MIA COUTO: PODER E SUBMISSÃO FEMININA EM UM RIO CHAMADO TEMPO, UMA CASA CHAMADA TERRA

  • José Benedito dos Santos
  • Rita do Perpétuo Socorro Barbosa de Oliveira Universidade Federal do Amazonas - UFAM

Resumo

Resumo: O presente artigo tem como objetivo refletir sobre o lugar social ocupado pelas personagens femininas, em Um rio chamado Tempo, uma casa chamada Terra (2003), romance do escritor moçambicano Mia Couto, toman­do por base as propostas teóricas da literatura contemporânea e suas relações com o pós-colonialismo. Esse autor dedica-se amplamente à representação de sujeitos femininos subalternos no espaço enunciativo de sua obra literá­ria, tendo como proposta denunciar o silenciamento sociocultural, ao mesmo tempo em que esboça crítica às práticas culturais em curso na sociedade mo­çambicana pós-colonial. O autor denuncia a violência e as injustiças sociais cometidas pelos homens contra as mulheres africanas, em particular contra as moçambicanas que, em pleno século XXI, ainda vivem sob a tutela do patriar­cado. Essa subalternidade, presente nas relações entre homens que mandam e mulheres que obedecem, às quais Mia Couto dá ênfase na sua narrativa, está entre as discussões dos estudos pós-coloniais. Neste sentido, as obras de Mia Couto interessam aos estudos culturais e literários porque as protagonistas são mulheres que, “no caso de Moçambique são vistas como entidades marginais, sem voz, sem outra história senão aquela a que os homens lhes emprestam”. Entretanto e ao mesmo tempo, o autor retira-as desse mundo opressor para o qual foram relegadas pelo patriarcado africano e traduz suas vozes silencia­das, seus anseios de liberdade dando-lhes autonomia discursiva.

 

Palavras-Chaves: Mia Couto. Literaturas em Língua Portuguesa. Narrativa.

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Publicado
2016-06-05
Seção
Artigos