Estudo do espaço narrativo em obras infantis brasileiras do autor Daniel Munduruku
Palavras-chave:
Literatura infantil; Espaço narrativo; Autoria indígena.Resumo
Acredita-se que, na árdua responsabilidade de ajudar as crianças a encontrarem significado na vida, experiências de crescimento e as influências de seus representantes ou cuidadores emergem consideravelmente. Depois disso, tem-se a literatura voltada a esse público que, ao extrapolar os limites da superficialidade e do automatismo, aparece como valiosa aliada. O fato é que instigar a leitura corresponde a um desafio generalizado e se a escolha - entre tantos títulos ofertados - parece tarefa difícil, os livros de autoria indígena compreendem uma riqueza de possibilidades trazendo enredos que ampliam as perspectivas e mudam o tradicionalmente imposto para o público infantil. Eles perpassam por abundantes temáticas - retratação dos valores, tradições, ancestralidade, memória, mitos, lendas - contribuindo no desenvolvimento da individualidade e consciência. Possuem uma substância significativa e não tiram a profundidade exigida no desenvolvimento dessa etapa. Ademais, tanto o trabalho com a literatura quanto o intenso engajamento figuram como cerne das atuações de grande parte desses escritores. Suas produções, as quais começam a ser enxergadas há não muito tempo, mostram a relevância de perquirir os espaços longínquos resgatados em prol da transformação da sociedade. Nesse caminhar interpretativo, pesquisar o espaço narrativo em obras infantis brasileiras de autoria indígena emerge como tema central deste artigo à medida em que se disserta sobre Daniel Munduruku.
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