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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">faeeba</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Rev. FAEEBA - Ed. e Contemp.</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. FAEEBA - Ed. e Contemp.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2358-0194</issn>
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				<publisher-name>Universidade do Estado da Bahia</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.21879/faeeba2358-0194.2025.v34.n78.p347-354</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigo</subject>
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			<title-group>
				<article-title>SENTIDOS E DESAFIOS DA EDUCAÇÃO DIGITAL - ENTREVISTA COM DANIELA MELARÉ VIEIRA BARROS</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>MEANINGS AND CHALLENGES OF DIGITAL EDUCATION - INTERVIEW WITH DANIELA MELARÉ VIEIRA BARROS</trans-title>
				</trans-title-group>
				<trans-title-group xml:lang="es">
					<trans-title>SENTIDOS Y DESAFÍOS DE LA EDUCACIÓN DIGITAL - ENTREVISTA CON DANIELA MELARÉ VIEIRA BARROS</trans-title>
				</trans-title-group>
				<trans-title-group xml:lang="fr">
					<trans-title>SENS ET DÉFIS DE L’ÉDUCATION NUMÉRIQUE - ENTRETIEN AVEC DANIELA MELARÉ VIEIRA BARROS</trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic"><day>12</day><month>01</month><year>2026</year></pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2026</year>
			</pub-date>
			<volume>34</volume>
			<issue>78</issue>
			<fpage>347</fpage>
			<lpage>354</lpage>
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				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
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			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>A entrevista com a professora Daniela Melaré Vieira Barros traz reflexões sobre sua trajetória na Educação Digital, envolvendo temas como ensino híbrido, e-learning, inclusão e internacionalização pedagógica. Barros discute a evolução da Educação Digital, destacando benefícios como a ampliação do acesso ao conhecimento e a personalização da aprendizagem, mas também desafios relacionados à formação docente, desigualdades digitais e adaptação institucional. Aborda ainda temas emergentes, como a integração da Inteligência Artificial, as mudanças curriculares e as novas configurações dos espaços e tempos educativos. Defende políticas públicas voltadas à promoção de uma Educação Digital crítica, inclusiva e acessível, aliada à formação docente continuada, prática e contextualizada.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>The interview with Professor Daniela Melaré Vieira Barros presents reflections on her trajectory in Digital Education, addressing topics such as hybrid teaching, e-learning, inclusion, and pedagogical internationalization. Barros discusses the evolution of Digital Education, highlighting benefits such as expanded access to knowledge and personalized learning, while also pointing out challenges related to teacher training, digital inequalities, and institutional adaptation. Emerging topics are also addressed, such as the integration of Artificial Intelligence, curriculum changes, and new configurations of educational spaces and times. She advocates for public policies that promote critical, inclusive, and accessible Digital Education, alongside continuous, practical, and contextualized teacher training.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>RESUMEN</title>
				<p>La entrevista con la profesora Daniela Melaré Vieira Barros presenta reflexiones sobre su trayectoria en la Educación Digital, abordando temas como la enseñanza híbrida, el e-learning, la inclusión y la internacionalización pedagógica. Barros discute la evolución de la Educación Digital, destacando beneficios como la ampliación del acceso al conocimiento y la personalización del aprendizaje, al mismo tiempo que señala desafíos relacionados con la formación docente, las desigualdades digitales y la adaptación institucional. También se abordan temas emergentes como la integración de la Inteligencia Artificial, los cambios curriculares y las nuevas configuraciones de los espacios y tiempos educativos. Defiende políticas públicas que promuevan una Educación Digital crítica, inclusiva y accesible, junto con una formación docente continua, práctica y contextualizada.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="fr">
				<title>RÉSUMÉ</title>
				<p>L’entretien avec la professeure Daniela Melaré Vieira Barros propose des réflexions sur son parcours dans le domaine de l’Éducation Numérique, abordant des sujets tels que l’enseignement hybride, l’e-learning, l’inclusion et l’internationalisation pédagogique. Barros discute de l’évolution de l’Éducation Numérique, mettant en évidence des bénéfices tels que l’élargissement de l’accès au savoir et la personnalisation de l’apprentissage, tout en soulevant des défis liés à la formation des enseignants, aux inégalités numériques et à l’adaptation institutionnelle. Des thèmes émergents sont également abordés, comme l’intégration de l’Intelligence Artificielle, les changements curriculaires et les nouvelles configurations des espaces et des temps éducatifs. Elle plaide pour des politiques publiques qui promeuvent une Éducation Numérique critique, inclusive et accessible, ainsi qu’une formation continue des enseignants, pratique et contextualisée.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Educação Digital</kwd>
				<kwd>Tecnologias na Educação</kwd>
				<kwd>Formação de Professores</kwd>
				<kwd>Inclusão</kwd>
				<kwd>Inovação Pedagógica.</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Digital Education</kwd>
				<kwd>Educational Technologies</kwd>
				<kwd>Teacher Education</kwd>
				<kwd>Inclusion</kwd>
				<kwd>Pedagogical Innovation.</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Palabras clave:</title>
				<kwd>Educación Digital</kwd>
				<kwd>Tecnologías en la Educación</kwd>
				<kwd>Formación Docente</kwd>
				<kwd>Inclusión</kwd>
				<kwd>Innovación Pedagógica.</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="fr">
				<title>Mots-clés:</title>
				<kwd>Éducation Numérique</kwd>
				<kwd>Technologies Éducatives</kwd>
				<kwd>Formation des Enseignants</kwd>
				<kwd>Inclusion</kwd>
				<kwd>Innovation Pédagogique.</kwd>
			</kwd-group>
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	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>A Educação Digital refere-se à integração sistemática e pedagógica das tecnologias digitais nos processos de ensino e aprendizagem, abrangendo desde o uso de dispositivos e plataformas até a reconfiguração de metodologias, tempos e espaços escolares. Diferentemente de práticas pontuais com tecnologias, ela implica uma transformação estrutural nos modos de produzir, acessar e compartilhar o conhecimento. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B6">Pretto e Assis (2008)</xref>, trata-se de uma nova ecologia educativa, na qual as mídias digitais assumem papel central na constituição de práticas culturais e formativas, exigindo uma formação crítica para seu uso. Nessa perspectiva, a Educação Digital vai além da mera instrumentalização tecnológica, sendo compreendida como um processo sociocultural que envolve inclusão, autonomia, inovação e participação ativa dos sujeitos na cultura digital contemporânea.</p>
			<p>Em escala global, a Educação Digital tem se consolidado como um eixo estratégico das políticas educacionais, refletindo as transformações tecnológicas, sociais e econômicas que vêm redefinindo os modos de ensinar e aprender. Organismos como a UNESCO, a OCDE e a União Europeia destacam a necessidade de integrar tecnologias digitais aos sistemas educativos de forma crítica, inclusiva e sustentável, enfatizando o desenvolvimento de competências digitais tanto em estudantes quanto em professores. Essa integração demanda mais do que o uso de ferramentas: exige a reconfiguração profunda dos currículos, das metodologias, dos espaços de aprendizagem e dos modelos avaliativos, com vistas a enfrentar os desafios da cidadania digital, das desigualdades de acesso ao conhecimento e da preparação para uma sociedade orientada por dados e inteligência artificial.</p>
			<p>No Brasil, o debate sobre Educação Digital intensificou-se nas últimas décadas, impulsionado pela expansão do acesso às tecnologias da informação e pela urgência de integrá-las pedagogicamente às práticas escolares. Iniciativas como o Programa Nacional de Tecnologia Educacional (ProInfo), criado em 1997, e o Programa Banda Larga nas Escolas, de 2008, anteciparam esse movimento. Contudo, foi a partir do Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/<xref ref-type="bibr" rid="B1">2014</xref>) e da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), homologada em <xref ref-type="bibr" rid="B3">2017</xref>, que as competências digitais passaram a ser incorporadas de forma mais estruturada nas políticas públicas de educação. Esses marcos prepararam o caminho para a Política Nacional de Educação Digital (Lei nº 14.533/<xref ref-type="bibr" rid="B2">2023</xref>), que reconhece formalmente a importância da inclusão digital, da formação docente crítica para o uso das tecnologias e da infraestrutura como elementos essenciais à garantia do direito à educação no século XXI.</p>
			<p>A referida lei organiza-se em quatro eixos estruturantes: (i) inclusão digital da população; (ii) educação digital nas escolas; (iii) capacitação e especialização digital para o trabalho; e (iv) fomento à inovação na área digital. Esses eixos apontam para uma concepção abrangente de Educação Digital, que articula acesso equitativo, formação de qualidade e estímulo à inovação pedagógica. Tais dimensões estão presentes nas reflexões de Daniela Melaré Vieira Barros, doutora em Educação com destacada trajetória no campo das tecnologias aplicadas à educação. Tendo iniciado sua atuação no Brasil com estudos sobre a formação docente, Barros aprofundou, já em contexto europeu, investigações voltadas à aprendizagem mediada por tecnologias, com atenção especial à inclusão, à internacionalização pedagógica e às práticas digitais, como o ensino híbrido, o e-learning e o ensino online.</p>
			<p>A entrevista aqui apresentada, conduzida pelas professoras Mônica Cristina Garbin (Unicamp) e Thaís Cristina Rodrigues Tezani (Unesp), realizada em março de 2025, traz reflexões sobre os desafios e aprendizados de sua trajetória. Barros discute a evolução da Educação Digital, os impactos sociais da mediação tecnológica no fazer pedagógico e os caminhos para consolidar uma formação docente crítica e contextualizada. São abordados temas como inteligência artificial na educação, reorganização curricular e promoção da equidade no acesso ao conhecimento. Com base em sua experiência internacional, a pesquisadora contribui para uma compreensão ampliada da Educação Digital, em sintonia com os princípios da política nacional recentemente instituída, reafirmando a necessidade de práticas comprometidas com a inclusão, a criticidade e a inovação.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Para iniciarmos, pode nos dizer o que é Educação Digital?</title>
			<p><italic>A educação digital refere-se ao uso integrado das tecnologias digitais no processo de ensino e aprendizagem. É um conceito abrangente que vai além da simples utilização de computadores ou internet, trata-se de uma transformação profunda na forma como o conhecimento é produzido, partilhado e acedido. A digitalização da educação implica a conversão de conteúdos em formatos digitais (bits e bytes), permitindo o ensino em ambientes virtuais, plataformas online e através de múltiplos dispositivos. Essa abordagem amplia os espaços de aprendizagem, diversifica os formatos pedagógicos e cria novos serviços educativos que antes não existiam.</italic></p>
			<p><italic>A educação digital é um campo que promove a inovação, ao introduzir novas formas de ensinar e aprender; incentiva a integração, ao articular diferentes recursos e plataformas; e reforça a inclusão, ao possibilitar o acesso ao conhecimento a públicos diversificados. A educação digital caracteriza-se ainda pela flexibilidade, abertura e personalização dos percursos de aprendizagem, permitindo que os recursos se adaptem às necessidades, ritmos e interesses de cada aprendiz.</italic></p>
			<p><italic>Poderia nos contar um pouco sobre sua trajetória na área de Educação Digital? Quais foram os principais desafios e aprendizados ao longo desse percurso?</italic></p>
			<p><italic>Foi uma longa trajetória ao longo de vários anos. Iniciei no contexto brasileiro, estudando o Telecurso 2000, com foco na formação de professores e no uso de tecnologias. Em seguida, ingressei na área da educação a distância, explorando os seus diversos formatos e vertentes. Posteriormente, ao mudar-me para o contexto europeu, mantive a mesma linha temática, ampliando a investigação para a dimensão pedagógica e, mais tarde, para as diferentes formas de aprendizagem.</italic></p>
			<p><italic>Atualmente, o meu trabalho envolve questões como a inclusão, a internacionalização pedagógica e os diversos elementos da aprendizagem mediada por tecnologias. Este percurso atravessa várias épocas, momentos e teorias da educação e do uso das tecnologias desde os recursos mais básicos até à educação a distância, passando pela educação híbrida, ensino online e e-learning. Trata-se, assim, de um processo evolutivo dentro do campo das tecnologias aplicadas à educação.</italic></p>
			<p><italic>O principal desafio ao longo deste percurso tem sido a adaptação constante às novas realidades, às situações emergentes e à evolução teórica e científica no campo educacional. Esta adaptação não foi fácil e continua a ser um processo em desenvolvimento. Não se trata de algo concluído, mas de um caminho de convergência entre teoria e inovação, muitas vezes condicionado por fatores econômicos, sociais e de aceitação dentro dos próprios contextos educativos.</italic></p>
			<p><italic>Na sua visão, como a Educação Digital evoluiu ao longo dos anos? Quais foram as principais mudanças e impactos observados na sua prática docente e na sociedade em geral?</italic></p>
			<p><italic>É uma pergunta ampla, de facto. Mas a educação digital tem evoluído em sintonia com os avanços tecnológicos. No entanto, nem sempre podemos falar propriamente em “evolução” talvez seja mais adequado falarmos em tendências, pois a educação não acompanhou todas essas transformações de forma plena, tendo muitas vezes respondido de forma pontual e fragmentada.</italic></p>
			<p><italic>Existe um movimento contínuo de adaptação, exigido pela própria dinâmica da inovação tecnológica, e este processo nem sempre é simples. A cada nova tendência ou subárea emergente no campo da educação digital, impõe-se a necessidade de reconfiguração das práticas e abordagens educativas.</italic></p>
			<p><italic>As mudanças e os impactos mais evidentes têm ocorrido, sobretudo, nas formas de interação e comunicação entre docentes e estudantes, nos recursos utilizados no processo de ensino-aprendizagem e nas formas de pensar e assimilar a informação. Ou seja, trata-se de um conjunto de transformações internas, nem sempre visíveis de imediato, mas cujos efeitos se tornam claros nos resultados educacionais e na relação que os estudantes estabelecem com as tecnologias digitais.</italic></p>
			<p><italic>Como você vê os principais benefícios e desafios da Educação Digital na atualidade?</italic></p>
			<p><italic>São vários os benefícios da educação digital: ampliação do acesso, novas formas de obter informação, maior autonomia, liberdade e independência na busca pelo conhecimento. Além disso, observa-se um aumento significativo na acessibilidade a conteúdos, à cultura e à informação em geral estes são, sem dúvida, alguns dos seus principais contributos. No entanto, os desafios residem sobretudo na rapidez das transformações tecnológicas e na necessidade constante de adaptação. Mais do que simplesmente acompanhar essas mudanças, é essencial integrar a educação digital de forma qualitativa nos processos de ensino e aprendizagem. Este talvez seja o maior desafio: reconfigurar as práticas pedagógicas para responder, de forma crítica e eficiente, às exigências do mundo digital.</italic></p>
			<p><italic>E em relação aos currículos escolares, como pensá-los diante da Educação Digital?</italic></p>
			<p><italic>É importante refletir sobre a necessidade de os currículos serem, hoje em dia, muito mais flexíveis, abertos, dinâmicos e inovadores. Os currículos escolares devem ser complementados com outras informações além do que está estipulado. Sabemos que não é possível modificar um currículo escolar que já foi estabelecido, discutido e aprovado por políticas públicas, mas é possível complementá-lo, ampliá-lo e potencializá-lo. Nesse contexto, a Educação Digital desempenha um papel essencial.</italic></p>
			<p><italic>Quais são as áreas de pesquisa mais promissoras em Educação Digital em sua opinião? E quais temas e questões merecem maior atenção e investimento?</italic></p>
			<p><italic>A Educação Digital envolve inúmeras questões, todas relacionadas a aspectos específicos da educação. E não se trata apenas de discutir Inteligência Artificial, é claro; é também sobre as estratégias pedagógicas na Educação Digital, o ensino híbrido, a formação de professores, a inovação com tecnologias, novas formas de aprendizagem, novos formatos e dinâmicas de ensino, novos modelos pedagógicos, novos pressupostos de aprendizagem e novos tipos de relação entre docentes, estudantes e tecnologia. Enfim, tudo isso precisa ser colocado em questão e colocado em diálogo para que, mais do que uma simples adaptação, seja, de fato, uma inovação. Isso é extremamente necessário.</italic></p>
			<p><italic>E quais são as principais tendências em Educação Digital para os próximos anos?</italic></p>
			<p><italic>Não sei se posso definir como as principais, mas, para mim, de forma muito evidente, a Inteligência Artificial e as novas formas de trabalho acadêmico com essa tecnologia, a sua integração no processo de ensino e aprendizagem de maneira inovadora, não é? As novas metodologias que incorporam esse processo são as formas de atuação tanto dos docentes quanto dos estudantes em outros espaços de aprendizagem. A mudança da educação deve estar no conceito em si mesma e não só na metodologia e didática. A modificação desses espaços, de forma muito clara, inclui tanto o ensino síncrono quanto o assíncrono e sua convergência, mas, acima de tudo, as metodologias que favorecem o trabalho de forma assíncrona. Para mim, esses são os sistemas e tendências da Educação Digital para os próximos anos.</italic></p>
			<p><italic>Como você vê que a tecnologia e as novas demandas da sociedade podem moldar o futuro da área?</italic></p>
			<p><italic>Na realidade, ao contrário do que se costuma pensar, são as tecnologias e os serviços criados por elas que geram novas demandas para a sociedade. Historicamente, a tendência sempre foi criar serviços que atendam às necessidades humanas, às necessidades e interações humanas. No entanto, considerando isso, é a própria evolução das tecnologias que irá gerar e reorganizar essas demandas dentro do contexto social.</italic></p>
			<p><italic>E nesta perspectiva, como a Inteligência Artificial (IA) está impactando a Educação Digital? Quais são as oportunidades e desafios relacionados ao uso da IA na educação?</italic></p>
			<p><italic>Bom, a inteligência artificial impacta de diversas maneiras: na forma, no conteúdo, na metodologia e nos próprios recursos da educação digital. O impacto é imenso, realmente imenso. As oportunidades e os desafios são múltiplos. Eu começaria pelos desafios, pois eles vão desde a forma de utilizar pedagogicamente a inteligência artificial até os reais benefícios que ela pode trazer para a educação. As oportunidades representam um momento de movimento educacional, de mudança nas perspectivas e na maneira de repensar o conceito e a estrutura do ensino e da aprendizagem. Embora a estrutura educacional tenha sido inovadora nos últimos tempos, ela ainda se mantém dentro de um modelo clássico. Agora, com a inteligência artificial, será inevitável que essa estrutura seja alterada, pois não é mais possível continuar com o modelo atual.</italic></p>
			<p><italic>Como a Educação Digital pode ser integrada de forma eficaz nas práticas pedagógicas? Quais são as melhores estratégias e ferramentas para promover o aprendizado dos alunos?</italic></p>
			<p><italic>Ela pode ser integrada de diversas formas não apenas como um recurso, mas também como ambiente ou espaço de aprendizagem, ou ainda como conteúdo em si, e não apenas como um serviço. É algo muito mais amplo do que isso. As estratégias e ferramentas utilizadas para promover a aprendizagem dependem dos objetivos e das competências do docente. Elas podem estar presentes tanto no momento prático quanto no momento teórico do processo de ensino e aprendizagem. A forma como atuam varia bastante, dependendo do planeamento do próprio docente e da maneira como ele organiza e conduz a estrutura pedagógica nas suas aulas.</italic></p>
			<p><italic>E quanto à formação de professores… Como podemos formar e preparar os professores para atuarem nesse novo cenário?</italic></p>
			<p><italic>É uma pergunta bastante desafiadora. A formação de professores sempre foi um tema central na área da educação, e, quando se trata de educação digital, essa questão torna-se ainda mais profunda, pois envolve uma mudança de paradigmas não apenas na forma de dar aulas ou de ser docente, mas na própria função do docente. E esse é, de facto, o grande desafio.</italic></p>
			<p><italic>A preparação dos professores deve incluir, naturalmente, experiências práticas. Não se trata apenas de uma formação técnica, mas de uma preparação contextualizada, ou seja, com exemplos, partilhas, comunidades de prática, sugestões e trocas de experiências. Tudo isso fomenta a criatividade e o uso de estratégias pedagógicas para o bem comum, independentemente dos recursos da educação digital, mas é importante lembrar que a educação digital não é apenas um recurso. Ela é conteúdo, é espaço de aprendizagem, é plataforma, e também é cenário de aprendizagem. Dado que assume todas essas valências, não é fácil que o professor se sinta preparado para atuar em todos esses contextos.</italic></p>
			<p><italic>A formação contínua é sempre necessária, mas precisa ser mais prática, mais participativa. Para isso, é preciso rever o plano de trabalho e o tipo de exigência colocada sobre o docente. Essa exigência não pode ser apenas burocrática, pois esse não é o verdadeiro objetivo. Ela deve ser pedagógica, no sentido de estimular o professor a integrar novas formas de trabalhar o ensino e a aprendizagem.</italic></p>
			<p><italic>Agora, em relação a ações afirmativas… Como a Educação Digital pode contribuir para a inclusão e a equidade na educação? Quais são os desafios e oportunidades para garantir o acesso e a participação de todos os alunos?</italic></p>
			<p><italic>Hoje em dia, pensar em inclusão e equidade está diretamente relacionado com acessibilidade, diversificação e disseminação. São temas muito presentes na agenda educacional, e a inclusão, tal como se entende atualmente na era da educação digital, é parte integrante da própria educação. Inclusão é, hoje, sinónimo de educação.</italic></p>
			<p><italic>Por isso, esses dois temas de inclusão e equidade são absolutamente fundamentais. A educação digital tem o potencial de contribuir significativamente para ambos. No entanto, essa contribuição precisa ser efetiva e intencional, pois, caso contrário, a tecnologia pode tornar-se um fator de exclusão.</italic></p>
			<p><italic>É necessário, portanto, ter um cuidado redobrado para que a educação digital seja, um veículo de acessibilidade, equidade e inclusão. E ela pode perfeitamente assumir esse papel. Independentemente das limitações técnicas, quando bem direcionada e trabalhada, a educação digital é uma poderosa ferramenta para promover a inclusão e a equidade na educação.</italic></p>
			<p><italic>Uma segunda questão ligada a este tema refere-se aos desafios de garantir o acesso e a participação de todos os alunos. As barreiras técnicas ainda existem e continuarão a existir a longo prazo, especialmente em determinados contextos. No entanto, já estamos a discutir aspetos que vão além das questões técnicas.</italic></p>
			<p><italic>O problema é que alguns países ainda enfrentam fortemente essas barreiras técnicas. Isso cria uma grande disparidade tanto nas discussões quanto nas realidades em torno do tema. Equalizar essas diferenças não é simples.</italic></p>
			<p><italic>Na verdade, é fundamental considerar cada contexto e situação de forma específica, para que seja possível desenvolver uma visão mais qualitativa e expansiva da educação digital. Não existe um modelo único que possa ser aplicado a todos os contextos. O que existe são realidades distintas, que devem ser atendidas conforme as possibilidades e características de cada lugar.</italic></p>
			<p><italic>Como a Educação Digital tem sido abordada nos países europeus com os quais você atua?</italic></p>
			<p><italic>Bom, a educação digital é um tema em constante estudo, em contínua evolução e ação. Está sempre presente nas investigações científicas e, atualmente, é considerada um tema permanente e transversal. Tem sido abordada de forma ampla e inovadora, mas, sobretudo, como um grande potencial para o trabalho educativo e para o processo de ensino e aprendizagem.</italic></p>
			<p><italic>Bom… Gostaria de deixar alguma mensagem ou recomendação para os profissionais e pesquisadores da área de Educação Digital? Quais são os próximos passos que devemos dar para construir um futuro promissor para a educação?</italic></p>
			<p><italic>Bom, a recomendação é que se continue a desenvolver um trabalho consistente de integração da educação digital nos processos educativos e de ensino e aprendizagem, em todos os níveis.</italic></p>
			<p><italic>É fundamental que a capacitação pedagógica se mantenha como um tema central na formação dos profissionais da educação e que essa formação inclua, naturalmente, o digital como um elemento primordial.</italic></p>
			<p><italic>Em especial, é importante que se considerem também as dimensões humanísticas da educação digital: uma educação que se volte tanto para o contexto local quanto para o global. Isso implica promover o desenvolvimento de competências, mas também de valores, de pensamento crítico, de trabalho com conteúdos e informações de forma abrangente, multicultural e diversificada.</italic></p>
			<p><italic>Os próximos passos para construirmos um futuro promissor para a educação passam por investir na formação contínua de professores e por dinamizar novas formas e modelos pedagógicos de ensino e aprendizagem.</italic></p>
			<p><italic>Não apenas para compreender as novas tendências, como a inteligência artificial, mas principalmente para nos prepararmos para realidades futuras ainda desconhecidas, que certamente surgirão com o avanço das tecnologias.</italic></p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações finais</title>
			<p>A entrevista com a professora Daniela Melaré Vieira Barros oferece uma contribuição significativa para a compreensão crítica da Educação Digital em suas múltiplas dimensões. Sua trajetória acadêmica, que transita entre contextos nacionais e internacionais, evidencia que os debates sobre tecnologias na educação não podem ser dissociados das discussões sobre currículo, formação docente, políticas educacionais e justiça social. Ao relatar sua experiência com a formação de professores e o desenvolvimento de modelos pedagógicos mediados por tecnologias, Barros apresenta uma leitura situada e, ao mesmo tempo, transversal dos desafios contemporâneos da área.</p>
			<p>A entrevista destaca que a Educação Digital não se limita ao uso de ferramentas tecnológicas, mas constitui um campo epistemológico e político que exige reflexão permanente. As abordagens sobre inteligência artificial, ensino híbrido, mediações síncronas e assíncronas, e os novos arranjos espaço-temporais no processo educativo revelam que estamos diante de transformações estruturais que afetam tanto os modos de ensinar quanto os modos de aprender.</p>
			<p>Além disso, as discussões sobre inclusão e equidade reforçam a necessidade de pensar a Educação Digital como um meio de ampliação de direitos - e não como reprodutora de desigualdades. Barros enfatiza a importância de políticas públicas que promovam o acesso e a permanência, defendendo a formação continuada de professores como eixo estratégico para a consolidação de uma educação comprometida com a diversidade, a criticidade e a participação.</p>
			<p>Por fim, a entrevista convida profissionais e investigadores a assumirem um papel ativo na construção de políticas e práticas que garantam o acesso, a permanência e a qualidade da aprendizagem em contextos mediados digitalmente.</p>
		</sec>
	</body>
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			<title>REFERÊNCIAS</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>BRASIL. Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014. Marco Civil da Internet. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 24 abr. 2014. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12965.htm">https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12965.htm</ext-link>. Acesso em: 5 maio 2025.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>BRASIL. Lei nº 14.533, de 11 de janeiro de 2023. Institui a Política Nacional de Educação Digital. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 12 jan. 2023. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/lei/l14533.htm">https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/lei/l14533.htm</ext-link>. Acesso em: 5 maio 2025.</mixed-citation>
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