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	<front>
		<journal-meta>
			<journal-id journal-id-type="publisher-id">faeeba</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. FAEEBA - Ed. e
					Contemp.</abbrev-journal-title>
			</journal-title-group>
			<issn pub-type="epub">2358-0194</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Universidade do Estado da Bahia</publisher-name>
			</publisher>
		</journal-meta>
		<article-meta>

			<article-id pub-id-type="doi"
				>10.21879/faeeba2358-0194.2025.v34.n77.p245-258</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigo</subject>
				</subj-group>
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			<title-group>
				<article-title>PRÁTICAS CORPORAIS DE AVENTURA NO CURRÍCULO PAULISTA: DESAFIOS NO
					CHÃO DA ESCOLA</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>ADVENTURE BODILY PRACTICES IN SÃO PAULO CURRICULUM: CHALLENGES ON
						THE SCHOOL FLOOR</trans-title>
				</trans-title-group>
				<trans-title-group xml:lang="es">
					<trans-title>PRÁCTICAS CORPORALES DE AVENTURA EN EL CURRÍCULO DE SÃO PAULO:
						DESAFIOS EN LA PISTA</trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-7884-2695</contrib-id>
					<name>
						<surname>Cardoso</surname>
						<given-names>Vinicius Felipe</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-5683-7454</contrib-id>
					<name>
						<surname>Inácio</surname>
						<given-names>Humberto Luis de Deus</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2">**</xref>
				</contrib>
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			<aff id="aff1">
				<label>*</label>
				<institution content-type="orgname">Universidade Estadual de Maringá
					(UEM)</institution>
				<email>viniciusfelipecardoso@hotmail.com</email>
				<institution content-type="original">Doutorando em Educação Física pela Universidade
					Estadual de Maringá (UEM). Mestre em Educação Física pela Universidade Federal
					de Goiás (UFG). Membro do Grupo de Pesquisa em Esporte, Lazer e Comunicação
					(UFG) e Observatório de Educação Física e Esporte (OEFE-UEM). Docente da Rede
					Municipal e Estadual em Birigui. E-mail:
					viniciusfelipecardoso@hotmail.com</institution>
			</aff>
			<aff id="aff2">
				<label>**</label>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal de Santa Catarina
					(UFSC)</institution>
				<email>betoinacio@ufg.br</email>
				<institution content-type="original">Pós-Doutor em Educação Física. Doutorado em
					Sociologia Política e Mestrado em Educação pela Universidade Federal de Santa
					Catarina (UFSC). Docente de graduação e do Programa de Pós-Graduação em Educação
					Física (PPGEF) da Universidade Federal de Goiás (UFG). Líder do Grupo de
					Pesquisa em Esporte, Lazer e Comunicação – UFG. E-mail:
					betoinacio@ufg.br</institution>
			</aff>
			<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
				<day>23</day>
				<month>09</month>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<pub-date publication-format="electronic" date-type="collection">
				<season>Jan-Mar</season>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<volume>34</volume>
			<issue>77</issue>
			<fpage>245</fpage>
			<lpage>258</lpage>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>11</day>
					<month>11</month>
					<year>2024</year>
				</date>
				<date date-type="accepted">
					<day>07</day>
					<month>02</month>
					<year>2025</year>
				</date>
			</history>
			<permissions>
				<license license-type="open-access"
					xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>Neste estudo, objetivamos compreender a inserção das Práticas Corporais de
					Aventura no Currículo Paulista sob a perspectiva dos professores de Educação
					Física. Observam-se estudos que versam sobre o currículo, em diversos âmbitos e,
					aqui, buscamos a tematização deste conteúdo do currículo prescrito à sua prática
					em ação. Trata-se de uma triangulação entre a análise documental e entrevistas
					com professores de Educação Física da Rede Estadual paulista em Birigui. Este
					material de apoio visa proporcionar atividades e conhecimentos relacionados às
					Práticas Corporais de Aventura; porém, seu desenvolvimento é limitado devido a
					lacunas como a avaliação, a inclusão e acessibilidade, resultados, impactos e
					quebra de sequência lógica. Concluímos que nosso objeto está inserido no
					material de apoio, mas mal desenvolvido, por conta das lacunas identificadas e
					da formação profissional ainda incipiente sobre este tema.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>In this study, we aimed to comprehend the insertion of Adventure Bodily Practices
					in Currículo Paulista from Physical Education teacher’s perspectives. Some
					studies deal with the curriculum, in different areas and, here, we seek to
					thematization this content of the prescribed curriculum into its practice in
					action. This support material aims to provide activities and knowledge related
					to Adventure Bodily Practices; but, has gaps in development like evaluation,
					inclusion, results, impacts and break in logical sequence. We concluded that our
					object is included on support material for teachers, but poorly developed, due
					to identified gaps and the still nascent professional training on this
					topic.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>RESUMEN</title>
				<p>En este estúdio, obtuvimos como objetivo comprender la inserción de las Prácticas
					Corporales de Aventura en el Currículo Paulista desde la perspectiva de los
					docentes de Educación Física. Algunos estúdios abordan el currículo en
					diferentes áreas y aqui buscamos tematizar este contenido dei currículo
					prescrito en su práctica en acción. Este material de apoyo tiene como objetivo
					brindar actividades y conocimientos relacionados con las Prácticas Corporales de
					Aventura; pero tiene vacíos en el desarrollo como evaluación, inclusion,
					resultados, impactos y ruptura en la secuencia lógica. Concluímos que nuestro
					objeto está incluído en material de apoyo para docentes, pero poco desarrollado,
					debido a vacíos identificados y a la aún incipiente formación profesional sobre
					este tema.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Movimento</kwd>
				<kwd>Currículo</kwd>
				<kwd>Docência</kwd>
				<kwd>Educação Física</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Movement</kwd>
				<kwd>Curriculum</kwd>
				<kwd>Teaching</kwd>
				<kwd>Physical Education</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Palabras-clave:</title>
				<kwd>Movimiento</kwd>
				<kwd>Plan de estúdios</kwd>
				<kwd>Enseñando</kwd>
				<kwd>Educación Física</kwd>
			</kwd-group>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>1 Introdução</title>
			<p>Nas últimas décadas, mudanças sociais, culturais e político-ideológicas contribuíram
				para alterações substanciais no que diz respeito às práticas corporais e suas
				tematizações no ‘chão da escola’. Explanam-se aqui algumas reflexões introdutórias
				sobre a atuação de professores de Educação Física (EF) ao serem confrontados com as
				Práticas Corporais de Aventura (PCAs).</p>
			<p><xref ref-type="bibr" rid="B14">Marinho e Inácio (2007, p. 61)</xref>, afirmam que
				essa reflexão deve partir de todos os espaços educacionais além do debate sobre as
				PCAs na formação profissional, pois ao conhecemos como os docentes de EF Escolar
				desenvolvem-na nas aulas, podemos desenvolver propostas metodológicas na formação
				dos docentes e sua tematização, além de instigar os educandos a perceberem de
				maneira crítica a relação do ser humano com o meio ambiente.</p>
			<p>Nesta trilha, observa-se que a diversidade brasileira é um campo fértil para o
				exercício das PCAs, em relação aos inúmeros espaços adequados a essa prática, sendo
				que as diversas disciplinas “poderiam trabalhar seus conteúdos no meio natural,
				oportunizando inúmeras vivências aos estudantes” (<xref ref-type="bibr" rid="B17"
					>Portela, 2020, p. 20</xref>). Tal observação fundamenta-se no potencial
					geomorfológico<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref> brasileiro para a prática
				dos ‘Esportes de Aventura’, no aumento de praticantes e à oferta de orientações para
				tal tematização na EF Escolar, por meio dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs)
					(<xref ref-type="bibr" rid="B4">BRASIL, 1997</xref>), mas, especialmente pelas
				determinações da BNCC – Base Nacional Comum Curricular (<xref ref-type="bibr"
					rid="B3">BRASIL, 2018</xref>).</p>
			<p>Compreendemos que cada região brasileira interpreta os objetivos pressupostos da
				BNCC, moldando-os segundo seus objetivos internos, políticos e estéticos.</p>
			<p>Refletindo sobre os impasses na tematização das PCAs, a literatura científica
				brasileira vem sendo fomentada por diversas instituições, a exemplo das Unidades
				Didáticas como produto do Programa de Mestrado Profissional em EF (ProEF); nesse
				sentido, desvendando a problemática, elaboramos o <xref ref-type="table" rid="T1"
					>Quadro 1</xref>, a seguir, com as produções voltadas ao nosso objeto de
				estudo.</p>
			<table-wrap id="T1">
				<label>Quadro 1</label>
				<caption>
					<title>Produção Intelectual do ProEF sobre as PCAs.</title>
				</caption>
				<table frame="box" rules="all">
					<thead style="background-color:#c2d8ef">
						<tr>
							<th align="center" valign="middle">INSTITUIÇÃO</th>
							<th align="center" valign="middle">AUTOR</th>
							<th align="center" valign="middle">ANO</th>
							<th align="center" valign="middle">TÍTULO DA DISSERTAÇÃO</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle" rowspan="3">Universidade Federal de
								Goiás</td>
							<td align="left" valign="middle"><xref ref-type="bibr" rid="B2">Bruna
									Brandão Teixeira</xref></td>
							<td align="left" valign="middle">2023</td>
							<td align="left" valign="middle">Práticas Corporais de Aventura na
								natureza: possibilidades de vivências e conscientização ambiental na
								escola e na cidade de Pirenópolis-GO.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle">Henrique Cândido Brandão</td>
							<td align="left" valign="middle">2023</td>
							<td align="left" valign="middle">O ensino do slackline nas aulas de
								educação física na educação básica: mediações a partir da pedagogia
								histórico-crítica.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle"><xref ref-type="bibr" rid="B15">Gleison
									Gomes de Morais</xref></td>
							<td align="left" valign="middle">2020</td>
							<td align="left" valign="middle">Práticas Corporais de Aventura: uma
								proposta de ensino baseada na Metodologia Crítico-Superadora.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>Universidade Federal do Rio Grande do Norte</td>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"><xref
									ref-type="bibr" rid="B23">Cybele Câmara da Silva</xref></td>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>2020</td>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>Práticas Corporais de Aventura nos Anos Iniciais: a organização e a
								sistematização curricular nas aulas de Educação Física.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle" rowspan="2">Universidade Estadual
								Paulista – Campus Presidente Prudente</td>
							<td align="left" valign="middle"><xref ref-type="bibr" rid="B24"
									>Henrique Camargo Alves da Silva</xref></td>
							<td align="left" valign="middle">2020</td>
							<td align="left" valign="middle">Parkour na escola – uma sistematização
								das práticas corporais contemporâneas.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle"><xref ref-type="bibr" rid="B25">Marion
									Costa da Silva</xref></td>
							<td align="left" valign="middle">2018</td>
							<td align="left" valign="middle">Esporte Orientação, diversificando o
								Currículo da Educação Física Escolar.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>Universidade de Pernambuco</td>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"><xref
									ref-type="bibr" rid="B8">Túlio Magno da Silva Campos</xref></td>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>2020</td>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>Práticas Corporais de Aventura: proposta de unidade didática para
								anos finais do ensino fundamental.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle">Universidade Regional do Noroeste do
								Estado do Rio Grande do Sul</td>
							<td align="left" valign="middle"><xref ref-type="bibr" rid="B13">Jean
									Fortes de Lima</xref></td>
							<td align="left" valign="middle">2017</td>
							<td align="left" valign="middle">Práticas Corporais de Aventura na
								perspectiva da educação ambiental.</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<fn id="TFN1">
						<p><bold>Fonte:</bold> elaboração própria (2024).</p>
					</fn>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
			<p>Percebemos que as PCAs se mantêm na superfície do mar educacional, sendo oito
				produtos num campo de 158 dissertações do programa — até a data de maio/2024.</p>
			<p><xref ref-type="bibr" rid="B17">Portela (2020, p. 14)</xref>, percebe a escassez de
				estudos voltados à aplicação dessas práticas no ambiente escolar, revelando a
				necessidade de pesquisas que aprofundem o tema e contem com a participação dos
				professores de EF da educação básica. Nesses termos, é compreensível que professores
				se baseiam nesses documentos para conduzirem suas aulas. A pesquisa desenvolvida por
					<xref ref-type="bibr" rid="B27">Turíbio e Silva (2017)</xref>, constatou que o
				grupo de professores investigados seguiram os mesmos conteúdos apresentados no livro
				didático e materiais de apoio para professores. Os autores concluíram que, apesar da
				limitada qualidade do livro didático, este material determinava o currículo e a
				prática pedagógica dos docentes.</p>
			<p>Vemos que as produções acadêmicas, que visam produtos educacionais, são potenciais
				para docentes intervirem e ampliarem o <italic>rol</italic> de conhecimento sobre as
				PCAs, ao compreendermos que a BNCC “não determina <italic>como</italic> ensinar, mas
				sim <italic>o que</italic> ensinar” (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Cardoso
						<italic>et al.,</italic> 2023, p. 3</xref>).</p>
			<p>Assim, a motivação para este estudo parte da recente abordagem das PCAs no Currículo
				de EF, especificamente no Estado de São Paulo, por meio do <italic>Currículo
					Paulista,</italic> sendo este último o material de apoio e norteador para os
				docentes e estudantes do Ensino Fundamental e Ensino Médio (EM).</p>
			<p>Objetivamos compreender a inserção das PCAs no <italic>Currículo Paulista</italic>
				sob a perspectiva dos professores de EF em Birigui-SP Nas discussões aqui
				apresentadas, tratamos de uma interlocução entre o este material de apoio e
				entrevistas com Professores da Rede Estadual em Birigui-SP</p>
			<p>O cerne deste estudo justifica-se no desenvolvimento das PCAs a partir da
				verticalização do Currículo<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref> amplo ao operado
				nas aulas, bem como fomentar outras perspectivas e pesquisas sobre o tema.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>2 Caminho metodológico</title>
			<p>Este estudo foi conduzido com o consentimento informado dos participantes<xref
					ref-type="fn" rid="fn3">3</xref>, substituindo seus nomes por pseudônimos para
				garantir o anonimato e respeitar os princípios éticos. As entrevistas foram
				realizadas apenas com professores e professoras da rede estadual paulista,
				totalizando dezessete docentes de onze escolas em Birigui. Ressaltamos que tais
				entrevistas ocorreram em 2023 com professores ativos na rede de ensino do Estado de
				São Paulo, especificamente da Diretoria de Ensino de Birigui, excluindo escolas
				municipais de 1º a 5º ano, devido à ênfase do estudo nos conteúdos relacionados às
				PCAs da BNCC a partir do 6º ano em diante. Tais entrevistas foram escrutinadas por
				meio da Análise de Conteúdo (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Bardin, 2015</xref>),
				com auxílio do software WebQDA®.</p>
			<p>Em relação ao <italic>Currículo Paulista,</italic> foram explorados os documentos
				referentes ao Currículo do Estado de São Paulo, sobretudo os disponíveis nos sítios
				eletrônicos deste acervo. Vale dizer que os materiais analisados estavam situados na
				aba de formação dos professores, alocados na seção “Cadernos do Professor – 2023 /
				volume 01 / Anos Finais”; “Cadernos do Aluno – 2023 / Currículo em Ação / EM” e
				“Cadernos do Professor – 2022 / volume 02 / Anos Finais”.</p>
			<p>A pesquisa documental, conforme <xref ref-type="bibr" rid="B10">Gil (2002, p.
					44)</xref>, assemelha-se à pesquisa bibliográfica, ao mesmo tempo que “a
				pesquisa bibliográfica se utiliza fundamentalmente das contribuições de diversos
				autores [...], a pesquisa documental vale-se de materiais que não receberam um
				tratamento analítico”. Por fim, a análise desse material foi construída com objetivo
				de apoiar e contextualizar o leitor ao sistema operado pela Secretaria da Educação
				do Estado de São Paulo durante o ano que essa pesquisa foi operacionalizada.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>3. A proposta do Estado de São Paulo: o Currículo Paulista</title>
			<p>O <italic>Currículo Paulista</italic> é um documento norteador para as escolas
				estaduais do Estado de São Paulo, propondo atividades, reflexões e procedimentos
				para os diferentes componentes curriculares. O documento aborda e contempla as
				competências gerais da BNCC aprovada pelo Conselho Nacional de Educação em 2017.</p>
			<p>Dessa forma, as competências e habilidades explícitas no Currículo Paulista orientam
				a Proposta Pedagógica de cada instituição escolar, sendo uma referência comum para
				toda Rede, “bem como a organização dos tempos e dos espaços, das práticas
				pedagógicas e de gestão”, no intuito de oportunizar aprendizagens a todos os
				estudantes (<xref ref-type="bibr" rid="B20">São Paulo, 2019, p. 11</xref>).</p>
			<sec>
				<title>3.1 As Práticas Corporais de Aventura no Currículo Paulista</title>
				<p>As PCAs contempladas no Currículo Paulista são categorizadas por ciclos,
					abordando inicialmente as PCAs Urbanas, nos 6º e <italic>7</italic>º anos,
					explorando a “paisagem do cimento” (<xref ref-type="bibr" rid="B19">São Paulo,
						2020</xref>), durante a experimentação de Parkour, Skate, Patins, Bike. Em
					seguida, nos 8º e 9º anos, pelas PCAs na Natureza, caracterizando-se por
					“explorar as incertezas que o ambiente físico cria para o praticante na geração
					da vertigem e do risco controlado” (<xref ref-type="bibr" rid="B19">São Paulo,
						2020</xref>). Nesses últimos anos do Ensino Fundamental, o material de apoio
					introduz a Corrida de Orientação, o rapei, a tirolesa e o arvorismo.</p>
				<p>Explorando o currículo desde o 6º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do EM,
					ilustramos o <xref ref-type="table" rid="T2">quadro</xref> abaixo relacionando a
					série, a modalidade de PCA e o bimestre que se encontra o objeto de estudo.</p>
				<table-wrap id="T2">
					<label>Quadro 2</label>
					<caption>
						<title>As modalidades das PCAs presentes no Currículo Paulista
							(2023)</title>
					</caption>
					<table frame="box" rules="all">
						<thead style="background-color:#c2d8ef">
							<tr>
								<th align="center" valign="middle">SÉRIE</th>
								<th align="center" valign="middle">BIMESTRE</th>
								<th align="center" valign="middle">OBJETO DE CONHECIMENTO</th>
								<th align="center" valign="middle">PRÁTICA CORPORAL</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left" valign="middle">6º ano</td>
								<td align="left" valign="middle">3º bimestre</td>
								<td align="left" valign="middle">PCAs Urbanas</td>
								<td align="left" valign="middle">Parkour e Slackline</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8">7º
									ano</td>
								<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8">1º
									bimestre</td>
								<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
									>PCAs Urbanas</td>
								<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8">
									<p>Skate</p>
									<p>Parkour, Base jump, Slackline, Escalada
											<italic>Indoor,</italic> Paintball, BMX</p>
								</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="middle">8º ano</td>
								<td align="left" valign="middle">4º bimestre</td>
								<td align="left" valign="middle">PCAs na Natureza</td>
								<td align="left" valign="middle">
									<p>Arvorismo, Escalada Desportiva</p>
									<p>Escalada <italic>Speed,</italic> Escalada
											<italic>Lead,</italic> Escalada
										<italic>Boulder</italic></p>
								</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8">9º
									ano</td>
								<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8">1º
									bimestre</td>
								<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
									>PCAs na Natureza</td>
								<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
									>Corrida de Orientação</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="middle">1ª série do EM</td>
								<td align="left" valign="middle">3º bimestre</td>
								<td align="left" valign="middle">PCAs Urbana e da Natureza</td>
								<td align="left" valign="middle">Paintball*</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
										><italic>2-</italic> série do EM</td>
								<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8">3º
									bimestre</td>
								<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
									>PCAs</td>
								<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
									>Sem dados</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="middle">3ª série do EM</td>
								<td align="left" valign="middle">1º bimestre</td>
								<td align="left" valign="middle">PCAs</td>
								<td align="left" valign="middle">Corrida de Aventura</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<fn id="TFN2">
							<p>*o Paintball, embora denominado esporte de combate individual, o
								Material do Aluno/SP trata como uma crescente aderência pelo público
								juvenil nos centros urbanos e espaços ao ar livre, como o BMX.</p>
						</fn>
						<fn id="TFN3">
							<p><bold>Fonte:</bold> Elaboração própria (2024).</p>
						</fn>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
				<p>Observa-se não haver dados de qual prática corporal se insere na
						<italic>2</italic>ª série do EM, visto que, de acordo com promulgação do
					Novo Ensino Médio, tornou-se optativa aos estudantes de cursar [ou não] a
					disciplina em 2021 a 2023 (em função da pandemia de Coronavírus), todavia, em
					2024, inseriu-se como componente obrigatório. Nesse contexto, o Currículo não
					esteve disponível no sítio dos materiais de apoio<xref ref-type="fn" rid="fn4"
						>4</xref>. No entanto, consultamos os materiais disponíveis de EF em busca
					das PCAs, desde o 6º ano do Ensino Fundamental à <italic>3-</italic>série do EM,
					sendo analisados e transcritos a seguir.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>3.2 Análise do Currículo Paulista</title>
				<p>No 6º ano do Ensino Fundamental, as PCAs estão alocadas no 3º bimestre, iniciando
					na Unidade Temática: Corpo, Movimento e Saúde e, na sequência, abordando o
					universo das PCAs Urbanas. O documento cria uma trilha sobre as capacidades
					físicas, a identificação e diferenciação de exercício físico e atividade física,
					concluindo-o com as PCAs Urbanas (<xref ref-type="bibr" rid="B22">SEE-SP, 2023,
						p. 192</xref>). No 7º ano do Ensino Fundamental, as PCAs Urbanas estão
					situadas na 3ª Situação de Aprendizagem, tematizando o
					<italic>Skate.</italic></p>
				<p>Segundo o material da Secretaria da Educação do Estado de <xref ref-type="bibr"
						rid="B19">São Paulo (2023, p. 192)</xref>, a “paisagem do cimento” tornou-se
					a base para todas as práticas até o momento. Ao seguir, o material faz
					referência à <italic>preservação</italic> do patrimônio público, por exemplo, às
					formas que o praticante do <italic>Slackline</italic> pode preservar os bens que
					pertencem ao Estado ou aos lugares públicos, como praças, parques, monumentos,
					entre outros.</p>
				<p>Discutindo o material de apoio num diálogo institucional, evidenciamos um
					problema organizacional: este material aborda alguns conteúdos, num curto espaço
					de tempo, sem sequência lógica que podem ser tematizados ou ter relação lógica
					com outros, isto é, tematiza os jogos populares e os jogos eletrônicos, as Lutas
					e as PCAs Urbanas.</p>
				<p>Quebrando a lógica da ‘paisagem do cimento’, no 8º ano do Ensino Fundamental, o
					material de apoio de EF traz as PCAs no 4º bimestre, sendo proposto o
					desenvolvimento dos temas: Corpo, Movimento e Saúde e PCAs na Natureza, sendo
					este último tematizando-se a Escalada.</p>
				<p>Observamos que este documento sugere uma linha de raciocínio ao manter as PCAs no
					final do 8º ao início do 9º ano do Ensino Fundamental, bem como os conteúdos já
					desenvolvidos nos anos anteriores. Neste sentido, devemos ter um cuidado ao
					compreendemos a real situação educacional no Estado de São Paulo, onde muitos
					estudantes não tiveram a oportunidade de conceituar ou vivenciar às PCAs Urbanas
					ou da Natureza, dado que o docente <italic>liquidou</italic> e
						<italic>substituiu</italic> esse conteúdo por outros, de sua escolha, como
					lutas, esportes, ginásticas, danças ou jogos.</p>
				<p>Em relação ao último ano do Ensino Fundamental, a Corrida de Orientação é
					abordada detalhadamente desde os instrumentos necessários para sua prática –
					prismas, mapas, picotador, bússolas, leitura de cartografias, identificação de
					relevos e símbolos – até suas contextualizações e possíveis desenvolvimentos no
						<italic>lócus</italic> escolar.</p>
				<p>No EM a última Situação de Aprendizagem refere-se às PCAs, tanto Urbana quanto da
					Natureza. A atividade (Etapa 1) orienta o desen-volvimento de uma pesquisa de
					campo no <italic>lócus</italic> escolar e fora dele, analisando as
					possibilidades de tematização das PCAs, registrando-o num quadro ilustrado no
					Caderno do Aluno (<xref ref-type="bibr" rid="B22">SEE-SP, 2023, p.
					119</xref>).</p>
				<p>Finalizando a sequência de atividades e o bimestre, solicita-se que os grupos de
					estudantes da Etapa 1 sejam mantidos para que eles explorarem os meios digitais
					com a filmagem da experimentação do <italic>Paintbail.</italic></p>
				<p>Discutindo o Material de Apoio num viés organizacional e institucional, o
						<italic>Currículo Paulista</italic> tematiza as PCAs a partir de atividades
					urbanas e progride para as PCAs na Natureza nos Anos Finais do Ensino
					Fundamental. O desenvolvimento de leituras, vídeos, pesquisas, produções de
					cartazes e discussões em sala de aula, são ferramentas que auxiliam os docentes
					em seu trabalho pedagógico. Vemos esses atributos como incompletos ao
					reconhecermos como meio e não finalidade das PCAs e, por isso, algumas
					atividades tornam-se obsoletas e superficiais.</p>
				<p>Na tentativa de combinar teoria e prática, com a utilização da tecnologia para
					enriquecer a experiência de aprendizado, o <italic>Currículo Paulista</italic>
					incentiva o desenvolvimento das PCAs sempre que possível, no entanto, devido ao
					grande número de conteúdos a serem abordados, a experiência prática é limitada
					(ou não desenvolvida). Em suma, não se torna possível devido à algumas lacunas
					sobre a avaliação e as medidas de segurança, aos recursos e infraestrutura,
					sobre a inclusão e a acessibilidade, os resultados e impactos e a sequência
					lógica que os conteúdos da EF se manifestam no <italic>Currículo
						Paulista.</italic></p>
				<p>Nesses termos, sinalizamos nesta ordem:</p>
				<list list-type="order">
					<list-item>
						<p>Avaliação e medidas de segurança: O <italic>Currículo</italic> não
							oferece detalhes a avaliação dos estudantes em seu desempenho ou como
							são ensinadas medidas de segurança essenciais para sua prática;</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>Recursos e infraestrutura: em consonância com a BNCC, o Currículo
							Paulista aborda superficialmente sobre a adaptação das PCAs para o
							ambiente escolar, sem descrever os detalhes sobre os recursos e a
							infraestrutura necessária;</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>Inclusão e acessibilidade: acreditamos que, como os outros conteúdos da
							EF tentam oportunizar às pessoas com alguma das múltiplas deficiências,
							o <italic>Currículo Paulista</italic> não explora a forma de abordar a
							inclusão de alunos com tais necessidades especiais ou questões de
							acessibilidade relacionadas às PCAs;</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>Resultados e impactos: reconhecemos que descrever as informações sobre o
							impacto positivo nas competências físicas, cognitivas e sociais dos
							estudantes, ou até mesmo sugestões de leituras como artigos e/ou livros,
							seriam pontos positivos para instigar (os alunos e professores) à busca
							de conhecimento sobre as PCAs (e outras práticas corporais);</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>Sequência lógica: em todos os bimestres que as PCAs estão presentes,
							estas dividem seu espaço com conteúdos que não dialogam entre si.</p>
					</list-item>
				</list>
				<p>Por fim, essa seção nos forneceu uma visão geral das PCAs no currículo de São
					Paulo, constatando lacunas em relação aos procedimentos específicos e desafios
					na tematização das PCAs na EF Escolar.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec>
			<title>4 As PCAs do Currículo no chão da escoLa: proposições e entraves</title>
			<p>Apresentaremos as análises e discutiremos a operacionalização do <italic>Currículo
					Paulista</italic> nas aulas de EF, em conjunto às entrevistas realizadas.
				Relembramos os contextos e limitações do presente artigo, ao tratar-se de um
				fragmento da realidade paulista.</p>
			<p>Os docentes pesquisados reiteram que as realidades das escolas estão longe da
				proposta que o <italic>Currículo Paulista</italic> e suas Competências Gerais
				indicam, isto é, os conteúdos presentes na EF tornam-se desconexos: em determinado
				momento aborda-se as Lutas e, em seguida, os Esportes, tornando-se obsoleto por
				parte dos próprios professores e alunos.</p>
			<p>A BNCC (2018) ilustra quais conteúdos, habilidades e objetos de conhecimento que a EF
				escolar precisa desenvolver, e, no caso das escolas públicas paulista, cada bimestre
				engloba dois ou mais conteúdos que não se articulam entre si. Vejamos o exemplo a
				seguir: no 6º ano, as PCAs situam-se no 3º bimestre dividindo seu espaço com “Corpo,
				movimento e saúde”, conforme o <xref ref-type="table" rid="T3">quadro</xref>
				abaixo.</p>
			<table-wrap id="T3">
				<label>Quadro 3</label>
				<caption>
					<title>Agrupamento de bimestres com as Unidades Temáticas do <italic>Currículo
							Paulista.</italic></title>
				</caption>
				<table frame="box" rules="all">
					<thead style="background-color:#c2d8ef">
						<tr>
							<th align="center" valign="middle">ANO</th>
							<th align="center" valign="middle">BIMESTRE</th>
							<th align="center" valign="middle">UNIDADE TEMÁTICA</th>
							<th align="center" valign="middle">OBJETOS DE CONHECIMENTO</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle" rowspan="5">6º ano</td>
							<td align="left" valign="middle" rowspan="5">3º bimestre</td>
							<td align="left" valign="middle">PCAs</td>
							<td align="left" valign="middle">Práticas Corporais de Aventura
								Urbanas</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle">PCAs</td>
							<td align="left" valign="middle">Práticas Corporais de Aventura
								Urbanas</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle">Corpo, movimento e saúde</td>
							<td align="left" valign="middle">Capacidades físicas</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle">Corpo, movimento e saúde</td>
							<td align="left" valign="middle">Formas de Aquecimento</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle">Corpo, movimento e saúde</td>
							<td align="left" valign="middle">Exercício físico e atividade
								física</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								rowspan="3">7º ano</td>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								rowspan="3">1º bimestre</td>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>Brincadeiras e jogos</td>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8">Jogos
								eletrônicos</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>Lutas</td>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8">Lutas
								do Brasil</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>PCAs</td>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>Práticas Corporais de Aventura Urbanas</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle" rowspan="5">8º ano</td>
							<td align="left" valign="middle" rowspan="5">4º bimestre</td>
							<td align="left" valign="middle">PCAs</td>
							<td align="left" valign="middle">Práticas Corporais de Aventura
								Urbanas</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle">PCAs</td>
							<td align="left" valign="middle">Práticas Corporais de Aventura na
								Natureza</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle">Corpo, movimento e saúde</td>
							<td align="left" valign="middle">Capacidades físicas</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle">Corpo, movimento e saúde</td>
							<td align="left" valign="middle">Exercício físico e medicamento</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle">Corpo, movimento e saúde</td>
							<td align="left" valign="middle">Exercício físico e atividade
								física</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								rowspan="2">9º ano</td>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								rowspan="2">1º bimestre</td>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>PCAs</td>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>Práticas Corporais de Aventura na Natureza</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>Danças</td>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8">Danças
								de salão</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<fn id="TFN4">
						<p><bold>Fonte:</bold> Elaboração própria (2024).</p>
					</fn>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
			<p>A partir das análises neste quadro, observa-se que as PCAs fragmentam seu espaço com
				outros conteúdos e em todos os bimestres, exceto Esportes e Ginástica. Por sua vez,
				no primeiro bimestre do 7º ano do Ensino Fundamental, o docente dedica mais atenção
				à prática pedagógica, pois o conteúdo é dividido em três áreas distintas:
				Brincadeiras e Jogos, Lutas e PCAs Urbanas. Dessa forma, este material oferecido
				pelo Estado de São Paulo apresenta uma estrutura mal elaborada, pois identificamos
				mútuos conteúdos a serem desenvolvidos em curto espaço de tempo, sem alguma lógica
				interna para a adoção e organização motriz.</p>
			<p>A próxima pergunta vai ao encontro da aceitação das PCAs no contexto escolar.
				Codificamos onze referências positivas e seis referências negativas e, entre as
				codificações positivas, destacamos que os estudantes [e as turmas] do Ensino
				Fundamental são menos resistentes em comparação no EM para sua tematização.</p>
			<p>Em relação às respostas negativas, destacamos que o momento de aula
				teórica/conceituai é mais aceitável, enquanto a maior resistência e dificuldade por
				parte dos docentes e discentes, é desenvolver a prática corporal. Chama-nos a
				atenção a fala do professor Matheus, relatado os momentos posteriores:</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] eu não vejo muito sentido pela falta de ser, de ter oportunidades pessoas
					trabalhadas, por exemplo, no itinerário, é pedido que, ao final, na culminância,
					é pedido que faça um passeio ciclístico, na natureza com os alunos. Onde a gente
					faria isso com os alunos? Cadê as bicicletas? Então seria bem difícil, né? Eles
					até têm a bicicleta, mas com um professor, ia tomar conta de 30 alunos numa
					bicicleta, não é? Então assim, seria interessante porque algo diferente, porém,
					não é o momento pelo fato de não ter o leque de lugares, né, os equipamentos
					corretos, certo? (Matheus).</p>
			</disp-quote>
			<p>O professor Matheus identifica dois fatores negativos que influenciam a aceitação dos
				alunos: 1) a falta de oportunidades, ou seja, a ausência de opções para que os
				estudantes se envolvam com as práticas corporais, dificultando sua aceitação e
				tematização; e 2) a limitação de recursos. Ele destaca que as PCAs requerem
				equipamentos específicos que atualmente não estão disponíveis na escola,
				dificultando a continuidade dessas práticas. Matheus exemplifica com um fragmento do
				itinerário formativo do Ensino Médio, que sugere um passeio ciclístico na natureza
				como atividade culminante: “onde estão essas bicicletas?”, confirmando que a falta
				de materiais é um dos obstáculos que impedem os professores de EF de abordarem as
				PCAs.</p>
			<p><xref ref-type="bibr" rid="B12">Inácio <italic>et al.</italic> (2016)</xref>,
				observam o distanciamento e o desconhecimento por parte dos docentes de EF e
				dificuldades contextuais durante a elaboração da BNCC. Nas análises dos autores, as
				PCAs necessitam de qualificação profissional, espaço físico e materiais específicos
				para seu desenvolvimento. Podemos elucidar algumas limitações quanto a abordagem que
				a BNCC foi produzida, pelo viés da limitação dos materiais da escola, a comunidade
				que o lócus escolar é pertencente, ao significado de meio ambiente que os estudantes
				trazem consigo, a realidade da educação brasileira e o fomento educacional.</p>
			<p>Em seguida, perguntamos qual a opinião dos docentes sobre o <italic>Currículo
					Paulista.</italic> Nesta questão, apresentaremos os principais pontos discutidos
				pelos professores Amanda, Adriana, Valquíria, Wilson e Roberto. Suas contribuições
				foram analisadas em relação à indagação sobre a abordagem adotada pelo Currículo do
				Estado de São Paulo em relação às PCAs.</p>
			<p>A professora Amanda percebe que as PCAs têm seu espaço no currículo, no entanto, vê a
				necessidade de adequá-la à estrutura da escola para que este conteúdo seja efetivado
				em cada contexto. Em sua fala, reitera a disponibilidade de equipamentos
				tecnológicos como a televisão para ilustrar imagens, vídeos e outros equipamentos,
				no intuito de ilustrar as PCAs aos alunos.</p>
			<p>Adriana alega que o <italic>Currículo Paulista</italic> aborda as PCAs no âmbito
				conceituai que procedimental, isto é, apenas que os alunos conheçam a “base teórica
				cientifica, intelectual, filosófica, calculista e de outros parâmetros” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B28">Zabala, 1998</xref>), já que no âmbito procedimental
				os conteúdos se resumem em colocar em prática o conhecimento adquirido com os
				conteúdos conceituais, seja na forma de reprodução, experimentação e fruição.</p>
			<p>Segundo a professora Valquíria, alguns conteúdos são difíceis de serem desenvolvidos
				na escola paulista por conta da restrição de tempo e falta de recursos. Resulta-se
				no descompasso entre a descrição prescrita no currículo e sua fruição, na prática,
				bem como a perda de interesse dos alunos. Em suas palavras:</p>
			<disp-quote>
				<p>Algumas coisas são complicados a gente fazer. Não é? Porque às vezes não sei que
					nem de trabalhar com uma sala de 30 e poucos alunos, 40 alunos, uma atividade em
					45 minutos. Né? Não dá para você fazer o passo a passo que está ali? Não é? Não
					tem como, então às vezes. Não funciona. Às vezes a dificuldade maior é nisso.
					Você tem uma turma muito grande, um tempo reduzido. Se você acompanhar o
					conteúdo ali, passo a passo, parte teórica e aquilo que eles indicam para fazer,
					não fecha. O conteúdo não fechará, nem na teoria e nem, na prática, porque se
					tenho um avanço, experimentar, sei lá, fazer... Que nem aqui, os materiais ficam
					longe da quadra. Se eu quiser fazer um Parkour, quiser montar um circuito, levar
					banco, levar as coisas para eles fazerem... até eu montar. Me demanda o tempo.
					Já acabou a aula. Aí você coloca 40 alunos, 30 alunos para executar, eles vão
					fazer uma vez, que daí você tem que acompanhar esse percurso até fazer, acabou a
					aula. Perde o atrativo, né, para o aluno (Valquíria).</p>
			</disp-quote>
			<p>Para Wilson, “os ‘esportes de aventura’ são abordados rapidamente no
					<italic>Currículo Paulista,</italic> [...]” e este material “não tem muitos
				‘esportes’” — apresentados na seção anterior. Para o professor, o <italic>Currículo
					Paulista</italic> é incompleto e descontextualizado.</p>
			<p>O professor Roberto destaca duas ideias centrais sobre a EF no <italic>Currículo
					Paulista:</italic> a primeira é que a tematização das PCAs no Ensino Fundamental
				é mais viável quando comparada no EM e, por último, a falta de organização dos
				temas/conteúdos de EF. Em suas palavras:</p>
			<disp-quote>
				<p>Então, eu acho que no fundamental tá ali e dá para melhorar, já no Ensino Médio,
					acho que eu só vi no 1º ano, mas tem muita coisa que foge, sabe, da realidade,
					dá para melhorar mais ainda, só que é aquela coisa, sabe, os caras que fazem o
					currículo, colocar muita coisa que nem dá para trabalhar direito uma coisa e já
					tem que emendar, sabe, em outra coisa que não tem nada a ver, tipo, eu to
					falando de ginástica e no mesmo tema, atividade, ele coloca como etapa e
					atividade, depois tenho que falar de jogo de tabuleiro. Não tem... sabe... não
					tá coerente uma coisa com a outra (Roberto).</p>
			</disp-quote>
			<p>Em síntese, as falas apresentadas vão em direção às preocupações sobre a inclusão das
				PCAs no <italic>Currículo Paulista,</italic> versando a qualidade do material, a
				acessibilidade dos recursos, a profundidade das atividades e as mudanças no
				currículo ao longo do tempo.</p>
			<p>A respeito do currículo, <xref ref-type="bibr" rid="B21">Sacristán (2000)</xref>
				argumenta que o currículo escolar é um reflexo evidente da crescente natureza
				totalizante da instituição escolar em um contexto social em que muitas funções de
				socialização, anteriormente desempenhadas por outras instituições e pela família,
				são realizadas predominantemente pela escola, devido a um consenso social. A adoção
				desse caráter global requer uma transformação significativa em todas as relações
				pedagógicas, nos padrões de desenvolvimento dos materiais norteadores, na postura
				profissional dos professores e no exercício desses profissionais e da própria
				instituição.</p>
			<p><xref ref-type="bibr" rid="B21">Sacristán (2000, p. 15-16)</xref> organiza esse plano
				estabelecendo um diálogo “entre agentes sociais, elementos técnicos, alunos que
				reagem frente a ele, professores que o modelam, etc”. Desse modo, o currículo como
				processo no interior da escola está organizado como demonstra a <xref ref-type="fig"
					rid="f1">Figura 1</xref>:</p>
			<p><fig id="f1">
					<label>Figura 1</label>
					<caption>
						<title>Currículo como processo, no interior da escola segundo <xref
								ref-type="bibr" rid="B21">Sacristán (2000)</xref>.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="0104-7043-faeeba-34-77-0245-gf01.tif"/>
					<attrib><bold>Fonte:</bold> adaptado de <xref ref-type="bibr" rid="B21"
							>Sacristán (2000, p. 15)</xref>.</attrib>
				</fig></p>
			<p>Todas as etapas e transformações que os procedimentos didático-pedagógicos contido
				nessa organização, transformam-se num ciclo, sendo este organizado a partir das
				dimensões políticas e das diretrizes curriculares, intitula-se como <bold>currículo
					prescrito,</bold> isto é, a origem de todos os outros planos e intervenções
				educacionais. A partir dele, origina-se o <bold>currículo apresentado aos
					professores,</bold> no qual é a tradução do currículo prescrito em forma de
				livros e textos, por exemplo, ou orientações mais precisas daquilo que foi definido
				apenas genericamente no currículo prescrito.</p>
			<p>Em seguida temos o <bold>currículo moldado pelos professores:</bold> refere-se à
				intervenção que o professor realiza na tradução e uso que faz dos livros, textos e
				de outros materiais didáticos na efetivação do currículo. Os planos de aula e as
				atividades realizadas pelos professores fazem parte da moldagem do currículo pelos
				professores, bem como orientações que dão aos alunos e como lidam com estes. Na
				sequência temos o <bold>currículo em ação:</bold> refere-se à realização de um
				currículo como prática, considerando tanto os propósitos de partida (ou até sua
				negação) e a série de influências que sofrem. Por fim, o <bold>currículo
					realizado</bold> alude-se aos “efeitos aos quais, algumas vezes, se presta
				atenção porque são considerados ‘rendimentos’ valiosos e proeminentes do sistema ou
				dos métodos pedagógicos” (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Sacristán, 2000, p.
					106</xref>).</p>
			<p>Nesta verticalização, o <italic>Currículo Paulista,</italic> como um currículo
				apresentado pelos professores, será (e foi) moldado por eles segundo as
				peculiaridades do contexto escolar e comunitário, às limitações e potencialidades
				dos estudantes, aos recursos, materiais e espaços disponíveis na instituição
				escolar, bem como suas próprias fragilidades e oportunidades que o docente
				carrega.</p>
			<p>Questionados na condição de ter alguma possibilidade alternativa para tematizar as
				PCAs nas aulas, codificamos 24 referências que qualificam atividades alternativas,
				sendo que dois professores negam alguma possibilidade alternativa e um não soube
				responder (bem pouco).</p>
			<p>Na <xref ref-type="table" rid="T4">Tabela 1</xref>, apresentada abaixo, citaremos os
				códigos que operamos com o WebQDA® para o montante restante de 21 referências, sendo
				que este é o número restante ao descontarmos as falas negativas.</p>
			<table-wrap id="T4">
				<label>Tabela 1</label>
				<caption>
					<title>Referências sobre as possibilidades alternativas para as PCAs.</title>
				</caption>
				<table frame="hsides" rules="all">
					<thead style="background-color:#c2d8ef">
						<tr>
							<th align="center" valign="middle">REFERÊNCIA</th>
							<th align="center" valign="middle">QUANTIDADE DE CITAÇÕES</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="center" valign="middle">Aula de eletiva</td>
							<td align="center" valign="middle">4</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
									><italic>Questão tecnológica</italic></td>
							<td align="center" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>3</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center" valign="middle">Disciplina de Ciências</td>
							<td align="center" valign="middle">2</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>Visitação em lugares fora do <italic>lócus</italic> escolar a.
								Praça</td>
							<td align="center" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
									><p>2</p>
								<p>a. 1</p></td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center" valign="middle">Disciplina de Geografia</td>
							<td align="center" valign="middle">1</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>Clube Juvenil</td>
							<td align="center" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>1</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center" valign="middle">Disciplina de Língua Portuguesa</td>
							<td align="center" valign="middle">1</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>Palestras</td>
							<td align="center" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>1</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center" valign="middle">Gincanas</td>
							<td align="center" valign="middle">1</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>Materiais recicláveis</td>
							<td align="center" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>1</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center" valign="middle">Conscientizar os alunos sobre o
								MA</td>
							<td align="center" valign="middle">1</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8">Área
								de estacionamento da escola</td>
							<td align="center" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>1</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center" valign="middle">Explorar as árvores da escola</td>
							<td align="center" valign="middle">1</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<fn id="TFN5">
						<p><bold>Fonte:</bold> dados da pesquisa (2023).</p>
					</fn>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
			<p>Evidenciamos a utilização da aula Eletiva como um potencial para trabalhar as PCAs,
				destacando que essa opção oferece tempo para planejamento e organização. <xref
					ref-type="bibr" rid="B9">França e Rinaldi (2022, p. 47)</xref> verbalizam que
				“os estudantes precisam escolher a disciplina da qual participarão ao longo do
				semestre, sendo assim estimulados a aprender a fazer escolhas”, sendo elas
				organizadas e planejadas por cada docente.</p>
			<p>Outro termo que emergiu na questão anterior, foi a visitação em lugares fora do
				ambiente escolar, sendo interpretada como explorar as praças, os parques, as áreas
				verdes, as florestas, matas, etc, um fator que <xref ref-type="bibr" rid="B6"
					>Cardoso (2023)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B17">Portela (2020)</xref> e
					<xref ref-type="bibr" rid="B16">Pereira (2019)</xref> trazem como uma
				alternativa viável para explorar e expandir o conteúdo ministrado na escola, para
				fora dela, proporcionando uma experiência de aprendizagem contextualizada.</p>
			<p>Nesse sentido, o componente curricular Geografia (n=l) também se torna uma
				alternativa ao suplementar a PCA ao que tange a Educação Ambiental, pois nela
				podemos dialogar interdisciplinarmente e fomentar uma educação de qualidade e
				abrangente, bem como uma articulação com outros conteúdos.</p>
			<p>Observamos, outrora, duas falas que merecem destaque ao trazer elementos alternativos
				para o desenvolvimento das PCAs na EF Escolar.</p>
			<disp-quote>
				<p>Eu acho que uma das práticas alternativas é o professor, além de implementar,
					querer validar o esporte, ou seja, correr atrás de que há espaço, de que há
					possibilidade de comprar material, participar com a diretoria, fazer um projeto.
					Então há possibilidades (Airton).</p>
				<p>Dá para abordar assim, com essa questão da conscientização, que a gente falou do
					meio ambiente, não é para a gente poder fazer a prática em supor de uma
						<italic>Bike Cross,</italic> né? A gente fará, não tem como você fazer no
					ambiente que está tudo sujo, cheio de lixo, de plástico, né? Numa mata, né? Se
					não tiver a mata, não tem como praticar. Então pode outras disciplinas abordarem
					a questão de cuidar do meio ambiente, para a gente poder fazer esses eventos,
					por que onde que geralmente pode-se fazer Slackline? Né? Se o professor abordar
					esse tema, se cortarem as árvores, se fizer isso, estraga o meio ambiente, né? A
					gente teria que colocar uma barra de ferro, algum concreto, enfim (Wilson).</p>
			</disp-quote>
			<p>A fala do professor Airton nos faz pensar em adaptar as PCAs ao seu ambiente de
				trabalho, sendo este na direção de autenticá-las, ajudando a aumentar a
				credibilidade das PCAs no espaço educacional. Nesse aspecto, <xref ref-type="bibr"
					rid="B11">Inácio e Baena-Extremera (2020, p. 126)</xref> expressam essa ideia ao
				exibi-las como “expressões da Cultura Corporal de Movimento que se apresentam com
				características distintas dos esportes tradicionais”, sendo que requerem
				planejamento, esforço em conjunto e apoio institucional com os diferentes
				atores.</p>
			<p>Em relação às possibilidades alternativas, destacamos quatro apontamentos: a)
				desenvolver com outras áreas do conhecimento; b) tematizá-las em outras aulas, como
				as Eletivas; c) realizar passeios, visitação em parques, zoológicos, estação de
				tratamento, trilhas, entre outros, e; d) desenvolver projetos em comum com a gestão
				municipal de Birigui.</p>
			<p>Reiteramos, aqui, a necessidade de desenvolver as PCAs no ambiente escolar e sua
				afirmação de cidadania, nos termos de <xref ref-type="bibr" rid="B6">Cardoso (2023,
					p. 16)</xref>, “sendo partícipes da criação de uma consciência esportiva e
				ambiental”.</p>
			<p><xref ref-type="bibr" rid="B18">Rossetto e Balieiro Filho (2021, p.448)</xref>, ao
				analisarem o <italic>Currículo Paulista</italic> à luz da Matemática, expressam os
				mesmos problemas identificados neste manuscrito, ao apresentar “poucas
				possibilidades para o real desenvolvimento das capacidades pessoais que podem ter
				seu desenvolvimento favorecido por meio da problematização”, reiteram haver
				situações de aprendizagem onde os docentes precisam recorrer a outros materiais de
				apoio para complementar tais elementos.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>5 À guisa das conclusões</title>
			<p>Observa-se que o <italic>Currículo Paulista</italic> é um material raso, superficial
				e desconexo da realidade educacional paulista, concomitantemente ao trazer dados e
				informações no formato de <italic>QRCodes,</italic> já que muitos estudantes ainda
				não possuem acesso à internet, fragmentando a partilha da informação e do
				conhecimento, em relação à EF. Trazemos uma crítica fundamental para a oportunidade
				de experimentação e vivência das práticas corporais para todos: o <italic>Currículo
					Paulista</italic> não opera com grupos minoritários e pessoas com deficiência,
				gerando distanciamento e seleção entre tais grupos.</p>
			<p>Não obstante, o planejamento é institucional, uma vez que a parcela significativa dos
				professores pesquisados atuam no Programa de Ensino Integral (diga-se de passagem,
				Escolas de <italic>Tempo</italic> Integral<xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref>),
				necessitando estar familiarizados com os documentos corporativos, para que, estejam
				‘bem avaliados’ pelos gestores e permanecerem compulsoriamente na instituição nos
				próximos anos. Esse dado é fruto do entendimento que grande parte deles é contratada
				pela Lei Complementar n.º 1.093/2009<xref ref-type="fn" rid="fn6">6</xref>.
				Entendemos que este fator é algo mercantilista do ensino, pois docentes que atuam
				nesses ‘programas’ têm seus subsídios ligeiramente superiores àqueles que atuam em
				escolas regulares e com carga horária máxima de 32 horas/aula e 40 horas semanais.
				Nesta questão, temos um dualismo entre professores motivados e outros submetidos a
				planejar segundo o que a instituição orienta e a prática em si, isto é, o ideal e o
				real.</p>
			<p>A formação do professor é caracterizada por suas vivências na infância, na juventude,
				na vida adulta, na formação formal e outras atividades concomitantemente realizadas
				na docência, que, por sua vez, estará na direção da tentativa de solucionar as
				lacunas das PCAs no <italic>Currículo Paulista,</italic> como a segurança, a
				acessibilidade e a sequência lógica, por exemplo. Nesta direção, retomamos às
				Unidades Didáticas (como um passo-a-passo sobre nosso objeto de pesquisa) e Produtos
				Educacionais produzidos pelo ProEF (descritos na introdução).</p>
			<p>Não devemos nos esquecer que pesquisadores de EF debruçaram-se sobre a BNCC e teceram
				críticas pertinentes sobre sua implementação ao nível nacional, pois sabemos que a
				garantia de educação a respeito de tudo que ela indica é inviável visto a situação
				econômica, política e social que o Brasil tem enfrentado nos últimos anos.</p>
			<p>Concluímos que a inserção das PCAs no <italic>Currículo Paulista</italic> está
				intrinsecamente ligada à BNCC e sua tematização e desenvolvimento prático é
				caracterizado pelo concerto com dois timbres: formação do professor e contexto
				escolar.</p>
			<p>Por fim, reiteramos a limitação deste manuscrito ao observar a operacionalização das
				PCAs no <italic>Currículo Paulista</italic> a partir da perspectiva dos docentes de
				EF em Birigui.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B7">Casseti (1994)</xref>, a geomorfologia é
					uma área das Ciências da Terra responsável pelo estudo das formas superficiais
					de relevo, compreendendo a compartimentação morfológica e da fisiologia da
					paisagem.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Na terceira seção deste artigo, verticalizaremos as formas do currículo aos
					moldes de <xref ref-type="bibr" rid="B21">Sacristán (2000)</xref>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Termo de Consentimento Livre e Esclarecido aprovado pelo CAEE nº
					65253322.6.0000.5083, em 15 de dezembro de 2022.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Evidenciamos esses dados ao acessarmos as Habilidades propostas para o Ensino
					Médio, disponível no sítio a seguir: <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://efape.educacao.sp.gov.br/curriculopaulista/wp-content/uploads/2023/01/Habilidades_LGG_EM_04jan2023_OFICIAL.pdf"
						>https://efape.educacao.sp.gov.br/curriculopaulista/wp-content/uploads/2023/01/Habilidades_LGG_EM_04jan2023_OFICIAL.pdf</ext-link>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>Compreendemos que o desenvolvimento Integral do estudante vai além das avaliações
					externas, como o índice de Desenvolvimento da Escola Básica, focando apenas em
					Língua Portuguesa e Matemática. Nesse sentido, <xref ref-type="bibr" rid="B9"
						>França e Rinaldi (2022, p. 47)</xref> dizem que “se constata uma
					verificação do desenvolvimento integral do estudante conforme o que é posto pela
					literatura sobre Educação Integral”.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/lei.complementar/20 09/lei.complementar-1093-16.07.2009.html"
						>https://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/lei.complementar/20
						09/lei.complementar-1093-16.07.2009.html</ext-link>. Acesso em 01 jun
					2024.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>REFERÊNCIAS</title>
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					Edições 70, v. 1, 2015. 288 p.</mixed-citation>
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						<name>
							<surname>BARDIN</surname>
							<given-names>L.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Análise de Conteúdo</source>
					<edition>1ª</edition>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Edições 70</publisher-name>
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					<year>2015</year>
					<fpage>288</fpage>
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					Física em Rede) – Faculdade de Educação Física e Dança, Universidade Federal de
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					Acesso em: 16 fev. 2024.</mixed-citation>
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					<article-title>A INFLUÊNCIA DO LIVRO DIDÁTICO NA PRÁTICA PEDAGÓGICA DO PROFESSOR
						QUE ENSINA MATEMÁTICA</article-title>
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