“A CHEGADA DA PROSTITUTA NO CÉU” E A CARNAVALIZAÇÃO: REFLEXÕES SOBRE OS TRAÇOS SÁTIROS E PATRIARCAIS NO CORDEL DE JOSÉ FRANCISO BORGES

  • Clarissa Loureiro Marinho Barbosa Universidade Federal de Pernambuco
  • Érica Natália Alves Siqueira Universidade de Pernambuco
  • João de Sá Araújo Trapiá Filho Universidade de Pernambuco

Resumo

Este artigo intitula-se “’A chegada da prostituta no céu’ e a carnavalização: reflexões sobre os traços sátiros e patriarcais do cordel de José Francisco Borges e pretende analisar como a carnavalização se dá na narração do texto, focalizando essa manifestação cultural dentro da literatura como proporcionadora de uma inversão social própria à festa de carnaval. O intuito é que se discuta como, em tal cordel, o mundo se apresenta às avessas, possibilitando uma aparente quebra de hierarquias e normas, ilustrada já na xilogravura desenhada em sua capa. Assim, este trabalho busca abordar a caracterização da prostituta como objeto sexual do prazer masculino, discutindo como esse traço é ratificado através da relação da meretriz com os santos, que são representações da masculinidade, recriados no cordel mediante o rebaixamento carnavalesco, resultante da sua afetivização comum na cultura popular nordestina. Deste modo, trata-se de uma pesquisa bibliográfica qualitativa, que possui a seguinte fundamentação teórica: Bakhtin (1981, 1987), com o estudo sobre a teoria da carnavalização; Chartier (2002), com reflexões sobre Culturas. E, além desses autores, há uma pesquisa histórica sobre a mulher trazida por Del Priore (1995) e uma discussão sobre xilogravura e cordel de acordo com Diégues Junior (1973). Assim, este texto propõe-se a valorar a carnavalização como traço da cultura popular reinventado em “A chegada da prostituta no céu”, a favor da constituição de um mundo nordestino brasileiro, com valores patriarcais, que se perpetuam através do riso e do deboche.

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Publicado
2021-02-10
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Seção
Artigo de Revisão