Banco Mundial e Políticas Educacionais

as interferências na Educação Superior no Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21879/faeeba2358-0194.2024.v33.n75.p191-211

Palavras-chave:

Educação Superior, Políticas educacionais, Banco Mundial, Educação.

Resumo

Este artigo visa discutir o papel de agente interveniente do Banco Mundial na produção de políticas educacionais para a Educação Superior no Brasil. Para isso, configura-se como uma pesquisa bibliográfica e documental, cujos dados são constituídos de artigos e documentos submetidos à análise documental. Os principais resultados apontam para a perspectiva de que as ideias, premissas e recomendações do Banco Mundial aos países em desenvolvimento se alinham com as políticas públicas educacionais que esses países formulam e implantam. Como grande parte dos países recorre ao Banco Mundial em busca de financiamentos para desenvolver projetos no campo educacional, acaba ficando “refém” dessa instituição. A partir disso, é possível concluir que prevalece a dependência do Brasil em relação aos ditames do Banco Mundial na constituição de políticas públicas educacionais para o Ensino Superior.

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Biografia do Autor

Ricardo Ferreira Vitelli, Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Doutor em Educação (2017), Mestre em Educação (2013) e Especialista em Metodologia do Ensino Superior (1987), todos pela Universidade do Vale do Rio do Sinos - UNISINOS. Graduado em Estatística pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS (1984). Docente do Programa de Pós-Graduação em Educação Mestrado Profissional em Gestão Educacional. Professor adjunto da Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Tenho experiência na área de Probabilidade e Estatística, atuando principalmente nos seguintes temas: pesquisa mercadológica, políticas públicas, indicadores educacionais e ensino médio. Atuei no Observatório de Educação no projeto intitulado Indicadores de Qualidade e Gestão Democrática Núcleo em Rede 2011-2014, dentro do subprojeto Evasão no Ensino Médio e Superior, no Município de São Leopoldo - RS e outros projetos de pesquisa.

Rosangela Fritsch, Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Graduação (1982) e Mestrado em Serviço Social (1995 ) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Doutorado em Educação (2006) pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e Pós-doutorado pela Universidade do Porto. Atualmente é professora titular nos Programas de Pós-Graduação em Educação (Acadêmico) e em Gestão Educacional (Profissional), na Graduação e Especializações da Unisinos. Pesquisadora e coordenadora do Grupo de Pesquisa Políticas Educacionais e Gestão Educacional/Escolar e do Projeto de Pesquisa Evasão escolar, gestão e formação de recursos humanos em escolas públicas de ensino médio no município de São Leopoldo-RS. Tem experiência em Gestão Universitária com atuação na coordenação de cursos de Graduação e Pós-graduação Lato Senso e áreas administrativas (coordenadora do setor Serviços Sociais e Benefícios e Gerencia de Atenção ao Aluno). Tem experiência acadêmica e produção nas áreas de Educação, Administração e Serviço Social, atuando principalmente nos seguintes temas: Trabalho, Formação Profissional, Gestão de Pessoas, Trajetórias Profissionais, Políticas Educacionais, Políticas de Currículo, Gestão Educacional e Escolar, Avaliação Educacional e Indicadores de Qualidade. Participa como pesquisadora dos Grupos de Pesquisa: Currículo, Avaliação, Formação e Tecnologias educativas (CAFTe) da Universidade do Porto, Portugal, Rede Ibero-Americana de Estudos sobre Educação Profissional e Evasão Escolar (RIMEPES) - UFMG e História, Política e Gestão da Escola Básica - UNISINOS, Trabalho Educação e Conhecimento - UFRGS. Atualmente é Diretora Acadêmica da Associação Brasileira de de Prevenção da Evasão Escolar (ABAPEVE) e membro do Comitê Científico da Casa Leiria.

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Publicado

2025-08-20

Como Citar

VITELLI, R. F.; FRITSCH, R. Banco Mundial e Políticas Educacionais: as interferências na Educação Superior no Brasil. Revista da FAEEBA - Educação e Contemporaneidade, Salvador, v. 33, n. 75, p. 191–211, 2025. DOI: 10.21879/faeeba2358-0194.2024.v33.n75.p191-211. Disponível em: https://revistas.uneb.br/faeeba/article/view/8876. Acesso em: 15 fev. 2026.