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	<front>
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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">faeeba</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. FAEEBA - Ed. e
					Contemp.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2358-0194</issn>
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				<publisher-name>Universidade do Estado da Bahia</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi"
				>10.21879/faeeba2358-0194.2025.v34.n77.p192-207</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigo</subject>
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			<title-group>
				<article-title>A CENTRALIDADE DOCENTE NOS DISCURSOS DE RESPONSABILIZAÇÃO DA
					OEI</article-title>
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					<trans-title>CENTRALITY OF TEACHERS IN THE OEI'S ACCOUNTABILITY
						DISCOURSES</trans-title>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-5172-9705</contrib-id>
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						<surname>Lima</surname>
						<given-names>Paula Eduarda das Dores de Souza</given-names>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-3706-7626</contrib-id>
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						<surname>Dias</surname>
						<given-names>Rosanne Evangelista</given-names>
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				<label>*</label>
				<institution content-type="orgname">Técnico e Tecnológico dos Anos Iniciais do
					Colégio Pedro II</institution>
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					<city>Rio de Janeiro</city>
					<state>RJ</state>
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				<country country="BR">Brasil</country>
				<email>dudallima@yahoo.com.br</email>
				<institution content-type="original">Mestre em Educação pela Universidade do Estado
					do Rio de Janeiro (ProPEd/UERJ). Doutoranda no mesmo Programa de Pós-Graduação
					em Educação, na linha de pesquisa “Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura”.
					Bolsista Capes/PROEX. Temática de interesse investigativo: Currículo, Formação
					de Professores e Trabalho Docente. Professora do Ensino Básico, Técnico e
					Tecnológico dos Anos Iniciais do Colégio Pedro II, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
					E-mail: dudallima@yahoo.com.br</institution>
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			<aff id="aff2">
				<label>**</label>
				<institution content-type="orgname">Universidade do Estado do Rio de
					Janeiro</institution>
				<email>rosanne_dias@uol.com.br</email>
				<institution content-type="original">Doutora em Educação pela Universidade do Estado
					do Rio de Janeiro. Professora da Faculdade de Educação e do Programa de
					Pós-Graduação em Educação (ProPEd) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro,
					na linha “Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura”. Líder do GRPesq CNPq
					Políticas de Currículo e Docência. Temática de interesse investigativo:
					Currículo, Formação de Professores e Trabalho Docente. Procientista da UERJ e
					Jovem Cientista do Nosso Estado – FAPERJ. E-mail:
					rosanne_dias@uol.com.br</institution>
			</aff>
			<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
				<day>23</day>
				<month>09</month>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<pub-date publication-format="electronic" date-type="collection">
				<season>Jan-Mar</season>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<volume>34</volume>
			<issue>77</issue>
			<fpage>192</fpage>
			<lpage>207</lpage>
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				<date date-type="received">
					<day>30</day>
					<month>09</month>
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				<date date-type="accepted">
					<day>07</day>
					<month>02</month>
					<year>2025</year>
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				<license license-type="open-access"
					xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>Este artigo tem por objetivo problematizar a responsabilização como dispositivo
					de controle e regulação da formação e do trabalho docente em proposições para a
					política pública curricular. Entendendo que diferentes produções políticas
					articuladas entre a América Latina e a Península Ibérica colaboram para
					propagação das políticas de responsabilização, analisamos os textos políticos da
					Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI, 2009a; 2009b; 2013) que estão em
					vigência e servem de referência para os sistemas de ensino dessa grande
					comunidade chamada Ibero-América. Focalizamos a abordagem do ciclo contínuo de
					políticas (Ball; Bowe, 1998) como base teórica e metodológica, em diálogo com
					autores de perspectivas discursivas. De forma ambivalente, os professores são
					considerados peça-chave para a garantia de uma educação de qualidade. Por meio
					dos discursos da OEI, projeções e metas endereçadas ao currículo estão em
					negociação, ressignificando a educação contemporânea.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>This article aims to problematize accountability as a mechanism for controlling
					and regulating teacher training and work within curriculum public policies
					proposals. Recognizing that various political productions articulated between
					Latin America and the Iberian Peninsula region contribute to the spread of
					accountability policies, we analyze the political texts of the Ibero-American
					States Organization (OEI, 2009a; 2009b; 2013) that are currently in force and
					serve as references for the educational systems of this extensive community
					known as Ibero-America. We focus on the “policy cycle approach” (Ball; Bowe,
					1998) as a theoretical and methodological basis, engaging with authors from
					discursive perspectives. At the same time, teachers are seen as key players in
					ensuring good quality education. Through the OEΓs discourses, projections and
					goals directed at the curriculum are being negotiated, resignifying contemporary
					education.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Políticas</kwd>
				<kwd>Currículo</kwd>
				<kwd>Docência</kwd>
				<kwd>Responsabilização</kwd>
				<kwd>Ibero-América</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Policies</kwd>
				<kwd>Curriculum</kwd>
				<kwd>Teaching</kwd>
				<kwd>Accountability</kwd>
				<kwd>Ibero-America</kwd>
			</kwd-group>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></title>
			<p>Diante da crescente profusão de textos políticos que se articulam em variados
				contextos, é possível ter uma ideia da dimensão de produções discursivas que estão
				em circulação e que traduzem as políticas curriculares.</p>
			<p>Neste artigo, buscamos compreender o movimento dessas produções de políticas
				atentando para a relação que elas têm com as formas de poder que as constituem e que
				são também constituídas por elas. A dinamicidade desse processo pode ser refletida
				por meio da participação de entidades e organizações internacionais, as quais operam
				como catalisadores de políticas de currículo (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Dias,
					2013</xref>), destacando-se pela convergência de seus projetos e influência
				exercida na esfera educacional.</p>
			<p>Nesse processo estão envolvidas relações de poder atravessadas por conflitos e
				enfrentamentos, cuja pretensão é obter credibilidade e hegemonizar projetos a serem
				adotados por países atraídos por suas orientações.</p>
			<p>A América Latina e a Península Ibérica têm sido espaços privilegiados de
				internacionalização de múltiplas políticas em que o desenvolvimento de seus sistemas
				educativos recebeu e ainda hoje recebe influência internacional traduzida em
				políticas direcionadas à educação, a fim de responder às especificidades culturais,
				políticas e econômicas conforme a particularidade de cada país. Portugal e Espanha,
				devido ao caráter histórico com os países latino-americanos, ao longo dos anos
				acentuam essa relação à medida que participam ativamente dessa produção política,
				não só modificando aspectos educacionais de seus próprios sistemas de ensino como
				constituindo, junto com outras nações, o pilar de tais políticas, sobretudo as de
				responsabilização, formando a grande comunidade conhecida como Ibero-América.</p>
			<p>Dispomo-nos, então, a discutir a temática da responsabilização docente nesse espaço
				privilegiado, interpretando os discursos/produções que tensionam, interpelam e
				re-direcionam a formação e a prática dos professores ibero-americanos,
				subjetivando-os enquanto sujeitos.</p>
			<p>Para isso, lançamos mão de um referencial teórico-analítico dinâmico e não
				hierárquico desenvolvido por Stephen <xref ref-type="bibr" rid="B3">Ball e Richard
					Bowe (1998)</xref>, denominado “ciclo contínuo de políticas”, além de
				contribuições teórico-discursivas que rompem com concepções tradicionais
				curriculares, possibilitando que pensemos o currículo de forma relacional.</p>
			<p>Atuando de maneira não linear e atemporal, os contextos que compõem o referido ciclo
				– contexto de influência, contexto de produção do texto político, contexto da
				prática, contexto dos resultados ou efeitos e contexto de estratégia política – são
				os espaços interconectados em que as políticas se movem e dão margem a intensas
				disputas, negociações e consensos, ainda que de modo provisório.</p>
			<p>Consideramos profícua a presente abordagem, uma vez que a abrangência da temática da
				responsabilização está para além da discussão das respectivas políticas na região
				ibero-americana, pois se revela um tema de dimensão pública que vem ultrapassando o
				campo educacional, mobilizando diferentes públicos nas esferas local, regional e
				global.</p>
			<p>Optamos por analisar as produções políticas da Organização dos Estados
				Ibero-Americanos (OEI) por estarmos inseridos na região, termos nossos sistemas de
				ensino significativamente afetados por suas produções e por eles representarem a
				dinamicidade política e o fluxo permanente e plural de sentidos.</p>
			<p>Sublinhamos que essas produções representam discursivamente tensões, ideias e
				projeções que, politicamente, pleiteiam acordos para tentar garantir o cumprimento
				de diversas metas estabelecidas para a educação. Nesse sentido, os discursos
				produzidos contextualmente, principalmente no contexto de influência, buscam cingir
				as chances de as políticas serem recontextualizadas e receberem novos sentidos. Tais
				discursos servem de base para a política; enquanto alguns tendem a ser aceitos,
				outros tendem a ser rejeitados em meio ao jogo político no qual as articulações de
				diferentes interlocutores lutam pela estabilização de certos discursos políticos em
				meio às relações de poder.</p>
			<p>Dessa forma, defendemos que os textos da OEI são resultado das intensas disputas e de
				decisões tomadas na imprevisibilidade das arenas políticas onde determinados
				sujeitos são chamados a falar sobre a profissão docente e seus desdobramentos e
				operam em diferentes lugares da produção de textos, aspirando controlar as
				representações da política.</p>
			<p>Dentre os referidos textos, selecionamos dois exemplares da Coleção Metas Educativas
				2021 – <italic>Profesión docente: aprendizajey desarrollo profesional
					docente</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B23">OEI, 2009a</xref>); Metas
				Educativas 2021 – <italic>Reformas educativas: calidad, equidady reformas en Ia
					enseñanza</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B24">OEI, 2009b</xref>) e um
				exemplar da Coleção Miradas sobre la Educación en Iberoamérica – <italic>Desarrollo
					profesional docente y mejora de la educación</italic> (<xref ref-type="bibr"
					rid="B26">OEI, 2013</xref>), por entendermos que eles constituem o campo da
				discursividade ao passo que também são constituídos no/por ele.</p>
			<p>Elegemos os artigos dessas coleções para análise mediante buscas no texto a partir
				das palavras-chave <italic>responsabilidad, resultado, rendición de cuentas,
					accountability</italic> e expressões que vêm significando a formação e a prática
				docente.</p>
			<p>Com o avanço das leituras, algumas tendências foram identificadas, o que permitiu
				direcionarmos a interpretação das referidas produções. Classificamos essas
				tendências de eixos discursivos nomeando-os como: <italic>visão comum; ideia de
					futuro;</italic> e <italic>atribuição de responsabilidades.</italic> Procuramos
				refletir sobre essas produções destinadas à educação ibero-americana que impactam
				diretamente o currículo e questionamos o que vem sendo significado por meio das
				políticas de currículo na região.</p>
			<p>Mediadas pela abordagem do ciclo contínuo de políticas e por uma perspectiva
				discursiva do currículo, abrimos este trabalho com a presente introdução, seguida da
				discussão sobre a produção de políticas que possibilitam diferentes interpretações e
				sentidos na Ibero-América em sua complexidade. A seção seguinte focaliza a
				articulação e a difusão de políticas curriculares por meio dos discursos da OEI, ao
				passo que apresenta a fundamentação teórica e metodológica que orienta o referido
				estudo. Na sequência, dedicamo-nos a explicitar a centralidade da docência nos
				discursos de responsabilização propagados pela Organização. Encerramos com breves
				considerações finais entendendo que os professores, sua formação e sua prática não
				devem ser vistos como os únicos responsáveis por garantir o sucesso e a qualidade da
				educação, como propõe a Organização dos Estados Ibero-Americanos.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A produção de políticas de responsabilização para a docência na
				Ibero-América</title>
			<p>A intensificação de políticas produzidas e endereçadas aos currículos docente e
				discente tem contribuído significativamente para ampliar diferentes discussões
				educacionais dentro e fora do campo acadêmico-científico. Como consequência dessas
				produções, as políticas de responsabilização direcionadas à docência ganham
				abrangência na medida em que a formação e a atuação dos professores vêm sendo
				vinculadas diretamente ao desempenho de seus alunos, também conhecidas como modelo
				de valor agregado<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref>.</p>
			<p>Em território brasileiro, mecanismos de responsabilização, controle e avaliação foram
				traduzidos e disputados efetivamente nos anos 1990, ou seja, no auge das reformas
				neoliberais (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Ball, 1998</xref>; <xref ref-type="bibr"
					rid="B12">Freitas, 2013</xref>). Elas se deram em consequência de alguns
				indicadores educacionais que preocupam até os dias de hoje, como a desigualdade
				social, a falta de equidade no tratamento dos alunos e os altos índices de evasão e
				de repetência.</p>
			<p>Embora divida opiniões, a responsabilização docente pode ser traduzida como um tema
				de dimensão pública que vem ultrapassando a esfera educacional e mobilizando
				diferentes atores. Pautadas em experiências de países considerados pioneiros quanto
				à sua adoção e utilização, as políticas de responsabilização assemelham-se às
				políticas de <italic>accountability</italic><xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref>
				e, embora não possuam termo equivalente e preciso em português, podem significar
				dois conceitos interligados: a prestação de contas e a responsabilização.</p>
			<p>Pesquisadores como <xref ref-type="bibr" rid="B1">Afonso (2009)</xref>, <xref
					ref-type="bibr" rid="B5">Brooke (2006)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B12"
					>Freitas (2013)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B15">Hypolito (2010)</xref>
				discorrem sobre as políticas de responsabilização e possíveis implicações que elas
				trazem para a escola, o currículo, a prática e a formação dos professores. Com esses
				autores, tem sido possível compreender e problematizar a temática da
				responsabilização, repensando tais políticas como parte de diferentes processos de
				regulação e controle da docência.</p>
			<p>Como apontamos anteriormente, podemos, ainda que resumidamente, definir tais
				políticas como sucessivas tentativas de melhorar os resultados das escolas por
				intermédio de consequências para elas e seus professores. Os efeitos gerados podem
				ser materiais ou simbólicos, mediante o desempenho dos alunos, medido principalmente
				por avaliações de larga escala.</p>
			<p>Por conseguinte, dentre as diversas políticas produzidas, as políticas de
				responsabilização se apresentam como uma política pública que tem sido bem-sucedida
				no tocante à adesão e à construção de consensos. Essas políticas são legitimadas por
				discursos, demandas, projetos e interesses comuns em níveis local, regional e
				global. Elas estabelecem o conteúdo mínimo e o que cada estudante deve alcançar
				anualmente nas disciplinas escolares, além da obrigatoriedade de os alunos
				realizarem testes de proficiência nessas mesmas disciplinas para apurar o
				conhecimento adquirido. Pelos resultados obtidos nas avaliações externas, são
				atribuídos bônus e/ou sanções aos docentes em função das notas dos discentes, uma
				vez que elas são atreladas à própria avaliação de seu trabalho (<xref
					ref-type="bibr" rid="B8">Dias, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B9"
					>2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B12">Freitas, 2013</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B15">Hypolito, 2010</xref>). Na lógica da
				responsabilização, os profissionais da Educação são considerados corresponsáveis
				pelo desempenho alcançado pelos estudantes e pelas instituições de ensino, cujos
				resultados passam a ser divulgados publicamente a fim de gerar ranqueamentos.</p>
			<p>Nesse contexto, ao refletirmos sobre a prática docente e alguns sentidos disputados,
				demandas de mercado, de organismos internacionais e de diferentes sistemas de ensino
				na Ibero-América “tornam-se equivalentes quando entendidas como necessárias ao
				desenvolvimento profissional pela ideia de que o conhecimento pode de ser medido,
				sendo externo ao sujeito e algo a ser adquirido durante a escolarização” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B18">Lima, 2018, p. 91</xref>).</p>
			<p>Com efeito, destacamos a extrema importância desses sentidos que vêm sendo produzidos
				e se dirigem à figura do professor, que, nos últimos anos, tem assumido papel de
				destaque nas estratégias das atuais reformas educacionais, colocando em questão sua
				formação e atuação.</p>
			<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B7">Dias (2013, p. 467)</xref>, “uma nova ideia de
				profissional está sendo forjada”, e a constante correspondência entre a formação dos
				docentes ao desempenho de seus alunos nos tem levado a considerar os diversos
				contextos em que as políticas voltadas para a educação vêm sendo produzidas. Essas
				produções são constituídas num campo de lutas que mobilizam conhecimento e poder em
				torno de diferentes demandas relativas à Educação (<xref ref-type="bibr" rid="B6"
					>Dias, 2009</xref>).</p>
			<p>Juntamente com o da responsabilização, outros discursos estão delineando novos rumos
				para a educação da região ibero-americana sob o argumento da necessidade urgente de
				garantir a qualidade do ensino, somada à equidade educacional. Em nome da qualidade,
				muitos discursos forjam grupos, subjetivam uma série de atores sociais (<xref
					ref-type="bibr" rid="B22">Matheus; Lopes, 2014</xref>) e alcançam grande
				aceitação, visto que os cidadãos almejam uma educação considerada de qualidade.
				Conforme discutem <xref ref-type="bibr" rid="B27">Soares e Dias (2022, p. 5)</xref>,
				“a qualidade da educação ganha destaque e visibilidade nos diferentes setores da
				sociedade, ao passo que a gestão pública que a envolve passa a ser alvo de duras
				críticas”.</p>
			<p>Oportunamente, diversos debates envolvendo ações influenciadoras de organismos
				internacionais expõem a função que eles assumem e o que se propõem a fazer,
				produzindo e divulgando ideários e concepções defendidos por eles em torno do
				alcance daquilo que consideram qualidade educativa.</p>
			<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B7">Dias (2013)</xref>, esses organismos
				estão envolvidos em relações de poder atravessadas por conflitos que objetivam
				adquirir credibilidade perante os Estados interessados em suas propostas. Dessa
				forma, torna-se necessário empregar esforço para entender as relações entre os
				discursos, os sujeitos e os contextos que estão significando as atuais políticas.
				Entendemos que os projetos idealizados para a educação na Ibero-América via
				políticas de currículo emergem de discursos presentes nas reformas educativas dos
				últimos anos e expressam demandas que orientam muitas ações educacionais de médio e
				longo prazo por meio de objetivos e metas educacionais na tentativa de fechamento do
				social, ainda que ele seja impossível (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Laclau;
					Mouffe, 2015</xref>).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Discursos difusores de politicas para o currículo</title>
			<p>Buscando dar visibilidade a um período de importância para a região em virtude da
				comemoração dos bicentenários da independência de grande parte de sua membresia, a
				OEI criou o Projeto Metas Educativas 2021: la Educación que Queremos para la
				Generación de los Bicentenários. Esse projeto impulsionou o aumento considerável de
				metas educacionais e seu monitoramento mediante textos políticos defendidos e
				propagados pela Organização.</p>
			<p>Projetada em um contexto de carências e reestruturação social, política e econômica,
				a OEI encaminhou ações que considerou significativas na tentativa de contribuir para
				a formação de sociedades mais justas, solidárias e cooperativas em toda a região
				ibero-americana (<xref ref-type="bibr" rid="B23">OEI, 2009a</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B24">2009b</xref>). Ao longo desse período, veio se
				dedicando a realizar convenções e encontros em que estatutos são elaborados,
				declarações fixadas, programas e projetos construídos, metas estabelecidas e acordos
				firmados.</p>
			<p>Desenvolvendo um caráter integrador da região, os processos históricos e políticos
				vivenciados pelos referidos Estados-nação remontam ao seu passado colonial e aos
				seus processos de independência. A valorização tanto da cultura quanto das línguas
				portuguesa e espanhola reforça o sentimento de pertencimento e atua como
				facilitadora de articulações, diferenciando a OEI de outras organizações atuantes no
				mesmo espaço. Dessa forma, a transferência de políticas entre os diferentes países
				da região ibero-americana como resultado dos processos de articulação é uma entre
				tantas outras formas da discursividade característica das relações do mundo
				globalizado mediado pela linguagem. É o que faz da produção política curricular
				ibero-americana um terreno fértil a ser explorado.</p>
			<p>Considerando esse contexto, analisamos os discursos das políticas curriculares para a
				região ibero-americana que promovem a responsabilização docente. Interpretamos, nos
				textos políticos selecionados, antagonismos e sentidos em disputa que apontam para a
				responsabilização dos professores que atuam na região por meio da articulação dos
				discursos e sujeitos da política. A nós interessa ressaltar que a atuação de
				diferentes atores está intrinsecamente relacionada ao objetivo dessa discussão,
				visto que, ao produzirem e disseminarem diagnósticos e recursos para as políticas de
				currículo, estão significando os modos de pensar a docência.</p>
			<p>Por assim ser, defendemos que a investigação dos discursos de responsabilização que
				focalizam a docência em sua formação e função se potencializa por meio do ciclo
				contínuo de políticas, pela possibilidade de melhor entendimento do movimento
				característico dos contextos produtores das políticas curriculares e pela
				constituição dos processos de subjetivação.</p>
			<p>A abordagem do ciclo contínuo de políticas de <xref ref-type="bibr" rid="B3">Ball e
					Bowe (1998)</xref> tem nos ajudado a ampliar a compreensão do dinamismo das
				políticas, à medida que também fundamenta teórica e metodologicamente a presente
				discussão. Salientamos que, ao investirmos em um modelo analítico que foi formulado
				pondo em xeque a soberania atuante do Estado, trazemos para esse diálogo
				contribuições importantes para a análise das políticas que promovem a
				responsabilização da docência, compreendendo esse processo político como
				multifacetado e relacional.</p>
			<p>O ciclo não está comprometido com a explicação e a elaboração das políticas; antes,
				visa pesquisá-las e teorizá-las, de maneira que nos permite refletir sobre como as
				referidas políticas são produzidas. Composto por contextos que se inter-relacionam
				de modo não hierárquico, podendo um contexto ser atravessado pelo outro, o ciclo de
				políticas opera com cinco contextos desprovidos de linearidade e sequências lógica e
				temporal. O contexto de influência, em que os discursos políticos são elaborados; o
				contexto de produção do texto político, no qual ocorre a definição de textos,
				regulamentações e documentos; o contexto da prática, cujos sentidos produzidos pelos
				contextos mencionados são ressignificados e operam nas instituições escolares; o
				contexto dos resultados ou efeitos, que se ocupa com questões de justiça, igualdade
				e liberdade; e o contexto de estratégia política, que identifica atividades sociais
				e políticas para a superação de desigualdades geradas ou reproduzidas pela política
					(<xref ref-type="bibr" rid="B3">Ball; Bowe, 1998</xref>).</p>
			<p>Embora o ciclo seja composto por até cinco contextos, pautamos nossa análise apenas
				em três: contexto de influência, contexto de produção de texto e contexto da
				prática, por entendermos que eles já possibilitam a problematização da
				responsabilização docente focalizando o objetivo traçado neste debate.</p>
			<p>No contexto de influência, os discursos políticos são construídos pela relação entre
				os sujeitos e servem de base para a política. Em detrimento de outros, alguns
				discursos são aceitos e outros rechaçados, configurando o jogo político, permeado de
				princípios e argumentos que se dão no social, arenas de luta que se constituem no
				campo da discursividade (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Laclau; Mouffe,
				2015</xref>) como espaços de articulação de influência em que os sujeitos
				representantes do Executivo, Legislativo, coletivos privados, agências multilaterais
				e comunidades acadêmicas travam lutas no campo político devido às relações de poder
				existentes. É nesse contexto que muitos sentidos são legitimados, hegemonizando o
				que é conveniente para as finalidades sociais da Educação (<xref ref-type="bibr"
					rid="B20">Lopes; Macedo, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B21">Mainardes,
					2006</xref>).</p>
			<p>Os discursos produzidos nesse contexto tentam controlar o dinamismo das políticas
				para que não sejam recontextualizadas e ganhem novos sentidos, mesmo diante de
				influências globais que fazem múltiplas ideias circularem como possíveis “soluções”,
				que são oferecidas e recomendadas por agências multilaterais e organismos
				internacionais como a OEI. No contexto de influência, a Organização atua por meio de
				conferências, congressos e encontros em que acordos são elaborados, declarações
				fixadas, programas e projetos construídos, metas estabelecidas e decisões tomadas
				objetivando a cooperação entre os países ibero-americanos nos campos da Educação, da
				ciência, da tecnologia e da cultura.</p>
			<p>O contexto de produção de texto é entendido como aquele em que são produzidos textos
				políticos como os da OEI e que representam a política. Tais textos podem assumir
				essa representação em textos oficiais e secundários – incluindo pronunciamentos e
				vídeos. Vale dizer que os textos nem sempre fazem alusão a um documento escrito, mas
				trazem consigo características da política incorporadas ao longo do tempo (<xref
					ref-type="bibr" rid="B21">Mainardes, 2006</xref>).</p>
			<p>O último contexto trabalhado em nossa análise é o contexto da prática, que, segundo
				os idealizadores do ciclo de políticas, é o contexto em que os sujeitos podem
				recriar e reinterpretar a política produzindo efeitos capazes de mudar e transformar
				consideravelmente a política original.</p>
			<p>Ressaltamos que, nesse contexto, os outros dois – o contexto de influência e o de
				produção de texto – são ressignificados; e, em função de as políticas estarem
				sujeitas à interpretação dos sujeitos e sendo recriadas, não podem ser meramente
				implementadas, caracterizando a não linearidade do ciclo.</p>
			<p>As significações produzidas no contexto de influência transitam no contexto da
				produção dos textos e no contexto da prática, permitindo e favorecendo a produção de
				sentidos da política de responsabilização destinada aos professores
				ibero-americanos. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B2">Ball (1998)</xref>,
				as influências internacionais viabilizam a proliferação de sentidos produzidos nos
				contextos de influência, de produção de textos e da prática, propiciando a
				recontextua-lização por hibridismo em todos esses sentidos que estão circulando.</p>
			<p>Cientes dessa proliferação de sentidos graças à existência de muitas outras produções
				difundidas na Ibero-América e que significam a Educação na região, nossa análise se
				pautou nos textos <italic>Profesión docente: aprendizaje y desarrollo
					profesionaldocente</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B23">OEI, 2009a</xref>);
					<italic>Reformas educativas: calidad, equidady reformas en la enseñanza</italic>
					(<xref ref-type="bibr" rid="B24">OEI, 2009b</xref>); e <italic>Miradas sobre la
					Educación en Iberoamérica – desarrollo profesional docentey mejora de la
					educación</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B26">OEI, 2013</xref>). As duas
				primeiras produções políticas fazem parte da Coleção Metas Educativas 2021, que é
				fruto de uma grande iniciativa coletiva entre ministros da Educação
				ibero-americanos. Consideramos essa coleção um recurso fértil de análise para
				pesquisadores do campo da Educação, principalmente do currículo, por conter um
				conjunto farto de contribuições de autores ibero-americanos especialistas em suas
				áreas de estudo e atuação. Somado a isso, é considerada uma produção ambiciosa
					(<xref ref-type="bibr" rid="B23">OEI, 2009a</xref>), composta por dezenove
				títulos que potencializam o atual debate acerca das propostas educativas por meio de
				diversas reformas. A escolha dos exemplares da Coleção que foram eleitos para
				análise visou contemplar nosso objetivo, de modo a contribuir para um maior
				entendimento dos discursos publicizados em seus artigos. Posteriormente, ativemo-nos
				às palavras-chave <italic>responsabilidad, resultado, rendición de cuentas</italic>
				e <italic>accountability</italic> presentes nesses artigos, por acreditarmos que
				tais palavras agregam sentidos que formam o campo semântico relacionado ao tema da
				responsabilização, envolvendo diferentes sentidos em torno da formação e do trabalho
				docente, da qualidade da educação, da prestação de contas e dos resultados, os quais
				em sua maioria estão atrelados ao desempenho dos estudantes nas avaliações
				externas.</p>
			<p>Para além do exposto, atentamos para a presença recorrente de algumas expressões ao
				longo dos textos, como “mejorar la formación de profesores”, “calidad dei desarrollo
				docente”, “identidad profesional”, “sociedad del conocimiento”, “nuevas exigências”,
				“resolución de problemas”. Tais expressões revelam a sintonia existente entre as
				produções políticas e os desejos expostos na busca de soluções e alternativas para o
				desenvolvimento docente, abrangendo sua formação, trabalho e identidade.</p>
			<p>O primeiro trabalho analisado, <italic>Reformas educativas: calidad, equidad y
					reformas en la enseñanza</italic> (2009b) inicia a série que se dedica às
				reformas educacionais e que “impulsa la OEI para favorecer el debate y la
				participación social con el fin de lograr el mayor compro-miso de todas las
				instituciones en la transfor-mación de la educación” (<xref ref-type="bibr"
					rid="B24">OEI, 2009b, p. 13</xref>). Em sua composição, conta com duas seções; a
				primeira aborda os desafios da educação na Ibero-América e a segunda incorpora as
				principais discussões em andamento nos sistemas educativos da região. Esse primeiro
				exemplar apresenta um projeto que preconiza a melhora da qualidade da educação e que
				vai “más allá de la literalidad de los objetivos e indicadores propuestos” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B24">OEI, 2009b, p. 11</xref>).</p>
			<p>O segundo livro selecionado da Coleção, <italic>Profesión docente: aprendizajey
					desarrollo profesional docente,</italic> defende que o professorado é a chave
				principal para atingir essa qualidade. Entre as iniciativas propostas para atingir
				um desafio de tal envergadura, a segunda obra afirma ser necessário basear-se em
				enfoques contextuais e integrais levando em consideração todos os fatores que podem
				contribuir para facilitar o trabalho dos professores, não perdendo de vista “su
				implicación para el fortalecimiento de la profesión docente” (<xref ref-type="bibr"
					rid="B23">OEI, 2009a, p. 7</xref>).</p>
			<p>Ampliando nossa análise, elencamos a terceira produção textual, <italic>Miradas sobre
					la Educación en Iberoamérica – Desarrollo profesional docentey mejora de la
					educación</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B26">OEI, 2013</xref>). Essa
				publicação também faz parte de uma Coleção, denominada Miradas sobre la Educación en
				Ibero-América. O Miradas reúne uma série de informes que compreendem o marco do
				Instituto de Evaluación (IESME), reputado pela OEI como instrumento fundamental para
				o alcance das metas estipuladas, cuja função principal consiste em “obtener,
				procesar y proporcionar una información rigurosa, veraz y relevante para conocer el
				grado de avance registrado” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">OEI, 2010, p.
					265</xref>). Com configuração diferente dos outros dois livros analisados, este
				terceiro é composto por seis capítulos, conclusão e três anexos, os quais serviram
				como continuidade de nossa investigação.</p>
			<p>Nesses textos discursivos da OEI estão materializados concepções, crenças e valores
				ancorados na ideia da enfática importância dos professores para o avanço qualitativo
				educacional de cada Estado-nação da região ibero-americana. Neles, os docentes são
				significados como os principais responsáveis pelo sucesso das metas estabelecidas,
				visto que “El cambio educativo, la innovación y las reformas futuras, la calidad de
				la enseñanza, en síntesis, dependen de la preparación y del compromiso de los
				docentes” (<xref ref-type="bibr" rid="B26">OEI, 2013, p. 9</xref>).</p>
			<p>Argumentamos que os textos analisados representam e caracterizam a política por
				fazerem parte de articulações hegemônicas (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Dias,
					2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20">Lopes; Macedo, 2011</xref>)
				inseridas e expressas nos discursos da OEI e buscam fixar certas significações de
				currículo, de professor, de avaliação.</p>
			<p>Nesse sentido, é no contexto de influência que a OEI atua ativamente e seus discursos
				são produzidos e disseminados como contexto difusor de políticas por excelência.
				Nele, os textos selecionados estão inscritos, sendo reinterpretados e
				ressignificados, de maneira que influenciam, definem e propagam políticas de
				currículo não só para o Brasil, mas para todos os países ibero-americanos.</p>
			<p>A inter-relação dos contextos do ciclo de políticas possibilita que as diversas
				interpretações dos sujeitos se manifestem também nos contextos da produção de
				textos, difundindo ideias, e operem no contexto da prática (<xref ref-type="bibr"
					rid="B3">Ball; Bowe, 1998</xref>), onde os materiais divulgados pela OEI exercem
				influência e disputam sentidos no campo da discursividade (<xref ref-type="bibr"
					rid="B17">Laclau; Mouffe, 2015</xref>) na tentativa de obter o controle tanto da
				formação quanto da prática docente, mesmo sendo esse controle impossível.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A docência como centralidade discursiva da Organização dos Estados
				Ibero-Americanos</title>
			<p>Os discursos investigados revelaram algumas tendências que mereceram ser exploradas,
				permitindo-nos, assim, avançar na discussão. Tais tendências sinalizaram o que
				chamamos de eixos temáticos discursivos (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Lima,
					2018</xref>), os quais foram organizados, interpretados e nomeados na tentativa
				de, a partir deles, ampliar a reflexão acerca das políticas curriculares que estão
				vinculadas à docência, sobretudo as que atribuem sua responsabilização.</p>
			<p>Argumentamos que esses eixos podem ser interpretados como produtores de discursos por
				permitirem o acúmulo de diferentes temas desenvolvidos pelos textos lidos, ao passo
				que se apresentam materializados nas coleções investigadas no contexto da produção
				de textos, disputando espaço para influenciar os contextos de produção de textos das
				políticas e da prática para os quais tais discursos são produzidos.</p>
			<p>• <italic>Primeiro eixo discursivo, denominado Visão Comum</italic></p>
			<p>O debate sobre os rumos que a educação vem assumindo atualmente cresce gradativamente
				alimentando discussões ligadas à esfera educacional. As produções recentes da OEI
				exibem um forte discurso assentado em um ideal a ser atingido, para o qual concentra
				suas ações e determina os percursos de seus projetos.</p>
			<p>Esse discurso emerge do primeiro eixo importante, identificado em torno de uma
					<italic>visão comum</italic> no que se refere às expectativas educativas da
				região ibero-americana. O texto político adverte que “la educación está en el centro
				de los debates ideológicos y políticos” (<xref ref-type="bibr" rid="B24">OEI, 2009b,
					p. 13</xref>) pois “es comprensible que así sea, porque en ella se concentran
				los modelos, las visiones y los valores que las instituciones sociales y los
				ciudadanos defienden como deseables (<italic>Ibid.</italic>).</p>
			<p>A OEI declara ser necessária uma nova visão sobre o significado da educação para que
				seja possível a concepção de novos modelos e mecanismos de execução, assim como
				novas formas de cooperação.</p>
			<p>Paralelamente, a correspondência discursiva expressa nos diferentes discursos de
				autores ibero-americanos que compõem as produções analisadas sustenta que a demanda
				por educação mudou de signo devido às transformações sociais e culturais produzidas
				pela globalização. Diferentes atores, em diferentes lugares, participam de um
				“imaginário comum” e de uma “comunidade de sentido”, interferindo nas formas de
				comunicação política, mudando a experiência social cotidiana (<xref ref-type="bibr"
					rid="B14">García-Huidobro, 2009, p. 31</xref>).</p>
			<p>De acordo com esses discursos, consensos, recomendações internacionais, leis e marcos
				normativos viabilizam diversos países a formular políticas e desenvolver programas a
				fim de melhorar a qualidade, a equidade e a eficiência dos sistemas educacionais.
					<xref ref-type="bibr" rid="B13">Gajardo (2009, p. 66)</xref> afirma que, “si
				existe un desafio común a todos los países dei mundo, es el de responder al
				imperativo de la mejora de la calidad de los aprendizajes”.</p>
			<p>Mudanças institucionais, melhorias de qualidade e equidade, avaliação e criação de
				mecanismos de responsabilização e desenvolvimento profissional de professores
				constituem o ato de revisão de políticas e reformas educacionais.</p>
			<p>Nesse eixo discursivo, a preocupação com a qualidade da educação se amplia,
				favorecendo a aparição de um discurso político-educativo contundente centrado na
				qualidade, visto que “la universalización de la educación básica se ha ido
				consiguiendo en Iberoamérica (a veces trabajosamente) y de forma paralela se ha
				extendido considerablemente la preocupación por la calidad de la educación” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B28">Tiana, 2009, p.115</xref>).</p>
			<p>Faz-se necessário o questionamento do que vem a ser qualidade da educação e quais
				seriam os fatores que mais contribuiriam para essa qualidade. Compreendemos que o
				significante qualidade tem motivado e delineado o que é defendido como uma
					<italic>visão comum</italic> por alguns sujeitos políticos ibero-americanos
					(<xref ref-type="bibr" rid="B18">Lima, 2018</xref>). Por ser um termo que
				incorpora ambiguidades, polissemias e difícil definição, a qualidade da educação
				assume múltiplos significados para diversas pessoas, em diferentes tempos, espaços e
				contextos. Nem todos partilham suas concepções, percepções, prioridades e interesses
				quando o assunto é a qualidade de ensino. Mesmo que a celebrem em acordos, a
				qualidade da educação não se constitui em uma representação plena, pois entendemos
				que nenhuma representação se dá de forma completa, considerando a impossibilidade de
				uma identidade fixada e definitiva no processo de luta em torno das políticas (<xref
					ref-type="bibr" rid="B17">Laclau; Mouffe, 2015</xref>), pois as identidades dos
				sujeitos são reflexo de contingências externas, descentradas, que desestabilizam a
				própria noção de posição do sujeito.</p>
			<p>Notadamente se busca “vincular o currículo e a qualidade da educação à transformação
				social, e esta a um projeto de nação” (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Matheus;
					Lopes, 2014, p. 342</xref>), submetendo-os a uma noção que pode ser
				quantificável por intermédio das avaliações.</p>
			<p>A tarefa de instruir e distribuir conhecimentos que serão mensurados nas avaliações e
				considerados relevantes – e por isso disputados na luta política – passa a ser
				função do professor, correspondendo ao dever assumido pela escola de garantir o
				acesso ao saber legitimado a todos os alunos.</p>
			<p>A interpretação produzida por esse que é o primeiro eixo, identificado como
					<italic>visão comum,</italic> contribui para a tentativa de impedir que outras
				possibilidades de política voltadas para o currículo, outras leituras, outras
				produções discursivas, outros imaginários atuem camuflando atos de poder (<xref
					ref-type="bibr" rid="B19">Lopes, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B22"
					>Matheus; Lopes, 2014</xref>).</p>
			<p>Ao analisarmos todo esse processo considerando a abordagem do ciclo de políticas,
				percebemos que representantes políticos como a OEI, autores ibero-americanos que
				assinam os artigos analisados, idealizadores do projeto Metas Educativas 2021 e seus
				respectivos discursos atuam nos contextos de influência para hegemonizar demandas
				que estão em disputa (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Laclau, 2013</xref>) por meio
				de negociações, sistematizações e compromissos acordados, enquanto se constituem
				sujeitos da política. Entendemos que esses discursos apresentam pretensões
				universalizantes, marcadas por diversos interesses e pela forma antagônica como são
				construídos, sempre passíveis de serem questionados.</p>
			<p>A ideia de uma educação de qualidade para todos configura a imprecisão do
				significante “todos”, que pode vir a encobrir as diferenças entre os contextos; por
				isso, concordamos com <xref ref-type="bibr" rid="B19">Lopes (2015, p. 454)</xref>
				quando declara que “não é possível fazer referência a um sentido universal de
				currículo de qualidade, a uma verdade sobre o que vem a ser o melhor currículo em
				qualquer contexto”, porque as construções discursivas já sedimentadas e as que por
				meio dos processos de articulação serão estruturadas dentro ou fora do campo do
				currículo não são/serão capazes de representar todas as demandas que emergem devido
				à impossibilidade de um todo homogêneo (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Soares;
					Dias, 2022</xref>). Nessa tentativa de atendimento a todos, interesses e
				demandas particulares e/ou coletivos não deixam de ser reivindicados.</p>
			<p>• <italic>Segundo eixo discursivo, denominado Ideia de Futuro</italic></p>
			<p>A motivação resultante das celebrações dos bicentenários dos países ibero-americanos
				trouxe a lume o sentimento de incompletude e dívida com o passado, expresso por meio
				do Projeto Metas Educativas 2021: la Educación que Queremos para la Generación de
				los Bicentenários. Depreende-se que, também por intermédio dele, os discursos
				analisados inauguram a ideia de futuro e se apresentam como incentivadores de
				alianças e tratados significando as políticas por meio da adesão a metas e
				estratégias nos Estados-nação.</p>
			<p>A maneira como os textos políticos da OEI foram pensados e organizados revela o cerne
				de sua idealização, por meio de panoramas, índices, indicadores e metas, cuja ênfase
				“se situa en las políticas globales, capaces de plantear estratégias convergentes en
				las esferas económica, social y educativa con el objetivo de avanzar en la
				construcción de sociedades justas, cohesionadas y democráticas” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B24">OEI, 2009b, p. 8</xref>).</p>
			<p>Evidencia-se nos discursos da Organização que o que move as ações presentes são as
				perspectivas de um porvir vitorioso em reparação a um passado não tão bem-sucedido
				como esperado, reforçando a importância de gerar expectativas (<xref ref-type="bibr"
					rid="B18">Lima, 2018</xref>). A atualização da agenda educativa da região,
				conforme aponta a OEI, está diante de duas outras agendas tidas como inevitáveis:
				enfrentar os desafios pendentes do século XX e os novos desafios do século XXI. A
				OEI argumenta que, “cuando se formulan políticas se planifica y, por lo tanto, se
				realiza un intento de anticipación del futuro, un intento de predecir la cadena de
				consecuencias causa-efecto en el tiempo” (OEI, 2009, p. 35).</p>
			<p>Com o firme propósito de cumprir os pactos estabelecidos, a comunidade
				ibero-americana, inicialmente, contou com um nível prévio de realização das metas
				que se esperava alcançar tendo como referência o período de 2009 a 2015. Ao longo
				dos primeiros anos, esse prazo foi reconsiderado devido ao progresso já alcançado,
				aos novos desafios da região e à adequação com a Agenda Global de Educação 2030<xref
					ref-type="fn" rid="fn4">4</xref>.</p>
			<p>O fato de existir uma agenda internacional influenciando a tomada de decisões da OEI
				mostra o processo de migração das políticas e as articulações que propiciam a
				formação discursiva hegemônica. Conforme ressalta o organismo, a parceria e a
				compatibilidade de agendas configuram a importância de avançar rumo a estratégias
				globais compartilhadas, sem perder, porém, as características que fazem de seu
				projeto uma construção regional.</p>
			<p>A OEI reforça que “en los aftos venideros será necesario no perder de vista dos
				parâmetros básicos de la política educativa: mejorar la situación laboral y
				profesional de los docentes” (<xref ref-type="bibr" rid="B23">OEI, 2009a, p.
					9</xref>). Podemos afirmar que o fortalecimento da profissão docente para a OEI
				é pré-requisito fundamental para a oferta de uma educação considerada de
				qualidade.</p>
			<p>Derivado dos textos políticos, o discurso do organismo internacional investe em um
				futuro centralizado nos professores, também denominado protagonismo do professor, e
				enfatiza que o fortalecimento da profissão docente é um dos focos prioritários de
				sua atuação. Para a OEI, mudanças na sociedade atual têm exigido sucessivos esforços
				dos professores, obrigan-do-os a modificar seu trabalho ao longo de sua carreira
				para se adaptarem e terem êxito em sua função.</p>
			<p>Diante disso, <xref ref-type="bibr" rid="B11">Esteves (2009, p. 24)</xref> ressalta
				ser a primeira vez na história que a sociedade “no pide a los educadores que
				preparen a las nuevas generaciones para responder a las ne-cesidades actuales, sino
				para hacer frente a las exigências de una sociedad futura que aún no sabemos como va
				a ser”.</p>
			<p>Julgamos necessário refletir sobre a presença, nos sistemas educativos, de
				ambivalências que nos levam a considerar as diversas e sucessivas tentativas de
				apostas de governos, Estados, agências e organizações em “verdades únicas” e
				“absolutas” que excluem possibilidades outras de produzir políticas e interpretar o
				mundo. Essas produções revelam ambivalên-cias desencadeadas por projeções que buscam
				prever e garantir ações que tentam controlar o futuro educacional da escola,
				implementando normas, designando metas e divulgando prognósticos que desenham e
				ditam padrões ideológicos, metodológicos e curriculares para a formação e a prática
				docente. Nessas ambivalências vemos a oportunidade de questionar certezas que vêm
				sendo postas junto à necessidade de universalização como condição essencial para
				mudanças e sucesso educacional. Nesse contexto, muitos discursos estão disputando
				sentidos para serem hegemonicamente universalizados, além de demarcarem algumas das
				ambivalências.</p>
			<p>Declarações elucidadas por autores ibero-americanos fazem recair especificamente
				sobre o magistério a responsabilidade de corresponder, com sua formação e
				capacitação, às demandas que têm surgido. Não é novidade a correspondência direta
				que tais discursos estabelecem entre a formação docente e o desempenho do alunado,
				acentuando a responsabilidade do professor nas atividades que ele desenvolve. Tal
				perspectiva, em que se estabelece correspondência entre desempenho do aluno e
				formação e atuação do professor, que</p>
			<disp-quote>
				<p>esteve presente como tendência em modelos curriculares para a formação de
					professores por competências, nos anos 1960, em experiências estadunidenses,
					volta a se intensificar, na atualidade, nos textos políticos que intentam
					influenciar e produzir sentidos sobre a docência às propostas curriculares de
					diferentes países e regiões no mundo (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Dias,
						2021, p. 2</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>A articulação dos diferentes discursos acerca de questões que envolvem as políticas
				destinadas à docência hoje e futuramente caracteriza as disputas discursivas que se
				dão nos contextos cíclicos da política teorizados por <xref ref-type="bibr" rid="B3"
					>Ball e Bowe (1998)</xref> e que pleiteiam, de diversas formas, influenciar o
				currículo. Cuidamos não estar apenas diante de simples discursos, mas de práticas e
				políticas que esses discursos sugerem e pretendem orientar.</p>
			<p>Diante do exposto e da subseção que segue, percebemos que os discursos da OEI possuem
				acentuada inclinação para a responsabilização dos docentes, mediante políticas
				curriculares e defesas recorrentes dessas políticas, por intermédio de diferentes
				autores ibero-americanos com os quais dialoga em suas produções.</p>
			<p>• <italic>Terceiro eixo discursivo, denominado Atribuição de
					Responsabilidade</italic></p>
			<p>A responsabilização da docência reúne muitos sentidos, e, por assim ser, observamos
				nesse eixo de <italic>Atribuição de Responsabilidades</italic> maior presença de
				ambivalências expressas nos discursos da OEI, ao passo que a formação e a prática
				docente são concebidas como o principal instrumento capaz de garantir o sucesso
				educacional.</p>
			<p>Imprimindo o tom do que vem sendo produzido e difundido como política curricular no
				espaço ibero-americano, a OEI enfatiza que “la calidad de la educación de un país no
				es superior a la calidad de su profesorado” (<xref ref-type="bibr" rid="B23">OEI,
					2009a, p. 7</xref>), imputando diretamente aos professores a responsabilidade
				pela qualidade educativa. Reitera ainda que, “si se piensa en la calidad de la
				educación de un país, es inevitable hacerlo en relación con la calidad de su
				profesorado” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">OEI, 2010, p. 74</xref>).</p>
			<p>O título do texto político <italic>Miradas – Desarrollo profesional docente y mejora
					de la educación</italic> (2013) salienta a correspondência feita entre o
				desenvolvimento profissional dos professores e a melhoria da educação, ficando
				estabelecida, assim, a dependência desta em relação à profissionalização dos
				docentes. De igual modo, a nomeação do <italic>Metas Educativas – aprendizajey
					desarrollo profesional docente</italic> (2009a) também se mostra reveladora, à
				proporção que associa a aprendizagem dos estudantes à capacitação, à atualização e
				ao aperfeiçoamento dos professores. Essa relação que associa a aprendizagem ao
				desempenho dos docentes se dá, dentre outros fatores, pelo desenvolvimento do
				privilégio da aprendizagem em detrimento do processo educacional como um todo.
				Quando indicadores de qualidade e informações coletadas por meio das políticas
				avaliativas estabelecem prioridades a serem superadas nos sistemas de ensino,
				institui-se, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B4">Biesta (2012, p. 810)</xref>, a
				chamada “cultura da mensuração da educação”.</p>
			<p>Nessa cultura de mensurar, os resultados recebem especial atenção, sendo utilizados
				para gerar <italic>rankings</italic> entre diferentes sistemas de ensino, impactando
				diretamente o currículo, a prática e a formação, pois indicam “as <italic>escolas
					malsucedidas</italic> e, em alguns casos, os <italic>professores
					malsucedidos</italic> nas escolas” (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Biesta, 2012,
					p. 810-811</xref>, grifos do autor). Reforça-se assim a lógica da
				responsabilização na medida em que se busca incansavelmente a qualidade educacional
				justificada por práticas avaliativas que se limitam à aferição dos desempenhos
				discente e docente e encaminham os rumos das políticas públicas educacionais como se
				elas fossem totalmente controláveis.</p>
			<p>A aposta da OEI na figura do professor, dando-lhe o protagonismo necessário para a
				execução de propostas pensadas para o campo educacional, permite-nos dizer que se
				espera que os docentes sejam profissionais capacitados para que de fato a educação
				se efetive com qualidade. A Organização defende a existência de consensos em torno
				da necessidade de impulsionar a formação dos professores com um objetivo de maior
				envergadura: o alcance de um perfil profissional capaz de garantir a melhora
				contínua da prática docente (<xref ref-type="bibr" rid="B26">OEI, 2013</xref>);
				sinaliza também estar “consciente” de que a formação de professores é o ponto chave
				de qualquer proposta educativa e política social, uma vez que a tarefa de ensinar
				marca “las nuevas generaciones, orienta su aprendizaje, modela su modo de
				relacionarse con los saberes, con los valores, con los otros y consigo mismo;
				estimula o desalienta actitudes y aptitudes” (<xref ref-type="bibr" rid="B26">OEI,
					2013, p.219</xref>).</p>
			<p>Não nos opomos à necessidade de investimentos em condições que viabilizem a prática,
				a valorização da carreira e a formação dos professores como um processo. Entretanto,
				a imprevisibilidade, as incertezas e as diferenças próprias do exercício do
				magistério impedem a rigidez e a conservação de uma identidade estática, por
				entendermos que ela sempre está em curso, inacabada, sendo contextualmente
				construída e significada (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Lopes, 2015</xref>).
				Argumentamos que o perfil profissional é idealizado discursivamente para defender a
				qualidade do ensino por intermédio da regulação e do controle do trabalho
				docente.</p>
			<p>Esses discursos em circulação tentam hegemonizar demandas e a definição do que é ser
				um bom professor, na tentativa de padronizar o currículo, as identidades, as
				práticas, as experiências e os comportamentos da docência (<xref ref-type="bibr"
					rid="B9">Dias, 2016</xref>).</p>
			<p>Por ser fruto da complexidade das relações políticas, os textos/discursos analisados
				apresentam antagonismos e ambivalências na defesa de ideias, concepções e
				estratégias, dentre elas selecionar os melhores professores para delinear um perfil
				docente considerado excelente; o tipo e o tempo de formação considerada eficaz para
				melhorar o desempenho dos professores; o tempo necessário para que mudanças efetivas
				ocorram transformando e melhorando a realidade educacional da região; e a própria
				atribuição de responsabilidades ao magistério.</p>
			<p>Interpretamos que a inconstância das políticas curriculares propicia múltiplos
				discursos que, diferentemente de sua intenção, trazem instabilidades e imprecisões
				devido ao excesso de sentidos que são disputados nas arenas políticas.</p>
			<p>Ao responsabilizar os professores pelo insucesso educacional que está relacionado à
				não aprendizagem dos alunos, à formação deficiente dos docentes e aos resultados
				insatisfatórios nas avaliações externas, os discursos da OEI pretendem ressignificar
				a educação na Ibero -América (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Lima, 2018</xref>) e
				dialogam com outros discursos igualmente precários e instáveis que buscam, por meio
				das políticas curriculares, hegemonizar e projetar ideias e ações ancoradas em
				objetivos e metas que favorecem diversas significações no âmbito educacional.</p>
			<p>Apreendemos que estamos diante de discursos que se estabilizam temporariamente (<xref
					ref-type="bibr" rid="B17">Laclau; Mouffe, 2015</xref>) e se configuram por meio
				das políticas curriculares via projetos e metas, fazendo destes uma estratégia
				política a ser percorrida e alcançada, com fins e prazos estabelecidos e pretensões
				precariamente universalizantes e antagonicamente construídas.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações finais</title>
			<p>Buscamos analisar e problematizar os discursos que constituem as políticas
				curriculares na região ibero-americana que promovem a responsabilização docente.
				Tais discursos vêm sendo constantemente negociados no processo de articulação que
				envolve diferentes Estadosnação da região. Sentidos são produzidos de forma
				antagônica à medida que a defesa da responsabilização dos professores pela não
				aprendizagem de seus alunos é disseminada.</p>
			<p>O ciclo contínuo de políticas de <xref ref-type="bibr" rid="B3">Ball e Bowe
					(1998)</xref>, acompanhado de abordagens discursivas como a Teoria do Discurso
				de <xref ref-type="bibr" rid="B17">Laclau e Mouffe (2015)</xref>, tem nos ajudado a
				pensar o movimento de criação e articulação das políticas curriculares que são lidas
				nessa discussão como discursos políticos disseminados e hegemonizados pela
				Organização dos Estados Ibero-Americanos no campo educacional e que constituem,
				impactam e complexificam o social.</p>
			<p>Para além de interpretarmos as políticas como influenciadoras e impactantes em
				diferentes esferas da sociedade, investimos em explicitar, ainda que resumidamente,
				o ideário desenvolvido e propagado pela OEI por meio da análise textual que originou
				os eixos temáticos discursivos <italic>Visão Comum, Ideia de Futuro</italic> e
					<italic>Atribuição de Responsabilidades.</italic> Esses eixos contribuíram para
				a organização e a identificação dos discursos que colaboram para a defesa da
				responsabilização dos professores que atuam no espaço ibero-americano (<xref
					ref-type="bibr" rid="B18">Lima, 2018</xref>).</p>
			<p>Assumimos a impossibilidade de, nestas páginas, agregar todos os sentidos possíveis
				expressos nos textos políticos analisados. A nós parece que os preceitos coletivos e
				ações cooperativas que enfaticamente estão registrados nos discursos apresentados
				são abandonados e dão lugar a sentidos que, antagonicamente, individualizam,
				autorregulam e responsabilizam a formação e o trabalho docente.</p>
			<p>Ao propormos a discussão acerca da responsabilização docente, não nos posicionamos em
				defesa da irresponsabilidade, pois não somos a favor do descomprometimento dos
				professores; antes defendemos que devemos estar comprometidos com o que fazemos.
				Nossa crítica é direcionada aos novos sentidos que estão sendo dados à educação e ao
				professorado por meio de discursos que posicionam os docentes como únicos
				responsáveis pela aprendizagem dos alunos, por um currículo de excelência e pelo
				sucesso da educação, vendo-os como garantidores de sua qualidade, ao passo que
				desconsideram outros fatores responsáveis para que se efetive a oferta de uma
				educação considerada de qualidade.</p>
			<p>Nossa aposta é de que possamos compreender as políticas curriculares de maneira que a
				docência, diferentemente do que tem sido hegemonizado a seu respeito, não venha a
				ser concebida como o elo responsável pelo sucesso e/ou fracasso da educação, porque
				acreditamos que, ao pensarmos a política discursivamente, os discursos hegemônicos
				que se estabilizam não conseguem representar um ponto final no processo político
					(<xref ref-type="bibr" rid="B27">Soares; Dias, 2022</xref>).</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Texto revisado e normalizado por Alexandre Rodrigues Alves.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>O modelo de valor agregado vem sendo defendido e contestado por pesquisadores no
					campo da educação. Tal modelo utilizado em políticas públicas globais tem como
					base o resultado do desempenho dos estudantes durante o processo escolar em
					testes de larga escala, buscando relacioná-los à eficácia do trabalho das
					escolas e dos professores.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>O termo <italic>accountability</italic> não possui equivalente em português,
					podendo expressar dois conceitos: um relacionado à prestação de contas e o outro
					baseado na ideia de responsabilização. O primeiro diz respeito à cobrança legal
					dos cidadãos, por meio do pagamento de impostos, para assegurar a manutenção da
					escola com recursos públicos e a oferta de uma educação considerada de
					qualidade. O segundo, atrelado ao primeiro, expressa a reivindicação por parte
					da população para que a escola seja responsabilizada diretamente pelos
					resultados dos alunos. Para mais informações, ver <xref ref-type="bibr" rid="B1"
						>Afonso (2009)</xref>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Esse plano de ação global que visa o desenvolvimento sustentável de todos os
					seres humanos e do planeta foi celebrado na Conferência Mundial das Nações
					Unidas em setembro de 2015 (OEI, 2016) e nomeado Agenda da Educação 2030 e
					Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ΌDS). Ver <ext-link
						ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://brasil.un.org/pt-br/91863-agen-da-2030-para-o-desenvolvimento-sustent%C3%Alvel"
						>https://brasil.un.org/pt-br/91863-agen-da-2030-para-o-desenvolvimento-sustent%C3%Alvel</ext-link>.
					Acesso em: 22 set. 2024 às 15h08min.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>REFERÊNCIAS</title>
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							<surname>Carneiro</surname>
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					2018.129f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação,
					Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2018.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="thesis">
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							<surname>LIMA</surname>
							<given-names>Paula Eduarda D. S.</given-names>
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					<source>Discursos de responsabilização docente nas políticas curriculares na
						região ibero-americana</source>
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					<publisher-name>Universidade do Estado do Rio de Janeiro</publisher-name>
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						2018.</comment>
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				<mixed-citation>LOPES, Alice C. Por um currículo sem fundamentos. <bold>Linhas
						Críticas,</bold> Brasília, v. 21, n. 45, p. 445-466, maio/ago.
					2015.</mixed-citation>
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					<article-title>Por um currículo sem fundamentos</article-title>
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				<mixed-citation>LOPES, Alice C; MACEDO, Elisabeth. <bold>Teorias de
						currículo.</bold> São Paulo: Cortez, 2011.</mixed-citation>
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					<source>Teorias de currículo</source>
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					<year>2011</year>
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					a análise de políticas educacionais. <bold>Educação &amp; Sociedade,</bold>
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					<article-title>Abordagem do ciclo de políticas: uma contribuição para a análise
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					política de currículo (2003-2012). <bold>Educação e Realidade,</bold> v. 39, p.
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						(2003-2012)</article-title>
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				<mixed-citation>ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS IBERO-AMERICANOS (OEI). <bold>Coleção Metas
						educativas 2021:</bold> aprendizaje y desarrollo profesional docente.
					Madrid: OEI, 2009a. (Série reformas educativas).</mixed-citation>
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						<collab>ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS IBERO-AMERICANOS (OEI)</collab>
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					<source><bold>Coleção Metas educativas 2021:</bold> aprendizaje y desarrollo
						profesional docente</source>
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					<year>2009a</year>
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						<collab>ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS IBERO-AMERICANOS (OEI)</collab>
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						en la enseñanza</source>
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				<mixed-citation>ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS IBERO-AMERICANOS (OEI). <bold>Coleção Metas
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						<collab>ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS IBERO-AMERICANOS (OEI)</collab>
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					<source><bold>Coleção Metas Educativas 2021:</bold> la educación que queremos
						para la generación de los bicentenários</source>
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					<series>(Série Reformas Educativas)</series>
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				<mixed-citation>ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS IBERO-AMERICANOS (OEI). <bold>Miradas sobre
						la educación en Iberoamérica:</bold> desarrollo profesional docente y mejora
					de la educación. Madrid: OEI, 2013. (Série Reformas
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					<source><bold>Miradas sobre la educación en Iberoamérica:</bold> desarrollo
						profesional docente y mejora de la educación</source>
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					<year>2013</year>
					<series>(Série Reformas Educativas)</series>
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			<ref id="B27">
				<mixed-citation>SOARES, Ana P. P; DIAS, Rosanne E. Construções político-discursivas
					em torno de um Todos para/pela Educação. <bold>Revista Espaço do
						Currículo,</bold> v. 15, n. 2, p. 1-12, 2022.</mixed-citation>
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							<surname>SOARES</surname>
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					<article-title>Construções político-discursivas em torno de um Todos para/pela
						Educação</article-title>
					<source>Revista Espaço do Currículo</source>
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				<mixed-citation>TIANA, Alejandro. Calidad, evaluación y estándares: algunas
					lecciones de las reformas recientes. In: ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS IBEROAMERICANOS
					(OEI). <bold>Coleção Metas educativas 2021:</bold> aprendizaje y desarrollo
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					Educativas).</mixed-citation>
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					<chapter-title>Calidad, evaluación y estándares: algunas lecciones de las
						reformas recientes</chapter-title>
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					<source><bold>Coleção Metas educativas 2021:</bold> aprendizaje y desarrollo
						profesional docente</source>
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					<series>(Série Reformas Educativas)</series>
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	<sub-article article-type="translation" id="s1" xml:lang="es">
		<front-stub>
			<article-id pub-id-type="doi"
				>10.21879/faeeba2358-0194.2025.v34.n77.pl92-207</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Article</subject>
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			<title-group>
				<article-title>LA CENTRA LI DA D DEL PROFESORADO EN LOS DISCURSOS DE
					RESPONSABILIZACIÓN DE LA OEI</article-title>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-5172-9705</contrib-id>
					<name>
						<surname>Lima</surname>
						<given-names>Paula Eduarda das Dores de Souza</given-names>
					</name>
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				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-3706-7626</contrib-id>
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						<surname>Dias</surname>
						<given-names>Rosanne Evangelista</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff4">**</xref>
				</contrib>
			</contrib-group>
			<aff id="aff3">
				<label>*</label>
				<institution content-type="original">Máster en Educación por la Universidade do
					Estado do Rio de Janeiro (ProPEd/UERJ). Estudiante de Doctorado en el mismo
					Programa de Postgrado en Educación, en la línea de investigación “Currículo:
					sujetos, conocimientos y cultura”. Becario Capes/PROEX. Temas de interés de
					investigación: Currículo, Formación Docente y Trabajo Docente. Profesora de
					Educación Básica, Técnica y Tecnológica de los Años Iniciales dei Colégio Pedro
					II, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. E-mail: dudallima@yahoo.com.br</institution>
			</aff>
			<aff id="aff4">
				<label>**</label>
				<institution content-type="original">Doctora en Educación por la Universidad do
					Estado do Rio de Janeiro. Profesora de la Facultad de Educación y dei Programa
					de Postgrado en Educación (ProPEd) de la Universidad do Estado do Rio de
					Janeiro, en la línea “Currículo: sujetos, conocimientos y cultura”. Líder de
					Políticas Curriculares y de Enseñanza del GRPesq CNPq. Temas de interés de
					investigación: Currículo, Formación Docente y Trabajo Docente. Procientista de
					la UERJ y Joven Cientista do Nosso Estado – FAPERJ. E-mail:
					rosanne_dias@uol.com.br</institution>
			</aff>
			<abstract>
				<title>RESUMEN</title>
				<p>Este artículo pretende problematizar la responsabilización como dispositivo de
					control y regulación de la formación y el trabajo docente en propuestas de
					políticas curriculares públicas. Entendiendo que diferentes producciones
					políticas articuladas entre América Latina y la Península Ibérica colaboran para
					propagar políticas de responsabilización, analizamos los textos políticos de la
					Organización de Estados Iberoamericanos (OEI, 2009a; 2009b; 2013) que están
					vigentes y sirven de referencia para los sistemas educativos de esta gran
					comunidad llamada Iberoamérica. Nos centramos en el enfoque dei ciclo continuo
					de políticas (Ball; Bowe, 1998) como base teórica y metodológica, en diálogo con
					autores de perspectivas discursivas. De manera ambivalente, se considera a los
					docentes como un actor clave para garantizar una educación de calidad. A través
					de los discursos de la OEI, se negocian proyecciones y metas dirigidas al
					currículo, resignificando la educación contemporânea.</p>
			</abstract>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Palabras clave</title>
				<kwd>Políticas</kwd>
				<kwd>Currículo</kwd>
				<kwd>Docência</kwd>
				<kwd>Responsabilización</kwd>
				<kwd>Iberoamérica</kwd>
			</kwd-group>
		</front-stub>
		<body>
			<sec sec-type="intro">
				<title>Introducción</title>
				<p>Dada la creciente profusion de textos políticos que se articulan en diversos
					contextos, es posible tener una idea de la dimension de las producciones
					discursivas que están en circula-ción y que traducen las políticas
					curriculares.</p>
				<p>En este artículo buscamos comprender el movimiento de estas producciones
					políticas prestando atención a la relación que tienen con las formas de poder
					que las constituyen y que también son constituídas por ellas. El dinamismo de
					este proceso puede reflejarse a través de la participación de entidades y
					organizaciones internacionales, que operan como catalizadores de políticas
					curriculares (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Dias, 2013</xref>), destacándose
					por la convergência de sus proyectos e influencia ejercida en el âmbito
					educativo.</p>
				<p>Nesse processo estão envolvidas relações de poder atravessadas por conflitos e
					enfrentamentos, cuja pretensão é obter credibilidade e hegemonizar projetos a
					serem adotados por países atraídos por suas orientações.</p>
				<p>Este proceso involucra relaciones de poder permeadas por conflictos y
					confrontaciones, cuyo objetivo es obtener credibilidad y hegemonizar proyectos
					para ser adoptados por países atraídos por sus directrices.</p>
				<p>América Latina y la Península Ibérica han sido espacios privilegiados para la
					interna-cionalización de multiples políticas en las que el desarrollo de sus
					sistemas educativos ha recibido y aún recibe influencia internacional traducida
					en políticas dirigidas a la educación, con el fin de responder a las
					especificidades culturales, políticas y económicas según las particularidades de
					cada país. Portugal y Espana, debido a su relación histórica con los países
					latinoamericanos, han acentuado a lo largo de los años dicha relación al
					participar activamente en esta producción política, no sólo modificando aspectos
					educativos de sus propios sistemas educativos sino también constituyendo, junto
					con otras naciones, el pilar de dichas políticas, especialmente las de
					responsabilización, formando la gran comunidad conocida como Iberoamérica.</p>
				<p>Estamos pues dispuestos a discutir la cues-tión de la responsabilización docente
					en este espacio privilegiado, interpretando los discur-sos/producciones que
					tensionan, interpelan y redireccionan la formación y la práctica de los docentes
					iberoamericanos, subjetivándolos como sujetos.</p>
				<p>Para ello, utilizamos un referencial teórico-analítico dinâmico y no jerárquico
					desarrollado por Stephen <xref ref-type="bibr" rid="B3">Ball y Richard Bowe
						(1998)</xref>, denominado “ciclo continuo de políticas”, adernas de aportes
					teórico-discursivos que rompen con las concepciones curriculares tradicionales,
					permitiéndonos pensar el currículo de manera relacional.</p>
				<p>Actuando de manera no lineal y atemporal, los contextos que componen el
					mencionado ciclo – contexto de influencia, contexto de producción dei texto
					político, contexto de práctica, contexto de resultados o efectos y contexto de
					estratégia política – son los espacios interconectados en los que las políticas
					se mueven y dan lugar a intensas disputas, negociaciones y consensos, aunque
					sean provisionales.</p>
				<p>Consideramos que este enfoque es fructífe-ro, pues el alcance de la cuestión de
					la responsabilización va más allá de la discusión de las respectivas políticas
					en la region iberoameri-cana, pues se trata de un tema de dimension pública que
					ha trascendido el âmbito educativo, movilizando distintos públicos en las
					esferas local, regional y global.</p>
				<p>Elegimos analizar las producciones políticas de la Organización de Estados
					Iberoamericanos (OEI) porque estamos ubicados en la region, nuestros sistemas
					educativos se ven afectados significativamente por sus producciones y porque
					representan el dinamismo político y el flujo permanente y plural de
					sentidos.</p>
				<p>Destacamos que estas producciones representan discursivamente tensiones, ideas y
					proyecciones que, politicamente, convocan a acuerdos para intentar garantizar el
					cumplimiento de diversas metas establecidas para la educación. En este sentido,
					los discursos producidos contextualmente, especialmente en el contexto de
					influencia, buscan limitar las posibilidades de que las políticas sean
					recon-textualizadas y reciban nuevos significados. Estos discursos sirven de
					base a la política; mientras que algunos tienden a ser aceptados, otros tienden
					a ser rechazados en medio del juego político en el que las articulaciones de
					diferentes interlocutores luchan por la estabi-lización de ciertos discursos
					políticos en medio a relaciones de poder.</p>
				<p>Así, sostenemos que los textos de la OEI son el resultado de intensas disputas y
					decisiones tomadas en la imprevisibilidad de los espacios políticos donde
					ciertos sujetos son llamados a hablar sobre la profesión docente y sus
					de-sarrollos y operan en diferentes lugares de producción textual, aspirando a
					controlar las representaciones políticas.</p>
				<p>Entre los textos mencionados, seleccionamos dos ejemplares de la Colección Metas
					Educativas 2021 – Profesión docente: aprendizaje y desarrollo profesional
					docente (<xref ref-type="bibr" rid="B23">OEI, 2009a</xref>); Metas Educativas
					2021 – Reformas educativas: calidad, equidad y reformas en la enseñanza (<xref
						ref-type="bibr" rid="B24">OEI, 2009b</xref>) y un ejemplar de la Colección
					Miradas sobre la Educación en Iberoamérica – Desarrollo profesional docente y
					mejora de la educación (<xref ref-type="bibr" rid="B26">OEI, 2013</xref>), pues
					entendemos que constituyen el campo de la discursividad al tiempo que son
					constituídas en/por ella.</p>
				<p>Seleccionamos artículos de estas colecciones para su análisis mediante la
					búsqueda en el texto utilizando las palabras clave <italic>responsabilidad,
						resultado, responsabilización, accountabilityy</italic> expresiones que han
					llegado a significar la formación y la práctica docente.</p>
				<p>A medida que avanzaban las lecturas se fueron identificando algunas tendências
					que permitieron orientar la interpretación de las citadas producciones.
					Clasificamos estas tendências en ejes discursivos, nombrándolos como:
						<italic>vision común; idea del futuro; y asignación de
						responsabilidades.</italic> Buscamos reflexionar sobre estas producciones
					dirigidas a la educación iberoamericana que impactan directamente en el
					currículo y cuestionar lo que se ha significado a través de las políticas
					curriculares en la region.</p>
				<p>Mediados por el enfoque dei ciclo continuo de políticas y por una perspectiva
					discursiva dei currículo, abrimos este trabajo con la presente introducción,
					seguida de la discusión sobre la producción de políticas que permiten diferentes
					interpretaciones y sentidos en Iberoamérica en su complejidad. El siguiente
					apartado se centra en la articulación y difusión de las políticas curriculares a
					través de los discursos de la OEI, al tiempo que presenta la fundamentación
					teórica y metodológica que orienta el mencionado estúdio. A continuación, nos
					dedicamos a explicar la centralidad de la docência en los discursos de rendición
					de cuentas que propaga la Organización. Concluimos con unas breves
					consideraciones finales, entendiendo que los docentes, su formación y su
					práctica no deben ser vistos como los únicos responsables de garantizar el êxito
					y la calidad de la educación, como lo propone la Organización de Estados
					Iberoamericanos.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>La producción de políticas de responsabilización para la docência en
					Iberoamérica</title>
				<p>La intensificación de las políticas producidas y dirigidas a los currículos de
					enseñanza y de estudiantes ha contribuído significativamente a ampliar
					diferentes discusiones educativas dentro y fuera dei campo académico-científico.
					Como consecuencia de estas producciones, las políticas de responsabilización
					orientadas a la docência ganan alcance en la medida que la formación y el
					desempeño de los docentes se vinculan directamente con el desempeño de sus
					estudiantes, lo que se conoce como el modelo de valor agregado<xref
						ref-type="fn" rid="fn5">1</xref>.</p>
				<p>En território brasileño, los mecanismos de responsabilización, control y
					evaluación fueron efectivamente traducidos y disputados en la década de 1990, es
					decir, en el auge de las reformas neoliberales (<xref ref-type="bibr" rid="B2"
						>Ball, 1998</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B12">Freitas, 2013</xref>).
					Se produjeron como resultado de algunos indicadores educativos que hoy siguen
					siendo motivo de preocupación, como la desigualdad social, la falta de equidad
					en el trato a los estudiantes y las altas tasas de deserción y repetición
					escolar.</p>
				<p>Aunque divide opiniones, la responsabilización docente puede traducirse como un
					tema de dimension pública que ha trascendido el âmbito educativo y movilizado a
					diferentes actores. Con base en las experiências de países considerados pioneros
					en su adopción y uso, las políticas de responsabilización son similares a las
					políticas de <italic>accountability</italic><xref ref-type="fn" rid="fn6"
						>2</xref> y, aunque no tienen un término equivalente y preciso en português,
					pueden significar dos conceptos interconectados: rendición de cuentas y
					responsabilización.</p>
				<p>Investigadores como <xref ref-type="bibr" rid="B1">Afonso (2009)</xref>, <xref
						ref-type="bibr" rid="B5">Brooke (2006)</xref>, <xref ref-type="bibr"
						rid="B12">Freitas (2013)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B15">Hypolito
						(2010)</xref> discuten las políticas de responsabilización y las posibles
					implicaciones que traen para las escuelas, el currículo, la práctica y la
					formación docente. Con estos autores, ha sido posible comprender y problematizar
					la cuestión de la responsabilización, repensando dichas políticas como parte de
					diferentes procesos de regulación y control de la enseñanza.</p>
				<p>Como hemos señalado anteriormente, podemos definir, aunque sea brevemente, dichas
					políticas como intentos sucesivos de mejorar los resultados escolares a través
					de consecuencias para las escuelas y sus docentes. Los efectos generados pueden
					ser materiales o simbólicos, basados en el desempeño de los estudiantes, medido
					principalmente mediante evaluaciones a gran escala.</p>
				<p>Por lo tanto, entre las diversas políticas producidas, las políticas de
					responsabilización se presentan como una política pública que ha tenido êxito en
					términos de adhesion y construcción de consenso. Estas políticas están
					legitimadas por discursos, demandas, proyectos e intereses comunes a nivel
					local, regional y global. Establecen los contenidos mínimos y lo que cada alumno
					debe alcanzar anualmente en las asignaturas escolares, adernas de la obligación
					de los alumnos de realizar pruebas de suficiência en estas mismas asignaturas
					para evaluar los conocimientos adquiridos. Con base en los resultados obtenidos
					en las evaluaciones externas, se otorgan bonificaciones y/o sanciones a los
					docentes en función de las notas de los estudiantes, ya que están vinculadas a
					la evaluación de su trabajo (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Dias, 2015</xref>;
						<xref ref-type="bibr" rid="B9">2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B12"
						>Freitas, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B15">Hypolito,
					2010</xref>). En la lógica de la responsabilización, los profesionales de la
					Educación son considerados corresponsables del desempeño alcanzado por los
					estudiantes y las instituciones educativas, cuyos resultados luego son
					divulgados publicamente para generar rankings.</p>
				<p>En este contexto, cuando reflexionamos sobre la práctica docente y algunos
					sentidos en disputa, las demandas dei mercado, los organismos internacionales y
					los diferentes sistemas educativos en Iberoamérica “se vuelven equivalentes al
					entenderlos como necesarios para el desarrollo profesional debido a la idea de
					que los conocimientos son mensurables, externos al sujeto y algo que se adquiere
					durante la escolaridad” (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Lima, 2018, p.
						91</xref>).</p>
				<p>De hecho, destacamos la extrema importância de estos significados que se han
					producido y se dirigen a la figura dei docente, quien, en los últimos años, ha
					asumido un papel destacado en las estratégias de las reformas educativas
					actuales, poniendo en cuestión su formación y actuación. Según <xref
						ref-type="bibr" rid="B7">Dias (2013, p. 467)</xref>, “se está forjando una
					nueva idea de profesional”, y la correspondência constante entre la formación
					docente y el desempeño de sus estudiantes nos ha llevado a considerar los
					diferentes contextos en los que se han producido políticas dirigidas a la
					educación. Estas producciones se constituyen en un campo de luchas que movilizan
					conocimientos y poderes en torno a diferentes demandas relacionadas con la
					Educación (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Dias, 2009</xref>).</p>
				<p>Junto a la responsabilización, otros discursos están delineando nuevos rumbos
					para la educación en la region iberoamericana bajo el argumento de la urgente
					necesidad de garantizar la calidad de la educación, conjugada con la equidad
					educativa. En nombre de la calidad, muchos discursos forjan grupos, subjetivan
					una serie de actores sociales (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Matheus; Lopes,
						2014</xref>) y logran gran aceptación, ya que los ciudadanos desean una
					educación considerada de calidad. Como señalan <xref ref-type="bibr" rid="B27"
						>Soares y Dias (2022, p. 5)</xref>, “la calidad de la educación gana
					protagonismo y visibilidad en diferentes sectores de la sociedad, mientras que
					la gestión pública que la involucra se convierte en bianco de duras
					críticas”.</p>
				<p>Oportunamente, diversos debates que involucran acciones influyentes de organismos
					internacionales exponen el papel que estos asumen y lo que se proponen hacer,
					produ-ciendo y difundiendo los ideales y conceptos por ellos defendidos en torno
					al logro de lo que consideran calidad educativa.</p>
				<p>Según <xref ref-type="bibr" rid="B7">Dias (2013)</xref>, estas organizaciones
					están involucradas en relaciones de poder atravesadas por conflictos que buscan
					adquirir credibilidad ante los Estados interesados en sus propuestas. Se hace
					necesario, pues, realizar un esfuerzo por comprender las relaciones entre los
					discursos, los sujetos y los contextos que están dando sentido a las políticas
					actuates. Entendemos que los proyectos diseñados para la educación en
					Iberoamérica a través de las políticas curriculares surgen de discursos
					presentes en las reformas educativas de los últimos años y expresan demandas que
					orientan muchas acciones educativas de mediano y largo plazo a través de
					objetivos y metas educativas en un intento de cerrar lo social, aunque esto sea
					imposible (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Laclau; Mouffe, 2015</xref>).</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Discursos de difusión de políticas para el currículo</title>
				<p>Buscando dar visibilidad a un período de importância para la region por la
					celebración de los bicentenários de la independência de gran parte de su
					membresía, la OEI creó el Proyec-to Metas Educativas 2021: la Educación que
					Queremos para la Generación de los Bicentenários. Este proyecto ha impulsado un
					aumento considerable de los objetivos educativos y su control a través de textos
					políticos defendidos y propagados por la Organización.</p>
				<p>Concebida en un contexto de carências y reestructuración social, política y
					económica, la OEI implemento acciones que considero significativas en un intento
					de contribuir a la formación de sociedades más justas, solidarias y cooperativas
					en toda la region iberoamericana (<xref ref-type="bibr" rid="B23">OEI,
						2009a</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B24">2009b</xref>). Durante todo
					este período se ha dedicado a realizar convenciones y encuentros en las que se
					redactan estatutos, se hacen declaraciones, se construyen programas y proyectos,
					se establecen metas y se firman acuerdos.</p>
				<p>Desarrollando un carácter integrador de la region, los procesos históricos y
					políticos vividos por los Estados-nación mencionados se remontan a su pasado
					colonial y a sus procesos de independência. La valorización de la cultura y de
					las lenguas portuguesa y española refuerza el sentimiento de pertenencia y actua
					como facilitador de articulaciones, diferenciando a la OEI de otras
					organizaciones que actúan en el mismo espacio. Así, la transferencia de
					políticas entre los distintos países de la region iberoamericana como resultado
					de los procesos de articulación es una entre muchas otras formas de
					discursividad características de las relaciones en el mundo globalizado mediadas
					por el lenguaje. Esto es lo que hace de la pro-ducción política curricular
					iberoamericana un terreno fértil para ser explorado.</p>
				<p>Considerando este contexto, analizamos los discursos de las políticas
					curriculares para la región iberoamericana que promueven la responsabilización
					docente. En los textos políticos seleccionados, interpretamos antagonismos y
					sentidos en disputa que apuntan a la responsabilización de los docentes que
					trabajan en la region a través de la articulación de discursos y sujetos de la
					política. Nos interesa destacar que la actuación de los diferentes actores está
					intrinsecamente relacionada con el objetivo de esta discusión, ya que, al
					producir y difundir diagnósticos y recursos para las políticas curriculares,
					está significando las formas de pensar la enseñanza.</p>
				<p>Por tanto, argumentamos que la investigación de los discursos de
					responsabilización que centran la docência en su formación y función se potencia
					a través dei ciclo continuo de las políticas, a través de la posibilidad de
					comprender mejor el movimiento característico de los contextos que producen
					políticas curriculares y a través de la constitución de procesos de
					subjetivación.</p>
				<p>El enfoque dei ciclo continuo de políticas de <xref ref-type="bibr" rid="B3">Ball
						y Bowe (1998)</xref> nos ha ayudado a ampliar nuestra comprensión dei
					dinamismo de las políticas, ya que también sustenta teórica y metodologicamente
					la presente discusión. Destacamos que, al invertir en un modelo analítico que
					fue formulado cuestionando la soberania activa del Estado, traemos a este
					diálogo importantes aportes para el análisis de políticas que promuevan la
					responsabilización de la docência, entendiendo este proceso político como
					multifacético y relacional.</p>
				<p>El ciclo no se compromete a explicar y elaborar las políticas; Más bien, su
					objetivo es investigarias y teorizarias, de un modo que nos permita reflexionar
					sobre como se producen estas políticas. Compuesto por contextos que se
					interrelacionan de manera no jerárquica, pudiendo un contexto ser atravesado por
					otro, el ciclo de políticas opera con cinco contextos desprovistos de linealidad
					y de secuencias lógica y temporal. El contexto de influencia, en el que se
					elaboran los discursos políticos; el contexto de producción dei texto político,
					en el que se produce la definición de textos, normas y documentos; el contexto
					de la práctica, cuyos significados producidos por los contextos mencionados se
					resignifican y operan en las instituciones escolares; el contexto de resultados
					o efectos, que aborda cuestiones de justicia, igualdad y libertad; y el contexto
					de la estratégia política, que identifica las actividades sociales y políticas
					para superar las desigualdades generadas o reproducidas por la política (<xref
						ref-type="bibr" rid="B3">Ball; Bowe, 1998</xref>).</p>
				<p>Si bien el ciclo se compone de hasta cinco contextos, basamos nuestro análisis
					sólo en tres: contexto de influencia, contexto de producción de texto y contexto
					de la práctica, pues entendemos que ellos ya permiten problematizar la
					responsabilización docente centrándose en el objetivo trazado en este
					debate.</p>
				<p>En el contexto de la influencia, los discursos políticos se construyen a partir
					de la relación entre sujetos y sirven de base a la política. En detrimento de
					otros, algunos discursos son aceptados y otros rechazados, configurando el juego
					político, permeado por princípios y argumentos que se dan en lo social, arenas
					de lucha que se constituyen en el campo de la discursividad (<xref
						ref-type="bibr" rid="B17">Laclau; Mouffe, 2015</xref>) como espacios de
					articulación de influencia en los que los sujetos representantes del
					Ejecutivo,</p>
				<p>Legislativo, colectivos privados, agencias multilaterales y comunidades
					académicas se disputan el campo político debido a las relaciones de poder
					existentes. Es en este contexto que muchos sentidos se legitiman,
					hegemonizándose lo que conviene a los fines sociales de la Educación (<xref
						ref-type="bibr" rid="B20">Lopes; Macedo, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr"
						rid="B21">Mainardes, 2006</xref>).</p>
				<p>Los discursos producidos en este contexto intentan controlar el dinamismo de las
					políticas para que no se recontextualicen y adquieran nuevos sentidos, incluso
					frente a influencias globales que hacen circular multiples ideas como posibles
					“soluciones”, las que son ofreci-das y recomendadas por agencias multilaterales
					y organismos internacionales como la OEI. En el contexto de influencia, la
					Organización actua a través de conferencias, congresos y reuniones en los que se
					elaboran acuerdos, se formulan declaraciones, se construyen programas y
					proyectos, se establecen metas y se toman decisiones con el objetivo de fomentar
					la cooperación entre los países iberoamericanos en los campos de la Educación,
					la ciência, la tecnologia y la cultura.</p>
				<p>Se entiende por contexto de producción textual aquel en el que se producen textos
					políticos como los de la OEI y que representan la política. Estos textos pueden
					asumir esta representación en textos oficiales y secundários – incluídas
					declaraciones y vídeos. Cabe mencionar que los textos no siempre aluden a un
					documento escrito, sino que traen consigo características de la política
					incorporadas a lo largo del tiempo (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Mainardes,
						2006</xref>).</p>
				<p>El último contexto trabajado en nuestro análisis es el contexto de la práctica,
					que, según los creadores dei ciclo de política, es el contexto en el que los
					sujetos pueden recrear y reinterpretar la política, produciendo efectos capaces
					de cambiar y transformar considerablemente la política original.</p>
				<p>Destacamos que, en este contexto, los otros dos – el contexto de influencia y el
					contexto de producción de texto – se resignifican; y, como las políticas están
					sujetas a la interpretación de los sujetos y son recreadas, no pueden
					simple-mente ser implementadas, lo que caracteriza la no linealidad dei
					ciclo.</p>
				<p>Los significados producidos en el contexto de influencia transitan en el contexto
					de la producción de textos y en el contexto de la práctica, permitiendo y
					favoreciendo la producción de sentidos de la política de responsabilización
					dirigida a los docentes iberoamericanos. Según <xref ref-type="bibr" rid="B2"
						>Ball (1998)</xref>, las influencias internacionales posibilitan la
					proliferación de sentidos producidos en los contextos de influencia, producción
					de textos y de la práctica, posibilitando la recontextuali-zación a través dei
					hibridismo en todos estos sentidos que están circulando.</p>
				<p>Conscientes de esta proliferación de sentidos gracias a la existência de muchas
					otras producciones difundidas en Iberoamérica y que significan la Educación en
					la region, nuestro análisis se basó en los textos Profesión docente: aprendizaje
					y desarrollo profesional docente (<xref ref-type="bibr" rid="B23">OEI,
						2009a</xref>); Reformas educativas: calidad, equidad y reformas en la
					enseñanza (<xref ref-type="bibr" rid="B24">OEI, 2009b</xref>); y Miradas sobre
					la Educación en Iberoamérica – desarrollo profesional docente y mejora de la
					educación (<xref ref-type="bibr" rid="B26">OEI, 2013</xref>). Las dos primeras
					producciones políticas forman parte dela Colección Metas Educativas 2021, fruto
					de una gran iniciativa colectiva entre los ministros de Educación de
					Iberoamérica. Consideramos esta colección un recurso fértil de análisis para los
					investigadores en el campo de la Educación, especialmente en el currículo, ya
					que contiene un rico conjunto de aportaciones de autores iberoamericanos
					expertos en sus áreas de estúdio y actividad. Sumado a ello, se considera una
					producción ambiciosa (<xref ref-type="bibr" rid="B23">OEI, 2009a</xref>),
					compuesta por diecinueve títulos que enriquecen el debate actual sobre las
					propuestas educativas a través de diversas reformas. La elección de ejemplares
					de la Colección que fueron escogidos para el análisis busco cumplir nuestro
					objetivo, el de contribuir a una mayor comprensión de los discursos divulgados
					en sus artículos. Posteriormente, nos centramos en las palabras clave
					responsabilidad, resultado, responsabilización y <italic>accountability</italic>
					presentes en estos artículos, pues consideramos que estas palabras agregan
					sentidos que forman el campo semântico relacionado con la temática de la
					responsabilización, involucrando diferentes sentidos en torno a la formación y
					el trabajo docente, la calidad de la educación, la rendición de Cuentas y los
					resultados, la mayoría de los cuales están vinculados al desempeño estudiantil
					en evaluaciones externas.</p>
				<p>Adernas de lo anterior, notamos la presencia recurrente de algunas expresiones a
					lo largo de los textos, como “mejorar la formación de profesores”, “calidad dei
					desarrollo docente”, “identidad profesional”, “sociedad del conocimiento”,
					“nuevas exigências”, “re-solución de problemas”. Tales expresiones revelan la
					armonía entre las producciones políticas y los deseos expresados en la bús-queda
					de soluciones y alternativas para el desarrollo docente, abarcando su formación,
					trabajo e identidad.</p>
				<p>La primera obra analizada, Reformas educativas: calidad, equidad y reformas en la
					enseñanza (2009b) inicia la serie dedicada a las reformas educativas y que
					“impulsa la OEI para favorecer el debate y la participación social con el fin de
					lograr el mayor compromiso de todas las instituciones en la transformación de la
					educación” (<xref ref-type="bibr" rid="B24">OEI, 2009b, p. 13</xref>). En su
					composición cuenta con dos secciones; el primero aborda los desafios de la
					educación en Iberoamérica y el segundo incorpora las principales discu-siones en
					curso en los sistemas educativos de la region. Este primer ejemplar presenta un
					proyecto que aboga por mejorar la calidad de la educación y que va “más allá de
					la literalidad de los objetivos e indicadores propuestos” (<xref ref-type="bibr"
						rid="B24">OEI, 2009b, p. 11</xref>).</p>
				<p>El segundo libro seleccionado de la Colección, Profesión docente: aprendizaje y
					desarrollo profesional docente, sostiene que los profesores son la clave
					principal para alcanzar esta calidad. Entre las iniciativas propuestas para
					afrontar un desafio de tal magnitud, el segundo trabajo plantea que es necesario
					basarse en enfoques contextuales e integrales, tomando en cuenta todos los
					factores que pueden contribuir a facilitar el trabajo docente, sin perder de
					vista “su implicación para el fortalecimiento de la profesión docente” (<xref
						ref-type="bibr" rid="B23">OEI, 2009a, p. 7</xref>).</p>
				<p>Ampliando nuestro análisis, listamos la tercera producción textual, Miradas sobre
					la Educación en Iberoamérica – Desarrollo profesional docente y mejora de la
					educación (<xref ref-type="bibr" rid="B26">OEI, 2013</xref>). Esta publicación
					también forma parte de una Colección denominada Miradas sobre la Educación en
					Iberoamérica. Miradas reúne una serie de informes que conforman el marco dei
					Instituto de Evaluación (IESME), considerado por la OEI como un instrumento
					fundamental para el logro de las metas estipuladas, cuya función principal es
					“obtener, procesar y proporcionar información riguro-sa, veraz y relevante para
					conocer el grado de avance registrado” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">OEI,
						2010, p. 265</xref>). Con una configuración diferente a los otros dos libros
					analizados, este tercero está compuesto por seis capítulos, una conclusión y
					tres apéndices, que sirvieron como continuación de nuestra investigación.</p>
				<p>En estos textos discursivos de la OEI se materializan concepciones, creencias y
					valores, anelados en la idea de la importância enfática de los docentes para el
					avance educativo cualitativo de cada Estado-nación de la region iberoamericana.
					En ellas, los docentes son vistos como los principales responsables dei êxito de
					las metas establecidas, ya que “El cambio educativo, la innovación y las
					reformas futuras, la calidad de la enseñanza, en definitiva, dependen de la
					preparación y del compromiso de los docentes” (<xref ref-type="bibr" rid="B26"
						>OEI, 2013, p. 9</xref>).</p>
				<p>Argumentamos que los textos analizados representan y caracterizan la política
					porque son parte de articulaciones hegemónicas (<xref ref-type="bibr" rid="B7"
						>Dias, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20">Lopes; Macedo,
						2011</xref>) insertas y expresadas en los discursos de la OEI y buscan
					establecer determinadas significaciones dei currículo, dei profesor y de la
					evaluación.</p>
				<p>En este sentido, es en el contexto de influencia que la OEI actua activamente y
					sus discursos se producen y difunden como contexto de difusión de políticas por
					excelência. En él se registran los textos seleccionados, siendo reinterpretados
					y resignificados, de forma que influyan, definany propaguen políticas
					curriculares no sólo de Brasil, sino de todos los países de Iberoamérica.</p>
				<p>La interrelación de los contextos dei ciclo de políticas permite que las diversas
					interpre-taciones de los sujetos se manifiesten también en los contextos de
					producción de textos, de difusión de ideas y operen en el contexto de la
					práctica (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Ball; Bowe, 1998</xref>), donde los
					materials difundidos por la OEI ejercen influencia y disputan sentidos en el
					campo de la discursividad (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Laclau; Mouffe,
						2015</xref>) en un intento por obtener control sobre la formación y la
					práctica docente, aunque tal control sea imposible.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>La docência como centraLidad discursiva de la Organización de Estados
					Iberoamericanos</title>
				<p>Los discursos investigados revelaron algunas tendências que merecían ser
					exploradas, permitiendo así avanzar en la discusión. Tales tendências señalaron
					lo que denominamos ejes temáticos discursivos (<xref ref-type="bibr" rid="B18"
						>Lima, 2018</xref>), los cuales fueron organizados, interpretados y
					nombrados en el intento de, a partir de ellos, ampliar la reflexion sobre las
					políticas curriculares que se vinculan con la enseñanza, especialmente aquellas
					que le atribuyen responsabilización.</p>
				<p>Argumentamos que estos ejes pueden ser interpretados como productores de discurso
					porque permiten la acumulación de diferentes temáticas desarrolladas por los
					textos leídos, al tiempo que se materializan en las obras investigadas en el
					contexto de producción de textos, compitiendo por espacio para incidir en los
					contextos de producción de textos de las políticas y prácticas para las cuales
					tales discursos son producidos.</p>
				<p>• <italic>Primer eje discursivo, denominado Vision Común</italic></p>
				<p>El debate sobre el rumbo que está tomando actualmente la educación va creciendo
					cada vez más, alimentando discusiones vinculadas al ámbito educativo. Las
					producciones recientes de OEI muestran un fuerte discurso basado en un ideal a
					alcanzar, hacia el cual orienta sus acciones y determina los caminos de sus
					proyectos.</p>
				<p>Este discurso surge del primer eje importante, identificado en torno a una
						<italic>vision común</italic> respecto de las expectativas educativas de la
					región iberoamericana. El texto político advierte que “la educación está en el
					centro de los debates ideológicos y políticos” (<xref ref-type="bibr" rid="B24"
						>OEI, 2009b, p. 13</xref>) porque “es comprensible que así sea, porque en
					ella se concentran los modelos, las visiones y los valores que las instituciones
					sociales y los ciudadanos defienden como deseables (<italic>Ibid.</italic>).</p>
				<p>La OEI afirma que es necesaria una nueva vision del significado de la educación
					que posibilite el diseño de nuevos modelos y mecanismos de implementación, así
					como nuevas formas de cooperación.</p>
				<p>Al mismo tiempo, la correspondência discursiva expresada en los distintos
					discursos de autores iberoamericanos que integran las producciones analizadas
					sostiene que la demanda por educación ha cambiado de signo debido a las
					transformaciones sociales y culturales producidas por la globalización.
					Diferentes actores, en diferentes lugares, participan de un “imaginário común” y
					de una “comunidad de sentido”, interfiriendo en las formas de comu-nicación
					política, modificando la experiência social cotidiana (<xref ref-type="bibr"
						rid="B14">García-Huidobro, 2009, p. 31</xref>).</p>
				<p>De acuerdo a estos discursos, consensos, recomendaciones internacionales, leyes y
					marcos regulatorios permiten a vários países formular políticas y desarrollar
					programas para mejorar la calidad, la equidad y la eficiência de los sistemas
					educativos. <xref ref-type="bibr" rid="B13">Gajardo (2009, p. 66)</xref> afirma
					que “si hay un desafio común para todos los países dei mundo, es responder al
					imperativo de la mejorara de la calidad de los aprendizajes”.</p>
				<p>Los câmbios institucionales, las mejoras en la calidad y la equidad, la
					evaluación y la creación de mecanismos de responsabilización y el desarrollo
					profesional docente constituyen el acto de revisar las políticas y reformas
					educativas.</p>
				<p>En este eje discursivo, la preocupación por la calidad de la educación se
					expande, favorecien-do el surgimiento de un contundente discurso
					político-educativo centrado en la calidad, dado que “la universalización de la
					educación básica se ha ido consiguiendo en Iberoamérica (a veces trabajosamente)
					y de forma paralela se ha extendido considerablemente la preocupación por la
					calidad de la educación” (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Tiana, 2009,
						p.115</xref>).</p>
				<p>Es necesario preguntarse qué constituye la calidad en la educación y qué factores
					contribuirían más a esta calidad. Entendemos que el significante “cualidad” ha
					motivado y delineado lo que se defiende como <italic>vision común</italic> por
					algunos sujetos políticos iberoamericanos (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Lima,
						2018</xref>). Al ser un término que incorpora ambigüedades, polisemia y
					difícil definición, la calidad de la educación asume multiples significados para
					distintas personas, en distintos tiempos, espacios y contextos. No todos
					comparten sus concepciones, percepciones, prioridades e intereses cuando se
					trata de la calidad de la educación. Aunque lo celebren en acuerdos, la calidad
					de la educación no constituye una representación plena, pues entendemos que
					ninguna representación es completa, considerando la imposibilidad de una
					identidad fija y definitiva en el proceso de lucha en torno a las políticas
						(<xref ref-type="bibr" rid="B17">Laclau; Mouffe, 2015</xref>), pues las
					identidades de los sujetos son reflejo de contingências externas,
					descentralizadas, que desestabilizan la noción misma de la posición del
					sujeto.</p>
				<p>En particular, busca “vincular el currículo y la calidad de la educación a la
					transformación social, y ésta a un proyecto nacional” (<xref ref-type="bibr"
						rid="B22">Matheus; Lopes, 2014, p. 342</xref>), sometiéndolos a una noción
					que pueda cuantificarse mediante evaluaciones.</p>
				<p>La tarea de instruir y distribuir conocimien-tos que serán medidos en
					evaluaciones y considerados relevantes -y por tanto disputados en la lucha
					política- pasa a ser tarea del docente, correspondiente al deber asumido por la
					escuela de garantizar el acceso al conocimiento legítimo a todos los
					estudiantes.</p>
				<p>La interpretación producida por éste, que es el primer eje, identificado como
						<italic>vision común,</italic> contribuye al intento de evitar que otras
					posibilidades de políticas centradas en el currículo, otras lecturas, otras
					producciones discursivas, otros imaginários actúen para camuflar actos de poder
						(<xref ref-type="bibr" rid="B19">Lopes, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr"
						rid="B22">Matheus; Lopes, 2014</xref>).</p>
				<p>Al analizar todo este proceso considerando el enfoque dei ciclo de políticas, nos
					damos cuenta que representantes políticos como la OEI, autores iberoamericanos
					firmantes de los artículos analizados, creadores del proyecto Metas Educativas
					2021 y sus respectivos discursos actúan en contextos de influencia para
					hegemonizar demandas que están en disputa (<xref ref-type="bibr" rid="B16"
						>Laclau, 2013</xref>) a través de negociaciones, sistematizaciones y
					compromisos pactados, al tiempo que se constituyen como sujetos de la política.
					Entendemos que estos discursos presentan pretensiones universalizadoras,
					marcadas por intereses diversos y la forma antagónica en que se construyen,
					siempre sujetos a cuestionamiento.</p>
				<p>La idea de una educación de calidad para todos crea la imprecision del
					significante “todos”, que puede terminar encubriendo las diferencias entre
					contextos; por eso, coincidimos con <xref ref-type="bibr" rid="B19">Lopes (2015,
						p. 454)</xref> cuando afirma que “no es posible referirse a un sentido
					universal de currículo de calidad, a una verdad sobre cuál es el mejor currículo
					en cualquier contexto”, porque las construcciones discursivas ya sedimentadas y
					las que a través de los procesos de articulación se estructurarán dentro o fuera
					dei campo dei currículo no son/serán capaces de representar todas las demandas
					que emergen debido a la imposibilidad de un todo homogéneo (<xref
						ref-type="bibr" rid="B27">Soares; Dias, 2022</xref>). En este intento de
					servir a todos, siempre se reclaman intereses y demandas privadas y/o
					colectivas.</p>
				<p>• <italic>Segundo eje discursivo, denominado Idea de Futuro</italic></p>
				<p>La motivación surgida de las celebraciones de los bicentenários de los países
					iberoamericanos sacó a la luz el sentimiento de incom-pletitud y de deuda con el
					pasado, expresado a través dei Proyecto de Metas Educativas 2021: la Educación
					que Queremos para la Generación de los Bicentenários. Se puede inferir que,
					también a través de ella, los discursos analizados inauguran la idea de futuro y
					se presentan como estimuladores de alianzas y tratados que significan políticas
					a través de la adhesion a metas y estratégias en los Estados-nación.</p>
				<p>La forma en que fueron concebidos y organizados los textos políticos de la OEI
					revela el núcleo de su idealización, a través de panoramas, índices, indicadores
					y metas, cuyo énfasis “se situa en las políticas globales, capaces de plantear
					estratégias convergentes en las esferas económica, social y educativa con el
					objetivo de avanzar en la construcción de sociedades justas, cohesionadas y
					democráticas” (<xref ref-type="bibr" rid="B24">OEI, 2009b, p. 8</xref>).</p>
				<p>Es evidente en los discursos de la Organización que lo que impulsa las acciones
					actuales son las perspectivas de un futuro victorioso en reparación de un pasado
					no tan exitoso como se esperaba, lo que refuerza la importância de generar
					expectativas (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Lima, 2018</xref>). La
					actualización de la agenda educativa de la region, como señala la OEI, se
					enfrenta a otras dos agendas consideradas inevitables: enfrentar los desafios
					pendientes del siglo XX y los nue-vos desafios dei siglo XXI. La OEI sostiene
					que, “cuando se formulan políticas se planifica y, por lo tanto, se realiza un
					intento de anticipación dei futuro, un intento de predecir la cadena de
					consecuencias causa-efecto en el tiempo” (OEI, 2009, p.35).</p>
				<p>Con el firme propósito de cumplir los pactos establecidos, la comunidad
					iberoamericana conto inicialmente con un nivel prévio de cumplimiento de las
					metas que se esperaban alcanzar, tomando como referenda el periodo de 2009 a
					2015. Durante los primeros años, este plazo se replanteó debido a los avances ya
					alcanzados, los nuevos desafios en la region y la adaptación a la Agenda
					Educativa Global 2030<xref ref-type="fn" rid="fn7">3</xref>.</p>
				<p>El hecho de que exista una agenda internacional que influya en la toma de
					decisiones de la OEI muestra el proceso de migración de políticas y las
					articulaciones que fomentan la formación discursiva hegemónica. Como destaca la
					organización, la asociación y la compatibilidad de agendas configuran la
					importância de avanzar hacia estratégias globales compartidas, sin perder, sin
					embargo, las características que hacen de su proyecto una construcción
					regional.</p>
				<p>La OEI refuerza que “en los años venideros será necesario no perder de vista dos
					parâmetros básicos de la política educativa: mejorar la situación laboral y
					profesional de los docentes” (<xref ref-type="bibr" rid="B23">OEI, 2009a, p.
						9</xref>). Podemos afirmar que el fortalecimiento de la profesión docente
					para la OEI es un requisito fundamental para ofrecer una educación considerada
					de calidad.</p>
				<p>Derivado de textos políticos, el discurso dei organismo internacional invierte en
					un futuro centrado en los docentes, también llamado protagonismo del profesor, y
					enfatiza que el fortalecimiento de la profesión docente es uno de los focos
					prioritários de su trabajo. Para la OEI, los câmbios en la sociedad actual han
					exigido esfuerzos sucesivos por parte de los docentes, obligándolos a modificar
					su trabajo a lo largo de su carrera para adaptarse y tener êxito en su
					función.</p>
				<p>Ante ello, <xref ref-type="bibr" rid="B11">Esteves (2009, p. 24)</xref> destaca
					que es la primera vez en la historia que la sociedad “no pide a los educadores
					que preparen a las nuevas generaciones para responder a las necesidades
					actuales, sino para hacer frente a las exigências de una sociedad futura que aún
					no sabemos como va a ser”.</p>
				<p>Creemos necesario reflexionar sobre la presencia, en los sistemas educativos, de
					ambivalencias que nos llevan a considerar los diversos y sucesivos intentos de
					gobiernos, Estados, agencias y organizaciones de apostar por “verdades únicas” y
					“absolutas” que excluyen otras posibilidades de producir políticas e interpretar
					el mundo. Estas producciones revelan ambivalencias desencadenadas por
					proyecciones que buscan predecir y garantizar acciones que intentan controlar el
					futuro educativo de la escuela, implementando normas, designando metas y
					difundiendo pronósticos que diseñan y dictan estándares ideológicos,
					metodológicos y curriculares para la formación y la práctica docente. En estas
					ambivalencias vemos la oportunidad de cuestionar certezas que se han colocado
					junto a la necesidad de universalización como condición esencial para el cambio
					y el êxito educativo. En este contexto, muchos discursos compiten por sentidos
					para ser universalizados hegemonicamente, adernas de demarcar algunas de las
					ambivalencias.</p>
				<p>Las afirmaciones expresadas por autores iberoamericanos colocan específicamente
					en la responsabilidad de la profesión docente corresponder, con su formación y
					cualificación, a las demandas surgidas. La correspondencia directa que dichos
					discursos establecen entre la formación docente y el desempeño de los
					estudiantes no es nada nuevo, enfatizando la responsabilidad dei docente en las
					actividades que desarrolla. Esta perspectiva, en la que se establece una
					correspondência entre el desempeño de los estudiantes y la formación y el
					desempeño docente, que</p>
				<disp-quote>
					<p>estuvo presente como tendência en los modelos curriculares para la formación
						docente por competências en la década de 1960, en las experiências
						estadounidenses, y ahora se intensifica nuevamente en los textos políticos
						que intentan influir y producir sentidos sobre la docência en las propuestas
						curriculares de distintos países y regiones dei mundo. (<xref
							ref-type="bibr" rid="B10">Dias, 2021, p. 2</xref>).</p>
				</disp-quote>
				<p>La articulación de diferentes discursos sobre cuestiones que involucran las
					políticas hacia la docência de hoy y dei futuro caracteriza las disputas
					discursivas que ocurren en los contextos cíclicos de la política teorizados por
						<xref ref-type="bibr" rid="B3">Ball y Bowe (1998)</xref> y que buscan, de
					diferentes maneras, influir en el currículo. Tenemos cuidado de no encontramos
					con meros discursos, sino con prácticas y políticas que estos discursos sugieren
					y pretenden orientar.</p>
				<p>En vista de lo anterior y dei siguiente apartado, podemos observar que los
					discursos de la OEI tienen una fuerte inclinación hacia la responsabilización de
					los docentes, a través de políticas curriculares y defensas recurrentes de estas
					políticas, a través de distintos autores iberoamericanos con quienes dialoga en
					sus producciones.</p>
				<p>• <italic>Tercer eje discursivo, denominado Asignación de
						Responsabilidad</italic></p>
				<p>La responsabilización de la docência abarca multiples sentidos, y, como tal,
					observamos en este eje de <italic>Asignación de Responsabilidades</italic> una
					mayor presencia de ambivalencias expresadas en los discursos de la OEI, en
					cuanto la formación y la práctica docente son concebidas como el principal
					instrumento capaz de garantizar el êxito educativo.</p>
				<p>Marcando la pauta de lo que se ha producido y difundido como política curricular
					en el espacio iberoamericano, la OEI enfatiza que “la calidad de la educación de
					un país no es superior a la calidad de su profesorado” (<xref ref-type="bibr"
						rid="B23">OEI, 2009a, p. 7</xref>), atribuyendo directamente la
					responsabilidad de la calidad educativa a los docentes. También reitera que “si
					se piensa en la calidad de la educación de un país, es inevitable hacerlo en
					relación con la calidad de su profesorado” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">OEI,
						2010, p. 74</xref>).</p>
				<p>El título dei texto político Miradas – Desarrollo profesional docente y mejora de
					la educación (2013) destaca la correspondência entre el desarrollo profesional
					docente y la mejora de la educación, estableciendo así la dependência de esta
					última de la profesionalización de los docentes. Asimismo, es también reveladora
					la cita de Metas Educativas – aprendizaje y desarrollo profesional docente
					(2009a), pues asocia el aprendizaje de los estudiantes con la formación,
					actualización y perfeccionamiento de los profesores. Esta relación que asocia el
					aprendizaje con el desempeño docente se da, entre otros factores, por el
					desarrollo dei privilegio dei aprendizaje en detrimento dei proceso educativo en
					su conjunto. Cuando los indicadores de calidad y la información reco-lectada a
					través de las políticas de evaluación establecen prioridades a superar en los
					sistemas educativos, según <xref ref-type="bibr" rid="B4">Biesta (2012, p.
						810)</xref>, se establece la llamada “cultura de la medición de la
					educación”.</p>
				<p>En esta cultura de la medición, los resultados reciben especial atención, siendo
					utilizados para generar rankings entre distintos sistemas educativos, impactando
					directamente el currículo, la práctica y la formación, pues indican
						“<italic>escuelas sin êxito</italic> y, en algunos casos, <italic>docentes
						sin êxito</italic> en las escuelas” (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Biesta,
						2012, p. 810-811</xref>, énfasis dei autor). Esto refuerza la lógica de la
					responsabilización en la búsqueda incansable de una calidad educativa
					justificada por prácticas de evaluación que se limitan a medir el desempeño de
					estudiantes y docentes y dirigen el rumbo de las políticas educativas públicas
					como si fueran completamente controlables.</p>
				<p>El compromiso de la OEI con la figura dei profesor, otorgándole el protagonismo
					necesario para la ejecución de las propuestas diseñadas para el âmbito
					educativo, permite afirmar que se espera que los docentes sean profesionales
					cualificados para que la educación se realice realmente con calidad. La
					Orga-nización aboga poria existência de consenso en torno a la necesidad de
					impulsar la formación de los profesores con un objetivo más amplio: alcanzar un
					perfil profesional capaz de garantizar la mejora continua de la práctica docente
						(<xref ref-type="bibr" rid="B26">OEI, 2013</xref>); señala también ser
					“consciente” de que la formación docente es el punto clave de cualquier
					propuesta educativa y política social, pues la tarea de enseñar marca “las
					nuevas generaciones, orienta su aprendizaje, modela su modo de relacionarse con
					los saberes, con los valores, con los otros y consigo mismo; estimula o
					desalienta actitudes y aptitudes” (<xref ref-type="bibr" rid="B26">OEI, 2013, p.
						219</xref>).</p>
				<p>No nos oponemos a la necesidad de invertir en condiciones que hagan viable la
					práctica, la valoración profesional y la formación docente como proceso. Sin
					embargo, la imprevisibilidad, las incertidumbres y las diferencias inherentes al
					ejercicio de la enseñanza impiden la rigidez y la preservación de una identidad
					estática, pues entendemos que ella está siempre en proceso, inacabada, siendo
					construída y significada contextualmente (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Lopes,
						2015</xref>). Sostenemos que el perfil profesional es idealizado
					discursivamente para defender la calidad de la enseñanza a través de la
					regulación y control del trabajo docente.</p>
				<p>Estos discursos en circulación intentan hegemonizar las demandas y la definición
					de lo que significa ser un buen profesor, en un intento de estandarizar el
					currículo, las identidades, las prácticas, las experiências y los
					comportamientos de la docência (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Dias,
					2016</xref>).</p>
				<p>Como resultado de la complejidad de las relaciones políticas, los
					textos/discursos analizados presentan antagonismos y ambivalencias en la defensa
					de ideas, concepciones y estratégias, entre ellas la selección de los mejores
					profesores para delinear un perfil docente considerado de excelência; el tipo y
					la duración de la formación que se considera eficaz para mejorar el desempeño de
					los profesores; el tiempo necesario para que se produzcan câmbios efectivos que
					transformen y mejoren la realidad educativa de la region; y la asignación de
					responsabilidades a la propia profesión docente.</p>
				<p>Interpretamos que la inconstância de las políticas curriculares propicia
					multiples discursos que, contrariamente a su intención, traen inestabilidades e
					imprecisiones debido al exceso de sentidos que se disputan en las arenas
					políticas.</p>
				<p>Al responsabilizar a los docentes del fracaso educativo, relacionado con los
					aprendizajes insuficientes de los estudiantes, la formación docente deficiente y
					los resultados insatisfactorios en las evaluaciones externas, los discursos de
					la OEI pretenden redefinir la educación en Iberoamérica (<xref ref-type="bibr"
						rid="B18">Lima, 2018</xref>) y dialogar con otros discursos igualmente
					precários e inestables que buscan, a través de políticas curriculares,
					hegemonizar y proyectar ideas y acciones aneladas en objetivos y metas que
					privilegian sentidos diversos en el âmbito educativo.</p>
				<p>Entendemos que estamos ante discursos que se estabilizan temporalmente (<xref
						ref-type="bibr" rid="B17">Laclau; Mouffe, 2015</xref>) y se configuran a
					través de las políticas curriculares via proyectos y metas, convirtiéndose en
					una estratégia política a seguir y alcanzar, con metas y plazos establecidos y
					reivindicaciones precariamente universalizadoras y construídas
					antagónicamente.</p>
			</sec>
			<sec sec-type="conclusions">
				<title>Consideraciones finales</title>
				<p>Buscamos analizar y problematizar los discursos que constituyen las políticas
					curriculares en la region iberoamericana que promueven la responsabilización
					docente. Estos discursos se han negociado constantemente en el proceso de
					articulación que involucra a los diferentes Estados-nación de la región.
					Sentidos se producen de manera antagónica a medida que se difunde la defensa de
					la responsabilización de los docentes por el fracaso de sus estudiantes en
					aprender.</p>
				<p>El ciclo continuo de políticas de <xref ref-type="bibr" rid="B3">Ball y Bowe
						(1998)</xref>, acompañado de enfoques discursivos como la Teoria dei
					Discurso de <xref ref-type="bibr" rid="B17">Laclau y Mouffe (2015)</xref>, nos
					ha ayudado a pensar el movimiento de creación y articulación de políticas
					curriculares que se leen en esta discusión como discursos políticos difundidos y
					hegemonizados por la Organización de Estados Iberoamericanos en el campo
					educativo y que constituyen, impactan y complejizan lo social.</p>
				<p>Adernas de interpretar las políticas como influyentes e impactantes en diferentes
					esferas de la sociedad, invertimos en explicar, aunque sea brevemente, la
					ideologia desarrollada y propagada por la OEI a través del análisis textual que
					origino los ejes temáticos discursivos <italic>Visión Común, Idea de
						Futuro</italic> y <italic>Atribución de Responsabilidades.</italic> Estos
					ejes contribuyeron a la organización e identificación de discursos que colaboran
					en la defensa de la responsabilización de los docentes que trabajan en el
					espacio iberoamericano (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Lima, 2018</xref>).</p>
				<p>Asumimos la imposibilidad de incluir todos los sentidos posibles expresados en
					los textos políticos analizados en estas páginas. Nos parece que los preceptos
					colectivos y las acciones cooperativas que se registran de manera enfática en
					los discursos presentados se abandonan y dan paso a sentidos que,
					antagónicamente, individualizan, autorregulan y responsabilizan a la formación y
					al trabajo docente.</p>
				<p>Cuando proponemos una discusión sobre la responsabilización de los docentes, no
					nos posicionamos en defensa de la irresponsabilidad, como tampoco estamos a
					favor de la falta de compromiso de los profesores; más bien argumentamos que
					debemos comprometemos con lo que hacemos. Nuestra crítica se dirige a los nuevos
					sentidos que se están dando a la educación y a los profesores a través de
					discursos que sitúan a los docentes como los únicos responsables del aprendizaje
					de los estudiantes, de un currículo excelente y dei êxito de la educación,
					viéndolos como garantes de su calidad, mientras desconsideran otros factores
					responsables de la efectiva provision de una educación considerada de
					calidad.</p>
				<p>Nuestra apuesta es que podamos entender las políticas curriculares de tal manera
					que la docência, a diferencia de lo que se ha hegemonizado sobre ella, no pase a
					ser concebida como el eslabón responsable dei êxito y/o fracaso de la educación,
					porque creemos que, cuando pensamos la política discursivamente, los discursos
					hegemónicos que la estabilizan no pueden representar un punto final en el
					proceso político (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Soares; Dias,
					2022</xref>).</p>
			</sec>
		</body>
		<back>
			<fn-group>
				<fn fn-type="other" id="fn5">
					<label>1</label>
					<p>El modelo de valor afladido ha sido defendido y cuestionado por
						investigadores en el campo de la educación. Este modelo, utilizado en
						políticas públicas globales, se basa en los resultados del desempeño de los
						estudiantes durante el proceso escolar en pruebas de gran escala, buscando
						relacionarlos con la efectividad dei trabajo de las escuelas y los
						docentes.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn6">
					<label>2</label>
					<p>El término <italic>accountability</italic> no tiene equivalente en português,
						y puede expresar dos conceptos: uno relacionado con la rendición de cuentas
						y otro basado en la idea de responsabilización. El primero se refiere a la
						recaudación legal de impuestos a los ciudadanos para garantizar el
						mantenimiento de las escuelas con recursos públicos y la prestación de una
						educación considerada de calidad. El segundo, ligado al primero, expresa la
						demanda de la población de que la escuela sea directamente responsable de
						los resultados de los estudiantes. Para más información, véase <xref
							ref-type="bibr" rid="B1">Afonso (2009)</xref>.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn7">
					<label>3</label>
					<p>Este plan de acción global orientado al desarrollo sostenible de todos los
						seres humanos y dei planeta fue celebrado en la Conferencia Mundial de las
						Naciones Unidas en septiembre de 2015 (OEI, 2016) y denominado Agenda de
						Educación 2030 y Objetivos de Desarrollo Sostenible (ODS). Véase <ext-link
							ext-link-type="uri"
							xlink:href="https://brasil.un.org/pt-br/91863-agenda-2030-para-o-desenvolvimento-sustent%C3%Alvel"
							>https://brasil.un.org/pt-br/91863-agenda-2030-para-o-desenvolvimento-sustent%C3%Alvel</ext-link>.
						Consultado el: 22 Sep. 2024 a las 15h08min.</p>
				</fn>
			</fn-group>
		</back>
	</sub-article>
</article>
