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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">faeeba</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. FAEEBA - Ed. e
					Contemp.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2358-0194</issn>
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				<publisher-name>Universidade do Estado da Bahia</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi"
				>10.21879/faeeba2358-0194.2024.v33.n76.p156-173</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigo</subject>
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				<article-title>EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA E EDUCAÇÃO POPULAR: A PERSPECTIVA DA EXTENSÃO
					POPULAR</article-title>
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					<trans-title>UNIVERSITY EXTENSION AND POPULAR EDUCATION: THE PERSPECTIVE OF
						POPULAR EXTENSION</trans-title>
				</trans-title-group>
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					<trans-title>EXTENSIÓN UNIVERSITARIA Y EDUCACIÓN POPULAR: LA PERSPECTIVA DE LA
						EXTENSIÓN POPULAR</trans-title>
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				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-2315-389X</contrib-id>
					<name>
						<surname>Fraga</surname>
						<given-names>Lais S.</given-names>
					</name>
					<bio>
						<p><sup>*</sup> Doutora em Política Científica e Tecnológica pela
							Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Professora Associada na
							Universidade Estadual de Campinas. Coordenadora da Incubadora
							Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP/UNICAMP), Campinas, São
							Paulo, Brasil. E-mail: <email>laissf@unicamp.br</email>
						</p>
					</bio>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"/>
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			<aff id="aff1">
				<institution content-type="orgname">Universidade Estadual de Campinas</institution>
				<institution content-type="original">Universidade Estadual de Campinas</institution>
			</aff>
			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>20</day>
				<month>11</month>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2024</year>
			</pub-date>
			<volume>33</volume>
			<issue>76</issue>
			<fpage>156</fpage>
			<lpage>173</lpage>
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					<day>15</day>
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				</date>
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				<license license-type="open-access"
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>Em um contexto de curricularização da extensão, de implementação da Lei de Cotas
					para o Ensino Superior e do alargamento do conceito de extensão universitária,
					este artigo tem como objetivo refletir sobre a perspectiva da Extensão Popular
					por meio da análise dos textos de seu principal autor, José Francisco de Melo
					Neto, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). As perguntas que buscamos
					explorar foram: quais são as particularidades da concepção da Extensão Popular,
					suas principais características e contribuições para o campo da Extensão
					Universitária na atual conjuntura? A pesquisa é do tipo qualitativa e
					bibliográfica e obteve como resultados principais a compreensão dos fundamentos
					e bases teórico-metodológicas da Extensão Popular em diálogo com o seu contexto
					de formulação e, adicionalmente, seus limites e possibilidades diante de um
					olhar interseccional.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>In a context of curricularization of extension, implementation of the Quota Law
					for Higher Education and the enlargement of the concept of university extension,
					this article aims to reflect on the perspective of Popular Extension, through
					the analysis of the texts of its main author, José Francisco de Melo Neto, from
					the Federal University of Paraíba (UFPB). The questions we sought to explore
					were: what are the particularities of the concept of Popular Extension, its main
					features and contributions to the field of University Extension in the current
					conjuncture? This is a qualitative and bibliographical research and its main
					results were the understanding of the foundations and theoretical-methodological
					bases of Popular Extension in dialogue with its context of formulation and,
					additionally, its limits and possibilities in the face of an intersectional
					perspective.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>RESUMEN</title>
				<p>En un contexto de curricularización de la extensión, implementación de la Ley de
					Cupos para la Educación Superior y la ampliación del concepto de extensión
					universitaria, este artículo tiene como objetivo reflexionar sobre la
					perspectiva de la Extensión Popular, a través del análisis de los textos de su
					principal autor, José Francisco de Melo Neto, de la Universidad Federal de
					Paraíba (UFPB). Las preguntas que buscamos explorar fueron: ¿cuáles son las
					particularidades de la concepción de Extensión Popular, sus principales
					características y aportes al campo de la Extensión Universitaria en la coyuntura
					actual? La investigación es cualitativa y bibliográfica y obtuvo como
					principales resultados la comprensión de los fundamentos y bases
					teórico-metodológicas de la Extensión Popular en diálogo con su contexto de
					formulación y, adicionalmente, sus límites y posibilidades desde una perspectiva
					interseccional.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Extensão Universitária</kwd>
				<kwd>Educação Popular</kwd>
				<kwd>Extensão Popular</kwd>
				<kwd>Interseccionalidade.</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>University Extension</kwd>
				<kwd>Popular Education</kwd>
				<kwd>Popular Extension</kwd>
				<kwd>Intersectionality.</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Palabras clave:</title>
				<kwd>Extensión Universitaria</kwd>
				<kwd>Educación Popular</kwd>
				<kwd>Extensión Popular</kwd>
				<kwd>Interseccionalidad.</kwd>
			</kwd-group>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução<sup><xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></sup></title>
			<p>Em uma conjuntura de mudanças significativas no ensino superior do país desde o
				início dos anos 2010, a extensão universitária vive um momento particular e
				importante de sua história. A primeira mudança que merece destaque é a Resolução nº
				7 de 18/12/2018 do Conselho Nacional de Educação (CNE), que regulamenta o processo
				de implementação de 10% da carga horária dos cursos de graduação em atividades de
				extensão e indica uma mudança efetiva na matriz curricular e nos Projetos
				Pedagógicos dos cursos. A resolução aponta não apenas uma mudança formal, mas sugere
				a revisão das estratégias pedagógicas dos cursos de graduação para promoção da
				integração entre ensino e extensão. Embora diversas Instituições de Ensino Superior
				(IES) pelo país tenham iniciado esse processo antes da resolução, é em dezembro de
				2018, no apagar das luzes do governo de Michel Temer, que o Ministério da Educação
				publica a resolução da chamada curricularização da extensão.</p>
			<p>Outra mudança importante para compreender a extensão universitária na atual
				conjuntura é a aprovação e consolidação da Lei de Cotas para o Ensino Superior, Lei
				nº 12.711/2012, que estabelece a reserva de vagas para estudantes de escola pública,
				oriundos de família com renda per capita de até um salário-mínimo e para
				autodeclarados pretos, pardos, indígenas e quilombolas e pessoas com deficiência.
				Desde então, as ações afirmativas nas IES têm possibilitado não apenas a
				democratização do acesso, mas têm trazido novos conflitos, temas e perspectivas para
				o ensino superior. Essas mudanças também possibilitam novas reflexões na extensão
				universitária (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Melo, 2024</xref>).</p>
			<p>Adicionalmente, as IES sofrem com a instabilidade sociopolítica e econômica, que na
				América Latina <italic>cambia</italic> com a força do realismo fantástico, e com a
				fragilidade das democracias e das políticas públicas. No Brasil, há apenas alguns
				anos tínhamos financiamento contínuo para a extensão. Foram anos de crescimento
				sustentado tanto em número de projetos e programas de extensão apoiados pelo governo
				federal, quanto em montante de recursos total aportados (<xref ref-type="bibr"
					rid="B14">Fraga, 2012</xref>). Em consonância com a conturbada conjuntura
				política na última década, o Programa de Extensão Universitária - Proext, principal
				política de incentivo e financiamento da extensão universitária, tem sua última
				chamada em 2016 e, desde então, não foi retomada por nenhuma das três gestões
				federais posteriores. Após um período com apoio constante e progressivo (<xref
					ref-type="bibr" rid="B16">Incrocci; Andrade, 2018</xref>), a extensão
				universitária, assim como a maioria das IES públicas do país, vive um momento de
				reduzido aporte financeiro.</p>
			<p>É nesse contexto que a discussão proposta neste artigo se insere. Um contexto de
				mudanças importantes no ensino superior do país e, ao mesmo tempo, de dificuldades
				na viabilização e no aprofundamento dessas mudanças no cotidiano das IES.
				Especificamente para a extensão, a reivindicação antiga da curricularização encontra
				dificuldades orçamentárias, assim como se mantêm as dificuldades permanentes da
				cultura universitária, que não valoriza e não reconhece a atuação extensionista. Se
				faz extensão quando dá, quando se quer, quando se pode, aos sábados de manhã. Depois
				de fechar as notas do semestre, entre as reuniões de colegiado e comissões, depois
				de ter níveis aceitáveis de produtividade acadêmica, depois de garantir a
				permanência na universidade.</p>
			<p>Quem fica na extensão, na sua prática cotidiana, fica porque está entranhada/o pela
				vontade de vínculo com as classes populares e porque a prática extensionista se
				apresenta enquanto busca de sentido do fazer acadêmico. Na teoria sobre extensão,
				por outro lado, parece que precisamos provocar, exigir criticidade, nos lembrar dos
				conflitos e das contradições. Existem diversas concepções de extensão e essa
				diversidade no processo de negociação da curricularização tem resultado em um
				alargamento obsceno do conceito de extensão.</p>
			<p>Nem tudo que se faz na relação entre universidade e sociedade é extensão. Por outro
				lado, tudo que se faz na universidade tem relação com outras esferas da sociedade. A
				extensão é um tipo particular de relação entre universidade e quem está fora dela.
				Essas particularidades são descritas, analisadas e praticadas há décadas e é
				relevante, neste momento da história da extensão, lembrar que existe um campo
				teórico-metodológico consolidado na literatura acadêmica.</p>
			<p>O esvaziamento do conceito de extensão contribui para uma visão romantizada e pouco
				reflexiva sobre o tema. A história da extensão nos mostra que, sob esse
				guarda-chuva, movimentos importantes contribuíram com a construção da autonomia e da
				democracia universitária e com a transformação das próprias IES, tornadoas mais
				diversas e democráticas. No entanto, ao mesmo tempo, movimentos conservadores e
				autoritários se apropriaram de expressões, termos e práticas extensionistas em nome
				de projetos políticos diversos (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Fraga,
				2012</xref>).</p>
			<p>Com intuito de contribuir com a consolidação da extensão como um campo
				teóricometodológico e promover o aprofundamento sobre suas diferentes concepções,
				este artigo tem como objetivo refletir sobre a perspectiva da Extensão Popular na
				atual conjuntura, por meio da análise dos textos de seu principal autor: José
				Francisco de Melo Neto. A pergunta que buscamos explorar é: a quais são as
				particularidades da concepção de Extensão Popular, suas principais características e
				contribuições para o campo da Extensão Universitária na atual conjuntura?
				Adicionalmente, busca-se refletir sobre os limites dessa perspectiva.</p>
			<p>Para isso, o texto está organizado em quatro partes, além desta introdução que contém
				apontamentos sobre os caminhos metodológicos da análise realizada. Na primeira é
				traçada um breve histórico da extensão universitária no Brasil, com o intuito de
				localizar o surgimento da perspectiva da Extensão Popular. Na segunda parte, é
				apresentada a revisão bibliográfica sobre Extensão Popular a partir da análise da
				obra de José Francisco de Melo Neto. Na seção seguinte, apontamos reflexões,
				críticas e limitações da perspectiva apresentada, analisando-a na atual conjuntura,
				especialmente sob olhar de uma perspectiva interseccional. Por fim, são apresentadas
				as considerações finais, apontando-se os limites e os desdobramentos das análises
				realizadas.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Caminhos metodológicos</title>
			<p>Este artigo parte centralmente da análise da obra de José Francisco de Melo Neto como
				referência e formulador da perspectiva da Extensão Popular. Dentro de uma vasta
				produção acadêmica, a análise se restringiu aos textos com enfoque primário na
				temática da Extensão Popular. Dentre as principais obras analisadas está a tese de
				doutorado do autor, <italic>Extensão universitária: uma análise crítica,</italic> de
				1996, e o livro <italic>Extensão Popular</italic>, de 2014. Foram analisados de
				maneira secundária outros textos do autor e textos de autores/as do Grupo de
				Pesquisa em Extensão Popular (Extelar) ligado à Universidade Federal da Paraíba
				(UFPB).</p>
			<p>De maneira exploratória, foram realizadas duas buscas<sup><xref ref-type="fn"
						rid="fn2">2</xref></sup> por outros trabalhos que abordam a temática da
				Extensão Popular, para além das obras de José Francisco de Melo Neto. A primeira
				delas consistiu na busca por trabalhos que continham a expressão “Extensão Popular”
				no Catálogo de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
				Nível Superior (Capes). Foram encontrados 29 trabalhos, sendo 22 dissertações e 7
				teses. Destes, 23 eram da UFPB, com destaque para os programas de Ciências Jurídicas
				(10) e Educação (10) dessa universidade.</p>
			<p>A segunda busca se deu no Portal de Periódicos da Capes, com foco na expressão
				“Extensão Popular” no título dos trabalhos. Foram encontrados 33 textos, dos quais 2
				eram editoriais e 12 eram relatos de experiência com pouco debate teórico sobre
				extensão universitária e suas concepções. Merece destaque o fato de, na maioria dos
				textos encontrados nessa busca, o referencial teórico se concentrar majoritariamente
				em autores da Educação Popular (com evidente destaque para as obras de Paulo Freire)
				e, de maneira secundária, em textos de <xref ref-type="bibr" rid="B23">Melo Neto
					(2014)</xref> e Pedro <xref ref-type="bibr" rid="B7">Cruz (2017)</xref> que
				discutem o conceito de Extensão Popular.</p>
			<p>A partir da busca exploratória realizada e da leitura dos trabalhos encontrados, foi
				possível analisar que a concepção e perspectiva de Extensão Popular é uma
				conceitualização sistematizada por José Francisco de Melo Neto. Outros autores/as
				partem das discussões formulada por ele para produzir suas reflexões e, ainda que
				tragam novos elementos, pouco avançam no sentido de complexificar, atualizar ou
				criticar o conceito. Nesse sentido, a análise realizada neste artigo buscou
				compreender a concepção da Extensão Popular formulada por José Francisco de Melo
				Neto e seus atuais desdobramentos. Interessam, especialmente, os fundamentos e as
				bases teórico-metodológicas dessa perspectiva extensionista em diálogo com o seu
				contexto de formulação e como ela se desdobra a partir de novas questões e novas
				lutas que o contexto atual apresenta. Posteriormente, a partir do olhar
				interseccional sobre a realidade e sobre a extensão universitária, são apontados
				limites da Extensão Popular que ganham importância na atual conjuntura da extensão
				universitária e da educação superior no país.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Histórico e conjuntura atual da extensão</title>
			<p>Em sua matriz latino-americana, a origem da extensão universitária está no Movimento
				Reformista de Córdoba, surgido na Argentina em 1918, que tinha como motes centrais a
				democracia e a autonomia universitária a partir da aliança entre estudantes e
				trabalhadores. As experiências extensionistas das quais Paulo Freire participou na
				década de 1960 e as quais ele sistematizou em suas obras constituem uma das
				experiências influenciadas pelo movimento estudantil latino-americano. No Brasil,
				essa matriz se funde com as influências europeia e estadunidense, resultando em uma
				grande diversidade de concepções de extensão universitária. Por isso, muitas vezes
				não são evidentes em um determinado projeto de extensão seus pressupostos e sua
				visão de universidade - em suma, sua perspectiva teórico-metodológica.</p>
			<p>A matriz latino-americana não é hegemônica no país. Ainda que Paulo Freire seja
				onipresente, bem sabemos que entre o Paulo Freire do Movimento dos Trabalhadores
				Rurais Sem Terra e o Paulo Freire da Fundação Ford<sup><xref ref-type="fn" rid="fn3"
						>3</xref></sup> existe um amplo leque de experiências. Esse é o ponto de
				partida desta seção: para melhor compreender a extensão e a análise aqui
				apresentada, é relevante percorrer, mesmo que de maneira breve, a história da
				extensão até os dias atuais, com o objetivo de contextualizar o surgimento das
				diferentes abordagens sobre a extensão. Uma vez que, alguns projetos de extensão</p>
			<disp-quote>
				<p>denotam a importância dada à universidade na construção de projetos nacionais,
					outros se aliam aos discursos governamentais, às políticas de Estado,
					disciplinam e se integram aos projetos desenvolvimentistas e militaristas,
					outros ainda reagem a este Estado, incorporam bandeiras dos estudantes, etc. O
					que nos leva a afirmar que a extensão cresceu e decresceu nas contingências,
					demonstrando-se um poderoso campo de relações de poder que tem como “termômetro”
					as tendências políticas dominantes de cada época (<xref ref-type="bibr" rid="B8"
						>Cunha, 2002</xref>, p.25-26).</p>
			</disp-quote>
			<p>Uma maneira de contar a história da extensão no Brasil é a partir da Universidade
				Livre de São Paulo, criada em 1912. A partir dessa data, a extensão no país teria
				112 anos. A Universidade Livre, uma escola privada, oferecia cursos populares para a
				classe trabalhadora no contraturno de trabalho. A Inglaterra é o país de referências
				para esse tipo de experiência no qual, no contexto da Revolução Industrial, a
				universidade passa a diversificar suas atividades, institucionalizando a extensão
					(<xref ref-type="bibr" rid="B10">Fagundes, 1986</xref>). O argumento para essa
				mudança de rumo da universidade era oferecer educação continuada (<xref
					ref-type="bibr" rid="B24">Paiva, 1974</xref>) ou, mais especificamente, oferecer
				educação aos trabalhadores fora da jornada de trabalho (<xref ref-type="bibr"
					rid="B5">Carneiro, 1985</xref>). De maneira geral, o intuito era oferecer
				conhecimento científico à classe trabalhadora ou “ilustrar as massas”. As
				experiências fundantes da matriz europeia de extensão são as Universidades Populares
				criadas em meados do século XIX em diversos países europeus.</p>
			<disp-quote>
				<p>Em 1867, James Stuart, um jovem professor (...) da Universidade de Cambridge, foi
					convidado, pelo Conselho para a Promoção de Educação Superior para Mulheres do
					Norte da Inglaterra (...), a proferir quatro conjuntos de palestras nas cidades
					de Leeds, Liverpool, Sheffield e Manchester. (...) Assim, nasceu o movimento que
					se tornou inicialmente conhecido na Grã-Bretanha como “extensão universitária”
						(<xref ref-type="bibr" rid="B17">Ireland, 2002</xref>, p. 49).</p>
			</disp-quote>
			<p>Sobre essa experiência, <xref ref-type="bibr" rid="B17">Ireland (2002)</xref> conta
				uma anedota interessante: a demanda das mulheres era relacionada às teorias e aos
				métodos de educação. No entanto, o professor optou por oferecer um curso sobre a
				História da Astronomia. Nesse sentido, a demanda por educação foi atendida, mas o
				professor decidiu qual conteúdo seria ensinado.</p>
			<p>Essa anedota nos lembra que a ideia de “ilustrar as massas” contém a decisão sobre o
				que as massas precisam aprender. Nessa perspectiva, a decisão está na universidade,
				que, embora se esconda na relevante justificativa de divulgar o conhecimento
				científico, denota uma relação desigual, como aborda Paulo Freire (1977) em seu
				livro clássico <italic>Extensão ou Comunicação?</italic><sup><xref ref-type="fn"
						rid="fn4">4</xref></sup> Em um segundo nível de compreensão, a perspectiva
				de ilustrar as massas parte da superioridade e autoridade da ciência e da
				desvalorização de outros modos de conhecimento e de outros modos de vida.</p>
			<p>Uma outra perspectiva de extensão surge no século XX nos EUA e se fortalece no bojo
				da Revolução Verde, em um contexto de profundas mudanças na agricultura e na
				tecnologia. Especialmente no período pós-guerra, com o intenso processo de
				modernização da agricultura, se consolida o objetivo de dar assistência técnica aos
				agricultores, principalmente por meio dos <italic>Land Grant Colleges</italic>. No
				Brasil, a Escola Superior de Agricultura Veterinária de Viçosa, criada em 1962,
				consolida essa perspectiva estadunidense. Essa concepção de extensão tem como eixo
				central a utilidade do conhecimento produzido na universidade e promove a
				transferência tecnológica e a prestação de serviço como finalidades da
				universidade.</p>
			<p>Além dessas duas matrizes, europeia e estadunidense, há outra maneira de contar a
				história da extensão no país. Para isso é preciso olhar para a permanente vontade da
				universidade de criar vínculos com as classes populares em vez de apenas seguir
				experiências institucionais. Mesmo antes da existência de universidades no país,
				essas atividades já existiam nos cursos de ensino superior. Seguir as experiências
				informais, especialmente levadas a cabo por estudantes, nos conecta com a
				perspectiva latino-americana iniciada pelo já citado Movimento Reformista de
				Córdoba, que reivindicou a missão social para a universidade, no sentido de imaginar
				outra universidade e não apenas sua extensão à sociedade. Por meio da atuação
				radical de estudantes, se colocam em evidência temas como a democracia e a autonomia
				universitária, a renovação pedagógica e científica, a democratização do ensino e o
				vínculo da universidade com a vida social como alguns dos pilares do movimento
					(<xref ref-type="bibr" rid="B18">Mariátegui, 1975</xref>). Os reformistas de
				Córdoba imaginaram a universidade como uma casa em que cabem todos. A partir da
				aliança entre estudantes e trabalhadores, almejaram uma universidade democrática e
				popular. É desse desejo de mudança que surgem as Universidades Populares
				latino-americanas, influência que chega no Brasil nos anos 1930 e floresce nos anos
				1960 no bojo do movimento da contracultura e dos movimentos de cultura popular.</p>
			<p>Em documento resultante do I Seminário Nacional de Reforma Universitária promovido
				pela UNE em 1961, a Carta da Bahia, os estudantes afirmam que o compromisso com as
				classes trabalhadoras e com o povoé uma diretriz para a Reforma Universitária.
				Apresentam cinco pontos: lutar pela reforma e pela democratização do ensino; abrir a
				universidade ao povo por meio de cursos acessíveis a todos, tais como cursos de
				alfabetização de adultos, etc., que deveriam ser oferecidos não apenas na
				universidade, mas nas favelas e nas fábricas, criando Universidades Populares
				inspiradas nas experiências latino-americanas; colocar a universidade a serviço de
				órgãos governamentais; colocar a universidade a serviço das classes desvalidas, sem
				paternalismo, despertando a consciência popular para seus direitos; e fazer da
				universidade uma trincheira de defesa das reivindicações populares. Essa é uma
				síntese do clima da extensão nos anos 1960: a extensão criativa, diversa e
				contestatória. José Francisco de <xref ref-type="bibr" rid="B21">Melo Neto
					(2002</xref>, p. 11) afirma que “Das diretrizes da Declaração da Bahia
				depreendem-se as características de uma universidade democrática, marcada pela
					<italic>extensão universitária”</italic>.</p>
			<p>Nesse momento da história da extensão no país, nascem experiências como a União dos
				Estudantes Universitários (UNE) - Volante, o Centro Popular de Cultura (CPC) e o
				Movimento de Cultura Popular (MCP). Especialmente o MCP, desde seu início, busca
				superar a ideia de transferência de conhecimento e busca valorizar a cultura
				popular. É desse momento também que deriva a reflexão de Paulo Freire sobre
				dialogicidade, que será tratada mais adiante.</p>
			<p>É interessante destacar que a criação da Escola Superior de Agricultura Veterinária
				de Viçosa e sua perspectiva de prestação de serviço, bem como a atuação do movimento
				estudantil, o CPC e sua perspectiva contestatória e o MCP e as experiências nas
				quais Paulo Freire estava envolvido aconteceram praticamente no mesmo período. Essa
				constatação reforça a ideia, já apresentada, de a extensão ser (e já ter sido) muito
				diversa não só em práticas, mas em suas fundamentações, o que nos leva a reconhecer
				que a extensão não é em si transformadora.</p>
			<p>O período histórico no qual essa ideia fica mais evidente é durante a ditadura
				civil-militar pela qual passou o país, período no qual o governo federal, por meio
				do Ministério da Educação (MEC), passa a capitanear as ações de extensão. Nesse
				período, a extensão foi institucionalizada e largamente financiada. Ainda que muitas
				das palavras utilizadas nos documentos oficias fossem semelhantes às do período
				contestatório anterior, a extensão apaziguada e apaziguadora tinha como fundamento a
				Doutrina de Segurança e Desenvolvimento Nacional (<xref ref-type="bibr" rid="B8"
					>Cunha, 2002</xref>). O carro-chefe da extensão nesse momento é o Projeto
						Rondon<sup><xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref></sup>, concebido pela
				Escola Superior de Guerra e o Centro Rural Universitário de Treinamento e Ação
				Comunitária (CRUTAC). Os documentos no período são claros ao afirmar que a extensão
				tinha como objetivo ocupar o tempo livre dos estudantes e promover uma formação
				patriótica, colocando estudantes como porta-vozes do governo (<xref ref-type="bibr"
					rid="B27">Silveira, 1987</xref>). A ideia era canalizar as manifestações
				contestatórias para a realização de atividades com conotação patriótica e
				assistencialista (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Almeida, 1991</xref>).</p>
			<p>Com o fim da ditadura e o processo de redemocratização, é com protagonismo da
				categoria docente que a extensão novamente muda de rumo. A criação do Fórum Nacional
				de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras (Forproex) em
					<xref ref-type="bibr" rid="B12">1987</xref> e do Programa de Fomento à Extensão
				Universitária (Proexte)<sup><xref ref-type="fn" rid="fn6">6</xref></sup> em 1993 são
				as marcas da extensão no período de redemocratização que permanecem até os dias de
				hoje.</p>
			<p>Com a eleição de Fernando Henrique Cardoso e sob a avalanche neoliberal que toda a
				América Latina enfrentou naquele período, a extensão se aproxima de uma perspectiva
				assistencialista e episódica com o programa Universidade Solidária, de
				responsabilidade da primeira-dama Ruth Cardoso. Inicia-se nesse período o
				oferecimento de cursos pagos nas IES públicas, os chamados cursos de extensão.
				Paralelamente, a atuação do Forproex continua e ocorre a consolidação da
				reivindicação da mudança dos currículos dos cursos de graduação para inserção de
				atividades extensionistas.</p>
			<p>Em 2003 os ventos na extensão mudam novamente, com a vitória do Partido dos
				Trabalhadores nas eleições presidenciais. Nos primeiros quatro governos, primeiro
				com Lula e depois com Dilma, a extensão passa a receber recursos de maneira
				permanente e com aumento progressivo. Somado a isso, a extensão, por meio de seu
				financiamento por editais, passa a ter íntima relação com a execução de políticas
				públicas do governo federal.</p>
			<p>O Proext, criado em 1993, foi retomado oficialmente em 2008 em forma de editais. O
				gráfico a seguir mostra os recursos disponibilizados para o programa ao longo dos
				anos.</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Gráfico 1</label>
					<caption>
						<title>Recursos disponibilizados por ano pelo Proext/MEC (milhões
							R$)</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2358-0194-faeeba-33-76-0156-gf01.tif"
						xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink"/>
					<attrib><bold>Fonte:</bold><xref ref-type="bibr" rid="B16">Incrocci e Andrade
							(2018)</xref>.</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Desde o golpe de 2016 não foram lançados novos editais para o programa. Os anos
				seguintes são desanimadores para a extensão. Tanto nos governos de Michel Temer e
				Jair Bolsonaro, quanto nos anos iniciais do governo Lula<sup><xref ref-type="fn"
						rid="fn7">7</xref></sup>, não houve retorno do Proext e a extensão segue sem
				apoio.</p>
			<p>Um breve histórico da institucionalização da extensão fornece pistas para compreender
				os debates atuais sobre extensão, mas ainda não é suficiente. Somam-se a ele o ponto
				de vista legal e a maneira pela qual a extensão tem sido definida
				institucionalmente. A primeira vez que o termo “extensão” aparece na legislação é no
				Estatuto da Universidade Brasileira, em 1931, associado ao objetivo de elevar o
				nível cultural do povo. Já durante a ditadura, na Reforma Universitária de 1968 e no
				Plano de Trabalho de Extensão Universitária de 1975, se fez uma apropriação
				conservadora de expressões que dão sentido de retroalimentação entre universidade e
				sociedade.</p>
			<p>Se em 1988 temos a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão consolidada
				no artigo 207 da Constituição Federal, é na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da
				Educação de 1996 (Lei Federal nº 9.394) que a relação entre extensão e ensino se
				coloca como uma possibilidade de flexibilização dos currículos dos cursos de
				graduação. Em 2001, no Plano Nacional de Educação (2001-2010), em sua meta
					23<sup>8</sup>, aparece pela primeira vez, formalmente, a obrigatoriedade de que
				10% dos créditos exigidos para a graduação fossem destinados a atividades
				extensionistas.</p>
			<p>A Política Nacional de Extensão de 2012, elaborada pelo Forproex, consolida a
				definição de extensão utilizada recorrentemente do ponto de vista institucional: “A
				Extensão Universitária, sob o princípio constitucional da indissociabilidade entre
				ensino, pesquisa e extensão, é um processo interdisciplinar, educativo, cultural,
				científico e político que promove a interação transformadora entre Universidade e
				outros setores da sociedade” (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Forproex,
				2012</xref>).</p>
			<p>Essa definição, derivada da definição original<sup>9</sup> elaborada pelo Forproex em
					<xref ref-type="bibr" rid="B12">1987</xref>, resulta da negociação entre
				diferentes concepções sobre a extensão. É uma definição elaborada por
				pró-reitoras/es de algumas dezenas de universidades no país, com suas distintas
				realidades e especificidades. O resultado é um conceito genérico, abrangente e que
				não pode ser compreendido sem a leitura de outros documentos elaborados pelo
				Forproex.</p>
			<p>As diretrizes para as ações de extensão universitária apresentadas na Política
				Nacional de Extensão, os 5is, são necessárias para contextualizar o conceito do
				fórum e lhe dar robustez: Interação Dialógica; Interdisciplinariedade e
				Interprofissionalidade; Indissociabilidade Ensino-Pesquisa-Extensão; Impacto na
				Formação do Estudante; e Impacto e Transformação Social. Essas diretrizes, com
				destaque para a perspectiva dialógica, qualificam o conceito apresentado, que,
				sozinho, pode ser associado a práticas diversas, muitas vezes incoerentes com a
				proposta apresentada pela Política Nacional de Extensão.</p>
			<p>A curricularização da extensão ganha fôlego com a já citada resolução nº 7 de
				18/12/2018 do Conselho Nacional de Educação (CNE), que regulamenta o processo de
				implementação de 10% da carga horária dos currículos dos cursos de graduação em
				extensão. Se, por um lado, há ausência de políticas de incentivo e fomento à
				extensão em nível nacional, por outro, as IES passam por forte mobilização para
				implementação da, agora obrigatória, integração entre ensino e extensão.</p>
			<p>E é no processo de implementação da curricularização da extensão que estão
				acontecendo debates acalorados sobre as diversas concepções de extensão e de
				universidade, com o intuito de estabelecer políticas institucionais de extensão,
				agora com alcance para todos estudantes e de maneira estrutural em cada curso de
				graduação. As disputas se acirram e se torna evidente que não há um conceito único
				de extensão, mas diversas concepções que se conformaram ao longo da história e que
				se atualizam e se modificam na atualidade.</p>
			<p>Se é preciso adjetivar a extensão, isso indica que sua definição está em disputa.
				Falamos em extensão transformadora, extensão dialógica, extensão acadêmica, extensão
				comunitária, extensão cidadã, extensão empreendedora, extensão libertadora, extensão
				popular, extensão crítica, etc. Esses adjetivos pressupõem que há uma extensão que
				não é transformadora, que não é crítica, que não é popular. A extensão paga, a
				prestação de serviços realizada na relação entre universidade e empresas privadas, a
				extensão sem protagonismo estudantil, sem preocupações sociais, mas também a
				extensão episódica, mercantil, assistencialista e empreendedora estariam no polo
				oposto daquilo que se convencionou chamar de extensão popular ou extensão
				crítica.</p>
			<p>No Brasil essa concepção tem sido chamada de Extensão Popular e, em outros países da
				América Latina, de Extensão Crítica<sup><xref ref-type="fn" rid="fn10"
					>10</xref></sup>. A seção seguinte trata especificamente da perspectiva
				brasileira.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Extensão Popular</title>
			<p>A perspectiva da Extensão Popular ganha destaque no início dos anos 2000 e tem como
				um dos seus principais autores o professor, pesquisador e extensionista José
				Francisco de Melo Neto, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). O autor realiza
				um esforço teórico a partir do olhar crítico sobre extensão e propõe uma perspectiva
				extensionista que tem o acúmulo da Educação Popular como ponto de partida. Sua
				trajetória extensionista se inicia na graduação<sup><xref ref-type="fn" rid="fn11"
						>11</xref></sup> quando se dedica a dar aulas em um cursinho pré-vestibular
				criado por uma associação de moradores. Em entrevista à <italic>Revista Extensão
					Cidadã</italic> em 2009, afirma que esse envolvimento tinha relação com o
				momento vivido, uma vez que estava inserido “nas lutas pela democratização do país,
				nos tempos da ditadura militar” e era crítico à extensão realizada durante a
				ditadura militar, compreendida por ele como uma via de mão única (<xref
					ref-type="bibr" rid="B2">Américo, 2009</xref>, p. 2).</p>
			<p>É importante lembrar que, no final dos anos 1990 e início dos anos 2000, a extensão
				toma um banho de água fria com a avalanche neoliberal nas universidades brasileiras,
				após um importante período de avanço no processo de luta pela redemocratização do
				país. A extensão, nesse período, passa ao mesmo tempo pelo: a) fortalecimento de
				perspectivas progressistas com a atuação do Forproex; b) fim de algumas conquistas
				obtidas durante a redemocratização do país como a extinção do Programa de Extensão
				Universitária (Proext); c) fortalecimento de concepções assistencialistas de
				extensão, com a criação do programa Universidade Solidária, ligado ao Conselho de
				Reitores das Universidades Brasileiras (CRUB) e coordenado pela então primeira-dama
				Ruth Cardoso; d) início da extensão paga, com os cursos de extensão como meio de
				arrecadação de recursos para as IES em um momento de crise (<xref ref-type="bibr"
					rid="B14">Fraga, 2012</xref>); e) nascimento daquilo que podemos chamar hoje de
				extensão empreendedora e; f) eleição de antigos participantes de movimentos sociais
				e de práticas de Educação Popular em prefeituras, governos estaduais e federal em
				2003 (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Vasconcelos, 2013</xref>).</p>
			<p>Em meio a esse entrevero, se encontram concepções críticas, mercantilistas e
				assistencialistas de extensão universitária. Desde seu surgimento, o Forproex tem
				atuado de maneira relevante na formulação de um conceito de extensão. Esse conceito,
				em mutação ao longo dos anos, é até hoje é o conceito com maior aceitação,
				especialmente nas perspectivas e documentos institucionais.</p>
			<p>A perspectiva de Melo Neto é crítica ao conceito do Fórum. Mas qual é a perspectiva
				de Melo Neto? Há diversas maneiras de responder essa pergunta. Uma delas é seguindo
				a produção acadêmica do autor. Outra, secundária neste artigo, é seguir a produção
				acadêmica do Grupo de Pesquisa em Extensão Popular (Extelar), criado em janeiro de
				1999, e de outros docentes e discentes da UFPB. Essa produção bibliográfica indica
				uma característica da extensão: o grupo tem produção coletiva e engajada sobre o
				tema, com produção de livros, coletâneas, teses, dissertações, cadernos de textos
				clássicos, <italic>podcast</italic>, vídeos no YouTube, organização de eventos, etc.
				Neste artigo, seguiremos principalmente a produção de Melo Neto e reconhecemos a
				limitação desta escolha, considerando a importância da produção coletiva. Ainda
				assim, a contribuição de Melo Neto merece destaque por seu pioneirismo e por
				dialogar com as questões que o contexto atual levanta, tanto sobre a
				curricularização da extensão quanto sobre novas questões emergentes.</p>
			<p>Melo Neto passa a produzir sobre o tema em um contexto em que se evidencia a
				necessidade de propor ou retomar concepções progressistas de extensão, uma vez que,
				no final dos anos 1990 e início dos anos 2000, diversos projetos estavam em disputa
				para a universidade e para a extensão.</p>
			<p>O seu trabalho de conclusão de curso em Filosofia tinha como tema o conceito de
				trabalho em Marx, o que já aponta uma característica importante em seu trabalho
				sobre extensão: a ideia de que extensão é um trabalho social e útil. Já em seu
				doutorado, intitulado <italic>Extensão universitária: uma análise crítica</italic> e
				obtido em 1996, o autor critica tanto a visão de mão única, de extensão de
				conhecimento à sociedade, quanto a proposta elaborada pelo Forproex em seu primeiro
				encontro, baseada em uma ideia de via de mão dupla. Essa visão reforçaria a
				dicotomia inclusive espacial entre dentro e fora da universidade. A ideia de
				extensão como trabalho social útil, para o autor, une os dois polos em uma ação
				conjunta, a partir de suas especificidades, e possibilita a apropriação dos
				resultados por todos os envolvidos (universidade, movimentos sociais). “Extensão,
				como trabalho social, passa a ser agora exercida pela universidade e pela comunidade
				sobrea realidade objetiva” e que pode “direcionar a pesquisa e o ensino para um
				outro projeto social” (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Melo Neto, 1996</xref>, p.
				256).</p>
			<p>Nesse sentido, a concepção de extensão de Melo</p>
			<disp-quote>
				<p>é a extensão como um <italic>trabalho social com uma utilidade definida.</italic>
					Esta concepção estaria sendo demarcada por indicadores que mostram certo tipo de
					trabalho em desenvolvimento entre universidade e sociedade, não como entes
					separados, mas em relação permanente entre si e que, nem por isso, deixam de se
					diferenciar. O sentido que se propõe é de um trabalho social útil como processo
					educativo, cultural e científico, porém voltado à construção de uma nova
					hegemonia (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Melo Neto, 2004</xref>, p. 42).</p>
			</disp-quote>
			<p>Essa perspectiva parte do binômio hegemonia e crise da hegemonia, a partir de
				Gramsci, com o intuito de conhecer</p>
			<disp-quote>
				<p>as possibilidades que estão abertas ou que possam vir a ser abertas para a
					construção de uma nova hegemonia, capaz de configurar um novo bloco histórico.
					Assume-se, pois, a ótica das classes e setores sociais que hoje se encontram
					subalternizados e adota-se a perspectiva da sua autonomização ideológica,
					procurando discernir caminhos e meios pelos quais se possa - por meio do
					trabalho no âmbito institucional - contribuir para essa autonomização (<xref
						ref-type="bibr" rid="B20">Melo Neto, 1996</xref>, p. 15).</p>
			</disp-quote>
			<p>Interessa ao autor a noção de crise da hegemonia, a partir de uma prática
				universitária voltada para a transformação social. Em sua tese, afirma que busca
				superar concepções de extensão da dominação, mas também a pretensão ingênua e
				ilusória de “tomá-la como revolucionária das relações sociais, dadas suas condições
				e suas limitações institucionais, sociais e políticas” (Melo Neto, Ibid, p. 17). A
				saída que o autor encontra é justamente a definição da extensão como um trabalho
				social útil, na qual a extensão é um</p>
			<disp-quote>
				<p>certo tipo de trabalho em desenvolvimento entre universidade e sociedade, não
					como entes separados, mas em relação permanente entre si. Contudo, nem por isso
					se identificam, pois se diferenciam. Trata-se de um movimento contínuo de
					relação e de diferenciação. A universidade tem suas especificidades, mesmo que a
					sociedade, como um todo, a contenha. O sentido que se propõe apreender é de um
					trabalho social como processo educativo, cultural e científico, porém voltado à
					construção de uma nova hegemonia. O trabalho aqui aparece configurado com a
					própria classe subalterna, especialmente voltado à organização dos seus
					diferentes setores. De acordo com esse entendimento, a universidade e também a
					comunidade devem ser as proprietárias do produto desse trabalho (Ibid., p.
					115).</p>
			</disp-quote>
			<p>Com o início dos governos do Partido dos Trabalhadores em 2003, a extensão volta a
				receber atenção e recursos. Ao passo que as experiências de extensão crescem e se
				fortalecem no país, Melo Neto escreve diversos livros sobre extensão, Educação
				Popular e Economia Solidária dando continuidade e desenvolvendo as bases
				filosóficas, éticas e teóricas da proposta da Extensão Popular (<xref
					ref-type="bibr" rid="B6">Cruz, 2010</xref>).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>As origens da Extensão Popular</title>
			<p>Para além de Melo Neto, outros autores e autoras têm escrito sobre Extensão Popular.
				Em uma análise exploratória no Catálogo de Teses e Dissertações da Capes, como
				descrito anteriormente, encontramos 29 trabalhos. Um desses trabalhos merece
				destaque. A dissertação escrita por Pedro José Santos Carneiro Cruz em 2010, com
				quase 400 páginas, apresenta uma discussão tanto sobre a obra de Melo Neto quanto
				sobre a Extensão Popular.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B6">Cruz (2010)</xref> reconhece o protagonismo e
				pioneirismo de Melo Neto e aponta a crescente presença de trabalhos que discutiam a
				extensão criticamente nos anos 2000, ainda que sem o uso da expressão Extensão
				Popular. Essas contribuições se somaram ao trabalho de Melo Neto no fortalecimento e
				na divulgação da Extensão Popular como alternativa a concepções conservadoras de
				extensão universitária. Ele aponta também que, nesse período, houve o crescimento de
				espaços de encontro de extensionistas como o Congresso Brasileiro de Extensão
				Universitária (CBEU), que teve sua primeira edição em 2001 na UFPB.</p>
			<p>O trabalho de Pedro Cruz sistematiza sua própria participação como discente na
				extensão. Da ida ao Congresso Brasileiro de Extensão à sua participação posterior no
				Congresso Ibero-Americano de Extensão, nos conta como a participação estudantil era
				desencorajada nos eventos, por um lado, e reivindicada pelos estudantes, por outro.
				Do incômodo e da crítica aos eventos de extensão, relata o nascimento de uma rede
				que, em vez de uma concepção genérica de extensão universitária, reivindicou a
				expressão já existente de Extensão Popular. A rede que ele descreve e para cuja
				construção contribuiu é a Articulação Nacional de Extensão Popular (ANEPOP), criada
				em 2005.</p>
			<p>Na literatura, é evidente a centralidade da UFPB na concepção de Extensão Popular.
				Melo Neto e Pedro Cruz fazem parte do Grupo de Pesquisa em Extensão Popular
				(Extelar), um dos únicos grupos de pesquisa sobre extensão universitária do país.
				Melo Neto está na fundação do grupo em 1999, enquanto Cruz é o atual
				coordenador.</p>
			<p>Pelos achados deste artigo, defendemos que há uma escola de pensamento paraibana
				sobre extensão, da qual Melo Neto faz parte. Eymard Mourão Vasconcellos (2013) e
					<xref ref-type="bibr" rid="B20">Melo Neto (1996)</xref> descrevem as
				particularidades da UFPB, tanto com ações de Educação Popular fora da universidade
				desde a década de 1970, quanto a partir da centralidade da Educação Popular no
				Programa de Pós-graduação em Educação, criado em 1977.</p>
			<p>Somada às particularidades da UFPB, <xref ref-type="bibr" rid="B21">Melo Neto
					(2002</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B23">2014</xref>) reivindica a origem
				da Extensão Popular antes dos anos 2000 ao conectá-la ao acúmulo latino-americano
				como inspiração para sua concepção de extensão. Ele identifica a Extensão Popular
				como uma continuidade da influência do Movimento Reformista de Córdoba e da atuação
				do movimento estudantil no país. A Extensão Popular segue a trilha da conexão entre
				extensão e Educação Popular, com origem, principalmente, nos movimentos estudantis
				dos anos 1960 (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Araújo, Mélo e Cruz, 2021</xref>).</p>
			<p>Em artigo de <xref ref-type="bibr" rid="B3">Araújo, Mélo e Cruz (2021)</xref>, é
				realizada uma retomada histórica detalhada da atuação da UFPB na conexão entre
				extensão universitária e Educação Popular, que resulta na concepção de Extensão
				Popular. Os autores denominam a Extensão Popular como “perspectiva da extensão
				orientada com base na concepção freiriana de Educação Popular” ou “extensão em
				Educação Popular”, ou ainda, “ações de extensão orientadas pela Educação Popular”
				(2021, p. 138).</p>
			<p>Em suma, poderíamos afirmar que a Extensão Popular pode ser denominada uma escola
				paraibana de pensamento sobre a extensão nascida nos anos 2000 que segue sendo um
				espaço que irradia a importância da Educação Popular na disputa pelos sentidos da
				extensão universitária nacionalmente.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>O “popular” vem do acúmulo da Educação Popular</title>
			<p>Retomando a importância dos movimentos estudantis para a extensão, Pedro Cruz aponta
				que a extensão popular tem como base pedagógica a vivência de estudantes com o
				cotidiano das classes populares, que se transforma em engajamento nas ações sociais
				existentes. O estudante se depara com as precárias condições de vida na comunidade,
				mas também “se depara com resistências, movimentos e organizações de luta e
				reivindicação por melhorias nas condições de vida” (<xref ref-type="bibr" rid="B6"
					>Cruz, 2010</xref>, p. 92). Para Cruz, a Extensão Popular se diferencia de
				outras concepções por sua resistência aos modelos mercantilista e assistencialista e
				por sua potencialidade de reorientar a universidade na construção de projetos
				emancipatórios de sociedade.</p>
			<p>Que projetos seriam esses? A palavra “popular” pode dar pistas, embora seja
				polissêmica. <xref ref-type="bibr" rid="B23">Melo Neto (2014)</xref> propõe uma
				categorização das diferentes concepções de popular: a) pela origem: como algo que
				tem origem no povo, nas maiorias; b) por uma postura metodológica: como algo que
				traz um procedimento que incentive a participação; c) pelo posicionamento político e
				filosófico: como algo que expressa um posicionamento político e filosófico diante do
				mundo, com uma dimensão propositiva-ativa para os interesses da maioria; d) outros
				aspectos, como, por exemplo, algo que passa pela institucionalidade (sindicatos,
				associações, movimentos populares, etc.).</p>
			<disp-quote>
				<p>Ao assumir a dimensão do popular, o conceito de extensão passa a considerar as
					dimensões fundantes do adjetivo como a origem e o direcionamento das questões
					que se apresentam; o componente político essencial e norteador das ações; e, com
					especial destaque, o popular expresso por metodologias que apontem
					encaminhamentos de ações, acompanhadas de seus aspectos éticos (diálogo,
					solidariedade, tolerância, coletivo...) e utópicos (autonomia, liberdade...)
					que, para os dias de hoje, tornam-se uma exigência social (<xref ref-type="bibr"
						rid="B23">Melo Neto, 2014</xref>, p. 40).</p>
			</disp-quote>
			<p>Pedro Cruz reafirma a ligação do popular com a perspectiva da Educação Popular
				proposta por Melo Neto:</p>
			<disp-quote>
				<p>o termo “extensão popular” constitui uma designação recente para um tipo de ação
					extensionista já desenvolvido e aperfeiçoado há muitas décadas, especialmente na
					América Latina, o qual encontrou na Educação Popular a base filosófica, teórica
					e metodológica para o desenvolvimento de suas ações (<xref ref-type="bibr"
						rid="B6">Cruz, 2010</xref>, p.115).</p>
			</disp-quote>
			<p>Essa é uma proposição interessante, considerando que, com isso, a Extensão Popular se
				soma ao acúmulo teórico, metodológico, político e filosófico da tradição
				latino-americana da Educação Popular. Mesmo atracada na polissemia do “popular”, a
				extensão se encontra com experiências, metodologias e teorias já consolidadas. Em
				suma, conecta a extensão não apenas com uma metodologia, mas com uma postura diante
				do mundo.</p>
			<p>Por isso, ao se adjetivar a extensão com a palavra “popular”, há uma indicação de uma
				trilha a ser seguida, sempre reinventada e recriada, das experiências de Educação
				Popular e seus acúmulos metodológicos presentes nos materiais pedagógicos que
				compartilham o que já foi feito nos trabalhos contínuos com as comunidades. Nesse
				sentido, são apresentadas contribuições para perguntas frequentes na extensão,
				especialmente neste momento da curricularização, como: como chegamos à comunidade?
				Como fazemos um diagnóstico, planejamento, avaliação e sistematização das
				experiências? Como usamos diferentes linguagens - a imagem, o humor, o teatro, o
				cinema? Como construímos soluções tecnológicas? Como estabelecemos diálogo e
				parceria com a comunidade? Entre tantas outras.</p>
			<p>A Educação Popular sugere que pesquisadores/as, discentes, docentes, servidores/as
				abram seu baú de preciosidades teóricas e metodológicas para conhecer e reinventar o
				fazer científico criado, democratizado, popularizado, coletivizado, imaginado
				através da extensão na relação com as classes populares. Essa é uma das principais
				contribuições da Extensão Popular para o processo de curricularização: apresentar os
				caminhos já trilhados pela Educação Popular, não apenas no Brasil, mas em conexão
				com as experiências latino-americanas. A curricularização abre uma janela de
				oportunidade, um convite, para as IES se aproximarem dos aprendizados do trabalho
				conjunto com as classes populares a partir da Educação Popular.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Críticas ao conceito de Extensão Popular</title>
			<p>A concepção de Extensão Popular tem cumprido o papel central de retomar as
				perspectivas críticas da extensão universitária no país. Percebe-se que ela tem
				ganho destaque na disputa pelos sentidos, práticas e teorias da extensão,
				especialmente nos processos de curricularização da extensão. Nesta seção, no
				entanto, buscamos apontar também seus limites, no sentido de fortalecer e
				complexificar o que pode ser a Extensão Popular na atualidade. Por isso, é retomado
				como características distintivas da conjuntura atual no ensino superior não apenas o
				processo de curricularização da extensão, mas também a recente inserção massiva de
				estudantes negros, indígenas, de escolas públicas e de baixa renda nas universidades
				do país, por meio da Lei de Cotas para o Ensino Superior. Essa mudança, grandiosa em
				seus aprendizados e suas potencialidades, ganha importância para a transformação da
				realidade e das IES no país e possibilita um novo olhar sobre a extensão
				universitária.</p>
			<p>A disputa sobre as concepções extensionistas ganha uma nuance, que não é nova, mas
				que pelas ações afirmativas e suas consequências para o ensino superior torna-se
				mais evidente, ou, melhor dizendo, torna-se impossível de ser ignorada como foi até
				então: a dimensão racial do erro gnosiológico da extensão.</p>
			<p>Em um trabalho inaugural sobre o tema, Ana Clara <xref ref-type="bibr" rid="B19">Melo
					(2024)</xref> afirma que o debate racial tem ganho pouquíssima atenção na
				literatura sobre extensão, mesmo nas perspectivas críticas, denominando-o como um
				não-tema. É nessa perspectiva que a autora se pergunta sobre os traços da
				branquitude na extensão universitária a partir dos estudos críticos sobre a
				branquitude e de conceitos como branquitude analítica, racismo institucional e
				epistemicídio para pensar as relações raciais na universidade. Para a autora,</p>
			<disp-quote>
				<p>mesmo quando se vislumbra uma transformação social ou a construção de relações
					dialógicas, é importante definir como se pretende construíla, quais são os
					fundamentos teóricos, metodológicos, políticos e pedagógicos das ações. Nesse
					sentido, a ausência de referências antirracistas que embasem a construção da
					transformação social enunciada acaba por miná-la, incorrendo no risco de
					reforçar os problemas que se busca combater (<xref ref-type="bibr" rid="B19"
						>Melo, 2024</xref>, p. 102).</p>
			</disp-quote>
			<p>O trabalho aponta, por meio da análise da política de extensão da Universidade
				Estadual de Brasília (UnB), três expressões da branquitude na extensão: a) a
				ausência do debate racial; b) a centralidade dada à transferência dos conhecimentos
				produzidos no ensino e na pesquisa e; c) a falta de apoio e recursos da extensão
				para as iniciativas extensionistas antirracistas. Diante desses achados, a autora
				indica a necessidade de analisar os impactos das ações afirmativas na extensão e se
				faz algumas perguntas: “As cotas provocaram mudanças nos projetos de extensão, nos
				seus objetivos ou nas ações realizadas? Quais são as experiências dos estudantes
				ingressantes por cotas na extensão? Quais as concepções de extensão mais presentes
				em projetos de extensão antirracistas?” (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Melo,
					2024</xref>, p. 104).</p>
			<p>E eu adicionaria uma pergunta: como as ações afirmativas questionam e tensionam as
				concepções de extensão e, especialmente, a concepção de Extensão Popular? Um caminho
				possível para iniciar esse questionamento é a crítica sobre o “popular”. Movimentos
				feministas, negros e indígenas têm apontado uma falsa unidade a partir do uso da
				palavra “popular”, com a centralidade da questão de classe em detrimento de
				perspectivas que reconhecem as especificidades dessas populações a partir da análise
				de questões étnico-raciais e de gênero. Também merece atenção o debate de fundo
				proposto pela autora acerca da crença de a superioridade do conhecimento científico
				ser fruto de uma construção histórica, e pelo fato de que o Brasil está estruturado
				pelo racismo e pelo colonialismo que afeta as instituições nacionais.</p>
			<disp-quote>
				<p>As instituições de ensino superior foram construídas dentro dessa dinâmica de
					relações raciais, cumprindo um papel nesse contexto. São instituições voltadas à
					formação das elites e para a manutenção dessas elites nacionais, refletem seus
					valores e interesses. Ainda que a composição do corpo discente das universidades
					tenha se alterado a partir das ações afirmativas, não se pode negar que o papel
					histórico dessas instituições é de formação e manutenção das elites brasileiras
					que são compostas, em sua maioria, pelo grupo social branco (Ibid., p. 23).</p>
			</disp-quote>
			<p>O que se propõe nesse breve debate é o reconhecimento de que a extensão, até então
				definida por uma relação entre acadêmicos brancos e aqueles/as que estão fora da
				universidade, majoritariamente negros, é permeada por relações raciais. Refletir
				sobre o erro gnosiológico da extensão demanda incorporar as discussões sobre a
				colonialidade do poder e do saber, sobre o lugar da ciência e das IES no projeto
				moderno colonial e a compreensão do “saber popular” como um saber forjado na
				contracolonialidade, isto é, na resistência histórica e sistemática à colonização
					(<xref ref-type="bibr" rid="B4">Santos, 2023</xref>).</p>
			<p>O debate racial é, no entanto, uma das críticas possíveis ao “popular”. O artigo
				“Corpolítica: coletiva e projeto de extensão LGBT: Extensão Popular e guerrilha
				estético-política de vivências LGBT” apresenta a reflexão de que a conexão entre
				extensão e coletivas LGBT se dá principalmente a partir dos anos 2010 e aponta as
				especificidades de sua intersecção com temáticas de classe e raça, pela consolidação
				das ações afirmativas nas IES brasileiras, nessa conjuntura. O texto traz à tona a
				ausência desse debate na literatura sobre extensão (mesmo sobre Extensão Popular) e,
				portanto, reivindica como necessário aprofundar as contribuições sobre LGBTfobia
				para criticar e refundar o que se entende por Extensão Popular (<xref
					ref-type="bibr" rid="B25">Piza-Duarte <italic>et al.</italic>, 2020</xref>).</p>
			<p>Ao caracterizar a ausência do debate LGBT na extensão, a construção de redes
				acadêmicas a partir do poder hétero-cis-normativo e a maneira particular pela qual a
				extensão reproduz dimensões de poder da matriz heterossexual, o artigo possibilita
				um olhar aprofundado sobre a conexão entre extensão e as contribuições da literatura
				LGBT. Centralmente, são trazidas as dimensões da guerrilha estético-política, as
				epistemologias do armário e o reconhecimento das estrangeiras de dentro para
				refletir sobre a extensão. E afirma:</p>
			<disp-quote>
				<p>A Extensão LGBT popular é esse lugar plural, em trânsito e em contradição.
					Plural, pois nenhuma perspectiva cega ou subalternizante (do gênero, da
					sexualidade e da raça), ou “gay branca” (internamente hegemônica e cega às
					dimensões trans, lésbicas, não binárias e racializadas da sexualidade) pode
					conferir sentido a todas as experiências vividas diante da “matriz
					heterossexual” e porque essa matriz está configurada de modo diverso em relação
					às dimensões interseccionais. Em trânsito, pois muitos dos corpos experimentam,
					nos espaços de convivência LGBT, processos pessoais de transição e disputas
					individuais e coletivas por reconhecimento. Em contradição, pois há uma oposição
					cotidiana com as marcas dessa matriz na própria estrutura subjetiva, nas
					relações familiares e sociais. A possibilidade de viver e falar dessa
					contradição é o primeiro ganho da extensão (<xref ref-type="bibr" rid="B25"
						>Piza-Duarte <italic>et al.</italic>, 2020</xref>, p. 182).</p>
			</disp-quote>
			<p>E poderíamos ir além, a partir das críticas feministas à Extensão Popular (<xref
					ref-type="bibr" rid="B11">Fonseca; Costa; Nardi, 2015</xref>). Essas e outras
				contribuições feministas, LGBTs, antirracistas e contracoloniais nos lembram da
				necessidade de compreender a realidade a partir dessa matriz complexa e intrincada
				entre as relações de classe, gênero e raça, geracional, etc. sobre a qual há vasta e
				consolidada literatura já produzida. As críticas aqui apresentadas possibilitam o
				olhar interseccional sobre a realidade, da qual se parte e sobre a qual se atua,
				quando pensamos a extensão como trabalho social útil.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações finais</title>
			<p>A leitura e análise do conjunto de trabalhos sobre Extensão Popular (artigos,
				editoriais, relatos de experiência, dissertações e teses) apresenta a dimensão de
				sua importância histórica e de sua relevância para a compreensão da extensão no
				país. Por outro lado, a análise apresentada neste artigo é limitada por não se
				adentrar aos processos vividos que não estão nos trabalhos acadêmicos, que na
				extensão são de extrema relevância. As sistematizações acadêmicas são uma parte da
				extensão vivida cotidianamente e, nesse sentido, se abre aqui a possibilidade de
				pesquisas futuras com a realização de entrevistas com os autores/ as e a vivência
				nos projetos de extensão realizados.</p>
			<p>Ainda assim, no mergulho realizado na literatura sobre Extensão Popular, questões
				importantes emergem na compreensão sobre a extensão crítica no país e na necessidade
				de se continuar refletindo sobre seus limites e possibilidades na atual conjuntura.
				A concepção sistematizada por José Francisco de Melo Neto se mostra atual e
				necessária e, principalmente, um importante ponto de partida.</p>
			<p>Especialmente a compreensão da extensão como um <italic>trabalho social útil</italic>
				realizado em conjunto entre comunidade e IES é uma de suas características fundantes
				e traz uma dimensão de permanência e continuidade da ação social. Mais do que isso,
				borra a fronteira entre dentro e fora das IES e propõe que o conhecimento gerado
				nessa relação é resultado de um processo coletivo e pertence tanto às equipes
				universitárias quanto à própria comunidade. O trabalho extensionista, no qual se
				busca o objeto de pesquisa e se modifica o ensino, possibilita a aproximação da
				pesquisa e do ensino à realidade concreta. O produto desse trabalho são os
				conhecimentos gerados pela universidade e pela comunidade, além das possíveis
				transformações socioeconômico-culturais.</p>
			<p>A extensão pode ser compreendida como produção de conhecimento (<xref ref-type="bibr"
					rid="B23">Melo Neto, 2014</xref>). No entanto, é preciso ir além da ideia de
				troca de saberes; afinal, trocar para quê? Com qual finalidade? A finalidade, ao
				fim, transforma a realidade. E para transformar a realidade é preciso conhecimento
				novo, coerente com esse projeto de mudança. E também conhecimento diverso, oriundo
				de diferentes modos de vida. A extensão, portanto, conecta a transformação da
				realidade com a produção de conhecimento e, por isso, justifica e potencializa a
				ação social realizada a partir da universidade.</p>
			<p>Embora possa parecer algo óbvio, <xref ref-type="bibr" rid="B22">Melo Neto
					(2004)</xref> nos lembra que fazer extensão pressupõe agir a partir da realidade
				e sobre ela. O objetivo da extensão não é produzir conhecimento ou trocar
				conhecimento. O objetivo é agir sobre a realidade para transformá-la, a partir do
				diálogo, da troca e da construção de conhecimento.</p>
			<p>Uma das principais atividades de quem atua na extensão nas IES é acompanhar a chegada
				constante de estudantes que nunca ouviram falar de extensão, que não conhecem sua
				história, suas metodologias e seus acúmulos. É uma tarefa da extensão sempre
				recomeçar com quem chega, ensinar no fazer extensionista. Nesse sentido, retomar a
				obra de Melo Neto se mostra relevante e pertinente, ao trazer à tona a dimensão de
				classe na relação entre universidade e quem está fora dela.</p>
			<p>Por sorte, quem chega também traz novos elementos para essa relação pedagógica e
				política. Com as ações afirmativas, as IES estão mudando, embora ainda haja muito o
				que fazer para democratizar o ensino superior e tornar as IES mais plurais e
				democráticas. As fronteiras entre dentro e fora estão mais borradas do que antes, e
				a dimensão de classe social não é suficiente, embora seja central.</p>
			<p>Ao adjetivar a extensão com o “popular” e conectá-la à Educação Popular, nos
				aproximamos de um baú de preciosidades teórico-metodológicas que alimentam essa
				perspectiva. São textos, filmes, peças de teatro, materiais pedagógicos,
				metodologias, sistematizações e relatos de experiência, entre tantos outros acúmulos
				da Educação Popular latino-americana. O popular explicita o desejo de vínculo com as
				classes populares e as maneiras pelas quais as IES já atuaram e atuam ombro a ombro
				com elas.</p>
			<p>O que sugerimos é que a Extensão Popular precisa ir além da ideia de compromisso ou
				vínculo com as classes populares. As IES estão passando por profundas mudanças desde
				a implementação das ações afirmativas no país e, após mais de dez anos da Lei de
				Cotas para o Ensino Superior, precisamos produzir conhecimento à altura dessas
				mudanças. Esse é um importante desafio que se impõe à extensão. Para a Extensão
				Popular de maneira particular, é tempo de fortalecer seu lugar de resistência e
				crítica aos modelos mercantilista e assistencialista e, ao mesmo tempo, avançar no
				valioso exercício de autocrítica em direção a uma perspectiva interseccional, com a
				inclusão de perspectivas feministas, LGBT, contracoloniais (<xref ref-type="bibr"
					rid="B26">Santos, 2023</xref>) no cerne de suas práticas, metodologias e
				teorias.</p>
			<p>Como nos lembra <xref ref-type="bibr" rid="B20">Melo Neto (1996</xref>, p. 567), é
				p&gt;preciso “restabelecer possíveis laços da universidade com as lutas sociais, a
				luta democrática, promover a produção de um conhecimento da realidade que seja
				relevante socialmente na ciência, na arte, na filosofia, produzindo e fortalecendo
				uma cultura inovadora, aberta e crítica”. Os movimentos negro, feminista, LGBT e
				tantas outras lutas que estão sendo feitas dentro e fora das IES têm muito o que
				ensinar à extensão universitária, tornando ainda maior, mais diverso e valioso nosso
				baú de preciosidades.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p> Texto revisado e normalizado por Thais Ribeiro Bueno.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p> As buscas foram realizadas em 08/07/2024, com o intuito de atualizar uma busca
					feita em 2021. Em 2021 encontramos 22 resultados e agora 29, com aumento de 4
					para 7 teses de doutorado, o que demonstra um crescimento significativo no
					período.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p> As diversas leituras e usos da teoria de Paulo Freire evidenciam a armadilha em
					torno do consenso sobre o educador e da descontextualização e fragmentação de
					sua obra (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Efrem Filho, 2008</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p> Originalmente publicado em 1969 pelo <italic>Instituto de Capacitación y
						Investigación em Reforma Agrária</italic>, Chile.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p> O Projeto Rondon foi desativado em 1989 e retomado em 2005.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p> Em 1993 o programa surgiu com o nome Programa de Fomento à Extensão
					Universitária (Proexte) e, em 2008, foi reformulado segundo o decreto do MEC nº
					6.495, já com o atual nome Programa Nacional de Extensão Universitária
					(Proext).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p> Em novembro de 2023 foi lançado o Programa de Extensão da Educação Superior na
					Pós-Graduação (Proext-PG) com recursos específicos para atividades
					extensionistas na pós-graduação. A cargo das pró-reitorias de pesquisa, não
					havia no edital nenhuma condição de diálogo com as pró-reitorias de extensão nas
					IES. O recurso concedido às IES foi de R$ 64,35 milhões. Os projetos ainda estão
					em execução, não havendo dados para avaliação.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p> “23. Implantar o Programa de Desenvolvimento da Extensão Universitária em todas
					as Instituições Federais de Ensino Superior no quadriênio 2001-2004 e assegurar
					que, no mínimo, 10% do total de créditos exigidos para a graduação no ensino
					superior no País será reservado para a atuação dos alunos em ações
					extensionistas.” Lei Federal nº 10.172 de 9 de janeiro de 2001.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p> “Extensão é o processo educativo, cultural e científico que articula o ensino e
					a pesquisa de forma indissociável e viabiliza a relação transformadora entre a
					universidade e a sociedade. A extensão é uma via de mão dupla, com trânsito
					assegurado à comunidade acadêmica, que encontrará, na sociedade, a oportunidade
					da elaboração da práxis de um conhecimento acadêmico. No retorno à universidade,
					docentes e discentes trarão um aprendizado que, submetido à reflexão teórica,
					será acrescido àquele conhecimento. Este fluxo, que estabelece a troca de
					saberes sistematizados - acadêmico e popular, terá como conseqüência: a produção
					do conhecimento resultante do confronto com a realidade brasileira e regional; e
					a democratização do conhecimento e a participação efetiva da comunidade na
					atuação da universidade. Além de instrumentalizadora desse processo dialético de
					teoria/prática, a extensão é um trabalho interdisciplinar que favorece a ação
					integrada do social” (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Forproex,
					1987</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>10</label>
				<p> O principal autor dessa perspectiva é o uruguaio Humberto Tommasino.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn11">
				<label>11</label>
				<p> Melo Neto é graduado em Química (UFPB, 1977) e Filosofia (UFPB, 1997), mestre em
					Educação (UnB, 1984) e doutor em Educação (UFRJ, 1996).</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>REfERênCIAs</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>ALMEIDA, Maria Zeneide Carneiro Magalhães de. <bold>Extensão
						universitária:</bold> uma terceira função. 1991. 215 f. Dissertação
					(Mestrado) - Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas,
					1991.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="thesis">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ALMEIDA</surname>
							<given-names>Maria Zeneide Carneiro Magalhães de.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Extensão universitária: uma terceira função</source>
					<year>1991</year>
					<fpage>215</fpage>
					<comment>Dissertação (Mestrado)</comment>
					<publisher-name>Faculdade de Educação, Universidade Estadual de
						Campinas</publisher-name>
					<publisher-loc>Campinas</publisher-loc>
					<comment>1991</comment>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>AMÉRICO, Júlio. Entrevista com José Francisco de Melo Neto.
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					Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/extensaocidada/article/view/14018"
						>https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/extensaocidada/article/view/14018</ext-link>.
					Acesso em: 5 jul. 2024.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>AMÉRICO</surname>
							<given-names>Júlio.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Entrevista com José Francisco de Melo Neto</article-title>
					<source>Revista Eletrônica Extensão Cidadã</source>
					<publisher-loc>S. l</publisher-loc>
					<volume>7</volume>
					<year>2009</year>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/extensaocidada/article/view/14018"
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					</comment>
					<date-in-citation>Acesso em: 5 jul. 2024</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
				<mixed-citation>ARAÚJO, Renan Soares de; MÉLO, Celâny Teixeira de; CRUZ, Pedro José
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						ext-link-type="uri"
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					Acesso em: 29 nov. 2024.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ARAÚJO</surname>
							<given-names>Renan Soares de</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>MÉLO</surname>
							<given-names>Celâny Teixeira de</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>CRUZ</surname>
							<given-names>Pedro José Santos Carneiro.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Extensão Popular: marcos históricos</article-title>
					<source>Revista Temas em Educação</source>
					<publisher-loc>S. l</publisher-loc>
					<volume>30</volume>
					<issue>1</issue>
					<year>2021</year>
					<pub-id pub-id-type="doi">10.22478/ufpb.2359-7003.2021v30n1.54113.</pub-id>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="https://periodicos.ufpb.br/index.php/rteo/article/view/54113"
							>https://periodicos.ufpb.br/index.php/rteo/article/view/54113</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation>Acesso em: 29 nov. 2024</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B4">
				<mixed-citation>SANTOS, Antônio Bispo dos. <bold>A terra dá, a terra quer</bold>.
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				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SANTOS</surname>
							<given-names>Antônio Bispo dos.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>A terra dá, a terra quer</source>
					<publisher-name>Ubu Editora</publisher-name>
					<year>2023</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B5">
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					universidades federais do nordeste. Rio de Janeiro: Presença Edições,
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				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>CARNEIRO</surname>
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						</name>
					</person-group>
					<source>Extensão universitária: versões e perversões: estudo tentativo de
						identificação do débito social das universidades federais do
						nordeste</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Presença Edições</publisher-name>
					<year>1985</year>
				</element-citation>
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					<fpage>339</fpage>
					<comment>Dissertação (Mestrado em Educação)</comment>
					<publisher-name>Universidade Federal da Paraíba</publisher-name>
					<publisher-loc>João Pessoa</publisher-loc>
					<comment>2010</comment>
				</element-citation>
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					<person-group person-group-type="author">
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							<surname>CRUZ</surname>
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					<chapter-title>Extensão popular: um jeito diferente de conduzir o trabalho
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					<person-group person-group-type="editor">
						<name>
							<surname>VASCONCELOS</surname>
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						<etal/>
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					<source>Caderno de extensão popular: textos de referência para a extensão
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							<surname>CUNHA</surname>
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					<chapter-title>Extensão universitária brasileira: as tensões das propostas
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					<person-group person-group-type="editor">
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				<element-citation publication-type="webpage">
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							<surname>EFREM</surname>
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					<article-title>Paulo Freire e as armadilhas da hegemonia</article-title>
					<source>Agência Carta Maior</source>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
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					</comment>
					<date-in-citation>Acesso em: 15 mai. 2008</date-in-citation>
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