PRÁTICAS ANCESTRAIS COMO ESTRATÉGIAS INTEGRATIVAS NA ATENÇÃO À SAÚDE: CONTRIBUIÇÕES NA PREVENÇÃO E CONTROLE DE DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS

Autores

Palavras-chave:

Práticas Integrativas, Saberes Ancestrais, Doença Crônicas Não Transmissíveis

Resumo

Introdução: O estudo parte da compreensão de que as de doenças crônicas não transmissíveis estão profundamente associadas aos determinantes sociais da saúde, aos efeitos do racismo estrutural e ao apagamento histórico dos saberes tradicionais nos sistemas formais de cuidado. Objetivo: Este trabalho tem como objetivo analisar o papel das práticas ancestrais de matriz africana e afro-indígena como práticas integrativas e complementares em saúde (PICS), com foco na sua contribuição para a prevenção e o controle de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), a exemplo da hipertensão, diabetes tipo 2 e distúrbios metabólicos. Metodologia: Fundamenta-se nas Epistemologias do Sul, que propõem o reconhecimento de racionalidades não hegemônicas, e na perspectiva da interculturalidade crítica, a partir da qual se promove o diálogo horizontal entre práticas biomédicas e saberes ancestrais. A metodologia adotada é qualitativa, com base em estudo de caso de experiências em comunidades quilombolas do Recôncavo e da Região Metropolitana de Salvador (BA), com observação participante, entrevistas com praticantes (raizeiras, benzedeiras e agentes comunitários), e análise documental de ações intersetoriais em saúde. As práticas observadas incluíram o uso terapêutico de plantas medicinais (como boldo, jurubeba, folha da costa, alfavaca e cipó mil-homens), alimentação ritualística com base na oralidade ancestral, técnicas de relaxamento espiritual e meditação de matriz afro-brasileira. Também se analisaram práticas coletivas de cuidado como rodas de partilha, banhos de ervas e   oferendas de cura. Resultados: Os resultados preliminares sugerem que a incorporação dessas práticas no cotidiano das comunidades fortalece a autonomia no cuidado, melhora a adesão ao tratamento convencional, reduz episódios de crise hipertensiva e glicêmica e amplia a percepção de bem-estar físico, emocional e espiritual. Além disso, tais práticas atuam como dispositivos de reparação histórica e reconexão identitária, produzindo efeitos terapêuticos que extrapolam o corpo físico e alcançam o coletivo. Conclusão: A valorização das práticas ancestrais como PICS, no âmbito do SUS, representa não apenas uma ampliação do cuidado, mas uma aposta na pluralidade epistemológica e no enfrentamento do racismo institucional nos serviços de saúde.

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Biografia do Autor

Susane Souza Conceição, Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Bahia - Brasil

Graduada em Enfermagem. Coordenadora da Área Técnica da Saúde da População Negra e Anemia Falciforme da Secretaria Municipal de Saúde de Lauro de Freitas.

Referências

Não se aplica

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Publicado

2026-04-23

Como Citar

Conceição, S. S. (2026). PRÁTICAS ANCESTRAIS COMO ESTRATÉGIAS INTEGRATIVAS NA ATENÇÃO À SAÚDE: CONTRIBUIÇÕES NA PREVENÇÃO E CONTROLE DE DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS. Práticas E Cuidado: Revista De Saúde Coletiva, 7(Esp.1), e28509. Recuperado de https://revistas.uneb.br/saudecoletiva/article/view/28509