ÈṢÙ COMO TECNOLOGIA ANCESTRAL DE CUIDADO: LUTA ANTI-COLONIAL E O RECONHECIMENTO DE SABERES NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE

Autores

Palavras-chave:

Medicina Tradicional, Promoção da Saúde, Saúde Coletiva

Resumo

Introdução: Este trabalho analisa Èṣù como tecnologia leve ancestral de comunicação e cuidado, operando como dispositivo de resistência anti-colonial na saúde coletiva. Èṣù é um Orixá central, cultuado em todas as tradições de terreiro, representando a "menor esfera" e a fertilidade universal. Liturgicamente representado pela pedra de Yangí e por formas fálicas que simbolizam a procriação e o movimento, Èṣù é o primeiro filho do universo e regente das encruzilhadas, onde o encontro de caminhos constitui seu trono. Sua natureza é estratégica e capaz de realizações impossíveis, como evoca o ditado: “Èṣù matou um pássaro ontem, com uma pedra que só jogou hoje”, portanto, este trabalho propõe uma reflexão teórico-conceitual sobre Èṣù, compreendido como tecnologia leve ancestral de comunicação e cuidado, operando como dispositivo de resistência anti-colonial no campo da saúde coletiva. Objetivo: Investigar como essa matriz tecnológica promove a saúde e previne agravos ao valorizar conhecimentos que resistem ao colonialismo. Metodologia: A discussão fundamenta-se na luta anti-colonial, movimento histórico de libertação política e territorial contra a dominação imperialista, utilizando Frantz Fanon e Aimé Césaire para denunciar a desumanização e o racismo epistêmico. O recorte teórico articula as tecnologias leves de cuidado às diretrizes da Resolução nº 715/2023 do Conselho Nacional de Saúde, que legitima os saberes tradicionais e as medicinas dos povos quilombolas e de terreiro como essenciais ao SUS. Trata-se de um ensaio reflexivo que cruza a saúde coletiva com a cosmopercepção yorùbá, focando no Èṣù Barà (o corpo) como suporte de memória e autonomia. Resultado: Argumenta-se que a tecnologia de Èṣù atua na mediação de fluxos e na produção de sentido, combatendo a lógica eugenista que excluiu corpos negros. Ao operar na "abertura de caminhos", essa tecnologia ativa mecanismos de acolhimento e proteção integral, garantindo o direito à saúde por meio de abordagens não hegemônicas. Conclusão: Conclui-se que o reconhecimento de Èṣù como tecnologia de cuidado permite uma prática em saúde compromissada com o anti-colonialismo, transformando saberes ancestrais em ações políticas de promoção à vida e enfrentamento ao racismo sistêmico.

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Biografia do Autor

Diego Santiago Montandon, Responsável Técnico de Enfermagem no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial - Brasil

Doutor em Enfermagem Fundamental, com Pós-doutorado em Tecnologias do Cuidado pela Universidade de São Paulo. Bàbálorisá na Egbé Ypó Òrún – EYO

Ederson Kelvyn Machado , Universidade Católica de Santos - Brasil

Graduado em Psicologia

Edemilson Antunes de Campos, Docente no Programa Interunidades de Doutoramento em Enfermagem da Escola de Enfermagem e da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo - Brasil

Doutor em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Carlos, com Pós-doutorado pelo Centre de Recherche Médicine, Sciences, Santé et Société

Referências

Não se aplica

Arquivos adicionais

Publicado

2026-04-23

Como Citar

Montandon, D. S., Santiago, B. M. C. T., Machado , E. K., & Campos, E. A. de. (2026). ÈṢÙ COMO TECNOLOGIA ANCESTRAL DE CUIDADO: LUTA ANTI-COLONIAL E O RECONHECIMENTO DE SABERES NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE. Práticas E Cuidado: Revista De Saúde Coletiva, 7(Esp.1), e28430. Recuperado de https://revistas.uneb.br/saudecoletiva/article/view/28430