Colonialidades e subalternidades: uma análise decolonial de Memórias de minhas putas tristes

Palavras-chave: Subalternidade; Colonialidade; Literatura;

Resumo

O objetivo deste artigo é compreender como as subalternidades e colonialidades se fazem presentes na obra Memórias de Minhas Putas Tristes de Gabriel García Márquez. Partimos do princípio de que a ambientação da obra e a construção dos personagens refletem ideologias coloniais e, portanto, comporta exemplos de subalternidades e colonialidades que constituem os territórios colonizados e as sociedades contemporâneas. Justificamos esse estudo ao propor reflexões críticas sobre escritos clássicos, colaborando para uma leitura ativa e atualizada. Para tanto, pautamo-nos em Hall (2016) ao pensar a literatura enquanto prática cultural e Gomes (2015) por situar o leitor cultural como ativo na compreensão do texto literário. Valemo-nos ainda dos estudos decoloniais (QUIJANO, 2005; LUGONES, 2014; VERONELLI, 2015) e dos estudos subalternos (SPIVAK, 2010) para identificara influência do processo colonial na obra. A análise aponta que esses atravessamentos resultam em submissão através da supervalorização da cultura eurocentrada, da divisão racial do trabalho, da violência de gênero, da linguagem opressora e de diferentes subalternidades impostas aos sujeitos/as colonizados/as.

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Biografia do Autor

Gabriela Botelho, Universidade Federal de Sergipe

Doutoranda em Linguagem: Identidades e Práticas Sociais no Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Juliana Santana, Universidade Federal de Sergipe

Mestranda em Estudos Literários no Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

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Publicado
2021-10-26
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Como Citar
BOTELHO, G.; SANTANA, J. Colonialidades e subalternidades: uma análise decolonial de Memórias de minhas putas tristes. Babel: Revista Eletrônica de Línguas e Literaturas Estrangeiras, v. 11, p. e333681, 26 out. 2021.