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	<front>
		<journal-meta>
			<journal-id journal-id-type="publisher-id">faeeba</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. FAEEBA - Ed. e
					Contemp.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2358-0194</issn>
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				<publisher-name>Universidade do Estado da Bahia</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi"
				>10.21879/faeeba2358-0194.2025.v34.n77.pl62-178</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigo</subject>
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			<title-group>
				<article-title>OS COLETIVOS DOCENTES ENTRE CARTAS, CURRÍCULOS E
					SABERES</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>THE TEACHING COLLECTIVES BETWEEN LETTERS, CURRICULA, AND
						KNOWLEDGE</trans-title>
				</trans-title-group>
				<trans-title-group xml:lang="es">
					<trans-title>COLECTIVOS DOCENTES ENTRE LETRAS, CURRÍCULOS Y
						SABERES</trans-title>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-0233-7697</contrib-id>
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						<surname>Rodrigues</surname>
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						<surname>Garcia</surname>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff2">**</xref>
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				<label>*</label>
				<institution content-type="orgname">Universidade do Estado do Rio de
					Janeiro</institution>
				<email>allancr@id.uff.br</email>
				<institution content-type="original">Doutor em Educação (Universidade do Estado do
					Rio de Janeiro). Professor Adjunto da Universidade Estácio de Sá Líder do Grupo
					de Pesquisa AYO Coletivo Docente e Conversações AfroCurriculares. Docente
					Permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estácio de
					Sá e Pós Doutorando CAPES/PROPED/UERJ. Rio de Janeiro, Rio de Janeiro e Brasil.
					E-mail: allancr@id.uff.br</institution>
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				<label>**</label>
				<institution content-type="orgname">Universidade do Estado do Rio de
					Janeiro</institution>
				<email>alegarcialima@hotmail.com</email>
				<institution content-type="original">Doutora em Educação (Universidade do Estado do
					Rio de Janeiro). Professora Associada da Universidade do Estado do Rio de
					Janeiro. Líder do Grupo de Pesquisa Diálogos Escolas-Universidade: Processos
					Formativos, Currículos e Cotidianos. Docente permanente do Programa de
					Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Rio de
					Janeiro, Rio de Janeiro e Brasil. E-mail:
					alegarcialima@hotmail.com</institution>
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			<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
				<day>23</day>
				<month>09</month>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<pub-date publication-format="electronic" date-type="collection">
				<season>Jan-Mar</season>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<volume>34</volume>
			<issue>77</issue>
			<fpage>162</fpage>
			<lpage>178</lpage>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>13</day>
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					<year>2024</year>
				</date>
				<date date-type="accepted">
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					<year>2025</year>
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				<license license-type="open-access"
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>O texto parte da tese de doutoramento inscrita na relação pesquisa-extensão.
					Assume o projeto de extensão café com currículo na qualidade de
						<italic>espaçotempo</italic> fértil para pensar o processo de produção de
					saberes docentes e o campo dos coletivos docentes da América Latina para tecer
					modos de pensar os processos formativos e os currículos criados por esses
					espaços. O objetivo principal da pesquisa foi de investigar, com base no projeto
					de extensão Café com Currículo – UERJ e com o Coletivo da Argentina, os saberes
					docentes e os currículos que são produzidos nesses espaços. Em um segundo
					momento, compreender os movimentos semelhantes entre esses grupos. Sendo assim,
					tem como premissa deslocar e (re)pensar processos formativos e práticas
					educativas narradas nesses espaços, tendo como princípios a dialogicidade, a
					horizontalidade, o coletivo e os encontros, conceitos que foram fundamentais
					para o desenvolvimento do trabalho da tese, que percorre a defesa da ideia de
					espaço coletivo como espaço comum e de multidão. A pesquisa defendeu os saberes
					docentes que circulam nesses coletivos, a partir de cartas, conversas e
					narrativas como princípio metodológico, aliado ao método da Cartografia. Por
					fim, as considerações provisórias da pesquisa apontam que é preciso
					considerarmos os coletivos investigados como fios crescentes e que permitem que
					possamos fazer uma outra leitura sobre escolas, formações e currículos.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>This text is based on a doctoral thesis rooted in the research-extension
					relationship. It embraces the extension project Café com Currículo as a fertile
					space-time for reflecting on the process of producing teaching knowledge and the
					field of teaching collectives in Latin America, weaving ways to think about
					formative processes and the curricula created in these spaces. The main
					objective of the research was to investigate, based on the Café com Currículo –
					UERJ extension project and the Collective in Argentina, the teaching knowledge
					and the curricula produced in these spaces. In a second phase, it aimed to
					understand the similar movements between these groups. Thus, the premise is to
					shift and (re)think formative processes and educational practices narrated in
					these spaces, guided by principles such as dialogue, horizontality,
					collectivity, and encounters—concepts that were fundamental to the development
					of the thesis. The research defends the idea of a collective space as a shared
					space and a space of multitude. The study advocated for the teaching knowledge
					that circulates within these collectives, drawing on letters, conversations, and
					narratives as methodological principles, combined with the Cartography method.
					Finally, the preliminary considerations of the research indicate the need to
					view the investigated collectives as growing threads that allow for a different
					interpretation of schools, training processes, and curricula.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>RESUMEN</title>
				<p>El texto es parte del trabajo de investigación doctoral en la relación
					investigación-extensión. Toma el proyecto de extension Currículo como
						<italic>espado</italic> y <italic>tiempo</italic> fértil para pensar el
					proceso de producción de conocimiento docente y la discusión de los colectivos
					docentes en América Latina para tejer formas de pensar los procesos de formación
					y los currículos creados por estos espacios. El objetivo principal de la
					investigación fue indagar sobre los saberes docentes y los currículos producidos
					en estos espacios, a partir dei proyecto de extension xxx com Currículo y el
					Colectivo Argentino. En segundo lugar, comprender los movimientos similares
					entre estos grupos. Como tal, la premisa es dislocar y (re) pensar los procesos
					de formación y las prácticas educativas narradas en estos espacios a partir de
					los princípios de dialogicidad, horizontalidad, lo colectivo y los encuentros,
					conceptos que fueron fundamentales para el desarrollo dei trabajo de tesis, que
					pasa por la defensa de la idea de espacio colectivo como espacio común y
					multitudinario. La investigación defendió el saber pedagógico que circula en
					estos colectivos, basado en cartas, conversaciones y narrativas como principio
					metodológico aliado al método de la Cartografia. Por último, las consideraciones
					provisionales de la investigación apuntan a la necesidad de considerar los
					colectivos investigados como hilos conductores que nos permiten volver a mirar
					la escuela, la formación y los currículos.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>coletivos docentes</kwd>
				<kwd>processos formativos</kwd>
				<kwd>currículos</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>teaching collectives</kwd>
				<kwd>formative processes</kwd>
				<kwd>curricula</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Palabras-clave:</title>
				<kwd>colectivos de profesores</kwd>
				<kwd>procesos de formación</kwd>
				<kwd>planes de estúdios</kwd>
			</kwd-group>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>O presente texto parte de uma pesquisa de doutorado que é atravessada por vários
				sentidos, por uma covid-19 e todos os desdobramentos que possam ocorrer ao fazer uma
				tese. O ponto central do trabalho da pesquisa foi utilizar dois espaços de
				ação-reflexão para pensar os currículos e formação docentes. O primeiro é o projeto
				de extensão café com currículo e o segundo o movimento do Coletivo Docente da
				Argentina. Nesse sentido, foi utilizado como produção metodológica o uso de cartas
				que comporiam o método da cartografia. Sendo assim, utilizamos o estilo carta para
				comunicar alguns “achados” durante o processo de investigação. Por isso, escrevemos
				uma carta para você, leitor (a)<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref>. Acreditamos
				que cada vez mais é preciso insistir em uma questão: Para quem escrevemos?</p>
			<p>Sendo assim, esta <italic>cartapesquisa</italic> que escrevemos para você tem um
				objetivo: <italic>sentirpensar</italic><xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref> com os
				coletivos docentes como fontes de produção de conhecimentos que produzem redes
				curriculares e processos formativos a partir dos próprios coletivos. No que tange a
				esta <italic>cartapesquisa,</italic> em um segundo momento, compreender os
				movimentos semelhantes entre os grupos que compõem os coletivos docentes da xxx com
				o projeto de extensão xxxxx para pensar nas aproximações e o que elas nos permitem
				pensar. Por que é importante, leitora, pensar uma formação coletiva? O que ganhamos
				ao fazermos isso? O que questionamos coletivamente? Qual o poder do coletivo frente
				às políticas de controle do trabalho docente? Do ponto de vista dos mecanismos de
				controle e da regulação do trabalho docente, o que os coletivos enquanto processos
				instituintes buscam defender?</p>
			<p>Aprendemos com <xref ref-type="bibr" rid="B3">Alves (2008b)</xref> que narrar a vida
				e os nossos saberes nos textos acadêmicos nos leva para aquilo que essa autora
				defende como literaturização da ciência. <xref ref-type="bibr" rid="B1">Alves
					(2008a)</xref>, ao narrar os movimentos das pesquisas nos/dos/com os cotidianos,
				esclarece que é preciso levar em consideração o processo de comunicar o caminho da
				pesquisa. Nesse sentido, essa autora nos pontua que é necessário narrar a vida e
				literaturizar a ciência como elemento central para as pesquisas que tenham como
				ponto os saberes docentes e o <italic>espaçotempo</italic> das escolas como campo
				fértil de produção de conhecimentos. Assim, compreendemos que ao juntar carta e
				pesquisa em uma <italic>cartapesquisa,</italic> queremos abrir novas possibilidades
				de leituras para algo novo surgir, leitora. Não é somente a junção de duas palavras,
				mas a união de dois estilos de escrita que surge.</p>
			<p>O pensamento moderno positivista, diríamos eurocêntrico, está acostumado a pensar e
				produzir ciência a partir da disjunção – ou seja, da separação entre isto e aquilo,
				não admitindo que o processo do conhecimento pode ser múltiplo. Voltamos à ideia de
				Nilda Alves (2008) para pensar que ao narrar a vida e literaturizar a ciência não se
				pode tratar a vida de forma separada da ciência. Ora sendo mais carta, ora mais
				pesquisa. E vice-versa.</p>
			<p>Leitora, a ideia de carta, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B10">Foucault (1992, p.
					149-150)</xref>, “é algo mais do que um adestramento de si próprio pela escrita,
				por intermédio dos conselhos e opiniões que se dão ao outro”, porque ela constitui
				também uma certa maneira de cada um se manifestar a si próprio e aos outros. Nessa
				direção, pensamos com <xref ref-type="bibr" rid="B10">Foucault (1992, p. 150)</xref>
				que o gênero textual – carta – protagoniza o escritor “presente” àquele a quem a
				dirige, porque tecer uma escrita é “mostrar-se, dar-se a ver, fazer aparecer o rosto
				próprio junto ao outro”, ela é, por isso, “simultaneamente um olhar que se volta
				para o destinatário e uma maneira de o remetente se oferecer ao seu olhar pelo que
				de si mesmo lhe diz”.</p>
			<p>É a partir dessas tramas entre cartas e uma escrita compartilhada que ousamos nos
				colocar em diálogo com você, leitora, pois compreendemos “a complexa natureza das
				mensagens epistolares: a carta, por definição, é uma partilha. Tem diversas faces: é
				um objeto (que se troca), um ato (que coloca em cena o ‘eu’, o ‘ele’ e os outros),
				um texto (que se pode publicar...)”, como nos lembra <xref ref-type="bibr" rid="B16"
					>Moraes (2008, p. 8-9)</xref>, ressaltando que “cada uma dessas perspectivas
				(carta/objeto; carta/ato; carta/texto) orbita uma constelação de assuntos,
				significados e indagações”.</p>
			<p>Sinalizamos que estamos falando de processos diferentes, o projeto xxxx é um espaço
				de extensão e o Coletivo Docente é uma política instituinte formada por professores
				do projeto café com currículo que reivindicam pelos saberes, suas práticas, suas
				formas de pensar a educação a partir de outra perspectiva. Nesse sentido, você deve
				estar se perguntando: mas o que existe de ligação entre um e outro? Esta
					<italic>cartapesquisa</italic> é uma narrativa dessa costura entre os dois
				coletivos. O que afasta um do outro é o modo de cada um funcionar?</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Os espaços coLetivos se confluem – processo formativos nos diálogos
				escolas-universidades – o espaço da pesquisa</title>
			<disp-quote>
				<p>[...] a energia que está nos movendo para o compartilhamento [...]. Quando a
					gente confluência, a gente não deixa de ser a gente, a gente passa a ser a gente
					e outra gente – a gente rende. A confluência é uma força que rende, que aumenta,
					que amplia (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Bispo dos Santos, 2023, p.
					4-5</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<sec>
				<title>O projeto xxxx: espaço coletivo de formação</title>
				<p>Prezada Leitora, aqui iremos apresentar o mapa, o cenário e o espaço da produção
					da pesquisa. Os dois movimentos: instituído pela universidade através de um
					projeto de extensão e outro instituinte por um movimento de educadores pela
					América Latina. Nesse sentido, o que permite a aproximação de ambos é o que
					aprendemos com <xref ref-type="bibr" rid="B4">Bispo dos Santos (2023)</xref>: a
					energia de estar movendo, compartilhando e ampliando os sentidos de docência,
					currículo e escola.</p>
				<p>O projeto Café com Currículo e o Coletivo Docentes da Argetina são lócus não
					somente de uma “formação continuada”, mas ambientes de aprendizagem coletiva e
					(re)criação dos sentidos de docência e, diríamos, de currículos. <xref
						ref-type="bibr" rid="B17">Ortega y Gasset (1994, p. 548)</xref> nos lembra
					que continuará “estando de algum modo, através das palavras ouvidas numa
					‘dialética’ da obrigação de continuar pensando [...] pois o homem, com efeito,
					não tem outro remédio senão ‘continuar pensando’ porque sempre se depara com o
					fato de que não pensou nada por completo”. Portanto, “continuar pensando” sobre
					os processos formativos em coletivos nas redes é um dos legados de ambos os
					espaços pesquisados. Por que é importante ouvir outro? Por que é importante
					continuar pensando? Nesse sentido, um dos aspectos centrais do projeto de
					extensão Café com Currículo é aprofundar a escuta e perceber experiências
						instituintes.<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></p>
				<p>O projeto Café com Currículo é um projeto de extensão coordenado pela professora
					Alexandra Garcia, composto por pesquisadores, alunos da graduação e da
					pós-graduação de várias instituições do Rio de Janeiro, outros Estados e até da
					Argentina. São encontros periódicos entre professores da educação básica
					pertencentes às redes municipais e à rede do Estado do Rio de Janeiro que
					integram um projeto de pesquisa e extensão sediado na Faculdade de Formação de
					Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Os encontros com
					escolas são produzidos no âmbito do grupo de pesquisa no qual esta
						<italic>cartapesquisa</italic> foi produzida. Tal proposta de cada curso é
					formada pelos integrantes do grupo, que, em sua maioria, são professoras da
					escola pública. Ou seja, o projeto, por mais que esteja ancorado na
					universidade, tem seu movimento interno feito por conversas entre professoras da
					educação básica.</p>
				<p>O projeto tem como objetivo pensar encontros entre professores da educação básica
					e perceber suas produções curriculares. Assim, o espaço do projeto xxx é uma
					aposta no processo de desinvisibilização e multiplicação das práticas e
					experiências cotidianas. Nossa argumentação é a de que ao trabalhar com os
					cotidianos é preciso um outro olhar que busque uma (re)construção que nos ensine
					que os conhecimentos são tecidos por várias redes de
						<italic>saberesfazeres,</italic> lógicas e políticas. São encontros plurais
					que nos guiam para a potencialidade da vida, permitindo um diálogo mais
					horizontal e profundo com os professores.</p>
				<disp-quote>
					<p>Os encontros pautam-se em concepções e práticas que buscam contribuir com os
						processos formativos no sentido de afirmar os sujeitos desses processos como
						ativos na produção dos currículos e de seus sentidos. Portanto,
						corresponsáveis pela produção das políticas, sentidos e valores que os
						currículos mobilizam (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Garcia, 2015a, p.
							20</xref>).</p>
				</disp-quote>
			</sec>
			<sec>
				<title>Confluências das Américas Latinas – ecos compartilhados</title>
				<p>Tecer reflexões sobre um diálogo, um conceito, uma ideia – força freireana que
					atravessa toda a forma de pensar a existência humana – é de grande importância,
					no sentido de situar a prática/praxis dialógica como um processo, uma condição
					fundamental, ou seja, necessária à nossa existência e à nossa formação
					ontológica e humana que, como afirmou <xref ref-type="bibr" rid="B11">Freire
						(2005)</xref>, é inacabada, incompleta, necessitando sempre dos/as
					outros/as, de coletivos, de pronúncias de mundo e de envolvimento dialógico na
					problematização deste “estar sendo” e na percepção coletiva das condições
					desiguais e de opressão para a sua superação.</p>
				<p>Como dito antes, essa ideia de Coletivos Docentes é espalhada por toda a América
					Latina, porém a escolha de trabalho com o Coletivo da Argentina foi por conta da
					produção bibliográfica e a relação que tenho feito com alguns integrantes deste
					Coletivo, conforme explicarei no desenvolvimento desta
						<italic>cartapesquisa.</italic> Contudo, é preciso fazer uma ressalva: a
					ideia inicial era mapear outros coletivos e redes de maestros e maestras, mas
					devido ao período pandémico, à negação da vacina e a outros fatores políticos e
					econômicos, só foi possível investigar e acompanhar o Coletivo da Argentina
					virtualmente.</p>
				<p>A história da Red Iberoamericana possui registros que se iniciam no ano de 1992,
					com o primeiro “Encontro Iberoamericano”, que ocorreu na Espanha, e continua com
					o segundo, sediado no México, em 1999. Desde então, a periodicidade dos
					encontros é de três anos: Colômbia (2002), Brasil (2005), Venezuela (2008),
					Argentina (2011), Peru (2014) e México (2017). É importante registrar que cada
					encontro recupera os debates, as propostas e as ações dos encontros anteriores.
					Devido à doença que tomou conta do mundo em 2020, não foi possível a realização
					do evento na Colômbia, porém alguns grupos criaram um modo de encontro à
					distância, intitulado <italic>Cartas Pedagógicas.</italic> O último encontro,
					que ocorreu no México, em 2017, denominou-se “VIII Encuentro de Colectivos
					Escolares y red de maestras e maestros, educadoras y educadores que hacen
					investigacióny innovación desde sus escuelas” e reuniu redes de docentes do
					México, Colômbia, Espanha, Argentina, Brasil, Venezuela e Peru. Nesse sentido,
					podemos pensar sempre nesse espaço significativo para pensar outras dimensões
					dos processos formativos</p>
				<p>Na direção desse encontro humanizador, emancipador, transformador, que o diálogo
					potencialmente provoca, situamos a existência das redes pedagógicas e dos
					coletivos docentes latino-americanas/os como parte dessa relação dialógica e
					necessária à existência humana, que se coloca como uma construção histórica de
					docentes para pensar não somente suas existências, mas suas práticas como parte
					da problematização deste existir, seus <italic>pensaresfazeres</italic> e,
					inerente a este movimento plural de ricos deslocamentos, proporcionar movimentos
					formativos genuínos, territorializados, suleados pelos chãos da América
					Latina.</p>
				<p>Para nós, não é possível conceber a formação entre/de redes e coletivos docentes
					instituintes que não esteja pautada, referenciada em uma relação dialógica,
					formativa, política, ética, estética, conforme (re)afirmaremos em vários
					momentos ao longo desta pesquisa.</p>
				<p>Como parte desse movimento dialógico, situamos, ainda que brevemente, a criação
					da Red de Educadores Cómplices Pedagógicos Latinoamericanos, que surge no ano de
					2012, a partir de um movimento de dois professores que atuavam em uma
					instituição pública de ensino em Tabio, Cundinamarca/Colômbia. A reflexão
					crítica de suas práticas pedagógicas, a insatisfação gerada e o desejo de
					superação de práticas neocolonizadoras moveram inicialmente os referidos
					docentes na mesma direção: na década de 1980 a 1990 emergiu o movimento das
					redes pedagógicas na Colômbia. Assim nasceu a Red de Educadores Cómplices
					Pedagógicos Latinoamericanos, ainda de forma bastante localizada, mas fruto do
					desejo docente de formação e diálogos entre pares. Aos poucos, a este movimento
					embrionário foram se agregando outras/os educadores/as para integrarem a rede
					formativa e dialógica, buscando, por meio das trocas e reflexões coletivas,
					traçar objetivos comuns para pensar suas experiências educativas. Em 2014, este
					movimento ganhou maior amplitude, a partir da participação da Red de Educadores
					Cómplices Pedagógicos Latinoamericanos no “VII Encuentro Iberoamericano de
					Colectivos y Redes de maestros y maestras, educadores y educadoras que hacen
					investigación e innovación desde su escola y comunidad”, evento de caráter
					internacional cuja primeira edição ocorreu em 1992, na Espanha, e que mantém uma
					periodicidade trienal, tendo hoje um registro de nove edições
						realizadas.<sup>12</sup> O VII encontro Ibero-Americano possibilitou que
					docentes de outras redes e países começassem a estabelecer diálogos e a conhecer
					e desejar compor a Red de Educadores Cómplices Pedagógicos Latinoamericanos.</p>
				<disp-quote>
					<p><italic>Argentina, noviembre 5 de 2020 xxxx.</italic></p>
					<p><italic>Te envio un cálido saludo y agradezco la experiência compartida
							acerca de tu formación como maestros, en verdad me genera bastante
							alegria encontrar similitudes en cuanto a ese proceso. Debo expresarte
							que fue agradable seguir cada una de las líneas en donde narrar tu
							experiência y la sorpresa quegeneró en tu vida encontrar el camino hacia
							la docência. Con ello me permito retomar para iniciar esta carta Ia
							palabra con la que introduces ese dialogo tan motivador en tu texto,
							‘encuentro’.</italic></p>
					<p><italic>Y es que esta experiência para mi significa eso, un encuentro de
							realidades en torno a un tema en común nuestros sentires como maestros.
							A diferencia tuya desde nina pense en ser maestra, jugaba a
							enseñarysiempre queria serquien daba Ias clases cuando me reunia con mis
							amiguitosy ahora que soy adulta pienso que es lo que siempre quiero ser.
							Esto me permitia que el encontrarme con muchos aciertosy desaciertos en
							esta labor, el convencimiento de que la educación es en realidade Ia
							herramienta que transformará nuestra sociedad, permanezca en mi ser aún.
							Por ello cuando llegó el momento, inicie mi proceso de formación en la
							Universidad Pedagógica Nacional, allícomencé a indagar acerca de los
							métodos de enseñanza a través de la comprensión de la vida en la
							Licenciatura en Biologia. Al igual que tú tuve variedad de sentimientos
							que pasaron en ocasiones de la emoción a miedo, empece a darme cuenta de
							que la realidad era más complejay que definitivamente debía entender
							aquellas teorias que aprendia en donde se hablaban de las formas de
							aprendizaje no eran suficientes. Comprendí en ese entonces que, si desde
							mi labor queria lograr transformaciones, mi esfuerzo por conocer debía
							estar acompañado del introducirme en los contextos, conocer sus
							realidadesyde esta forma contribuir no solo a enseñar una disciplina,
							sino también aportar a la construcción de sujetos políticos, aquellos
							que miran la realidad deforma distinta y que llegado el momento también
							quisieran aportar a la sociedad.</italic></p>
					<p><italic>Por ello en los inícios de mi práctica docente el estar inmersa en la
							realidad de la escuela senti conmocióny me pregunté como en realidad
							lograria mi propósito y es allí en donde tengo mi encuentro con la
							investigación. Ydigo que mi encuentro no porque no conociera
							susfundamentos.</italic></p>
					<p><italic>En mi vida universitária se indago bastante sobre ellay se produjeron
							muchas hipótesis alrededor de problemas educativas, pero en realidad en
							el ejercicio docente con ese contacto real con los contextos de mis
							estudiantes comprendí en realidad su utilidad que parecia estar alejada
							de la academia. En realidad, en el transcurso de mi carrera he sentido
							que la investigación en el aula nos permite visibilizar las
							dificultades, generar estratégias de solución y aportar a Ia
							construcción de conocimiento.</italic></p>
					<p><italic>Creo igualmente que es algo en Io que los maestros debemos
							fortalecemos cada dia, para la constante resignificación de nuestras
							prácticas, acción necesaria teniendo en cuenta que nuestra labor está
							enfocada a laformación de indivíduos que cambian en Ia medida que el
							mundo y sus dinâmicas lo imparten. En torno a ello encuentro interesante
							encontrar en tu escrito la defensa dei amor como fuerza movilizadora y
							política, considero que sin amor por lo que eres, lo que haces y por el
							otro no hay câmbios importantesy que definitivamente es necesario en
							nuestros contextos donde el odio divide, destruyey no una mejor
							sociedad. Nuestra labor no seria la misma si ese ingrediente
							esencialpara laformación de mentes críticas, respetuosas de la viday que
							se sientan partes de sus territórios en donde su actuar como sujetos
							políticos afianzan cada vez más nuestra identidad en cada uno de
							nuestros países.</italic></p>
					<p><italic>Así mismo, quiero expresarte que me alegra bastante saber que hay una
							intencionalidad compartida en torno a tejer en red, desde las
							necesidades de nuestros pueblos alrededor de la trasformación educativa.
							Considero que los diálogos deben establecerse en medio de los maestros
							precisamente en estos espacios de formación, apuntando al trabajo
							comunitário, a la construcción de políticas educativas que nos
							permitirán transformaria educación haciéndola una herramienta en donde
							en verdadsea pensada para todos.</italic></p>
					<p><italic>Agradezco enormemente hallas compartido su experiência conmigo, se
							que aún tenemos muchos por contar, por tejery por aportar. Espero seguir
							en contacto contigoy poder conocer con mayor profundidad esas diversas
							maneras en pensar que tenemos los maestros en nuestros procesos de
							formación y también desde las experiências de aula que constituyen los
							verdaderos derroteros de las investigaciones educativas. Te envio un
							abrazo fraternoy quedo atenta para una nueva conversación.</italic></p>
					<p><italic>Cordialmente, Erika Alexandra Tole Rui</italic><xref ref-type="fn"
							rid="fn3">3</xref></p>
				</disp-quote>
			</sec>
			<sec>
				<title>Métodos, cartas e caminhos epistemológicos</title>
				<disp-quote>
					<p>O inconveniente do método, condição de seu sucesso, é extrair os documentos
						de seu contexto ‘histórico’ e eliminar as ‘operações’ dos locutores em
						circunstâncias particulares de tempo, de lugar e competição. É necessário
						que se apaguem as práticas linguísticas cotidianas (e o espaço de suas
						táticas), para que as práticas científicas sejam exercidas no seu campo
						próprio (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Certeau, 1994, p. 45</xref>).</p>
					<p>Olá, Allan, desculpe pela demora. Estava fazendo aqui atividades para meus
						alunos. Então, se eu entendi, queres saber como pensamos metodologicamente o
						coletivo docente. É isso? Desculpe meu portunhol. O nosso trabalho é
						investigação da prática docente como produtora de conhecimento. Esse é o
						princípio. Se queres chamar de metodologia, pode ser? Mas acredito que a
						metodologia está dentro do encontro, ao mesmo tempo é o espaço da
						investigação. Aqui, nos coletivos sempre falamos sobre isso. O encontro é a
						metodologia? Você compreende isso? É essa metodologia que está presente nas
						leituras entre pares, por exemplo. Você participou do Iberoamericano. Fez
						avaliação de um texto?</p>
					<p>A metodologia é o encontro. Não tem algo dado antes do encontro e depois só
						cabe à reflexão de quem viveu a experiência. O nosso trabalho permite
						perceber que os momentos, a ideia dos coletivos docentes, seja aqui na
						Argentina ou em outro país da América Latina é pensar investigação educativa
						pelos docentes que têm compromisso e formas de pensar diferentes, todas
						essas formas de pensar derivam de uma compreensão que os professores são
						dinâmicos, tomam suas decisões a partir das suas práticas e com isso podem
						fazer um movimento de (re)fundar a teoria e produzir novas reflexões. Isso
						acontece no coletivo, no encontro. É essa metodologia que está lá e estamos
						ao mesmo tempo fazendo.</p>
					<p>(Conversa com Gabriel Romaniz, no Zoom, em fevereiro de 2022).</p>
				</disp-quote>
				<p>Começamos essa parte metodológica chamando atenção para a doença que se abateu
					sobre o mundo, a covid-19. A partir de março de 2020, nossas vidas foram
					suspensas pela pandemia causada pelo novo coronavírus. Tal período de
					excepcionalidade exigiu a elaboração de diversas estratégias por parte das
					pessoas para que fosse possível sobreviver ao momento. Contudo, é preciso dizer
					que nem todas conseguiram. É necessário pontuar que grande parte desta pesquisa
					foi feita no período de 2020 a 2022, com encontros virtuais e trocas de cartas
					com alguns membros do projeto de extensão xxxx e com alguns professores do
					Coletivo da Argentina, sobretudo em razão das condições de excepcionalidade e
					suspensão de outras possibilidades de realizar a pesquisa, interpostas pela
					pandemia.</p>
				<p>É preciso ressaltar que o princípio metodológico aconteceu de duas formas
					distintas. A primeira foi um mapeamento dos Coletivos Docentes da América
					Latina, em que pude perceber que existe uma rede imensa de diferentes coletivos
					espalhados pelas Américas. Em segundo plano, escolhi um coletivo – que é
					Coletivo da Argentina – devido à proximidade e relação com os princípios que
					coadunam com o xxx. Vale destacar que, no meu mapeamento, tive pouco retorno de
					outros países. Por uma questão de tempo, aprofundamento e afinidade teórica e
					metodológica com os trabalhos de formação, decidi ficar com o Coletivo da
					Argentina.</p>
				<p>Sendo assim, a pesquisa é de base qualitativa e tem como método os princípios da
					cartografia, de <xref ref-type="bibr" rid="B7">Deleuze e Guattari
					(1997a)</xref>. Os dados produzidos surgem das cartas narrativas e conversas
					virtuais com os grupos e parte da equipe do projeto xxx e o Coletivo da
					Argentina. A ideia não é interpretar esses dados, mas aproximar, esticar e
					estabelecer um sentido entre eles, com o objetivo proposto para este trabalho,
					qual seja: mapear os sentidos de formação coletiva</p>
				<p>Sendo assim, como dito antes, os dados da pesquisa são dois, que se entrecruzam:
					cartas e narrativas produzidas nos aplicativos Meet e Zoom. As cartas foram
					produzidas e trocadas por mensagens de WhatsApp e por e-mail. Essa composição
					nos permitiu pensar em uma cartografia de sentidos, de possibilidades, de
					encontros e afetos. A ideia é pensar como esses dados permitem compreender que
					os processos de formação são compartilhados no projeto Café com Currículo e no
					Coletivo de Docentes da Argentina.</p>
				<p>Sendo assim, a ausência de um encontro presencial e a necessidade de manter viva
					a ideia do encontro, mesmo sendo virtual, com coletivos e os professores que
					compõem o Coletivo da Argentina, fez com que nos organizássemos e começássemos a
					produção das cartas. Nesse momento, compreendi que a carta poderia ser uma
					aproximação com esses coletivos. É preciso destacar que são muitos os coletivos
					espalhados na América Latina. Todos os países estão representados dentro dos
					encontros, mas o coletivo que mais colaborou com o processo da pesquisa foi o da
					Argentina.</p>
				<p>Nessa direção, é preciso deixar registrado que a carta permitiu-nos aproximar
					mais das pessoas e compreender sentidos, saberes e práticas que sustentam essa
					ideia de coletivo e o porquê desta compreensão ser importante para o trabalho
					docente. Contudo, também foi possível fazer videoconferência com alguns sujeitos
					da pesquisa citados anteriormente para pensar alguns aspectos que considerei
					importantes.</p>
				<p>As narrativas que costuram esta <italic>cartapesquisa</italic> possibilitaram
					compartilhar e refletir os modos pelos quais os dados vão pipocando e nos
					lançando ao desafio. Aqui, podemos dizer que defendo a pesquisa-narrativa e as
					conversas como gesto miúdo político que é contra qualquer outra metodologia que
					tenta calar e intimidar os sujeitos da pesquisa. Construir uma narrativa plural
					é construir uma intimidade com os sujeitos. É compartilhar experiências e
					(re)desenhar aquilo que já estava sendo apagado pelos modos hegemônicos e
					distantes dos professores. Sendo assim, parto da compreensão de que uma
					narrativa, seja ela textual, imagética ou filosófica-teórica, está sempre em
					construção. E, nesse sentido, com elas posso pensar a produção desses dados.</p>
				<p>Os “dados” apresentados na <italic>cartapesquisa,</italic> portanto, emergem das
					conversas em encontros on-line com professores de um dos coletivos que se
					dispuseram a participar e das cartas trocadas com professores do Coletivo da
					Argentina, como dito antes. A maior parte das interlocuções se consolidou com o
					Coletivo da Argentina e com professores que integram o projeto xxxx.</p>
				<p>Apostamos na cartografia como uma ferramenta dialógica, tecida nas relações com
					os sujeitos-colaboradores da pesquisa, na direção de pensar e estar junto, assim
					borrando e ultrapassando os limites e as fronteiras de um método único
					cientificista. Esses princípios da cartografia coadunam com os estudos dos
					cotidianos (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Alves, 2008a</xref>; <xref
						ref-type="bibr" rid="B13">Garcia, 2015a</xref>), posto que ambos os
					princípios metodológicos permitem pensar metodologias, portanto, inventivas,
					encarnadas com sujeitos reais e narrativas, nos mostrando a riqueza e as
					experiências dos encontros.</p>
				<p>Bebemos em todas as fontes, como nos ensinou <xref ref-type="bibr" rid="B1">Alves
						(2008a)</xref>, pois essa autora nos lembra que é preciso ampliar nossas
					percepções e convicções do que pode ser uma fonte de conhecimento. Aqui, posso
					dizer que o trabalho com a pesquisa permitiu ampliar nossa compreensão de método
					e metodologia. Ou seja, o trabalho aqui é tecido na compreensão metodológica de
					que é possível fazer uma pesquisa que sente, narra e vive. Assim, são vários
					estudos e pesquisas que nos permitem lembrar que as relações humanas são
					dinâmicas, diversas e complexas. Nesse caminhar, usamos as cartas para captar os
					saberes docentes e os sentidos de docência que são expostos em cada linha.</p>
				<p>A pesquisa cartográfica, tal como apropriada nesta pesquisa, tem como proposta
					acompanhar percursos formativos, tanto do pesquisador quanto do pesquisado, para
					pensar o processo de formação de maneira mais coletiva e horizontal. A
					cartografia convida o pesquisador a adentrar nessas conexões e redes. Passa por
					um método que não tem aplicabilidades, mas permite uma ampliação dos sentidos.
					Tem como compromisso a experimentação de si e do outro. Eis a atitude do
					cartógrafo: assumir a atitude e a ética de si e em relação com outro.</p>
				<p>A escolha da pesquisa cartográfica como método na tese se justifica,
					principalmente, por compreender que ela permite reunir diferentes dados e um
					melhor diálogo com o tempo presente. Um tempo que é criado na pesquisa, na
					experiência. A cartografia traz em sua premissa uma relação com seres e coisas
					que compõem o trabalho do pesquisador, ou seja, movimentos docentes, história do
					projeto de xxxx, Coletivo Docente da Argentina, que compõem minha história como
					professor e pesquisador. Nesse sentido, esta tese parte da pesquisa qualitativa
					para pensar a experimentação de uma outra forma de pensar a docência: a partir
					de encontros, coletivos e afetos.</p>
				<p>A ideia da cartografia surge inicialmente como um campo da Geografia, mais
					especificamente como mapa das cartas, ou mapa escrito das cartas. Nesse sentido,
					compreendo que podemos resumidamente estreitar o processo de escrita, carta e
					mapa na conjunção da cartografia. Cartografar tem relação com mapear os sentidos
					de um caminho, inscrever-se e escrever cartas que são produzidas durante uma
					navegação. Pesquisar toma o lugar do navegar! Cartografia está ligada aqui aos
					modos de caçar jeito dos sujeitos e dados da pesquisa.</p>
				<p>Criar, navegar, pesquisar tudo o que é encontrado na pesquisa e depois dela. Esse
					é o corpo da cartografia. Ela é modo de pesquisar, pensando nos miúdos gestos
					que lançam em al-to-mar o pesquisador e fazem com que ele olhe e acompanhe os
					acontecimentos. Cartografia é acompanhar o processo, como convidam a pensar, há
					muito, Virginia <xref ref-type="bibr" rid="B15">Kastrup (2015)</xref> e Gilles
						<xref ref-type="bibr" rid="B8">Deleuze e Félix Guattari (1997b)</xref>.</p>
				<p>A possibilidade de dialogar com o método da cartografia permite escutar dos
					professores que existe uma escola pensada a partir de uma perspectiva complexa,
					transdisciplinar, aglutinando e por vezes criando e produzindo diversos saberes,
					trajetórias, histórias e narrativas.</p>
				<disp-quote>
					<p>Sabes, em nossas conversas fiquei pensando no que falamos em outros momentos.
						Se existe uma maneira de acompanhar tudo isso que é dos coletivos. Temos
						coletivos docentes na América Latina toda. Temos muitos companheiros e
						companheiras e temos um movimento muito interessante que é de abrir cada vez
						mais as redes e poder oferecer hospitalidade para os educadores e
						educadoras, digo principalmente aqui na Argentina. Não é fácil, mas te digo
						que é um movimento que exige perseverança e esperança, você sabe isso do
						Paulo Freire, sim? É nisso que construímos os coletivos docentes. A troca de
						pares e para pensar nossas realidades e práticas coletivamente. Para expor
						nossas ideias, escutar nossos companheiros e companheiras, pôr em diálogo e
						enriquecer o intercâmbio para debater concepções e teorias que giram em
						torno das escolas.</p>
					<p>Acredito que o nosso trabalho tem como ponto central pensar uma outra escola
						e uma outra formação. Você, na outra vez, falou do currículo, né? Acredito
						que seja isso também. Pensar as práticas das escolas é pensar os currículos.
						Os encontros ibero-americanos são espaços importantes para entrar nas redes.
						São nesses espaços que vamos pensar com os professores, muitos deles não
						estão nas universidades, mas que produzem suas práticas docentes em outras
						direções. Você tem que participar do próximo. Nesses encontros é que
						escutamos, aprendemos e compartilhamos nossos conhecimentos e o saber
						pedagógico. (Conversa com representante dos Coletivos Docente da Argetina –
						Porfessora Luzia, em junho de 2020).</p>
				</disp-quote>
				<p>A narrativa da professora Luzia permite refletir sobre como o trabalho com os
					coletivos docentes escapa a uma ordem ou a uma estrutura; ao contrário, o
					trabalho com os coletivos é uma forma de pensar o encontro a partir de uma
					construção coletiva e democrática. Para tanto, acompanhar isso exige um “modo de
					fazer pesquisa” numa lógica coletiva, sempre produzindo realidades outras e
					conexões entre o pesquisador e o pesquisado. Assim sendo, a ideia da cartografia
					permite caçar saídas dentro dos mapas representativos. Ao narrar sua compreensão
					sobre o trabalho com os coletivos docentes, ilustra que ao nos encontrarmos
					podemos criar formas de concepções de formação docente e de escolas. Se de um
					lado aprendemos que os discursos sobre escolas e formação de professores sempre
					estão na pauta dos discursos políticos, jurídicos e midiáticos, muitas vezes,
					com sentidos demeritórios e isolados, por outro lado, percebi que a cartografia
					permite desenhar outros sentidos de docência e escola a partir das experiências
					cotidianas.</p>
				<disp-quote>
					<p>O trabalho com cartas me parece interessante. Como pesquisar no momento
						pandémico? Alguns estão trabalhando para usar tal ferramenta. Fico pensando
						em um momento de avanço tecnológico, onde temos áudios de 3 minutos,
						figurinhas que representam um texto inteiro, me parece trocar cartas, mesmo
						sendo virtual, um modo de estar mais próximo da pesquisa (Fragmento do
						Diário de pesquisa, maio de 2021).</p>
					<p>Oi, Allan, gostei da ideia do conversar pelo Zoom sobre os movimentos dos
						coletivos. Essa pandemia está nos sufocando. Ontem mesmo soube de um amigo
						que infelizmente não resistiu. Os números do Brasil são assustadores. Tu não
						achas que desde os anos 1990 estamos vivendo sempre uma pandemia na América
						Latina? Falava isso para uma colega ontem.</p>
					<p>Vi sua pergunta. Mas acho que sua pergunta convida outra questão: quais os
						marcos dos coletivos da Argentina? Talvez, bem, é compreender o trabalho
						docente como fundamental para investigar políticas educacionais,
						principalmente as políticas neoliberais com início nos anos 1990. Aí também
						acontece isso, não é? A limitação da prática docente e os professores como
						reprodutores de um conhecimento sem contextualização. Essa é nossa bandeira.
						Assim, reconhecer os docentes como sujeitos produtores de conhecimentos da
						educação. Eu diria que esse é o primeiro movimento. Pensar pela experiência
						de nossas escolas me parece importante, sim? Me parece que algo se cria
						dentro das escolas e com isto podemos pensar. No? Bem... A experiência com o
						coletivo tem afetado diretamente essas políticas neoliberais. Afetado de
						pensar e questionar as políticas de governo.</p>
					<p>O segundo movimento tem relação com as práticas dos professores. A primeira é
						sobre as condições de trabalhos. Essa é das práticas docentes, por quê?
						Porque é das práticas docentes desde as escolas em articulação com diversos
						modos de intervenção na realidade, sistematizações dos conhecimentos,
						inovações educativas e experiências pedagógicas, que é que vamos pensar o
						processo de produção do conhecimento nas escolas.</p>
					<p>A terceira é aquela que falamos na conversa virtual juntos. É o trabalho em
						rede. Vocês aí trabalham muito com essa ideia, sim? A rede é uma forma
						alternativa para formação docente entre pares e como sistema democrático
						para a tomada de decisões com base nos princípios da horizontalidade,
						igualdade e inclusão. Compreendestes? São esses marcos que fundamentam o
						trabalho com coletivos aqui na Argentina. Existem outros.</p>
					<p>(Conversa com xxx – Coletivo Docente da Argentina, via Meet, em fevereiro de
						2021).</p>
				</disp-quote>
				<p>A intenção de multiplicar as histórias investindo na ideia de outras histórias,
					junto com os docentes, por meio das cartas e narrativas dos professores do
					projeto xxx, se desenha a partir de conversas como mote de
					investigação-formação. Esse caminho vem auxiliando para ouvirmos dos cotidianos
					múltiplas histórias, reforçando o entendimento de que não podemos ficar presos a
					um único modelo ou quadro representativo – nem nos currículos nem nos livros
					didáticos. Ou seja, utilizo as cartas como um instrumento metodológico para
					trabalhar a dimensão participativa dos sujeitos da pesquisa – alguns professores
					do Coletivo Docente e os que compõem o projeto xxx. Em outro plano, o “uso”
						(<xref ref-type="bibr" rid="B5">Certeau, 1994</xref>) das cartas parte da
					compreensão da recuperação e sistematização das experiências docentes. Contudo,
					suas práticas como parte da problematização deste existir, seus
						<italic>pensaresfazeres</italic> e, inerente a este movimento plural de
					ricos deslocamentos, proporcionar movimentos formativos genuínos,
					territorializados, suleados pelos chãos da América Latina.</p>
				<p>Para nós, não é possível conceber a formação entre/de redes e coletivos docentes
					instituintes que não esteja pautada, referenciada em uma relação dialógica,
					formativa, política, ética, estética, conforme (re)afirmaremos em vários
					momentos ao longo desta pesquisa.</p>
				<p>Como parte desse movimento dialógico, situamos, ainda que brevemente, a criação
					da Red de Educadores Cómplices Pedagógicos Latinoamericanos, que surge no ano de
					2012, a partir de um movimento de dois professores que atuavam em uma
					instituição pública de ensino em Tabio, Cundinamarca/Colômbia. A reflexão
					crítica de suas práticas pedagógicas, a insatisfação gerada e o desejo de
					superação de práticas neocolonizadoras moveram inicialmente os referidos
					docentes na mesma direção que, na década de 1980 a 1990 emergiu o movimento das
					redes pedagógicas na Colômbia. Assim nasceu a Red de Educadores Cómplices
					Pedagógicos Latinoamericanos, ainda de forma bastante localizada, mas fruto do
					desejo docente de formação e diálogos entre pares. Aos poucos, a este movimento
					embrionário foram se agregando outras/os educadores/as para integrarem a rede
					formativa e dialógica, buscando, por meio das trocas e reflexões coletivas,
					traçar objetivos comuns para pensar suas experiências educativas. Em 2014, este
					movimento ganhou maior amplitude, a partir da participação da Red de Educadores
					Cómplices Pedagógicos Latinoamericanos no “VII Encuentro Iberoamericano de
					Colectivos y Redes de maestros y maestras, educadores y educadoras que hacen
					investigación e innovación desde su escola y comunidad”, evento de caráter
					internacional cuja primeira edição ocorreu em 1992, na Espanha, e que mantém uma
					periodicidade trienal, tendo hoje um registro de nove edições realizadas. O VII
					encontro Ibero-Americano possibilitou que docentes de outras redes e países
					começassem a estabelecer diálogos e a conhecer e desejar compor a Red de
					Educadores Cómplices Pedagógicos Latinoamericanos.</p>
				<p>Importante mencionar que, mesmo antes da pandemia da covid-19, em 2020, os
					encontros com a Red de Educadores Cómplices Pedagógicos Latinoamericanos
					ocorriam presencialmente, com uma certa periodicidade anual, e somente em 2020
					os encontros passaram a ocorrer de maneira totalmente virtual, assíncrona,
					devido à particularidade deste ano pandémico e das medidas de contenção de
					propagação do vírus.</p>
				<p>Situando brevemente o que representam os Encuentros Iberoamericanos de Colectivos
					y Redes de maestros y maestras, educadores y educadoras que hacen investigación
					e innovación desde su escuela y comunidad, nos afirma <xref ref-type="bibr"
						rid="B9">Duhalde (2009, p. 222)</xref> que,</p>
				<disp-quote>
					<p><italic>En estos encuentros, los maestrosy las maestras participantes se
							posicionan en un lugar protagónico, distinto al de simples consumidores
							de producciones hechas por otros investigadores o expertos. En la
							dinâmica interna segeneran flujos de intercambioy se promueve un diálogo
							de saberes acerca de los conocimientos que producen y ponen en juego los
							maestrosy las maestras en la vida cotidiana de las instítuciones
							educativas. También se reflexiona y debate sobre los diversos modos de
							organización de losy las docentes, entre los que se encuentran:
							colectivos, anillos, grupos de estúdio, nodos, redesy demás formas de
							trabajo y vinculación que los sujetos sociales despliegan en las
							escuelas.</italic></p>
				</disp-quote>
				<p>Considerando as particularidades de cada encontro, tanto do Iberoamericano de
					Colectivos y Redes de maestros y maestras, educadores y educadoras que hacen
					investigación e innovación desde su escuela y comunidad, quanto da Red de
					Educadores Cómplices Pedagógicos Latinoamericanos, podemos destacar algumas
					semelhanças em suas constituições, tanto do lugar de protagonismo dos docentes,
					quanto da possibilidade de intercâmbio de conhecimentos e saberes proporcionados
					a partir dos diálogos que se estabelecem entre seus sujeitos, estes que trazem
					diversas experiências formativas, de atuação profissional e formas de se
					perceberem docentes nestes movimentos plurais.</p>
				<p>Chegamos em 2020, o ano “em que o mundo parou”, impactados pelo coronavírus, que
					impôs formas outras de pensar o mundo, a vida, a sociedade, a educação, a
					escola. A Red de Educadores Cómplices Pedagógicos Latinoamericanos respondeu a
					esse momento histórico de silenciamentos, isolamentos, perdas, individualização
					da prática docente buscando no diálogo entre pares internacionais
					constituírem-se em reflexões diante do modelo de ensino remoto e virtual adotado
					pelos diferentes países, que, de forma semelhante, excluía uma grande parcela da
					população de estudantes das classes populares que não possuía condições para
					acompanhar as aulas no modelo assíncrono, virtual e tecnológico.</p>
				<p>Para esse grande diálogo internacional, travado durante todo o ano de 2020, de
					forma virtual, elegeu-se como tema central para o I Diálogo Internacional de
					Ensino e Aprendizagem: “Desafios dos Educadores em Tempos de Pandemia”.</p>
				<p>Entre abril e dezembro de 2020 foram realizados 18 encontros entre diversas redes
					de docentes de 12 países latino-americanos e caribenhos, a saber: Argentina,
					Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, México, Paraguai,
					Peru, Uruguai e Venezuela. Os encontros foram realizados por meio da plataforma
					Zoom, com duração que variava entre uma e duas horas, em que foram produzidos
					depoimentos orais, apresentações, vídeos, narrativas, poesias, momentos de
					expedições culturais, cujos países apresentavam um pouco sobre as curiosidades
					locais, culturas, gastronomia, geografia, dentre outros aspectos que
					considerassem relevantes. Os encontros contavam também com um momento específico
					de produção de uma síntese dos debates, traduzida para o Guarani.</p>
				<p>Importante situar o lugar da linguagem, seja ela em Guarani, seja ela em espanhol
					(América Latina e Caribe) com seus traços culturais, geográficos de países
					participantes, e a nossa, única em língua portuguesa, como um exercício
					constante de ampliação do diálogo e do aprendizado entre seus participantes.</p>
				<p>As pautas dos encontros partem das demandas dos professores que têm nas
					narrativas e discussões de suas práticas os conteúdos prioritários das rodas de
					conversa. Enquanto espaço de pesquisa e formação, os encontros buscam operar
					princípios construídos com base na interlocução entre a fundamentação teórica do
					projeto e os conhecimentos tecidos na pesquisa com as escolas e os professores.
					O projeto de extensão articula contribuições teórico-metodológicas para criar
					caminhos no desenvolvimento da investigação. Temos nas Pesquisas com os
					cotidianos a fonte dos princípios político-epistemológicos que nos auxiliam a
					pensar a produção do conhecimento na educação a partir da percepção das
					produções cotidianas das escolas e dos professores.</p>
				<p>Sendo, nesse sentido, importantes as noções de uso (<xref ref-type="bibr"
						rid="B5">Certeau, 1994</xref>), que nos auxiliam a compreender o modo como
					os diferentes artefatos culturais e normas existentes são apropriados e
					transformados nos cotidianos – e, dentre outras noções, a das redes educativas
					que nos formam e que formamos (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves,
					2019</xref>) – central nos debates nos processos de formação em coletivos
					docentes e para pensar a produção curricular que emerge com o movimento dessas
					redes nos cotidianos. No entanto, nossas marcas nos traem e nos perseguem todo o
					tempo. Assim, nosso exercício cotidiano tem sido empurrar (pre)conceitos e
					aprender a ouvir e aprender a aprender. Nesse mergulho em que buscamos contar as
					histórias que temos <italic>ouvidovivido</italic> por meio das narrativas desses
					coletivos, fazemos uma crítica às práticas de pesquisa demasiado abstratas, que
					não têm levado em conta o cotidiano vivido por professores. Todavia não é essa a
					nossa questão central; não estamos aqui para brigar com ninguém e sim porque
					entendemos que somente aqueles que vivem suas práticas podem contá-las. Com
					isso, esperamos poder trazer para o campo da formação de professores e do
					currículo outra maneira de perceber o vivido que se dá no cotidiano das práticas
					de professores e professoras.</p>
				<p>É com esses coletivos docentes “praticantes” que propomos assumir a
						<italic>conversa</italic> como <italic>arte de fazer</italic> em nossas
					caminhadas, mergulhando nas narrativas e no próprio diálogo tecido com
					professores e professoras que também somos para pensar e <italic>estar
						sendo</italic> em uma conversa – e não entrevista, a qual pressupõe um jogo
					de intenções muitas vezes imposto e direcionado pelo entrevistador. Nesse
					movimento de <italic>versar com,</italic> nos colocamos frente ao desafio de nos
					relacionarmos de uma maneira mais afetiva com o <italic>outro,</italic>
					posicionando-nos abertamente diante dos temas que surgem, com uma postura livre
					para ouvir, entregando-nos às possibilidades dos diálogos. Logo, uma arte que
					vem sendo, além de nomeada, legitimada e praticada por nós e outros companheiros
					de pesquisa.</p>
				<disp-quote>
					<p>Rio de Janeiro, 15 de novembro de 2022</p>
					<p>Oi, Allan, que alegria receber uma carta sua. Acho que a carta, mesmo
						redigida de forma digital, tem um poder acolhedor, acredite. Porém, não
						posso deixar de registrar que o cheiro do papel e a letra manuscrita fazem
						falta, por isso, resolvi usar as técnicas que o computador nos oferece para
						driblar essa saudade. Mas, independentemente disso, as palavras sempre serão
						algo que nos une. Você bem sabe que eu acredito na força da palavra. Na
						tradição africana, a palavra possui um valor singular, pensar no Ser se
						comunicando com outro Ser e com o Divino. Então, independentemente de ser
						escrita ou digital somos Seres dialogando para além do tempo. Quando você me
						convida ao diálogo sobre a sua pesquisa sinto-me partícipe dela. Juro, me
						sinto incluída, e são esses sentimentos que pretendo levar até as pontas dos
						dedos para lhe responder sobre café. Eu fui apresentada ao cotidiano, porém,
						foi com o café que tive a oportunidade de vê-lo tomando vida diante dos meus
						olhos. Infelizmente, a pandemia me impediu de vivenciá-lo de forma
						presencial, mas, posso lhe dizer que, o que trocamos no espaço virtual foi
						maravilhoso. Independente de estarmos distantes, as trocas que ali se
						concretizaram tornaram o espaçotempo algo para além do tangível. E por que
						posso dizer isso? Porque as pessoas trouxeram vivências, saberes e práticas
						que comungavam com o coletivo ali presente. Eu pude me ver em alguns relatos
						e isso demonstrou que mesmo estando distantes somos um, somos um coletivo.
						Sabe, Allan, espero que possamos vivenciar o xxx no presencial. Digo isso
						lembrando uma fala sua. ‘Existem ações, movimentos e outros sentidos no
						presencial que são importantes para o pesquisador’. O xxx representa a
						oportunidade de pensarmos o coletivo, suas singularidades, sua cultura,
						empatia e diria até a solidariedade com aqueles que conhecem a nossa
						história.</p>
					<p>Não porque contamos, mas, porque em algum momento a vivemos e assim nos
						abrimos com mais facilidade, porque nos reconhecemos no outro. Essa é uma
						potência que talvez eu não consiga traduzir em palavras. Foi com o projeto
						xxx que percebi que as conversas que tinha com as professoras era um
						movimento de pesquisa. E levá-lo a frente também foi incentivado nos
						encontros que participei. Nossa, acho que essa carta está ficando longa. E
						espero ter passado um pouco do que sinto pelo projeto Café com Currículo.
						Não quis uma resposta teórica ou científica para a nossa carta. Espero que
						no som do meu teclado, nas pontas dos meus dedos e no olhar da tela fria,
						você possa encontrar, em cada linha, um pouco do calor que sinto ao
						mergulhar com todos os sentidos no Café com Currículo (Carta da Professora
						xxxx, Integrante do projeto xxx, novembro de 2022).</p>
				</disp-quote>
				<p>A formação coletiva de professores é essencial para consolidar parcerias
					profissionais. É isso que a professora xxxx – integrante do xxxx – nos aponta.
					Sabemos o quanto o diálogo nos corredores das escolas e as parcerias de
					planejamento enriquecem nossas práticas. Sendo assim, poder estabelecer um
						<italic>espaçotempo</italic> de partilha, em que cada sujeito docente tem
					espaço para narrar suas experiências e trocar com o outro, me parece importante
					para “vivermos” coletivamente as miudezas dos espaços de troca. A professora
					xxxx nos conta sobre um momento muito crucial, que é a pandemia, porém, em sua
					carta, ela também registra que esses encontros virtuais foram o que permitiram
					novos encontros.</p>
				<p>A pesquisa não tem a intenção de fazer um estudo profundo sobre indivíduo e
					coletivo ou coisa deste tipo, mas trazer uma ideia inicial sobre o assunto em
					torno de uma das questões que abre o capítulo. Assim, como se constitui um
					coletivo? Parece repetitivo, mas lembramos que a forma de fazer pesquisa precisa
					ser atravessada por questões que movem o pesquisador e a própria pesquisa. Como
					se constitui um coletivo? Em uma busca sobre essa relação entre indivíduo e
					sociedade, e partindo dos estudos da cartografia em <xref ref-type="bibr"
						rid="B15">Kastrup (2015)</xref>, podemos perceber que a historiografia
					clássica da Sociologia e da Psicologia se fundamentam na separação desses dois
						<italic>espaçostempos</italic> – indivíduo e sociedade. A separação nos
					leva, enquanto sociedade moderna, à compreensão dicotômica entre objeto e
					conhecimento, humano e natureza, ordem e desordem, determinismo e
					imprevisibilidade.</p>
				<disp-quote>
					<p>À psicologia coube o estudo dos fenômenos individuais e à sociologia o estudo
						dos fenômenos sociais ou coletivos. Ocorreram, entretanto, desdobramentos
						subsequentes, que foram produzidos no interior de cada uma dessas
						disciplinas. Na própria psicologia, assistimos ao surgimento da psicologia
						social como um campo específico de investigação, o que revela imediatamente
						haver outros que não são sociais, sendo, portanto, individuais. A separação,
						ainda que implícita, entre psicologia individual e psicologia social, indica
						a adesão ao pensamento dicotômico e, de forma talvez menos evidente, uma
						tendência individualista que prevaleceu até algum tempo atrás em certos
						domínios. Como exemplo podemos tomar os estudos sobre cognição que foram
						realizados no interior de grandes sistemas psicológicos, como o gestaltismo
						da Escola de Berlim e o construtivismo de J. Piaget (<xref ref-type="bibr"
							rid="B15">Kastrup, 2015, p. 296</xref>).</p>
				</disp-quote>
				<p>A denominação do que é o coletivo passa por aquilo que compõe uma sociedade:
					família, igreja, espaços educativos, povo e Estado, já o que é indivíduo diz
					respeito à sua própria experiência e subjetividade. Essa noção é caracterizada
					pelo projeto de modernidade que tenta resgatar de todas as maneiras a divisão
					entre conhecimentos práticos e teóricos, por exemplo, sendo que se torna visível
					a separação entre coletivo e indivíduo e os conhecimentos. Contudo, a partir dos
					estudos de <xref ref-type="bibr" rid="B15">Kastrup (2015)</xref> e os modos de
					produção de subjetividades, podemos analisar que as teorias da filosofia da
					diferença colocam em xeque essa divisão, utilizando uma linguagem e um sentido
					filosófico que vão permitir compreender a complexidade dos seres e das
					coisas.</p>
				<p>Quando refletimos através da língua da modernidade podemos pensar nas fronteiras
					que não permitem a relação entre indivíduo e coletivo, justamente por estarem
					posicionadas como uma representação da realidade, sustentada por uma sociologia
					positivista. Ou, podemos dizer, produzida para que os sujeitos aprendam dessa
					maneira. O que é do sujeito e o que é do coletivo? No dicionário da modernidade,
					indivíduo e coletivo não são parte de um todo, mas compartilham o mesmo espaço e
					são colocados em funções diferentes. O indivíduo é o sujeito projetado como
					racional e universal. Ou seja, os sujeitos latino-americanos e europeus são “as
					mesmas coisas”, seguem as mesmas regras, esse olhar hegemônico de olhar para
					pessoas; e do outro lado estão os coletivos que tentam romper com essa gramática
					da normatização. Dessa maneira, em que momento acontece o encontro
					indivíduo-coletivo?</p>
				<p>Os coletivos com os quais trabalhamos têm sido estimulados por espaços de trocas,
					conhecimentos e práticas para podermos pensar uma cartografia, por exemplo,
					curricular que não está baseada na representação de um único currículo, mas de
					um agenciamento (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Deleuze; Guattari, 1997b</xref>)
					curricular. Dessa forma, podemos conceber o processo da composição da
					coletividade e da criação dos espaços coletivos nas formações continuadas para
					pensarmos modos outros de fazer a escola e os currículos. No discurso da
					política neoliberal, cabe o coletivo? Cabe pensar uma formação coletiva? Cabe
					pensar o processo educacional coletivo?</p>
				<p>A palavra coletivo vem do latim <italic>colligere, “</italic>colher junto,
					reunir”; de <italic>com, “</italic>junto”, mais <italic>legere,
					“</italic>colher, arrancar da planta”. Esse “com”, presente na etimologia da
					palavra “junto”, vai nos trazer a presença de outrem, de uma outra forma, de um
					outro indivíduo. Dessa forma, coletivo tem uma relação dialógica e múltipla que
					se retroalimenta na troca, nos conhecimentos do próprio coletivo, sempre
					compartilhados. Desse modo, cria-se com outros pensamentos, partilhas e
					movimentos. Curiosamente, na língua portuguesa, temos a presença da ideia do
					substantivo coletivo, que traz a ideia de palavras que indicam o agrupamento de
					pessoas, seres, coisas, objetos ou animais da mesma espécie, de um mesmo tipo.
					Serão os coletivos docentes uma forma de substantivo coletivo?</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Conversas Sankofas para não concluir<xref ref-type="fn" rid="fn4"
				>4</xref></title>
			<p><fig>
					<graphic xlink:href="0104-7043-faeeba-34-77-0162-gf01.tif"/>
					<attrib><bold>Fonte:</bold>
						<xref ref-type="bibr" rid="B19">Saraus de Resistência
						(2023)</xref>.</attrib>
				</fig></p>
			<p>Essa <italic>cartapesquisa</italic> vai chegando ao “fim” com muitas perguntas e
				poucas respostas para oferecer à leitora. Portanto, vou encaminhando-a para uma
				conversa Sankofa, no sentido de que o Coletivo da Argentina e o projeto xxx são
					<italic>espaçostempos</italic> que me permitiram olhar para trás, sem uma
				previsão de futuro ou, aqui, escrever para o futuro, porém como
					<italic>espaçostempos</italic> de práticas que carregam em si uma lógica outra
				de ir buscar e trazer possibilidades e alternativas contra-hegemônicas para pensar
				outros processos de formação, tanto inicial quanto continuada.</p>
			<p>É nessa direção, assim como o pássaro mítico Sankofa, que posso compreender os
				processos formativos e, especialmente, o trabalho com os coletivos docentes como
				espaços de produção sempre coletiva e horizontal. Um dos aspectos que foram
				apontados ao longo desta pesquisa foi o do sentimento expresso pelos professores de
				mil maneiras, pois os princípios que orientam o trabalho em ambos os espaços
				coadunam com as seguintes palavras: dialogar, pensar coletivamente, produção
				curricular cotidiana, formação de professores continuada e compartilhada. Essas e
				outras palavras permitem que ambas as experiências potencializem um diálogo vivo e
				horizontal na proposta de uma formação do/ao sul.</p>
			<p>O projeto de extensão e o Coletivo Docente da Argentina são processos instituintes.
				Mesmo o projeto, sendo de extensão, que tem a intenção de pensar o diálogo entre
				escolas -universidades, produzido por uma universidade, corrobora e faz coro com o
				Coletivo da Argentina. Ambos pensam uma formação que tenha como luta os saberes
				docentes e, portanto, parte desses saberes para ampliar os sentidos da educação,
				fortalecendo o local e as escolas parceiras, sempre na direção de compartilhar as
				experiências e poder ouvir outras histórias que humanizem os professores e o seus
				saberes.</p>
			<p>Como aprendemos com Aimê <xref ref-type="bibr" rid="B6">Césaire (2007)</xref>, é
				necessário desconstruir um sujeito da estrada colonial, e isso tem relação com a
				proposta de ambos os coletivos. É nessas confluências entre esses espaços que
				podemos perceber movimentos expressos em Paulo <xref ref-type="bibr" rid="B12"
					>Freire (2007)</xref> para reconstruir esse sujeito e ampliar novas estradas
				para caminharmos com os professores, com comprometimento, alegria, esperança,
				estética e ética, movimentos basilares do pensamento freireano.</p>
			<p>Entretanto, é necessário ampliar os sentidos dessa formação de modo que fuja de uma
				estrada colonial e promova sempre um espírito de curiosidade. Aqui, não como uma
				receita de bolo de como formar o professor, mas em defesa de fazer e ser professor,
				ao sul, o que requer aspectos apontados por <xref ref-type="bibr" rid="B12">Freire
					(2007)</xref>. Nessa direção, as histórias instituintes desses espaços onde foi
				produzida a <italic>cartainvestigação</italic> passam por uma dimensão de pensar: o
				que fica desses saberes? Uma coisa foi possível perceber. O processo do projeto xxxx
				e o trabalho com os Coletivos Docentes são clandestinos em suas artesanias de pensar
				os processos formativos e, por isso, configuram-se como espaços instituintes.</p>
			<p>Instituintes, pois não criam um terreno, são, em sua premissa teórica e epistêmica,
				espaços que desterritorializam os currículos oficiais, os limites de se pensar a
				formação e os sujeitos. São instituintes porque narram as vidas e os sujeitos –
				estudantes e professores – que formam as escolas e as redes educativas. São
				instituintes porque pautam as políticas neoliberais e desafiam os modelos econômicos
				de educação como um todo.</p>
			<p>Por fim, nos despedimos da leitora desta <italic>cartapesquisa</italic> com algumas
				intenções e diálogos. Primeiro, entendendo que esta <italic>cartapesquisa</italic> é
				uma leitura coletiva e uma conversa com muitos autores. Segundo, compreendendo-a
				como um esforço para pensar o diálogo entre docentes das escolas e a universidade,
				importante para construção de uma outra educação. Uma educação horizontal e que
				esteja pautada na solidariedade, democracia, justiça social e que possibilite a
				refletir sobre os processos de formação de professores. A luta contra a injustiça
				cognitiva e social segue na direção de pensar uma pesquisa em educação que
				desestabilize as representações desencantadas e tristes do que é a escola e o
				currículo, e o que são os professores e os alunos.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Iremos utilizar o termo feminino, nos referindo sempre às professoras, pois em
					nossa <italic>vidaacadêmicavida</italic> as mulheres sempre foram e são
					importantes, e nos ajudaram a perceber outras formas de criação e invenção de
					mundo.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Juntar termos dicotomicamente compreendidos pela ciência positivista moderna,
					como se se tratasse de processos e ações antagônicos, no intuito de pôr em
					questão tal cisão e mostrar as relações de retroalimentação e diálogo entre
					ambos, é uma aposta muito cara ao campo dos estudos com os cotidianos.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Esse nome não é a identidade original da professora que escreveu essa carta.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>No perfil da <italic>Revista Sankofa</italic> podemos compreender que “O conceito
					de Sankofa (Sanko = voltar; fa = buscar, trazer) origina-se de um provérbio
					tradicional entre os povos de língua Akan da África Ocidental, em Gana, Togo e
					Costa do Marfim. Em Akan, ‘se <italic>wo were fi na wosan kofa a
						yenki’,</italic> que pode ser traduzido por ‘não é tabu voltar atrás e
					buscar o que esqueceu’. [...] Sankofa pode ser representado como um pássaro
					mítico que voa para frente, tendo a cabeça voltada para trás e carregando no seu
					bico um ovo, o futuro” (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Revista Sankofa,
						2022</xref>).</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>REFERÊNCIAS</title>
			<ref id="B1">
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					nas lógicas das redes cotidianas. <italic>In:</italic> OLIVEIRA, Inês Barbosa
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					Vida Cotidiana e Pesquisa em Educação).</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ALVES</surname>
							<given-names>Nilda</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Decifrando o pergaminho – os cotidianos das escolas nas lógicas
						das redes cotidianas</chapter-title>
					<person-group person-group-type="editor">
						<name>
							<surname>OLIVEIRA</surname>
							<given-names>Inês Barbosa de</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>ALVES</surname>
							<given-names>Nilda</given-names>
						</name>
					</person-group>
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						redes de saberes</source>
					<publisher-loc>Petrópolis, R)</publisher-loc>
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					<fpage>13</fpage>
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					<person-group person-group-type="author">
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							<surname>ALVES</surname>
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						</name>
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					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
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						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Tecer conhecimento em rede</chapter-title>
					<person-group person-group-type="compiler">
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							<surname>ALVES</surname>
							<given-names>Nilda</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>GARCIA</surname>
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					<publisher-loc>Petrópolis, RJ</publisher-loc>
					<publisher-name>DP et Alii</publisher-name>
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					<publisher-loc>Petrópolis, RJ</publisher-loc>
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					<source>Discurso sobre el colonialismo</source>
					<publisher-loc>Madri</publisher-loc>
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					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
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					<conf-name>REUNIÃO NACIONAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA
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