Políticas Curriculares e Relações de Ensino-Aprendizagem

tensões entre a formação neotecnicista e o esmaecimento da Reflexão Crítica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21879/faeeba2358-0194.2025.v34.n77.p35-50

Palavras-chave:

Aprendizado, Educação neoliberal, Empreendedorismo de si, Prática docente

Resumo

Fundamentada em uma análise documental com foco na relação entre educação e trabalho, especificamente no âmbito da História do Tempo Presente e dos Estudos de Políticas de Currículo, o estudo centrou-se na dinâmica professor-aluno que surge dentro dos limites da racionalidade neoliberal brasileira, influenciada pelos marcos legais estabelecidos a partir de 1996. Esses marcos têm o potencial de minar as práticas de ensino, diminuindo a autonomia da formação crítica reflexiva frente ao neotecnicismo presente no itinerário formativo curricular. Consequentemente, o exercício da docência assume um novo significado no presente, à medida que a educação se alinha com os princípios de uma racionalidade de livre-mercado que adere à cultura empresarial e do empreendedorismo de si. Os indivíduos formados neste contexto procuram integrar os seus objetivos de vida, integração social e aspirações profissionais no seu percurso educativo, o que abrange tanto professores como alunos

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Audrei Rodrigo da Conceição Pizolati, Doutor em Educação - UNISINOS

Doutor (2022) e Mestre (2018) em Educação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), com apoio do Programa de Excelência Acadêmica/Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (PROEX/CAPES) - bolsas integrais. Licenciado em História (2013) pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), com apoio do Programa Universidade Para Todos (ProUni) - bolsa integral - e Licenciado em Pedagogia pelo Centro Universitário Claretiano (2023), Pós-Doutorado (PDJ) em Educação, com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Edital No. 32/2023 CNPq Bolsas Pelo País), Instituição Executora: UNISINOS (2024). Atualmente, integra o Grupo Interinstitucional de Pesquisa em Docências, Pedagogias e Diferenças (GIPEDI/CNPq/UNISINOS) e Grupo de Estudos e Pesquisas em Currículo, Ensino Médio e Juventudes Contemporâneas GEPCEM (UNISINOS/CNPq).

Referências

ANDERSON, Gary. A reforma escolar como performance e espetáculo político. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 35, n. 2, p. 56-76, jan./abr. 2010. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/educacaoerealidade/article/view/12883. Acesso em: 10 jan. 2021.

BAUMAN, Zygmunt. Vida líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

BIESTA, Gert. Good education in an age of measurement: ethics, politics, democracy. London: Routledge, 2018.

BOURDIEU, Pierre. Fieldwork in philosophy”. In: Coisas Ditas. Rio de Janeiro: Brasiliense, 1990. p.15-48.

BRASIL. Lei de diretrizes e bases para a educação nacional. Brasília: [Casa Civil], 1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 05 maio 2021.

BRASIL. Base Nacional Curricular Comum. Etapa ensino médio: educação é a base. Brasília, MEC: CONSED: UNDIME, 2018a. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 15 mar. 2021.

BRASIL. Projeto de vida: ser ou existir? Implementação. Base nacional curricular comum. Etapa ensino médio. Educação é a base. Brasília: [MEC], 2018b. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/aprofundamentos/200-projeto-de-vida-ser-ou-existir#:~:text=O%20projeto%20de%20vida%20traz,o%20que%20est%C3%A1%20por%20vir.&text=%E2%80%9CIdealizar%20a%20pr%C3%B3pria%20vida%20%C3%A9,o%20meio%20em%20que%20vive%22. Acesso em: 14 abr. 2021.

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP nº 1, de 27 de outubro de 2020. Brasília: [MEC], 2020a. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-cne/cp-n-1-de-27-de-outubro-de-2020-285609724. Acesso em: 23 set. 2021.

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Parecer CNE/CP N. 14/2020, 10 de julho de 2020. Brasília: [MEC], 2020b. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/pec-g/33371-cne-conselho-nacional-de-educacao/85201-parecer-cp-2020#:~:text=Parecer%20CNE%2FCP%20n%C2%BA%2014,(BNC%2DForma%C3%A7%C3%A3o%20Continuada. Acesso em: 23 set. 2021.

BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão. Conselho Nacional da Educação. Brasília: MEC: SEB: DICEI, 2013. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/docman/julho-2013-pdf/13677-diretrizes-educacao-basica-2013-pdf/file. Acesso em: 22 mar. 2021.

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio. Bases legais. Brasília: MEC, 2000. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/blegais.pdf. Acesso em: 22 set. 2021.

BRASIL. Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). Brasília: Ministério da Educação, 2007. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/arquivos/livro/livro.pdf. Acesso em: 2 set. 2021.

BRASIL. Plano Nacional de Educação (PNE 2014/2024). Brasília: Ministério da Educação, 2015.

BRASIL. Resolução CNE/CEB n° 2, de 11 de setembro de 2001. Institui diretrizes nacionais para a educação especial na educação básica. [Brasília: MEC], 2001. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CEB0201.pdf. Acesso em: 12 abr. 2021.

BRASIL. Resolução CNE/CP nº 1, de 05 de janeiro de 2021. Define as diretrizes curriculares nacionais gerais para a educação profissional e tecnológica. Brasília: [ABMES], 2021a. Disponível em: https://abmes.org.br/arquivos/legislacoes/Resolucao-cne-cp-001-2021-01-05.pdf. Acesso em: 19 set. 2021.

BRASIL. Portaria nº 10, de 8 de janeiro de 2021. Diário Oficial da União: Seção 1, Brasília, n. 6, p. 23, 11 jan. 2021b. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-n-10-de-8-de-janeiro-de-2021-298322305. Acesso em: 22 set. 2021.

BRUNEL, Pierre. L’autoformation: histoire et actualité d’un concept. Paris: PUF, 2004.

CHARLOT, Bernard. Educação ou barbárie? uma escolha para a sociedade. contemporânea. 1. ed. São Paulo: Cortez, 2020.

COSTA, Marilda de Oliveira; SILVA, Leonardo Almeida da. Educação e democracia: base nacional comum curricular e novo ensino médio sob a ótica de entidades acadêmicas da área educacional. Revista Brasileira de Educação, São Paulo, v. 24, p. 1-23, dez. 2019. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/s1413-24782019240047. Acesso em: 25 maio 2022.

COURPASSON, David. Leçons de sociologie du travail. Paris: Armand Colin, 1997.

DARDOT, Pierre; LAVAL, Christian. A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. 1. ed. São Paulo: Boitempo, 2016.

DELGADO, Lucília; FERREIRA, Marieta de Moraes. História do tempo presente e ensino de história. Revista História Hoje, Rio de Janeiro, n. 2, v. 4, p. 19-34, abr./jun. 2013. Disponível em: https://rhhj.anpuh.org/RHHJ/article/viewFile/90/70. Acesso em: 09 abr. 2021.

DEWEY, John. Democracia e educação: introdução à filosofia da educação. São Paulo: Editora Nacional, 2002.

dos lugares de fala. RALED, Brasília, v. 21, n. 1, p. 46-61, jan./mar. 2021. DOI: https://doi.org/10.35956/v.21.n1.2021.p.44-61. Acesso em: 19 maio 2021.

DRUCKER, Peter. As novas realidades. São Paulo: Pioneira, 1991.

FÁVERO, Altair Alberto; MIKOLAICZIK, Daniê Regina. QUANDO O NEOLIBERALISMO COLONIZA A AVALIAÇÃO: PROBLEMATIZANDO O CONCEITO DE QUALIDADE. In: REVISTA SABERES E FAZERES EDUCATIVOS [recurso eletrônico] / Prefeitura Municipal de Getúlio Vargas; Secretaria Municipal de Educação, Cultura. - V.1, n. 1, (1996). – Getúlio Vargas: Secretaria Municipal de Educação, V.23, n.1, 2024. ISSN 1679-687X. p. 49-52. Disponível em: https://sites.google.com/view/smecd-pmgv/revista-saberes-e-fazeres-educativos. Acesso em: 13 ago. 2024.

FOUCAULT, Michel. Du government des vivants: (1979-1980). Paris: EHESS: Gallmard: Seuil, 2012.

FOUCAULT, Michel. Nascimento da biopolítica. São Paulo: Martins Fontes, 2008.

GRIPP, Phillipp; SILVEIRA, Ada Cristina. A ambivalência discursiva e representacional

HAN, Byung-Chul. The burnout society. Stanford: Stanford University Press, 2018.

LARROSA, Jorge. Tecnologias do eu e educação. In: SILVA, Tomaz Tadeu da. O sujeito da educação: estudos foucaultianos. Petrópolis: Vozes, 2002. p. 35-86.

LIBÂNEO, José Carlos, PIMENTA, Selma Garrido. Formação de profissionais da educação: Visão crítica e perspectiva de mudança. Educação & Sociedade, Campinas, ano XX, nº 68, p. 239-277, Dez. 1999. Disponível em: https://www.scielo.br/j/es/a/GVJNtv6QYmQY7WFv85SdyWy/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 13 ago. 2024.

LOPES, Maura Corcini; ENZWEILER, Deise Andrea. Tendências discursivas sobre aprendizagem no campo pedagógico contemporâneo brasileiro. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas, Arizona, v. 29, n. 20, p. 4-25, jun./ago. 2021. DOI: https://doi.org/10.14507/epaa.29.5624. Acesso em: 22 abr. 2022.

NAGASE, Raquel Hissae; AZEVEDO, Mário Luiz Neves de. Política de avaliação e performatividade: gerencialismo, biopoder e controle social. Revista Linhas, Florianópolis, v. 22, n. 48, p. 248-266, jan./abr. 2021. DOI: https://doi.org/10.5965/1984723822482021248. Acesso em: 21 maio 2022.

Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Competências para o progresso social: o poder das competências socioemocionais. Estudos da OCDE sobre competências. São Paulo: Fundação Santillana, 2015. Disponível em: https://www.moderna.com.br/lumis/portal/file/fileDownload.jsp ?fileId=8A808A82511476410151158EF501439E. Acesso em: 26 jun. 2024.

PIMENTA, Selma Garrido; Anastasiou, Léa C. Docência no ensino superior. São Paulo: Cortez, 2002.

PINTO, José Maria. Educação e neoliberalismo: a formação do neossujeito. Brasília: Editora UnB, 2017.

Pizolati, Audrei Rodrigo da Conceição. The institution of neoliberal rationality in Brazilian educational policies based on the “keep learning” and “learn to learn” principles. principles. Education Policy Analysis Archives, Arizona, v. 29, n. 150, p. 1-29, Apr. 2021.

RESCHKE, Maria Janine Dalpiaz; CUNHA, Maria Isabel da. A docência e a aprendizagem em cursos de licenciaturas. Rev. FAEEBA – Ed. e Contemp., Salvador, v. 33, n. 74, p. 67-80, abr./jun. 2024. DOI: https://dx.doi.org/10.21879/faeeba2358-0194.2024.v33.n74.p67-80.

RIO GRANDE DO SUL. Secretaria de Estado da Educação. Departamento pedagógico. União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação. Referencial curricular gaúcho: humanas. Porto Alegre: [Secretaria de Estado da Educação], 2018. v. 1. Disponível em: http://portal.educacao.rs.gov.br/Portals/1/Files/1529.pdf. Acesso em: 10 maio 2021.

SACRISTÁN, Gimeno J.; GOMES, A. L. Pérez. Com-preender e transformar o ensino. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

SILVA, Roberto Rafael Dias da. A individualização dos percursos formativos como princípio organizador das políticas curriculares para o ensino médio no Brasil. Ensaio: aval. pol. públ. educ., Rio de Janeiro, v. 103, n. 17, p. 1-17, abr./jun. 2019. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-40362018002601254. Acesso em: 14 maio 2022.

SILVA, Roberto Rafael Dias da. Emocionalização, algoritimização e personalização dos itinerários formativos: como operam os dispositivos de customização curricular? Currículo Sem Fronteiras, São Paulo, v. 17, n. 3, p. 699-717, set./dez. 2017. Disponível em: http://www.curriculosemfronteiras.org/vol17iss3articles/silva.pdf. Acesso em: 03 maio 2021.

SILVA, Roberto Rafael Dias da. Estetização pedagógica, aprendizagens ativas e práticas curriculares no Brasil. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 43, n. 2, p. 551-568, abr./jun. 2018. DOI: https://doi.org/10.1590/2175-623667743. Acesso em: 20 maio 2021.

VALLEJO, Gustavo. Políticas educativas e neoliberalismo. São Paulo: Cortez, 2002.

VEIGA-NETO, Alfredo. Foucault & a educação. 3. ed. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2014.

Publicado

2025-03-31

Como Citar

PIZOLATI, A. Políticas Curriculares e Relações de Ensino-Aprendizagem: tensões entre a formação neotecnicista e o esmaecimento da Reflexão Crítica. Revista da FAEEBA - Educação e Contemporaneidade, Salvador, v. 34, n. 77, p. 35–50, 2025. DOI: 10.21879/faeeba2358-0194.2025.v34.n77.p35-50. Disponível em: https://revistas.uneb.br/faeeba/article/view/21044. Acesso em: 17 abr. 2026.

Edição

Seção

Dossiê Temático 77