As disputas pela memória da Guerra do Paraguai no Brasil durante a transição da Monarquia para a República

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Palavras-chave:

historia politica brasileira, Monarquia, República, Usos do passado, memória da guerra do paraguai

Resumo

O objetivo deste artigo é examinar as disputas político/simbólicas pela memória da Guerra do Paraguai no Brasil durante a transição da Monarquia para a República. Analiso esses conflitos à luz dos interesses envolvidos naquele que era o principal tema do debate político brasileiro da época: a relação entre os militares e a política. O texto está dividido em três partes. Primeiro, examino a publicação dos testemunhos dos veteranos da Guerra do Paraguaia na “Revista do Exército Brasileiro”, que foi o periódico científico-oficial do Exército entre 1882 e 1888. Em seguida, me dedico à forma como o jacobinismo militar liderado por Floriano Peixoto encarnou a memória da Guerra do Paraguai na figura de Manoel Luís Osório, o marquês de Herval. Por último, analiso a narrativa política de memória desenvolvida pelos governos civis entre 1894 e 1901, como parte de um projeto político que visava a desmilitarização da República e a contenção política dos militares.

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Biografia do Autor

Rodrigo Perez Oliveira, UFBaUniversidade Federal da Bahia - Brasil

Doutor em história social pela UFRJ e professor do departamento de história e do programa de pós-graduação em história da UFBa, com pós-doutorado na Universidade Complutense de Madrid.

Lattes:  https://lattes.cnpq.br/ 8386419351011987

Contribuição de autoria: autor.

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Publicado

2025-11-12

Como Citar

OLIVEIRA, R. P. As disputas pela memória da Guerra do Paraguai no Brasil durante a transição da Monarquia para a República . Perspectivas e Diálogos: Revista de História Social e Práticas de Ensino, Caetité, v. 8, n. 15, p. 24–51, 2025. Disponível em: https://revistas.uneb.br/nhipe/article/view/25520. Acesso em: 13 jan. 2026.