DE PROJETOS ESCOLARES A PROJETOS EDUCATIVOS: o envolvimento de crianças, famílias e comunidades

Autores

  • Teresa Sarmento Universidade do Minho

DOI:

https://doi.org/10.29378/plurais.2447-9373.2016.v1.n3.10-28

Resumo

A relação escola-família-comunidade tem sido bastante abordada por alguns setores da opinião educativa em Portugal, notando-se a proliferação de atividades no espaço público com a presença de crianças, professores e mesmo familiares, no entanto, com uma sustentabilidade pedagógica bastante questionável. Ou seja, ainda que aparentemente se aposte em práticas de cooperação escola-família-comunidade, com a apresentação de cortejos medievais, de feiras populares, de lutas greco-romanas, questionamo-nos se, efetivamente, essas ilustrações são a manifestação pública de um trabalho pedagógico concertado no sentido do maior envolvimento das famílias, das crianças e dos profissionais em todo o processo educativo. O nosso entendimento sobre o valor da relação escola-família-comunidade reside no facto de acreditarmos que essa é uma base para o desenvolvimento da cidadania na sociedade atual. A modernidade veio trazer à luz do dia novos ideais e novos valores de que se salienta a cidadania como prática de colaboração e possibilidade de intervenção e de tomada de decisões relevantes em todos os quadrantes da vida social. As práticas de cidadania constroem-se, assim, no quotidiano escolar, em processos colaborativos e obedecendo a princípios pedagógicos adequados aos diferentes grupos e às diversas comunidades. No presente artigo, com base no olhar sobre projetos pedagógicos desenvolvidos em diferentes níveis educativos, pretendemos analisar as bases sociopedagógicas que os sustentam, de forma a responder às seguintes questões: qual o protagonismo das crianças e das famílias na construção do projeto; que aspetos inovadores e geradores de mudança os mesmos proporcionam; quais as repercussões do projeto no processo de aprendizagem cooperativa das crianças e dos professores. Para além da singularidade de cada projeto, é possível deslindarmos, na sua transversalidade, como o seu desenvolvimento permite aos protagonistas uma reflexão nova sobre a educação, a vivência de relações intergeracionais especialmente significativas numa sociedade tendencialmente segmentada por idades, o usufruto de momentos de bem-estar, a satisfação e muita alegria que consideramos como componentes fundamentais para o desenvolvimento educativo, a redefinição de espaços de convivência social, enfim, a promoção da cidadania.

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Biografia do Autor

Teresa Sarmento, Universidade do Minho

Doutorado em Estudos Socioeducativos (Universidade do Minho, 2000); Licenciada em Ensino de História e Ciências Sociais (Universidade do Minho, 1987); e Bacharel em Educação de Infância (Escola Normal de Educadores de Infância de Viana do Castelo, 1978). Professora Auxiliar no Instituto de Educação - Universidade do Minho; membro do Departamento em Ciências Sociais da Educação e do Centro de Investigação em Estudos da Criança. Tem desenvolvido estudos, a nível nacional e internacional, em formação de professores, educação de infância e identidades profissionais em métodos biográficos.

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Publicado

2017-08-29

Como Citar

SARMENTO, T. DE PROJETOS ESCOLARES A PROJETOS EDUCATIVOS: o envolvimento de crianças, famílias e comunidades. Plurais - Revista Multidisciplinar, Salvador, v. 1, n. 3, p. 10–28, 2017. DOI: 10.29378/plurais.2447-9373.2016.v1.n3.10-28. Disponível em: https://revistas.uneb.br/index.php/plurais/article/view/3960. Acesso em: 24 jul. 2024.