O Princípio da Coesão Estrutural na variação da concordância nominal de número em predicativos do sujeito e estruturas passivas do português rural fluminense

Resumo

Este trabalho analisou a variação da concordância nominal de número em predicativos do sujeito e estruturas passivas no vernáculo rural de Nova Friburgo-RJ, com base nos pressupostos da Sociolinguística Variacionista. Os dados foram recolhidos em 35 entrevistas realizadas com 16 homens e 19 mulheres; 14, entre 35 e 55 anos; e 21, entre 14 e 19 anos. A quantificação foi realizada com o auxílio do programa Goldvarb. Os condicionamentos estruturais da variação, nesta comunidade de fala, estão ligados ao Princípio de Coesão Estrutural. Constatou-se que a frequência geral de aplicação da regra ali é de 28,3%. Contudo, se SN sujeitos e verbos de uma mesma sentença apresentam os mecanismos de concordância, estes passam a ser replicados em predicativos e particípios numa frequência de 76%. Quando um quantificador é empregado na estrutura predicativa, a coesão se enfraquece, fazendo a concordância cair a menos de 7%. Outrossim, quando não há concordância de gênero entre sujeito e predicativos/particípios, a de número se apresenta em menos de 9%. Portanto, pode-se concluir que há maior tendência à utilização das regras de concordância de número em predicativos e estruturas passivas, se as sentenças também apresentam concordância no sujeito no verbo.

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Biografia do Autor

Jaqueline Dália, Instituto Federal Fluminense

Possui graduação em Letras - Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa (2004), graduação em Letras - Língua Espanhola e Literaturas de Língua Espanhola (2009), graduação em Pedagogia (2013), especialização em Língua Portuguesa pela FFSD (2007), especialização em Ensino de Leitura e Produção Textual pela UFF (2013), mestrado em Educação Agrícola pela UFRRJ (2011) e doutorado em Letras pela UERJ (2017). Desenvolveu pesquisa em estágio de Pós-Doutorado pela UFF (2020), na área de Sociolinguística, sob a supervisão do Prof. Dante Lucchesi. É professora de Língua Portuguesa do Instituto Federal Fluminense. Tem experiência na área de Educação e Letras, com ênfase em Currículo e Língua Portuguesa, atuando principalmente nos seguintes temas: Pedagogia da Alternância, Educação do Campo, Currículo Integrado, Sociolinguística e Linguística Histórica. Atua no grupo de pesquisa: Núcleo de pesquisas e estudos sobre as ruralidades fluminenses - IFF. 

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Publicado
2021-12-17
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ARTIGOS