Epistemologias, mitos e histórias: a África no Brasil e os “africanismos” brasileiros

2022-04-08

Ontologicamente visitado e revisitado, o continente africano aparece sempre no imaginário brasileiro tecido de incertezas, como arenas de disputas epistêmicas, cercado e cerceado por balizas teóricas que o transformam em um lugar lúgubre e, ao mesmo tempo, utópico. Desse cenário surge inúmeras interrogações, que desafiam os pesquisadores e as pesquisadores a se jogarem sobre inúmeras discussões vigentes: África Negra, África Muçulmana, África Cristã, História Local e Regional da África, Mitologias dos povos africanos, África isso, África aquilo etc.

Essas poucas questões jogadas acima são apenas para iniciarmos as inúmeras formas metodológicas que interferem no posicionamento do africanista em sua jornada de pesquisa sobre esse intrigante continente. Para além disso, também produz e reproduz as representações sobre a África, que, parafraseando Mudimbe, trazem as ideias de África, que não raras vezes, estão carregadas de cadinhos ideológicos fomentados por posicionamento políticos. A África exótica ou atrasada vive nas mentes quase incautas de algumas pessoas ainda em pleno século XIX.

Boaventura de Souza Santos denominou de epistemicídio todas as formas de se fazer ciência que não levaram em consideração maneiras diferentes que escapassem das metodologias “criadas” no Ocidente. Assim, haveria um certo imperialismo epistêmico em que apenas com usos de métodos da dita ciência poderia se fazer uma pesquisa.

Por outro lado, visões afirmadas a partir de posicionamentos ideológicos tem cometidos apriorismos diferenciados sobre a África, tendo como resultado final um continente tão ou mais fantasioso do que aquele afirmado por Hegel, por Kant, Hume e outros pensadores do Iluminismo europeu.

Este dossiê, portanto, tem por objetivo reunir pesquisadores e pesquisadoras de graduação e dos diversos campos do saber que se debruçam sobre questões relativas as epistemologias que representam a África, os africanismos no Brasil e as interpretações dos inúmeros corpos míticos dos diversos povos africanos. Assim, este dossiê pretende recepcionar artigos que problematizem essas questões, promovendo a interlocução entre as inúmeras metodologias de se pesquisar o continente africano a partir do ponto de vista dos pesquisadores brasileiros.

Prazo final de Submissão – 05 de junho de 2022.

Enviar para o endereço eletrônico: rayert22@gmail.com

Coordenadores:

                          Prof. Dr. Rodrigo Castro Rezende (UFF- Campos dos Goytacazes)

                          Discente Raynara Escala Ribeiro Torres (UFF- Campos dos Goytacazes)