O papel do parvo no teatro de Gil Vicente

  • Flávia Maria Schlee Eyler PUC-RJ
Palavras-chave: Teatro, Literatura, Discurso, Loucura, Ironia

Resumo

Este artigo aborda a função discursiva do parvo vicentino no teatro da Corte Portuguesa do século XVI. O paradigma medieval de Deus como único autor da criação é questionado diante da abertura do mundo e sua secularização. Neste caso, o conceito de cronotopo permite uma reflexão sobre a possibilidade do teatro de condensar desacordos que partem da razão humana e aparecem como expressão discursiva. O personagem do parvo, com seus gestos e palavras sem nexo, implica em estranhamentos e gargalhadas, mas também exige reflexões. Seu pertencimento à ordem discursiva mundana possibilita a sátira e, sobretudo, a ironia. A loucura encenada ganha corpo e, ao mesmo tempo em que espelha os contornos entre o real e o ilusório, entre a ordem e o caos, também conduz a licenciosidade da comicidade da tradição popular medieval, para uma autoironia como figura de pensamento, tão cara ao homem moderno.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Flávia Maria Schlee Eyler, PUC-RJ
Possui graduação em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1977), mestrado e especialização em História, pela Universidade Federal Fluminense (1985) e doutorado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2000). Atualmente é professora assistente - graduação e pós graduação - da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de História, Antiga, Medieval e também com Teoria da Literatura. Temas de pesquisa: A contrução de saberes a partir de textos da" literatura" greco-romana e medieval. com ênfase na produção da verdade na historiografia antiga e na produção da verdade da representação nas tragédias e comédias antigas.
Publicado
2015-11-04
Métricas
  • Visualizações do Artigo 495
  • PDF downloads: 325
Seção
SEÇÃO LIVRE