NOTAS SOBRE A NARRATIVA COMO INSTRUMENTO DE INTERVENÇÃO EM CONTEXTO DE SAÚDE INFANTOJUVENIL

  • Ruzia Chaouchar dos Santos UFMT
  • Naiana Marinho Gonçalves UFMT
  • Henrique Araujo Aragusuku UFMT
  • Daniela Barros da Silva Freire Andrade UFMT
Palavras-chave: Narrativa. Infantojuvenil. Saúde Mental

Resumo

O presente trabalho tem como objetivo investigar o potencial da narrativa enquanto instrumento de intervenção psicológica em um CAPSI, a partir da apresentação de um estudo de caso individual. As elaborações teórico-reflexivas fundamentam-se na Teoria das Representações Sociais (DUVEEN; LLOYD, 2008), em diálogo com a Teoria Histórico-Cultural (AGUIAR; OZELLA, 2006; MOLON, 1999; PRESTES, 2010; VIGOTSKI, 2009; 2010a; 2010b). Além dos estudos sobre narrativas (BRUNER, 1997; 2001; 2002; JOVCHELOVITCH; BAUER, 2002). Os dados discutidos foram engendrados nas análises das intervenções realizadas em oficinas socioafetivas (ANDRADE, 2015), tematizadas diante da apresentação de uma narrativa, através da qual propôs-se a construção de uma narrativa coletiva a um grupo de adolescentes. As múltiplas faces da narrativa criada por uma adolescente foram identificadas no primeiro momento do processo, quando esteve em pauta a idealização do estado de bem-estar, saúde e felicidade, em contraposição à caracterização de sua condição de usuária, cujas narrativas são registradas em prontuário – narrativas defensivas. No segundo momento, observou-se a emergência de narrativas espontâneas, quando ela assume seu papel de protagonista na produção do enredo coletivo, liberta-se das preocupações relativas ao protocolo de tratamento e anuncia conteúdos e conflitos juntamente com metáforas que deixam ver seu processo de enfrentamento do desconhecido.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Referências

AGUIAR, W, M, J.; OZELLA, S. Desmistificando a concepção de adolescência. Cadernos de pesquisa, v. 38, n. 133, p. 97-75, jan./abr.2008.

AGUIAR, Wanda Maria Junqueira; OZELLA, Sergio. Núcleos de significação como instrumento para a apreensão da constituição dos sentidos. Psicologia Ciência e Profissão, Brasília, v.26, n. 2, p. 222 – 245, jun. 2006.

ANDRADE, D. B. S. F. Rede de apoio à Educação Infantil: interfaces com a Psicologia, Pedagogia, Arquitetura e Música. Projeto de Extensão. Cuiabá, 2015.

BRUNER, Jerome. Atos de significação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

BRUNER, Jerome. A cultura da educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 2001.

BRUNER, Jerome. Realidade mental, mundos possíveis. Tradução de Marcos A. G. Domingues. Porto Alegre: Artmed, 2002.

DUVEEN, G.; LLOYD, B. Las representaciones sociales como una perspectiva de la psicología social. In: CASTORINA, J. A. (Org.). Representaciones sociales: problemas teóricos y conocimientos infantiles. Buenos Aires: Ed. Gedisa, 2008. p. 29-39

JOVCHELOVITCH, Sandra.; BAUER, Martin W. Entrevista narrativa. In: BAUER, M. W.; GASKELL, G. Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som. Tradução de Pedrinho Guareschi. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002, p. 90-113.

LIMA, Paula Márcia de.; CARVALHO, Carolina Freire de Carvalho de. A Psicoterapia Socio-Histórica. Psicologia: Ciência e Profissão, v. 33 (Número Especial), p. 154-163, 2013.

MOLON, S. I. Subjetividade e constituição do sujeito em Vygotsky. São Paulo: EDUC, 1999.

MOLON, S. I. Cultura – A dimensão psicológica e a mudança histórica e cultural. Trabalho apresentado na III Conferência de Pesquisa Sócio-cultural, Campinas, SP. 2000. Disponível em:< www.fae.unicamp.br/br2000/trabs/2330.doc>. Acesso em: 15 Jul. 2015.

MOLON, Susana Inês. Notas sobre constituição do sujeito, subjetividade e linguagem. Psicol. estud., Maringá, v. 16, n. 4, Dec. 2011.

PRESTES, Zoia Ribeiro. Quando não é quase a mesma coisa: análise de traduções de Lev Semionovitch Vigotski no Brasil. Repercussões no campo educacional. 2010. 295 f. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade de Brasília, Brasília, DF, 2010.

VIGOTSKI, L. S. Imaginação e criação na infância: ensaio psicológico: livro para professores. Apresentação e comentários de Ana Luiza Smolka. Tradução de Zoia Ribeiro Prestes. São Paulo: Ática, 2009.

VIGOTSKI, Lev S. Psicologia pedagógica. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2010a.

VIGOTSKI, Lev Semionovich. Quarta Aula: a questão do meio na pedologia. Tradução de Márcia Pileggi. Psicologia USP, São Paulo, v. 21, n. 4, p. 681-701, 2010b.

Métricas
  • Visualizações do Artigo 903
  • PDF downloads: 725
Como Citar
SANTOS, R. C. DOS; GONÇALVES, N. M.; ARAGUSUKU, H. A.; ANDRADE, D. B. DA S. F. NOTAS SOBRE A NARRATIVA COMO INSTRUMENTO DE INTERVENÇÃO EM CONTEXTO DE SAÚDE INFANTOJUVENIL. Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, v. 1, n. 1, p. 104-117, 11.