Função de alteridade: o Cangume, a professora, a escola e a universidade

Autores

  • José Maurício Arruti Universidade Estadual de Campinas - Unicamp

DOI:

https://doi.org/10.21879/faeeba2358-0194.2017.v26.n49.p21-33

Palavras-chave:

Racismo, Caridade, Política, Linguística, Africanismos

Resumo

Este texto investiga, por meio de uma pequena série de situações históricas e cenas etnográficas, a construção e a ressignificação da fronteira simbólica que marca a distância e a proximidade entre a comunidade quilombola do Cangume (Itaóca –SP) e a sociedade branca do seu entorno. Neste relato, que cobre desde a década de 1970 até o momento presente, ganha destaque o papel desempenhado por agentes, saberes e práticas escolares. Posto de observação, marcador da distância ou agência de aproximação, a escola serviu como espaço de reelaboração simbólica da fronteira cujos conteúdos e sentidos foram sendo alterados ao longo do tempo. Nosso objetivo é chamar atenção para a “função de alteridade” desempenhada por esta fronteira, iluminando com o caso do Cangume um dispositivo comum e mais geral que marca a relação entre outras comunidades quilombolas e as populações do seu entorno e,em especial, com a escola.

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Publicado

2017-10-31

Como Citar

ARRUTI, J. M. Função de alteridade: o Cangume, a professora, a escola e a universidade. Revista da FAEEBA - Educação e Contemporaneidade, [S. l.], v. 26, n. 49, p. 21–33, 2017. DOI: 10.21879/faeeba2358-0194.2017.v26.n49.p21-33. Disponível em: https://revistas.uneb.br/index.php/faeeba/article/view/4007. Acesso em: 17 jun. 2024.