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	<front>
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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">faeeba</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. FAEEBA - Ed. e
					Contemp.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2358-0194</issn>
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				<publisher-name>Universidade do Estado da Bahia</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi"
				>10.21879/faeeba2358-0194.2025.v34.n77.pl32-145</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigo</subject>
				</subj-group>
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			<title-group>
				<article-title>EDUCAÇÃO INFANTIL E A PANDEMIA NO BRASIL: UMA ANÁLISE BIBLIOGRÁFICA
					ENTRE 2020 E 2022</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>EARLY CHILDHOOD EDUCATION AND THE PANDEMIC IN BRAZIL: AN ANALYSIS
						OF BIBLIOGRAPHIC BETWEEN 2020 AND 2022</trans-title>
				</trans-title-group>
				<trans-title-group xml:lang="es">
					<trans-title>EDUCACIÓN INFANTIL Y LA PANDEMIA EN BRASIL: UN ANÁLISIS DE LA
						BIBLIOGRÁFICA ENTRE 2020 Y 2022</trans-title>
				</trans-title-group>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-1111-464X</contrib-id>
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						<surname>Albuquerque</surname>
						<given-names>Simone Santos de</given-names>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-5113-2669</contrib-id>
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						<surname>Dutra</surname>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff2">**</xref>
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				<label>*</label>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Rio Grande do
					Sul</institution>
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					<city>Porto Alegre</city>
					<state>Rio Grande do Sul</state>
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				<country country="BR">Brasil</country>
				<email>sialbuq@gmail.com</email>
				<institution content-type="original">Doutora em Educação pela Universidade Federal
					do Rio Grande do Sul. Professora Associada da Faculdade de Educação da
					Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Pesquisadora do Grupo de Estudos e
					Pesquisa sobre Políticas Públicas de Educação Infantil (GEPPPEI/UFRGS). Porto
					Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail: sialbuq@gmail.com</institution>
			</aff>
			<aff id="aff2">
				<label>**</label>
				<institution content-type="orgname">Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande
					do Sul</institution>
				<email>isabeladutra25@gmail.com</email>
				<institution content-type="original">Doutora em Educação pela Universidade Federal
					do Rio Grande do Sul. Professora convidada da Pontifícia Universidade Católica
					do Rio Grande do Sul. E-mail: isabeladutra25@gmail.com</institution>
			</aff>
			<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
				<day>23</day>
				<month>09</month>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<pub-date publication-format="electronic" date-type="collection">
				<season>Jan-Mar</season>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<volume>34</volume>
			<issue>77</issue>
			<fpage>132</fpage>
			<lpage>145</lpage>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>13</day>
					<month>08</month>
					<year>2024</year>
				</date>
				<date date-type="accepted">
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					<year>2025</year>
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				<license license-type="open-access"
					xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>Esse artigo tem como objetivo analisar a produção bibliográfica produzida entre
					2020 e 2022 acerca da Educação Infantil e Pandemia. Foi realizada uma pesquisa
					qualitativa, a partir da leitura de resumos e palavras-chave de 46 artigos
					científicos, encontrados em duas bases de dados: Google Acadêmico e SciELO. Os
					materiais analisados foram organizados em quatro categorias de análises: 1)
					Currículo escolar; 2) Cuidar e educar; 3) Políticas Públicas e
					intersetorialidade; 4) Vulnerabilidade social. A partir das análises realizadas,
					percebemos que durante a pandemia houve uma preocupação relacionada à garantia
					dos direitos das crianças e à manutenção de vínculo entre família e escola;
					destacou-se a necessidade de colaborações intersetoriais entre políticas
					educacionais, e de assistência social e saúde pública; por fim, a pandemia
					afetou de forma contundente, populações em situação de vulnerabilidade
					social.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>This paper aims to analyze the bibliographic production made between 2020 and
					2022 about Early Childhood Education and Pandemic. A qualitative study was
					carried out by reading the abstracts and keywords of 46 scientific studies found
					in two databases: Google Scholar and SciELO. The materials analyzed were
					organized into four categories: 1) School curriculum; 2) Care and education; 3)
					Public policies and intersectorality; 4) Social vulnerability. From the analyses
					conducted, it emerged that during the pandemic there was concern about
					guaranteeing children’s rights and maintaining the link between family and
					school; the need for intersectoral collaboration between educational, social
					assistance, and public health policies was highlighted; finally, the pandemic
					has strongly affected populations in situations of social vulnerability.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>RESUMEN</title>
				<p>Este artículo tiene como objetivo analizar la literatura producida entre 2020 y
					2022 sobre la Educación Infantil y la Pandemia. Se realizo un estúdio
					cualitativo a partir de la lectura de los resúmenes y palabras clave de 46
					artículos científicos encontrados en dos bases de datos: Google Scholar y
					SciELO. Los materiales analizados se organizaron en cuatro categorias: 1)
					Currículo escolar; 2) Cuidado y educación; 3) Políticas públicas e
					intersectorialidad; 4) Vulnerabilidad social. A partir de los análisis
					realizados, se constato que durante la pandemia hubo preocupación por la
					garantia de los derechos de los niños y por el mantenimiento dei vínculo entre
					familia y escuela; se destaco la necesidad de colaboración intersectorial entre
					políticas educativas, de asistencia social y de salud pública; y, finalmente, la
					pandemia ha afectado fuertemente a poblaciones en situación de vulnerabilidad
					social.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Pandemia</kwd>
				<kwd>Educação Infantil</kwd>
				<kwd>Direitos das crianças</kwd>
				<kwd>Políticas Públicas</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Pandemic</kwd>
				<kwd>Early childhood education</kwd>
				<kwd>Children’s rights</kwd>
				<kwd>Public policies</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Palabras-clave:</title>
				<kwd>Pandemia</kwd>
				<kwd>Educación infantil</kwd>
				<kwd>Derechos del niño</kwd>
				<kwd>Políticas públicas</kwd>
			</kwd-group>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Apresentação</title>
			<p>Este artigo apresenta dados referentes à análise bibliográfica da pesquisa<xref
					ref-type="fn" rid="fn1">1</xref> “<italic>Impactos da pandemia para a garantia
					do direito à educação infantil: participação, famílias, currículo e
					qualidade”</italic> que tem como objetivo analisar os impactos da Pandemia da
				Covid-19 no Currículo da Educação Infantil, nas suas diferentes dimensões.
				Inicialmente apresentamos referências relativas à pesquisa qualitativa, em especial
				no que se refere à etapa da revisão bibliográfica. Em seguida, destacamos os dados
				relativos à produção pesquisada entre os anos 2020 e 2022 acerca da Educação
				Infantil e Pandemia e enfatizamos as categorias analíticas que foram produzidas a
				partir do estudo realizado.</p>
			<p>As categorias desenvolvidas na análise foram organizadas em: Currículo, Cuidar e
				educar, Políticas Públicas e Intersetorialidade, e Vulnerabilidade social, que foram
				problematizadas a partir de subcategorias e perspectivas teórico-práticas dos
				artigos analisados, compondo “corpus do estudo” deste artigo.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Notas sobre a metodoLogia</title>
			<p>A revisão bibliográfica é uma etapa crucial para uma pesquisa, tem como propósito
				buscar a literatura relacionada ao tópico a ser pesquisado, sinalizar a importância
				da temática pesquisada, bem como apresentar resultados de outros estudos, etc
				(Creswell, 2007). Em relação ao tema da pesquisa, foram encontrados uma diversidade
				de materiais de diferentes tipologias, tais como: artigos, dossiês, livros,
					<italic>lives,</italic> boletins informativos, relatórios de pesquisa, guia de
				orientações, dissertação de mestrado, entre outros.</p>
			<p>A análise dos materiais se deu de forma qualitativa, que tem como uma de suas
				características os fatos da sociedade e as relações sociais. Segundo <xref
					ref-type="bibr" rid="B4">André e Gatti (2008)</xref>, a abordagem qualitativa
				defende uma visão holística dos fenômenos, isto é, leva em conta todos os
				componentes de uma situação em suas interações e influências recíprocas. No Brasil,
				o surgimento e a expansão dos métodos qualitativos teve grande influência em 1960,
				principalmente na área da educação. Essa época foi marcada por fortes movimentos
				sociais, como a luta por discriminação racial. As abordagens qualitativas eram uma
				forma de dar voz àqueles que não tinham. <xref ref-type="bibr" rid="B4">André e
					Gatti (2008)</xref>, relatam: “Essa modalidade de pesquisa veio com a proposição
				de ruptura do círculo protetor que separa pesquisador de pesquisado”
					(<italic>ibid.,</italic> p. 4).</p>
			<p>A abordagem qualitativa não se preocupa com números e sim com aspectos da realidade,
				ou seja, com o aprofundamento de alguma questão de um determinado grupo social,
				centrando-se na compreensão das relações sociais.</p>
			<disp-quote>
				<p>As abordagens qualitativas de pesquisa se fundamentam numa perspectiva que
					concebe o conhecimento como um processo socialmente construído pelos sujeitos
					nas suas interações cotidianas, enquanto atuam na realidade, transformando-a e
					sendo por ela transformados [...]. Se a visão de realidade é construída pelos
					sujeitos, nas interações sociais vivenciadas em seu ambiente de trabalho, de
					lazer, na família, torna-se fundamental uma aproximação do pesquisador a essas
					situações (<xref ref-type="bibr" rid="B3">André, 2013, p. 97</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>Diante dessas informações, observa-se que esse método se constrói por meio do
				compartilhamento de experiências. Logo, para a execução dessa pesquisa e visando
				focar o interesse para o indivíduo, será necessária a realização de questionários,
				entrevistas, escritas no diário de campo, etc. Esses instrumentos de pesquisas são
				características da pesquisa qualitativa, cujo os dados são descritivos e obtidos de
				diferentes maneiras.</p>
			<p>Dentro dessa perspectiva, <xref ref-type="bibr" rid="B24">Fossa e Silva
				(2015)</xref>, ressaltam a importância da técnica da análise de conteúdo, que
				basicamente, analisa o que foi dito nas entrevistas, a partir de diferentes etapas:
				a primeira é a pré-análise, onde ocorre a organização do material; a segunda fase,
				de exploração do material, consiste na construção das operações de codificação; a
				terceira é a compreensão do tratamento dos resultados, inferência e interpretação,
				que capta os conteúdos contidos no material coletado.</p>
			<p>Dessa forma, procurando abarcar uma amplitude de artigos, foi realizado um
				levantamento de bibliografia produzida entre 2020 e 2022, e a busca foi feita em
				duas bases de dados, sendo elas: Google Acadêmico e SciELO, a partir dos
				descritores: educação infantil-pandemia. Devido ao elevado número e tipologias dos
				materiais encontrados, selecionamos artigos científicos que foram organizados em
				quatro categorias, contabilizando um total de 46 artigos: currículo (23); cuidar e
				educar (5); políticas públicas e intersetorialidade (9); vulnerabilidade social (9).
				A construção das quatros categorias foi realizada a partir da leitura dos resumos,
				palavras-chave e artigos, que traziam temáticas comuns em suas proposições. A
				definição de cada categoria se deu em função desses conceitos que abarcam de forma
				mais ampla as discussões feitas em cada um dos artigos.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Tensionamentos sobre o currículo da Educação Infantil</title>
			<p>O debate sobre currículo na Educação Infantil é marcado por inúmeras controvérsias,
				uma vez que ao falar em currículo, falamos em visões distintas sobre criança,
				família e escola, por exemplo (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Oliveira,
				2010</xref>). O campo do currículo pode ser pensado como um território de disputa e
				tensões. O currículo, segundo o Parecer CNE/CEB Nº: 20/2009, pode ser definido como
				um “conjunto de práticas que buscam articular as experiências e os saberes das
				crianças com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico,
				ambiental, científico e tecnológico” (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Brasil, 2009a,
					p. 6</xref>). Partindo dessa definição, entendemos que a proposta pedagógica
				para crianças de 0 a 5 anos deve promover situações de aprendizagem que garantam o
				desenvolvimento integral da criança. Entretanto, o contexto da pandemia da Covid-19
				implicou em novos arranjos pedagógicos, pois impactou diretamente nas formas como se
				estruturam as práticas pedagógicas.</p>
			<p>Ao nos debruçarmos sobre o total de 23 trabalhos relacionados ao campo do currículo,
				percebemos a ideia da Educação Infantil como direito, da criança como um sujeito de
				direito, que brinca, cria, imagina, fantasia e da dificuldade de organizar práticas
				pedagógicas de qualidade, no formato não presencial. Entretanto, como forma de
				sistematizar as discussões referidas em cada trabalho, organizamos três
				subcategorias a partir das temáticas que mais se aproximam. A primeira, que reúne
				grande parte dos materiais, com 17 artigos, traz a ideia da criança como sujeito de
				direito e os impactos da pandemia na garantia desses direitos, o que reflete
				diretamente na qualidade da Educação Infantil. Segundo o parecer, a criança, sujeito
				histórico e de direito, “nas interações, relações e práticas cotidianas que
				vivência, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia
				[...] e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B10">Brasil, 2009, p. 6</xref>).</p>
			<p>O parecer fixa as especificidades que orientam o atendimento às crianças, o qual, no
				contexto de ensino remoto, parece estar se constituindo num outro formato,
				preterindo alguns princípios fundamentais dos seus direitos e impactando,
				diretamente, sobre os corpos das crianças e em suas dinâmicas de interações,
				conforme analisado por <xref ref-type="bibr" rid="B41">Simão e Lessa (2020)</xref> e
					<xref ref-type="bibr" rid="B26">Gonçalves <italic>et al.</italic> (2020)</xref>,
				que por sua vez destaca que tais práticas pedagógicas não contribuíram para a
				aprendizagem e desenvolvimento das crianças, pois afastaram-se dos princípios que
				fundamentam a prática pedagógica nesta etapa da Educação Básica.</p>
			<p>A segunda subcategoria dialoga com alguns dos trabalhos analisados na primeira, no
				que diz respeito ao tipo de proposta pedagógica realizada na pandemia. Esta
				subcategoria de análise, que reúne três trabalhos, indica uma concepção de educação
				infantil marcada por métodos tradicionais de ensino, vinculando esta etapa a uma
				preparação para o Ensino Fundamental.</p>
			<p><xref ref-type="bibr" rid="B12">Callai, Maia e Serpa (2022)</xref> problematizam “os
				sentidos de algumas propostas pedagógicas enviadas às famílias, com ênfase na cópia,
				treino e repetição”. Essas propostas afastam-se do entendimento de uma educação
				participativa que posiciona a criança como um sujeito potente, dotado de inúmeras
				capacidades. <xref ref-type="bibr" rid="B22">Dahlberg, Moss e Pence (2019)</xref>
				destacam que práticas como essas provocam um retorno a concepções modernas de
				infância e a uma pedagógica tradicional, reforçando a ideia de que “a educação
				infantil é entendida em termos básicos, equipando as crianças pequenas para o que
				virá, a ser julgado em termos de resultados de longo prazo” (<italic>ibid.,</italic>
				p. 75). Nessa mesma direção, <xref ref-type="bibr" rid="B11">Calderan e Calderan
					(2020)</xref> evidenciam que o envio de ‘atividades’, ou ainda, que a aplicação
				de folhas de atividades, podem “causar uma falsa sensação de produtividade, uma vez
				que este tipo de ensino pode não contemplar as especificidades das crianças,
				agravando sua (in)visibilidade, de modo a reproduzir uma educação com pressupostos
				hegemônicos”.</p>
			<p>A terceira subcategoria reúne três trabalhos que perpassam a dimensão do trabalho
				docente aliado à manutenção de vínculo entre família e escola durante o período da
				pandemia. Nesse sentido, <xref ref-type="bibr" rid="B37">Salomão (2021)</xref>
				reflete sobre as principais estratégias adotadas pelos/as docentes para que a
				manutenção de vínculo com as famílias permanecesse forte: “troca de informações
				sobre a doença e benefícios sociais, empréstimo de livros, indicação de serviços e
				programações <italic>online,</italic> encontros virtuais, ligações, chamadas de
				vídeo e sugestões de histórias e brincadeiras”. Também foram destacados os desafios
				enfrentados pelos docentes de Educação Infantil durante esse período da Pandemia,
				evidenciando, principalmente, o uso das tecnologias nesse período.</p>
			<p>As temáticas indicadas nos três artigos analisados nos convidam a pensar sobre o
				papel do professor de educação infantil. Nessa direção, <xref ref-type="bibr"
					rid="B16">Catarsi apud Staccioli (2013)</xref>, destaca que a escola precisa ser
				constituída por uma tripla dimensão de competências: 1) competências culturais e
				pedagógicas; 2) competências metodológicas; 3) competências relacionais. Embora suas
				proposições não tenham sido pensadas no contexto de pandemia, julgamos pertinente
				trazê-las para o debate, com foco nas competências relacionais, as quais são
				fundamentais para o trabalho pedagógico na Educação Infantil. A competência
				relacional do professor revela-se, enfim, fundamental para estabelecer relações
				gratificantes e ‘encorajadoras’ com as crianças”
					(<bold><italic>ibid.,</italic></bold> p. 10).</p>
			<p>Os diferentes trabalhos analisados são tecidos por um fio condutor, que é o de
				garantir uma educação infantil de qualidade num contexto marcado pela adversidade.
				Os arranjos necessários no período da pandemia nos convidam a refletir sobre os
				contornos que o currículo foi assumindo, ora distanciando-se daquilo que é princípio
				básico para uma educação infantil, ora buscando estratégias para que a proposta
				pedagógica chegasse às casas das crianças o mais próximo possível daquilo que era
				construído no cotidiano presencial de uma escola.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Cuidar e educar: um oLhar para o desemparedamento da infância</title>
			<p>A segunda categoria de análise reúne cinco trabalhos que problematizam as práticas do
				cuidar e educar atreladas ao desemparedamento da infância, bem como a relação
				família e escola no contexto da pandemia. Os diferentes autores e autoras concordam
				que o distanciamento social impôs desafios muito grandes em relação a essas
				práticas, uma vez que ambas se constituem e se consolidam a partir da
				presencialidade, da relação próxima, do contato com o outro e da troca de
				olhares.</p>
			<p>O binômio cuidar e educar, ao longo da história das instituições de Educação
				Infantil, assumiu diferentes conotações. Por muito tempo, o cuidar esteve ligado a
				práticas mais assistenciais, tais como o cuidado com o corpo: higiene, sono e
				alimentação, as quais eram assumidas por um profissional menos qualificado. Os
				momentos relacionados ao educar, de caráter mais ‘pedagógico’, eram conduzidos por
				professoras com um nível maior de formação, pois envolveriam os processos de
				atividades e trabalhos realizados com as crianças. <xref ref-type="bibr" rid="B13"
					>Campos (1994)</xref>, assim como outros autores alertam que:</p>
			<disp-quote>
				<p>Estas duas concepções dos serviços voltados para o atendimento da criança
					pequena, em nosso país, geralmente chamadas de “assistencial” e de
					“educacional”, têm sido adotadas para duas classes sociais diferentes: a criança
					pobre, mais provavelmente, frequenta um serviço “assistencial”, e a criança de
					classe média um de tipo “educacional” (<italic>Ibid.,</italic> p. 33).</p>
			</disp-quote>
			<p>O contexto da pandemia acentuou ainda mais essas diferenças, uma vez que a criança
				pobre e em contexto de vulnerabilidade social, ao não frequentar a escola, teve
				restringido seu acesso à alimentação e muitas vezes a cuidados de higiene e, também,
				teve mais dificuldade no que diz respeito à manutenção de vínculo com a escola, o
				qual exigia, na maioria das vezes, acesso à internet para diferentes formas de
				conexão <italic>online.</italic></p>
			<p>Os limites físicos, impostos por esse contexto de adversidade, promoveram diferentes
				reflexões acerca do que é chamado de emparedamento da infância, ou seja, crianças
				que ficaram restritas a suas casas e apartamentos, impossibilitadas de terem contato
				com outras crianças e espaços ao ar livre, num primeiro momento mais crítico da
				pandemia. <xref ref-type="bibr" rid="B14">Castelli e Delgado (2021)</xref> destacam
				que “a grande permanência de tempo que as meninas e os meninos passam nos espaços
				fechados” já vinha sendo problematizada no campo teórico dos estudos sobre infância,
				entretanto, diante do retorno das crianças às escolas, no contexto de
				‘pós-Pandemia’, essas reflexões foram mais recorrentes, pois impactaram diretamente
				nas práticas pedagógicas organizadas pelas professoras para receberem as crianças
				nas escolas infantis, pautadas “pelo cuidado com as crianças de todas as
				idades”.</p>
			<p>Nessa mesma direção, <xref ref-type="bibr" rid="B32">Oliveira e Silva <italic>et
						al.</italic> (2022)</xref> apresentam o entendimento de que o
				“desemparedamento das infâncias e das escolas de Educação Infantil podem se tornar
				uma prática e uma experiência nesses novos tempos de retorno a presencialidade nas
				escolas”. <xref ref-type="bibr" rid="B43">Tiriba (2010)</xref> traz a ideia de que é
				preciso ‘desemparedar a educação infantil”, pois as crianças são seres da natureza.
				Segundo a autora: “sol, ar puro, água, terra, barro, areia são elementos/condições
				que devem estar presentes no dia a dia de creches e pré-escolas”
					(<italic>ibid.,</italic> p. 7).</p>
			<p>A segunda subcategoria, relação família e escola, contempla dois trabalhos que
				destacam a importância da manutenção do vínculo com as famílias no contexto de
				distanciamento social. <xref ref-type="bibr" rid="B1">Aderne <italic>et al.</italic>
					(2021)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B15">Castro <italic>et al.</italic>
					(2021)</xref> trazem a importância do olhar acolhedor para as famílias e o
				quanto a maneira de se relacionar precisou assumir novos formatos nesses tempos.</p>
			<p>A relação entre família e escola é fundamental para um acolhimento de qualidade da
				criança. Compreender quem é a família de cada criança, suas peculiaridades, formas
				como se alimentam, como compartilham sua rotina são movimentos necessários para uma
				“perspectiva de sucesso na escola” (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Barbosa, 2007, p.
					1072</xref>).</p>
			<disp-quote>
				<p>Quanto mais a escola conseguir apreender os modos singulares de socialização nas
					famílias, mais ela poderá propor formas de agrupamentos, de propostas e de
					práticas para a inclusão das crianças e criar processos educacionais que
					articulem as fronteiras das culturas familiares e das culturas escolares
						(<italic>ibid.,</italic> p. 1072).</p>
			</disp-quote>
			<p>No contexto presencial de escola, a família, entre muitos papéis, assume o de ser a
				ponte que permite o acesso da criança à escola. No contexto de ensino remoto, era
				ela, também, que garantia ou não a participação da criança, por isso, a importância
				da escola de educação infantil reconhecer suas limitações e possibilidades ao
				organizar e pensar suas práticas pedagógicas. Diante disso, foi necessário
				reinventar formas de manter o vínculo com as famílias, o que, segundo <xref
					ref-type="bibr" rid="B1">Aderne et al (2021)</xref> se deu por meio das
				brincadeiras e interação.</p>
			<p>A partir das análises feitas, percebemos que a manutenção de vínculo com as famílias
				e crianças foi um grande desafio para os/as educadores/as. Como manter uma relação
				próxima num contexto que exige distanciamento? A relação com as famílias é
				fundamental quando pensamos numa escola com e das crianças, uma vez que:</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] o professor também precisa ser capaz de compreender a realidade específica
					de cada criança, tomando consciência dos eventuais problemas que podem surgir da
					sua história pessoal ou do ambiente familiar de origem (<xref ref-type="bibr"
						rid="B16">Catarsi apud Staccioli, 2013, p. 10</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>Os professores lançaram mão de diferentes estratégias (competência pedagógica e
				metodológica), para garantir a manutenção de vínculos, conforme analisado por
				Silveira (2021). Segundo o autor, as atividades foram enviadas às famílias “por meio
				da produção de audiovisuais a serem compartilhados através das tecnologias digitais
				de informação e comunicação”.</p>
			<p>Um último trabalho dessa subcategoria faz uma grande análise dos “princípios que
				pautaram a invenção da Educação Infantil brasileira” para (re)pensar os rumos da
				primeira etapa da Educação Básica atualmente e após a crise sanitária. As autoras
					<xref ref-type="bibr" rid="B8">Barbosa e Gobbato (2021)</xref>, destacam que a
				pandemia descortinou algumas fragilidades da Educação Infantil e que precisam ser
				pensadas estratégias que reafirmem esse espaço como uma “organização social de um
				sistema educacional, como lugar de encontro de bebês e crianças pequenas com a
				cultura, a ciência, a tecnologia, o meio ambiente, a arte, um lugar que adensa e
				cria a vida” (<italic>ibid.,</italic> 2021). Este trabalho serve como um panorama
				geral que nos fornece pistas acerca do papel da Educação Infantil: “é urgente ter
				clareza da finalidade da Educação Infantil numa perspectiva de religação entre o que
				acontece na escola e a realidade planetária, compreender o que é necessário para
				construir modos de vida mais solidários, justos, democráticos”
					(<italic>ibid.,</italic> p. 1437). Assim, é preciso ampliar o compromisso com a
				integralidade das crianças como sujeitos, tendo as famílias como parceiras e
				construir práticas plurais e participativas.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A urgência de políticas públicas no contexto da Pandemia</title>
			<p>Ao analisar os nove artigos que compõem a categoria políticas públicas, é possível
				afirmar que algumas dimensões que se articulam. A primeira delas é a ideia de
				intersetorialidade que compreende a Educação como um ato conjunto, resultado de
				colaborações intersetoriais entre políticas educacionais, como também de assistência
				social e de saúde pública, a fim de unificar e potencializar as ações
				governamentais. Diante disso, acredita-se que o não enfrentamento da Covid-19 a
				partir dessa perspectiva acentuou os efeitos provocados pela Pandemia e seus
				entraves para garantia dos direitos fundamentais da criança.</p>
			<p><xref ref-type="bibr" rid="B21">Cruz e Martins (2021)</xref> destacam que “são
				evidenciadas demandas de maior coordenação e comprometimento entre as gestões dos
				níveis municipal, estadual e federal e de colaboração intersetorial envolvendo
				Educação, Assistência Social e Saúde, entre outros setores” (<italic>ibid.,</italic>
				2021).</p>
			<p>Evidenciamos que no campo das políticas públicas e da oferta de Educação Infantil há
				alguns artigos que denotam a falta de investimento, as dificuldades encontradas e a
				ausência do estado como indutor de ações, destacando até mesmo um abandono por parte
				do Estado. Mas, considerando que a Educação Infantil é dever prioritário dos
				municípios, os artigos também apontam a importância da colaboração entre a gestão
				federal, estadual e municipal para promover cooperação técnica e financeira capaz de
				assegurar a qualidade da oferta da Educação Infantil nos respectivos sistemas de
				ensino. Entretanto, o baixo alcance do atendimento em creches e a não
				universalização do direito à educação infantil pública apontados no último relatório
				de acompanhamento do Plano Nacional de Educação (<xref ref-type="bibr" rid="B9"
					>Brasil, 2022</xref>) demonstram que o Brasil permanece relegando a Educação
				Infantil e o cuidado com essa população. Neste sentido, alguns trabalhos ressaltam a
				importância dos diversos movimentos sociais que se dedicaram à luta pelo direito à
				vida e à educação infantil diante da ausência governamental.</p>
			<p>As autoras <xref ref-type="bibr" rid="B18">Coutinho e Coco (2020)</xref> apresentam a
				importância dos movimentos sociais na direção de preservação da trajetória
				construída no campo da educação infantil e destacam a necessidade de “continuidade
				da vigilância e da mobilização, na direção de nutrir a mensagem de um outro mundo
				possível, apostando na resistência às barbáries que se impõem, em especial, às
				crianças”.</p>
			<p>Outra questão apresentada foi a importância da consolidação do arcabouço legal das
				normatizações da Educação Infantil, considerando-se que os aspectos legais já
				efetivados em diferentes leis possibilitaram que os direitos da criança fossem
				reconhecidos num contexto tão complexo. Assim, os princípios éticos, estéticos e
				políticos marcados nas DCNEI (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Brasil, 2009</xref>),
				a concepção de criança, currículo e a parceria estabelecida com as famílias,
				precisaram sustentar as relações, propostas e práticas no contexto vivenciado.</p>
			<p>Como crise global, a pandemia atingiu milhares de pessoas, mas sabemos que com a
				desigualdade estrutural do Brasil, as pessoas vivenciaram a pandemia de diferentes
				formas. Os estudos realizados expressam o quanto o direito de acesso à Educação
				Infantil para 1,5 milhões de crianças ainda é negado, sendo que apenas 35,7% das
				crianças de 0 a 3 anos têm acesso a creches e 93,8% a pré-escolas, etapa que deveria
				ser universalizada até 2016. É destes sujeitos que evidenciamos que a desigualdade e
				a não oferta de educação infantil, marca de forma contundente e é atravessada por
				uma questão de pertencimento, articulada às questões étnicas, raciais, de classe,
				idade, gênero e moradia, o que nos levou a compreensão de um outro conceito que foi
				a interseccionalidade.</p>
			<p>O estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B19">Crenshaw (2002)</xref> nos ajuda a pensar
				sobre os efeitos interativos entre estas diferentes dimensões que afetam os direitos
				das crianças. A autora nos conduz à compreensão de que a “interseccionalidade é uma
				conceituação do problema que busca capturar as consequências estruturais e dinâmicas
				da interação entre dois ou mais eixos da subordinação” (<italic>ibid.,</italic> p.
				177), como por exemplo, raça, etnia, classe e gênero. Assim, é importante
				compreender que os direitos das crianças que sofrem com as desigualdades sociais e
				educacionais estão associados a um problema interseccional, porque em sua maioria
				são filhas de mulheres negras, pobres e que vivem nas periferias urbanas e/ou no
				campo.</p>
			<p>Os estudos de Fúlvia <xref ref-type="bibr" rid="B34">Rosemberg (2002</xref>, <xref
					ref-type="bibr" rid="B35">2006</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B36"
					>2012</xref>), historicamente, nos apresentaram dados sobre os efeitos das
				políticas discriminatórias que as crianças pequenas sofrem. Um debate importante foi
				em relação aos dados produzidos pelo censo demográfico (IBGE) e censo escolar
				(INEP), que evidenciaram a denominação “crianças fora do lugar”. Seus estudos foram
				fundamentais para a compreensão desta interseccionalidade, em especial no que se
				refere às crianças moradoras de área rural que segundo <xref ref-type="bibr"
					rid="B36">Rosemberg e Artes (2012)</xref> vivenciam uma política de atendimento
				“insuficiente, discriminatória e precária”.</p>
			<p>Ainda podemos destacar esta ideia quando a autora Fernanda Cristina <xref
					ref-type="bibr" rid="B23">de Souza (2020)</xref> propõe “que os estudos sobre
				feminismo negro sejam inspirações para esses movimentos, em que a
				interseccionalidade entre as categorias de raça, classe, gênero e deficiência sejam
				elementos fundamentais para orientar as defesas dos direitos dos bebês e
				crianças”.</p>
			<p>Portanto, no grupo de artigos analisados foi possível observar que o referencial
				aborda o entendimento da interseccionalidade, ou seja, a ideia de promover a
				interação entre as diversas categorias sociais que definem uma pessoa. A partir
				dessa iniciativa sustenta-se a ideia de articular estudos a respeito de pautas
				feministas, raciais, de classe, de gênero e também de crianças com deficiências, se
				destacam como elementos fundamentais para orientar a defesa dos direitos das
				crianças e dos profissionais que atuam em escolas.</p>
			<p>Ao longo da análise do referencial da categoria políticas públicas, ainda observamos
				três estudos qualitativos. Estes artigos se destacam como estudos importantes a
				respeito da formação de professores, condições de trabalho e as dificuldades
				enfrentadas no âmbito micro das escolas e no âmbito macro da gestão. As autoras
				Campos e Durli (2021) apresentam uma crítica importante aos documentos e
				normatizações do Conselho Nacional de Educação destinados à Educação Básica, os
				quais evidenciam que estas normativas foram uma tentativa de privatizar a EI:
				atuando de forma lenta e em sintonia com os interesses empresariais, o CNE colabora
				para o aprofundamento da privatização em curso da educação pública”
					(<italic>ibid.,</italic> 2021).</p>
			<p>No Brasil, sofremos forte impacto devido às decisões de um governo que negou a
				ciência e não realizou um planejamento estratégico de uma política intersetorial,
				priorizando aspectos econômicos. Tai decisões incidiram na falta de uma política
				coordenada nacionalmente como evidenciado em estudo realizado pela Universidade
				Federal de Minas Gerais (UFMG), que investigou 200 medidas tomadas pelo Governo
				Brasileiro como resposta ao enfrentamento do coronavírus, e registrou que, embora
				com um número alto de políticas, essas não se materializaram em abrangência e
				alcance da população (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Cimini, <italic>et
						al.,</italic> 2020</xref>).</p>
			<p>Um outro artigo analisado apresenta dados comparativos entre a realidade de Brasil e
				Itália. Neste estudo, <xref ref-type="bibr" rid="B38">Santos e Correia (2021)</xref>
				evidenciam que ao considerar as especificidades de cada país é preciso observar que
				“as decisões do poder público ou a ausência delas incidem diretamente sobre o modo
				como a sociedade convive com a pandemia, com a ausência do atendimento na Educação
				Infantil” (<italic>ibid.,</italic> 2021).</p>
			<p>Concluímos a análise da categoria políticas públicas, reconhecendo que a pandemia é
				um capítulo importante na trajetória da Educação Infantil que evidenciou nossas
				fragilidades, mas também nossas conquistas no campo das políticas, do currículo e na
				compreensão da educação infantil como uma política social.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Vulnerabilidade social e a acentuação das desigualdades</title>
			<p>O estudo dos artigos que tematizam a categoria “vulnerabilidade social” articulam
				temas profundos que denotam a complexidade da vida das crianças e suas famílias no
				contexto da pandemia, e expõem de forma mais contundente certas “feridas”, tal qual
				a fome, a violência, a exclusão e a ausência do Estado, que a sociedade brasileira
				já vivenciava antes da Covid-19. Além disso, os artigos apontam outras
				possibilidades instauradas por movimentos sociais e comunitários diversos, como
				afirma <xref ref-type="bibr" rid="B30">Menezes (2020)</xref>:</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] pretendemos pensar a pandemia e seus impactos trágicos, mas também olhar
					com atenção as iniciativas e movimentos comunitários que surgiram como reação à
					ausência do Estado no acolhimento às famílias e às crianças em situação de
					vulnerabilidade (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Menezes, 2020</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>É possível afirmar que este conjunto de artigos denotam estudos e ações de força, de
				sobrevivência e de denúncia de diferentes vulnerabilidades: sociais, educacionais,
				psicossociais e alimentares. Tal afirmação não só justifica a necessidade da
				consolidação dos Direitos infantis universais, como também direciona nosso olhar
				para as precariedades que já eram enfrentadas pelas infâncias vulnerabi-lizadas e
				foram agravadas durante a pandemia da Covid-19.</p>
			<p>Outro tema destacado nas análises foi o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA),
				que embora estivesse listada na Declaração Universal dos Direitos Humanos desde
				1948, só passou a integrar os direitos sociais previstos na Constituição Federal
				brasileira no ano de 2010. Esse direito pressupõe o acesso ininterrupto à
				alimentação saudável em quantidade adequada para cada indivíduo, sem discriminação e
				sem comprometer o acesso a outros recursos essenciais à vida (Abrandh, 2012).</p>
			<p>Segundo a <xref ref-type="bibr" rid="B25">Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal (2022,
					p. 63)</xref>, em seu relatório “<italic>Desigualdades e impactos da covid-19 na
					atenção à primeira infância”,</italic> a pandemia ocasionou o aumento da
				proporção de crianças muito abaixo do peso em 54,5% e elevou em cerca de 15% o
				número de crianças abaixo do peso, além disso, ao avaliar as consequências do
				fechamento das escolas sobre a nutrição de crianças do 0 aos 5 anos incompletos,
				observa-se que “[...] a porcentagem de crianças abaixo do peso e muito abaixo do
				peso aumentou em 0,44 p.p. e 0,16 p.p., respectivamente [...]”
					(<italic>Ibid.,</italic> p. 64).</p>
			<p>Mesmo diante da relevância dessa temática, o artigo desenvolvido por Bernardes
					<italic>et al.</italic> (2021) surpreende por ser o único da categoria
				vulnerabilidade social que traça um panorama sobre a Segurança Alimentar Nutricional
				(SAN) e aborda diretamente os reflexos da COVID-19 sobre a alimentação infantil. No
				que se diz respeito à pandemia, os autores indicam que os grupos mais afetados pela
				crise mundial da saúde foram aqueles que já vinham sendo marginalizados devido à
				histórica disparidade socioeconómica do país. Os estudos ainda ressaltam o
				enfraquecimento e o desmonte das políticas públicas vinculadas aos sistemas
				alimentares sustentáveis tal qual o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE)
				em virtude do fechamento das escolas. Em consonância, Bernardes <italic>et
					al.</italic> (2021) procura alertar sobre a insegurança alimentar infantil
				“especialmente para os grupos mais vulneráveis, considerando dimensões como acesso à
				alimentação, renda básica, programas de transferência de renda, sistemas e ambientes
				alimentares e mecanismos de participação e controle social” (<italic>ibid.,</italic>
				2021)</p>
			<p>Outra importante questão foram as “desigualdades educacionais” apresentadas por <xref
					ref-type="bibr" rid="B28">Koslinski e Bartholo (2021)</xref>, que em pesquisa
				realizada em 77 escolas das redes pública, conveniada e privada, em duas cidades e
				2070 crianças, destacam que os resultados indicam desigualdades de acesso às
				oportunidades de aprendizagem e possíveis implicações para a ampliação das
				desigualdades educacionais no início da escolarização obrigatória. Este estudo vai
				ao encontro da pesquisa intitulada “<italic>Regime especial de atividades não
					presenciais: a pandemia acentuando as desigualdades na educação
					infantil”,</italic> e realizada por Silva (2021) que, ao analisar as propostas
				para a Educação Infantil neste período de regime especial em escolas públicas de
				Minas Gerais, aponta “[...] inúmeros desafios enfrentados pelas docentes dentre os
				quais a falta de condições objetivas para viabilizar o ensino, uma vez que muitos
				professores e alunos não têm acesso à internet de qualidade e nem sempre possuem o
				domínio no manejo de aplicativos e plataformas digitais” (<italic>ibid</italic>.,
				2021).</p>
			<p>Tanto <xref ref-type="bibr" rid="B28">Koslinski e Bartholo (2021)</xref> quanto Silva
				(2021) evidenciam a complexa rede de apoio técnico, financeiro e de planejamento que
				as redes educacionais necessitavam naquele cenário, mas que, infelizmente, na
				ausência de uma política pública, precisaram contar com suas próprias redes de apoio
				individuais, familiares e comunitárias.</p>
			<p>No conjunto de produções analisadas na categoria “vulnerabilidade social”,
				consideramos fundamental destacar a edição de nº 4 da revista “A Criança e os seus
				Direitos” que trata dos impactos psicossociais da pandemia e agrega estudos
				relevantes para compreensão das condições de vida infantis nesse período.</p>
			<p>O artigo cuidadoso de <xref ref-type="bibr" rid="B33">Orneias (2022)</xref> trata das
				problemáticas vivenciadas pelas crianças e jovens, e recomenda que a implementação
				de procedimentos coerentes para desinstitucionalização infantil passa por eixos de
				ação que envolvem: cumprimento da legislação, apoio familiar, acesso a famílias de
				acolhimento àqueles que sofrem maus tratos, integração em programas de adoção e
				ações para os jovens maiores de 18 anos. Assim, o autor conclui que “a
				desinstitucionalização das crianças e jovens responde, em primeiro lugar, ao aumento
				das oportunidades de crescimento e desenvolvimento, promoção do seu bem-estar,
				sucesso educativo e realização do seu potencial” (<italic>ibid.,</italic> p.
				20).</p>
			<p>Já os outros três dos quatro estudos publicados nesta edição destacam que o
				isolamento social provocou prejuízos perceptíveis na saúde mental infantil e gerou o
				aumento dos números de violência doméstica e abusos contra crianças. Ainda nesse
				sentido, no final de 2022, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF)
				apresentou os dados de um relatório da ONU a respeito dos retrocessos da pandemia
				sobre a saúde de mulheres, crianças e adolescentes: Os dados apresentados no
				relatório mostram uma regressão crítica em praticamente todas as principais medidas
				de bem-estar infantil e em muitos indicadoreschave dos Objetivos de Desenvolvimento
				Sustentável (ODS).</p>
			<p>Os artigos analisados nesta categoria corroboram a ideia de que as fragilidades
				expostas no contexto da pandemia “não estão restritas ao presente, uma vez que ela
				somente visibilizou e aprofundou as crises política, social e econômica, que irá
				continuar pelos próximos anos” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Barbosa e Gobbato,
					2021, p. 1427</xref>). Diante disso, é preciso continuarmos vigilantes e ativos
				na busca por uma educação infantil democrática, inclusiva e de qualidade.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações finais</title>
			<p>A assertiva de que a vida mudou muito após a pandemia pode ser considerada um
				consenso na população mundial. Enquanto sujeitos, fomos impactados pelas novas
				formas de viver a vida coletivamente: protocolos para distanciamento social,
				fechamento de escolas e espaços coletivos, retorno presencial controlado às escolas,
				limitação do número de alunos por metro quadrado nas instituições de ensino,
				utilização individual de materiais e brinquedos, uso de máscara etc. Essas medidas
				provocaram formas distintas de perceber o mundo e construir relações. Segundo <xref
					ref-type="bibr" rid="B39">Santos e Saraiva (2020)</xref>, “o ano não acabou e
				parece não ter fim. Vivemos um ano que findará oficialmente no calendário, mas que
				carregaremos para o resto de nossas vidas” (<italic>Ibid., p.</italic> 1178).</p>
			<p>Como uma criança, que se constitui na relação com o outro, construiu a imagem do
				outro sem ver o seu rosto por completo? Como uma criança isoladamente vai se
				desenvolver por meio das interações e brincadeiras? Como uma criança que tem direito
				à alimentação, lazer, escola e cuidado, teve seus direitos garantidos no contexto da
				pandemia da Covid-19? Como uma escola da infância garante os direitos de
				aprendizagem e desenvolvimento das crianças por meio do envio de folhas de
				atividades para casa? Como escola e família constroem vínculo por meio da tela de um
				computador (quando há o acesso a tal) ou simplesmente sem se comunicar durante um
				ano ou mais? Esses e outros questionamentos se fizeram presentes nas discussões
				entre educadores e pesquisadores da infância e são tematizados nos artigos
				analisados nesta pesquisa.</p>
			<p>Ao longo do texto, categorizamos os 46 artigos, em 4 sessões: currículo, cuidar e
				educar, políticas públicas e vulnerabilidade social. Essa organização se deu muito
				mais para fins didáticos, uma vez que reconhecemos a complexidade de cada uma das
				temáticas e o quanto elas estão interligadas, quando tomamos como central os estudos
				sobre infância.</p>
			<p>Os artigos analisados nos convidam a pensar o quanto o cotidiano das instituições de
				Educação Infantil foi afetado, precisando ressignificar as práticas pedagógicas,
				retroceder em alguns aspectos que pareciam já terem sido superados, afastar-se dos
				princípios elucidados nos documentos legais que orientam o trabalho na Educação
				Infantil, entre outros aspectos tão importantes. Ainda, reforçam a ideia de que a
				educação está articulada a outros setores e que os níveis municipal, estadual e
				federal precisam caminhar juntos na ideia de garantir uma Educação Infantil de
				qualidade e assegurar os direitos das crianças brasileiras. A Pandemia acentuou
				ainda mais as fragilidades e adversidades enfrentadas pelas escolas que se dedicam
				às crianças:</p>
			<disp-quote>
				<p>De um lado, se encontram as preocupações com os vínculos construídos com as
					crianças desde bebês e, de outro, a impossibilidade do atendimento diário em um
					equipamento que, além de ser um espaço de educação e de cuidado, se constitui
					como lugar de proteção para muitas crianças que são vítimas de muitas mazelas em
					seus contextos de vida (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Anjos e Pereira, 2021, p.
						4</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>A Educação Infantil no Brasil, desde a Constituição de 1988, tem vivenciado um
				processo histórico de consolidação no âmbito da legislação e da implementação de
				políticas públicas coerentes com este arcabouço legal, mas também tem enfrentado
				inúmeros desafios neste processo. Um fator importante nesta estruturação de
				concepção e implementação é a questão do financiamento público para uma educação
				infantil com qualidade referenciada. E foi em meio ao caos da pandemia, fruto de
				muitas lutas, que no dia 25 de agosto de 2020, a Emenda Constitucional 108/2020
				instituiu o novo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de
				Valorização dos Profissionais da Educação – FUNDEB na tentativa de garantir maiores
				aportes financeiros para a Educação Infantil de forma permanente. <xref
					ref-type="bibr" rid="B8">Barbosa e Gobbato (2021)</xref>, destacam que uma das
				estratégias necessárias para a reinstitucionalização da Educação Infantil diz
				respeito ao financiamento público, que deve conceber:</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] a escola infantil como uma organização social de alta densidade
					democrática, que nasce nos territórios, com a ação dos docentes e toda a
					comunidade escolar. Esse núcleo ativo irá procurar garantir políticas públicas
					que afirmem a importância da materialidade da primeira etapa educacional,
					defender a vida e a segurança de todos, e ainda, ajudar a pensar e definir quais
					caminhos que a escola tem como instituição com compromisso intergeracional
						(<italic>ibid.,</italic> p. 1442).</p>
			</disp-quote>
			<p>O descaso de um desgoverno que se preocupou muito mais com a economia do que
				propriamente com a vida dos cidadãos brasileiros, foi decisivo para permanecermos em
				alerta em relação aos contornos que a Educação Infantil vem assumindo e seguirmos na
				luta para a garantia de uma escola pública de qualidade para as crianças. Sabemos
				que os desafios não são fáceis, mas precisamos ser otimistas e escolher quais
				estratégias de luta poderemos usar.</p>
			<p>Por fim, concluímos este texto com uma perspectiva otimista, pois como afirmou <xref
					ref-type="bibr" rid="B40">Sarmento (2022, p. 11)</xref> “agora é o tempo de
				reparar os danos e de (voltar a) dar voz às crianças, numa geração porventura mais
				sofrida e desigual, mas também, paradoxalmente, mais madura e mais apegada à alegria
				de viver”. Portanto, acreditamos na capacidade de reinvenção e ressignificação das
				crianças e que este movimento já foi instaurado na complexidade da pandemia, onde
				escolas e professores possuem um papel fundamental na construção de uma geração mais
				solidária.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>O projeto de Pesquisa foi aprovado pela Comissão de Pesquisa da Faculdade de
					Educação da UFRGS, que exige o encaminhamento dos procedimentos éticos como os
					Termos de Consentimento para a pesquisa. Este artigo apresenta dados referentes
					à revisão bibliográfica do estudo. Texto revisado e normalizado por Camila
					Faustino de Brito: Bacharel em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do
					Sul (UFRGS).</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>REFERÊNCIAS</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>ADERNE, Aline da Silva Ferreira; DA SILVA LIRA, Thainy Kléia; DA
					SILVA, Surama Angélica. Práticas pedagógicas na educação infantil em tempos de
					pandemia sob o olhar de professoras, famílias e crianças. <bold>Humanidades
						&amp; Inovação,</bold> v. 8, n. 61, p. 373-383, 2021.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ADERNE</surname>
							<given-names>Aline da Silva Ferreira</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>DA SILVA LIRA</surname>
							<given-names>Thainy Kléia</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>DA SILVA</surname>
							<given-names>Surama Angélica</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Práticas pedagógicas na educação infantil em tempos de pandemia
						sob o olhar de professoras, famílias e crianças</article-title>
					<source>Humanidades &amp; Inovação</source>
					<volume>8</volume>
					<issue>61</issue>
					<fpage>373</fpage>
					<lpage>383</lpage>
					<year>2021</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>ALMEIDA, Maria. A economia global. <bold>Revista Econômica,</bold>
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				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ALMEIDA</surname>
							<given-names>Maria</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>A economia global</article-title>
					<source>Revista Econômica</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<volume>35</volume>
					<issue>2</issue>
					<fpage>45</fpage>
					<lpage>60</lpage>
					<month>07</month>
					<year>2023</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
				<mixed-citation>ANDRÉ, Marli. O que é um estudo de caso qualitativo em educação?.
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							<surname>ANDRÉ</surname>
							<given-names>Marli</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>O que é um estudo de caso qualitativo em
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					<source>Revista da FAEEBA - Educação e Contemporaneidade</source>
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					</person-group>
					<source><bold>Métodos Qualitativos de Pesquisa em Educação no Brasil:</bold>
						origens e evolução</source>
					<conf-name>Palestra apresentada no Simpósio Brasileiro-Alemão de Pesquisa
						Qualitativa e Interpretação de Dados, realizado na Faculdade de Educação da
						Universidade de Brasília</conf-name>
					<volume>26</volume>
					<year>2008</year>
				</element-citation>
			</ref>
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