A análise do racismo no conto "Nós Matamos o Cão Tinhoso"

Autores

DOI:

https://doi.org/10.30620/gz.v10n1.p101

Palavras-chave:

Racismo estrutural, Conto, Literatura Moçambicana

Resumo

A exploração do território africano pelos europeus teve como principal motivação o racismo, utilizando a noção de raça para justificar a segregação dos povos negros africanos, sob uma pseudoideia de superioridade racial branca em detrimento de uma dita inferioridade dos povos e culturas dos negros em África. O racismo é um fenômeno global, que desde o processo de escravização vem operando como toda forma de amesquinhar, oprimir, desprezar e humilhar os negros de uma maneira a convencê-los de sua própria “inferioridade” (SOUZA, 2021). Desse modo, este artigo tem como objetivo central analisar como o racismo estrutural é retratado no conto Nós Matamos o Cão Tinhoso. Posto isso, este artigo, que possui um caráter metodológico qualitativo, documental e interdisciplinar, insere-se no campo epistemológico dos Estudos Culturais (BENNETT, 1992) no Brasil. Os estudos culturais são um campo de investigação de caráter interdisciplinar que explora as diversas formas de produção ou criação de significados e de difusão dos mesmos nas sociedades atuais. Portanto, pretende-se revelar de que forma o racismo opera no contexto moçambicano por meio de análises realizadas na obra supramencionada, de autoria do escritor Luís Bernardo Honwana, publicado em 1964. Por fim, será constatado como a literatura é um campo relevante para se refletir sobre o contexto moçambicano e de como o racismo do passado, de certa forma, ainda persiste nessa sociedade com outras faces.

[Recebido em: 21 mar. 2022 – Aceito em: 21 set. 2022]

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Robson Batista Moraes, Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC

Graduado em Letras Vernáculas e Letras Português como Língua Estrangeira (PLE) pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Especialista em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNI-LAB). Mestre em Língua e Cultura pelo Programa de Pós-Graduação em Língua e Cultura da UFBA e Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Referências

ADICHIE, Chimamanda Ngozi. The Dangerof a Single Story. Farafina Books, 11 abr. 2013. Disponível em: https://farafinabooks.wordpress.com/2013/04/11/chimamandaadichie-the-danger-of-a-single-story. Acesso em: 28 maio 2017.

ALMEIDA, Silvio Luiz de. O que é racismo estrutural? Belo Horizonte: Letramento, 2018.

BAGNO, Marcos. Pesquisa na Escola o que é como se faz. 21. ed. São Paulo: Loyola, 2010.

BENNETT, Tony. “'Putting Policy into Cultural Studies'”, In C. Nelson, L. Grossberg, P. Treichler (eds.), Cultural Studies. London/ New York: Routledge, 1992. p. 23-53.

BENNETT, Tony. Culture: A Reformer's Science. St Leonards, NSW: Allen & Unwin, 1998.

BRASIL. Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática ‘História e Cultura Afro-Brasileira’, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 10 jan. 2003. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.639.htm. Acesso em: 1 jun. 2022.

CÉSAIRE, Aimé. Discurso sobre o colonialismo. São Paulo: Veneta, 136 p, 1913.

CONCEIÇÃO, Vérsia Gonçalves. Nós Matamos o Cão Tinhoso: anticolonialismos, projetos de nação e protagonismos de (novos) homens moçambicanos / Vércia Gonçalves Conceição. Salvador, 2016. 167 f.

Davis, Ângela. Mulheres, raça e classe. Candiani, Herci Regina. São Paula: Boitempo, 2016, 244p.

DESLAURIERS J. P. Recherchequalitative: guide pratique. Québec (Ca): McGrawHill, Éditeurs, 1991.

FERREIRA, Manuel. Literaturas africanas de expressão portuguesa. Lisboa: Biblioteca Breve; Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, 1986.

FONSECA, J. J. S. Metodologia da pesquisa científica. Fortaleza: UEC, 2002.

Apostila. IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTA, 2016.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

HONWANA, Luis Bernardo. Nós Matámos o Cão Tinhoso. Moçambique: Cotovia, 1964.

LEITE, Ilka Boaventura. Quilombos e Quilombolas: Cidadania ou Folclorização? Horizontes Antropológicos, v. 10, p. 123-150, 1999.

MATA, Inocência. O pós-colonial nas literaturas africanas de expressão portuguesa. In: SEPÚLVEDA, Maria do Carmo; SALGADO, Maria Teresa (orgs.). África & Brasil: letras em laços. v.1. Rio de Janeiro: Editora Atlântica, 2000.

MBEMBE, Achille. Crítica da Razão Negra. Lisboa: Editora Antígona, 2014.

PEREIRA, Márcia Moreira; SILVA, Maurício Pedro da. Percurso da lei 10639/03 e o ensino de história e cultura africana no Brasil: antecedentes, desdobramentos e caminhos. Em tempo de histórias, v. 1, p. 125-135, 2013.

SABINE, Mark. Nós matámos o Cão Tinhoso: a emasculação de África e a crise do patriarca negro. Via Atlântica, n. 17, JUN/2010, p. 187-200.

SILVA. Ana Célia da. A discriminação do negro no livro didático. Salvador. Edufba/Ceao, 1995.

Publicado

2022-11-03

Como Citar

MORAES, R. B. A análise do racismo no conto "Nós Matamos o Cão Tinhoso". Grau Zero – Revista de Crítica Cultural, Alagoinhas-BA: Fábrica de Letras - UNEB, v. 10, n. 1, p. 101–118, 2022. DOI: 10.30620/gz.v10n1.p101. Disponível em: https://revistas.uneb.br/index.php/grauzero/article/view/13875. Acesso em: 23 jul. 2024.