SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA COM ADOLESCENTES DO ENSINO MÉDIO

  • Iris Cruz Uneb
  • Caroline Oliveira UNEB
  • Ivana Santos UNEB
  • Eliene Santos UNEB
  • Márcia Silva UNEB
Palavras-chave: Saúde Sexual; Enfermagem; Reprodução; Adolescentes.

Resumo

Introdução: A adolescência é a transição entre a infância e a idade adulta, que compreende o período entre 10 e 19 anos, sendo a fase da vida que serão construídas as mudanças de personalidade, física e emocional (BRASIL, 2010; PESSOA, 2015). Com as diversas mudanças comportamentais, acontecem repulsa entre compreender sobre a saúde sexual e reprodutiva em ambos os sexos, sendo assim, uma fase que necessita saber a importância de esclarecer dúvidas sobre educação sexual e reprodutiva (BRASIL, 2019; PESOOA, 2015). A educação sexual nas escolas tem como base esclarecer dúvidas e levar o conhecimento específico sobre a saúde sexual e reprodutiva entre as/os adolescentes, colaborando para redução da exposição das/dos jovens a alguns riscos, como a infecções sexualmente transmissíveis (IST’s) e gravidez não planejada na adolescência. De acordo com o Ministério da Saúde (BRASIL, 2010) o início precoce da atividade sexual na adolescência tem repercutido no setor saúde com o rejuvenescimento do padrão reprodutivo, aumento da gravidez na adolescência e consequentemente mortalidade em mulheres adolescentes de 10 a 19 anos, além de maiores ocorrências de aborto. Tal fato desvela a importância de políticas públicas de saúde voltadas à garantia de saúde sexual e reprodutiva de adolescentes com foco na prevenção de IST’s e gravidez não planejada na adolescência. Diante disso, o Ministério da Educação sugere que as escolas abordem conteúdos voltados para a orientação sexual, porém percebe-se que as escolas têm dificuldade em implementar a temática fortemente influenciado pelas crenças e valores pessoais e familiares, normas morais e tabus da sociedade. O Programa Saúde na Escola (PSE) foi instituído em 2007 com o objetivo de levar a equipe de saúde da família para o ambiente escolar contribuindo com a educação em saúde dos jovens, possibilitando a enfermagem trabalhar de forma interdisciplinar com as/os jovens (BRASIL, 2018). Diante do exposto, percebe-se a importância de práticas educativas em saúde que proporcionem uma discussão sobre sexualidade e saúde sexual e reprodutiva entre adolescentes, por ser uma idade em que os conceitos e personalidade ainda estão em formação e de grandes descobertas. Objetivo: Descrever as experiências de discentes de Enfermagem de uma universidade pública com práticas educativas em saúde sobre a saúde sexual e reprodutiva para adolescentes de Senhor do Bonfim/BA. Metodologia: Trata-se de um relato de experiência, desenvolvido através do projeto de extensão “Práticas educativas em saúde: gênero, educação sexual e sexualidade” (GEEDS), que tem como objetivo sensibilizar discentes e comunidade para a importância da educação sexual e respeito à diversidade sexual e de gênero através de práticas educativas em saúde. As atividades do projeto foram desenvolvidas por discentes do curso de Bacharelado em Enfermagem da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Campus VII, Senhor do Bonfim. Foram realizadas duas atividades educativas com a temática “Saúde sexual e reprodutiva” em uma escola da rede estadual de Senhor do Bonfim, nos dias 26 de setembro e 11 de outubro de 2022, no turno da manhã das 10:30 à 11:30, com 50 adolescentes do 1º e 2º ano do Ensino Médio. Os recursos utilizados para a execução das atividades educativas foram: projetor data show, notebook, quadro branco, pincel para quadro branco, papel ofício, banner de lona sobre saúde sexual e reprodutiva. As atividades foram mediadas pelas monitoras Iris Ribeiro e Caroline Oliveira, voluntária e bolsista, respectivamente, e supervisionada pela professora responsável pelo projeto de extensão Eliene Almeida. As duas atividades foram desenvolvidas três momentos: No primeiro momento tem-se a apresentação do projeto GEEDS; No segundo momento, foram entregues papéis para as/os discentes pudessem anotar perguntas e suas dúvidas sobre a temática, caso não se sentissem à vontade para fazer o questionamento oral; Em seguida, o terceiro momento foi a exposição do tema abordando as principais IST’s e os métodos contraceptivos através de metodologia expositiva via slides e com o auxílio de banner explicativo sobre o tema; O quarto momento foi a elucidação de dúvidas que emergiram após a apresentação do tema, seja com questionamentos livres ou os registrados nos papéis devolvidos ao final do terceiro momento. Resultados: As/os adolescentes compartilharam experiências e dúvidas sobre o tema de saúde sexual e reprodutiva, como pode ser verificado pelos questionamentos: Como é consulta de enfermagem nas unidades de saúde? A ginecologista é para todas as idades, precisa de um responsável? O DIU pode ser usado em qualquer idade? Quem é virgem pode usar o DIU? Qual a injeção melhor, mensal ou trimestral? Como faço a consulta de enfermagem sem os pais? Como usa a camisinha feminina? Pode fazer reversão da vasectomia? Existe aplicativo para atendimento sobre a temática, para se evitar o constrangimento de ir a unidade de saúde? Todos os questionamentos foram respondidos pelas monitoras e docente. Pode-se perceber que o público-alvo adolescentes apresentam ainda muitas dúvidas sobre a educação sexual, o acesso aos serviços de saúde de forma segura e sigilosa e os métodos contraceptivos. Assim, este projeto colabora para o melhor entendimento sobre a temática, para que possam exercer sua sexualidade de maneira segura e livre de IST’s ou gravidez não planejada na adolescência. Reforça-se a necessidade de maior incentivo para a implementação das Diretrizes Nacionais para a Atenção Integral à Saúde de Adolescentes e de Jovens na Promoção, Proteção e Recuperação da Saúde pelas três esferas de gestão. Durante o desenvolvimento do projeto algumas dificuldades foram encontradas, como: a dispersão em alguns momentos, principalmente dos adolescentes do sexo masculino; e o esvaziamento da sala com a saída de adolescentes para o horário de almoço e posterior horário do ônibus escolar. Como pontos positivos do projeto, pode-se destacar: a boa aceitação do tema proposto; a elucidação de dúvidas diante do tema apresentado; a participação e atenção ao tema exposto. Para além disso, pode-se mencionar a relevância para o processo formativo das discentes de enfermagem, uma vez que a vivência extensionista poderá contribuir para uma melhor compreensão da função da enfermeira enquanto responsável pela educação em saúde e prevenção de IST’s e gravidez na adolescência, promovendo a saúde integral de adolescentes, conforme política específica do Ministério da Saúde. Assim, como futuras enfermeiras, as discentes de enfermagem necessitam desenvolver algumas competências e habilidades na educação em saúde e de modo especial, um olhar atento para as questões que envolvam gênero e sexualidade. É preciso saber as especificidades sobre o cuidado de populações vulneráveis e invisibilizadas e de temas que são pouco discutidos dentro dos currículos. Conclusão: Percebe-se a importância do projeto GEEDS ser implantado nas escolas, para as/os adolescentes elucidarem suas dúvidas e possam aprender as boas práticas relacionadas a saúde sexual e reprodutiva. Ademais, a atividade educativa foi um instrumento necessário para promoção do cuidado através de educação em saúde para o autocuidado de adolescentes, possibilitando a troca de saberes e o fortalecimento do vínculo com as atividades extramuros da universidade, baseada no tripé ensino, pesquisa e extensão. Como contribuições e implicações para a Enfermagem, os resultados das atividades extensionistas revelam a importância da atuação da enfermeira na educação sexual de adolescentes.

 

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Referências

BRASIL, M. E; Cardoso, F.B; Silva, L.M. Conhecimento de escolares sobre infecções sexualmente transmissíveis e métodos contraceptivos. Rev enferm UFPE on line. 2019.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção em Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Diretrizes nacionais para a atenção integral à saúde de adolescentes e jovens na promoção, proteção e recuperação da saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2010.

BRASIL, Ministério da Educação. Programa Saúde nas Escolas. 2018. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/expansao-da-rede-federal/194secretarias-112877938/secad-educacao-continuada-223369541/14578-programa-saude-nas-escolas.

PESSOA, L. A. S.; GUEDES, T. G. Educação Sexual e Reprodutiva de Adolescentes no Ambiente Escolar: Percepções de Alunos e Professores. XXIII Conic VII Coniti IV Enic, p. 4, s.d. 2015.Disponível em: https://www.ufpe.br/documents/616030/876489/Educa%C3%A7ao_sexual_e_reprodutiva_de_adolecentes_no_ambiente_escolar.pdf . Acesso em: 17 out. 2022.

Publicado
2022-11-14
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Como Citar
Cruz, I., Oliveira, C., Santos, I., Santos, E., & Silva, M. (2022). SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA COM ADOLESCENTES DO ENSINO MÉDIO. Encontro De Discentes Pesquisadores E Extensionistas, 1(01), e202225. Recuperado de https://revistas.uneb.br/index.php/edpe/article/view/15503