Crenças e atitudes do falar do outro: percepções linguísticas de informantes universitários sobre o falar da Baixada Cuiabana

Linguistic perceptions of university informants about the speech of Baixada Cuiabana

Resumo

No cenário sociolinguístico mato-grossense, a discussão acerca das diversidades linguísticas abre espaço para pesquisas sobre as variedades linguísticas e o falar do outro. Com vista em contribuir com tais estudos, este trabalho tem o objetivo de investigar as crenças e atitudes de informantes universitários juarenses sobre os valores socioculturais da comunidade de fala da Baixada Cuiabana, tendo como fenômeno teórico a alternância das fricativas e africadas. Para tanto, este estudo segue a perspectiva teórica da Sociolinguística Variacionista de terceira onda. A hipótese levantada é a de que os informantes universitários avaliariam a comunidade de fala da Baixada Cuiabana como uma variação linguística estigmatizada. Optou-se por uma pesquisa qualitativa, tendo como método o teste de percepção de diferencial semântico, conhecido como matched guise, de Lambert e Lambert (1972). O corpus foi constituído por doze informantes universitários nascidos na cidade de Juara vinculados a Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT). O teste de percepção de diferencial semântico adaptado da técnica matched guise, possibilitou analisar as percepções linguísticas dos informantes universitários juarenses, que teve como resultado a comprovação da hipótese levantada: os informantes universitários avaliariam a comunidade de fala da Baixada Cuiabana como uma variação linguística estigmatizada.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Rhafaela Rico Bertolino Beriula, Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT)

Graduada em Pedagogia pela Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) em 2014, Especialista em Docência no Ensino Superior e na Educação de Jovens e Adultos (EJA) pela Faculdade Venda Nova Do Imigrante (FAVENI) em 2017, Mestra em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras (PPG Letras) 2018/2020, Faculdade de Educação e Linguagem (FAEL), ofertado pela UNEMAT no Câmpus Universitário de Sinop. 

Referências

BLOMMAERT, Jan; RAMPTON, Ben. Language and superdiversity. Diversities, v. 13, n. 2, p. 1-21, 2011. Disponível em: www.unesco.org/shs/diversities/vol13/issue2/art1. Acesso em: 23 jul. 2019.

CALVET, Louis-Jean. Sociolingüística: uma introdução crítica. Tradução: Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola, 2002.

CARDOSO, Denise Porto. Atitudes linguísticas e avaliações subjetivas de alguns dialetos brasileiros. São Paulo: Blucher, 2015.

COX, Maria Inês Pagliarini. Quanto vale o falar cuiabano no mercado linguístico mato-grossense. In: COX, Maria Inês Pagliarini. (org.). Que português é esse? vozes em conflito. São Carlos e Cuiabá: Pedro & João e EdUFMT, 2005.

ECKERT, Penelope. Three waves of variation study: the emergence of meaning in the study of sociolinguistic variation. Annual Reviews, v. 41, p. 87-100, 2012. Disponível em: https://www.annualreviews.org/doi/abs/10.1146/annurev-anthro-092611-145828. Acesso em: 24 jul. 2019.

FREITAG, Raquel Meister Ko. Documentação sociolinguística: coleta de dados e ética em pesquisa. São Cristóvão: Editora UFS, 2017. E-book. Disponível em: https://www.academia.edu/34264564/Documenta%C3%A7%C3%A3o_Sociolingu%C3%ADstica_Coleta_de_Dados_e_%C3%89tica_em_Pesquisa. Acesso em: 23 jul. 2019.

GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

LABOV, William. Padrões sociolinguísticos. Tradução: Marcos Bagno, Maria Marta Pereira Scherre, Caroline Rodrigues Cardoso. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.

LAMBERT, William Wilson; LAMBERT, Wallace Earl. Psicologia social. 3. ed. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1972.

LIMA, José Leonildo. A alternância entre as fricativas e africadas, a alternância de [ãw] e [õ] final e o gênero gramatical: marcas do português arcaico no falar cuiabano? In: PHILIPPSEN, Neusa Inês; LIMA, José Leonildo. Diversidade e variação linguística em Mato Grosso. Cáceres: Editora UNEMAT, 2018.

LUCCHESI, Dante. Por que a crioulização aconteceu no Caribe e não no Brasil? Condicionamentos sócio-históricos. Gragoatá: revista dos programas de pós-graduação do Instituto de Letras da UFF, Niterói, v. 24, n. 48, p. 277-255, jan./abr. 2019. Disponível em: http://www.gragoata.uff.br/index.php/gragoata/article/view/1251/773. Acesso em: 22 jul. 2019.

NASCENTES, Antenor. O linguajar carioca. 2. ed. Rio de Janeiro: Organizações Simões, 1953.

VELOSO, Rafaela. As três ondas da sociolinguística e um estudo em comunidades de práticas. In: CONGRESSO INTERNACIONAL ASOCIACIÓN DE LINGÜISTICA Y FILOLOGÍA DE AMÉRICA LATINA: ALFAL, 17., 2014, Paraíba. Anais [...]. Paraíba: Ideia, 2014. p. 1740-1749. Disponível em: http://mundoalfal.org/CDAnaisXVII/anais.html. Acesso em: 25 jul. 2019.
Publicado
2021-12-17
Métricas
  • Visualizações do Artigo 63
  • PDF downloads: 71
Seção
ARTIGOS