Escrevivências de Mulheres Negras Rappers
um olhar sobre suas narrativas através do rap
DOI:
https://doi.org/10.21879/faeeba2358-0194.2025.v34.n79.p294-310Palavras-chave:
RAP, MULHERES NEGRAS, ESCREVIVÊNCIA, EDUCAÇÃO POPULARResumo
O artigo é fruto do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) [1]defendido no ano de 2023 no Programa de Mestrado Profissional em Educação de Jovens e Adultos (MPEJA), da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), tendo como título (Re) existências e Letramentos Periféricos, a presença de mulheres negras no Movimento Hip-Hop: Diálogos com a Educação Popular de Jovens e Adultos na Cidade de Salvador - BA. Neste trabalho, utilizou-se a categoria da “escrevivência”, cunhada por Conceição Evaristo (2005), como ferramenta teórico-metodológica e política para o entendimento das letras das músicas escritas por mulheres negras rappers. Dessa forma, a finalidade do presente artigo é descrever as narrativas e vivências de mulheres negras rappers por meio da reflexão crítico-criativa de tais escritas, evidenciando, a partir dos cotidianos culturais e periféricos, a potência da educação popular nos contextos e espaços multirreferenciais. O desenho metodológico do estudo se ancorou na abordagem qualitativa, com a pesquisa colaborativa, de característica descritiva, tendo como estratégia de produção dos dados a documentação narrativa a partir das análises das letras de músicas produzidas por rappers negras. Para a análise dos resultados, foi utilizada a análise narrativa, organizada por conteúdos temáticos. Os resultados alcançados evidenciaram que as mulheres negras periféricas acionam as escrevivências como ferramentas críticas e políticas na produção de suas escritas das letras de rap, e como tática de (re)existência de gênero, raça e classe, denunciando as injustiças e opressões interseccionais que tentam invisibilizá-las e aniquilar as suas existências no tecido social.
Downloads
Referências
AKOTIRENE, Carla. Interseccionalidade. São Paulo: Sueli Carneiro; Pólen, 2019.
BORGES, Larissa Amorim. Periferias do gênero: transitando entre hip hop. Funk e Feminismos. Belo Horizonte: Marginália, 2022.
CARVALHO, Alvino Rodrigues. Movimentos culturais e justiça social: um estudo da cultura hip-hop mineira. Belo Horizonte. Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas – UFMG. Junho – 2007.
COLLINS, Patricia Hill; BILGE, Sirma. Interseccionalidade. Tradução de Rane Souza. 1. ed. São Paulo: Boitempo, 2021.
EVARISTO, Conceição. A escrevivência e seus subtextos. Escrevivência: a escrita de nós: reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo, v. 1, p. 26-46, 2020.
EVARISTO, Conceição. Da grafia-desenho de minha mãe, um dos lugares de nascimento de minha escrita. In: ALEXANDRE, Marcos A. (org.) Representações performáticas brasileiras: teorias, práticas e suas interfaces. Belo Horizonte: Mazza Edições, p. 16-21, 2007.
EVARISTO, Conceição. Gênero e etnia: uma escre(vivência) de dupla face. In: MOREIRA, Nadilza Martins de Barros; SCHNEIDER, Liane (Org.). Mulheres no mundo: etnia, marginalidade e diáspora. João Pessoa: Ed. Universitária, 2005. p. 201-212.
EVARISTO, Conceição. Insubmissas lágrimas de mulheres. Belo Horizonte: Nandyala, 2011.
FREIRE, Ana M. Araújo. Paulo Freire: uma história de vida. Indaiatuba: Villa das Letras, 2006.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 33 ed. São Paulo: Paz e Terra, 2006.
FREIRE, Rebeca Sobral. Hip-hop feminista? Convenções de gênero e feminismos no movimento Hip-hop soteropolitano. EDUFBA, 2018.
GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. Revista Ciências Sociais Hoje, ANPOCS, Brasília, p. 223-244, 1984. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/ pluginfile.php/5509709/mod_resource/content/0/06%20-%20GONZALES%2C%20 L%C3%A9lia%20-%20Racismo_e_Sexismo_na_Cultura_Brasileira%20%281%29. Acesso em: 04 out. 2023.
HARAWAY, Donna. Saberes Localizados: a questão da ciência para o feminino e o privilégio da perspectiva parcial. Cadernos Pagu, 5, 7-41, 1995.
MBEMBE, A. Necropolítica. São Paulo, sp: n-1 edições, 2018.
MBEMBE, A. Políticas da inimizade. Lisboa: Antígona, 2017.
PACHECO, Ana Cláudia Lemos. Mulher negra: afetividade e solidão. Edufba, 2013.
RIBEIRO, Djamila. Quem tem medo do feminismo negro? 1 ed. – São Paulo: Companhia das Letras, 2018.
SANTOS, Carla Liane Nascimento dos; DANTAS, Tânia Regina. Processos de Afrobetização e Letramento de (Re) Existências na Educação de Jovens e Adultos. Educação & Realidade, v. 45, 2020.
SOUZA, A. M. O movimento do rap em Florianópolis: a ilha da magia é só da ponte para lá! Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Antropologia Social da Unversidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 1998. 177 f.
SOUZA, Ângela Maria de. Repensando as relações de gênero através das prática.s musicais de Jovens: O Movimento Hip Hop. In: FAZENDO GÊNERO 9 - DIÁSPORAS, DIVERSIDADES, DESLOCAMENTOS. Anais..., Forianópolis, p.1-9, 2010.
SOUZA, Neuza Santos. Tornar-se negro ou As vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social. São Paulo: Editora LeBooks, 2019.
TAVARES, Maria Tereza Goudard. Educação popular e movimentos sociais contemporâneos: algumas notas para reflexão. Revista da FAEEBA - Educação e Contemporaneidade, v. 24, n. 43, p. 49-61, 2015.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Carla Liane Nascimento Dos Santos, Renata Alves Dos Santos

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
O encaminhamento dos textos para a revista implica a autorização para a publicação.
A aceitação para a publicação implica na cessão de direitos de primeira publicação para a revista.
Os direitos autorais permanecem com os autores.
Após a primeira publicação, os autores têm autorização para a divulgação do trabalho por outros meios (ex.: repositório institucional ou capítulo de livro), desde que citada a fonte completa.
Os autores dos textos assumem que são autores de todo o conteúdo fornecido na submissão e que possuem autorização para uso de conteúdo protegido por direitos autorais reproduzido em sua submissão.
Atualizado em 15/07/2017

