v. 6 n. 1 (2018): Revista ComSertões
EDITORIAL
A motriz que nos garante a ComSertões de encerramento do ano repousa na esperança de cultivar formas cada vez mais plurais de resistência e emancipação. Pluralidade, aliás, é a marca desta nova edição, com a qual fechamos o ano de 2018, ou reabrimos as chances para “novas harmonias, bonitas, possíveis, mas sem juízo final”, como canta Caetano Veloso em sua música “Fora da Ordem”, de 1991, e tão atual, e tão necessária para os ouvidos dos habitantes desses tempos nossos.
Em tempos de “reexistência”, de reinventar a resistência, é que nos voltamos para o nosso lugar, e podemos apontar para formas renovadas de emancipação. Seja através das experiências com agroecologia, como um dos artigos deste número nos aponta. Seja também através de uma tática de recriação da linguagem e do letramento através dos memes como gêneros discursivos na esfera pública. Ou através da representação dos vaqueiros nas imagens produzidas pelo grupo de jornadas fotográficas do Vale do São Francisco, de autoria de Carla Paiva e Priscilla Silva.
Mas essa edição também nos brinda com cenários de uma educação emancipatória menos óbvia e menos evidente, como nos propõem os textos “Palavra úmida, uma abordagem fenomenológica do espetáculo Rio de Contas” e o “Pedagogia da Vida: uma educação em saúde desde si mesmo”. Aqui estamos a tratar de um lugar primevo, o próprio corpo, sujeito esquecido pelas ciências que têm, no Sujeito, seu principal horizonte de preocupação.
A ComSertões permanece pois, em estado taciturno de resistência, reexistência e emancipação. Palavras caras que povoam as mentes dos que, atentos e vigilantes, observam o cenário que se descortina para o ano vindouro. Que possamos resistir, reinventar, re-significar lugares e tempos que nos atravessam a experiência de mundo.
João José de Santana Borges
Editor-gerente da ComSertões