A defesa da família tem sabor de margarina

  • Vinícius Lucas de Carvalho Universidade Federal de Minas Gerais

Resumo

Os discursos de defesa da família são constantemente utilizados nas disputas políticas à esquerda e à direita. Seja por meios mais conservadores, seja pela constituição de novas formas, o que permanece é uma concepção de família como uma unidade civilizatória: responsável pela incorporação das normas do regime de poder em cada corpo, de modo que a assimilação de racismos, heterocisnormas e cristianismo seja cada vez menos perceptível e cada vez mais reproduzida. Seguindo as sofisticações dos regimes de poder para a produção de opressões cada vez mais diluídas nas relações entre os corpos, investe-se na explicação e no cercamento das regras de re-produção corporal por meio do mantra familiar. Busca-se, assim, mobilizar afetos que movimentem as fronteiras e as margens que ainda defendem a família como a base emocional necessária a todos os corpos.

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Biografia do Autor

Vinícius Lucas de Carvalho, Universidade Federal de Minas Gerais

é uma bicha posithiviva professora de educação física ainda desempregada que está doutoranda no Programa de Pós-graduação em Educação, Conhecimento e Inclusão Social da Faculdade de Educação da UFMG. Sua pesquisa está em fase de qualificação e busca realizar uma cartografia de corposições, uma metodologia que a bicha deu de inventar para cercar as constantes estratégias coloniais de produção e governo dos corpos na demogracinha brasileira. Uma bicha que dança, escreve, cozinha, organiza evento, dá palestra, se monta e desmonta sempre que possível para criar formas de rir na cara do horror que é ser identificada na colônia que se acha democrática. Uma bicha que insiste que as alegrias devem ser produzidas de propósito, individual e conjuntamente, para enfrentar a constante disputa pelo sofrimento ainda imposta aos corpos. Uma bicha que quer estar viva para assistir à posse da primeira travesti presidenta do Brasil. É preciso matar uma norma heterocis, branca e cristã por dia, meu pêim!

Publicado
2021-12-13
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