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	<front>
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			<journal-title-group>
				<journal-title>Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. FAEEBA - Ed. e
					Contemp.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2358-0194</issn>
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				<publisher-name>Universidade do Estado da Bahia</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.21879/faeeba2358-0194.2025.v34.n77.p15-34</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigo</subject>
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				<article-title>EDUCAÇÃO, CURRÍCULO E FORMAÇÃO DE PEDAGOGOS NA CONTEMPORANEIDADE<xref
						ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>EDUCATION, CURRICULUM AND TRAINING OF TEACHERS IN
							CONTEMPORANEITY<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref></trans-title>
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					<trans-title>EDUCACIÓN, CURRÍCULO Y FORMACIÓN DE PEDAGOGOS EM LA
							CONTEMPORÂNEA<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref></trans-title>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-2766-8951</contrib-id>
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						<surname>Lucindo</surname>
						<given-names>Nilzüene Imaculada</given-names>
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						<surname>Lima</surname>
						<given-names>Paloma Oliveira de Jesus</given-names>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff2">**</xref>
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						<surname>Nunes</surname>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff3">***</xref>
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						<surname>Araujo</surname>
						<given-names>Regina Magna Bonifácio de</given-names>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff4">****</xref>
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				<label>*</label>
				<institution content-type="orgname">Universidade do Estado de Minas
					Gerais</institution>
				<institution content-type="orgdiv1">Faculdade de Educação</institution>
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					<city>Belo Horizonte</city>
					<state>Minas Gerais</state>
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				<country country="BR">Brasil</country>
				<email>nilzilenelucindo@yahoo.com.br</email>
				<institution content-type="original">Doutora em Educação pela Universidade Federal
					de Ouro Preto; Docente da Faculdade de Educação da Universidade do Estado de
					Minas Gerais. Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. E-mail:
					nilzilenelucindo@yahoo.com.br</institution>
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				<label>**</label>
				<institution content-type="orgname">Regente no Colégio Arnaldo (REDE
					VERBITA]</institution>
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				<email>palomalima22@yahoo.com.br</email>
				<institution content-type="original">Mestra em Educação pela Universidade Federal de
					Ouro Preto; Professora Regente no Colégio Arnaldo (REDE VERBITA]. Belo
					Horizonte, Minas Gerais, Brasil. E-mail: palomalima22@yahoo.com.br</institution>
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				<label>***</label>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal de Ouro Preto</institution>
				<institution content-type="orgdiv1">Programa de Pós-Graduação em Educação e Programa
					de Pós Graduação em Educação Matemática</institution>
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				<country country="BR">Brasil</country>
				<email>celia@ufop.edu.br</email>
				<institution content-type="original">Doutora em Educação pela Pontifícia
					Universidade Católica do Rio de Janeiro; Professora Titular Emérita da
					Universidade Federal de Ouro Preto; Pesquisadora junto ao Programa de
					Pós-Graduação em Educação e Programa de Pós Graduação em Educação Matemática da
					Universidade Federal de Ouro Preto. Mariana, Minas Gerais, Brasil. E-mail:
					celia@ufop.edu.br</institution>
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			<aff id="aff4">
				<label>****</label>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal de Ouro Preto</institution>
				<institution content-type="orgdiv1">Departamento de Educação e do Programa de
					Pós-Graduação em Educação</institution>
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					<city>Mariana</city>
					<state>Minas Gerais</state>
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				<country country="BR">Brasil</country>
				<email>regina.araujo@ufop.edu.br</email>
				<institution content-type="original">Pós-doutoramento pela Universidade Federal de
					São Carlos – campus Sorocaba e pelo Instituto de Educação da Universidade de
					Lisboa, Portugal; Doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas.
					Professora titular do Departamento de Educação e do Programa de Pós-Graduação em
					Educação da Universidade Federal de Ouro Preto. Mariana, Minas Gerais. Brasil.
					E-mail: regina.araujo@ufop.edu.br</institution>
			</aff>
			<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
				<day>23</day>
				<month>09</month>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<pub-date publication-format="electronic" date-type="collection">
				<season>Jan-Mar</season>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<volume>34</volume>
			<issue>77</issue>
			<fpage>15</fpage>
			<lpage>34</lpage>
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				<date date-type="received">
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				<date date-type="accepted">
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					<year>2025</year>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>Os estudos sobre a formação de pedagogos trazem a potência que os currículos têm
					exercido nessas discussões. Revelam a atuação do profissional de Pedagogia em
					âmbitos que ultrapassam os limites da escola. Este artigo discute essa temática
					a partir dos resultados de duas pesquisas que demonstram a diversidade de
					espaços em que o pedagogo se insere e evidencia, a partir da análise do projeto
					pedagógico, matrizes curriculares e ementários disciplinares dos cursos de oito
					universidades, qual o tipo de formação tem sido ofertado aos seus discentes. Os
					resultados demonstram que a docência se mantém fortemente no centro dos
					processos de formação do pedagogo, ocasionando um distanciamento entre teoria e
					prática que garanta a atuação em espaços de educação não escolar. O baixo
					percentual de disciplinas, bem como a carga horária destinada à temática, vem
					resultando em uma formação permeada de fragilidades, que impede ou dificulta a
					entrada e permanência de pedagogos nesses espaços.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>Studies on the training of pedagogues show the power that curricula have exerted
					in these discussions. They reveal the role of the Pedagogy professional in areas
					that go beyond the limits of the school. This article discusses this topic based
					on the results of two studies that demonstrate the diversity of spaces in which
					pedagogues are inserted and highlights, based on the analysis of the pedagogical
					project, curricular matrices and disciplinary syllabi of the courses of eight
					universities, and what type of training has been offered to their students. The
					results demonstrate that teaching remains strongly at the center of the
					processes of pedagogue training, causing a gap between theory and practice that
					guarantees performance in non-school education spaces. The low percentage of
					subjects, as well as the workload allocated to the theme, has resulted in
					training permeated with weaknesses, which prevents or hinders the entry and
					permanence of pedagogues in these spaces.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>RESUMEN</title>
				<p>Los estúdios sobre la formación de pedagogos resaltan el poder que los currículos
					han ejercido en estas discusiones. Revelan el papel del profesional de la
					Pedagogia en âmbitos que van más allá de los limites de la escuela. Este
					artículo discute este temática a partir de los resultados de dos estúdios que
					demuestran la diversidad de espacios en los pedagogos intervienen y da
					evidencia, a partir del análisis del proyecto pedagógico, de las matrices
					curriculares y de los programas disciplinares de las carreras de ocho
					universidades, de qué tipo de formación se ha ofrecido a sus estudiantes. Los
					resultados demuestran que la docência se mantiene con fuerza en el centro de los
					procesos de formación dei pedagogo, provocando un distanciamiento entre teoria y
					práctica que garantiza el intervención en espacios educativos no escolares. El
					bajo porcentaje de asignaturas, así como la carga horária dedicada al tema, ha
					resultado en una formación permeada de debilidades, que impide o dificulta el
					ingreso y permanência de los pedagogos en estos espacios.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Educação</kwd>
				<kwd>Currículo</kwd>
				<kwd>Curso de Pedagogia</kwd>
				<kwd>Formação de Pedagogos</kwd>
				<kwd>Espaços Não Escolares</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Education</kwd>
				<kwd>Curriculum</kwd>
				<kwd>Pedagogy Course</kwd>
				<kwd>Pedagogy Training</kwd>
				<kwd>Non-School Spaces</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Palabras-clave:</title>
				<kwd>Educación</kwd>
				<kwd>Plan de estúdios</kwd>
				<kwd>Curso de Pedagogia</kwd>
				<kwd>Formación de Pedagogos</kwd>
				<kwd>Espacios no escolares</kwd>
			</kwd-group>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Notas Iniciais</title>
			<p>A atuação do profissional de Pedagogia em âmbitos que ultrapassam os limites da
				escola vem se constituindo um campo de pesquisa em expansão na área de educação. Tal
				fato pode ser explicado pelas múltiplas demandas de formação requeridas pela
				sociedade contemporânea que fazem com que a educação adentre e se faça presente em
				diversos <italic>loci.</italic></p>
			<p>Em âmbito mundial, é inegável o reconhecimento da relevância da educação para o
				desenvolvimento humano e das nações. No Brasil, a Carta Magna (<xref ref-type="bibr"
					rid="B14">Brasil, 1988</xref>) prescreve a educação como direito de todo cidadão
				e dever do Estado e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) nº
				9394/96 (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Brasil, 1996</xref>) apresenta a educação
				como um processo formativo que se constitui a partir da convivência nas mais
				variadas instituições.</p>
			<p>No cenário internacional, outros documentos reiteram a igualdade de direitos entre os
				cidadãos, o direito à educação e a relevância dessa. Dentre esses, podem ser citadas
				a Declaração Universal dos Direitos Humanos (<xref ref-type="bibr" rid="B54">ONU,
					1948</xref>); a Declaração Mundial sobre Educação para Todos (<xref
					ref-type="bibr" rid="B51">UNESCO, 1990</xref>); A Declaração de Hamburgo sobre
				Educação de Adultos (<xref ref-type="bibr" rid="B52">Unesco, 1997</xref>).</p>
			<p>Recentemente, a UNESCO publicou o relatório produzido pela Comissão Internacional
				sobre os Futuros da Educação instituída em 2019 que retoma o conhecimento e a
				educação como base para a renovação e transformação e indaga “qual é o papel que a
				educação pode desempenhar para idealizar o nosso mundo comum e o nosso futuro
				compartilhado, pensando em 2050 e além” (<xref ref-type="bibr" rid="B53">Unesco,
					2022, p. xi</xref>). Dentre as propostas apresentadas para renovar a educação,
				destaca-se, a que remete à ampliação das oportunidades educacionais e não restringe
				a educação a um tempo e a um lugar. Trata-se do “direito à educação para todos ao
				longo da vida. Esse princípio reconhece que, assim como a aprendizagem nunca acaba,
				a educação deve ser ampliada e enriquecida em todos os tempos e espaços” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B53">Unesco, 2022, p. 104</xref>).</p>
			<p>As proposições dos organismos internacionais expressadas ao longo de várias décadas
				reconhecem a magnitude da educação e ao proclamarem sua importância e a necessidade
				de ampliar os tempos e os espaços dedicados a ela, colaboram ainda para expandir os
				campos de atuação do profissional de Pedagogia que tem como uma de suas atribuições,
				orientar os processos educativos independente do lugar em que esses se realizam.</p>
			<p>Defensor da Educação Não Escolar (ENE), <xref ref-type="bibr" rid="B63">Severo
					(2019)</xref> salienta que</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] a educação é um fator determinante para a ressignificação da experiência
					humana individual e coletiva diante das contradições do capitalismo e de
					processos culturais excludentes. Esse contexto demanda práticas pedagógicas não
					escolares e sociais consolidadas a partir de um ideal de fortalecimento da
					cidadania e dos processos democráticos, uma vez que a condição cidadã é fruto de
					um processo permanente de problematização social que acontece por meio de ações
					formativas orientadas por ideais críticos e emancipadores na contramão das
					correntes hegemônicas de cunho mercadológico (<xref ref-type="bibr" rid="B63"
						>Severo, 2019, p. 116</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>Todavia, a diretriz que regulamenta a formação de um determinado profissional se
				materializa em um currículo que é prescrito. Os estudos sobre o currículo já nos
				mostram o quanto o mesmo não é construído como uma atividade neutra, sem intenções
				já que ele é carregado de uma ideologia daqueles que o fazem. Segundo <xref
					ref-type="bibr" rid="B2">Apple (2002, p. 59)</xref>, o currículo “[...] é sempre
				parte de uma tradição seletiva, resultado da seleção de alguém, da visão de um grupo
				acerca do que seja conhecimento legítimo. É produto das tensões, conflitos e
				concessões culturais, políticas e econômicas que organizam e desorganizam um
				povo”.</p>
			<p>No contexto brasileiro a formação dos profissionais de educação compete ao curso de
				Pedagogia que, no auge de seus 85 anos, já passou por várias alterações. Ao longo
				desse período, seus currículos assumiram distintas configurações, todavia, a
				formação de professores permaneceu como sua principal atribuição.</p>
			<p>O primeiro marco legal desse curso tem por base o Decreto nº 1.190 de 04 de abril de
				1939 (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Brasil, 1939</xref>) que transformou a
				Faculdade Nacional de Filosofia, Ciências e Letras, criada pela Lei nº 452 de 05 de
				julho de 1937 (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Brasil, 1937</xref>) em Faculdade
				Nacional de Filosofia. Segundo o Decreto nº 1.190, a Faculdade Nacional de Filosofia
				detinha os seguintes fins:</p>
			<list list-type="simple">
				<list-item>
					<p>a) preparar trabalhadores intelectuais para o exercício das altas atividades
						de ordem desinteressada ou técnica;</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>b) preparar candidatos ao magistério do ensino secundário e normal;</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>c) realizar pesquisas nos vários domínios da cultura, que constituam objeto
						de ensino (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Brasil, 1939, “n.p.”</xref>).</p>
				</list-item>
			</list>
			<p>Essa Faculdade foi constituída pela seção de filosofia, ciências, letras e pedagogia
				e a essas quatro seções, foi incorporada uma seção especial de didática. <xref
					ref-type="bibr" rid="B60">Saviani (2008, p. 39)</xref> ressalta que os cursos da
				Faculdade Nacional de Filosofia foram organizados em duas modalidades:</p>
			<disp-quote>
				<p>O bacharelado, com a duração de três anos, e a licenciatura. O curso de pedagogia
					foi definido como um curso de bacharelado ao lado de todos os outros cursos das
					demais seções da faculdade. O diploma de licenciado seria obtido por meio do
					curso de didática, com a duração de um ano, acrescentado ao curso de
					bacharelado. Está aí a origem do famoso esquema conhecido como “3+1”.</p>
			</disp-quote>
			<p>Como prescreve o artigo 48, o diploma de bacharel em pedagogia seria conferido aos
				alunos que concluíssem o curso de Pedagogia e o bacharel em pedagogia que também
				concluísse o curso de didática seria certificado com o diploma de licenciado em
				pedagogia. Acerca do campo de atuação profissional, <xref ref-type="bibr" rid="B4"
					>Bazzo <italic>et al.</italic> (2016, p. 4)</xref> registram que:</p>
			<disp-quote>
				<p>Nesse período, o campo de atuação do Pedagogo era bastante restrito, pois as
					instâncias administrativas ligadas à educação, nas quais o bacharel poderia
					atuar, ainda estavam sendo organizadas no cenário nacional. Quanto à inserção no
					magistério normal, esse espaço era disputado com os demais licenciados. Tal
					condição de emprega-bilidade dos egressos e a baixa demanda social por esse
					profissional, em um sistema de ensino que ainda se organizava, acabaram por
					limitar a expansão do curso.</p>
			</disp-quote>
			<p>Mediante a organização conferida pelo referido Decreto, esse curso permaneceu até o
				ano de 1962 se ocupando da formação do Bacharel em Pedagogia que atuaria como
				Técnico da Educação e da formação do Licenciado em Pedagogia para atuar como docente
				no Ensino Secundário e no Ensino Normal. Deste modo, fica explícito que o curso de
				Pedagogia nasceu com o propósito de formar professores para atuar no ensino
				secundário e normal.</p>
			<p>Uma nova alteração para o curso de Pedagogia se deu pelo Parecer do Conselho Federal
				de Educação (CFE) nº 251 (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Brasil, 1963</xref>), na
				vigência da Lei nº 4.024 de 20 de dezembro de 1961 (<xref ref-type="bibr" rid="B16"
					>Brasil, 1961</xref>) e constituiu o segundo marco legal. O novo parecer propôs
				um currículo mínimo e a duração do curso, promovendo poucas alterações e
				resguardando a configuração anterior assumida pelo curso no momento de sua criação
				em 1939. Deste modo, o curso continuou destinado a formar Bacharéis em Pedagogia
				para atuarem como Técnicos da Educação e Licenciados em Pedagogia, o professor das
				matérias pedagógicas ofertadas no curso de Magistério de nível médio.</p>
			<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B45">Libâneo e Pimenta (2011, p. 20)</xref>,</p>
			<disp-quote>
				<p>O Parecer nº 251/62 estabelece para o curso de Pedagogia o encargo de formar
					professores para os cursos normais e “profissionais destinados às funções não
					docentes do setor educacional”, os “técnicos de educação ou especialistas de
					educação”, e anuncia a possibilidade de, no futuro, formar o “mestre primário em
					nível superior”.</p>
			</disp-quote>
			<p>Também no ano de 1962, foi aprovado o Parecer nº 292 em 14 de novembro de 1962 (<xref
					ref-type="bibr" rid="B9">Brasil, 1962</xref>). Esse parecer fixou a parte
				pedagógica dos currículos mínimos inerentes às licenciaturas. Posteriormente, o
				Parecer CFE nº 252 de 11 de abril de 1969 (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Brasil,
					1969</xref>) regulamentou o curso de Pedagogia e constituiu seu terceiro marco.
				Esse regulamento recebeu influências da Lei nº 5.540 de 28 de novembro de 1968
					(<xref ref-type="bibr" rid="B18">Brasil, 1968</xref>), a Lei da Reforma
				Universitária, a qual buscou redefinir os cursos de graduação. Essa lei, ao
				instituir a formação dos docentes que atuam nos cursos de nível médio e a formação
				dos especialistas em nível superior, demandou uma nova normatização para o curso de
				Pedagogia que resultou no Parecer CFE nº 252.</p>
			<p>Por atender às exigências do mercado de trabalho, uma característica peculiar desse
				Parecer foi a implementação das habilitações que formavam o especialista em
				Orientação Educacional, Administração Escolar, Supervisão Escolar e Inspeção
				Escolar, além do professor para atuar no ensino normal, antigo curso de Magistério
				em nível médio. Também conferiu ao profissional de Pedagogia a identidade de
				“especialista”.</p>
			<p>Em relação ao currículo proposto, além das cinco disciplinas que compunham a parte
				comum (Sociologia Geral, Sociologia da Educação; Psicologia da Educação; História da
				Educação, Filosofia da Educação) acrescentou-se a disciplina de Didática. No que
				concerne à parte diversificada, segundo Valnir Chagas, relator do parecer, essas
				compreenderiam conteúdos relacionados à formação de professores para o ensino de
				segundo grau, de disciplinas gerais ou técnicas e formação de especialistas para o
				trabalho de supervisão, administração, inspeção e orientação. Deste modo, o
				currículo foi constituído por uma parte comum composta por seis disciplinas e uma
				parte diversificada em consonância com as habilitações que seriam cursadas (<xref
					ref-type="bibr" rid="B8">Brasil, 1969</xref>).</p>
			<p>O Parecer do CFE nº 252/69 permanecia em vigor até que em meados da década de 70 e
				início da década de 80, repercutiram as discussões acerca da necessidade de definir
				novas políticas para a formação dos profissionais da educação. No bojo desses
				debates ocasionados pelo movimento dos educadores situavam-se as críticas relativas
				ao Parecer do CFE nº 252/69. <xref ref-type="bibr" rid="B60">Saviani (2008, p.
					58)</xref> descreveu sobre esse movimento.</p>
			<disp-quote>
				<p>O movimento dos educadores em torno da problemática da formação dos profissionais
					da educação começou a articular-se no final da década de 1970 e materializou-se
					por ocasião da realização da 1 Conferência Brasileira de Educação, que aconteceu
					em São Paulo nos dias 31 de março, 1º e 2 de abril de 1980. Nessa ocasião, foi
					criado o “Comitê Pró-Participação na Reformulação dos Cursos de Pedagogia e
					Licenciatura”. O Comitê organizou-se na forma de comissões regionais,
					transformou-se em 1983 em CONAR-CFE, que por sua vez, em 1990, se constituiu na
					ANFOPE, que continua em atividade.</p>
			</disp-quote>
			<p>No movimento, como relatou <xref ref-type="bibr" rid="B60">Saviani (2008, p.
					58)</xref>, se configuraram dois pressupostos: “[...] a docência é o eixo sobre
				o qual se apoia a formação do educador [...]” e a “base comum nacional”, “um
				princípio que deveria inspirar e orientar a organização dos cursos de formação de
				educadores em todo o país”. Ou como expressou <xref ref-type="bibr" rid="B65">Silva
					(2006, p. xxxi)</xref>,</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] os princípios fundamentais que orientam o movimento até os dias atuais –
					“formar o professor, enquanto educador, para qualquer etapa ou modalidade de
					ensino, a partir da garantia de um núcleo comum de estudos sobre educação” e
					“ter a docência como base da formação de todo educador” [...].</p>
			</disp-quote>
			<p><xref ref-type="bibr" rid="B45">Libâneo e Pimenta (2011)</xref> apresentam
				discordâncias em relação ao que propunha o movimento, uma vez que na concepção
				deles, o curso de Pedagogia não poderia ser reduzido à docência e nem o profissional
				de Pedagogia reduzido a professor. Da mesma forma, também compreendiam que o
				trabalho pedagógico não se restringia ao trabalho docente, pois a Pedagogia é bem
				mais ampla que a docência.</p>
			<p>Mediante a aprovação da LDBEN nº 9394/96, o Ministério da Educação e Cultura (MEC)
				tomou providências com vistas a realizar uma reforma curricular dos cursos de
				graduação. Essa reforma e os debates que ela suscitou vão ensejar uma nova
				regulamentação para o curso de Pedagogia, a partir de um processo iniciado no ano de
				1997, contudo, no caso do curso de Pedagogia, esse se estendeu por um período de
				quase 10 anos quando, finalmente, em 2006 foi publicada a Resolução CNE/CP nº 1 de
				15 de maio de 2006 (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Brasil, 2006b</xref>) que
				estabeleceu as novas diretrizes curriculares para o curso de Pedagogia. Essa
				Resolução foi precedida dos Pareceres CNE/CP nº 05/2005 de 13/12/2005 (Brasil, 2005)
				e nº 03/2006 de 21/02/2006 (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Brasil, 2006a</xref>) e
				constituiu o quarto marco legal do curso.</p>
			<p>No que concerne à finalidade das diretrizes curriculares, segundo o Parecer CNE/CP nº
				5/2005,</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] aplicam-se à formação inicial para o exercício da docência na Educação
					Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nos cursos de Ensino Médio
					de modalidade Normal e em cursos de Educação Profissional, na área de serviços e
					apoio escolar, bem como em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos
					pedagógicos. A formação oferecida abrangerá, integradamente à docência, a
					participação da gestão e avaliação de sistemas e instituições de ensino em
					geral, a elaboração, a execução, o acompanhamento de programas e as atividades
					educativas (Brasil, 2005, p. 6).</p>
			</disp-quote>
			<p>Em relação ao objetivo do curso de Licenciatura em Pedagogia, esse</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] destina-se à formação de professores para exercer funções de magistério na
					Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nos cursos de
					Ensino Médio, na modalidade Normal, de Educação Profissional na área de serviços
					e apoio escolar e em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos
					pedagógicos.</p>
			</disp-quote>
			<p>As atividades docentes também compreendem participação na organização e gestão de
				sistemas e instituições de ensino, englobando:</p>
			<list list-type="simple">
				<list-item>
					<p>– planejamento, execução, coordenação, acompanhamento e avaliação de tarefas
						próprias do setor da Educação;</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>– planejamento, execução, coordenação, acompanhamento e avaliação de projetos
						e experiências educativas não escolares;</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>– produção e difusão do conhecimento científico-tecnológico do campo
						educacional, em contextos escolares e não escolares (Brasil, 2005, p.
						7-8).</p>
				</list-item>
			</list>
			<p><xref ref-type="bibr" rid="B4">Bazzo <italic>et al.</italic> (2016, p. 9)</xref>
				destacam que “entre as principais mudanças estabelecidas para o Curso de Pedagogia
				pelas novas diretrizes curriculares destacam-se a alteração de sua finalidade, a
				extinção das habilitações, o aumento da carga horária mínima para a integra-lização
				do curso e a flexibilização curricular”. Segundo elas, conforme a legislação
				anterior, a organização do curso privilegiava o bacharelado, mediante a oferta das
				habilitações e, simultaneamente, a licenciatura, a partir da formação de
				professores. Com base no novo marco legal,</p>
			<disp-quote>
				<p>O curso passou a ser, então, uma licenciatura, por privilegiar uma base docente
					obrigatória, tendo por fundamento a ideia central de “base comum nacional” para
					a formação dos profissionais da educação defendida pelo movimento dos educadores
					e considerada pela ANFOPE, desde 1983, como contraposta à concepção de pedagogo
					desvinculada de uma preparação para a docência (<xref ref-type="bibr" rid="B4"
						>Bazzo <italic>et aí,</italic> 2016, p. 10</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>Após um período de 13 anos da aprovação do último marco legal, o CNE iniciou um novo
				processo de reformulação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação
				Inicial de Professores para a Educação Básica e instituiu a Base Nacional Comum para
				a Formação Inicial de Professores da Educação Básica (BNC – Formação) (<xref
					ref-type="bibr" rid="B12">Brasil, 2019</xref>). Esse fato implicou em uma nova
				organização para o curso e essa, bem como a finalidade do mesmo foi colocada em
				questão. Contudo, as discussões não lograram êxito, foram aprovadas novas diretrizes
				para a formação inicial e continuada de professores, mas as diretrizes que
				estabeleceram a formação dos profissionais de Pedagogia aprovadas em 2006
				permaneceram em vigor.</p>
			<p>Quanto ao currículo do curso de Pedagogia, o que se observa é que esse curso sempre
				manteve como foco a formação de um profissional para atuar no campo escolar. Embora
				o último marco legal faça referência aos espaços não escolares, na prática, as
				instituições que o ofertam, ao atenderem as diretrizes privilegiam a docência para a
				Educação Infantil e os anos iniciais do Ensino Fundamental, bem como a atuação para
				o âmbito escolar, deixando os estudos acerca dos espaços não escolares à margem.</p>
			<p>Este artigo toma como objeto de estudo o pedagogo que se insere em espaços de ENE e
				tem por finalidade demonstrar que embora haja profissionais atuando em diversos
				espaços que ultrapassam os muros escolares, os cursos de Pedagogia, em sua maioria,
				têm desconsiderado essa realidade, pois a formação para os espaços não escolares
				ocupa um espaço ínfimo nos currículos, chegando até ser relegada.</p>
			<p>Os dados aqui explicitados são frutos de duas pesquisas, uma de Doutorado e outra de
				Mestrado, desenvolvidas no âmbito da Pós-Graduação em Educação de uma Instituição de
				Ensino Superior (IES) Federal. As pesquisas demonstram a diversidade de espaços nos
				quais o profissional de Pedagogia se insere na contemporaneidade e evidenciam, a
				partir da análise do projeto pedagógico de curso (PPC), matrizes curriculares e
				ementários disciplinares de cursos de oito IES do estado de Minas Gerais, qual o
				tipo de formação tem sido ofertado aos seus discentes. Ou seja, não há um
				entendimento ampliado acerca da educação, da Pedagogia como ciência e dos espaços
				que se abrem na cena contemporânea e se configuram como <italic>loci</italic> de
				trabalho para o pedagogo, já que a docência é o eixo central da formação de
				pedagogos.</p>
			<p>A discussão pautada pode contribuir para repensar a multidimensionalidade da
				Pedagogia, os espaços de atuação do pedagogo, um profissional que deve possuir a
				formação de um cientista da educação, bem como a reorganização dos cursos de
				Pedagogia, tornando possível ampliar os campos de inserção dos egressos desse curso
				para além do âmbito escolar. Esse debate também pode colaborar para a
				profissionalização do pedagogo e para qualificar a ação educativa nos diversos
				espaços em que essa se faz presente.</p>
			<p>É relevante ressaltar que o exame da produção científica dessa área, fundamentado nas
				dissertações e teses produzidas entre 2006 e 2018, demonstrou que a Região Sudeste
				carece de pesquisas em nível de Doutorado acerca desse objeto de estudo. No
				levantamento realizado foram identificadas apenas 10 dissertações que abordaram essa
				temática, não sendo identificada nenhuma tese, o que torna a investigação singular
				para o <italic>lócus</italic> investigativo em que foi desenvolvida. Além disso, se
				a Pedagogia se constitui como uma ciência que reflete sobre a prática e para essa se
				volta, há que se considerar a atual conjuntura social, repleta de práticas
				pedagógicas em diversos <italic>loci</italic> e o próprio <italic>lócus</italic>
				investigativo em que as pesquisas foram desenvolvidas para se pensar o currículo que
				está posto.</p>
			<p>O artigo está estruturado em quatro seções, sendo a primeira constituída por esta
				introdução que contextualiza o curso de Pedagogia no cenário brasileiro, apresenta o
				objeto de estudo, a origem dos dados e a finalidade que o texto se propõe. A segunda
				seção aborda o aporte teórico metodológico que tornou possível o desenvolvimento de
				ambas as investigações. A seção três apresenta os resultados e as discussões em
				diálogo com o referencial teórico que sustentaram as pesquisas. Na seção quatro,
				algumas reflexões são trazidas à baila. Por fim, são relacionadas as referências
				utilizadas.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>Aporte Teórico Metodológico</title>
			<p>Esta seção evidencia o aporte teórico-metodo-lógico que subsidiou a construção e
				possibilitou o desenvolvimento de ambas as pesquisas. Além de apresentar os teóricos
				que sustentaram essas investigações, são explicitados dados referentes ao percurso
				metodológico, aos sujeitos e as instituições participantes, o campo investigado, o
				tipo de abordagem adotado, os procedimentos técnicos e os instrumentos utilizados
				para produzir os dados. Também é retratada a técnica adotada nas análises.</p>
			<p>Atese de Lucindo (2023) teve como abrangência o estado de Minas Gerais e tomou como
				objeto de estudo o pedagogo que se insere em espaços de educação não escolar (ENE).
				A ENE se refere às “práticas consideradas formativas situadas fora da escola” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B62">Severo, 2017, p. 136</xref>). Como objetivo geral,
				buscou investigar a trajetória formativa e profissional de pedagogos que se inserem
				em espaços de educação não escolar (ENE), especificamente, em espaços de tratamento
				e promoção de saúde (hospitais, centros e demais unidades ligadas à área), espaços
				de promoção da cultura (museus e demais equipamentos culturais) e espaços de
				privação de liberdade (presídios, penitenciárias, centros socioeducativos etc).
				Dentre os objetivos específicos, buscou compreender como se deu a formação no curso
				de Pedagogia a partir da percepção dos sujeitos atuantes nesses.</p>
			<p>O referencial teórico adotado se pautou nas pesquisas de mestrado e doutorado
				desenvolvidas no Brasil entre 2006 e 2018 e que foram disponibilizadas no portal da
				Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), além de
				teóricos como <xref ref-type="bibr" rid="B27">Franco (2008)</xref>, <xref
					ref-type="bibr" rid="B26">Franco, Libâneo e Pimenta (2007</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B25">2011</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B42">Libâneo
					(2001</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B43">2005</xref>; <xref ref-type="bibr"
					rid="B38">2006a</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B44">2006b</xref>; 2007;
					<xref ref-type="bibr" rid="B40">2010</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B45"
					>2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B39">2021</xref>), <xref
					ref-type="bibr" rid="B45">Libâneo e Pimenta (2011)</xref>, <xref ref-type="bibr"
					rid="B58">Pimenta e Severo (2021)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B64"
					>Severo (2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B62">2017</xref>).</p>
			<p>Metodologicamente, a pesquisa se apoiou em <xref ref-type="bibr" rid="B5">Bogdan e
					Biklen (1994)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B24">Flick (2009)</xref>, <xref
					ref-type="bibr" rid="B67">Stake (2011)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B33"
					>Ghedin e Franco (2011)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B49">Minayo
					(2013)</xref>. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa que adotou como
				procedimentos técnicos, a pesquisa bibliográfica, documental e de campo.</p>
			<p>A coleta de dados foi iniciada a partir da definição de três áreas, saúde, cultura e
				segurança, e, posteriormente, dos espaços de inserção do pedagogo já evidenciados.
				Inicialmente, o primeiro passo foi mapear as instituições públicas pertencentes a
				essas três áreas que contavam com a presença de profissionais de Pedagogia no seu
				quadro de pessoal. Desse modo, se constituíram como campo de pesquisa as seguintes
				instituições: Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (SEJUSP), que
				agrega presídios, penitenciárias, centros socioeducativos; superintendência
				educacional; Fundação Hospitalar do Estado de MG (FHEMIG); a Escola de Saúde Pública
				(ESP); hospitais e museus universitários, bem como demais instituições museológicas
				pertencentes às esferas municipal, estadual e federal.</p>
			<p>O questionário <italic>online</italic> formulado no <italic>Google Forms</italic> e a
				entrevista semiestruturada constituíram os instrumentos de produção de dados. Da
				primeira etapa da pesquisa, participaram 37 profissionais que responderam ao
				questionário. Da segunda etapa participaram 13 pedagogas e um pedagogo ao concederem
				a entrevista. Os dados coletados foram analisados à luz da técnica de Análise de
				Conteúdo (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Bardin, 2011</xref>).</p>
			<p>A segunda investigação trata de uma dissertação de Mestrado, na qual Lima (2023)
				investigou o exercício profissional de pedagogos em museus. Segundo a autora, por
				estar diretamente relacionada à educação como prática social, a Pedagogia apresenta
				um leque de oportunidades de atuação para além da docência. Ao fazer menção às
				Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) do curso de Pedagogia (<xref ref-type="bibr"
					rid="B11">Brasil, 2006</xref>), a autora destaca que, a partir delas, o campo de
				atuação do pedagogo foi definido para que os egressos possam:</p>
			<disp-quote>
				<p>IV - trabalhar, em espaços escolares e não-escolares, na promoção da aprendizagem
					de sujeitos em diferentes fases do desenvolvimento humano [...]; XIII -
					participar da gestão das instituições planejando, executando, acompanhando e
					avaliando projetos e programas educacionais, em ambientes escolares e
					não-escolares (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Brasil, 2006, p. 2</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>Um dos objetivos dessa pesquisa foi analisar e compreender a formação inicial que vem
				sendo ofertada pelos cursos de Pedagogia do município de Belo Horizonte/MG. Para
				tanto, a pesquisa foi alicerçada no referencial teórico de <xref ref-type="bibr"
					rid="B6">Brandão (2007)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B26">Franco, Libâneo
					e Pimenta (2007)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B27">Franco (2008)</xref>,
					<xref ref-type="bibr" rid="B40">Libâneo (2010)</xref>, e outros autores
				necessários ao tratamento desses dados, como <xref ref-type="bibr" rid="B29">Freire
					(2011)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B31">Gadotti (2005)</xref>, <xref
					ref-type="bibr" rid="B23">Favero (2007)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B47"
					>Marandino (2017)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B20">Catini (2021)</xref>.
				Também se apoiou metodologicamente nos estudos de <xref ref-type="bibr" rid="B5"
					>Bogdan e Biklen (1994)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B21">Denzin e Lincoln
					(2006)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B61">Severino (2016)</xref> e <xref
					ref-type="bibr" rid="B1">André (2019)</xref>.</p>
			<p>Esta investigação, de natureza qualitativa, realizou a análise documental de três
				documentos: o projeto pedagógico do curso (PPC), as matrizes curriculares e os
				ementários disciplinares de oito IES. A seleção seguiu quatro critérios que
				possibilitaram contemplar discentes lotados em todas as regiões administrativas de
				Belo Horizonte/MG: 1) modalidade de ensino (presencial, semipre-sencial ou Educação
				a Distância [EaD]); 2) natureza (pública ou privada); 3) classificação (faculdade,
				centro universitário e universidade); e 4) localização (para garantir que as nove
				regiões administrativas do município-UF integrassem o estudo).</p>
			<p>As IES selecionadas e os documentos disponibilizados por elas foram: 1) Universidade
				Federal de Minas Gerais (UFMG), presencial, forneceu PPC e matriz; 2) Universidade
				do Estado de Minas Gerais (UEMG), presencial e EaD, forneceu PPC, matriz e
				ementário; 3) Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), presencial
				e EaD, forneceu PPC e matriz; 4) Faculdade Estácio de Sá, presencial e EaD, forneceu
				PPC e matriz; 5) Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Belo Horizonte de UF
				(FACISA BH), presencial, forneceu matriz e ementário; 6) Faculdade Pitágoras,
				presencial, semipresencial e EaD, forneceu PPC e matriz; 7) Faculdades Integradas
				Norte do Paraná (UNOPAR), semipresencial e EaD, forneceu PPC, matriz e ementário; e
				8) Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), presencial e EaD, forneceu
				somente matriz para análise.</p>
			<p>A pesquisa de campo foi realizada no Museu de Artes e Ofícios (MAO), localizado na
				região central do município de Belo Horizonte/MG. No período de maio a outubro de
				2022, foram feitos registros de campo, acompanhamento de visitas mediadas pelos
				educadores do museu, observação participante e entrevistas semies-truturadas com os
				pedagogos responsáveis por todos os projetos e atividades desenvolvidas no setor
				educativo do espaço. A imersão com base nos diálogos estabelecidos com esses
				profissionais foi essencial para validar as singularidades existentes em sua
				atuação, assim como a importância de considerar as especificidades entorno da
				atuação do pedagogo museal. Com base nos dados produzidos, quatro categorias de
				análise foram concebidas, sendo a formação inicial uma delas.</p>
			<p>A Análise de Conteúdo desenvolvida por <xref ref-type="bibr" rid="B3">Bardin
					(2011)</xref> foi a técnica utilizada para tratar os dados. A teoria de
				Bernstein (1996) também integrou a análise de conteúdo, pois, de acordo com <xref
					ref-type="bibr" rid="B46">Mainardes e Stremel (2010, p. 31)</xref>, o autor
				“coloca em questão o papel da educação na reprodução cultural das relações de
				classe, evidenciando que a pedagogia, o currículo e a avaliação são formas de
				controle social”. Tais perspectivas cooperaram para uma melhor compreensão quanto
				aos conteúdos trabalhados nas disciplinas das oito IES que discorriam sobre a
				atuação de pedagogos em espaços não formais de educação, mesmo que apenas duas
				tenham disponibilizado todos os três documentos para análise.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="results|discussion">
			<title>Resultados e discussões</title>
			<p>Ao mapear as dissertações e teses que investigavam o pedagogo em espaços não
				escolares, no período entre 2006 e 2018, no portal da Coordenação de Aperfeiçoamento
				de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Lucindo (2023) utilizou como descritores as
				palavras-chave: pedagogo; atuação profissional; educação não formal; espaços não
				escolares. Como resultados, foram identificadas 30 dissertações e 5 teses que
				discutiam a temática, bem como os vários <italic>loci</italic> em que o pedagogo se
				insere e nos quais as pesquisas foram realizadas. Os espaços explorados seguem
				registrados na <xref ref-type="table" rid="T1">Tabela 1</xref>.</p>
			<table-wrap id="T1">
				<label>Tabela 1</label>
				<caption>
					<title>Espaços explorados nas pesquisas</title>
				</caption>
				<table frame="hsides" rules="all">
					<thead style="background-color:#c2d8ef">
						<tr>
							<th align="center" valign="middle">ESPAÇOS</th>
							<th align="center" valign="middle">FREQUÊNCIA</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle">Contextos Diversos de Educação Social e
								Educação Não Formal (Centro de Recreação, Biblioteca, Educação
								Especial, Casa Lar, Programas e Projetos)</td>
							<td align="center" valign="middle">4</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>Empresas</td>
							<td align="center" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>4</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle">Fundação CASA, Penitenciária, Sistema
								Prisional</td>
							<td align="center" valign="middle">4</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>Secretaria Municipal de Assistência Social</td>
							<td align="center" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>2</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle">Escolas Municipais (abertas aos finais
								de semana para desenvolvimento de projetos sociais)</td>
							<td align="center" valign="middle">1</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>Unidades de Saúde, Saúde Mental e Associação aos Portadores de
								Câncer</td>
							<td align="center" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>2</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle">Instituto de Acolhimento e Abrigo</td>
							<td align="center" valign="middle">2</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>Hospitais</td>
							<td align="center" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>4</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle">Organizações Não Governamentais</td>
							<td align="center" valign="middle">5</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>Associação de Equoterapia</td>
							<td align="center" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>1</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle">Museus / Patrimônio Histórico</td>
							<td align="center" valign="middle">2</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8">Varas
								Cíveis e Criminais</td>
							<td align="center" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>1</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle">Instituições de Ensino Superior
								(Formadora)</td>
							<td align="center" valign="middle">3</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#c2d8ef"
								>TOTAL</td>
							<td align="center" valign="middle" style="background-color:#c2d8ef"
								>35</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<fn id="TFN1">
						<p>Fonte: Elaborado pela pesquisadora a partir dos dados coletados no Portal
							da CAPES</p>
					</fn>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
			<p>Autores como <xref ref-type="bibr" rid="B40">Libâneo (2010)</xref>, <xref
					ref-type="bibr" rid="B32">Gatti e Barretto (2009)</xref>, <xref ref-type="bibr"
					rid="B66">Souza (2016)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B55">Pimenta
						<italic>et al</italic> (2017)</xref> já se pronunciaram acerca da ampliação
				das práticas educativas na sociedade e em relação às atribuições conferidas ao curso
				de Pedagogia.</p>
			<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B40">Libâneo (2010, p. 26)</xref> “[...] as
				transformações contemporâneas contribuíram para consolidar o entendimento da
				educação como fenômeno plurifacetado, ocorrendo em muitos lugares,
				institucionalizados ou não, sob várias modalidades”. Em sua obra “Pedagogia e
				pedagogos para quê?”, o autor chega a elencar uma multiplicidade de espaços em que
				ocorrem ações pedagógicas.</p>
			<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B32">Gatti e Barretto (2009, p. 48)</xref>, “essa
				licenciatura passa a ter amplas atribuições, embora tenha como eixo a formação de
				docentes”. <xref ref-type="bibr" rid="B55">Pimenta <italic>et al</italic> (2017, p.
					18)</xref> registraram que “[...] observa-se um amplo campo de atuação
				profissional para o licenciado em pedagogia que excede significativamente o
				exercício da docência, em especial, quando se propõe a preparar esse professor para
				a área da gestão educacional e atuação em espaços não escolares”.</p>
			<p>De igual modo, ao mapear os trabalhos que abordavam o pedagogo em espaços não
				escolares, <xref ref-type="bibr" rid="B66">Souza (2016, p. 34)</xref> constatou “a
				ampliação dos espaços de atuação para além do ambiente escolar [...]” e que “as
				diretrizes curriculares para o curso de Pedagogia trazem uma ampliação do campo de
				atuação do pedagogo [...]”. Os espaços explorados e elencados na <xref
					ref-type="table" rid="T1">Tabela 1</xref> confirmam que no cenário contemporâneo
				há uma ampliação das práticas educativas e por consequência, dos espaços que contam
				a presença de profissionais de Pedagogia.</p>
			<p>Embora haja outros <italic>loci</italic> nos quais o pedagogo se insere, alguns
				estudos produzidos e disponibilizados no Portal da CAPES apresentam dados que
				explicitam as fragilidades que perpassam a formação de pedagogos. As pesquisas de
					<xref ref-type="bibr" rid="B22">Falco (2010)</xref>, <xref ref-type="bibr"
					rid="B48">Mendes (2016)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B59">Santos
					(2009)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B50">Oliveira (2015)</xref> e de <xref
					ref-type="bibr" rid="B36">Lacerda (2016)</xref> evidenciam alguns aspectos.</p>
			<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B22">Falco (2010)</xref>, existem lacunas no
				curso que necessitam ser repensadas, sendo a primeira, relacionada ao lugar que o
				espaço não escolar ocupa no processo de formação dos pedagogos, pois, como um espaço
				substancial, necessita ser incluído no processo de formação inicial. Outra
				constatação salientada por <xref ref-type="bibr" rid="B22">Falco (2010)</xref> é
				relativa à necessidade de se propor “situações pedagógicas” extra ambiente escolar
				com vistas a propiciar uma visão mais ampla do campo de atuação do pedagogo.</p>
			<p><xref ref-type="bibr" rid="B48">Mendes (2016, p. 18)</xref> desenvolveu sua
				dissertação tendo como <italic>lócus</italic> de investigação um presídio e indicou
				a necessidade de refletir sobre a educação escolar nesse espaço, tendo em vista a
				configuração da “educação como direito universal”. Ao fazer o levantamento da
				produção acadêmica sobre o tema pesquisado, <xref ref-type="bibr" rid="B48">Mendes
					(2016, p. 26)</xref> relatou que “[...] não há registro de pesquisa relacionada
				ao tema educação escolar nas prisões que evidencie o papel do pedagogo nesse
				contexto [...]”. No seu estudo, a autora teceu considerações acerca das
				especificidades deste espaço e como elas influenciam a atividade pedagógica. Para
					<xref ref-type="bibr" rid="B48">Mendes (2016, p. 132)</xref>,</p>
			<disp-quote>
				<p>Ao longo da história, a ênfase dos cursos de Pedagogia na formação docente, de
					educação infantil e séries iniciais e os avanços trazidos ao campo educacional
					pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (<xref ref-type="bibr"
						rid="B19">Brasil, 1996</xref>), são significativos, porém, ainda expõe
					fragilidades à profissionalização do pedagogo e não dão conta de suprir as
					demandas necessárias ao profissional que busca no curso de Pedagogia a formação
					para atuar na gestão e organização educacional nos espaços escolares e não
					escolares.</p>
			</disp-quote>
			<p>Assim como <xref ref-type="bibr" rid="B48">Mendes (2016)</xref>, o trabalho de <xref
					ref-type="bibr" rid="B59">Santos (2009)</xref> tomou o presídio como campo
				investigativo. Segundo ela, existe a menção a outros espaços de atuação do pedagogo
				na Resolução CNE/CP nº 01/2006, contudo, não é explicitada a forma como se dará essa
				formação.</p>
			<p>Atese de <xref ref-type="bibr" rid="B50">Oliveira (2015)</xref> tratou da formação do
				pedagogo para atuar no sistema penitenciário e um dado interessante trazido pela
				autora é que “o pedagogo aprendeu a ser pedagogo no Sistema Prisional na prática,
				isto é, atuando como pedagogo no referido local” (<xref ref-type="bibr" rid="B50"
					>Oliveira, 2015, p. 125</xref>). Em síntese, conforme registrou a autora,
				durante o seu processo formativo o pedagogo não foi preparado para atuar nesse
					<italic>lócus.</italic> Conclusão similar acerca de aprender a trabalhar na
				prática também foi retratada por <xref ref-type="bibr" rid="B36">Lacerda
					(2016)</xref> que investigou o exercício do pedagogo no âmbito hospitalar.</p>
			<p>Após o levantamento no Portal da CAPES, a pesquisa de Lucindo (2023) partiu para o
				campo empírico onde foi conhecer a situação desses profissionais no estado de MG nos
				diferentes espaços educativos delimitados. Em seu levantamento foi possível
				identificar os espaços onde os pedagogos estão inseridos, os quais seguem
				registrados no <xref ref-type="table" rid="T2">Quadro 1</xref>.</p>
			<table-wrap id="T2">
				<label>Quadro 01</label>
				<caption>
					<title>Quantitativo de Pedagogos atuando fora do âmbito escolar em UF</title>
				</caption>
				<table frame="box" rules="all">
					<thead style="background-color:#c2d8ef">
						<tr>
							<th align="center" valign="middle">ÓRGÃO/INSTITUIÇÃO DE LOTAÇÃO</th>
							<th align="center" valign="middle">DENOMINAÇÃO DO CARGO OCUPADO</th>
							<th align="center" valign="middle">Nº TOTAL DE PEDAGOGAS(OS)</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle">Secretaria de Estado de Justiça e
								Segurança Pública</td>
							<td align="center" valign="middle">Analista Executivo de Defesa
								Social</td>
							<td align="center" valign="middle">93</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>Secretaria de Estado de Saúde</td>
							<td align="center" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>Especialista em Políticas e Gestão da Saúde</td>
							<td align="center" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8">13 e
								1 cedido para a Escola de Saúde Pública</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle">Fundação Hospitalar do Estado de
								UF</td>
							<td align="center" valign="middle">Analista de Gestão e Assistência à
								Saúde</td>
							<td align="center" valign="middle">15</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>Fundação Hemominas</td>
							<td align="center" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>Analista de Hematologia e Hemoterapia</td>
							<td align="center" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>02</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle">Escola de Saúde Pública</td>
							<td align="center" valign="middle">Analista em Educação e Pesquisa em
								Saúde</td>
							<td align="center" valign="middle">10</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>Universidades Federais: Museus Universitários</td>
							<td align="center" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>Pedagogo</td>
							<td align="center" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>02</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle">Universidades Federais: Hospitais
								Universitários</td>
							<td align="center" valign="middle">Pedagogo</td>
							<td align="center" valign="middle">03</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle">Museus: esferas municipal, estadual e
								federal</td>
							<td align="center" valign="middle">Pedagogo</td>
							<td align="center" valign="middle">11</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle" colspan="2"
								style="background-color:#c2d8ef">Total</td>
							<td align="center" valign="middle" style="background-color:#c2d8ef"
								>149</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<fn id="TFN2">
						<p>Fonte: Dados organizados a partir de levantamento realizado pela
							pesquisadora</p>
					</fn>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
			<p>Os dados expressos asseveram que na contemporaneidade, a educação se insere em uma
				diversidade de <italic>loci,</italic> o que está em consonância com o discurso dos
				organismos que reconhecem sua relevância e se manifestam pela ampliação desses. E,
				como um direito social do indivíduo, garantido constitucionalmente, deve ocorrer ao
				longo de toda a vida. Logo, como afirmaram <xref ref-type="bibr" rid="B62">Severo
					(2017)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B39">Libâneo (2021)</xref>, não cabe
				restringi-la apenas às práticas escolares. E, nem tão pouco imaginar que exista uma
				forma única de educar ou um espaço e modelo exclusivo de exercício desta prática que
				nos acompanha há séculos (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Brandão, 2007</xref>).</p>
			<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B6">Brandão (2007, p. 10)</xref>, a educação é “uma
				fração do modo de vida dos grupos sociais que a criam e recriam, entre tantas outras
				invenções de sua cultura, em sua sociedade”, na verdade, o que existem são
				“educações”, pois é preciso considerar um modo de conceber as diversas experiências
				que os sujeitos experimentam em seu dia a dia e, também, de negar a possibilidade da
				existência de um único modo de educar. Nessa perspectiva, compreendemos que cada
				espaço e cada modo de educar precisa ser acompanhado por um profissional habilitado,
				instigando e mantendo vido o conflito criativo e o debate entre educadores e
				educandos (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Freire, 2011</xref>).</p>
			<p>Pelo fato de a educação se fazer presente, a Pedagogia também adentra esses espaços
				em virtude do seu objeto de estudo. Conforme relata <xref ref-type="bibr" rid="B56"
					>Pimenta (2006)</xref>, o objeto da Pedagogia é a educação enquanto prática
				social. Trata-se de “um objeto <italic>inconcluso,</italic> histórico, que constitui
				o sujeito que o investiga e é por ele constituído” (<xref ref-type="bibr" rid="B56"
					>Pimenta, 2006, p. 58</xref>). Ainda para a autora, “a Pedagogia, enquanto
				ciência prática <italic>da</italic> e <italic>para</italic> a práxis educacional,
				determina objetivos pedagógicos desta a partir <italic>da</italic> e
					<italic>para</italic> a práxis, cujo sentido não está pois na compreensão, mas
				no aperfeiçoamento da práxis”. A práxis se relaciona a uma prática dotada de
				intencionalidade e a Pedagogia parte dessa prática e a ela se volta.</p>
			<p><xref ref-type="bibr" rid="B38">Libâneo (2006a)</xref>, embasado nos autores que se
				dedicaram à discussão epistemológica dos conceitos de pedagogia e docência, afirma
				que “a pedagogia não se resume a um curso, antes, a um vasto campo de conhecimentos,
				cuja natureza constitutiva é a teoria e a prática da educação ou a teoria e a
				prática da formação humana” (<xref ref-type="bibr" rid="B38">Libâneo, 2006a, p.
					849</xref>). Para <xref ref-type="bibr" rid="B57">Pimenta, Pinto e Severo (2022,
					p. 3)</xref>, “a Pedagogia se configura como um saber e uma prática
				fundamentalmente necessária à humanização do sujeito na busca permanente pela
				transformação das condições sociais de sua existência individual e coletiva”.</p>
			<p>Ao tratar da finalidade da Pedagogia, <xref ref-type="bibr" rid="B28">Franco (2012,
					p. 32)</xref>, compreende que essa ciência “[...] procura
				compreender/transformar/direcionar a prática educativa. Assim, a Pedagogia organiza
				uma direção de sentido naqueles espaços onde a educação se realiza”. Nesses
				contextos, o pedagogo, cientista da educação, se configura como o profissional
				qualificado a trabalhar com os processos educativos e com a organização do trabalho
				pedagógico, uma vez que são responsáveis pela promoção de uma educação humanizadora.
				Como salientaram <xref ref-type="bibr" rid="B26">Franco, Libâneo e Pimenta (2007, p.
					89)</xref>, o profissional de Pedagogia é aquele “[...] que cuida da formação
				humana em todos os lugares em que essa formação acontece de forma intencional e
				sistemática”. Deste modo, é inconcebível limitar a sua atuação ao âmbito
				escolar.</p>
			<p>A partir desses achados se faz necessário refletir sobre qual formação tem sido
				ofertada a fim de subsidiar a atuação do pedagogo nesses espaços. O estudo de
				Lucindo (2023) constatou que uma vez que há profissionais atuando em espaços de ENE,
				a sua formação inicial deveria estar articulada à realidade do contexto social
				vigente, contudo, o curso de Pedagogia não tem formado para atuar nesses espaços. A
				formação para os espaços de ENE inexiste ou se dá de forma superficial, uma vez que
				atendendo a atual diretriz que regulamenta o curso, o processo formativo é centrado
				na docência e na escola. Por conseguinte, a falta de preparação para os espaços de
				ENE continua sendo recorrente.</p>
			<p>Os resultados evidenciados no estudo de Lima (2023) quanto à formação inicial
				ofertada pelos cursos de Pedagogia de Belo Horizonte/Minas Gerais, foram
				constituídos a partir da análise do PPC, matrizes curriculares e ementários
				disciplinares de cursos de oito IES do estado de Minas Gerais. O PPC enquanto
				documento norteador do processo formativo revelou se as seis IES que
				disponibilizaram o documento consideram ou não a atuação de pedagogos nos espaços de
				ENE.</p>
			<p>O PPC da Faculdade Estácio de Sá (presencial e EaD) menciona em seu objetivo geral
				que forma profissionais para atuar em espaços escolares, docência, gestão,
				planejamento, coordenação, supervisão pedagógica e em espaços de ENE. Objetivos que
				são reforçados em vários pontos do documento, reiterando que a atuação do pedagogo
				deverá considerar o contexto social em que esses profissionais atuam.</p>
			<p>Apresentado em formato síntese, o PPC da Pontifícia Universidade Católica de Minas
				Gerais (PUC-MG) (presencial e EaD), infere que a partir de estudos oriundos dos
				clássicos, seus egressos deverão estar aptos para atuar em diferentes contextos
				educacionais, dentro e fora do ambiente escolar. Todavia, na página inicial do curso
				de Pedagogia dessa IES sua descrição revela que a formação é destinada ao exercício
				da docência, ainda que contemple os espaços de ENE. Tal realidade substancia os
				apontamentos de <xref ref-type="bibr" rid="B42">Libâneo (2001)</xref>, no que diz
				respeito ao fato de que os próprios documentos legais que regem o curso solidificam
				essa estrutura na docência, privilegiando determinado <italic>lócus.</italic></p>
			<p>A Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) (presencial e EaD), que
				disponibilizou o documento na íntegra, afirma claramente que a base do curso é
				fundamentada para a atuação na docência, e inclusive referencia a escola pública
				como sendo o campo de preferência para atuação desses profissionais. Contudo, os
				espaços de ENE integram seus objetivos formativos.</p>
			<p>Já o PPC da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) (presencial), salienta a
				relevância das DCN do curso para a elaboração do documento, onde não foi feita uma
				escolha sobre um tipo exclusivo de formação – para a docência, gestão ou pesquisa –
				que desde 2007 se tornaram indissociáveis. Por toda extensão do documento, nota-se
				que a docência está no centro do processo, tendo em vista que a carga horária para
				disciplinas voltadas para a atuação em escolas se sobressai às demais. Os espaços de
				ENE são abordados em disciplinas optativas de formação complementar, que integram os
				percursos curriculares da mesma. Os objetivos, portanto, não foram claramente
				definidos no PPC, nem mesmo na página inicial do curso, em que a descrição
				compreende uma formação voltada para o desenvolvimento de ações pedagógicas que
				estejam alinhadas com as transformações sociais, sem mencionar os espaços de
				ENE.</p>
			<p>Também em formato síntese, o PPC da Faculdades Integradas Norte do Paraná (UNOPAR)
				(semipresencial e EaD), define seus objetivos formativos para a atuação na
				organização, gestão e coordenação em espaços escolares e não escolares. No entanto,
				os espaços de ENE foram mencionados no documento como sendo o terceiro setor
				(Organizações Não-Governamentais), frisando novamente as limitações existentes na
				formação inicial dos cursos de Pedagogia.</p>
			<p>Quanto às IES que não disponibilizaram o PPC para análise, buscou-se na página
				inicial do curso, informações quanto aos objetivos gerais. Assim sendo, tanto a
				Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Belo Horizonte (FACISABH) (presencial),
				quanto o Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH) (presencial e EaD), apesar
				de deixarem claras as intenções em formar profissionais para atuar em espaços
				escolares e de ENE, também estão fortemente alicerçadas na docência.</p>
			<p>As análises dos PPC apontaram para o fato de que apesar de resguardada pela
				legislação (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Brasil, 2006b</xref>), a atuação de
				pedagogos em espaços de ENE não está sendo inserida e trabalhada com afinco pelas
				instituições responsáveis pela formação inicial de pedagogos. Conforme afirma <xref
					ref-type="bibr" rid="B37">Libâneo (2002)</xref>, há que se considerar que nem
				todo pedagogo precisa (ou deseja) atuar como professor, tendo a possibilidade de se
				estabelecer em outros <italic>lócus</italic> em que ocorram práticas educativas e
				formativas. Porém, notou-se que não há um entendimento claro dessas possibilidades
				não apenas por parte dos discentes, mas de professores e também pelos responsáveis
				por elaborar os documentos norteadores dessas IES.</p>
			<p>Consequentemente, os egressos que por opção ou oportunidade se inserem em espaços de
				ENE, necessitem buscar por conta própria, formações complementares que subsidiem
				suas práticas nesses espaços. Essa afirmativa foi validada pelos pedagogos
				entrevistados por Lima (2023), que salientaram o quanto a formação complementar foi
				fundamental para que conseguissem entenderas complexidades e singularidades que
				constituem seu <italic>lócus</italic> de atuação, o Museu de Artes e Ofícios (MAO),
				localizado na região central do município de Belo Horizonte/MG.</p>
			<p>A análise das matrizes curriculares das oito IES foi realizada com base na
				nomenclatura das disciplinas, e apontou não apenas similaridades, como discrepância
				entre o que foi previsto em seus PPC e o que de fato integra suas matrizes. O
				processo de análise de duas IES em específico (Faculdade Estácio de Sá e Faculdade
				Pitágoras) foi complexo pelo fato de disponibilizarem em seus sites institucionais
				pelo menos duas matrizes distintas, informações não muito claras como, por exemplo,
				a qual modalidade essas matrizes se referiam (presencial ou EaD) e a ausência de
				disciplinas que eram mencionadas em seus PPC. Outra coincidência, é que essa
				dificuldade foi identificada justamente em duas IES que possuem uma ampla rede de
				poios de ensino em todo o território nacional.</p>
			<p>Os resultados oriundos das análises das matrizes curriculares que integraram a
				pesquisa de Lima (2023) reforçaram o fato de que a docência é privilegiada ao longo
				de todo o processo formativo, haja vista que os cursos com carga horária média de
				3.000h total, destinam apenas 5% desse montante para disciplinas e estágios que
				abordam a temática educação em espaços de ENE. As (poucas) disciplinas ofertadas,
				geralmente integram a matriz dos últimos períodos do curso (do 6º ao 8º), assim como
				os estágios obrigatórios exigidos por seis das oito IES analisadas. Apenas uma delas
				– a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) modalidade EaD –
				oferta um total de seis disciplinas, enquanto as demais se limitam a uma ou duas
				disciplinas, ou uma disciplina e um estágio em espaços de ENE.</p>
			<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B26">Franco, Libâneo e Pimenta (2007)</xref>, esse
				movimento comprova que nem todos os aspectos do estudo dos fenômenos educativos são
				considerados. Assim sendo, mesmo que as DCN do curso garantam a amplitude do
				processo formativo, também limita a atuação dos discentes, uma vez que os currículos
				explicitam seu privilégio aos espaços escolares.</p>
			<p>Quanto aos ementários, apenas as três IES que disponibilizaram o documento foram
				analisadas, sendo elas: Faculdades Integradas Norte do Paraná (UNOPAR), Universidade
				do Estado de Minas Gerais (UEMG) e Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Belo
				Horizonte de UF (FACISABH), onde todas ofertam duas disciplinas ao longo de todo o
				curso. No 1º período, na disciplina <italic>Pedagogia: identidade
					profissional</italic> da Faculdades Integradas Norte do Paraná (UNOPAR), são
				apresentados os multicampos de atuação do pedagogo a partir da constituição
				histórica do curso. O conteúdo é aprofundado no 3º período na disciplina
					<italic>Educação em espaços não escolares.</italic></p>
			<p>Na modalidade presencial, a Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) oferta duas
				disciplinas com mesma nomenclatura: <italic>Pedagogia e a sua
					multidimensionalidade</italic> no 1º e 5º períodos. Inicialmente o conteúdo faz
				um apanhado histórico do curso, que é aprofundado no 5º período quanto às
				competências profissionais de pedagogos nos mais diversos espaços. Já a modalidade
				EaD oferta uma disciplina (<italic>Identidade do Pedagogo</italic>) e um estágio
				obrigatório (<italic>Estágio de atuação de pedagogo em espaços
					não-escolares</italic>) no 8º período do curso.</p>
			<p>A Faculdades Integradas Norte do Paraná (UNOPAR) oferta a disciplina <italic>Práticas
					educativas em espaços não-escolares</italic> no 2º período, que apresenta aos
				discentes conceitos e a história da educação, acompanhadas das possibilidades de
				atuação que ultrapassam o âmbito escolar. O <italic>Estágio curricular obrigatório
					III</italic> prevê a vivência e prática nos espaços de ENE aos seus discentes no
				6º período do curso, que inclusive é o último nessa IES. Entretanto, apesar de uma
				duração menor às demais quanto ao número de períodos do curso, sua carga horária não
				é inferior.</p>
			<p>Em relação às estratégias de aprendizagem, não houve diferença entre as três IES
				analisadas. Aulas expositivas, dialogadas, debates, trabalhos em grupo e visitas de
				campo estão presentes em todas elas. Há similaridade nas referências bibliográficas
				de duas dessas IES, que incorporam os estudos de <xref ref-type="bibr" rid="B41"
					>Libâneo (1998)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B29">Freire (2011</xref>;
					<xref ref-type="bibr" rid="B30">2016</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B35"
					>Gohn (2006</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B34">2009</xref>) e <xref
					ref-type="bibr" rid="B6">Brandão (2007)</xref>. A Faculdades Integradas Norte do
				Paraná (UNOPAR) não informou as referências bibliográficas utilizadas no curso.</p>
			<p>Apontamentos realizados pelos pedagogos durante as entrevistas foram ao encontro às
				análises acima, considerando que ambos se formaram em uma das IES analisadas.
				Segundo os mesmos, a base docente ao longo do curso foi fundamental para compreender
				os processos educativos como um todo e serem capazes de analisar situações para
				tomar decisões assertivas, mas não o suficiente para se sentirem seguros em sua
				atuação como pedagogos museais. Foi preciso buscar reforços tanto no museu, como em
				cursos de extensão que ofereceram mecanismos e conhecimentos técnicos fundamentais
				para essa rotina profissional.</p>
			<p>As análises dos documentos reafirmaram a existência de lacunas na formação inicial de
				pedagogos, bem como a precisão de discussões contínuas a respeito das possibilidades
				de atuação desses profissionais em espaços de ENE, possibilitando o cumprimento do
				que é estabelecido nas DCN do curso.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Algumas reflexões</title>
			<p>O desenvolvimento dessas pesquisas possibilitou trazer à baila a discussão do campo
				do currículo na formação e atuação de pedagogos em âmbitos que ultrapassam os
				limites da escola, principalmente, no <italic>lócus</italic> investigado em que foi
				constatada uma carência de estudos em nível de Doutorado acerca do pedagogo em
				espaços de ENE. Os dados evidenciados neste artigo demonstram que a ampliação e a
				diversificação das práticas educativas e dos espaços que lidam com a educação é uma
				realidade das sociedades contemporâneas. Não obstante, se trata de um fenômeno que
				carece de maiores estudos, principalmente, no interior dos próprios cursos de
				formação de pedagogos. Expandir a produção científica que evidencia outros campos de
				trabalho e a atuação do pedagogo em âmbitos distintos do escolar contribui para que
				a Pedagogia alcance, de fato, o <italic>status</italic> de ciência da educação que
				conduz a formação desses profissionais.</p>
			<p>Ao pesquisar como as IES que ofertam os cursos de Pedagogia têm abordado o
				conhecimento relativo aos espaços de ENE, a análise dos projetos pedagógicos,
				matrizes curriculares e ementários disciplinares asseverou que a docência se mantém
				fortemente no centro dos processos formativos das IES, ocasionando um distanciamento
				entre teoria e prática que garanta a atuação dos discentes em espaços de ENE. Fato
				que segundo <xref ref-type="bibr" rid="B42">Libâneo (2001)</xref>, contribui para a
				tradição dos cursos de Pedagogia em formar professores.</p>
			<p>O baixo percentual de disciplinas bem como a carga horária destinada à temática, vêm
				resultando em uma formação permeada de fragilidades, que impedem ou dificultam a
				entrada e permanência de pedagogos nesses espaços. Fragilidades que abrem espaço
				para que profissionais de outras áreas respondam pelos processos educativos e
				formativos nesses <italic>loci.</italic> Tais reflexões contribuem para que a
				amplitude dessa formação seja considerada e dialogada nos espaços formativos para
				que os saberes e práticas desses profissionais sejam incorporados em todos os
				espaços em que a educação se faça presente.</p>
			<p>A formação e a atuação profissional não são estanques e se transformam conforme as
				demandas sociais e o tempo histórico. Há profissionais de Pedagogia atuando fora do
				espaço escolar e o curso não tem formado para a ENE. Neste sentido, é preciso
				compreender tais demandas para subsidiar a construção de um projeto político de
				formação cujas diretrizes vão direcionar essa formação. Além do mais, os espaços de
				ENE possuem peculiaridades que se distinguem do ambiente escolar e o trabalho
				pedagógico não é algo que pode ser replicado de um espaço para o outro dado os
				elementos que se distinguem conforme os múltiplos <italic>loci</italic> de
				atuação.</p>
			<p>Em virtude da complexidade curricular que envolve o curso de Pedagogia, torna-se um
				desafio formar o pedagogo para atuação em diversos <italic>loci</italic> e o curso
				não vai oferecer uma formação voltada para todos os cenários de ENE, mas, rever o
				currículo e, principalmente, a dimensão do conteúdo a ser trabalhado nas
				disciplinas, se apresentam como ações de fundamental importância.</p>
			<p>Ao defender a formação para os espaços de ENE não se pretende relegar a docência ao
				segundo plano, mas que o curso de Pedagogia forme o pedagogo para os espaços
				escolares e de ENE. Para tanto, encerra-se este artigo explicitando algumas pistas
				que possibilitam às instituições formadoras promoverem essa formação. A principal
				consiste na definição, no projeto político pedagógico, de quais cenários de ENE
				serão tematizados nessa formação, avaliando as possibilidades de atuação
				profissional que se fazem presentes no território onde as IES se localizam.</p>
			<p>Após a definição desses cenários, as IES necessitarão considerar também:</p>
			<list list-type="simple">
				<list-item>
					<p>» O estudo da Pedagogia nos cursos de Pedagogia, discutindo sua dimensão
						enquanto campo de conhecimento, curso e profissão;</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>» Uma visão mais ampla dos conhecimentos científicos e filosóficos da
						educação de forma a propiciar um estudo mais abrangente acerca dos elementos
						que constituem a relação pedagógica (os fins, os sujeitos, os ambientes e os
						saberes);</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>» Os conhecimentos técnico-profissionais específicos conforme os cenários de
						ENE que foram definidos;</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>» A realização de estágios obrigatórios em espaços de ENE;</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>» Outras formas de favorecer a aproximação dos graduandos com o campo da ENE,
						a exemplo da extensão e dos estágios não obrigatórios;</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>» A oferta de disciplinas, inclusive eletivas, que enfoquem e colaborem com o
						conhecimento alusivo aos espaços de ENE;</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>» A promoção e o fomento de atividades complementares (seminários, encontros,
						ciclos de debates, visitas técnicas e outras) que propiciem o conhecimento e
						a troca de experiências com pedagogos que atuem em espaços de ENE como
						também pesquisadores que estudam essa temática;</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>» Identificar em seu território os espaços de ENE que contam com a presença
						de profissionais de Pedagogia a fim de embasar a oferta da ENE nos cursos e
						firmar convênios com vistas ao desenvolvimento de atividades integradas
						entre essas instituições e a universidade (estágios obrigatórios e não
						obrigatórios, atividades complementares, pesquisa, extensão e outras);</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>» Possuir em seu corpo docente pesquisadores com formação em Pedagogia e que
						se dedicam à investigação dessa ciência e da temática em pauta.</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>» Por fim, acreditamos que um olhar bem crítico à produção científica da área
						e às demandas que emanam da atual conjuntura social nos propiciará avançar
						na construção dessa formação.</p>
				</list-item>
			</list>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Atendendo aos preceitos da ética na pesquisa, o presente artigo origina-se de
					pesquisas desenvolvidas no âmbito da Pós-Graduação em Educação da Universidade
					Federal de Ouro Preto e que foram submetidas ao Comitê de Ética em Pesquisa
					dessa instituição. Artigo revisado e normalizado por Jianne Ines Fialho
					Coelho.</p>
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				<label>2</label>
				<p>Resumo traduzido por Rayane Batista de Araújo.</p>
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				<label>3</label>
				<p>Resumo traduzido por Maria Florentina Lapadula.</p>
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			<title>REFERÊNCIAS</title>
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					<source>Revista da FAEEBA – Educação e Contemporaneidade</source>
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					<chapter-title>A política do conhecimento oficial: faz sentido a ideia de um
						currículo nacional</chapter-title>
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