POR QUE ETNOGRAFIA NO SENTIDO ESTRITO E NÃO ESTUDOS DO TIPO ETNOGRÁFICO EM EDUCAÇÃO?

Autores

  • Amurabi Oliveira Universidade Federal de Alagoas

DOI:

https://doi.org/10.21879/faeeba2358-0194.2013.v22.n40.p69-81

Palavras-chave:

Etnografia educacional, Pesquisa educacional, Antropologia da educação

Resumo

A ampliação das metodologias qualitativas na pesquisa educacional tem aberto inúmeras novas possibilidades de investigação. Uma que tem alcançado grande visibilidade entre os pesquisadores é a etnográfica, oriunda da antropologia. Contudo, há claramente, em boa parte das pesquisas realizadas no campo da educação, uma utilização da etnografia de forma instrumental, reduzindo-a a uma técnica de coleta de dados, o que se origina numa perspectiva deturpada e empobrecedora sobre ela. Essa forma de apropriação é sintetizada muitas vezes na afirmação de que não se realizam pesquisas etnográficas na educação, mas sim pesquisas “do tipo”, “de inspiração” “de cunho”, “de caráter” etnográfico. Buscamos neste artigo afirmar a pesquisa etnográfica no campo educacional, esclarecendo alguns de seus pressupostos epistemológicos, e refutando alguns argumentos utilizados para a sua negação.

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Biografia do Autor

Amurabi Oliveira, Universidade Federal de Alagoas

Doutor em Sociologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Professor Adjunto do Centro de Educação da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Professor do Programa de Pós-Graduação em Educação (CEDU/UFAL)

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Publicado

2019-10-16

Como Citar

OLIVEIRA, A. POR QUE ETNOGRAFIA NO SENTIDO ESTRITO E NÃO ESTUDOS DO TIPO ETNOGRÁFICO EM EDUCAÇÃO?. Revista da FAEEBA - Educação e Contemporaneidade, [S. l.], v. 22, n. 40, p. 69–81, 2019. DOI: 10.21879/faeeba2358-0194.2013.v22.n40.p69-81. Disponível em: https://revistas.uneb.br/index.php/faeeba/article/view/7439. Acesso em: 15 jun. 2024.