Surdez e Filosofia: entre a coexistência e a simbiose na educação básica

  • Brennan Cavalcanti Maciel Modesto UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

Resumo

Partindo de uma análise sócio-histórica da Surdez, é traçado um paralelo entre esta e a Filosofia, enquanto componente curricular no ensino médio. Em seguida, investiga-se as demandas, dificuldades, possibilidades e questões que parecem permanentemente em aberto quanto ao ensino de filosofia, seus fundamentos, funções e efetividade da transposição enquanto recurso didático, de maneira especial, para estudantes surdos. Tem-se o bilinguismo enquanto referencial, todavia, coloca-se em xeque não só a possibilidade e os limites da tradução dos conceitos filosóficos (entre línguas de diferentes modalidades, a saber, orais e de sinais) como a eficiência do ensino de filosofia. Aponta-se, por fim que para o efetivo cumprimento do propósito político e social que lhe é designado, a filosofia, bem como toda a educação básica, deve assumir uma postura simbiótica para com a comunidade surda, de maneira a estender a tal grupo o ideal de autonomia que consta nos documentos oficiais.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

BARROS, Antonio Cid Freitas. Filosofia como um Instrumento Crítico no Espaço de Enunciação da Libras. EDITORA ARARA AZUL, [s. l.], v. 3, ed. 9, 2012. Disponível em: http://editora-arara-azul.com.br/site/edicao/47. Acesso em: 19 maio 2020.

BORBA, Siomara; KOHAN, Walter. (Orgs.). Filosofia, aprendizagem, experiência. Belo Horizonte: Autêntica, 2008. p. 115 – 130.

BRASIL. Decreto nº 5.626. Brasília: abr. 2002. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9868.htm>Acesso em: 14 abr. 2020

____. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: out. 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm> Acesso em: 05 jun. 2020

____. Lei nº 10.436. Brasília: abr. 2002. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9868.htm>Acesso em: 14 abr. 2020.

____. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LDB nº 9394. Brasília: dez 1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm . Acessp em: 08 jul. 2020.

CAPOVILLA, Fernando C. Filosofias educacionais em relação ao surdo: do oralismo à comunicação total ao bilinguismo. Revista Brasileira de Educação Especial, v. 6, n. 1, 2000, p. 99-116.

CORREIA, Fátima Sá et al. COM AS MÃOS SE FAZ O SER: Aprender/ensinar Filosofia em contexto de surdez. Educação, Sociedade & Culturas, [s. l.], ano 2014, ed. 42, p. 27-41, jul. 2020. Disponível em: https://www.fpce.up.pt/ciie/sites/default/files/ESC42_05FatimaCorreia.pdf. Acesso em: 13 maio 2020.

CORREIA, Fátima Sá; COELHO, Orquídea. REVOLUÇÃO DE ABRIL, EDUCAÇÃO DE SURDOS/AS E ENSINO DA FILOSOFIA: Da deficiência à pertença cultural. Educação, Sociedade & Culturas, [s. l.], ano 2014, n. 43, p. 107-124, 2014. Disponível em: http://projetoredes.org/wp/wp-content/uploads/25-abril.pdf. Acesso em: 7 maio 2020.

DIZEU, Liliane Correia Toscano de; CORPORALI, Sueli Aparecida. A Língua deSinais Constituindo o Surdo como sujeito. 2005. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/es/v26n91/a14v2691.pdf . Acesso em: 22 nov. 2011.

EDUCERE, XIII, Curitiba. ORALISMO X BILINGUISMO: filosofias educacionais historicamente contrastantes e presentes na educação para o surdo [...]. [S. l.: s. n.], 2017. 13 p. Disponível em: https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2017/25285_12446.pdf. Acesso em: 4 jul. 2020.

FERNANDES, Sueli Laura; MOREIRA, Ceretta. Políticas de educação bilíngue para surdos:: o contexto brasileiro. Educar em Revista, Curitiba, ed. Edição Especial, p. 51-69, 2 2014. DOI 10.1590/0104-4060.37014. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/er/nspe-2/05.pdf. Acesso em: 9 jun. 2020.

FERRIOL, Alejandro Sarbach. ¿Qué pasa en la clase de filosofía? Hacia una didáctica narrativa y de investigación (Tese de doutoramento). Faculdad de Psicología, Universidad de Barcelona, Barcelona, Espanha, 2005.

GALLO, Sílvio. O problema e a experiência do pensamento: implicações para o ensino de filosofia. In: BORBA, Siomara; KOHAN, Walter. (Orgs.). Filosofia, aprendizagem, experiência. Belo Horizonte: Autêntica, 2008. p. 115 – 130.

GELAMO, Rodrigo Pelloso. O ensino da filosofia no limiar da contemporaneidade: o que faz o filósofo quando seu ofício é ser professor de filosofia?. São Paulo, Cultura Acadêmica. 2009.

GUIMARÃES, Marcelo. O ensino de filosofia no Brasil: Três Gerações. In: CORNELLI, Gabrielli; CARVALHO, Marcelo; DANELON, Marcio. Filosofia: Ensino Médio. Brasília: MEC; SEB, 2010.

HORN, Geraldo Balduino. Ensinar Filosofia: Pressupostos teóricos e metodológicos.Ijuí: Editora Unijuí, 2009.

JASPERS, Karl. Introdução ao pensamento filosófico. 9.ed. São Paulo: Cultrix, 1983.

REZENDE, Edson Teixeira de. A RECEPÇÃO FILOSÓFICA DO ESTUDANTE SURDO NO ENSINO MÉDIO. 2019. Tese (Doutorado) - Ufpr, [S. l.], 2019. p. 260. Disponível em: https://www.prppg.ufpr.br/siga/visitante/trabalhoConclusaoWS?idpessoal=7429&idprograma=40001016001P0&anobase=2019&idtc=1430. Acesso em: 12 jun. 2020.

RODRIGUES, Carlos Henrique. SITUAÇÕES DE INCOMPREENSÃO VIVENCIADAS POR PROFESSOR OUVINTE E ALUNOS SURDOS NA SALA DE AULA: PROCESSOS INTERPRETATIVOS E OPORTUNIDADES DE APRENDIZAGEM. 2008. 238 p. Dissertação (Mestrado) - Ufmg, [S. l.], 2008. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/FAEC-85LMNK/1/rodrigues__c._h._disserta__o__2008.pdf. Acesso em: 1 jun. 2020.

RODRÍGUEZ, Simón. Inventamos ou erramos. Belo Horizonte: Autêntica, 2016.

RODRÍGUEZ, Simón. Obras Completas, Tomo I e II, Caracas: Universidad Simón Rodríguez, 1999.

RORTY, Richard. Contingência, ironia e solidariedade. Queluz de Baixo: Editorial Presença, 1992.

RORTY, Richard. Objetivismo, Relativismo e Verdade. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1997ª.

SACKS, Oliver. Vejo uma voz: Uma viagem ao mundo dos surdos. Lisboa: Relógio D’Água, 2011.

SHAUMYAN, Sebastian. Signs, mind and reality: A theory of language as the folk model of the world. Amsterdam/Filadélfia: John Benjamins Publishing Company, 2006.

SIMONS, Maarten; MASSCHELEIN, Jan. Experiências escolares: uma tentativa de encontrar a voz pedagógica. In: JORGE larossa: elogio da escola. 1. ed. [S. l.]: Autêntica, 2017. p. 54-86.

STEINER, George. Depois de Babel: Aspectos de linguagem e tradução. Lisboa: Relógio D’Água Editores, 2002.

Publicado
2020-09-13
Métricas
  • Visualizações do Artigo 139
  • PDF downloads: 309
Como Citar
MODESTO, B. C. M. Surdez e Filosofia: entre a coexistência e a simbiose na educação básica. Anãnsi: Revista de Filosofia, v. 1, n. 1, p. 83-101, 13 set. 2020.