(IN)FELICIDADE NA PUBLICIDADE E A CRENÇA DO “SER FELIZ”: COLUNAS FEMININAS DE CLARICE LISPECTOR

  • Níncia Cecília Ribas Borges Teixeira

Resumo

Nos anos de 1950, as colunas femininas dirigiam-se às mulheres num tom intimista, como em um encontro entre amigas. A imprensa é tanto um veículo educativo quanto um meio de ocupação da esfera pública compartilhado por diversos grupos sociais. Assim, entre as décadas de 1950 e 1960, o jornal funciona como instrumento para a educação feminina e para a construção do papel social da mulher. O artigo tem como objetivo fazer uma análise das colunas de jornais escritas por Clarice Lispector em alguns jornais, nos quais fez uso de pseudônimos. Os conselhos que apareciam nas colunas clariceanas formavam um guia de conduta — dicas sobre etiqueta, moda, culinária, maquiagem e postura. As seções eram compostas por pequenos textos narrativos que reuniam receitas e segredos ensinavam a mulher a tornar a vida prática e faziam com que essa leitora/companheira se sentisse especial. Ao representar a figura feminina, a imprensa constrói, projeta e estabiliza identidades sociais, em processos definidos histórica e culturalmente. Assim, as representações cristalizam-se em formas textuais e se associam a outros discursos. No artigo, são mobilizados pressupostos teóricos que se ligam à imprensa feminina e representação. 

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