Decolonialidade feminista afro-latino-americana
diálogos possíveis entre Brasil e Peru
DOI:
https://doi.org/10.30620/pdi.v14n2.p131Palavras-chave:
Mulheres negras. América Latina. Raça. Gênero.Resumo
Este ensaio reflete sobre a produção intelectual de mulheres negras na América Latina como um exercício que possibilita a construção de uma decolonialidade a partir da experiência das mulheres negras. Como estudo de caso, realizamos uma análise comparativa da trajetória de Victoria Santa Cruz, do Peru, e Lélia Gonzalez, do Brasil. A partir da análise bibliográfica de seus trabalhos teóricos e artísticos, observamos que elas exploraram suas próprias experiências para compreender as estruturas de opressão das sociedades latino-americanas silenciadas pela ideologia da mestiçagem e construir projetos político-culturais próprios. Enquanto negavam o lugar de subalternidade, silenciamento e exploração atribuído às mulheres negras na América Latina desde o período colonial, Victoria e Lélia construíram as bases para o que denomino de “decolonialidade feminista afro-latino-americana”. Nela, as mulheres negras se auto-reconhecem como sujeitos que vivem de forma autônoma, produzem conhecimento e agem politicamente a despeito da colonialidade. E assim, elas elaboram alternativas que redefinem os próprios sentidos de América Latina.
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