Manifesto periocrítico sobre Inteligência Artificial e o Sul Global
DOI:
https://doi.org/10.30620/pdi.v15n2.p127Palavras-chave:
Periocrítica. Inteligência Artificial. Colonialismo de dados. Soberania digital. Sul Global.Resumo
Este manifesto discute criticamente o avanço da Inteligência Artificial (IA) no contexto do Sul Global e propõe a Periocrítica como abordagem teórico-metodológica para enfrentar as assimetrias produzidas pelas tecnologias algorítmicas. Parte-se da compreensão de que os sistemas de IA não são neutros, mas dispositivos sociotécnicos atravessados por Interesses econômicos, ideologias e estruturas históricas de poder que Influenciam o acesso a direitos, oportunidades e visibilidade social. Em diálogo com autores clássicos da teoria crítica e pensadores contemporâneos que Investigam a colonialidade de dados e os vieses algorítmicos, argumenta-se que a expansão da IA tende a reproduzir dependências históricas e desigualdades estruturais, especialmente nas regiões periféricas do sistema global. Como resposta a esse cenário, apresenta-se a Periocrítica como uma proposta analítica e pedagógica fundamentada em quatro pilares: desnaturalização dos discursos, dialeticidade, circularidade reflexiva e transformação social. Essa abordagem busca formar sujeitos capazes de Interpretar criticamente sistemas algorítmicos e Intervir nas estruturas que reproduzem desigualdades digitais. Defende-se, assim, a necessidade de fortalecer uma agenda de pesquisa e ação voltada à soberania digital, à formação crítica e à construção de políticas públicas que promovam transparência algorítmica e justiça tecnológica no Sul Global.
Submissão: 28 set. 2025 ⊶ Aceite: 25 out. 2025
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