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	<front>
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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">faeeba</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. FAEEBA - Ed. e
					Contemp.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2358-0194</issn>
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				<publisher-name>Universidade do Estado da Bahia</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi"
				>10.21879/faeeba2358-0194.2025.v34.n77.p224-242</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigo</subject>
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			<title-group>
				<article-title>ORALIDADE NO CURRÍCULO: SILENCIAMENTO FEMININO PROBLEMATIZADO NA
					FORMAÇÃO DOCENTE<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>ORALITY IN THE CURRICULUM: SILENCING FEMALE PROBLEMATIZED IN
						TEACHER EDUCATION</trans-title>
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						<surname>Oliveira</surname>
						<given-names>Danilo Araujo de</given-names>
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						<surname>Magalhães</surname>
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						<surname>Giovannetti</surname>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff3">***</xref>
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				<label>*</label>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal de Minas
					Gerais</institution>
				<email>oliveira.danilo@ufma.br</email>
				<institution content-type="original">Doutor em Educação pela Universidade Federal de
					Minas Gerais. Membro da Associação Brasileira de Currículo, do Grupo de Estudos
					e Pesquisas em Currículos e Culturas (GECC) e do Observatório da Juventude.
					E-mail: oliveira.danilo@ufma.br</institution>
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			<aff id="aff2">
				<label>**</label>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal Fluminense</institution>
				<email>tania.magalhaes95@gmail.com</email>
				<institution content-type="original">Doutora em Estudos Linguísticos pela
					Universidade Federal Fluminense. Grupo de Pesquisa Linguagem, Ensino e Práticas
					Sociais (LEPS/UFJF) e Laboratório brasileiro de oralidade, formação e ensino –
					LABOR. E-mail: tania.magalhaes95@gmail.com</institution>
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				<label>***</label>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal de Minas
					Gerais</institution>
				<email>carolinagiovannetti@hotmail.com</email>
				<institution content-type="original">Mestra e doutoranda em Educação pela
					Universidade Federal de Minas Gerais. Grupos de pesquisa: Centro de Estudos e
					Pesquisas em História da Educação – GEPHE; Ensino Médio em Pesquisa (EMPesquisa)
					e Grupo de Estudos e Pesquisas em Currículos e Culturas da FaE/UFMG (GECC).
					E-mail: carolinagiovannetti@hotmail.com</institution>
			</aff>
			<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
				<day>23</day>
				<month>09</month>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<pub-date publication-format="electronic" date-type="collection">
				<season>Jan-Mar</season>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<volume>34</volume>
			<issue>77</issue>
			<fpage>224</fpage>
			<lpage>242</lpage>
			<history>
				<date date-type="received">
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					<month>09</month>
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				</date>
				<date date-type="accepted">
					<day>07</day>
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					<year>2025</year>
				</date>
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				<license license-type="open-access"
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>Neste artigo<sup>2</sup>, trazemos reflexões para contribuir com as práticas de
					oralidade no currículo escolar, buscando nos alinhar a uma concepção de ensino
					de gêneros orais num viés problematizador. Para tanto, relacionamos o ensino de
					oralidade ao fenômeno do silenciamento, retomando os objetivos do ensino de
					Língua Portuguesa na escola básica, para relacioná-lo às questões de gênero e ao
					silenciamento feminino. Desse modo, buscamos responder quais são os sentidos
					dados à fala nas práticas de oralidade da educação básica construídos por
					ingressantes na universidade. Como percurso metodológicos, realizamos, em 2022,
					uma sessão reflexiva com alunas do 1º período de Pedagogia de uma universidade
					pública, gravada e transcrita para análise. Os dados evidenciam que a
					compreensão das alunas sobre as práticas de oralidade na escola se relaciona ao
					seu silenciamento e à imposição de normas. Como contribuição, mencionamos
					práticas curriculares em resistência a essas normas.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>In this article, we present reflections to contribute to oral practices in the
					school curriculum, seeking to align ourselves with a conception of teaching oral
					genres from a problematizing perspective. To this end, we relate oral teaching
					to the phenomenon of silencing, revisiting the objectives of teaching Portuguese
					in elementary school, to relate it to gender issues and female silencing. To
					this end, we seek to answer what meanings are given to speech in oral practices
					in elementary education constructed by new university students. As a
					methodological approach, in 2022, we held a reflective session with first-year
					Pedagogy students at a public university, which was recorded and transcribed for
					analysis. The data show that the students’ understanding of oral practices in
					school is related to their silencing and the imposition of norms. As a
					contribution, we mention curricular practices in resistance to these norms.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Oralidade</kwd>
				<kwd>Gênero</kwd>
				<kwd>Silenciamento</kwd>
				<kwd>Formação docente</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Orality</kwd>
				<kwd>Gender</kwd>
				<kwd>Silencing</kwd>
				<kwd>Teacher education</kwd>
			</kwd-group>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>O ensino de Língua Portuguesa (LP) na educação básica vem, ao longo de, no mínimo 40
				anos, se transformando no que se refere às concepções que embasam as práticas
				escolares, superando uma perspectiva de decifração de código para alcançar uma
				perspectiva enunciativo-discursiva de linguagem, calcada na análise dos fenômenos
				linguísticos através dos usos sociais e reais da língua e na centralidade do texto
					(<xref ref-type="bibr" rid="B22">Geraldi, 1984</xref>; <xref ref-type="bibr"
					rid="B32">Mendonça, 2006</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B42">Sigiliano,
					2021</xref>). Tais transformações nos levam, ainda hoje, a articular o estudo de
				linguagem a propostas em que os/as alunos/as sejam autores/as do discurso,
				englobando experiências de produções orais e escritas, que substituam as
				classificações de frases isoladas e a repetição acrítica de regras da norma culta,
				muitas vezes não usadas na contemporaneidade.</p>
			<p>Considerando esse deslocamento na compreensão do que seja o ensino de Língua
				Portuguesa, que se assenta nas práticas de leitura, escrita, oralidade e análise
				linguística/semiótica, práticas essas legitimamente reconhecidas pelas teorias do
				ensino de LP, pelos documentos oficiais curriculares, pelos materiais didáticos e
				pelas ações docentes, neste trabalho, contribuímos com reflexões sobre <bold>a
					oralidade na escola</bold> em uma perspectiva pro-blematizadora, buscando
				relacionar o ensino de oralidade ao fenômeno do <bold>silenciamento das
					mulheres.</bold></p>
			<p>De fato, já encontramos certos consensos entre docentes de LP, dentre os quais um dos
				objetivos do ensino é promover a reflexão sobre a língua e desenvolver a
				proficiência (oral e escrita) dos/as estudantes (<xref ref-type="bibr" rid="B38"
					>Rangel, 2010</xref>), calcadas numa educação linguística<xref ref-type="fn"
					rid="fn3">3</xref>. Apesar de os currículos de LP já estarem se organizando em
				práticas de linguagem – leitura, escrita, oralidade e análise linguística/semiótica
				– diferentes pesquisas mostram que a oralidade é o que menos foi pesquisado e
				tematizado em termos de práticas de ensino na escolarização básica (<xref
					ref-type="bibr" rid="B23">Leal; Gois, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr"
					rid="B18">Costa-Maciel, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">Bueno;
					Costa-Hübes, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B29">Magalhães; Cristóvão,
					2018</xref>).</p>
			<p>Felizmente, hoje, já temos um robusto conjunto de trabalhos que trazem contribuições
				sobre como ensinar os gêneros textuais<xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref> orais,
				superando a ideia de que a fala é um dom, mas trazendo diretrizes críticas acerca da
				inserção da oralidade na escola a partir de experiências relevantes calcadas em usos
				sociais da linguagem. Todavia, nesse conjunto, que se volta para a aprendizagem de
				podcasts, seminários, entrevistas, debates, vídeos de divulgação científica, dentre
				outros, encontramos ainda poucas problematizações acerca da relação entre ensino de
				LP, as práticas de ensino do oral e as questões de gênero, o que pretendemos
				evidenciar neste artigo, a fim de alcançar uma ampliação de sentidos para este
				componente curricular da escola atual. A questão orientadora da pesquisa é “quais
				são os sentidos dados à fala nas práticas de oralidade da educação básica
				construídas por graduandas ingres-santes na universidade?”, cuja compreensão foi
				construída a partir de discurso gravado e transcrito em 2022 em uma sessão reflexiva
				com graduandas do 1º período de Pedagogia de uma universidade pública.</p>
			<p>As problematizações aqui desenvolvidas estão relacionadas com uma política de
				currículo implicada com questões de gênero, que propõem deslocamentos de
				compreensões normativas acerca do silenciamento histórico das mulheres. Pretendendo
				ampliar os sentidos do ensino de oralidade em LP, buscamos fazer isso na formação
				docente. Como mostraremos, essas alunas chegam à graduação subjetivadas por
				processos de silenciamento que têm efeitos nos modos como percebem a si mesmas em
				situações de fala. Discussões sobre isso são investimentos para problematizar as
				relações de poder que constituem homens e mulheres de modos específicos na
				sociedade, por exemplo o lugar discursivo destinado às mulheres. Ao mesmo tempo, é
				uma aposta na resistência e na constituição de professoras mulheres que poderão
				construir currículos de oralidade rompendo com as práticas normativas de gênero.</p>
			<p>Na esteira do que afirma Bortolanza (2014, p. 419), “se a história das mulheres é uma
				história de silêncios como afirma <xref ref-type="bibr" rid="B37">Perrot
					(2005)</xref>, isso se repete nas histórias de leitoras”; arriscamos dizer que,
				no que se refere às práticas de oralidade na escola, o silenciamento das mulheres se
				revela nas suas histórias de aprendizagem da fala na educação básica, conforme
				poderemos notar no <italic>corpus</italic> deste trabalho. É preciso pontuar como o
				processo de silenciamento das mulheres ocorre na sociedade atualmente em nossa
				compreensão cujas técnicas de poder são sofisticadas e exercidas de modos diferentes
				em nossa cultura. Dadas as discussões dos movimentos feministas e seu largo alcance
				em diferentes esferas na sociedade, é mais difícil aos homens provocar
				silenciamento, ainda que isso continue acontecendo. Assim, as técnicas se
				ressignificam para o controle sobre os modos de falar: trata-se de imputar domínio,
				fiscalização e limitação aos modos de falar, fundamentados nas normas de gênero,
				como aparecem nos excertos de nossa pesquisa: é preciso falar de certo modo,
				conter-se, não mobilizar vocábulos, dentre outras. Esse controle é demandado pelas
				tecnologias de gênero, cujos efeitos resultam em silenciamento.</p>
			<p>Para alcançar nosso objetivo, trazemos inicialmente considerações sobre o ensino de
				Língua Portuguesa, a oralidade e suas relações com o silenciamento das mulheres. Em
				seguida, apresentamos elementos da metodologia, em que descrevemos brevemente a
				construção de <italic>corpus</italic> com dados oriundos de pesquisa mais ampla.
				Abordamos como as licenciandas compreendem as produções orais na perspectiva de
				gênero, articulando a compreensão da fala com normas generificadas e seus efeitos na
				produção das mulheres em nossa cultura. Por fim, elencamos alguns projetos escolares
				que podem subsidiar a prática docente em busca da construção de um currículo que
				eduque a sociedade para edificar um mundo de mulheres que falam.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>O ensino de Língua Portuguesa e oralidade</title>
			<p>Para pensar em um currículo para o ensino de Língua Portuguesa na escola básica,
				atualmente ultrapassamos o objetivo de selecionar conteúdos gramaticais. O ensino de
				LP na atualidade, embasado em uma perspectiva enunciativo-discursiva, articula-se ao
				intento maior de formar o/a estudante para as vivências cidadãs (<xref
					ref-type="bibr" rid="B38">Rangel, 2010</xref>). Para tanto, compreendemos que
				entre os direitos do/a cidadão/ã está “[...] o de poder participar das várias
				instâncias e funções envolvidas no trato da ‘coisa pública’, exatamente aquelas que
				garantem a autonomia política de uma sociedade e lhe determinam rumos a serem
				seguidos [...]” (<xref ref-type="bibr" rid="B38">Rangel, 2010, p. 183</xref>).
				Segundo o autor, se não fizermos isso, seremos cidadãos/ãs no papel. Para exercer
				essa “[...] cidadania plena – com o <bold>efetivo exercício de direitos e
					deveres</bold> formalmente estabelecidos e reconhecidos [...]” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B38">Rangel, 2010, p. 183</xref>, grifo do autor), o
				pesquisador propõe que escola pública – uma das instituições responsáveis por formar
				esse/a cidadão/ã abstrato das leis – se volte para a apropriação, pelos/as
				estudantes, de uma herança cultural comum, que só se constitui “[...] em meio a
				diferenças de todo tipo – gênero, cor, etnia, condição social etc [...]” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B38">Rangel, 2010, p. 184</xref>). Uma adequada educação
				dos/as estudantes para um convívio democrático, ainda segundo o autor, envolve o
				reconhecimento dos direitos e deveres do/a cidadão/ã e as bases do funcionamento da
				sociedade. É nessa abordagem que envolvemos a língua, como herança cultural a que
				todos/as têm direito a aprender.</p>
			<p>Para o/a aluno/a atuar socialmente pela linguagem em diferentes instâncias, o ensino
				de Língua Portuguesa, então, deve proporcionar, segundo <xref ref-type="bibr"
					rid="B38">Rangel (2010)</xref>, o desenvolvimento 1) da <bold>proficiência
					oral</bold> assentada em situações próprias da esfera pública; 2) das
				habilidades de <bold>leitura</bold> e <bold>escrita,</bold> que permitam a inserção
				social em diferentes esferas do discurso; 3) da capacidade de <bold>reflexão</bold>
				sobre a língua, o que leva ao monitoramento do próprio discurso e à compreensão dos
				usos da linguagem em diferentes situações comunicativas; 4) de um conjunto de
					<bold>conhecimentos</bold> sobre a língua e a linguagem “capaz de evitar crenças
				infundadas e de motivar a construção de atitudes e valores éticos bem fundados”
					(<xref ref-type="bibr" rid="B38">Rangel, 2010, p. 185</xref>, grifo nosso).</p>
			<p>Essas proposições nos parecem articuladas às perspectivas mais contemporâneas de
				currículo (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Macedo, 2006</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B27">Macedo, 2017</xref>), porque promovem novos diálogos
				com política, cultura e poder. Associada a essa concepção, assumimos a perspectiva
				de que a língua não é ensinada e aprendida descolada dos sujeitos, das práticas
				sociais, das questões políticas, econômicas e históricas. Desse modo, abrimos espaço
				para resistências e inovações para o campo das pesquisas no eixo da oralidade no
				ensino, o menos abordado se comparado aos eixos da leitura, da escrita e da análise
				linguística (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Bentes, 2010</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B24">Leal; Gois, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr"
					rid="B29">Magalhães, Cristóvão, 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B14"
					>Bueno; Zani; Jacob, 2022</xref>).</p>
			<p>Do mesmo ponto de vista político em que <xref ref-type="bibr" rid="B38">Rangel
					(2010)</xref> aloca o ensino de LP, <xref ref-type="bibr" rid="B10">Bentes
					(2011)</xref> defende que, em uma sociedade que toma para si o rótulo de
				democrática, as práticas orientadas de oralidade escolares necessitam de embasamento
				“nos princípios de igualdade de todos[as] perante a lei, da liberdade de expressão e
				da fraternidade de uns [umas] para com os [as] outros [as]” (<xref ref-type="bibr"
					rid="B10">Bentes, 2011, p. 41</xref>). Em uma discussão que articula oralidade,
				política e direitos humanos, a autora retoma o direito à educação traçando
				diretrizes que auxiliam os/as docentes a ressignificar suas ações, englobando a
				natureza pública e política das práticas orais em que possamos enfocar a formação de
				“pessoas a serem mais solidárias, tolerantes, sem, no entanto, perder a capacidade
				crítica e de indignação com relação às injustiças sociais” (<xref ref-type="bibr"
					rid="B10">Bentes, 2011, p. 41</xref>).</p>
			<p>Neste enfoque, as práticas de oralidade na escola envolvem, segundo <xref
					ref-type="bibr" rid="B44">Storto e Fonteque (2021)</xref>, Leal, Brandão e Lima
				(2011), <xref ref-type="bibr" rid="B9">Bentes (2010)</xref> e Schneuwly; Dolz
				(2004), a escolha de gêneros orais da esfera pública de interação, como entrevistas,
				seminários, debates, pod-casts, vídeos de divulgação científica, palestras, aulas,
				encenações teatrais, apresentação de pôster, tutorials, que citamos aqui apenas a
				título de exemplo. Os gêneros textuais orais são sugeridos, desde a década de 90
					(<xref ref-type="bibr" rid="B30">Marcuschi, 1996</xref>; <xref ref-type="bibr"
					rid="B7">Brasil, 1998</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B6">Brasil,
				2018</xref>), como conteúdos escolares relevantes em programas e manuais didáticos,
				o que não conseguimos, ainda, incorporar crítica e efetivamente na educação básica
				brasileira. Nessas situações, pretendemos que os/as estudantes</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] saibam não apenas ‘se comportar’ em interações públicas, mas que tenham de
					fato incorporado (...) um profundo respeito por seu[sua] interlocutorfa] como
					pessoa humana, que nada ter a ver com ‘boas maneiras’ mas como um modo de ver e
					de pensar a si mesmo e o mundo social ao seu redor (<xref ref-type="bibr"
						rid="B10">Bentes, 2011, p. 53</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>Concebendo oralidade como prática social e fala como modalidade de uso da língua
					(<xref ref-type="bibr" rid="B31">Marcuschi, 2001</xref>), a abordagem da
				oralidade na escola envolve o reconhecimento e a descrição dos gêneros textuais
				orais, a análise da fala a partir de atividades de escuta/compreensão e a reflexão
				sobre a fala em relação aos/às participantes, aos objetivos comunicativos e aos
				aspectos multimodals<xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref>, como gestos, expressões
				faciais e corporais, sons e ruídos, ambiente e vestimentas, dentre outras.
				Questionamentos semelhantes a “como esses elementos contribuem para construirmos
				sentido para a fala?” são essenciais. Em relação às produções orais, é necessária,
				após a análise, uma preparação dos estudantes que envolva a seleção de informações
				adequadas ao público, o domínio do tema, a elaboração de roteiros que darão suporte
				à fala, os ensaios prévios, gravados ou não, em que há um efetivo exercício do oral,
				a fim de que a fala seja fluente, e o/a estudante demostre segurança na interação.
				Além disso, o/a produtor/a pode refletir sobre como as expressões faciais e
				corporais, assim como tom de voz, velocidade e demais elementos não-verbais da
				oralidade compõem o sentido que se pretende alcançar.</p>
			<p>Como vemos, nessas análises, oriundas dos estudos de linguagem que influenciam as
				práticas escolares, as observações acerca dos fenômenos da fala são feitas com base
				nos efeitos de sentido que esses elementos produzem. Em outras palavras, esse tipo
				de análise dialoga com o que <xref ref-type="bibr" rid="B11">Bronckart (1999, p.
					42)</xref> afirma ao dizer que, em nosso agir comunicativo, produzimos
				diferentes “formas semiotizadas” atravessadas por saberes comuns a um grupo. Isso
				significa dizer que a linguagem é impregnada de significados construídos por uma
				coletividade. As significações que criamos para as produções orais e escritas
				encontram-se, então, intimamente relacionadas ao mundo social que integramos.</p>
			<p>Dos estudos brasileiros sobre a fala, retomamos uma referência central, Ataliba de
				Castilho, que desenvolveu projetos como a Gramática do Português Falado. Segundo
					<xref ref-type="bibr" rid="B17">Castilho (2021)</xref>, tal projeto resultou em
				7 volumes publicados, em que uma série de fenômenos típicos da modalidade falada
				foram estudados. Essas pesquisas enriqueceram a Linguística desde a década de 60,
				pesquisas essas que influenciam os estudos de linguagem até hoje. É nessas
				investigações que as práticas de oralidade na escola se fundamentam, articuladas às
				correntes de análise dos gêneros textuais nas quais o ensino de LP se assenta. A
				título apenas de exemplificação, citamos uma série de fenômenos da língua, como
				hesitação, correção, paráfrases, repetição, silêncio, reparo, piso conversacional,
				turno, tópico conversacional, estrutura de participação, enquadre, polidez, dentre
				outros, analisados por correntes/perspectivas teóricas diversificadas<xref
					ref-type="fn" rid="fn6">6</xref>.</p>
			<p>Desses fenômenos, o silêncio, ou o não-dizer, pode significar desconhecimento,
				recusa, polidez, discordância, reforço do que foi dito antes, constrangimento...
				dentre tantas outras possibilidades, compreensíveis somente na análise das
				interações orais, a partir da articulação com os elementos multimodals acima
				elencados. A esse respeito, <xref ref-type="bibr" rid="B20">Ferrarezi Jr., em sua
					obra <italic>Pedagogia do silenciamento</italic> (2014)</xref>, traz
				questionamentos sobre os currículos silenciosos que não revelam apenas o
					<bold>silêncio da boca,</bold> mas um viés mais amplo: do aluno que pouco
				aprendeu a falar, a escrever e a ouvir. <xref ref-type="bibr" rid="B16">Carvalho e
					Ferrarezi (2018)</xref>, defendendo um desenvolvimento de habilidades de falar,
				ler, escrever e ouvir, se opõem a uma escola que silencia. Assim, nos incitam a
				pensar no ensino de oralidade na escola a partir da seguinte proposição:</p>
			<disp-quote>
				<p>É essa escola silenciadora que educa nossos filhos e filhas no Brasil que,
					depois, quer que os [as] alunos [as] recitem poesias no sarau do Dia do Livro.
					Aí a meninada fala “para dentro”, gagueja, treme as pernas, não sabe se
					expressar e os outros riem. A escola olha e diz: “São pequenos, um dia eles
					aprendem”. E tudo fica do tamanho que está, mas com mais gente que tem medo de
					falar e que não sabe ouvir. Infelizmente, não aprenderão se não lhes for
					ensinado (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Carvalho; Ferrarezi, 2018, p.
						23</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>A complexidade dos gêneros orais envolve os diferentes fenômenos acima elencados,
				inclusive o silencio, sobre o qual é preciso pensar e problematizar. Contra a ideia
				de que a fala não precisaria ser ensinada, uma vez que os/as estudantes já saberiam
				falar quando entram na escola e na universidade, precisamos conhecer procedimentos
				de ensino precisos e claros, em vista da apropriação dos gêneros textuais da
				oralidade para atuação social em diferentes contextos. Em outras palavras, “as
				competências mais complexas da oralidade demandam ensino formal e sistemático: não
				são ‘dom’ que qualquer um vai receber magicamente quando ficar mais velho” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B16">Carvalho; Ferrarezi, 2018, p. 23</xref>).</p>
			<p>Sendo assim, articulamos as práticas de oralidade na escola aos estudos de gênero,
				relacionados a um viés problematizador do ensino, particularizando o silêncio. Para
				Michelle Perrot, “o silêncio é o comum das mulheres” (<xref ref-type="bibr"
					rid="B37">Perrot, 2005, p. 9</xref>), discussão que aprofundaremos na seção
				seguinte.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>O processo de siLenciamento das mulheres</title>
			<p>As práticas de oralidade na escola possibilitam mais uma forma de desenvolvimento que
				os/as estudantes podem alcançar: a capacidade de falar em diferentes esferas
				comunicativas (escolar, científica, artística, política, jornalística, familiar,
				dentre outras). Para <xref ref-type="bibr" rid="B12">Bronckart (2006)</xref>, a
				complexa apropriação dos gêneros de texto em práticas situadas de linguagem permite
				a participação em atividades coletivas, constituindo-se um mecanismo de socialização
				nas interações humanas. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B11">Bronckart
					(1999)</xref>, o gênero de texto</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] adotado para realizar a ação de linguagem deverá ser eficaz em relação ao
					objetivo visado, deverá ser apropriado aos valores do lugar social implicado e
					aos papeis que este gera e, enfim, deverá contribuir para promover a ‘imagem de
					si’ que o agente submete à avaliação social de sua ação (<xref ref-type="bibr"
						rid="B11">Bronckart, 1999, p. 102</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>Como só interagimos por meio de gêneros textuais, é sobre a imagem de produtor/a
				desses gêneros orais submetida à avaliação social que calcamos nossas reflexões: que
				imagens foram construídas para as mulheres ao longo da história nas produções orais
				públicas? Como o processo de relegar as mulheres ao lugar do silenciamento foi
				construído?</p>
			<p>O silêncio da palavra, da argumentação, da posição política e das análises históricas
				é muito peculiar às mulheres. “O silêncio é um mandamento reiterado através dos
				séculos pelas religiões, pelos sistemas políticos e pelos manuais de comportamento”
					(<xref ref-type="bibr" rid="B37">Perrot, 2005, p. 9</xref>). Às mulheres é
				atribuído o papel de “aceitar, conformar-se, obedecer, submeter-se e calar-se. Pois
				este silêncio, imposto pela ordem simbólica, não é somente o silêncio da fala, mas
				também o da expressão, gestual ou escriturária” (<xref ref-type="bibr" rid="B37"
					>Perrot, 2005, p. 10</xref>).</p>
			<p>No contexto das relações de poder e dominação, as diferenças sociais entre homens e
				mulheres, construídas ao longo da história e mantidas por relações que silenciam
				pessoas, foram transformadas em hierarquias de pessoas e em histórias únicas. “A
				consequência da história única é esta: ela rouba a dignidade das pessoas. Torna
				difícil o reconhecimento da nossa humanidade em comum. Enfatiza como somos
				diferentes, e não como somos parecidos” (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Adichie,
					2019, p. 23</xref>).</p>
			<p>Para Michelle <xref ref-type="bibr" rid="B36">Perrot (2017)</xref>, devido ao fato de
				as mulheres estarem, muitas vezes, ligadas ao ambiente doméstico, “[...] são menos
				vistas no espaço público, o único que por muito tempo, merecia interesse e relato.
				[...] São invisíveis. Em muitas sociedades, sua invisibilidade e seu silêncio fazem
				parte da ordem das coisas. É a garantia de uma cidade tranquila” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B36">Perrot, 2017, p. 16-17</xref>), afirmando a manutenção
				do <italic>status quo.</italic> Sua fala em público é questionada, menosprezada,
				reduzida, interpelada ou deslegitimada. Nesse sentido,</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] porque elas aparecem menos no espaço público, objeto maior da observação e
					da narrativa, fala-se pouco delas e ainda menos caso quem faça o relato seja um
					homem que se acomoda com uma costumeira ausência, serve-se de um masculino
					universal, de estereótipos globalizantes ou da suposta unicidade de um gênero: a
					mulher (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Perrot, 2005, p. 11</xref>)</p>
			</disp-quote>
			<p>Assim, a ideia de masculino universal é uma tecnologia de gênero, que silencia as
				mulheres em dados estatísticos, em arquivos, nos currículos escolares, na política e
				também na linguagem. O mundo da política, em consonância com outras esferas de
				poder, mantém o silenciamento feminino. A historiadora Mary <xref ref-type="bibr"
					rid="B8">Beard (2018)</xref> informa que as mulheres, ao longo da história
				ocidental, tiveram suas falas em público censuradas, havendo uma ampla discussão
				baseada em mitos, principalmente na Antiguidade Clássica, que traz essa noção de
				incompletude da mulher em relação ao espaço público. Neste contexto, podemos afirmar
				que “[...] mulheres que reivindicam voz pública são tratadas como aberrações
				andróginas” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Beard, 2018, p. 32</xref>).</p>
			<p>Nessa perspectiva, <xref ref-type="bibr" rid="B40">Schwarcz (2019)</xref> afirma que
				o mundo da política confirma a realidade do dia a dia: “[...] ele é feito de uma
				atitude, antiga e consolidada entre nós, de buscar tornar inexpressiva, quando não
				quase inexistente, a presença de mulheres nas principais instituições do país”
					(<xref ref-type="bibr" rid="B40">Schwarcz, 2019, p. 187</xref>). Há muitas
				formas de desqualificar as mulheres e silenciá-las com a deslegitimação da fala,
				seja nas esferas institucionais de governo, seja nas relações de poder que
				constituem os currículos e os saberes escolares, esferas nas quais os gêneros de
				texto orais e escritos são os mediadores da interação. Nesse contexto,</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] quanto mais as mulheres vão conseguindo impor sua independência e
					autonomia, tanto maior tem sido a reação masculina e as demonstrações de
					misoginia. Enquanto isso, o domínio dos homens na cena pública é indiscutível.
					Um bom exemplo é a escassa presença de mulheres na vida política. Terminadas as
					eleições de 2018, temos apenas 55 mulheres entre 513 deputados federais,
					totalizando 10,7% das cadeiras (<xref ref-type="bibr" rid="B40">Schwarcz, 2019,
						p. 187</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>As mulheres são maioria da população brasileira, mas na escala de poder elas vão
				“sumindo”, pois têm reduzida participação política nos cargos de decisão, nas
				cadeiras do legislativo. Tais ações discriminatórias e atitudes cotidianas são
				perceptíveis à nossa cultura, “[...] à nossa linguagem e milênios de história. E,
				quando pensamos na subrepresentação das mulheres na política nacional e seu relativo
				silêncio em esfera pública. [...] Precisamos nos concentrar em problemáticas ainda
				mais fundamentais [...]” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Beard, 2018, p. 42</xref>),
				relacionadas a como aprendemos a ouvir as propostas das mulheres, mas também a
				“[...] como podemos nos tornar mais conscientes de processos e preconceitos que
				fazem com que não as escutemos” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Beard, 2018, p.
					44</xref>) e não validemos suas vozes, suas histórias. Como consequência disso,
				as mulheres ainda são vistas como não participantes da esfera da vida pública. É
				nessa perspectiva que podemos refletir sobre o ensino de oralidade em um viés
				crítico, conforme anunciou <xref ref-type="bibr" rid="B38">Rangel (2010)</xref>, em
				que compreendemos o silêncio a partir das relações de poder.</p>
			<p>Esse silêncio é produzido pelas relações de poder que organizam a sociedade e os
				espaços sociais que determinados grupos devem ocupar ou ser interditados. Aceitar,
				submeter e permanecer em silêncio são condutas produzidas dentro da cultura. Para
				Michel <xref ref-type="bibr" rid="B21">Foucault (2007)</xref>, o sujeito não
				preexiste nos acontecimentos, mas constitui-se nas ações e em redes de disputas, as
				quais vivência. Ele problematiza as formas contemporâneas de produção da
				subjetividade e entende que o Estado investe, em grande medida, no controle da vida
				das pessoas, de suas ações, condutas e crenças. As interpelações e sujeições de
				gênero são, nesse contexto, uma forma de estabelecer essas relações e de perpetuar
				certos arcabouços culturais e sociais; o uso da linguagem revela tais relações, como
				demonstraremos na apreciação dos dados em seguida. Desse modo, os silêncios das
				mulheres nos ambientes educacionais configuram-se através dessas relações,
				organizando o que pode, ou não, ser dito, divulgado e estudado.</p>
			<p>Ser mulher é uma dimensão marcada por assimetrias nas práticas culturais, econômicas,
				políticas e educacionais, mas também por espaços de resistência, força e luta por
				uma sociedade igualitária nas relações de gênero. Assim, as práticas machistas que
				coíbem, que podam e que limitam as mulheres a uma determinada performance de gênero
				e que, muitas vezes, impedem a atuação das mulheres no espaço público, concorrem com
				o discurso que demanda que as mulheres sejam produtivas, proativas e tenham
				capacitação profissional. Nesse sentido, há uma luta constante de resistência contra
				as normas de gênero que regulam e governam suas condutas no âmbito social, inclusive
				o uso da fala, ao mesmo tempo em que há uma luta em prol da vivência de outros
				modos, outras linguagens e possibilidades, baseada na criação de diversas formas de
				ser mulher.</p>
			<p>Faz-se necessário, a partir dessa conjuntura, debater e dar visibilidade às vozes das
				mulheres, ainda silenciadas e sem apoio. Destacamos que “[...] gênero tem a ver com
				o modo como mulheres e homens se relacionam socialmente entre si, tem a ver com os
				distintos papeis que lhes são atribuídos culturalmente” (<xref ref-type="bibr"
					rid="B2">Amorim; Salej, 2016, p. 37</xref>). Gênero cria uma norma social,
				estabelecendo comparações, julgamentos, organizações sociais, intrinsecamente
				ligadas às relações de poder, resultando na coerção de seus modos de falar. A norma,
				para Guacira Lopes <xref ref-type="bibr" rid="B25">Louro (2008, p. 22)</xref>,
				“[...] não emana de um único lugar, não é enunciada por um soberano, mas, em vez
				disso, está em toda a parte. Expressa-se por meio de recomendações repetidas e
				observadas cotidianamente, que servem de referência a todos.”</p>
			<p>O que podemos fazer para enfrentar as normas é perguntar acerca de sua produção. Em
				relação a isso, na direção de um ensino que deve desfazer mitos e rebater
				preconceitos em termos de uso da língua (<xref ref-type="bibr" rid="B38">Rangel,
					2010</xref>), citamos as reflexões de Othero, autor da obra <italic>Mitos de
					linguagem,</italic> publicada em 2017. Nela, um dos mitos rebatidos<xref
					ref-type="fn" rid="fn7">7</xref> é que “as mulheres falam demais”, afirmativa
				que não tem embasamento científico. Ao contrário, o que o autor revela é que “os
				homens – sim, os homens – têm a tendência a falar mais, especialmente em situações
				públicas, formais, situações em que a posse do turno de fala represente algum tipo
				de <italic>status”</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Othero, 2017, p.
					20</xref>). Baseado em diferentes pesquisas, ele assevera que os homens têm a
				tendência de monopolizar a fala em situações públicas, o que é feito acionando
				diferentes estratégias.</p>
			<p>Ao trazer perspectivas históricas sobre o processo de silenciamento das mulheres,
				mencionamos esta construção não sem resistência, porque muitas delas elevaram sua
				voz e se colocaram contra todo um sistema que queria exercer modos variados de
				coerção, subjugação e dominação. Resquícios de uma cultura patriarcal e machista
				ainda são presentes por meio de técnicas de poder e controle que resultam em
				silenciamento. É o que vamos mostrar ao mobilizar excertos da sessão reflexiva feita
				com mulheres estudantes de uma universidade pública, selecionados em uma pesquisa
				que passamos a descrever.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>Aspectos metodológicos</title>
			<p>Os dados oriundos deste artigo constituem um <italic>corpus</italic> de pesquisa mais
				ampla, cujo objetivo é analisar práticas de oralidade e ensino de gêneros orais na
					universidade<xref ref-type="fn" rid="fn8">8</xref>, com vistas a mapear as
				adversidades e os obstáculos no eixo da oralidade em contexto
				acadêmico/universitário. Nesse projeto, coadunamos com o enfrentamento das
				problemáticas do uso social da linguagem, em pesquisas articuladas à ideia de que “o
				sucesso nas interações linguageiras pode, certamente, contribuir para a manutenção
				dos[as] jovens na graduação, diminuindo os altos índices de evasão” (Bueno; Zani;
				Jacob, 2021, p. 1501).</p>
			<p>Compreendemos que o domínio da leitura, da escrita e da fala são indispensáveis para
				que os/as alunos/as permaneçam na universidade. Investindo nessa premissa, temos
				desenvolvido estudos, articulados a área mais amplas que inserem os estudos de
				linguagem na escola e na universidade, que se dedicam à investigação sobre as causas
				dos desafios persistentes de uso da fala, da escrita e da leitura, assim como em
				ações de intervenção escolar e acadêmicas para buscar superá-los. A título de
				exemplo, citamos <xref ref-type="bibr" rid="B34">Pan e Litenski (2018)</xref>: eles
				asseguram que os estudantes, ao ingressarem na universidade, costumam ter numerosas
				dificuldades com a linguagem acadêmica, resultando em avaliações negativas sobre si
				mesmos:</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] os discursos de identidade que configuram as práticas de leitura e escrita
					operam sob o signo da competência/incompetência acarretando modos de produção
					subjetiva que remetem à individualização e culpabilização pelas dificuldades com
					a escrita científica. (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Pan; Litenski, 2018, p.
						1</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>Intervir nessas dificuldades, então, é um compromisso que os/as formadores/as devem
				ter com as licenciandas. Sob o ponto de vista social da linguagem, neste trabalho,
				compreendemos <bold>quais são os sentidos dados à fala nas práticas de oralidade da
					educação básica construídas por graduandas ingres-santes na universidade.</bold>
				A fim de possibilitar a “disponibilização de um espaço interativo em que uma
				diversidade de vozes sociais seja mobilizada” (<xref ref-type="bibr" rid="B43"
					>Silva; Gonçalves, 2014, p. 54</xref>), realizamos uma sessão reflexiva em junho
				de 2022, com alunas de Pedagogia de uma universidade pública brasileira. Estavam na
				sala a 2ª autora deste artigo (professora), 35 estudantes de 1º período de Pedagogia
				e três bolsistas<xref ref-type="fn" rid="fn9">9</xref>. As licenciandas haviam
				ingressado na universidade em março daquele ano. Em outro trabalho, discutimos as
				concepções trazidas por elas sobre o seminário na escola e o seminário produzido na
				universidade naquele mesmo período; nesse âmbito, envolvemos uma desconstrução de
				crenças sobre o que é o gênero seminário, sobre as estratégias para o estudo e
				produção deste gênero oral, sobre a ideia de que “o professor não quer dar aula”,
				assim como investimos na noção de que falar bem não é dom, nem uma habilidade inata,
				mas pode ser desenvolvida: todos podem aprender a falar em contexto acadêmico,
				superando os desafios na apropriação desse discurso.</p>
			<p>Na construção de <italic>corpus,</italic> foram elaborados diários de campo pelas
				três bolsistas colaboradoras durante a discussão – não usados neste trabalho; a
				sessão foi gravada e posteriormente transcrita para fins de análise, em que buscamos
				compreender as concepções das licenciandas sobre sua produção orais em contexto
				acadêmico e escolar, que passamos a descrever em seguida.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A oralidade e as relações de gênero na produção de mulheres</title>
			<p>Como afirmado na introdução, existe uma certa sofisticação sobre o processo de
				silenciamento das mulheres na contemporaneidade. O controle sobre os modos de falar
				causa inibição, intimidação e vergonha, coibindo, dificultando e interditando as
				mulheres a falarem com liberdade e empoderamento. O silenciamento não é mais
				ausência de som, mas um <bold>fazer calar</bold> com modos de falar que não são
				autorizados dentro das regras de gênero hierarquizadas, definindo os lugares que
				devem ser ocupados por homens e mulheres em nossa cultura. Assim, pensamos ser
				necessário problematizar essas técnicas sofisticadas de poder, mostrando como elas
				são produzidas e como podem ser desconstruídas.</p>
			<p>As interpelações de gênero são constantemente direcionadas aos sujeitos, porque suas
				normas precisam ser reiteradas para ganhar efeito de verdade. Na oralidade, há modos
				específicos de atuação das normas de gênero, uma vez que para produzir homens e
				mulheres em conformidade com tais normas, a voz é um elemento imprescindível. Em
				outras palavras, podemos afirmar que a voz é um complexo dispositivo responsável
				pelos modos de constituição de homens e mulheres, de modos específicos em uma
				determinada cultura. Somos ensinados a falar de determinados modos a depender do
				gênero com que nos identificamos, já que regras atuam regulando <bold>se</bold> e
					<bold>como</bold> podemos dizer a partir dessa identificação. Essas regras
				preconizam modos de ser e de viver, sob uma égide de naturalidade do esquema linear
				de correspondência sexo/gênero (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Butler,
				2003</xref>).</p>
			<p>Abaixo, destacamos alguns excertos<xref ref-type="fn" rid="fn10">10</xref> da nossa
				sessão, nos quais podemos entender como as mulheres vão sendo controladas por meio
				da voz, sendo ensinadas a falar de determinados modos. Durante a sessão reflexiva,
				perguntamos às alunas se elas haviam vivenciado experiências escolares de produção
				de gêneros orais. As respostas positivas envolviam seminários (apresentação de
				trabalho, nome dado ao seminário na escola), debates e entrevistas. Além disso,
				questionamos como seus/suas docentes haviam conduzido as atividades: se refletiam
				sobre os gêneros textuais solicitados, se ajudavam a selecionar e hierarquizar os
				conteúdos, se os auxiliavam a construir os suportes (roteiros,
					<italic>slides,</italic> dentre outros) e se avaliavam questões para além do
				conteúdo, usando os elementos multimodals mencionados na seção teórica; todo esse
				processo é necessário no desenvolvimento da oralidade ao longo da escolarização, e a
				mediação docente é fundamental para isso. Dentre as muitas respostas negativas
				acerca da preparação e da avaliação mais organizadas e acompanhadas, percebemos que
				havia pouca reflexão sobre o uso da língua, com ênfase apenas na solicitação das
				tarefas orais. É nessas respostas que o silenciamento desponta como formas de
				controle e norma sobre suas falas, como veremos a seguir:</p>
			<disp-quote>
				<p><bold>Excerto 1</bold></p>
				<p>A<xref ref-type="fn" rid="fn11">11</xref>2: Fala igual mocinha.</p>
				<p><bold>Excerto 2</bold></p>
				<p>A3: Ri baixo, você ri muito escandaloso.</p>
			</disp-quote>
			<p>Ao lançar a pergunta sobre as vivências no uso da voz, as estudantes rememoram que já
				lhes foi demandado que falassem <bold>igual mocinha</bold> e fizeram avaliações
				acerca do modo como uma delas ria. A interpelação de caráter injuntivo, ao ser
				contextualizada em uma cultura generificada, demanda comportamentos específicos de
				se constituir mulher na escola. Assim, a ordem precisa, com suas exigências, demanda
				que a capacidade de falar esteja em conformidade com a fala de uma
					<bold>mocinha.</bold> O próprio vocábulo <bold>mocinha</bold> parece estar
				associado à ideia de fragilidade, talvez até meiguice. Desse modo, se perguntássemos
				“como fala uma mocinha?”, que respostas poderíamos mobilizar ou que memória acerca
				disso elas poderiam ter para aprender a falar como uma mocinha?</p>
			<p>Dizer que alguém deve <bold>falar igual</bold> é afirmar uma homogeneização, um modo
				como todas as mocinhas falam, o que exclui da cultura outros modos de ser mocinha.
				Nesse sentido, a voz é um dos elementos de constituição do gênero, não o único,
				porque antes da voz há um modo de ser mocinha construído pelo gênero que diz o que é
				ser mocinha.</p>
			<p>Além de discutirmos, no ensino de oralidade, que o tom de voz tem significados que
				podem ajudar a alcançar um objetivo – numa palestra, numa sala de aula ou em um
				vídeo, por exemplo –, a categoria gênero permite pensar as relações sociais entre
				homens e mulheres, relações essas historicamente construídas em uma sociedade cujas
				identidades são sociais (<xref ref-type="bibr" rid="B41">Scott, 1995</xref>). Há um
				reconhecimento de que a voz é um elemento substancial na constituição para a
					<bold>produção da mocinha;</bold> por isso, há a necessidade de uma correção. Há
				entre os interagentes uma compreensão coletiva das regras em circulação na cultura,
				pois não se diz como uma mocinha deve falar, mas se demanda que ela fale como tal.
				Nesse processo, institui-se, por exemplo, o que pode ser falado, o modo de agir e de
				se portar, o que é permitido e o que é interditado, e as estudantes percebem essas
				normas como imposição de saberes e conhecimentos.</p>
			<p>Entretanto, essa produção não é de via única. Uma vez que os modos de constituição de
				sujeitos acontecem em um território de disputas, há sempre os escapes, as
				resistências, que constituem também as relações de poder (<xref ref-type="bibr"
					rid="B21">Foucault, 2007</xref>). O direcionamento e a regulação, demandando um
				determinado modo de falar, é uma forma de enfrentamento aos outros modos que não
				estão coerentes com o que se preconiza como próprio de <bold>mocinha</bold> naquela
				cultura. Se houve essa demanda, é porque estava ocorrendo alguma transgressão de
				gênero. Uma <bold>outra mocinha</bold> em processo de construção de si foi acionada,
				um outro jeito de ser mocinha que não o daquela mocinha que aparece na sessão
				reflexiva. Era preciso falar igual <bold>[aquela]</bold> mocinha em específico,
				anulando e/ou silenciando outros modos de dizer, não reconhecidos e não
				inteligíveis. A partir de uma única resposta, podemos construir com as licenciandas
				embasamento para uma <bold>educação linguística,</bold> como propõem <xref
					ref-type="bibr" rid="B4">Bagno e Rangel (2005)</xref>, na escola básica, visando
				romper com as normas.</p>
			<p>Outro aspecto relevante é o riso, um componente da voz que também é alvo de controle.
				O excerto 2 mostra uma demanda para que a aluna <bold>contenha o riso.</bold> A
				solicitação para rir baixo é uma forma de disciplinar o corpo feminino, de dar a ela
				um lugar para ocupar, um modo de se constituir para não ocupar um lugar do
				escândalo. Rir alto é provocar desordem, alvoroço e balbúrdia nas normas de gênero,
				desassociado aos ditames do ser mocinha. É preciso, portanto, ser mais discreta,
				retraída, reservada, serena, o que é possível com o riso mais baixo. Com isso,
				produzem-se modos específicos de ser mulher, pautados em uma oralidade generificada,
				densa de normas, que controlam como elas devem falar, seja em eventos como os
				seminários e os debates, seja em outras instâncias de produção oral conforme
				discutimos na sessão, para além da escola.</p>
			<p>Como uma sociedade construída e fundamentada no binarismo, os direcionamentos opostos
				são endereçados a meninos e homens, visando conformá-los ao seu gênero. Dito de
				outro modo, se há um modo de mocinha falar, há também um modo de meninos falarem
				para se constituírem como homem. A voz grossa e grave, com uma entoação que traduza
				o poder de fala conferido aos homens, é requisitada a eles. Nos questionamos, sobre
				o riso, se meninos passariam pela mesma interdição e intimidação direcionadas às
				mulheres, o que seria uma boa discussão com estudantes da escola básica. Uma outra
				advertência apareceu em nossas entrevistas conferindo um lugar específico para
				mulheres por meio da oralidade:</p>
			<disp-quote>
				<p><bold>Excerto 3</bold></p>
				<p>A4: [...] E tipo assim, eu sempre passei muito por isso, porque eu gosto muito de
					futebol e tudo mais. E eu escutei milhões de vezes: “<bold>Você xinga igual
						moleque.” É só moleque que xinga?</bold> Eu não posso xingar? Esse negócio
					de futebol eu acho que é muito presente para mim, porque tipo assim, quando
					chegava o final de semana, ficavam os homens vendo futebol na sala, gritavam
					loucamente, xingavam o juiz, xingavam o goleiro e tal. E aí eu não gostava de
					futebol quando eu era criança, passei a gostar de futebol durante a pandemia. Aí
					quando eu comecei a assistir futebol, todo mundo me julgava, quando eu ficava
					empolgada com o jogo, <bold>se eu brigava,</bold> tudo isso. Mas quando era o
					meu pai gritando, quando era o meu tio gritando, ninguém falava nada.</p>
			</disp-quote>
			<p>No excerto acima, uma estudante, ao mencionar gostar de futebol e, nesse meio, gostar
				de xingar e brigar, afirmou ter sido julgada pela semelhança à atitude de um
					<bold>moleque,</bold> ocupando, desse modo, uma posição interditada de sujeito,
				ou para usar vocábulos dessa linguagem futebolística, impedida. Na linha da metáfora
				do futebol e suas regras generificadas e machistas, precisamos também questionar
				essa arbitragem que determina lugares específicos aos homens e mulheres, até mesmo
				quando eles e elas são torcedores/as. Essa problematização deve ser constitutiva do
				ensino de oralidade, o que possibilita associar as reflexões sobre as produções
				faladas aos conhecimentos prévios que alunas/os trazem de suas vivências e espaços
				de sociabilidade.</p>
			<p>Isso quer dizer que é preciso mobilizar em nossas aulas questionamentos a supostas
				verdades absolutas, promovendo um estudo mais fundamentado. A socialização de
				meninas é algo que interfere na aprendizagem dos gêneros orais, principalmente nas
				suas produções, já que elas são constantemente controladas e vigiadas nos seus modos
				de ser, o que as leva a ter medo e, possivelmente, muitas hesitações, paráfrases e
				autocorreções da própria fala, fruto de insegurança.</p>
			<p>No excerto 3, o <bold>moleque</bold> nos remete a ser travesso, sapeca e levado,
				características mais comumente associadas aos meninos; por isso, eles são
				autorizados a xingar. Fazer um xingamento seria mais comum em alguém ousado, que não
				tem medo dos efeitos dessa ação, algo incomum na socialização de meninas. No
				futebol, historicamente elas são encorajadas a assistirem silenciosamente, já que
				tal esporte é construído a partir de noções masculinas, um esporte de macho para
				macho. A entrada feminina no futebol é tardia, o que ainda resulta em desvalorização
				e desigualdade. A licencianda faz uma dupla transgressão de gênero, por gostar de
				futebol e por mobilizar a voz de uma maneira não aceita para meninas.</p>
			<p>Trazemos mais dois excertos abaixo, em que uma estudante trata da relação de sua voz
				comparada à de um homem; e outra apresenta um exemplo sobre sua oralidade usada em
				uma entrevista de seleção, para realizar estágio com uma docente da própria
				faculdade:</p>
			<disp-quote>
				<p><bold>Excerto 4</bold></p>
				<p>A7 – Eu cheguei lá: “Bom dia, como você está?” sabe? Mudando completamente a
					postura, a oralidade e a voz. <bold>Isso para falar com uma mulher, se eu
						estivesse falando com um homem, eu provavelmente pensaria de um jeito
						completamente diferente: “Se eu falar com voz mais aguda, será que ele vai
						gostar mais de mim?” “Será que ele vai me achar mais aprazível e vai querer
						me contratar por causa disso?”</bold> Então interfere muito <bold>a
						gravidade da voz</bold> e a <bold>intensidade</bold> também, falar alto,
					falar baixo: “Será que vão gostar mais de mim e me contratar porque eu falo mais
					baixo, mais calma?” ou então: “Será que eu preciso me impor?” ou então: “Eu
					preciso ocupar mais espaço com o meu tom de voz?”</p>
				<p><bold>Excerto 5</bold></p>
				<p>A10 – Uma vez falaram que eu tinha <bold>voz de homem.</bold></p>
			</disp-quote>
			<p>Para compreender os excertos 4 e 5 acima, retomamos a defesa de Bentes, para quem as
				práticas de oralidade na escola devem ser baseadas “nos princípios de igualdade de
				todos perante a lei, da liberdade de expressão” (<xref ref-type="bibr" rid="B10"
					>Bentes, 2011, p. 41</xref>). Isso porque, nos excertos 4 e 5, a <bold>liberdade
					de expressão</bold> ultrapassa uma seleção de temas (<bold>o que</bold> pode ser
				dito) e alcança <bold>o modo</bold> como pode ser dito, especificamente para as
				mulheres. A educação linguística das graduandas precisa ser repensada, a fim de que
				tais reflexões estejam na licenciatura, principalmente a de Pedagogia,
				predominantemente feminina. É possível que tais reflexões reverberem nas escolas,
				construindo novas possibilidades de educação.</p>
			<p>Como vemos, os excertos acima demonstram que as meninas elaboram sentidos nas
				aprendizagens de gênero no uso da fala pública, uma vez que elas a alteram quando
				estão diante de homens ou mulheres. Todavia, isso é feito em meio a incertezas sobre
				seus efeitos, coadunando com uma insegurança. Os modos como as estudantes querem ser
				vistas se relaciona ao uso da voz conformada às normas de gênero, na expectativa de
				que seu interlocutor tenha essa mesma concepção. A gravidade e a intensidade da voz
				parecem ser uma medida importante para produzir certos julgamentos de si e do outro.
				Neste exemplo, vemos uma oscilação entre a conformação às normas de gênero para ser
				aceita, normas essas já estruturadas na sociedade, e a imprecisão sobre sua
				aceitação, pois há uma margem para que outros modos de se constituir mulher estejam
				em disputa.</p>
			<p>Quando a estudante traz questionamentos como “Será que eu preciso me impor?” e “Eu
				preciso ocupar mais espaço com o meu tom de voz?”, ela confronta o jeito de ser
				mulher apenas com voz aguda e tom baixo, indicando um tensionamento. Ao hesitar se
				deve ou não falar com outro tom de voz para se impor, ela gera uma dúvida que não é
				própria do masculino, historicamente ensinado a se impor e a falar por modos que
				demonstram autoridade e conhecimento. Ela vacila, traz indecisão e expressa
				questionamento, justamente por ser mulher, cuja voz é objeto de escrutínio e de
				controle. As mais diversas formas de subjugação das mulheres precisam ser revistas e
				questionadas, para que elas não tendam ao silenciamento. Dentre tantas opressões, a
				que ocorre pelo silenciamento e pelo controle também são limites a serem rompidos
				porque constituem elementos de dominação. A percepção desses significados
				contraditórios e (im) precisos sobre a fala se articulam às discussões de <xref
					ref-type="bibr" rid="B38">Rangel (2010)</xref> quando explicita que o ensino de
				Língua Portuguesa deve levar os alunos a desenvolverem a capacidade de reflexão e se
				apropriarem de um conhecimento sobre a língua “capaz de evitar crenças infundadas e
				de motivar a construção de atitudes e valores éticos bem fundados” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B38">Rangel, 2010, p. 185</xref>).</p>
			<p>Quando as mulheres rompem os mecanismos de silenciamento e falam de outros modos, com
				outro tom de voz que não aqueles constituídos como femininos, logo são ameaçadas,
				quando não arrancadas, extirpadas de seu gênero. Ter voz de homem é o polo oposto a
				ter voz de mulher. Desse modo, produz-se uma voz caracterizada como masculina porque
				há um modo próprio de localizar o homem na valoração da sociedade. Falar como um
				homem então significa não mais ser mulher?</p>
			<p>Outras cenas na sociedade mostram como mulheres, ao exercerem cargos de poder,
				precisam falar como homem, porque tais cargos foram criados pelos e para os homens.
				Quanto a essa temática, o excerto 6 traz o depoimento de uma estudante sobre as
				expectativas criadas para elas:</p>
			<disp-quote>
				<p><bold>Excerto 6</bold></p>
				<p>Eu acho que a expectativa que a gente tem de falar, de se portar como um todo
					como mulher, ou a gente é hiper sexualizada ou a gente é <bold>delicada</bold> e
					colocada num lugar de <bold>fragilidade</bold> ou a gente tem uma postura
						<bold>maternal.</bold> Maternal entre aspas, porque o que é ser maternal,
					né? Mas é ser <bold>cuidadosa.</bold> Então se a gente foge desses três padrões,
					dessas três possibilidades que existem para gente, em qualquer momento, a gente
					está se portando como homem, se portando de maneira inadequada.</p>
			</disp-quote>
			<p>Os adjetivos atribuídos às mulheres, como os que aparecem na fala (delicada, frágil,
				maternal), instituem modos específicos para falar. Nesse sentido, percebemos um
				lugar subalterno nas relações de poder. Nem sempre as situações de comunicação oral
				demandam delicadeza, o que não significa que as mulheres precisam ser ásperas,
				indelicadas, grosseiras, mas precisam apresentar-se fortes, resistentes, firmes e
				intensas, o que é o contrário ao que aparece no excerto (frágil). De modo parecido,
				maternal complementa o modo como as mulheres devem falar, que se refere a afeto e
				carinho.</p>
			<p>Para refletir sobre os adjetivos atribuídos às falas femininas, mencionamos Audre
				Lorde, escritora, feminista, negra, lésbica, filha de imigrantes caribenhos que
				viviam nos Estados Unidos, para abordar o silêncio. A autora afirma que “restam
				tantos silêncios para romper” (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Lorde, 2019, p.
					56</xref>) que, inspiradas/o nela, dizemos que um deles a romper é o silêncio
				acerca do gerenciamento dos modos como as mulheres podem e devem falar. <xref
					ref-type="bibr" rid="B26">Lorde (2019)</xref> argumenta que todas as mulheres
				sofrem muitas maneiras, silenciadas de várias formas. Nos dados, vemos como as
				mulheres sofrem violência de gênero, pois não podem se expressar de certos modos, o
				que causa intimidação. <xref ref-type="bibr" rid="B26">Lorde (2019, p. 49)</xref>
				defende a “transformação do silêncio em linguagem e em ação”, o que pode ser feito
				com a força e a companhia entre as próprias mulheres, para que consigam sobreviver
				aos perigos de serem nomeadas de acordo com as regras normativas.</p>
			<p>Pelos excertos, percebemos que os sentidos produzidos pelas alunas são coerentes com
				o ponto de vista instituído socialmente na nossa história: as mulheres são
				silenciadas em espaços políticos, sociais e também nas esferas educacionais, o que
				se dá pelo regramento e controle dos modos como elas podem falar; ao mesmo tempo,
				outros modos de falar são excluídos e silenciados. O silenciamento é uma demanda
				constante para a adequação às normas de gênero, o que constitui como manutenção de
				desigualdades sociais e culturais, dentro do jogo das relações de poder. “As
				mulheres ficaram muito tempo fora desse relato, como se, destinadas à obscuridade de
				uma inenarrável reprodução, estivessem fora do tempo, ou pelo menos, fora do
				acontecimento. Confinadas em um silêncio de um mar abissal” (<xref ref-type="bibr"
					rid="B36">Perrot, 2017, p. 16</xref>).</p>
			<p>Retomamos <xref ref-type="bibr" rid="B12">Bronckart (2006)</xref> na defesa de que as
				ciências humanas devem se pautar em questões epistemológicas, mas também buscar
				direcionamentos interventivos e/ou práticos. Para tal, contra essas ações que
				excluem a fala das mulheres dos espaços públicos alçando-as ao silenciamento,
				apresentamos abaixo experiências de ensino de Língua Portuguesa no eixo da oralidade
				em que a fala feminina é posta em lugares comumente assumidas por homens, com vistas
				a criar novos sentidos e a instigar a educação de meninas e mulheres que falam.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Algumas proposições práticas contra o silenciamento</title>
			<p>Como poderíamos construir, na escola, outra imagem para as mulheres a partir das
				produções em gêneros textuais orais realizadas em situações autênticas de
				interlocução? Como edificar uma reflexão que estabeleça novas avaliações sociais
				para as mulheres e suas produções orais? Não defendemos que essas proposições,
				trazidas aqui a título de ilustração, sejam tomadas como exemplos a serem replicadas
				acriticamente na escola. Tais práticas podem inspirar a construção de currículos em
				que caiba a educação linguística de meninas e mulheres que falam.</p>
			<p>A fim de contribuir com práticas de oralidade na escola apoiadas nos sentidos
				complexos sobre o silenciamento e as coerções vivenciadas pelas alunas acima,
				retomamos <xref ref-type="bibr" rid="B11">Bronckart (1999)</xref> ao afirmar que, na
				interação social via linguagem, o gênero de texto adotado para a ação de linguagem
				“[...] deverá ser eficaz em relação ao objetivo visado, deverá ser apropriado aos
				valores do lugar social implicado e aos papeis que este gera e, enfim, deverá
				contribuir para promover a ‘imagem de si’ que o agente submete à avaliação social de
				sua ação” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Bronckart, 1999, p. 102</xref>). Com
				vistas a conferir à escola novas vivências para as meninas e novas “imagens de si”,
				trazemos alguns exemplos de projetos pedagógicos que propiciaram a problematização
				e/ou desconstrução das normas, na tentativa de dar visibilidade a um currículo para
				o ensino de oralidade no viés do empoderamento feminino.</p>
			<p>Em uma escola municipal de Juiz de Fora (MG), foi desenvolvido<xref ref-type="fn"
					rid="fn12">12</xref> um projeto para os estudantes da 8º série (hoje 9º ano)
				conhecerem profissões universitárias no final do Ensino Fundamental e, ao mesmo
				tempo, realizarem práticas de leitura, escrita e oralidade. Toda semana, eram lidos
				textos que tratavam da realidade das profissões, e perguntas eram elaboradas
				coletivamente. Um profissional ia até a escola para proferir palestra aos estudantes
				que, após fazerem questões sobre informações relevantes e curiosidades ao orador,
				elaboraram seu próprio “guia do estudante”. Ao final, cada aluno/a tinha um guia com
				informações sobre 20 profissões. À época, optou-se por trazer profissionais mulheres
				com carreiras consolidadas e supostamente masculinas, como a engenheira civil que,
				durante sua palestra, revelou, além de elementos da profissão, experiências
				machistas na sua prática. Neste projeto, meninos e meninas ouviram o relato de uma
				profissional irrompendo uma cultura patriarcal, além de aprenderem a escutar (com
				análise linguística/semiótica) e a legitimar a fala das mulheres em uma prática oral
				típica da cultura escolar e acadêmica, a palestra.</p>
			<p>Em outro projeto, mais recente, foi construída com estudantes de 6º ao 9º anos do
				Ensino Fundamental uma revista de adolescentes, intitulada <italic>Ciência na ponta
					da Língua</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Azevedo, Barbosa, Domingues,
					2019</xref>). A cada ano, uma edição temática foi construída, em várias escolas
				públicas da cidade Juiz de Fora, e variados gêneros textuais foram envolvidos na
				leitura, escrita e oralidade dos adolescentes (reportagem, entrevista, verbete,
				artigo de opinião, dentre outros). As edições foram intituladas <italic>Música na
					ponta da Língua, Ciência na ponta da Língua, Cultura na ponta da Língua</italic>
				e <italic>Diversidade na ponta da Língua.</italic> Na revista de Ciência, optou-se
				por desconstruir estereótipos de gênero e, ao discutir a identidade de cientista
				(majoritariamente masculina), levamos uma cientista mulher à escola para falar do
				seu cotidiano como pesquisadora, com quem os estudantes fizeram uma entrevista.
				Dessa forma, os/as adolescentes realizaram a entrevista oral em que a mulher foi
				legitimada como uma das “vozes da ciência”, um contraponto em relação à imagem
				socialmente construída ao longo da escolarização deles. Ao mesmo tempo,
				desmitificamos que a pesquisa é uma área para homens, encorajando as estudantes a
				buscarem tal carreira (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Azevedo; Barbosa; Domingues,
					2019</xref>).</p>
			<p>Como docentes no curso de formação de professores/as, temos mobilizado discussões
				sobre os processos históricos de silenciamento das mulheres em nossas disciplinas,
				como as Práticas de Gêneros Acadêmicos e Fundamentos e Metodologias de Ensino de
				Língua Portuguesa. Fazer esses/as futuros/as professores/as problematizarem esses
				processos é de extrema relevância, já que eles/as produzirão currículos
				comprometidos com as mulheres que falam, de forma não subalternizadas em normas
				generificadas e produzidas por homens.</p>
			<p>Tais projetos, trazidos aqui apenas como exemplificação das possibilidades de ensino
				do oral no viés aqui defendido, fortalecem práticas de linguagem que ultrapassam a
				transmissão de conceitos gramaticais e se aliam a discussões mais amplas na formação
				cidadã. Assim, tenta-se compreender o hiato existente entre a participação feminina
				e masculina nas cenas públicas e nas instâncias de poder ainda presentes na
				sociedade brasileira.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações finais</title>
			<disp-quote>
				<p>No silêncio, cada uma de nós desvia o olhar de seus próprios medos – medo do
					desprezo, da censura, do julgamento, ou do reconhecimento, do desafio, do
					aniquilamento. Mas antes de nada acredito que tememos a visibilidade, sem a qual
					entretanto não podemos viver, não podemos viver verdadeiramente (<xref
						ref-type="bibr" rid="B26">Lorde, 2019, p. 2</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>Audre Lorde chama-nos a atenção nesse trecho em epígrafe, oriundo do textos
					<italic>transformação do silêncio em linguagem e ação,</italic> sobre os
				diversos medos que as mulheres sofrem, que podem estar associados aos modos de seu
				silenciamento na atualidade. Nesse sentido, elas temem a visibilidade, porque não se
				trata de um <italic>status</italic> historicamente atribuído a elas. Se ser visível
				é uma condição do existir, como defende a autora, o silenciamento é o oposto da
				vida. É preciso ensinar as mulheres a falarem para que elas vivam.</p>
			<p>Os mecanismos de controle sobre as mulheres continuam sendo atualizados e
				implementados, sofisticando as técnicas sobre os modos de dizer feminino na
				contemporaneidade. Já que os movimentos feministas têm feito suas contestações serem
				ouvidas, tendo efeitos em muitas esferas da sociedade, algumas normas de gênero já
				não são legitimadas com tanta força. Dessa maneira, uma vez que não é possível um
				silenciamento tão explícito, é preciso controlar os modos de falar das mulheres.
				Como consequência, técnicas específicas são criadas para gerenciá-las, produzindo
				censura e julgamento, como diz Audre <xref ref-type="bibr" rid="B26">Lorde
					(2019)</xref>. Trata-se de um gerenciamento normativo que produz outros modos de
				silenciamento, pois exclui, apaga e deslegitima outros modos de falar que não
				associados às normas de gênero. Evidenciamos, então, que a luta não está vencida, já
				que as mulheres continuam sendo subjugadas e inferiorizadas mesmo quando são
				autorizadas a falar. Defendemos, desse modo, ao longo do texto, que é preciso
				incorporar problematizações no ensino de LP para produzir mulheres que falam com
				liberdade e empoderamento.</p>
			<p>Neste trabalho, nos propusemos a responder ao questionamento acerca dos sentidos
				dados à fala nas práticas de oralidade da educação básica construídas por graduandas
				ingressantes na universidade. Considerando os excertos analisados, compreendemos que
				as participantes da sessão reflexiva confirmaram estarem em um lugar imposto pela
				sociedade, que revelam demandas de uma oralidade silenciada, controlada e avaliada
				pela norma. As discussões deste artigo ainda mostram que as mulheres são silenciadas
				em espaços políticos, sociais e também nas esferas educacionais. Os efeitos disso
				levam à manutenção de desigualdades sociais e culturais, dentro do jogo das relações
				de poder.</p>
			<p>Com este tipo de reflexão sobre o currículo de LP, contribuímos para “(re)pensar e
				modificar nossas ações e que nossa atuação em sala se transforme em um fazer
				sócio-histórico, cultural, ideológico e compromissado” (<xref ref-type="bibr"
					rid="B35">Pereira; Braga, 2015, p. 317</xref>). Sendo assim, ainda é preciso
				defender um objetivo político associado à igualdade de gênero: construir na escola
				outras maneiras de refletir sobre a língua, o que é possível, dentre tantas medidas,
				inserindo a discussão sobre gênero na formação em Pedagogia e em outras
				licenciaturas. Envolver atividades de oralidade na formação das docentes pode
				auxiliar em maior embasamento nas ações profissionais futuras no ensino básico.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Os dados deste artigo são oriundos de projeto mais amplo, aprovado pelo Comitê de
					Ética da Universidade São Francisco (Projeto LABOR – Laboratório Brasileiro de
					oralidade, formação e Ensino, do qual a 2ª autora faz parte) sob o n.
					5.504.626.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Os dados deste artigo são oriundos de projeto mais amplo, aprovado pelo Comitê de
					Ética da Universidade São Francisco (Projeto LABOR – Laboratório Brasileiro de
					oralidade, formação e Ensino, do qual a 2ª autora faz parte) sob o n.
					5.504.626.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B4">Bagno e Rangel (2005, p. 63)</xref>, educação
					linguística é um “conjunto de fatores socioculturais que, durante a existência
					de um indivíduo, lhe possibilitam adquirir, desenvolver e ampliar o conhecimento
					de/sobre sua língua materna, de/sobre outras línguas, sobre a linguagem de um
					modo geral e sobre todos os demais sistemas semióticos”.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Usamos, neste trabalho, <bold>gêneros textuais</bold> ou <bold>gênero de
						texto</bold> para designar um constructo relativo ao ensino de Língua
					Portuguesa, que se refere às ações de linguagem produzidas pelas pessoas em
					diferentes situações sociais. Já gênero (sem qualificador) é usado para designar
					os processos pelos quais homens e mulheres são construídos/as em uma sociedade e
					em uma cultura de modos específicos associados a normas e a resistências a essas
					normas.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>A multimodalidade pode ser compreendida com <xref ref-type="bibr" rid="B19"
						>Dionísio, Vasconcelos e Souza (2014, p. 42)</xref> que afirmam o seguinte:
					[...] é no texto, materialidade dos gêneros, onde os modos (imagem, escrita,
					som, música, linhas, cores, tamanho, ângulos, entonação, ritmos, efeitos
					visuais, melodia etc.) são realizados. O que faz com que um modo seja multimodal
					são as combinações com outros modos para criar sentidos. Ou seja, o que faz com
					que um signo seja multimodal são as escolhas e as possibilidades de arranjos
					estabelecidas com outros signos que fazemos para criar sentidos, com os mesmos,
					quais as articulações criadas por eles em suas produções textuais.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>Citamos esses fenômenos apenas a título de exemplificação que foram/são
					analisados por correntes/perspectivas teóricas como Análise da Conversa,
					Pragmática, Análise do Discurso, Sociolinguística Interacional, Linguística
					textual, dentre outras. Não vamos, aqui, caracterizar cada um deles, visto que o
					escopo do artigo é outro.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p>A obra traz uma série de mitos, interessantes para serem abordados na escola e na
					universidade, que nos auxiliam a ter uma compreensão embasada em pesquisas
					científicas, e não no senso comum e em preconceitos, sobre a língua, tais como:
					a língua portuguesa é uma das mais difíceis do mundo; ninguém fala o português
					correto; depois de adulto, é praticamente impossível aprender uma nova língua; a
					ortografia do português é cheia de exceções, dentre outros.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p>Tais pesquisas estão vinculadas ao LABOR – Laboratório brasileiro de oralidade,
					formação e ensino, projeto interinstitucional (Universidade Federal de Juiz de
					Fora, Universidade de Pernambuco, Universidade São Francisco e Universidade
					Estadual do Norte do Paraná), do qual a 2ª autora é uma das coordenadoras.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p>As bolsistas eram integrantes, na época, ao Grupo de Pesquisa Linguagem, Ensino e
					Práticas Sociais (LEPS/UFJF).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>10</label>
				<p>Todos os excertos aqui citados são retirados da sessão reflexiva informada na
					metodologia; por isso, não colocaremos “fonte” em todos os trechos citados, já
					que são oriundos da mesma sessão.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn11">
				<label>11</label>
				<p>A significa aluna; P é usado para professora.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn12">
				<label>12</label>
				<p>Projeto desenvolvido pela 2ª autora deste artigo.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>REFERÊNCIAS</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>ADICHIE, Chimamanda Ngozi. <bold>O perigo de uma história
						única.</bold> São Paulo: Companhia das Letras, 2019.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ADICHIE</surname>
							<given-names>Chimamanda Ngozi</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>O perigo de uma história única</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Companhia das Letras</publisher-name>
					<year>2019</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>AMORIM, Marina Alves; SALEJ, Ana Paula. O conservadorismo saiu do
					armário!: a luta contra a ideologia de gênero do movimento escola sem partido.
						<bold>Revista Ártemis,</bold> João Pessoa, v. 22, n. 1, p. 32-42. 2016.
					Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
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					Acesso em: 21 ago. 2020.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>AMORIM</surname>
							<given-names>Marina Alves</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>SALEJ</surname>
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					<article-title>O conservadorismo saiu do armário!: a luta contra a ideologia de
						gênero do movimento escola sem partido</article-title>
					<source>Revista Ártemis</source>
					<publisher-loc>João Pessoa</publisher-loc>
					<volume>22</volume>
					<issue>1</issue>
					<fpage>32</fpage>
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					<year>2016</year>
					<date-in-citation content-type="access-date">21 ago. 2020</date-in-citation>
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				</element-citation>
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					Souza, (org.) <bold>Oralidade, formação docente e ensino de Língua
						Portuguesa.</bold> Araraquara: Editora Letrada, 2019, p. 94-120. Disponível
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						>https://www.letraria.net/wp-content/uploads/2019/10/Oralidade-forma%C3%A7%C3%A3o-docente-e-ensino-de-L%C3%ADngua-Portuguesa-Letraria.pdf</ext-link>.
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							<surname>AZEVEDO</surname>
							<given-names>Bárbara Delgado</given-names>
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					<chapter-title>Integração oralidade e letramento na escola básica: uma
						experiência de construção de revista temática na perspectiva do letramento
						científico</chapter-title>
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							<surname>MAGALHÃES</surname>
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					</person-group>
					<source>Oralidade, formação docente e ensino de Língua Portuguesa</source>
					<publisher-loc>Araraquara</publisher-loc>
					<publisher-name>Editora Letrada</publisher-name>
					<year>2019</year>
					<fpage>94</fpage>
					<lpage>120</lpage>
					<date-in-citation content-type="access-date">21 ago. 2020</date-in-citation>
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			<ref id="B44">
				<mixed-citation>STORTO, Letícia Jovelina; FONTEQUE, Vanessa Santos. Trabalho com a
					oralidade na formação docente inicial: implementação de uma sequência de
					atividades sobre seminário. <italic>In:</italic> MAGALHÃES, Tânia Guedes; BUENO,
					Luzia; COSTA-MACIEL, Débora Amorim Gomes da (org.). <bold>Oralidade e gêneros
						orais: experiências na formação docente.</bold> Campinas, SP: Pontes
					Editores, 2021, p.75-97.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
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						<name>
							<surname>STORTO</surname>
							<given-names>Letícia Jovelina</given-names>
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							<surname>FONTEQUE</surname>
							<given-names>Vanessa Santos</given-names>
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					<chapter-title>Trabalho com a oralidade na formação docente inicial:
						implementação de uma sequência de atividades sobre seminário</chapter-title>
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							<surname>MAGALHÃES</surname>
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					<source>Oralidade e gêneros orais: experiências na formação docente</source>
					<publisher-loc>Campinas, SP</publisher-loc>
					<publisher-name>Pontes Editores</publisher-name>
					<year>2021</year>
					<fpage>75</fpage>
					<lpage>97</lpage>
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					<subject>Article</subject>
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			<title-group>
				<article-title>ORALIDAD EN EL CURRÍCULO: SILENCIAMIENTO FEMENINO PROBLEMATIZADO EN
					LA FORMACIÓN DOCENTE<xref ref-type="fn" rid="fn01">1</xref></article-title>
			</title-group>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-3222-3172</contrib-id>
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					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff6">***</xref>
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			<aff id="aff4">
				<label>*</label>
				<institution content-type="orgname">Universidad Federal de Minas
					Gerais</institution>
				<email>oliveira.danilo@ufma.br</email>
				<institution content-type="original">Doctor en Educación por la Universidad Federal
					de Minas Gerais. Miembro de la Asociación Brasileña de Currículo, dei Grupo de
					Estúdios e Investigación en Currículos y Culturas (GECC) y dei Observatório de
					la Juventud. E-mail: oliveira.danilo@ufma.br</institution>
			</aff>
			<aff id="aff5">
				<label>**</label>
				<institution content-type="orgname">Universidad Federal Fluminense</institution>
				<email>tania.magalhaes95@gmail.com</email>
				<institution content-type="original">Doctora en Estúdios Lingüísticos por la
					Universidad Federal Fluminense. Grupo de Investigación Lenguaje, Enseñanza y
					Prácticas Sociales (LEPS/UFJF) y Laboratório brasileño de oralidad, formación y
					enseñanza – LABOR. E-mail: tania.magalhaes95@gmail.com</institution>
			</aff>
			<aff id="aff6">
				<label>***</label>
				<institution content-type="orgname">Universidad Federal de Minas
					Gerais</institution>
				<email>carolinagiovannetti@hotmail.com</email>
				<institution content-type="original">Posee una Maestria y está cursando un Doctorado
					en Educación por la Universidad Federal de Minas Gerais. Grupos de
					Investigación: Centro de Estúdios e Investigaciones en Historia de la Educación
					– GEPHE; Educación Secundaria en Investigación (EMPesquisa) y Grupo de Estúdios
					e Investigaciones en Currículos y Culturas de la FaE/UFMG (GECC). E-mail:
					carolinagiovannetti@hotmail.com</institution>
			</aff>
			<abstract>
				<title>RESUMEN</title>
				<p>En este artículo<sup>2</sup>, traemos reflexiones para contribuir con las
					prácticas orales en el currículo escolar, buscando alinearnos a una concepción
					de enseñanza de géneros orales en una perspectiva problematizadora. Por lo
					tanto, relacionamos la enseñanza de la oralidad al fenómeno del silenciamiento,
					retomando los objetivos de la enseñanza de la lengua portuguesa en las escuelas
					básicas, para relacionado a las cuestiones de género y al silenciamiento
					femenino. Para ello, buscamos contestar cuales son los sentidos dados al habla
					en las prácticas de oralidad en la educación básica construídos por los
					ingresantes a la universidad. Como recorrido metodológico, realizamos, en 2022,
					una sesión reflexiva con estudiantes dei ler período de Pedagogia de una
					universidad pública, grabada y transcrita para su análisis. Los datos evidencian
					que la comprensión de las estudiantes sobre las prácticas de oralidad en la
					escuela se relaciona a su silenciamiento y a la imposición de normas. Como
					aporte, mencionamos las prácticas curriculares en resistência a estas
					normas.</p>
			</abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave</title>
				<kwd>Oralidad</kwd>
				<kwd>Género</kwd>
				<kwd>Silenciamiento</kwd>
				<kwd>Formación docente</kwd>
			</kwd-group>
		</front-stub>
		<body>
			<sec sec-type="intro">
				<title>Introducción</title>
				<p>La enseñanza de la Lengua Portuguesa (LP) en la educación básica viene, a lo
					largo de, por lo menos 40 años, transformándose en lo que se refiere a las
					concepciones que fundamentan las prácticas escolares, superando una perspectiva
					de decifrado de código para alcanzar una perspectiva enunciativo-discursiva dei
					lenguaje, calcada en el análisis de los fenómenos lingüísticos a través de los
					usos sociales y reales de la lengua y en la centralidad dei texto (<xref
						ref-type="bibr" rid="B22">Geraldi, 1984</xref>; <xref ref-type="bibr"
						rid="B32">Mendonça, 2006</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B42">Sigilia-no,
						2021</xref>). Tales transformaciones nos llevan, aún hoy, a articular el
					estúdio dei lenguaje con propuestas en las que los/las estudiantes sean
					autores/as dei discurso, abarcando experiências de producciones orales y
					escritas, que sustituyan las clasificaciones de frases aisladas y la repetición
					acrítica de regias de la norma culta, muchas veces no utilizadas en la
					contemporaneidad.</p>
				<p>Considerando este desplazamiento en la comprensión de lo que es la enseñanza de
					Lengua Portuguesa, que se basa en las prácticas de lectura, escritura, oralidad
					y análisis linguístico/semiótico, prácticas estas legitimamente reconocidas por
					las teorias de la enseñanza de LP, por los documentos oficiales curriculares,
					por los materiales didácticos y por las acciones docentes, en este trabajo,
					contribuímos con reflexiones sobre la oralidad en la escuela en una perspectiva
					problematizadora, buscando relacionar la enseñanza de la oralidad al fenómeno de
					silenciamiento de las mujeres.</p>
				<p>De hecho, ya hemos encontrado ciertos consensos entre docentes de LP, entre los
					cuales uno de los objetivos de la enseñanza es promover la reflexion sobre el
					idioma y desarrollar la competência (oral y escrita) de los/las estudiantes
						(<xref ref-type="bibr" rid="B38">Rangel, 2010</xref>), calcadas en una
					educación lingüística<xref ref-type="fn" rid="fn15">3</xref>. Aunque los
					currículos de LP ya se están organizando en prácticas dei lenguaje- lectura,
					escritura, oralidad y análisis linguístico/semiótico – diferentes
					investigaciones muestran que la oralidad es lo menos investigado y tematizado en
					términos de prácticas de enseñanza en la escolaridad básica. (<xref
						ref-type="bibr" rid="B23">Leal; Gois, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr"
						rid="B18">Costa-Maciel, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">Bueno;
						Costa-Hübes, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B29">Magalhães;
						Cristóvão, 2018</xref>).</p>
				<p>Afortunadamente, hoy en dia ya tenemos un sólido conjunto de trabajos que aportan
					contribuciones sobre como enseñar los géneros textuales<xref ref-type="fn"
						rid="fn16">4</xref> orales, superando la idea de que el habla es un don,
					pero trayendo directrices críticas sobre la inserción de la oralidad en la
					escuela a partir de experiências relevantes calcadas en usos sociales dei
					lenguaje. Sin embargo, en este conjunto, que se vuelve al aprendizaje de
					podcasts, seminários, entrevistas, debates, videos de divulgación científica,
					entre otros, encontramos aún poças problematizaciones sobre la relación entre la
					enseñanza de LP, las prácticas de enseñanza oral y las cuestiones de género, lo
					que pretendemos evidenciar en este artículo, con el fin de lograr una ampliación
					de los sentidos para este componente curricular de la escuela actual. La
					pregunta orientadora de la investigación es “¿cuáles son los sentidos dados al
					habla en las prácticas de oralidad de la educación básica construídas por
					estudiantes de grado que ingresan a la universidad?”, cuya comprensión se
					construyó a partir de un discurso grabado y transcrito en 2022 en una sesión
					reflexiva con estudiantes de grado dei ler período de Pedagogia de una
					universidad pública.</p>
				<p>Las problemáticas aqui desarrolladas están relacionadas con una política de
					currículo implicada con cuestiones de género que pro-ponen desplazamientos de
					comprensiones normativas sobre el silenciamiento histórico de las mujeres.
					Pretendiendo ampliar los sentidos de la enseñanza de la oralidad en LP, buscamos
					hacer eso en la formación docente. Como veremos, estas estudiantes llegan a la
					graduación subjetivadas por procesos de silenciamiento que tienen efectos en los
					modos como se perciben a sí mismas en situaciones de habla. Las discusiones
					sobre esto son inversiones para problematizar las relaciones de poder que
					constituyen hombres y mujeres de modos específicos en la sociedad, por ejemplo
					el lugar discursivo destinado a las mujeres. Al mismo tiempo, es una apuesta en
					la resistência y en la constitución de profesoras mujeres que podrán construir
					currículos de oralidad rompiendo con las prácticas normativas de género.</p>
				<p>Siguiendo lo que afirma Bortolanza (2014, p. 419), “si la historia de las mujeres
					es una historia de silêncios como afirma <xref ref-type="bibr" rid="B37">Perrot
						(2005)</xref>, esto se repite en las historias de lectoras”; nos arriesgamos
					a decir que, en lo que se refiere a las prácticas de oralidad en la escuela, el
					silenciamiento de las mujeres se revela en sus historias de aprendizaje del
					habla en la educación básica, como podemos observar en el
						<italic>corpus</italic> de este trabajo. Es necesario seftalar como el
					proceso de silenciamiento de las mujeres ocurre en la sociedad actual en nuestra
					comprensión cuyas técnicas de poder son sofisticadas y ejercidas de modos
					diferentes en nuestra cultura. Dado el debate de los movimientos feministas y su
					amplio alcance en diferentes esferas de la sociedad, es más difícil para los
					hombres provocar silenciamiento, aunque eso continua sucediendo. Así, las
					técnicas se resignifican para el control sobre los modos de hablar: se trata de
					imputar domínio, vigilância y limitación a los modos de hablar, fundamentados en
					las normas de género, como aparecen en los extractos de nuestra investigación:
					es necesario hablar de cierta manera, contenerse, no movilizar vocablos, entre
					otras. Este control es demandado por las tecnologias de género, cuyos efectos
					resultan en silenciamiento.</p>
				<p>Para alcanzar nuestro objetivo, traemos inicialmente consideraciones sobre la
					enseñanza de Lengua Portuguesa, la oralidad y sus relaciones con el
					silenciamiento de las mujeres. A continuación, presentamos elementos de la
					metodologia, en el que describimos brevemente la construcción dei
						<italic>corpus</italic> con datos procedentes de la investigación más
					amplia. Abordamos como las licenciandas comprenden las producciones orales en la
					perspectiva de género, articulando la comprensión dei habla con normas
					generificadas y sus efectos en la producción de las mujeres en nuestra cultura.
					Por fin, enumeramos algunos proyectos escolares que pueden subsidiar la práctica
					docente en busca de la construcción de un currículo que eduque a la sociedad
					para edificar un mundo de mujeres que hablan.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>La enseñanza de Lengua Portuguesa y oralidad</title>
				<p>Para pensar en un currículo para la enseñanza de Lengua Portuguesa en la escuela
					básica, actualmente sobrepasamos el objetivo de seleccionar contenidos
					gramaticales. La enseñanza de LP en la actualidad, basada en una perspectiva
					enunciativo-discursiva, se articula al intento mayor de formar el/la estudiante
					para las vivências ciudadanas (<xref ref-type="bibr" rid="B38">Rangel,
						2010</xref>). Para tanto, entendemos que entre los derechos dei/la
					ciudadano/a está “[...] el de poder participar de varias instancias y funciones
					que intervienen en el trato de la ‘cosa pública’, precisamente aquellas que
					garantizan la autonomia política de una sociedad e le determinan rumbos a seguir
					[...]” (<xref ref-type="bibr" rid="B38">Rangel, 2010, p. 183</xref>). Según el
					autor, si no lo hacemos, seremos ciudadanos/as en el papel. Para ejercer esa
					“[...] plena ciudadanía – con el <bold>ejercicio efectivo de los derechos</bold>
					y <bold>deberes</bold> formalmente establecidos y reconocidos [...]” (<xref
						ref-type="bibr" rid="B38">Rangel, 2010, p. 183</xref>, grifo dei autor), el
					investigador propone que la escuela pública – una de las instituciones
					responsables de formar este/a ciudadano/a abstracto de las leyes – se vuelva
					para la apropiación, por los/las estudiantes, de una herencia cultural común,
					que solo se constituye “[...] en medio a diferencias de todo tipo – género,
					color, etnia, condición social etc [...]” (<xref ref-type="bibr" rid="B38"
						>Rangel, 2010, p. 184</xref>). Una adecuada educación de los/las estudiantes
					para una convivência democrática, aún según el autor, implica el reconocimiento
					de los derechos y deberes del/de la ciudadano/a y las bases del funcionamiento
					de la sociedad. Es en este enfoque que involucramos la lengua, como herencia
					cultural a la cual todos/as tienen derecho a aprender.</p>
				<p>Para el/la estudiante actuar socialmente por el lenguaje en diferentes
					instancias, la enseñanza de Lengua Portuguesa, entonces, debe proporcionar,
					según <xref ref-type="bibr" rid="B38">Rangel (2010)</xref>, el desarrollo 1) de
					la <bold>competência oral</bold> asentada en situaciones propias de la esfera
					pública; 2) las habilidades de <bold>lectura</bold> y <bold>escritura,</bold>
					que permitan la inserción social en diferentes esferas del discurso; 3) la
					capacidad de <bold>reflexion</bold> sobre el idioma, lo que lleva al monitoreo
					del propio discurso y a la compresión de los usos del lenguaje en diferentes
					situaciones comunicativas; 4) de un conjunto de <bold>conocimientos</bold> sobre
					la lengua y el lenguaje “capaz de evitar creencias infundadas y de motivar la
					construcción de actitudes y valores éticos bien fundados” (<xref ref-type="bibr"
						rid="B38">Rangel, 2010, p. 185</xref>, grifo nuestro).</p>
				<p>Estas proposiciones nos parecen articuladas a las perspectivas más contemporâneas
					de currículo (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Macedo, 2006</xref>; <xref
						ref-type="bibr" rid="B27">Macedo, 2017</xref>), porque promueven nuevos
					diálogos con política, cultura y poder. Asociada a esta concepción, asumimos la
					perspectiva de que la lengua no es enseñada y aprendida descolgada de los
					sujetos, de las prácticas sociales, de las cuestiones políticas, económicas e
					históricas. De este modo, abrimos espacio para resistências e innovaciones en el
					campo de las pesquisas en el eje de la oralidad en la enseñanza, lo menos
					abordado si se compara con los ejes de la lectura, de la escritura y dei
					análisis lingüístico (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Bentes, 2010</xref>; <xref
						ref-type="bibr" rid="B24">Leal; Gois, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr"
						rid="B29">Magalhães, Cristóvão, 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B14"
						>Bueno; Zani; Jacob, 2022</xref>).</p>
				<p>Desde el mismo punto de vista político en que <xref ref-type="bibr" rid="B38"
						>Rangel (2010)</xref> aloja la enseñanza de LR <xref ref-type="bibr"
						rid="B10">Bentes (2011)</xref> defiende que, en una sociedad que toma para
					sí la etiqueta de democrática, las prácticas escolares de oralidad orientadas
					necesitan de embasamento “en los princípios de igualdad de todos [as] ante la
					ley, de libertad de expresión y de fraternidad de unos [unas] con los[las]
					otros[as]” (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Bentes, 2011, p. 41</xref>). En una
					discusión que articula oralidad, política y derechos humanos, la autora retoma
					el derecho a la educación trazando directrices que ayudan los/las docentes a
					resignificar sus acciones, abarcando la naturaleza pública y política de las
					prácticas orales con enfoque en la formación de “personas que sean más
					solidarias, tolerantes, sin perder, sin embargo, la capacidad crítica y de
					indignación con respecto a las injusticias sociales” (<xref ref-type="bibr"
						rid="B10">Bentes, 2011, p. 41</xref>).</p>
				<p>En este enfoque, las prácticas de oralidad en la escuela engloban, según <xref
						ref-type="bibr" rid="B44">Storto y Fonteque (2021)</xref>, Leal, Brandão y
					Lima (2011), <xref ref-type="bibr" rid="B9">Bentes (2010)</xref> y Schneuwly;
					Dolz (2004), la elección de géneros orales de la esfera pública de interacción,
					como entrevistas, seminários, debates, podcasts, vídeos de divulgación
					científica, conferencias, clases, representaciones teatrales, presentación de
					póster, tutoriales, que citamos aqui solo a título de ejemplo. Los géneros
					textuales orales son sugeridos, desde la década de 90 (<xref ref-type="bibr"
						rid="B30">Marcuschi, 1996</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B7">Brasil,
						1998</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B6">Brasil, 2018</xref>), como
					contenidos escolares relevantes en programas y manuales didácticos, lo que no
					logramos, aún, incorporar crítica y efectivamente en la educación básica
					brasilefta. En estas situaciones, pretendemos que los/las estudiantes</p>
				<disp-quote>
					<p>[...] sepan no solo ‘comportarse’ en interacciones públicas, sino que hayan
						de hecho incorporado (...) un profundo respeto por su[suya] interlocutora]
						como persona humana, que nada tiene que ver con ‘buenos modales’ sino como
						una manera de verse y pensarse a sí mismo y al mundo social que lo rodea
							(<xref ref-type="bibr" rid="B10">Bentes, 2011, p. 53</xref>).</p>
				</disp-quote>
				<p>Al concebir la oralidad como práctica social y el habla como modalidad de uso dei
					lenguaje (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Marcuschi, 2001</xref>), el enfoque de
					la oralidad en la escuela implica el reconocimiento y la descripción de los
					géneros textuales orales, el análisis dei habla a partir de actividades de
					escucha/comprensión y la reflexion sobre el habla en relación con los/las
					participantes, los objetivos comunicativos y los aspectos multimodales<xref
						ref-type="fn" rid="fn17">5</xref>, como gestos, expresiones faciales y
					corporales, sonidos y ruidos, ambiente y vestimentas, entre otros. Preguntas
					como “¿cómo contribuyen estos elementos a construir sentido para el habla?” son
					esenciales. En relación a las producciones orales, es necesario, después del
					análisis, una preparación de los estudiantes que implica la selección de
					información adecuada al público, e domínio dei tema, la elaboración de guiones
					que apoyarán el habla, los ensayos prévios, grabados o no, donde hay un efectivo
					ejercicio dei oral, para que el habla sea fluido, y el/la estudiante demuestre
					seguridad en la interacción. Además, el/la productor/a puede reflexionar sobre
					como las expresiones faciales y corporales, así como tono de voz, velocidad y
					otros elementos no verbales de la oralidad componen el sentido que se pretende
					alcanzar.</p>
				<p>Como vemos en estos análisis, procedentes de los estúdios dei lenguaje que
					influyen en las prácticas escolares, las observaciones sobre los fenómenos del
					habla se hacen a partir de los efectos de sentido que producen estos elementos.
					En otras palabras, este tipo de análisis dialoga con lo que afirma <xref
						ref-type="bibr" rid="B11">Bronckart (1999, p. 42)</xref> al decir que, en
					nuestro actuar comunicativo, producimos diferentes “formas semióticas”
					atravesadas por saberes comunes a un grupo. Esto significa que el lenguaje está
					impregnado de significados construídos por una colectividad. Los significados
					que creamos para las producciones orales y escritas se encuentran, entonces,
					intimamente relacionados con el mundo social que integramos.</p>
				<p>De los estúdios brasileños sobre el habla, retomamos una referencia central,
					Ataliba de Castilho, que desarrolló proyectos como la Gramática dei Português
					Hablado. Según <xref ref-type="bibr" rid="B17">Castilho (2021)</xref>, tal
					proyecto resulto en 7 volúmenes publicados, en los que se estudiaron una serie
					de fenómenos típicos de la modalidad hablada. Estas investigaciones han
					enriquecido la lingüística desde los años 60, investigaciones que influencian
					los estúdios dei lenguaje hasta hoy. Es en estas investigaciones que las
					prácticas de oralidad en la escuela se fundamentam articuladas a las corrientes
					de análisis de los géneros textuales en las cuales se asienta la enseñanza de
					LP. A título de ejemplo, citamos una serie de fenómenos dei lenguaje, como la
					duda, corrección, paráfrasis, repetición, silencio, reparación, piso
					conversacional, turno, tema conversacional, estructura de participación,
					encuadre, polidez, entre otros, analizados por co-rrientes/perspectivas teóricas
						diversificadas<xref ref-type="fn" rid="fn18">6</xref>.</p>
				<p>De estos fenómenos, el silencio, o el no-decir, puede significar desconocimiento,
					rechazo, cortesia, desacuerdo, refuerzo de lo que se dijo antes, vergüenza...
					entre tantas otras posibilidades, comprensibles sólo en el análisis de las
					interacciones orales, a partir de la articulación con los elementos multimodales
					enumerados anteriormente. A este respecto, <xref ref-type="bibr" rid="B20"
						>Ferrarezi Jr., en su obra <italic>Pedagogia dei silenciamiento</italic>
						(2014)</xref>, trae cuestionamientos sobre los currículos silenciosos que no
					solo revelan apenas el <bold>silencio de la boca,</bold> sino un sesgo má
					amplio: dei estudiante que apenas aprendió a hablar, escribir y escuchar. <xref
						ref-type="bibr" rid="B16">Carvalho y Ferrarezi (2018)</xref>, defendiendo un
					desarrolló de habilidades de hablar, leer, escribir y escuchar, se oponen a una
					escuela que silencia. Así, nos incitan a pensar en la enseñanza de oralidad en
					la escuela a partir de la siguiente proposición:</p>
				<disp-quote>
					<p>Es esta escuela silenciadora que educa a nuestros hijos e hijas en Brasil
						que, después, quiere que los estudiantes reciten poesias en la fiesta del
						Dia del Libro. Entonces los niños hablan “hacia dentro”, tartamudean,
						tiemblan las piernas, no saben expresarse y los demás se ríen. La escuela
						mira y dice: “Son pequenos, un dia aprenden”. Y todo queda del tamaño que
						está, pero con más gente que tiene miedo de hablar y que no sabe escuchar.
						Desafortunadamente, no aprenderán si no se les enseña (<xref ref-type="bibr"
							rid="B16">Carvalho; Ferrarezi, 2018, p. 23</xref>).</p>
				</disp-quote>
				<p>La complejidad de los géneros orales implica los diferentes fenómenos enumerados
					anteriormente, incluído el silencio, sobre el cual es necesario pensar y
					problematizar. Contra la idea de que el habla no tendría que ser enseñada, ya
					que los/las estudiantes ya sabrían hablar cuando entran en la escuela y a la
					universidad, necesitamos conocer procedimientos de enseñanza precisos y claros,
					en vista de la apropiación de los géneros textuales de la oralidad para
					actuación social en diferentes contextos. En otras palabras, “las competências
					más complejas de la oralidad demandan enseñanza formal y sistemática: no son
					‘don’ que cualquiera recibirá magicamente cuando sea mayor” (<xref
						ref-type="bibr" rid="B16">Carvalho; Ferrarezi, 2018, p. 23</xref>).</p>
				<p>Siendo así, articulamos las prácticas de oralidad en la escuela a los estúdios de
					género, relacionados con un sesgo problematizador de la enseñanza,
					particularizando el silencio. Para Michelle Perrot, “el silencio es común de las
					mujeres” (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Perrot, 2005, p. 9</xref>), discusión
					que profundizaremos en la siguiente sección.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>El proceso de silenciamiento de Las mujeres</title>
				<p>Las prácticas de oralidad en la escuela posibilitan más una forma de desarrollo
					que los/las estudiantes pueden alcanzar: la capacidad de hablar en diferentes
					esferas comunicativas (escolar, científica, artística, política, periodística,
					familiar, entre otras). Para <xref ref-type="bibr" rid="B12">Bronckart
						(2006)</xref>, la compleja apropiación de los géneros de texto en prácticas
					situadas de lenguaje permite la participación en actividades colectivas,
					constituyéndose un mecanismo de socialización en las interacciones humanas.
					Según <xref ref-type="bibr" rid="B11">Bronckart (1999)</xref>, el género dei
					texto</p>
				<disp-quote>
					<p>[...] adoptado para realizar la acción dei lenguaje debe ser eficaz en
						relación con el objetivo perseguido, debe ser apropiado a los valores dei
						lugar social implicado y a los papeies que genera y, por último, debe
						contribuir a promover la ‘imagen de si’ que el agente somete a la evaluación
						social de su acción (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Bronckart, 1999, p.
							102</xref>).</p>
				</disp-quote>
				<p>Como solo interactuamos por medio de géneros textuales, es sobre la imagen de
					productor/a de estos géneros orales sometida a evaluación social que calcamos
					nuestras reflexiones: ¿qué imágenes fueron construídas para las mujeres a lo
					largo de la historia en las producciones orales públicas? ¿Cómo se construyó el
					proceso de relegar a las mujeres al lugar dei silenciamiento?</p>
				<p>El silencio de la palabra, de la argumentación, de la posición política y de los
					análisis históricos es muy peculiar para las mujeres. “El silencio es un
					mandamiento reiterado a través de los siglos por las religiones, los sistemas
					políticos y los manuales de conducta” (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Perrot,
						2005, p. 9</xref>). A las mujeres se les asigna el papel de “aceptar,
					conformarse, obedecer, someterse y callar. Pues este silencio, impuesto por el
					orden simbólico, no es solo el silencio del habla, sino también el de la
					expresión, gestual o escrituraria” (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Perrot,
						2005, p. 10</xref>).</p>
				<p>En el contexto de las relaciones de poder y dominación, las diferencias sociales
					entre hombres y mujeres, construídas a lo largo de la historia y mantenidas por
					relaciones que silenciaron a las personas, se han transformado en jerarquias de
					personas y en historias únicas. “La consecuencia de la historia única es esta:
					ella roba la dignidad de las personas. Hace difícil el reconocimiento de nuestra
					humanidad en común. Enfatiza lo diferentes que somos, y no lo parecido que
					somos” (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Adichie, 2019, p. 23</xref>).</p>
				<p>Para Michelle <xref ref-type="bibr" rid="B36">Perrot (2017)</xref>, debido al
					hecho de que las mujeres están a menudo conectadas con el entorno doméstico,
					“[...] son menos vistas en el espacio público, el único que durante mucho
					tiempo, mereció interés e informe. [...] Son invisibles. En muchas sociedades,
					su invisibilidad y su silencio son parte dei orden de las cosas. Es la garantia
					de una ciudad tranquila” (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Perrot, 2017, p.
						16-17</xref>), afirmando el mantenimiento dei <italic>status quo.</italic>
					Su habla en público es cuestionada, menospreciada, reduzida, interpelada o
					deslegitimada. En este sentido,</p>
				<disp-quote>
					<p>[...] porque ellas aparecen menos en el espacio público, objeto mayor de la
						observación y de la narrativa, se habla poco de ellas y menos aún si quien
						hace el relato es un hombre que se acomoda con una habitual ausência, se
						sirve de un masculino universal, de estereótipos globalizantes o de la
						supuesta unicidad de un género: la mujer (<xref ref-type="bibr" rid="B37"
							>Perrot, 2005, p. 11</xref>)</p>
				</disp-quote>
				<p>Así, la idea de masculino universal es una tecnologia de género, que silencia a
					las mujeres en datos estadísticos, en archivos, en currículos escolares, en la
					política y también en el lenguaje. El mundo de la política, en consonância con
					otras esferas del poder, mantiene el silenciamiento feminino. La historiadora
					Mary <xref ref-type="bibr" rid="B8">Beard (2018)</xref> informa que las mujeres,
					a lo largo de la historia occidental, han tenido sus discursos en público
					censurados, habiendo una amplia discusión basada en mitos, principalmente en la
					Antigüedad Clásica, que trae esta noción de incompletitud de la mujer en
					relación con el espacio público. En este contexto, podemos afirmar que “[...]
					mujeres que reivindican voz pública son tratadas como aberraciones andróginas”
						(<xref ref-type="bibr" rid="B8">Beard, 2018, p. 32</xref>).</p>
				<p>En esta perspectiva, <xref ref-type="bibr" rid="B40">Schwarcz (2019)</xref>
					afirma que el mundo de la política confirma la realidad dei dia a dia: “[...]
					está hecho de una actitud, antigua y consolidada entre nosotros, de buscar hacer
					inexpresiva, cuando no casi inexistente, la presencia de mujeres en las
					principales instituciones del país” (<xref ref-type="bibr" rid="B40">Schwarcz,
						2019, p. 187</xref>). Hay muchas formas de descalificar las mujeres y
					silenciarias con la deslegitimación dei habla, ya sea en las esferas
					institucionales de gobierno, sea en las relaciones de poder que constituyen los
					currículos y los saberes escolares, esferas en las que los géneros de texto oral
					y escrito son los mediadores de la interacción. En este contexto,</p>
				<disp-quote>
					<p>[...] cuanto más las mujeres consiguen imponer su independência y autonomia,
						tanto mayor ha sido la reacción masculina y las demostraciones de misoginia.
						Mientras tanto, el domínio de los hombres en la escena pública es
						indiscutible. Un buen ejemplo es la escasa presencia de mujeres en la vida
						política. Después de las elecciones de 2018, tenemos apenas 55 mujeres entre
						513 diputados federales, que suman el 10,7% de los escaños (<xref
							ref-type="bibr" rid="B40">Schwarcz, 2019, p. 187</xref>).</p>
				</disp-quote>
				<p>Las mujeres son mayoría de la población brasileña, pero en la escala de poder van
					“desapareciendo”, pues tienen reducida participación política en los cargos de
					decision, en los escaños del legislativo. Tales acciones discriminatórias y
					actitudes cotidianas son perceptibles a nuestra cultura, “[...] a nuestro
					lenguaje y milénios de historia. Y, cuando pensamos en la subrepresentación de
					las mujeres en la política nacional y su relativo silencio en la esfera pública.
					[...] Necesitamos centramos en problemáticas aún más fundamentales [...]” (<xref
						ref-type="bibr" rid="B8">Beard, 2018, p. 42</xref>), relacionadas con como
					aprendemos a escuchar las propuestas de las mujeres, pero también a “[...] como
					podemos ser más conscientes de los procesos y prejuicios que hacen que no las
					escuchemos” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Beard, 2018, p. 44</xref>) y no
					validemos sus voces, sus historias. Como consecuencia de esto, las mujeres
					todavia son vistas como no participantes en la esfera de la vida pública. Es en
					esta perspectiva que podemos reflexionar sobre la enseñanza de oralidad en un
					sesgo crítico, como anuncio <xref ref-type="bibr" rid="B38">Rangel
					(2010)</xref>, en el que comprendemos el silencio a partir de las relaciones de
					poder.</p>
				<p>Este silencio es producido por las relaciones de poder que organizan la sociedad
					y los espacios sociales que ciertos grupos deben ocupar o ser prohibidos.
					Aceptar, someter y permanecer en silencio son conductas producidas dentro de la
					cultura. Para Michel <xref ref-type="bibr" rid="B21">Foucault (2007)</xref>, el
					sujeto no preexiste en los acontecimientos, sino que se constituye en las
					acciones y redes de disputas, las cuales vivência. Problematiza las formas
					contemporâneas de producción de la subjetividad y entiende que el Estado
					invierte, en gran medida, en el control de la vida de las personas, de sus
					acciones, conductas y creencias. Las interpelaciones y sujeciones de género son,
					en este contexto, una forma de establecer esas relaciones y de perpetuar ciertos
					marcos culturales y sociales; el uso dei lenguaje revela tales relaciones, como
					demostraremos en la evaluación de los datos a continuación. De este modo, los
					silêncios de las mujeres en los ambientes educativos se configuran a través de
					estas relaciones, organizando lo que puede o no, ser dicho, divulgado y
					estudiado.</p>
				<p>Ser mujer es una dimension marcada por asimetrías en las prácticas culturales,
					económicas, políticas y educativas, pero también por espacios de resistência,
					fuerza y lucha por una sociedad igualitária en las relaciones de género. Así,
					las prácticas machistas que acobardam que podan y que limitan a las mujeres a
					una determinada performance de género y que, muchas veces, impiden la actuación
					de las mujeres en el espacio público, concurren con el discurso que demanda que
					las mujeres sean productivas, proactivas y tengan capacitación profesional. En
					este sentido, hay una lucha constante de resistência contra las normas de género
					que regulan y gobiernan sus conductas en el âmbito social, incluído el uso dei
					habla, al mismo tiempo que hay una lucha a favor de la vivência de otros modos,
					otros lenguajes y posibilidades, basada en la creación de diversas formas de ser
					mujer.</p>
				<p>Se hace necesario, desde esta coyuntura, debatir y dar visibilidad a las voces de
					las mujeres, aún silenciadas y sin apoyo. Destacamos que “[... ] género tiene
					que ver con el modo en que mujeres y hombres se relacionan socialmente entre sí,
					tiene que ver con los distintos papeies que les son atribuídos culturalmente”
						(<xref ref-type="bibr" rid="B2">Amorim; Salej, 2016, p. 37</xref>). El
					género crea una norma social, estableciendo comparaciones, juicios,
					organizaciones sociales, intrinsecamente ligadas a las relaciones de poder,
					resultando en la coercion de sus modos de hablar. La norma, para Guacira Lopes
						<xref ref-type="bibr" rid="B25">Louro (2008, p. 22)</xref>, “[... ] no emana
					de un solo lugar, no es enunciada por un soberano, sino que está en todas
					partes. Se expresa por medio de recomendaciones repetidas y observadas
					cotidianamente, que sirven de referencia a todos.”</p>
				<p>Lo que podemos hacer para enfrentar las normas es preguntar sobre su producción.
					En relación con esto, en la dirección de una enseñanza que debe deshacer mitos y
					refutar prejuicios en términos de uso dei idioma (<xref ref-type="bibr"
						rid="B38">Rangel, 2010</xref>), citamos las reflexiones de Othero, autor de
					la obra <italic>Mitos dei lenguaje,</italic> publicada en 2017. En ella, uno de
					los mitos refutados<xref ref-type="fn" rid="fn19">7</xref> es que “las mujeres
					hablan demasiado”, afirmación que no tiene base científica. Por el contrario, lo
					que el autor revela es que “los hombres – sí, los hombres – tienen la tendência
					a hablar más, especialmente en situaciones públicas, formales, situaciones en
					las que la posesión del turno de hablar representa algún tipo de
						<italic>status</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Othero, 2017, p.
						20</xref>). Basado en diferentes investigaciones, afirma que los hombres
					tienen la tendência de monopolizar el habla en situaciones públicas, lo cual se
					hace activando diferentes estratégias.</p>
				<p>Al traer perspectivas históricas sobre el proceso de silenciamiento de las
					mujeres, mencionamos esta construcción no sin resistência, porque muchas de
					ellas elevaron su voz y se pusieron contra todo un sistema que queria ejercer
					modos variados de coercion, subyugación y dominación. Los restos de una cultura
					patriarcal y machista todavia están presentes a través de técnicas de poder y
					control que resultan en el silencio. Es lo que vamos a mostrar al movilizar
					extractos de la sesión reflexiva hecha con mujeres estudiantes de una
					universidad pública, seleccionados en una investigación que pasamos a
					describir.</p>
			</sec>
			<sec sec-type="methods">
				<title>Aspectos metodológicos</title>
				<p>Los datos procedentes de este artículo constituyen un <italic>corpus</italic> de
					investigación más amplio, cuyo objetivo es analizar prácticas de oralidad y
					enseñanza de géneros orales en la universidad<xref ref-type="fn" rid="fn20"
						>8</xref>, con vistas a mapear las adversidades y obstáculos en el eje de la
					oralidad en contexto académico/universitário. En este proyecto, contribuímos con
					el enfrentamiento de las problemáticas dei uso social dei lenguaje, en
					investigaciones articuladas a la idea de que “el éxito en las interacciones
					lingüísticas puede, sin duda, contribuir al mantenimiento de los[las] jóvenes en
					la graduación, disminuyen-do los altos índices de evasão” (Bueno; Zani; Jacob,
					2021, p. 1501).</p>
				<p>Comprendemos que el dominio de la lectura, de la escritura y del habla son
					indispensables para que los/las estudiantes permanezcan en la universidad.
					Invirtiendo en esta premisa, hemos desarrollado estúdios articulados en el área
					más amplia que incluyen los estúdios de lenguaje en la escuela y la universidad,
					que se dedican a investigar las causas de los desafios persistentes dei uso dei
					habla, escritura y lectura, así como en acciones de intervención escolar y
					académica para buscar superados. A modo de ejemplo, <bold>citamos <xref
							ref-type="bibr" rid="B34">Pan y Litenski (2018)</xref>: aseguran que los
						estudiantes, al ingresar a la universidad, suelen tener numerosas dificulta
						d es con el lenguaje</bold> académico, lo que resulta en evaluaciones
					negativas sobre sí mismos:</p>
				<disp-quote>
					<p>[...] los discursos de identidad que configuran las prácticas de lectura y
						escritura operan bajo el signo de la competência/incompetência acarreando
						modos de producción subjetiva que remiten a la individualización y
						culpabilización por las dificultades con la escritura científica. (<xref
							ref-type="bibr" rid="B34">Pan; Litenski, 2018, p. 1</xref>).</p>
				</disp-quote>
				<p>Intervenir en estas dificultades, entonces, es un compromiso que los/las
					formadores/as deben tener con las estudiantes de grado. Desde el punto de vista
					social dei lenguaje, en este trabajo comprendemos cuáles son los sentidos dados
					al habla en las prácticas de oralidad de la educación básica construídas por
					estudiantes que ingresan a la universidad. Con el fin de permitir la “puesta a
					disposición de un espacio interactivo en el que se movilice una diversidad de
					voces sociales” (<xref ref-type="bibr" rid="B43">Silva; Gonçalves, 2014, p.
						54</xref>), realizamos una sesión reflexiva en junio de 2022, con
					estudiantes de pedagogia de una universidad pública brasileña. Estaban en la
					sala la segunda autora de este artículo (profesora), 35 estudiantes de ler
					período de Pedagogia y tres becarios<xref ref-type="fn" rid="fn21">9</xref>.
						<italic>Las estudiantes de grado habían ingresado a la universidad en marzo
						de ese año. En otro trabajo, discutimos Ias concepciones traídas por ellas
						sobre el seminário en Ia escuela y el seminário producido en la universidad
						en ese mismo período; en este âmbito, involucramos una deconstrucción de
						creencias sobre lo que es el género seminário, sobre las estratégias para el
						estúdio y producción de este género oral, sobre la idea de que “el profesor
						no quiere dar clase”, así como invertimos en la noción de que hablar bien no
						es un don, ni una habilidad innata, sino que puede ser desarrollada: todos
						pueden aprender a hablar en contexto académico, superando los desafios en la
						apropiación de este discurso.</italic></p>
				<p><italic>En la construcción dei corpus,</italic> se elaboraron diários de campo
					por las tres becarias colaboradoras durante la discusión – no utilizados en este
					trabajo; la sesión fue grabada y posteriormente transcrita para fines de
					análisis, en el que buscamos comprender las concepciones de las estudiantes
					sobre sus producciones orales en contexto académico y escolar, que pasamos a
					describir a continuación.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>La oralidad y las relaciones de género en la producción de mujeres</title>
				<p>Como se afirma en la introducción, existe una cierta sofisticación sobre el
					proceso de silenciamiento de las mujeres en la contemporaneidad. El control
					sobre los modos de hablar causa inhibition, intimidacióny vergüenza, cohibición,
					dificultando e impidiendo a las mujeres hablar con libertad y empoderamiento. El
					silencio ya no es ausência de sonido, sino un <bold>hacer callar</bold> con
					modos de hablar que no están autorizados dentro de las regias de género
					jerarquizadas, definiendo los lugares que deben ser ocupados por hombres y
					mujeres en nuestra cultura.</p>
				<p>Así, pensamos que es necesario problematizar estas técnicas sofisticadas de
					poder, mostrando como se producen y como pueden ser deconstruidas.</p>
				<p>Las interpelaciones de género son constantemente dirigidas a los sujetos, porque
					sus normas necesitan ser reiteradas para ganar efecto de verdad. En la oralidad,
					hay modos específicos de actuación de las normas de género, ya que para producir
					hombres y mujeres conforme a dichas normas, la voz es un elemento
					imprescindible. En otras palabras, podemos afirmar que la voz es un complejo
					dispositivo responsable de los modos de constitución de hombres y mujeres, de
					modos específicos en una determinada cultura. Se nos enseña a hablar de ciertas
					formas dependiendo dei género con el que nos identificamos, ya que las regias
					actúan regulando <bold>si</bold> y <bold>cómo</bold> podemos decir a partir de
					esa identificación. Estas regias preconizan modos de ser y de vivir, bajo una
					égida de naturalidad dei esquema lineal de correspondência sexo/género (<xref
						ref-type="bibr" rid="B15">Butler, 2003</xref>).</p>
				<p>A continuación destacamos algunos fragmentos<xref ref-type="fn" rid="fn22"
						>10</xref> de nuestra sesión, en los que podemos entender como las mujeres
					van siendo controladas por medio de la voz, siendo enseñadas a hablar de
					determinadas maneras. Durante la sesión reflexiva, preguntamos a las alumnas si
					habían experimentado experiências escolares de producción de géneros orales. Las
					respuestas positivas involucraron seminários (presentación de trabajo, nombre
					dado al seminário en la escuela), debates y entrevistas. Además, cuestionamos
					como sus/sus docentes habían llevado a cabo las actividades: reflexionaban sobre
					los géneros textuales solicitados, si ayudaban a seleccionar y jerarquizar los
					contenidos, si les ayudaban a construir los soportes (guiones, diapositivas,
					entre otros) y se evaluaban cuestiones más allá del contenido, utilizando los
					elementos multimodales mencionados en la sección teórica; todo este proceso es
					necesario en el desarrolló de la oralidad a lo largo de la escolaridad, y la
					mediación docente es fundamental para ello. Entre las muchas respuestas
					negativas sobre la preparación y la evaluación más organizadas y acompañadas,
					notamos que había poca reflexion sobre el uso dei idioma, con énfasis solo en la
					solicitud de tareas orales. Es en estas respuestas que el silenciamiento surge
					como formas de control y norma sobre sus discursos, como veremos a
					continuación:</p>
				<disp-quote>
					<p><bold>Fragmento 1</bold></p>
					<p>E2<xref ref-type="fn" rid="fn23">11</xref>: Habla igual que una
						jovencita.</p>
					<p><bold>Fragmento 2</bold></p>
					<p>E3: Ríete bajo, te ríes muy escandaloso.</p>
				</disp-quote>
				<p>Al lanzar la pregunta sobre las experiências en el uso de la voz, las estudiantes
					recuerdan que ya se les pidió que hablaran <bold>igual que una jovencita</bold>
					e hicieron evaluaciones sobre como reía una de ellas. La interpelación de
					carácter injuntivo, al ser contextualizada en una cultura generificada, demanda
					comportamientos específicos de constituirse mujer en la escuela. Así, el orden
					preciso, con sus exigências, demanda que la capacidad de hablar este en
					conformidad con el <bold>habla de una jovencita.</bold> El propio vocablo de
						<bold>jovencita</bold> parece estar asociado con la idea de fragilidad, tal
					vez incluso suave. Así que si nos preguntan “¿cómo habla una jovencita?” , ¿qué
					respuestas podríamos movilizar o qué memoria sobre ello podrían tener para
					aprender a hablar como una jovencita?</p>
				<p>Decir que alguien debe <bold>hablar igual</bold> es afirmar una homogeneización,
					un modo como todas las jovencitas hablan, lo que excluye de la cultura otros
					modos de ser chica. En ese sentido, la voz es uno de los elementos
					constituyentes dei género, no el único, porque ante la voz hay un modo de ser
					jovencita construído por el género que dice lo que es ser jovencita.</p>
				<p>Además de discutir, en la enseñanza de oralidad, que el tono de voz tiene
					significados que pueden ayudar a alcanzar un objetivo – en una conferencia, en
					una clase o en un video, por ejemplo –, la categoria género permite pensar las
					relaciones sociales entre hombres y mujeres, relaciones que historicamente se
					construyeron en una sociedad cuyas identidades son sociales (<xref
						ref-type="bibr" rid="B41">Scott, 1995</xref>). Hay un reconocimiento de que
					la voz es un elemento sustancial en la constitución para la <bold>producción de
						la jovencita;</bold> por eso, existe la necesidad de una corrección. Hay
					entre los interagentes una comprensión colectiva de las regias en circulación en
					la cultura, pues no se dice como debe hablar una jovencita, sino que se exige
					que hable como tal. En este proceso, se establece, por ejemplo, lo que puede ser
					hablado, el modo de actuar y de comportarse, lo que es permitido y lo que es
					prohibido, y los estudiantes perciben estas normas como imposición de
					conocimientos.</p>
				<p>Sin embargo, esta producción no es la única via. Una vez que los modos de
					constitución de sujetos ocurren en un território de disputas, siempre hay las
					fugas, las resistências, que constituyen también las relaciones de poder (<xref
						ref-type="bibr" rid="B21">Foucault, 2007</xref>). La orientación y la
					regulación, demandando un determinado modo de hablar, es una forma de enfrentar
					los otros modos que no son coherentes con lo que se preconiza como propio de
						<bold>jovencita</bold> en esa cultura. Si ha habido esta demanda, es porque
					estaba ocurriendo alguna transgresión de género. <bold>Otra jovencita</bold> en
					proceso de construcción de sí misma se ha activado, una forma diferente de ser
					chica que no es la chica que aparece en la sesión reflexiva. Era necesario
					hablar igual <bold>[esa]</bold> jovencita en específico, anulando y/o
					silenciando otros modos de decir, no reconocidos y no inteligibles. A partir de
					una sola respuesta, podemos construir con estudiantes de grado bases para una
						<bold>educación lingüística,</bold> como proponen <xref ref-type="bibr"
						rid="B4">Bagno y Rangel (2005)</xref>, en la escuela básica, con el fin de
					romper con las normas.</p>
				<p>Otro aspecto relevante es la risa, un componente de la voz que también es objeto
					de control. El fragmento 2 muestra una demanda para que la estudiante
						<bold>contenga la risa.</bold> La petición de reír bajo es una forma de
					disciplinar el cuerpo femenino, de darle un lugar para ocupar, un modo de
					constituirse para no ocupar un lugar dei escândalo. Reír a carcajadas es
					provocar desorden, alboroto y balbuceos en las normas de género, desvinculado de
					los dictados dei ser jovencita. Es necesario, por tanto, ser más discreta,
					retraída, reservada, serena, lo que es posible con la risa más baja. Con ello se
					producen modos específicos de ser mujer, pautados en una oralidad generificada,
					densa de normas, que controlan como deben hablar, ya sea en eventos como los
					seminários y debates, o en otras instancias de producción oral tal como
					discutimos en la sesión, más allá de la escuela.</p>
				<p>Como una sociedad construída y fundada en el binarismo, las direcciones opuestas
					se dirigen a niños y hombres, con el fin de conformados a su género. Dicho de
					otra manera, si hay un modo de jovencita hablar, hay también un modo de chicos
					hablar para constituirse a sí mismos como hombre. La voz gruesa y grave, con una
					entonación que traduce el poder de hablar conferido a los hombres, es requerida
					a ellos. Nos preguntamos, sobre la risa, si los niños pasarían por la misma
					prohibición e intimidación dirigida a las mujeres, lo que seria una buena
					discusión con estudiantes de escuela básica. Otra advertência apareció en
					nuestras entrevistas otorgando un lugar específico para las mujeres a través de
					la oralidad:</p>
				<disp-quote>
					<p><bold>Fragmento 3</bold></p>
					<p>E4: [...] Es como que, siempre he pasado por eso, porque me gusta mucho el
						fútbol y todo lo demás. Y he escuchado un millón de veces: “<bold>Tú
							insultas igual que un chico.” ¿Solamente los chicos insultan?</bold> Yo
						no puedo insultar? Este asunto dei fútbol creo que es muy presente para mí,
						porque así, cuando llegaba el fin de semana, los hombres se quedaban viendo
						fútbol en el salón, chillaban locamente, insultaban al árbitro, insultaban
						al portero y eso. Y entonces no me gustaba el fútbol cuando era niña, empece
						a gustarme el fútbol durante la pandemia. Entonces cuando empece a ver el
						fútbol, todos me juzgaban, cuando me emocionaba el juego, <bold>si
							peleaba,</bold> todo eso. Pero cuando era mi padre gritando, cuando era
						mi tio gritando, nadie decía nada.</p>
				</disp-quote>
				<p>En el fragmento anterior, una estudiante, al mencionar que le gusta el fútbol y,
					en ese medio, le gusta maldecir y pelear, afirmó haber sido juzgada por la
					similitud a la actitud de un <bold>chico,</bold> ocupando, de este modo, una
					posición prohibida de sujeto, o para usar vocablos de ese lenguaje futbolístico,
					impedida. En la línea de la metáfora del fútbol y sus regias generificadas y
					machistas, también necesitamos cuestionar ese arbitraje que determina lugares
					específicos para hombres y mujeres, incluso cuando ellos y ellas son hinchas.
					Esta problematización debe ser constitutiva de la enseñanza de oralidad, lo que
					permite asociar las reflexiones sobre las producciones habladas a los
					conocimientos prévios que los/las estudiantes traen de sus vivências y espacios
					de sociabilidad.</p>
				<p>Esto quiere decir que es necesario movilizar en nuestras clases cuestionamientos
					a supuestas verdades absolutas, promoviendo un estúdio más fundamentado. La
					socialización de las ninas es algo que interfiere en el aprendizaje de los
					géneros orales, principalmente en sus producciones, ya que son constantemente
					controladas y vigiladas en sus modos de ser, lo que las lleva a tener miedo y,
					posiblemente, muchas paráfrasis y autocorrecciones de la propia palabra, fruto
					de inseguridad.</p>
				<p>En el fragmento 3, el <bold>chico</bold> nos remite a ser travieso, pícaro y
					maio, características más comúnmente asociadas con los chicos; por lo tanto, se
					les permite maldecir. Hacer un insulto seria más común en alguien audaz, que no
					tiene miedo de los efectos de esta acción, algo inusual en la socialización de
					las chicas. En el fútbol, historicamente se les anima a mirar silenciosamente,
					ya que tal deporte está construído a partir de nociones masculinas, un deporte
					de macho a macho. La entrada de las mujeres en el fútbol es tardia, lo que aún
					resulta en devaluación y desigualdad. La estudiante de grado hace una doble
					transgresión de género, por gustarle el fútbol y por movilizar la voz de una
					manera no aceptada para las chicas.</p>
				<p>Traemos más dos fragmentos abajo, en los que una estudiante trata la relación de
					su voz comparada con la de un hombre; y otra presents un ejemplo sobre su
					oralidad usada en una entrevista de selección, para realizar prácticas con una
					profesora de la propia facultad:</p>
				<disp-quote>
					<p><bold>Fragmento 4</bold></p>
					<p><bold>E7</bold> – Llegué allí: “Buenos dias, ¿cómo estás?” sabes? Cambiando
						completamente la postura, la oralidad y la voz. <bold>Eso para hablar con
							una mujer, si estuviera hablando con un hombre, probablemente pensaria
							de una manera completamente diferente: “Si hablo con voz más aguda, ¿le
							gustaré más?” “¿Me encontrará más agradable y querrá contratarme por
							eso?” Entonces interfiere mucho la gravedad de la voz y la
							intensidad</bold> también, hablar alto, hablar bajo: “¿Les gustaré más y
						van a contratarme porque hablo más bajo, más tranquila?” o bien: “¿Necesito
						imponerme?” o bien: “¿Necesito ocupar más espacio con mi tono de voz?”</p>
					<p><bold>Extracto 5</bold></p>
					<p><bold>E10</bold> – Una vez dijeron que yo tenia <bold>voz de
						hombre.</bold></p>
				</disp-quote>
				<p>Para comprender los fragmentos 4 y 5 arriba, retomamos la defensa de Bentes, para
					quien las prácticas de oralidad en la escuela deben estar basadas “en los
					princípios de igualdad de todos ante la ley, de libertad de expresión” (<xref
						ref-type="bibr" rid="B10">Bentes, 2011, p. 41</xref>). Eso es porque, en los
					fragmentos 4 y 5, la <bold>libertad de expresión</bold> va más allá de una
					selección de temas (<bold>lo que</bold> se puede decir) y alcanza <bold>el
						modo</bold> en que se puede decir, especificamente para las mujeres. La
					educación lingüística de los graduados necesita ser repensada, para que tales
					reflexiones estén en la licenciatura, principalmente la de Pedagogia,
					predominantemente femenina. Es posible que tales reflexiones reverberen en las
					escuelas, construyendo nuevas posibilidades de educación.</p>
				<p>Como vemos, los fragmentos anteriores demuestran que las chicas elaboran sentidos
					en los aprendizajes de género en el uso dei habla pública, ya que la alteran
					cuando están frente a hombres o mujeres. Sin embargo, esto se hace en medio de
					las incertidumbres sobre sus efectos, coincidente con una inseguridad. Los modos
					en que las estudiantes quieren ser vistas se relaciona con el uso de la voz
					conformada a las normas de género, en la expectativa de que su interlocutor
					tenga esa misma concepción. La gravedad y la intensidad de la voz parecen ser
					una medida importante para producir ciertos juicios de sí mismo y del otro. En
					este ejemplo vemos una oscilación entre la conformación a las normas de género
					para ser aceptada, normas estas ya estructuradas en la sociedad, y la
					imprecision sobre su aceptación, pues hay un margen para que otras formas de
					constituirse mujer están en disputa.</p>
				<p>Cuando la estudiante trae preguntas como “¿Necesito imponerme?” y “¿Necesito
					ocupar más espacio con mi tono de voz?”, se enfrenta a la forma de ser mujer
					solo con voz aguda y tono bajo, indicando una tension. Al dudar sobre si se debe
					o no hablar con otro tono de voz para imponerse, ella genera una duda que no es
					propia dei masculino, historicamente enseñado a imponerse y a hablar por modos
					que demuestran autoridad y conocimiento. Ella vacila, trae indecision y expresa
					cuestionamiento, justamente por ser mujer, cuya voz es objeto de escrutínio y
					control. Las más diversas formas de subyugación de las mujeres necesitan ser
					revisadas y cuestionadas, para que no se inclinen por el silencio. Entre tantas
					opresiones, las que se producen por el silencio y el control también son limites
					a romper porque constituyen elementos de dominación. La percepción de estos
					significados contradictorios y (im)precisos sobre el habla se articulan a las
					discusiones de <xref ref-type="bibr" rid="B38">Rangel (2010)</xref> cuando
					explicita que la enseñanza de lengua portuguesa debe llevar a los alumnos a
					desarrollar la capacidad de reflexion y apropiarse de un conocimiento sobre la
					lengua “capaz de evitar creencias infundadas y motivar la construcción de
					actitudes y valores éticos bien fundados” (<xref ref-type="bibr" rid="B38"
						>Rangel, 2010, p. 185</xref>).</p>
				<p>Cuando las mujeres rompen los mecanismos de silenciamiento y hablan de otros
					modos, con otro tono de voz que no se constituye como femeninos, pronto son
					amenazadas, cuando no arrancadas, extirpadas de su género. Tener voz de hombre
					es el polo opuesto a tener voz de mujer. De este modo, se produce una voz
					caracterizada como masculina porque hay un modo propio de localizar al hombre en
					la valoración de la sociedad. Hablar como un hombre significa que ya no ser una
					mujer?</p>
				<p>Otras escenas en la sociedad muestran como las mujeres, al ejercer cargos de
					poder, necesitan hablar como hombres, porque tales cargos fueron creados por y
					para los hombres. En cuanto a esta temática, el fragmento 6 trae el testimonio
					de una estudiante sobre las expectativas creadas para ellas:</p>
				<disp-quote>
					<p><bold>Fragmento 6</bold></p>
					<p>Creo que la expectativa que tenemos de hablar, de comportamos como una mujer
						en su conjunto, o la gente es hiper sexualizada o la gente es
							<bold>delicada</bold> y colocada en un lugar de <bold>fragilidad</bold>
						o la gente tiene una postura <bold>maternal.</bold> Maternal entre comillas,
						porque lo que es ser maternal, ¿no? Pero es ser <bold>cuidadosa.</bold> Así
						que si la gente huye de estos tres patrones, de estas tres posibilidades que
						existen para nosotros, en cualquier momento, la gente está actuando como un
						hombre, comportándose de una manera inadecuada.</p>
				</disp-quote>
				<p>Los adjetivos atribuídos a las mujeres, como los que aparecen en el habla
					(delicada, frágil, maternal), instituyen modos específicos de hablar. En este
					sentido, percibimos un lugar subalterno en las relaciones de poder. No siempre
					las situaciones de comunicación oral demandan delicadeza, lo que no significa
					que las mujeres deban ser ásperas, indelicadas, groseras, sino que deben
					presentarse fuertes, resistentes, firmes e intensas, lo cual es lo contrario a
					lo que aparece en el extracto (frágil). De manera similar, maternal complementa
					el modo en que las mujeres deben hablar, que se refiere a afecto y cariño.</p>
				<p>Para reflexionar sobre los adjetivos atribuídos a las falas femeninas,
					mencionamos a Audre Lorde, escritora, feminista, negra, lesbiana, hija de
					inmigrantes caribeños que vivían en Estados Unidos, para abordar el silencio. La
					autora afirma que “quedan tantos silêncios para romper” (<xref ref-type="bibr"
						rid="B26">Lorde, 2019, p. 56</xref>) que, inspiradas/o en ella, décimos que
					uno de ellos a romper es el silencio sobre la gestión de los modos como las
					mujeres pueden y deben hablar. Lord (2019) argumenta que todas las mujeres
					sufren de muchas maneras, silenciadas de varias formas. En los datos, vemos como
					las mujeres sufren violência de género porque no pueden expresarse de ciertas
					maneras, lo que causa intimidación. <xref ref-type="bibr" rid="B26">Lorde (2019,
						p. 49)</xref> defiende la “transformación dei silencio en lenguaje y
					acción”, lo cual puede hacerse con la fuerza y la compaftía entre las propias
					mujeres para que puedan sobrevivir a los peligros de ser nombradas según las
					regias normativas.</p>
				<p>A través de los fragmentos, nos damos cuenta de que los sentidos producidos por
					las estudiantes son coherentes con el punto de vista instituído socialmente en
					nuestra historia: las mujeres son silenciadas en espacios políticos, sociales y
					también en las esferas educativas, lo que se da por la regulación y control de
					los modos como ellas pueden hablar; al mismo tiempo, otros modos de hablar son
					excluídos y silenciados. El silencio es una demanda constante para la adecuación
					a las normas de género, lo que constituye como mantenimiento de desigualdades
					sociales y culturales, dentro dei juego de las relaciones de poder. “Las mujeres
					estuvieron mucho tiempo fuera de este relato, como si, destinadas a la oscuridad
					de una inenarrable reproducción, estuvieran fuera dei tiempo, o al menos fuera
					del acontecimiento. Confinadas en el silencio de un mar abisal” (Perro t, 2017,
					p. 16).</p>
				<p>Retomamos a <xref ref-type="bibr" rid="B12">Bronckart (2006)</xref> en la defensa
					de que las ciências humanas deben basarse en cuestiones epistemológicas, pero
					también buscar orientaciones intervencionistas y/o prácticas. Para ello, contra
					esas acciones que excluyen la voz de las mujeres de los espacios públicos
					elevándolas al silencio, presentamos a continuación experiências de enseñanza de
					Lengua Portuguesa en el eje de la oralidad donde la voz femenina es puesta en
					lugares comúnmente asumidas por hombres, con el fin de crear nuevos sentidos e
					instigar la educación de las chicas y mujeres que hablan.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Algunas proposiciones prácticas contra el silencio</title>
				<p>¿Cómo podríamos construir, en la escuela, otra imagen para las mujeres a partir
					de las producciones en géneros textuales orales realizadas en situaciones
					autênticas de interlocución? ¿Cómo construir una reflexion que establezca nuevas
					valoraciones sociales para las mujeres y sus producciones orales? No defendemos
					que estas proposiciones, traídas aqui a título de ilustración, sean tomadas como
					ejemplos a ser replicados acríticamente en la escuela. Tales prácticas pueden
					inspirar la construcción de currículos que incluyan la educación lingüística de
					las niñas y mujeres que hablan.</p>
				<p>Para contribuir con prácticas de oralidad en la escuela apoyadas en los sentidos
					complejos sobre el silencio y las coacciones vividas por las alumnas arriba,
					retomamos <xref ref-type="bibr" rid="B11">Bronckart (1999)</xref> al afirmar
					que, en la interacción social via lenguaje, el género de texto adoptado para la
					acción dei lenguaje “[... ] deberá ser eficaz en relación al objetivo
					perseguido, deberá ser apropiado a los valores dei lugar social implicado y a
					los papeies que éste genera y, finalmente, deberá contribuir a promover la
					‘imagen de sí’ que el agente somete a la evaluación social de su acción” (<xref
						ref-type="bibr" rid="B11">Bronckart, 1999, p. 102</xref>). Con el fin de dar
					a la escuela nuevas experiências para las niñas y nuevas “imágenes de sí mismo”,
					traemos algunos ejemplos de proyectos pedagógicos que han propiciado la
					problematización y/o desconstrucción de las normas, en el intento de dar
					visibilidad a un currículo para la enseñanza de oralidad en el viés del
					empoderamiento femenino.</p>
				<p>En una escuela municipal de Juiz de Fora (MG), se desarrolló<xref ref-type="fn"
						rid="fn24">12</xref> un proyecto para que los estudiantes del 8º grado (hoy
					9º año) conozcan profesiones universitárias al final de la Educación Básica y,
					al mismo tiempo, realicen prácticas de lectura, escritura y oralidad. Cada
					semana, se leían textos que trataban de la realidad de las profesiones, y se
					elaboraban preguntas colectivamente. Un profesional iba a la escuela para dar
					una conferencia a los estudiantes que, después de hacer preguntas sobre
					información relevante y curiosidades al orador, elaboraron su propia “guía del
					estudiante”. Al final, cada alumno/a tenia una guia con información sobre 20
					profesiones. En ese momento, se opto por traer profesionales mujeres con
					carreras consolidadas y supuestamente masculinas, como la ingeniera civil que,
					durante su conferencia, reveló, adernas de elementos de la profesión,
					experiências machistas en su práctica. En este proyecto, niños y niñas
					escucharon el relato de una profesional irrumpiendo en una cultura patriarcal,
					adernas de aprender a escuchar (con análisis linguístico/semiótico) y a
					legitimar el habla de las mujeres en una práctica oral típica de la cultura
					escolar y académica, la conferencia.</p>
				<p>En otro proyecto, más reciente, se construyó con estudiantes de 6o a 9o grado de
					la Educación Primaria una revista de adolescentes, titulada <italic>Ciência en
						la punta de la lengua</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Azevedo,
						Barbosa, Domingues, 2019</xref>). Cada año, una edición temática fue
					construída en varias escuelas públicas de la ciudad de Juiz de Fora, y vários
					géneros textuales fueron involucrados en la lectura, escritura y oralidad de los
					adolescentes (reportaje, entrevista, entrada léxica, artículo de opinion, entre
					otros). Las ediciones fueron tituladas <italic>Música en la punta de la lengua,
						Ciência en la punta de la lengua, Cultura en la punta de la lenguay
						Diversidad en la punta de la lengua.</italic> En la revista de Ciência, se
					opto por deconstruir estereótipos de género y, al discutir la identidad dei
					científico (mayoritariamente masculino), llevamos a una mujer científica a la
					escuela para hablar de su dia a dia como investigadora, con quien los
					estudiantes hicieron una entrevista. De esta forma, los/las adolescentes
					realizaron la entrevista oral en la que la mujer fue legitimada como una de las
					“voces de la ciência”, un contrapunto respecto a la imagen socialmente
					construída durante su escolaridad. Al mismo tiempo, desmitificamos que la
					investigación es un área para hombres, alentando a las estudiantes a buscar tal
					carrera (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Azevedo; Barbosa; Domingues,
					2019</xref>).</p>
				<p>Como docentes en el curso de formación de profesores/as, hemos movilizado
					discusiones sobre los procesos históricos de silenciamiento de las mujeres en
					nuestras disciplinas, como las Prácticas de Géneros Académicos y Fundamentos y
					Metodologias de Enseñanza de Lengua Portuguesa. Hacer que estos futuros/as
					profesores/as problematicen estos procesos es de extrema relevância, ya que
					ellos/las producirán currículos comprometidos con las mujeres que hablan, de
					forma no subalternada en normas generificadas y producidas por hombres.</p>
				<p>Tales proyectos, traídos aqui solo como ejemplo de las posibilidades de enseñanza
					del oral en el sesgo aqui defendido, fortalecen prácticas de lenguaje que
					superan la transmisión de conceptos gramaticales y se alían a discusiones más
					amplias en la formación ciudadana. Así, se intenta comprender la brecha
					existente entre la participación femenina y masculina en las escenas públicas y
					en las instancias de poder aún presentes en la sociedad brasileña.</p>
			</sec>
			<sec sec-type="conclusions">
				<title>Consideraciones finales</title>
				<disp-quote>
					<p>En el silencio, cada una de nosotras desvia la mirada de sus propios miedos –
						miedo al desprecio, a la censura, al juicio o reconocimiento, al desafio, al
						aniquilamiento. Pero ante todo creo que tememos la visibilidad, sin la cual
						no podemos vivir, no podemos vivir verdaderamente (<xref ref-type="bibr"
							rid="B26">Lorde, 2019, p. 2</xref>).</p>
				</disp-quote>
				<p>Audre Lorde llama nuestra atención en este pasaje en epígrafe, procedente del
					texto <italic>La transformación del silencio en lenguaje y acción,</italic>
					sobre los diversos miedos que sufren las mujeres, que pueden estar asociados a
					los modos de su silenciamiento en la actualidad. En ese sentido, temen la
					visibilidad, porque no se trata de un <italic>status</italic> historicamente
					atribuído a ellas. Si ser visible es una condición de la existência, como
					defiende la autora, el silencio es lo contrario a la vida. Hay que enseñar a las
					mujeres a hablar para que puedan vivir.</p>
				<p>Los mecanismos de control sobre las mujeres continúan siendo actualizados e
					implementados, sofisticando las técnicas sobre los modos de decir femenino en la
					contemporaneidad. Dado que los movimientos feministas han hecho oír sus
					protestas, teniendo efectos en muchas esferas de la sociedad, algunas normas de
					género ya no son legitimadas con tanta fuerza. De esta manera, una vez que no es
					posible un silencio tan explícito, hay que controlar los modos de hablar de las
					mujeres. Como consecuencia, se crean técnicas específicas para gestionárias,
					produciendo censura y juicio, como dice Audre <xref ref-type="bibr" rid="B26"
						>Lorde (2019)</xref>. Se trata de una gestión normativa que produce otros
					modos de silenciamiento, pues excluye, borra y deslegitima otros modos de hablar
					no asociados a las normas de género. Evidenciamos, entonces, que la lucha no
					está vencida, ya que las mujeres continúan siendo subyugadas e inferiorizadas
					aun cuando se les permite hablar. Defendemos, de esta manera, a lo largo dei
					texto, que es necesario incorporar problemáticas en la enseñanza de LP para
					producir mujeres que hablen con libertad y empoderamiento.</p>
				<p>En este trabajo, nos propusimos contestar al cuestionamiento sobre los sentidos
					dados al habla en las prácticas de oralidad de la educación básica construídas
					por graduados que ingresan a la universidad. Considerando los extractos
					analizados, entendemos que las participantes de la sesión reflexiva confirmaron
					estar en un lugar impuesto por la sociedad, que revelan demandas de una oralidad
					silenciada, controlada y evaluada por la norma. Las discusiones de este artículo
					también muestran que las mujeres son silenciadas en los espacios políticos,
					sociales y también en las esferas educativas. Los efectos de esto llevan al
					mantenimiento de desigualdades sociales y culturales, dentro del juego de las
					relaciones de poder.</p>
				<p>Con este tipo de reflexion sobre el curriculum de LP, contribuímos a “(re)pensar
					y modificar nuestras acciones y que nuestra actuación en la sala se transforme
					en un hacer socio-histórico, cultural, ideológico y comprometido” (<xref
						ref-type="bibr" rid="B35">Pereira; Braga, 2015, p. 317</xref>). Por lo
					tanto, todavia hay que defender un objetivo político asociado a la igualdad de
					género: construir en la escuela otras formas de reflexionar sobre el idioma, lo
					cual es posible, entre tantas medidas, insertando la discusión sobre género en
					la formación en Pedagogia y en otras licenciaturas. Involucrar actividades de
					oralidad en la formación de las docentes puede ayudar en mayor fundamentación en
					las acciones profesionales futuras en la enseñanza básica.</p>
			</sec>
		</body>
		<back>
			<fn-group>
				<fn fn-type="other" id="fn01">
					<label>1</label>
					<p>Los datos de este artículo proceden de proyecto más amplio, aprobado por el
						Comité de Ética de la Universidad São Francisco (Provecto LABOR –
						Laboratório Brasileño de oralidad, formación y Enseñanza, del que forma
						parte la 2ª autora) con el nro. 5.504.626.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn02">
					<label>2</label>
					<p>Texto revisado por Tânia Guedes Magalhães, normalizado por Marilene Gomes de
						Souza Lima y traducido por Lowhaynne Holmem Tuiller Estevam.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn15">
					<label>3</label>
					<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B4">Bagno y Rangel (2005, p. 63)</xref>,
						educación lingüística es un “conjunto de factores socioculturales que, a lo
						largo de la existência de un individuo, le permiten adquirir, desarrollar y
						ampliar el conocimiento de/sobre su lengua materna, de/sobre otras lenguas,
						sobre el lenguaje en general y sobre todos los demás sistemas
						semióticos”.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn16">
					<label>4</label>
					<p>En este trabajo, utilizamos <bold>géneros textuales</bold> o <bold>géneros de
							textos</bold> para designar un constructo relacionado con la enseñanza
						de la Lengua Portuguesa, que se refiere a las acciones de lenguaje
						producidas por las personas en diferentes situaciones sociales. El género
						(sin calificativos) se utiliza para designar los procesos por lo que hombres
						y mujeres se construyen en una sociedad y en una cultura de formas
						específicas asociadas a normas y resistências a estas normas.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn17">
					<label>5</label>
					<p>La multimodalidad se puede entender con <xref ref-type="bibr" rid="B19"
							>Dionísio, Vasconcelos y Souza (2014, p. 42)</xref> que afirman lo
						siguiente: [...] es en el texto, materialidad de los géneros, donde los
						modos (imagen, escritura, sonido, música, lineas, colores, tamaño, ângulos,
						entonación, ritmos, efectos visuales, melodia etc.) son realizados. Lo que
						hace con que un modo sea multimodal son las combinaciones con otros modos
						para crear sentidos. Es decir, lo que hace con que un signo sea multimodal
						son las elecciones y las posibilidades de arreglos establecidos con otros
						signos que hacemos para crear sentidos, con los mismos, cuales las
						articulaciones creadas por ellos en sus producciones textuales.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn18">
					<label>6</label>
					<p>Citamos estos fenómenos solo a título de ejemplificación que fueron/son
						analizados por corrientes/perspectivas teóricas como Análisis de la
						Conversación, Pragmática, Análisis dei Discurso, Sociolinguística
						Interaccional, Lingüística textual, entre otras. No vamos, aqui, a
						caracterizar cada uno de ellos, visto que el alcance dei artículo es
						otro.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn19">
					<label>7</label>
					<p>La obra trae una serie de mitos, interesantes para ser abordados en la
						escuela y en la universidad, que nos ayudan a tener una comprensión basada
						en investigaciones científicas, y no en el sentido común y los prejuicios,
						sobre la lengua, tales como: la lengua portuguesa es una de las más
						difíciles dei mundo; nadie habla el português correcto; después de adulto,
						es prácticamente imposible aprender un nuevo idioma; la ortografia dei
						português está llena de excepciones, entre otros.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn20">
					<label>8</label>
					<p>Estas investigaciones están vinculadas al LABOR – Laboratório brasilefto de
						oralidad, formación y enseñanza, proyecto interinstitucional (Universidad
						Federal de Juiz de Fora, Universidad de Pernambuco, Universidad San
						Francisco y Universidad Estatal dei Norte de Paraná), dei cual la segunda
						autora es una de las coordinadoras.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn21">
					<label>9</label>
					<p>Las becarias eran miembros, en ese momento, dei Grupo de Investigación
						Lenguaje, Enseñanzay Prácticas Sociales (LEPS/UFJF).</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn22">
					<label>10</label>
					<p>Todos los fragmentos aqui citados son tomados de la sesión reflexiva
						informada en la metodologia; por eso, no pondremos “fuente” en todos los
						pasajes citados, ya que provienen de la misma sesión.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn23">
					<label>11</label>
					<p>E significa estudiante; P se usa para profesora.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn24">
					<label>12</label>
					<p>Proyecto desarrollado por la segunda autora de este artículo.</p>
				</fn>
			</fn-group>
		</back>
	</sub-article>
</article>
