(Des)epistemologizar a clínica: o reconhecimento de uma ciência guiada pelo pensamento cisgênero

Palavras-chave: clínica, autobiografia, travestis, epistemologia.

Resumo

Este artigo busca refletir acerca da despatologização das identidades trans e travestis, considerando que tais mobilizações têm sido direcionadas a pensar o indivíduo que vai à clínica, mas não as epistemologias que sustentam a psicologia. Por essa via, resgata a parcialidade feminista para apostar nas autobiografias trans como modos de produção de agenciamento. Pretende, portanto, guiar a clínica em direção a éticas outras, capazes de questionar o pensamento nosológico atravessado pela cisgeneridade na condução de uma terapêutica pajubariana.

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Biografia do Autor

Sofia Ricardo Favero, Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Doutoranda em Psicologia Social e Institucional pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Formada em Psicologia pela Faculdade Pio Décimo (SE). Está vinculada ao Núcleo de Pesquisa em Gênero e Sexualidade (NUPSEX) e é integrante da Associação e Movimento Sergipano de Transexuais e Travestis (AMOSERTRANS).

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Publicado
2020-06-28
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Como Citar
FAVERO, S. R. (Des)epistemologizar a clínica: o reconhecimento de uma ciência guiada pelo pensamento cisgênero. Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, v. 5, n. 13, p. 403-418, 28 jun. 2020.