodeletras/article/view/15230. Acesso em: 3 mar. 2024.

Edição

Seção

ARTIGOS