Violência da colonização, Ditadura Militar e literatura no Brasil da modernidade
A “Cidade de Deus” de Paulo Lins
DOI:
https://doi.org/10.30620/pdi.v11n1.p17Palavras-chave:
Violência da colonialidade, Ditadura Militar, Literatura Latino-americana, Cidade de Deus, Bem-viverResumo
O presente artigo, em um primeiro momento, traz à tona a falta de diálogo, de integração, que existe entre o Brasil e os outros países da América Latina. Este fenômeno se apresenta em diferentes ordens: histórica, política, económica, etc., assim como no campo literário, particularmente na crítica e na historiografia tradicionais (modernas). Em seguida, as análises e reflexões se centram no romance de Paulo Lins: Cidade de Deus, mostrando como nas narrativas e histórias de vida que ele apresenta, podemos ver as diferentes marcas da violência colonial, eurocêntrica, patriarcal, racista, imperialista, que se impõe a partir de 1492 com a chamada “Conquista”, e ainda que mascaradas pelos mitos modernos da “democracia racial”, da “ordem e o progresso”, têm se reciclado, continuam presentes e desembocam na atual crise que atravessa o Brasil e, de forma ampla, o projeto civilizatório moderno-ocidental. Para encerrar, o artigo questiona se teimosamente queremos continuar por este caminho das “armas”, da violência, do suicídio coletivo ou construímos outros caminhos através das “letras”, de outras formas de educação, da arte, das vozes dos oprimidos, dos excluídos, dos pobres, do Bem-viver dos nossos povos originários.
[Recebido em: 21 mai. 2021 – Aceito em: 18 jun. 2021]
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