Comunismo e gênero no escola sem partido: notas para não sucumbir a uma pedagogia fascista

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21879/faeeba2358-0194.2020.v29.n58.p168-186

Palavras-chave:

Estudos de gênero, Discursividades, Escola sem Partido,

Resumo

Resumo: Objetiva-se traçar uma genealogia do Movimento Escola sem Partido quanto à elaboração de discursividades que vinculam os Estudos de Gênero aos ideários Comunistas. Via pesquisa e análise documental dos estatutos de Projetos de Lei, de Notas técnicas, de Requerimentos de Informação e de algumas publicações em sites do Movimento, evidenciam-se os aparatos discursivos a impor uma visão de neutralidade nas escolas, combativa da doutrinação e dos processos de subversão moral provadas pelos debates de Gênero. Critica-se a visão restritiva do Escola sem Partido e sua promoção de uma uma pedagogia fascista. 

Palavras chave: Estudos de Gênero. Discursividades. Escola sem Partido. 

COMMUNISM AND GENDER IN UNPOLITICAL SCHOOL: NOTES NOT TO SUCCEED TO A FASCIST PEDAGOGY

Abstract: The objective is to trace a genealogy of the Unpolitical School Movement regarding the elaboration of discursivities that link Gender Studies to Communist ideas. Through research and documentary analysis of the statutes of Law Projects, Technical Notes, Information Requirements and some publications on the Movement's websites, the discursive apparatus to impose a view of neutrality in schools, combating indoctrination and processes, is evident. of moral subversion proved by the Gender debates. The restrictive view of Unpolitical School is criticized and its promotion of a fascist pedagogy.

 

Keywords: Gender Studies. Discourse. Unpolitical School. 

COMUNISMO Y GÉNERO EN LA ESCUELA SIN PARTIDO: NOTAS PARA NO TENER ÉXITO EN UNA PEDAGOGÍA FASCISTA

Resumen: El objetivo es rastrear una genealogía del movimiento Escuela Sin Partido con respecto a la elaboración de discursividades que vinculan los estudios de género con las ideas comunistas. A través de la investigación y el análisis documental de los estatutos de proyectos de ley, notas técnicas, requisitos de información y algunas publicaciones en los sitios web del Movimiento, es evidente el aparato discursivo para imponer una visión de neutralidad en las escuelas, combatir el adoctrinamiento y los procesos. de subversión moral demostrada por los debates de género. Se critica la visión restrictiva de Escuela sin Partido y se promueve una pedagogía fascista.

Palabras clave: Estudios de género. Discurso. Escuela sin Partido.

 

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Biografia do Autor

Cássia Cristina Furlan, Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)

Possui graduação em Educação Física - Licenciatura pela Universidade Estadual de Maringá (2009) e Pedagogia pela Faculdade Instituto Superior de Educação do Paraná (2016). Especialista em Educação Profissional integrada à Educação Básica na Modalidade de Jovens e Adultos - PROEJA (2011). Mestrado em Educação (2013) e Doutorado em Educação (2017) pela Universidade Estadual de Maringá. Professora Adjunta na Universidade Federal de Grande Dourados - UFGD. Atualmente coordenadora do Curso de Educação Física. Tem experiência na área de Educação Física e Pedagogia, atuando principalmente nos seguintes temas: diversidades, gênero, sexualidade, jogos e brincadeiras, infância e formação docente. Líder do Grupo de estudos e pesquisas em Educação Física e Cultura(s) (EDUCA) (cadastrado no Diretório CNPq), atuando na linha de pesquisa Corpo(s), Gênero(s), Sexualidade(s) e suas Interseccionalidades.

Fabiana Aparecida de Carvalho, Universidade Estadual de Maringá (UEM)

Sou professora Adjunta do Departamento de Biologia (DBI) da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e tenho atuação nas áreas de Pesquisa e Formação em Ensino de Ciências e Biologia, em Estudos de Gênero e Estudos das Sexualidades, amparada e inspirada pelas teorizações pós-estruturalistas, pelos Estudos Culturais das Ciências e pelas Epistemologias Feministas. Minha trajetória compreende a Licenciatura em Ciências Biológicas (UNESP - Campus Rio Claro), o Mestrado em Educação (UNICAMP) e um Doutorado em Educação para a Ciência e a Matemática (UEM). Tenho aproximado minhas discussões ao artivismo político e artístico, especialmente, contra violências de gênero, violência contra minorias LGBTTQIA+ e minorias étnicas. Penso a Biologia como modo de exercer política por outras vias e, norteada por essa questão, defendo um conhecimento biológico também libertário. Participante do Grupo de Estudos das Pedagogias do Corpo e da Sexualidade (Gepecos).

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Publicado

2020-07-04

Como Citar

FURLAN, C. C.; CARVALHO, F. A. de. Comunismo e gênero no escola sem partido: notas para não sucumbir a uma pedagogia fascista. Revista da FAEEBA - Educação e Contemporaneidade, [S. l.], v. 29, n. 58, p. 168–186, 2020. DOI: 10.21879/faeeba2358-0194.2020.v29.n58.p168-186. Disponível em: https://revistas.uneb.br/index.php/faeeba/article/view/8131. Acesso em: 29 maio. 2024.