ELZA SOARES:

DOS ALFINETES À CARNE NEGRA

  • Rafael do Nascimento César Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH)
  • Carolina Branco de Castro Ferreira Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Núcleo de Estudos de Gênero (PAGU)
  • Vitor Queiroz Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) https://orcid.org/0000-0003-1735-4203

Resumo

Este artigo propõe investigar aspectos da trajetória da cantora Elza Soares a partir das noções de autenticidade e "atrevimento" na tentativa de compreender como se deu o processo recente de consagração da artista perante as audiências brasileiras. Acreditamos haver uma "tensão produtiva" na carreira da artista resultado da disputa em torno dessas noções por parte da crítica especializada, do público e da própria cantora. Essa tensão, além de ser a força social responsável por criar e recriar formas de performatizar a feminilidade, a negritude e o seu pertencimento geracional, expressa-se na maneira como a marginalidade relativa de Elza Soares diante do cânone popular conferiu-lhe uma capacidade renovada de ressignificar sua própria trajetória. Outro efeito dessa tensão produtiva diz respeito ao relativo silenciamento acerca das marcas raciais e de gênero que teria caracterizado a carreira de outros músicos negros no Brasil. Na persona da Elza Soares, geralmente chamada de "rainha" por seus fãs, tais marcas convertem-se em recursos de ação dinamizados sob a forma tanto de escolhas estéticas quanto de convenções narrativas da trajetória da cantora. Ao invés do silêncio, a consagração de Elza Soares perante o público de hoje parece emanar da super-enunciação de sua negritude, de sua feminilidade, de sua experiência com a pobreza articuladas à geração – todas sobremarcadas mediante símbolos materializados em seu corpo e em sua história.

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Biografia do Autor

Rafael do Nascimento César, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH)

Doutorando em Antropologia Social pela Unicamp. Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (2012) e mestre em Antropologia Social pela Unicamp (2015). Pesquisador do Ateliê de Produção Simbólica e Antropologia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) e do Pagu - Núcleo de Estudos de Gênero da Unicamp. Realizou, no segundo semestre de 2014, um estágio de pesquisa na Universidade de Princeton, na qualidade de Bolsista FAPESP e Pesquisador Visitante (VSRC) do projeto temático "Race and Citizenship in Americas", sob coordenação de Pedro Meira Monteiro, phD. Atualmente é bolsista FAPESP e está vinculado ao Lemann Institute for Brazilian Studies da University of Illinois at Urbana-Champaign, onde trabalha sob a supervisão do Professor Marc Hertzman com temas relacionados a relações raciais, identidade nacional e música popular brasileira e norte-americana. Possui publicações nos periódicos Tempo Social, Mana - Estudos em Antropologia Social, Cadernos Pagu, Revista do Instituto de Estudos Brasileiros e Revista Sociologia & Antropologia.

Carolina Branco de Castro Ferreira, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Núcleo de Estudos de Gênero (PAGU)

Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Mestrado em Ciências Sociais pela UEL, Doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com pesquisa financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e Pós-Doutorado pela Universitat Rovira - Virgili (Catalunya/Espanha) com pesquisa financiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Foi pesquisadora pós-doc FAPESP associada ao Núcleo de Estudos de Gênero - PAGU/Unicamp (2014-2017). Atualmente é bolsista PNPD/Capes do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais/Unicamp (PPGCS); é professora colaboradora externa do Programa de Pós Graduação em Antropologia Social /Unicamp (PPGAS). Trabalhou como coordenadora de projetos e pesquisadora na Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (ALIA) 2001-2006. Possui experiência docente como professora na Universidade Estadual de Campinas, também como professora temporária na Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana (FECEA), na Universidade Estadual de Londrina (UEL) (2006-2008), bem como no ensino médio e cursos pré-vestibulares (2003-2004). Cursa o Summer Program in Social Science (2018-2019) no Institute for Advanced Study, Princeton University, New Jersey. Cursou o 12º Programa de Introdução à Metodologia de Pesquisa em Gênero, Sexualidade e Saúde Reprodutiva UFBA/UNICAMP/USP- ISC/UFBA (2005). Tem trabalhado com os seguintes temas: gênero, sexualidade, prevenção DST/HIV e Aids; itinerários terapêuticos, processos saúde e doença, moralidades, teoria feminista e teoria antropológica.

Vitor Queiroz, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Professor Adjunto do Departamento de Antropologia da UFRGS. Integrante do Núcleo deAntropologia das Sociedades Indígenas e Tradicionais (NIT). É mestre em História Social daCultura (2011) e doutor em Antropologia Social pela UNICAMP (2017). Dedica-se - através docruzamento interdisciplinar entre a História Social da Cultura, a Antropologia Social e aAntropologia da Música - ao estudo dos cultos afro-brasileiros; da arte, em especial da músicapopular; do patrimônio e território e das questões étnico-raciais no Brasil. 

Publicado
2020-10-22
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