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	<front>
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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">faeeba</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. FAEEBA - Ed. e
					Contemp.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2358-0194</issn>
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				<publisher-name>Universidade do Estado da Bahia</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi"
				>10.21879/faeeba2358-0194.2025.v34.n77.pll7-131</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigo</subject>
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			<title-group>
				<article-title>A INSERÇÃO DA CURRICULARIZAÇÃO DA EXTENSÃO NOS PROJETOS PEDAGÓGICOS
					DE CURSOS SUPERIORES<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>THE INSERTING OF EXTENSION CURRICULARIZATIONS IN THE PEDAGOGICAL
						PROJECTS OF HIGHER EDUCATION COURSES<xref ref-type="fn" rid="fn2"
						>2</xref></trans-title>
				</trans-title-group>
				<trans-title-group xml:lang="es">
					<trans-title>LA INCLUSION DE LA EXTENSION CURRICULAR EN LOS PROYECTOS
						PEDAGÓGICOS DE LOS CURSOS DE ENSEÑANZA SUPERIOR</trans-title>
				</trans-title-group>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-3156-8590</contrib-id>
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						<surname>Vieira</surname>
						<given-names>Josimar de Aparecido</given-names>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-0031-3248</contrib-id>
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						<surname>Marques</surname>
						<given-names>Maristela Beck</given-names>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff2">**</xref>
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						<surname>Canova</surname>
						<given-names>Raquel Fernanda Ghellar</given-names>
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				<label>*</label>
				<institution content-type="orgname">Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande
					do Sul (PUCRS)</institution>
				<addr-line>
					<city>Sertão</city>
					<state>Rio Grande do Sul</state>
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				<country country="BR">Brasil</country>
				<email>josimar.vieira@sertao.ifrs.edu.br</email>
				<institution content-type="original">Doutor em Educação pela Pontifícia Universidade
					Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Professor titular do Instituto Federal de
					Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) – Campus Sertão e do
					Programa de Pós-Graduação em Educação Profissional e Tecnológica (ProfEPT) do
					IFRS. Sertão, Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail:
					josimar.vieira@sertao.ifrs.edu.br</institution>
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			<aff id="aff2">
				<label>**</label>
				<institution content-type="orgname">Instituto Federal de Educação, Ciência e
					Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS)</institution>
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					<city>Santo Ângelo</city>
					<state>Rio Grande do Sul</state>
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				<country country="BR">Brasil</country>
				<email>maristela.marques@iffarroupilha.edu.br</email>
				<institution content-type="original">Mestre em Educação Profissional e Tecnológica
					pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul
					(IFRS). Pedagoga do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia
					Farroupilha (IFFar) – Campus Santo Ângelo. Santo Ângelo, Rio Grande do Sul,
					Brasil. E-mail: maristela.marques@iffarroupilha.edu.br</institution>
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			<aff id="aff3">
				<label>***</label>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal de Santa Maria
					(UFSM)</institution>
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					<city>Santa Rosa</city>
					<state>Rio Grande do Sul</state>
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				<country country="BR">Brasil</country>
				<email>raquel.canova@iffarroupilha.edu.br</email>
				<institution content-type="original">Doutoranda do Programa de Pós-graduação em
					Educação em Ciências: Química da Vida e Saúde da Universidade Federal de Santa
					Maria (UFSM). Professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia
					Farroupilha (IFFar) - Campus Santa Rosa. Membro do Grupo de Pesquisa
					Interdisciplinar de Estudo e Pesquisa em Educação do IFFar (GIEPE-IFFar). Santa
					Rosa, Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail:
					raquel.canova@iffarroupilha.edu.br</institution>
			</aff>
			<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
				<day>23</day>
				<month>09</month>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<pub-date publication-format="electronic" date-type="collection">
				<season>Jan-Mar</season>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<volume>34</volume>
			<issue>77</issue>
			<fpage>117</fpage>
			<lpage>131</lpage>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>15</day>
					<month>08</month>
					<year>2024</year>
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				<date date-type="accepted">
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					<month>02</month>
					<year>2025</year>
				</date>
			</history>
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				<license license-type="open-access"
					xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>A curricularização da extensão é o processo de inclusão da extensão no currículo
					dos cursos, pressupondo a indissociabilidade e a inserção social do ensino e da
					pesquisa. Neste estudo, é analisado o processo de introdução da curricularização
					da extensão nos projetos pedagógicos dos cursos superiores de um campus do
					Instituto Federal Farroupilha (IFFar), considerando o caminho construído, a
					praxis, as contradições e os desafios enfrentados. Trata-se de uma pesquisa
					exploratória e descritiva, com abordagem qualitativa, produzida por meio de
					pesquisa bibliográfica e análise documental. Em seu percurso metodológico,
					aborda os pressupostos da curricularização da extensão e manifestações na
					prática; discorre sobre o processo de inserção da extensão nos cursos
					envolvidos, após o que são realizadas as considerações finais. Conclui-se que as
					contradições e os conflitos na curricularização da extensão são múltiplos,
					envolvem peculiaridades do projeto pedagógico de cada curso e possuem caráter
					institucional.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>The curricularization of extension is a process of inserting extension into the
					curriculum of courses, presupposing the inseparability and social insertion of
					teaching and research. This study analyzes the process of introducing the
					curricularization of extension into the pedagogical projects of higher education
					courses at an IFFar campus, considering the path taken, reflections on praxis,
					the contradictions and challenges faced. This is an exploratory and descriptive
					study, with a qualitative approach, produced through bibliographical research
					and documentary analysis. It covers the methodological path, the assumptions of
					the curricularization of extension and its manifestations in practice; it
					discusses the process of inserting extension into the courses involved and
					concludes with final considerations. These points indicate that the
					contradictions and conflicts in the curricularization of extension are multiple
					and involve peculiarities of each course’s pedagogical project and institutional
					character.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>RESUMEN</title>
				<p>La curricularización de la extension es un proceso de inclusion de la extension
					en el currículo de los cursos, presuponiendo que son indisociables y la
					inserción social de la enseñanza y de la pesquisa. En este estúdio se analiza el
					proceso vivido en la introducción de la curricularización de la extension en los
					proyectos pedagógicos de los cursos superiores en un Campus de IFFAR,
					considerando el camino construído, las reflexiones acerca de la praxis, las
					contradicciones y los desafios enfrentados. Se trata de una pesquisa
					exploratória y descriptiva, con abordaje cualitativo, producida a partir de
					pesquisa bibliográfica y de análisis documental. El camino metodológico aborda
					los presupuestos de la curricularización de la extension y manifestaciones en la
					práctica; discurre sobre el proceso de inserción de la extension en los cursos
					involucrados y finaliza con las consideraciones finales. Esos puntos indican que
					las contradicciones y los conflictos en la curricularización de la extension son
					multiples e incluyen peculiaridades del proyecto pedagógico de cada curso y de
					carácter institucional.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Educação superior</kwd>
				<kwd>Cursos superiores</kwd>
				<kwd>Projetos pedagógicos</kwd>
				<kwd>Curricularização da extensão</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Higher education</kwd>
				<kwd>Higher courses</kwd>
				<kwd>Pedagogical projects</kwd>
				<kwd>Extension Curricularization</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Palabras-clave:</title>
				<kwd>Educación superior</kwd>
				<kwd>Cursos superiores</kwd>
				<kwd>Proyectos pedagógicos</kwd>
				<kwd>Curricularización de extension</kwd>
			</kwd-group>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>1. Introdução<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref></title>
			<p>A curricularização da extensão é o processo de desenvolvimento de atividades de
				extensão no currículo dos cursos superiores, considerando a indissociabilidade do
				ensino e da pesquisa. Também denominada de integralização ou creditação da extensão,
				busca, entre outras finalidades, contribuir para a formação integral dos estudantes
				e para a sua atuação profissional. Na Resolução nº 7, de 18 de dezembro de 2018, que
				estabelece as Diretrizes para a Extensão na Educação Superior Brasileira e
				regulamenta o disposto na Meta 12.7 do Plano Nacional de Educação (PNE), consta que
				a extensão, na educação superior, deve ser compreendida como</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] a atividade que se integra à matriz curricular e à organização da pesquisa,
					constituindo-se em processo interdisciplinar, político educacional, cultural,
					científico, tecnológico, que promove a interação transformadora entre as
					instituições de ensino superior e os outros setores da sociedade, por meio da
					produção e da aplicação do conhecimento, em articulação permanente com o ensino
					e a pesquisa (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Ministério da Educação, 2018b, p.
						49</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>Com o propósito de compor, no mínimo, 10 % do total da carga horária curricular dos
				cursos de graduação, conforme estabelece a citado Parecer, bem como de apresentar
				possibilidades de inclusão da extensão nos Projetos Pedagógicos de Curso (PPCs),
				estes foram alterados pelas instituições de ensino, que passaram a adotar
				procedimentos diversos na promoção de formações de professores e demais
				profissionais da educação.</p>
			<p>Considerada em cada PPC como programas, projetos, cursos, oficinas, eventos,
				prestação de serviços, entre outros (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Ministério da
					Educação, 2018b</xref>), a curricularização da extensão nas instituições de
				ensino superior está sendo normatizada conforme a legislação vigente. No Instituto
				Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha (IFFar), é organizada pelo
				Núcleo Docente Estruturante dos cursos e demais órgãos deliberativos. Nesse
				processo, a extensão está sendo abordada como uma dimensão educativa pelo qual
				professores, estudantes e comunidade acadêmica interna e externa constroem uma
				prática “[...] a partir da indissociabilidade entre ensino e pesquisa; da troca de
				saberes, da relação transformadora entre universidade e sociedade, da
				interdisciplinaridade; no reconhecimento e respeito do saber popular; na
				horizontalidade” (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Pereira; Souza, 2015, p.
				83</xref>).</p>
			<p>Diante dessas considerações iniciais, neste trabalho é analisado o processo
				vivenciado no planejamento e inserção da curricularização da extensão nos projetos
				pedagógicos dos cursos superiores do IFFar, campus Santa Rosa. Com ênfase no caminho
				construído, o objetivo é descrever e refletir sobre a praxis, as contradições e os
				desafios da curricularização da extensão durante a reformulação e reconstrução de
				processos pedagógicos, estabelecidos em termos de registros manifestos em cada
				PPC.</p>
			<p>Trata-se de um estudo de caráter bibliográfico e de análise documental, em que o
				material institucional é compreendido como de domínio público. A escolha pelo citado
				campus dá-se pelo fato de que oferece atualmente todos os graus de cursos superiores
				de graduação disponibilizados pelo IFFar, tornando-se assim um espaço de
				investigação relevante. Convém salientar que o ensino superior de graduação no IFFar
				é desenvolvido por meio de Licenciatura, Programa Especial de Formação Pedagógica,
				Bacharelado e Tecnologia, conforme apontam as Diretrizes Administrativas e
				Curriculares para a Organização Didático-Pedagógica dos Cursos Superiores de
				Graduação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha (<xref
					ref-type="bibr" rid="B12">IFFar, 2021</xref>).</p>
			<p>Para abordar e alcançar o objetivo delimitado, este estudo está organizado em seções,
				iniciando com a apresentação do percurso metodológico trilhado na investigação. Na
				sequência, trata-se dos pressupostos da curricularização da extensão, assim como de
				sua manifestação no PNE e no IFFar, campus Santa Rosa. Discorre-se, após, sobre a
				inserção da curricularização da extensão nas matrizes dos cursos envolvidos nesta
				investigação e sobre as contribuições das Práticas Profissionais Integradas (PPI) e
				da Prática enquanto Componente Curricular (PeCC). Por fim, são apresentadas as
				considerações finais deste estudo.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>2. Percurso metodológico</title>
			<p>Este estudo foi desenvolvido por meio de pesquisa do tipo descritiva e exploratória,
				seguindo uma abordagem de pesquisa predominantemente qualitativa e dialética,
				acompanhando os movimentos e contradições próprios dos espaços educativos. Foram
				considerados os apontamentos de <xref ref-type="bibr" rid="B23">Minayo
				(2018)</xref>, que destaca a pesquisa qualitativa como o universo de significados,
				motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais
				profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à
				operacionalização de variáveis.</p>
			<p>O trabalho contou com pesquisa bibliográfica, conforme <xref ref-type="bibr"
					rid="B21">Marconi e Lakatos (2010)</xref>, e buscou colocar os pesquisadores em
				contato direto com o que já foi escrito, analisado e estudado sobre o tema. São
				seguidas, ainda, as orientações desses autores ao destacarem que pesquisas com essa
				técnica não são mera repetição de ideias, uma vez que analisam” [...] um tema sob
				novo enfoque ou abordagem, chegando a conclusões inovadoras” (<xref ref-type="bibr"
					rid="B21">Marconi; Lakatos, 2010, p. 183</xref>). Assim, o estudo foi realizado
				a partir de material publicado, com incidência em obras de autores como <xref
					ref-type="bibr" rid="B8">Gadotti (1994</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B9"
					>2017</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B27">Pereira e Souza (2015)</xref>,
					<xref ref-type="bibr" rid="B28">Pereira e Vitorini (2019)</xref>, <xref
					ref-type="bibr" rid="B20">Libâneo (2001)</xref> e <xref ref-type="bibr"
					rid="B30">Veiga (2004)</xref>. Por se tratar de uma investigação que utiliza a
				pesquisa bibliográfica e a análise documental, está dispensado de parecer do Comitê
				de Ética em Pesquisa (CEP), conforme Resolução 510/2016 (<xref ref-type="bibr"
					rid="B6">Brasil, 2016</xref>).</p>
			<p>Além disso, examinou-se dados obtidos de documentos que tratam da curricularização da
				extensão, tendo como referência os apontamentos de <xref ref-type="bibr" rid="B29"
					>Richardson <italic>et al.</italic> (1999)</xref>, que indicam a análise
				documental no exame de circunstâncias sociais e econômicas, para se chegar a
				conclusões sobre o objeto da pesquisa. Nesse mesmo entendimento, <xref
					ref-type="bibr" rid="B10">Gil (2002, p. 45)</xref> destaca que</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] a pesquisa documental tem muita semelhança com pesquisa bibliográfica,
					sendo que a diferença entre ambas reside na natureza das fontes, pois enquanto a
					pesquisa bibliográfica se utiliza fundamentalmente das contribuições dos
					diversos autores sobre determinado tema, a documental vale-se de materiais que
					não receberam ainda um tratamento.</p>
			</disp-quote>
			<p>A análise foi pautada pela cronologia dos acontecimentos, visto que vai além da
				análise documental: ela foi vivenciada por alguns dos autores, que participaram
				ativamente como orientadores e/ou construtores desse processo, atuando como
				servidores da instituição. Como mencionado anteriormente, o IFFar - campus Santa
				Rosa é um espaço onde as intenções de pesquisa se assentam, tendo como propósito a
				relevância pedagógica em termos de investigação, planejamento e prospecção de
				continuidade e acompanhamento do tema. Nesse sentido, a constituição desta pesquisa,
				ou seja, a escolha deste tempo/espaço se deu por representar um local que oferece os
				cursos de licenciatura em Matemática e Ciências Biológicas; Bacharelado em
				Administração e Arquitetura e Urbanismo e Curso Superior de Tecnologia em Alimentos
					(<xref ref-type="bibr" rid="B19">IFFar, 2023</xref>).</p>
			<p>No processo de revisão bibliográfica e análise documental, foram definidas as
				categorias de análise, seguindo orientações de Minayo (2004) que aponta diferentes
				tipos de análise de conteúdo – de expressão, relações, avaliação, enunciação e
				categorial temática. Neste estudo, foi dado destaque ao último tipo, que se propõe a
				“[...] descobrir os núcleos de sentido que compõem uma comunicação cuja presença ou
				frequência signifiquem alguma coisa para o objetivo analítico visado” (Minayo, 2004,
				p. 210), utilizando-o de forma mais interpretativa. Diante disso, a busca pelos
				dados, nas obras referenciais, seguiu a organização que foi dada ao estudo conforme
				consta na introdução, dando origem a duas categorias: os pressupostos da
				curricularização da extensão e suas manifestações no PNE e no IFFar – campus Santa
				Rosa e o processo de inserção da curricularização da extensão nas matrizes dos
				cursos envolvidos nesta investigação.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>3. Pressupostos da curricularização da extensão</title>
			<p>Ao abordarmos a curricularização da extensão, inevitavelmente trazemos para o debate
				a questão do currículo e as três dimensões que envolvem uma instituição de ensino
				superior (IES): o ensino, a pesquisa e a extensão, bem como as suas relações com a
				sociedade, sempre “[...] marcadas por debates, incompletudes e busca de definição”
					(<xref ref-type="bibr" rid="B25">Ministério da Educação, 2018a, p. 3</xref>). A
				esse respeito, a Constituição Federal de 1988, Artigo 207, menciona que “as
				universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão
				financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de <bold>indissociabilidade
					entre ensino, pesquisa e extensão”</bold> (<xref ref-type="bibr" rid="B1"
					>Brasil, 1988</xref>, grifo nosso). Nesse sentido,</p>
			<disp-quote>
				<p>partindo das abordagens teóricas e históricas, pode-se encontrar, nas práticas
					extensionistas das universidades, três concepções ideológicas que se entrecruzam
					e adquirem materialidade: a posição assistencialista, que se caracteriza pelo
					atendimento às demandas sociais por intermédio da prestação de serviços à
					comunidade; a dimensão transformadora, na qual as relações entre universidade e
					sociedade são dialógicas e buscam a transformação social, e, mais recentemente,
					o entendimento de que as demandas, advindas da sociedade, são tomadas como novas
					expectativas de serviços que a sociedade demanda da universidade (<xref
						ref-type="bibr" rid="B25">Ministério da Educação, 2018a, p. 4</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>O compromisso social da universidade pública e a reafirmação do princípio da
				indissociabilidade para uma formação crítica e cidadã é evidenciado, ainda, no
				documento elaborado no Fórum de Pró-Reitores de Extensão das</p>
			<p>Universidades Públicas Brasileiras (<xref ref-type="bibr" rid="B7">FORPROEX, 2006, p.
					21</xref>), segundo o qual a extensão, “além de instrumentalizadora deste
				processo dialético de teoria/prática, [...] é um trabalho interdisciplinar que
				favorece a visão integrada do social”. Nessa concepção de indissociabilidade, o
				estudante é posto como protagonista, ampliando o espaço de formação, construindo
				múltiplas possibilidades de compreensão-formação-transformação da realidade.</p>
			<disp-quote>
				<p>O currículo passa a ser concebido como um processo não linear e rotineiro onde as
					disciplinas deixam de ser verdades acabadas a serem repassadas e transmitidas e
					tornam-se um espaço de produção coletiva e de ação crítica. Os conteúdos das
					disciplinas não são mais a essência de um curso, mas referência para novas
					buscas, novas descobertas, novos questionamentos, oferecendo aos estudantes um
					sólido e crítico processo de formação. Quando a instituição utiliza tais
					possibilidades, efetiva-se a flexibilização curricular na perspectiva de um
					currículo que rompe com a predominância de disciplinas, tendo a
					transdisciplinaridade como eixo de referência (<xref ref-type="bibr" rid="B7"
						>FORPROEX, 2006, p. 46</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>Portanto, a curricularização da extensão direciona para a indissociabilidade, pois
				concebe as atividades acadêmicas como um processo no qual a extensão deve perpassar
				o ensino e suscitar a pesquisa. Além da determinação legal, a curricularização se
				revela como uma provocação para as instituições de ensino superior, dado que dialoga
				com os outros pressupostos teóricos da extensão, ou seja, a interprofissionalidade,
				a flexibilidade curricular, a função social da universidade, o impacto na formação
				do estudante e a transformação social (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Pereira;
					Vitorini, 2019</xref>).</p>
			<p>A extensão deve, pois, manter-se planejada de forma indissociável com o ensino e a
				pesquisa, impactando diretamente a formação dos estudantes. Para tanto, nessa
				indissociabilidade, professores, estudantes e comunidade acadêmica devem planejar,
				executar e avaliar de forma integrada o processo que envolve a mobilização, a
				realização e a concretização da curricularização da extensão em cada curso que a IES
				oferece.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>4. A curricularização e o Plano Nacional de Educação (PNE)</title>
			<p>O PNE é previsto na Constituição Federal, segundo a qual “a lei estabelecerá o plano
				nacional de educação, de duração decenal, com o objetivo de articular o sistema
				nacional de educação em regime de colaboração e definir diretrizes, objetivos, metas
				e estratégias [....]” (<xref ref-type="bibr" rid="B1">BRASIL, 1988</xref>). No mesmo
				sentido, a Lei Federal nº 9.394/96, atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação
				Nacional (LDB), determina que a União, em colaboração com estados e municípios,
				elaborará o PNE (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Brasil, 1996</xref>).</p>
			<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B20">Libâneo (2001, p. 159)</xref>, o PNE tem os
				seguintes objetivos:</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] A elevação global do nível de escolaridade da população; A melhoria da
					qualidade de ensino em todos os níveis; A redução das desigualdades sociais e
					regionais no tocante ao acesso a escola pública e a permanência com sucesso,
					nela; A democratização da gestão do ensino público nos estabelecimentos
					oficiais, obedecendo aos princípios da participação dos profissionais da
					educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e da participação da
					comunidade escolar e local escolar em conselhos escolares e equivalentes.</p>
			</disp-quote>
			<p>A curricularização da extensão surge no PNE 2001-2010 (nas metas 21 a 23),
				assegurando que “[...] <bold>no mínimo, 10 % do total de créditos</bold> exigidos
				para a graduação no ensino superior no País será reservado para a atuação dos alunos
				em ações extensionistas” (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Brasil, 2001</xref>, grifo
				nosso).</p>
			<p>Por sua vez, o PNE 2014-2024, através da Lei nº 13.005/2014, precisamente na meta
				12.7, preconiza que as instituições de ensino superior deverão “assegurar, no
				mínimo, 10 % do total de créditos curriculares exigidos para a graduação em
				programas e projetos de extensão universitária, orientando sua ação,
				prioritariamente, para áreas de grande pertinência social” (<xref ref-type="bibr"
					rid="B5">Brasil, 2014</xref>). A inserção representada por “áreas de grande
				pertinência social” indica que o PNE de 2014 sustenta uma visão emancipatória, o que
				implica desafios, disputas, novas organizações curriculares e propostas pedagógicas,
				e indica a necessidade da conexão da universidade com a sociedade, superando a
				prática curricular fragmentada. Como indica <xref ref-type="bibr" rid="B9">Gadotti
					(2017, p. 9-10)</xref>,</p>
			<disp-quote>
				<p>o currículo não é a soma de um conjunto de disciplinas. Ele traduz um projeto
					político pedagógico integrado. Por isso, um dos principais desafios da
					curricularização da Extensão está na superação de uma prática fragmentada de
					pequenos projetos por uma prática integral e integrador.</p>
			</disp-quote>
			<p>A partir da Resolução nº 7, de 18 de dezembro de 2018, foram estabelecidas as
				Diretrizes para a Extensão na Educação Superior Brasileira e regulamentado o
				disposto na Meta 12.7 da Lei nº 13.005/2014-2024; definindo princípios, instituindo
				os fundamentos e procedimentos a serem observados nas instituições de educação
				superior do país (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Ministério da Educação,
					2018b</xref>). Nessas diretrizes, há a normatização das atividades acadêmicas de
				extensão dos cursos de graduação na forma de componentes curriculares para os
				cursos, conforme previsão institucional:</p>
			<disp-quote>
				<p>as Diretrizes para a Extensão na Educação Superior Brasileira regulamentam as
					atividades acadêmicas de extensão dos cursos de graduação, <bold>na forma de
						componentes curriculares para os cursos,</bold> considerando-os em seus
					aspectos que se vinculam à formação dos estudantes, conforme previstos nos
					Planos de Desenvolvimento Institucionais (PDIs), e nos Projetos Políticos
					Institucionais (PPIs) das entidades educacionais, de acordo com o perfil do
					egresso, <bold>estabelecido nos Projetos Pedagógicos dos Cursos (PPCs)</bold> e
					nos demais documentos normativos próprios (<xref ref-type="bibr" rid="B25"
						>Ministério da Educação, 2018a, p. 17</xref>, grifos nossos).</p>
			</disp-quote>
		</sec>
		<sec>
			<title>5. A curricularização da extensão no IFFAR – Campus Santa Rosa</title>
			<p>Os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs) são instituições de
				educação superior, básica e profissional, pluricurriculares e multicampi,
				especializadas no oferecimento de educação profissional e tecnológica nas diferentes
				modalidades de ensino, com base na conjugação de conhecimentos técnicos e
				tecnológicos com as suas práticas pedagógicas, equiparando-se às universidades
				federais para efeitos regulatórios (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Brasil,
					2008</xref>).</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] a concepção de Educação Profissional e Tecnológica (EPT) orienta os
					processos de formação com base nas premissas da integração e da articulação
					entre ciência, tecnologia, cultura e conhecimentos específicos e do
					desenvolvimento da capacidade de investigação científica como dimensões
					essenciais à manutenção da autonomia e dos saberes necessários ao permanente
					exercício da laboralidade, que se traduzem <bold>nas ações de ensino, pesquisa e
						extensão</bold> (IF, 2010, p. 6, grifo nosso).</p>
			</disp-quote>
			<p>O IFFar foi criado pela Lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008, por meio da
				integração do Centro Federal de Educação Tecnológica de São Vicente do Sul, de sua
				Unidade Descentralizada de Júlio de Castilhos, da Escola Agrotécnica Federal de
				Alegrete e do acréscimo da Unidade Descentralizada de Ensino de Santo Augusto, que
				anteriormente pertencia ao Centro Federal de Educação Tecnológica de Bento
				Gonçalves. Atualmente, é constituído por dez campi e um campus avançado, em que são
				oferecidos cursos de formação inicial e continuada, cursos técnicos de nível médio,
				cursos superiores e de pós-graduação, além de outros programas educacionais
				fomentados pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC). Além
				desses campi e Centros de Referência, o IFFar atua em outros municípios do Rio
				Grande do Sul, a partir de Poios de Educação que oferecem cursos técnicos na
				modalidade de Educação a Distância (EaD).</p>
			<p>O campus Santa Rosa teve sua inauguração em dezembro de 2009, está localizado na
				mesorregião do Noroeste do Rio Grande do Sul, no município de Santa Rosa, organizado
				em cinco eixos tecnológicos que abrigam os cursos, de acordo com o Catálogo Nacional
				de Cursos Técnicos, além de oferecer cursos superiores de graduação e pós-graduação.
				É importante destacar os cursos e eixos tecnológicos oferecidos, pois demonstram, de
				certa forma, a potência pedagógica e a estrutura disponível para o seu
				desenvolvimento, seja para estudantes, professores ou demais profissionais
				envolvidos.</p>
			<p>Os eixos tecnológicos, com seus respectivos cursos, são: Infraestrutura (Curso
				Técnico em Edificações integrado ao ensino médio; Produção Alimentícia (Curso
				Técnico em Alimentos integrado ao ensino médio), oferecido pelo Programa de
				Integração da Educação Profissional com o Ensino Médio na Modalidade de Educação de
				Jovens e Adultos – EJA/EPT (PROEJA); Produção Industrial (Curso Técnico em Móveis
				integrado ao ensino médio); Controle e Processos Industriais (Curso Técnico em
				Mecatrônica integrado ao ensino médio e Curso Técnico em Eletromecânica subsequente
				ao ensino médio); Gestão e Negócios (Curso Técnico em Administração subsequente ao
				ensino médio na modalidade EaD). Além disso, possui os cursos de licenciatura em
				Matemática e em Ciências Biológicas e três cursos superiores que possibilitam a
				verticalização dos Eixos de Infraestrutura, Gestão e Negócios e Produção
				Alimentícia: Bacharelado em Arquitetura e Urbanismo, Bacharelado em Administração e
				Curso Superior de Tecnologia (CST) em Alimentos.</p>
			<p>No IFFar, o debate formal a respeito da implementação da curricularização, com
				registros, foi efetivado por meio da constituição de um Grupo de Trabalho (GT), em
				2018. Cada campus, com seus representantes, indicariam os cursos que fariam parte de
				um projeto piloto com o tema da curricularização da extensão, no sentido das formas
				e possibilidades de atender a demanda projetada no PNE. Uma das propostas seguiria a
				legitimação das PPI (nos cursos de bacharelado e tecnologia) e da PeCC (nos cursos
				de licenciatura) como possibilidades de implementação da curricularização da
				extensão, considerando o seu desenvolvimento como espaços metodológicos
				potenciais.</p>
			<p>Em 2019, foi normatizada a execução do projeto piloto, reafirmando a extensão como
				“[...] um processo interdisciplinar educativo, cultural, científico e político que
				promove a interação transformadora entre as Instituições de Ensino Superior e outros
				setores da sociedade, em articulação permanente com o ensino e a pesquisa” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B11">IFFar, 2019</xref>) e indicando que o curso e a forma
				do projeto piloto seriam definidos pelo colegiado de cada curso, nos diferentes
				campi.</p>
			<p>No campus Santa Rosa, o projeto piloto foi desenvolvido no curso Técnico em Móveis,
				nas PPI (metodologia utilizada também nos cursos técnicos), e no Curso de
				Licenciatura em Matemática, no componente curricular PeCC, tendo em vista que esta
				estrutura curricular e a metodologia PPI se apresentavam como espaços possíveis para
				inserção da curricularização da extensão.</p>
			<p>Concomitantemente a esse debate, iniciou-se, em 2018, coordenado pela Direção de
				Graduação da Pró-Reitoria de Ensino, o trabalho coletivo de revisão das Diretrizes
				Administrativas e Curriculares para a organização Didático-Pedagógica dos Cursos
				Superiores de Graduação do IFFar, com a finalidade de “[...] atualizar, qualificar e
				ampliar as possibilidades do trabalho pedagógico e da formação dos estudantes dos
				cursos de graduação do IFFar” (<xref ref-type="bibr" rid="B13">IFFar, 2022a</xref>).
				Nesse trabalho coletivo, após um período de organização, contemplando análises e
				sugestões, foram constituídos GTs para cada grau de curso de graduação
				(licenciatura, bacharelado e tecnologia), envolvendo oficialmente: coordenadores e
				membros do Núcleo Docente Estruturante (NDE); representantes do Setor de Assessoria
				Pedagógica (SAP), Direção de Ensino (DE) e Coordenação Geral de Ensino (CGE) de cada
				campus. A escuta e coleta de dados e sugestões de todos os envolvidos resultou nas
				novas diretrizes administrativas e curriculares dos cursos superiores de graduação,
				aprovadas pelo Conselho Superior do IFFar (CONSUP), por meio da Resolução nº 49, de
				18 de outubro de 2021. Assim, foi constatada a necessidade de adequação/reformulação
				de todos os PPCs do IFFar, incluindo a inserção da extensão no currículo e
				expressando a carga horária na matriz curricular.</p>
			<p>O regulamento para a implantação e desenvolvimento da curricularização da extensão
				foi aprovado no CONSUP no dia 20 de outubro de 2020, sendo que a revisão dos
				currículos dos cursos de graduação para implantação da carga horária de extensão
				iniciou somente após a definição das novas diretrizes, em outubro de 2021, como
				explicitado anteriormente. A partir da adequação dos currículos apontada pelas novas
				diretrizes, foi indicado, especialmente pelo GT Licenciaturas, a necessidade de
				alterar o regulamento da extensão (aprovado em 2020), sendo a principal alteração
				relacionada à obrigatoriedade de criação de disciplinas específicas de extensão,
				ficando na nova resolução como opção de cada curso. A alteração foi realizada pela
				Resolução <italic>ad referendum</italic> CONSUP/IFFar nº 15/2022 e homologada pela
				Resolução CONSUP/IFFar nº 47/2022, regulamentando a curricularização da extensão nos
				cursos de graduação do IFFar.</p>
			<p>É importante salientar o momento de excepcionalidade vivido a partir de março de
				2020, quando o desafio de repensar formas de desenvolvimento das atividades
				acadêmicas presenciais foi imposto pelas recomendações de distanciamento social
				decorrentes da pandemia de Covid-19. Na instituição, o período de atividades de
				ensino remoto foi iniciado em março de 2020, e o retorno à presencialidade ocorreu
				no ano letivo de 2022.</p>
			<p>A partir da aprovação das novas Diretrizes Institucionais, os cursos de graduação
				iniciaram a reformulação dos PPCs, envolvendo aspectos pedagógicos e alterações
				curriculares. No entanto, neste trabalho, deter-nos-emos sobre a forma de inserção
				da curricularização da extensão nos PPCs dos cursos. Partiu-se do pressuposto de
				que</p>
			<disp-quote>
				<p>o projeto político-pedagógico é mais do que uma formalidade instituída: é uma
					reflexão sobre a educação superior, sobre o ensino, a pesquisa e a extensão, a
					produção e a socialização dos conhecimentos, sobre o aluno e o professor e a
					prática pedagógica que se realiza na universidade. O projeto político-pedagógico
					é uma aproximação maior entre o que se institui e o que se transforma em
					instituinte. Assim, a articulação do instituído com o instituinte possibilita a
					ampliação dos saberes (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Veiga, 2004, p.
					25</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>Para orientar a reformulação dos PPCs, o IFFar contou com a Instrução Normativa
				01/2022, que dispõe sobre os procedimentos para atualização, alteração de condições
				de oferta e ajuste curricular de PPCs. O IFFar, com o objetivo de criar uma
				identidade formativa entre os cursos da instituição e de facilitar a mobilidade dos
				estudantes, constituiu uma base formativa comum para cada curso, envolvendo a
				organização curricular e o desenvolvimento didático-pedagógico dos cursos e a
				definição do perfil do egresso.</p>
			<p>O currículo referência consiste no planejamento dos componentes curriculares
				indispensáveis a cada curso, tendo como base o perfil do egresso, as normativas
				nacionais para a área e a organização curricular construída coletivamente. Como mais
				um espaço de debates, orientações e estudo, a Pró-Reitoria de Ensino, por meio da
				Assessoria Pedagógica, organizou um curso de capacitação para os servidores do Setor
				de Assessoria Pedagógica (SAP) dos campi. Desenvolvido a distância, com atividades
				síncronas e assíncronas, o objetivo era auxiliar no processo de revisão dos
				currículos referência dos cursos de graduação e na implementação das novas
				diretrizes, bem como no processo de revisão dos PPCs elaborados com base nessas
				normativas (<xref ref-type="bibr" rid="B13">IFFar, 2022a</xref>).</p>
			<p>Destarte, seguindo a normativa institucional, a extensão pôde ser inserida na matriz
				curricular dos cursos utilizando as estratégias: em parte, de componentes
				curriculares, como Atividades Complementares de Cursos (ACCs), ou em parte de carga
				horária (CH) de componentes curriculares do curso. Nessa estratégia, os componentes
				curriculares podem ter totalidade da CH destinada à extensão, por meio de
				componentes curriculares específicos, denominados Atividades Curriculares de
				Extensão (ACE) ou em componentes curriculares do curso. O curso pode utilizar uma ou
				mais estratégias, desde que a CH resulte em, no mínimo, 10 % da CH total do
				curso.</p>
			<p>Destacamos que a decisão da forma de inserção envolve todos os campi de oferta do
				curso, considerando o currículo referência. “Caso haja mais de uma oferta do mesmo
				curso no IFFar, a(s) estratégia(s) de curricularização da extensão deve(m) ser
				definida(s) no âmbito do currículo referência” (<xref ref-type="bibr" rid="B18"
					>IFFar, 2022f, p. 4</xref>). No entanto, se a estratégia escolhida no âmbito do
				currículo referência for a inserção em parte de componentes curriculares, a
				distribuição da CH de extensão fica a cargo de cada oferta/PPC e, neste caso, cada
				campus define a distribuição, mesmo tendo o curso oferecido em outra unidade.</p>
			<p>Ainda há a indicação, na norma, de que sejam incluídos, até a metade do curso,
				conteúdos introdutórios sobre extensão, contendo suas diretrizes, princípios e
				metodologia. A inclusão pode ocorrer através de ementas de componentes curriculares
				do curso ou por meio da inserção de um componente curricular denominado Metodologia
				Extensionista.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>6. PPI, PECC e a curricularização da extensão</title>
			<p>A PPI consiste em uma metodologia de ensino, prevista e desenvolvida no IFFar, que
				envolve os cursos técnicos e superiores (bacharelado e tecnologia) e possibilita a
				articulação entre os conhecimentos construídos nos diferentes componentes
				curriculares do curso e a prática real de trabalho, ampliando o diálogo entre as
				diferentes áreas de formação:</p>
			<disp-quote>
				<p>pode-se afirmar que a PPI é uma estratégia educacional favorável para a
					contextualização, a flexibilização e a integração curricular, abrangendo as
					diversas configurações da formação profissional vinculadas ao perfil do egresso,
					tendo como principal base o perfil do egresso e o itinerário formativo,
					possibilitando a articulação de estudos e de experiências profissionais. O
					contato com a prática real de trabalho é o espaço onde se busca garantir,
					concretamente, conteúdos, formas e métodos responsáveis por promover, durante o
					itinerário formativo, a politecnia, a formação integral e omnilateral e a
					interdisciplinaridade (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Marques; Vieira; Pontel,
						2020, p. 190</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>Conforme as diretrizes vigentes, os cursos superiores de bacharelado e tecnologia
				devem prever, na organização curricular, o mínimo de 5 % e o máximo de 10 % de sua
				CH total para o desenvolvimento das PPIs, sendo realizada por meio de parte de CH de
				no mínimo três componentes curriculares do semestre ou tendo um componente
				curricular articulador, integrando os conhecimentos de no mínimo três componentes
				curriculares do mesmo período letivo:</p>
			<disp-quote>
				<p>nos cursos de Bacharelado e Tecnologia, a carga horária destinada ao
					desenvolvimento da Prática Profissional Integrada (PPI) pode ser utilizada na
					sua integralidade para fins do cômputo da carga horária de extensão, desde que o
					planejamento atenda as diretrizes, os objetivos e as características da extensão
					e que a carga horária esteja identificada na matriz curricular como carga
					horária de extensão (<xref ref-type="bibr" rid="B18">IFFar, 2022f, p.
					4</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>A PeCC, nos cursos de licenciatura, tem o objetivo de proporcionar experiências de
				articulação de conhecimentos construídos ao longo do curso em situações de prática
				docente, diferenciando-se das demais atividades desenvolvidas no processo de ensino
				e constituindo-se em um espaço de criação e reflexão acerca do trabalho docente e do
				contexto social em que se inserem. A PeCC deve corresponder, no mínimo, a 400
				(quatrocentas) horas do currículo do curso de licenciatura, conforme as Diretrizes
				Curriculares Nacionais da formação de professores em vigência.</p>
			<p>Ademais, nos cursos de licenciatura, a carga horária de PeCC deve ser desenvolvida de
				forma interdisciplinar, por meio de componentes curriculares articuladores. No
				regulamento de extensão, é apontada a possibilidade de utilizar o espaço para a
				curricularização da extensão conforme consta na Resolução nº 47/2022, Art. 14: “nos
				cursos de licenciatura, cada componente curricular de Prática enquanto Componente
				Curricular (PeCC) poderá destinar até 80 % de sua carga horária para as atividades
				de extensão” (<xref ref-type="bibr" rid="B18">IFFar, 2022f, p. 4</xref>).</p>
			<p>Diante desse estatuto, o IFFar – campus Santa Rosa definiu estratégias para
				implementação da curricularização da extensão nos cursos de bacharelado, que foram
				contempladas em cada PPC, conforme ilustra a <xref ref-type="table" rid="T1">Tabela
					1</xref>.</p>
			<table-wrap id="T1">
				<label>Tabela 1</label>
				<caption>
					<title>Estratégias adotadas na curricularização da extensão dos cursos de
						Bacharelados em Administração e Arquitetura e Urbanismo do IFFar - Campus
						Santa Rosa</title>
				</caption>
				<table frame="hsides" rules="all">
					<thead style="background-color:#c2d8ef">
						<tr>
							<th align="center" valign="middle" colspan="3">BACHARELADOS</th>
						</tr>
						<tr>
							<th align="center" valign="middle">CURSO</th>
							<th align="center" valign="middle">ESTRATÉGIA</th>
							<th align="center" valign="middle">FORMA DE ORGANIZAÇÃO</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle">Bacharelado em Administração</td>
							<td align="left" valign="middle">
								<p>Dois componentes curriculares cuja totalidade da carga horária
									será destinada à Extensão</p>
								<p>Parte de componentes curriculares (até 80 %)</p>
							</td>
							<td align="left" valign="middle">
								<p>300 horas totais de extensão Metodologia Extensionista (36
									h),</p>
								<p>Seminários de Extensão (36 h),</p>
								<p>Componentes curriculares de Comportamento Organizacional (22 h),
									Escrita Acadêmica (12 h), Estruturas e Processos Organizacionais
									(34 h), Estatística (12 h), Gestão de Pessoas II (22 h),
									Administração da Produção e Operações I (34 h), Inovação e
									Empreendedorismo (34 h), Gestão Financeira (17 h), Administração
									Estratégica (17 h), Sistemas de Gestão da Qualidade (12 h), e
									Performance e alinhamento Organizacional (12 h)</p>
							</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>Bacharelado em Arquitetura</td>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8"
								>Inserida na composição departe da carga horária de componentes
								curriculares do curso</td>
							<td align="left" valign="middle" style="background-color:#e8e8e8">
								<p>431 horas totais de extensão</p>
								<p>Projetos Integrados I (115 h), Planejamento Urbano e Regional (86
									h), Projetos Integrados IV (115 h) e Projetos Integrados V (115
									h).</p>
								<p>Nesses componentes curriculares, 80 % de sua carga horária são
									contabilizadas como Curricularização da Extensão.</p>
							</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<fn id="TFN1">
						<p><bold>Fonte:</bold> os(as) autores(as), análise de documentos (2023).</p>
					</fn>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
			<p>Como pode ser visto, no curso de Bacharelado em Administração a opção foi o
				desenvolvimento das atividades de extensão no âmbito de componentes curriculares,
				por meio da criação de dois componentes em que a totalidade da CH será destinada à
				Extensão. Além disso, foi utilizada parte de componentes curriculares existentes
				cuja CH será parcialmente destinada à Extensão.</p>
			<p>No curso de Bacharelado em Arquitetura, a inserção da CH de Extensão nos componentes
				curriculares listados na <xref ref-type="table" rid="T1">Tabela 1</xref> foi
				justificada pelo caráter extensionista que eles já apresentavam no âmbito do curso,
				pois representam no percurso formativo do estudante uma abordagem relacionada ao
				contexto local e regional e articulada com a análise e reflexão de questões da
				sociedade e do ambiente, envolvendo a comunidade interna e externa do IFFar (<xref
					ref-type="bibr" rid="B14">IFFar, 2022b</xref>).</p>
			<p>Já no CST em Alimentos, o IFFar - campus Santa Rosa adotou os procedimentos que
				seguem na <xref ref-type="table" rid="T2">Tabela 2</xref>:</p>
			<table-wrap id="T2">
				<label>Tabela 2</label>
				<caption>
					<title>Procedimentos adotados na curricularização da extensão do CST em
						Alimentos do IFFar -Campus Santa Rosa</title>
				</caption>
				<table frame="hsides" rules="all">
					<thead style="background-color:#c2d8ef">
						<tr>
							<th align="center" valign="middle" colspan="3">CURSO SUPERIOR DE
								TECNOLOGIA</th>
						</tr>
						<tr>
							<th align="center" valign="middle">CURSO</th>
							<th align="center" valign="middle">ESTRATÉGIA</th>
							<th align="center" valign="middle">FORMA DE ORGANIZAÇÃO</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle">Tecnologia em Alimentos</td>
							<td align="left" valign="middle">A carga horária está distribuída em
								parte dos componentes curriculares do curso, - Prática Profissional
								Integra-da (PPI) será utilizada na sua integralidade</td>
							<td align="left" valign="middle">
								<p>260 h totais de extensão</p>
								<p>Prática Profissional Integrada (PPI) utilizada na sua
									integralidade como espaço destinado para a curricularização da
									extensão</p>
								<p>Definidas na matriz três componentes curriculares por semestre,
									sendo elas:</p>
								<p>Introdução à Tecnologia dos Alimentos (12 h), Metodologia
									Científica (12 h) e Informática (11 h).</p>
								<p>Além dessas, também apresentam CH para curricularização da
									extensão os seguintes componentes curriculares, com 15 horas
									cada uma: Química de Alimentos, Microbiologia dos Alimentos e
									Higiene na Indústria de Alimentos,</p>
								<p>Conservação dos Alimentos, Tecnologia de Leites e Derivados I,
									Controle de Qualidade, Tecnologia de Carnes e Derivados I,
									Embalagens para Alimentos e Tecnologia de Cereais e Panificação
									com 15 h terá a PPI desenvolvida nos componentes curriculares de
									Tecnologia de Frutas e Hortaliças, Toxicologia e Biotecnologia,
									e Empreendedorismo, Desenvolvimento de Novos Produtos e
									Alimentos funcionais.</p>
							</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<fn id="TFN2">
						<p><bold>Fonte:</bold> os(as) autores(as), análise de documentos (2023).</p>
					</fn>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
			<p>No CST em Alimentos, a proposta do projeto de extensão corresponde ao projeto da PPI,
				sendo considerado um espaço potencial para a extensão, com atividades já realizadas
				pelo curso anteriormente. O projeto da PPI é elaborado pelos professores envolvidos
				e apreciado/aprovado pelo colegiado do curso. O seu planejamento atenderá as
				diretrizes, os objetivos e as características da extensão. A descrição das
				atividades de extensão a serem desenvolvidas deverá ser detalhada no plano de ensino
				e no diário de classe do(s) componente(s) curricular(es) e realizada na carga
				horária de forma presencial (<xref ref-type="bibr" rid="B17">IFFar,
				2022e</xref>).</p>
			<p>Por fim, na <xref ref-type="table" rid="T3">Tabela 3</xref>, são apresentadas as
				estratégias definidas nos cursos de Licenciatura em Ciências Biológicas e
				Matemática, as quais se encontram nos seus PPCs:</p>
			<table-wrap id="T3">
				<label>Tabela 3</label>
				<caption>
					<title>Estratégias adotadas na curricularização da extensão dos cursos de
						Licenciaturas em Ciências Biológicas e Matemática do IFFar - Campus Santa
						Rosa</title>
				</caption>
				<table frame="hsides" rules="all">
					<thead style="background-color:#c2d8ef">
						<tr>
							<th align="center" valign="middle" colspan="3">LICENCIATURAS</th>
						</tr>
						<tr>
							<th align="center" valign="middle">Curso</th>
							<th align="center" valign="middle">Estratégia</th>
							<th align="center" valign="middle">Forma de organização</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle">Licenciatura em Ciências
								Biológicas</td>
							<td align="left" valign="middle">O percentual de atividades de extensão
								está inserido na matriz curricular por meio da estratégia de
								inclusão em parte da carga horária de componentes curriculares do
								Curso.</td>
							<td align="left" valign="middle">
								<p>331 h totais</p>
								<p>Nos componentes curriculares de Prática enquanto Componente
									Curricular (PeCC) PeCC I, II, III, IV, V e VI com 40 h, PeCC VII
									e VII com 38 h e no componente curricular de Saúde Pública 15
									h.</p>
							</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="middle">Licenciatura em Matemática</td>
							<td align="left" valign="middle">O percentual de atividades de extensão
								está inserido na matriz curricular por meio da estratégia de
								inclusão em parte da carga horária de componentes curriculares do
								Curso.</td>
							<td align="left" valign="middle">
								<p>338 horas totais</p>
								<p>40 (quarenta) horas em cada um dos oito componentes curriculares
									articuladores de Prática de Ensino de Matemática, perfazendo um
									total de 320 (trezentos e vinte) horas, e 18 (dezoito) horas no
									componente curricular de Saberes Docentes.</p>
							</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<fn id="TFN3">
						<p><bold>Fonte:</bold> os(as) autores(as), análise de documentos (2023).</p>
					</fn>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
			<p>Com pode ser visto na <xref ref-type="table" rid="T3">Tabela 3</xref>, o
				desenvolvimento das atividades de extensão ocorrerá no âmbito dos componentes
				curriculares articuladores da PeCC, que será orientado por um plano de ações
				elaborado e aprovado no âmbito do colegiado do curso e obrigatoriamente mencionado
				no item Metodologia do Plano de Ensino (<xref ref-type="bibr" rid="B15">IFFar,
					2022c</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B16">2022d</xref>).</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>7. Considerações finais</title>
			<p>Visando uma maior compreensão sobre o processo vivenciado no planejamento e inserção
				da curricularização da extensão nos projetos pedagógicos dos cursos superiores do
				IFFar, campus Santa Rosa, o presente estudo compartilha aspectos de tal processo,
				ratificando o PPC como um importante documento institucional que reflete o momento
				histórico vivido na sua elaboração, as intenções expressas, os sujeitos envolvidos,
				constituindo-se, portanto, como uma referência do processo pedagógico. O trabalho
				voltou-se para como se deu a construção desse caminho, a praxis, as contradições e
				os desafios da curricularização da extensão na reformulação e reconstrução de
				processos pedagógicos, manifestados no documento elaborado em cada curso.</p>
			<p>A busca de um maior detalhamento sobre o percurso adotado, as condições e os fatores
				associados à inserção da extensão nos cursos superiores da citada instituição
				ocorreu, portanto, por meio da realização de análise envolvendo a cronologia dos
				acontecimentos, os documentos e a participação de alguns autores que atuaram como
				orientadores e/ou construtores desse processo, enquanto servidores da
				instituição.</p>
			<p>Ademais, neste trabalho, nos detivemos na inserção da curricularização da extensão
				expressa na matriz curricular, cientes, no entanto, da necessidade de pontuar que a
				mudança, a reelaboração de uma proposta pedagógica, compõe-se de muitas outras
				relações, intenções e concepções expressas no documento citado, não sendo resumidas
				na matriz curricular/distribuição de CH. Mas essas escolhas e
				distribuição/elaboração fazem parte da estrutura didática que evidencia, projeta e
				ratifica as intenções quando colocadas em prática. Como explica <xref
					ref-type="bibr" rid="B8">Gadotti (1994, p. 579)</xref>,</p>
			<disp-quote>
				<p>todo projeto supõe rupturas com o presente e promessas para o futuro. Projetar
					significa tentar quebrar um estado confortável para arriscar-se, atravessar um
					período de instabilidade e buscar uma nova estabilidade em função da promessa
					que cada projeto contém de estado melhor do que o presente. Um projeto educativo
					pode ser tomado como promessa frente a determinadas rupturas. As promessas
					tornam visíveis os campos de ação possível, comprometendo seus atores e
					autores.</p>
			</disp-quote>
			<p>Nessa direção, este estudo foi organizado de maneira que, após a apresentação do
				percurso metodológico trilhado, foram abordados os pressupostos da curricularização
				da extensão, assim como sua manifestação no PNE e no IFFar, campus Santa Rosa. Além
				disso, discorreu-se sobre o processo em que se deu a inserção da curricularização da
				extensão nas matrizes dos cursos envolvidos, nem como sobre as contribuições do PPI
				e da PeCC. Com os dados recolhidos, foi possível constatar os procedimentos adotados
				pela instituição de ensino para integrar a curricularização da extensão, de modo a
				contemplar os dispositivos legais e a ansiedade da comunidade acadêmica de forma
				democrática e participativa.</p>
			<p>Foi possível compreender, além disso, os caminhos que podem ser empregados para a
				inserção da curricularização da extensão em cursos superiores, tendo em vista a
				necessidade da apreensão dos sujeitos envolvidos nesse processo, como forma de
				legitimar a sua presença no desenvolvimento de cada curso. Nesse sentido, o
				desenvolvimento deste estudo proporcionou o diagnóstico de uma realidade específica,
				que contribui para a compreensão de uma situação que se manifesta em outros
				espaços.</p>
			<p>De modo geral, os resultados indicam que as contradições e os conflitos existentes no
				processo de curricularização da extensão são múltiplos e envolvem peculiaridades
				presentes em projetos pedagógicos de cada curso, assim como atributos de caráter
				institucional. Nesse contexto, o colegiado de cada curso e a instituição de ensino
				precisam contemplar dinâmicas condizentes com seus propósitos, respeitando as
				condições objetivas e subjetivas existentes, para que assim possam desenvolvê-las
				considerando suas bases materiais e necessidades concretas.</p>
			<p>Espera-se que este trabalho auxilie no debate sobre a inserção da curricularização da
				extensão nos projetos pedagógicos dos cursos superiores, à medida que gera um
				aprofundamento do conhecimento sobre o processo. Dado o mérito do tema, espera-se
				que o presente estudo, por suas limitações, estimule novas investigações, dando
				continuidade às análises sobre a temática, que pode incluir envolvimento de
				professores que atuam na docência do ensino superior, abordando seus posicionamentos
				diante da relação do ensino e da pesquisa com a extensão, considerados o tripé que
				deve configurar a identidade da educação superior.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Por se tratar de uma investigação que utiliza a pesquisa bibliográfica e análise
					documental, está dispensado de parecer do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP),
					conforme Resolução 510/2016 (Brasil, 2016).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Texto traduzido por Adelino Jacó Seibt</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Artigo revisado e normalizado por Alcides Fernando Campos Gonçalves.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>REFERÊNCIAS</title>
			<ref id="B1">
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						Federativa do Brasil de 1988.</bold> Brasília, DF: Presidência da República,
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					<source>Constituição da República Federativa do Brasil de 1988</source>
					<publisher-loc>Brasília, DF</publisher-loc>
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