ENTRE POLÍTICA E ANCESTRALIDADE: EXPERIÊNCIA INTERSETORIAL E CONTRA- HEGEMÔNICA DE IMPLEMENTAÇÃO DA PNSIPN EM LAURO DE FREITAS (BA)

Autores

Palavras-chave:

Saúde da População Negra, Saberes Tradicionais, Cuidado Contra- Hegemônico

Resumo

Introdução: A saúde da população negra e quilombola demanda abordagens que rompam com o modelo biomédico hegemônico e valorizem a interculturalidade, a espiritualidade e os modos de vida enraizados nos territórios. Objetivo: Este trabalho busca relatar uma experiência pioneira de implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN) no município de Lauro de Freitas (BA), articulando estratégias de governança intersetorial com práticas contra-hegemônicas de cuidado baseadas em saberes ancestrais. Metodologia: Relato de experiência inspirado nas Epistemologias do Sul e na interculturalidade crítica, a proposta integra a PNSIPN à Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, à Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola e ao enfrentamento do racismo estrutural, articulando saúde, educação e identidade em um mesmo campo de luta e    cuidado. Resultado: A implementação iniciou-se com a criação do Grupo de Trabalho Intersetorial “Saúde Sem Racismo”, reunindo secretarias municipais de Saúde, Igualdade Racial, Educação, Desenvolvimento Social, Cultura e Juventude, além de conselhos e lideranças comunitárias. A metodologia baseou-se em relato de experiência, observação participante e análise documental. Foram realizadas oficinas, mapeamentos territoriais e o I Fórum Municipal de Saúde da População Negra e Quilombola (29/07/2025), espaço estratégico para a construção coletiva do plano municipal. A proposta valoriza práticas como uso de plantas medicinais, alimentação ritualística, benzimentos, rezas e cuidado espiritual como tecnologias de saúde legítimas. Tais práticas são também conteúdos de formação em saúde e educação, fortalecendo a interface entre cuidado e currículo nas escolas quilombolas. Como inovação, foi criado o selo “Espaço de Saúde Afroreferenciado”, que certifica unidades que adotam práticas antirracistas e culturalmente sensíveis. Conclusão: Os resultados demonstram que a implementação da PNSIPN, quando ancorada em estratégias intersetoriais e no reconhecimento dos saberes tradicionais, contribui para a reparação histórica, o fortalecimento dos territórios e a construção de um modelo de saúde antirracista, descolonizador e enraizado nas experiências vivas do povo negro.

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Biografia do Autor

Susane Souza Conceição, Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Bahia - Brasil

Graduada em Enfermagem. Coordenadora da Área Técnica da Saúde da População Negra e Anemia Falciforme da Secretaria Municipal de Saúde de Lauro de Freitas

Referências

Não se aplica

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Publicado

2026-04-23

Como Citar

Conceição, S. S. (2026). ENTRE POLÍTICA E ANCESTRALIDADE: EXPERIÊNCIA INTERSETORIAL E CONTRA- HEGEMÔNICA DE IMPLEMENTAÇÃO DA PNSIPN EM LAURO DE FREITAS (BA). Práticas E Cuidado: Revista De Saúde Coletiva, 7(Esp.1), e28507. Recuperado de https://revistas.uneb.br/saudecoletiva/article/view/28507