Tecnologia Digital e Desigualdade Curricular Amazonense
limitações e provocações em uma escola da periferia de Manaus
DOI:
https://doi.org/10.21879/faeeba2358-0194.2025.v34.n80.p128-140Palavras-chave:
Tecnologia, Currículo, Amazonas, DesigualdadeResumo
O discurso que apresenta as tecnologias digitais como solução universal para os desafios educacionais oculta desigualdades profundas, sobretudo em contextos periféricos. Essa crítica dialoga com a filosofia da tecnologia de Andrew Feenberg e sua teoria crítica, que denuncia exclusões mascaradas por narrativas de neutralidade técnica. O artigo analisa os efeitos da digitalização curricular em um recorte de pesquisa de mestrado realizada em uma escola pública da periferia de Manaus, evidenciando tensões entre as promessas das políticas de inovação tecnológica e as realidades materiais, sociais e culturais do território. A investigação, conduzida por uma abordagem cartográfica inspirada em Deleuze e Guattari, mapeou práticas, discursos e resistências docentes nas dobras do cotidiano escolar. Conclui-se pela urgência de currículos sensíveis ao território, às condições concretas e às potências criadoras locais, capazes de resistir à homogeneização técnica e afirmar a multiplicidade dos modos de ensinar e aprender.
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Atualizado em 15/07/2017

