A Subjetividade que reflete duas almas: Hegel e Machado de Assis sobre a Dialética do Homem-Mundo

Autores

  • Marcos Bruno Silva Universidade Federal de Catalão

Resumo

O presente trabalho teve o objetivo de compreender noções acerca da subjetividade proposta por Hegel, por meio de uma relação com o conto “O Espelho - esboço de uma nova teoria da alma humana”, de Machado de Assis. Foi realizada a leitura de obras importantes do filósofo alemão, como os volumes I e III da “Ciência da Lógica e Enciclopédia das ciências filosóficas”, assim como a leitura atenta do conto. Duas obras de René Magritte, “Reprodução proibida” e “O Espelho falso”, também foram utilizadas para ilustrar a teoria e os conceitos machadianos e hegelianos no que tange a natureza dupla da alma humana, para proporcionar uma experiência estética em um texto árido. Hegel desenvolveu uma crítica ao princípio da subjetividade, fundamento absoluto da modernidade, exercício também representado em René Descartes e Immanuel Kant. O Cogito cartesiano ou a consciência absoluta de Kant defende que ela é intrínseca ao sujeito, e Hegel critica essa ideia ao defender a constituição desta como resultado de um processo dialético entre o Eu e o mundo exterior, natureza e cultura, sintetizados em um pensar conceitual, que gera as referências objetivas e as autorreferências do sujeito. Assim, é indicado o modo que Hegel concebe a construção de subjetividade a partir da suprassunção do Outro no Eu via conceitos, pois estes permitem a criação da identidade entre os diferentes momentos de qualquer produção espiritual: trazem em si o para si, as verdades mais fundamentais do absoluto.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Marcos Bruno Silva, Universidade Federal de Catalão

Graduado em Psicologia e Especialista em Teoria e Técnica Psicanalítica pela Universidade Federal de Catalão, anteriormente Universidade Federal de Goiás - Regional Catalão.

Referências

ASSIS, Machado de. Papéis Avulsos. São Paulo: Editora Martin Claret, 2001.

HABERMAS, Jürgen. O Discurso filosófico da modernidade: doze lições. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Enciclopédia das Ciências filosóficas em Compêndio: volume 1- A ciência da lógica. São Paulo: Loyola, 1995.

HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Cursos de Estética, volume 1. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2001.

HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Ciência da Lógica: Excertos. Seleção e tradução de Marco Aurélio Werle. São Paulo: Bancarolla, 2011a.

HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Enciclopédia das Ciências filosóficas em Compêndio: volume 3 – A filosofia do espírito. São Paulo: Loyola, 2011b.

HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Lecciones sobre la historia de la filosofia III. México: FCE, 1955.

KOJÈVE, Alexandre. Introdução à leitura de Hegel. Rio de Janeiro: Contraponto, 2014.

MARCUSE, Herbert. Razão e Revolução: Hegel e o Advento da Teoria Social. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.

Downloads

Publicado

2020-09-13

Como Citar

SILVA, M. B. A Subjetividade que reflete duas almas: Hegel e Machado de Assis sobre a Dialética do Homem-Mundo. Anãnsi: Revista de Filosofia, [S. l.], v. 1, n. 1, p. 37–48, 2020. Disponível em: https://revistas.uneb.br/index.php/anansi/article/view/9590. Acesso em: 22 maio. 2024.