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			<journal-title-group>
				<journal-title>Rev. FAEEBA - Ed. e Contemp.</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. FAEEBA - Ed. e
					Contemp.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2358-0194</issn>
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				<publisher-name>Universidade do Estado da Bahia</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.21879/faeeba2358-0l94.2024.v33.n75.p78-100</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigo</subject>
				</subj-group>
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			<title-group>
				<article-title>A FORMAÇAO DE PROFESSORES DA EJA NO ENSINO MÉDIO: PERSPECTIVAS
					RIZOMATICAS</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>EJA TEACHER EDUCATION IN HIGH SCHOOL: RHIZOMATIC
						PERSPECTIVES</trans-title>
				</trans-title-group>
				<trans-title-group xml:lang="es">
					<trans-title>FORMACIÓN DOCENTE DE LA EJA EN LA EDUCACIÓN SECUNDARIA:
						PERSPECTIVAS RIZOMATICAS</trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-9453-5900</contrib-id>
					<name>
						<surname>Menezes</surname>
						<given-names>Márcia de Oliveira</given-names>
					</name>
					<bio>
						<p>* Doutora em educação pela UNEB. Professora adjunta da Universidade
							Estadual do Sudoeste da Bahia. Integrante do Grupo de Estudo e Pesquisa
							em Ensino e Conhecimento Científico e só Grupo de Pesquisa, Formação ,
							autobiografia e Políticas Pú blicas. E-mail: marcia.me
								<email>nezes@uesb</email>
						</p>
					</bio>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-1514-6961</contrib-id>
					<name>
						<surname>Nunes</surname>
						<given-names>Claudio Pinto</given-names>
					</name>
					<bio>
						<p>** Doutor em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
							Professor Titular Pleno da UESB e do Programa de Pós -Grad uação em
							Educação da Universidade Federal de Sergipe. Líder do Grupode Pesquisa
							Didática, Formação e trabalho Docente. E-mail:
								<email>edu.brclaudionunes@uesb.ed</email> u.br.</p>
					</bio>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2">**</xref>
				</contrib>
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			<aff id="aff1">
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					Bahia</institution>
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					Bahia</institution>
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					Bahia</institution>
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					Bahia</institution>
			</aff>
			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>15</day>
				<month>09</month>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<volume>33</volume>
			<issue>75</issue>
			<fpage>78</fpage>
			<lpage>100</lpage>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>18</day>
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					<year>2024</year>
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					<year>2024</year>
				</date>
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				<license license-type="open-access"
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>O presente estudo é um recorte da tese de doutorado intitu lada <italic>docência
						e rizoma: o que aprende enquanto ensina, o professor da EJA no Ensino
						Médio.</italic> Apresenta uma breve contextualização para situar a formação
					de professores, a Educação de Jovens e Adultos e o Ensino Médio. Oobjetivo
					foicompreender como os professores se constituem professores da EJA no cotidiano
					da prática docente no ensino médio em uma escola estadual. Assumimos a
					epistemologia qualitativa. Para a produção dos dados adotamos as conversas
					interativo-provocativas coletivas a partirde um roteiro. Os sujeitos da pesquisa
					foram os professores que atuam na EJA do Ensino Médio, totalizando 06 (seis)
					professores. A metáfora do rizoma de Deleuze e Guattari foi utilizada para a
					análise e discussão dos dados, que foram organizados em categorias. Os
					resultados revelam que apesar da ausência de formação para atuar na EJA durante
					o cotidiano da prática docente, a formação de professores aponta para uma
					perspectiva rizomática.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>This study is part of a doctoral thesis entitled: <italic>docência e rizoma: o
						que aprende enquanto ensina, o professor da EJA no Ensino Médio.</italic>
					It, briefly, contextualize teacher education, Youth and Adult Education (EJA in
					Portuguese) , and High School. The objective was to understand how teachers
					become EJA teachers in their daily practice in high school at a public school.
					We assume a qualitative epistemology. For the data production, we adopted the
					collective interactiveprovocative conversations, using an interview guide. The
					research subjects were teachers who work at EJA in High School , a total of 06
					(six) teachers were interviewed.The rhizome metaphor by Deleuze and Guattari was
					used to analyze and to discuss the data that were organized in categories. The
					results reveal that despite the lack of training to teach in EJA during daily
					teacher's practice, teacher education points to a rhizomatic perspective.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>RESUMEN</title>
				<p>Esta investigación es un extracto de la tesis doctoral titulada: docência e
					rizoma: o que aprende enquanto ensina, o professor da EJA no Ens in o Médio. Se
					presenta una breve contextualización para situar la formación docente, Educación
					de Jóvenes y Adultos y Educación Secundaria. El objetivo fue comprender cómo los
					docentes se convierten en docentes de EJA en su práctica diaria en la educación
					secundaria de una escuela pública. Asumimos una epistemología cualitativa. Para
					la producción de datas utilizamos las conversaciones colectivas
					interactivasprovocativas desde una guía de entrevista. Los sujetos de la
					investigación se caracterizan como docentes de EJA en la Escue la Secundaria, en
					el de 06 (seis). Para el análisis y la discusión se utilizá la metáfora dei
					rizoma de Deleuze y Guattari, organizando en categorías. Los resultados revelan
					que, a pesar de la falta de formación en EJA durante la práctica docente
					diaria,la formación docente apunta hacia una perspectiva rizomática.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Prática docente</kwd>
				<kwd>educação de jovens e adultos</kwd>
				<kwd>metáfora do rizoma.</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Teache rs' practice</kwd>
				<kwd>youth and adult education</kwd>
				<kwd>rhizome metaphor.</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Palabras-clave:</title>
				<kwd>Práctica docente</kwd>
				<kwd>educación de jóvenes y adultos</kwd>
				<kwd>metáfora dei rizoma.</kwd>
			</kwd-group>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec>
			<title>Primeiras palavras<sup><xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></sup></title>
			<p>A formação de professores perpassa por inúmeras perspectivas, nas diversas
				modalidades que o professor deseja caminhar. A formação vai e vem, avança e recua,
				construindo-s e num processo de relação com o saber e com o conhecimento que se
				encontram no cerne da identidade pessoal (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Dominicé,
					1986</xref>). Sobre isso, <xref ref-type="bibr" rid="B46">Rios (2017</xref>, p.
				58) sugere que &quot;[...] pensar a educação e formação docente remete a pensar na
				questão da função social da escola na contemporaneidade: a construção de identidades
				abertas à diversidade cultural, o combate à descriminalização dos grupos culturais
				marginalizados na sociedade [...]&quot;.</p>
			<p>O campo de disputa no qual a formação de professores está inserida, principalmente na
				contemporaneidade, revela concepções, <italic>lócus,</italic> rel açã o entre as
				áreas, entre outros aspectos presentes nas políticas públicas e na legislação
				brasileira que regulamentam esse importante campo para a educação. Nesse contexto,
				ao apresentar o seu entendimento sobre a temática, <xref ref-type="bibr" rid="B17"
					>Dantas (2009</xref>, p.48); (2012, p.148) afirma que &quot;o processo
				contextualizado de formação de professores é construído nas vivências&quot; no
				período de escolarização, quando ocorrem as trocasde experiências, e isso
				&quot;nostorna aprendizes em constante mudança e sempre construindo a nossa
				identidade e subjetividade&quot;.</p>
			<p>As lutas das últimas décadas por meio de vários movimentos têm mobilizado
				reivindicações para a formação docente com real qualidade. Há uma disputa política
				no que concerne às concepções, às dinâ micas, aos currículos e às políticas (<xref
					ref-type="bibr" rid="B21">Dourado, 2015</xref>). Nesse sentido, justificam-se as
				tensões e as perspectivas diferenciadas nos entendimentos variados na/sobre a
				formação de professores.</p>
			<p>Neste artigo, discutimos a formação de professores que acontece durante o exercício
				da docência na EJA do Ensino Médio (EM) a partir da metáfora do rizoma de <xref
					ref-type="bibr" rid="B19">Deleuze e Guattari (1995)</xref>. Para isso,
				apresentamos uma introdução identificada de primeiras palavras; um breve contexto da
				formação de professores; a metáfora do rizoma; os caminhos metodológicos utilizados;
				a EJA na escola e a organização da pesquisa; os resultados e discussão com os
				achados da pesquisa e, por fim, as conclusões a que chegamos.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Breve contexto da formação de professores</title>
			<p>Ao retratar a formação de professores em diversos caminhos, constituídos de pontos,
				nas palavras de <xref ref-type="bibr" rid="B33">Magalhães (2015)</xref>, ocorre um
				cruzamento no entendimento da concepção de conhecimento adotada nos cursos de
				licenciatura; de acordo com a autora, é possível haver oscilações entre uma
				concepção conformadora, mantenedora da realidade até uma posição em contradição com
				a dominante. Aqui percebemos os pontos soltos ou que foram sobrepostos pelos modelos
				prontos de modismos pedagógicos na formação de professores, os quais, muitas vezes,
				são recebidos e reprodluzidos durante a docência, principalmente na educação básica.
				Essa percepção nos faz ponderar a necessidade do rizoma na formação de professores
				para conectar esses pontos desarticuladosno cotidiano da prática docente.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B48">Santos (2008)</xref> ajuda-nos a compreender que o
				conhecimento e sua construção passam por uma busca constante, é prática que exige a
				experiência do sujeito que se relaciona com o objeto de conhecimento, é social,
				construído na trama das relações entre os homens, na inter-relação dialética, que
				reagrupa unidade e diversidade; é histórico, construído pelos homens, em um longo e
				difícil caminho que vai, invariavelmente,gestando um pensamento mais complexo.</p>
			<p>Esse saber produzido, para <xref ref-type="bibr" rid="B48">Santos (2008)</xref>, não
				é apenas científico, mas também é um paradigma social, o qual é apresentado por ele
				em quatro teses. Na primeira tese, ele afirma que todo conhecimento
				científico-natural é científico-social e que agrega, desta forma, as ciências
				naturaise as ciências sociais; a valorização dos estudos humanísticos e a rejeição
				dospreceitos do positivismo. Na segunda tese,o conhecimento pós-moderno é
				caracterizado pela pluralidade metodológica, a interdisciplinaridade e
				transdisciplinaridade envolvendo as diversas ciências. Na terceira tese, o autor
				explica que &quot;todo conhecimento é autoconhecimento&quot; e deixa evidente a
				ligação entre sujeito e objeto, pois no ato de produção do conhecimento as
				trajetórias de vida, os valores e as crenças do pesquisador estão presentes de
				alguma forma. Na quarta e última tese, <xref ref-type="bibr" rid="B49">Santos
					(2010</xref>, p. 90) afirma que&quot;[...] todo conhecimento científico visa
				constituir-se em senso comum': e que a conversão do conhecimento científico
				pósmoderno em senso comum possibilitará a sua valorização e o seu
				reconhecimento.</p>
			<p>Então , o objeto passa a ser uma expansão do sujeito, de modo que em uma pesquisa
				oconhecimento sobre oobjeto e o conhecimento sobre o próprio sujeito sejam
				adquiridos. Isso remete à necessidade de reconhecer que realmente &quot;o caminho se
				faz ao caminhar&quot; (frase do poema Cantares, dopoeta Antônio Machado, traduzido
				por Maria Teresa Almeida Pina em 1962).</p>
			<p>In fe liz me nt e, o modelo de educação exercitado na atualidade atua pela lógica
				fragmentada da disjunção. Sobre isso, <xref ref-type="bibr" rid="B44">Reis e Almeida
					(2015</xref>, p.130) pontuam que esse modelo &quot;[...] separa razão de emoção,
				ciência de humanismo, filosofia, arte e literatura. Os conteúdos disciplinares
				obedecem a um programa preestabelecido e incomunicante entre as distintas áreas do
				saber&quot;. Logo, imaginamos o quanto o processo de desumanização está presente na
				educação e na formação de professores.</p>
			<p>Para além dessas especificidades,a metáfora do rizoma aponta para as multiplicidades,
				e, nesse sentido, a teoria do pensamento complexo direciona para uma educação
				complexa, com ensinamentos sobre a condição humana, inclusive ao demonstrar que
				&quot;[...] aprendemos a viver pelas nossas experiências, pelo convívio com nossos
				entes mais próximos. Viver se aprende por suas próprias experiências, com a ajuda do
				outro, principalmente dos pais e professores, mas também dos livros, da poesia&quot;
					(<xref ref-type="bibr" rid="B37">Morin, 2013</xref>, p. 192).</p>
			<p>Esses modelos também são percebidos na legislação brasileira que regulamenta a
				educação e a formação de professores, como uma nova fase na educação, também noque
				se refere à importância de conexão entreos documentos. Esse campo de disputa da
				educação envolve concepções políticas que interferem diretamente na formação de
				professores e culminam em novas legislações. Exemplo disso são as Resoluções do Co
				nselho Nacional de Educação (CNE) nº 02/<xref ref-type="bibr" rid="B9">2015</xref> e
					02/<xref ref-type="bibr" rid="B11">2019</xref>, importantes dispositivos que
				normatizam a formação de professores no Brasil. Enquanto a primeira é considerada
				pelos teóricos como avanço nesse campo de estudo, a segunda apresenta-se como
				retrocesso pois, embora a necessidade de organicidade do processo formativo entre as
				instituições seja destacada, o campo entende a formação dos profissionais como
				processo emancipatório e permanente, bem como reconhece a especificidade do trabalho
				docente, na perspectiva que conduz à práxis como expressão da articulação entre
				teoria e prática e, por fim, defende que é preciso levar em conta a realidade das
				instituições educativas da educação básica e dosprofissionais (<xref ref-type="bibr"
					rid="B21">Dourado, 2015</xref>).</p>
			<p>Além dessas ideias marcadas pela liberdade de pensamento, de diversidade e de
				pluralidade de pensamento e concepções pedagógicas, <xref ref-type="bibr" rid="B21"
					>Dourado (2015)</xref> destaca também a importância do &quot;[...] tr abalho
				colet ivo como dinâmica político-pedagógica que requer planejamento sistemático e
				integra do&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Dourado, 2015</xref>, p. 306). Por
				outro lado, há que se analisar a reforma do EMe a Base Nacional Comum Curricular
				(BNCC), no sentido de compreender as similaridades entre esses documentos; a
				reformulação do EM, por exemplo, tem entre suas finalidades &quot;[...] o
				aprimoramento do educando como pessoa humana, considerando sua formação ética e o
				desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico&quot; (<xref
					ref-type="bibr" rid="B10">Brasil, 2018</xref>, p. 466). Além de mencionar a
				necessidade de &quot;[...] garantir aos estudantes a compreensão dos fundamentos
				científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a
				prática&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Brasil, 2018</xref>, p. 467), a
				partir das finalidades supracitadas, o texto da Base Nacional apresenta uma ideia
				que não dialoga com a configuração curricular determinada para a última etapa da
				Educação Básica. Na introdução e nas finalidades do texto da BNCC, é apresentada uma
				proposta plura l e crítica, enquanto a organização das áreas ea configuração dos
				objetos de conhecimento determinados fogem tota lmente de uma proposta de formação
				humana e integral dos estudantes, apesar de afirmar preocupação com essas
				temáticas.</p>
			<p>Outro enfoque do EM que tem sido amplamente divulgado é seu objetivo de orientar o
				projeto de vida dos estudantes. Assim sendo, é imperioso refletir sobre as
				modulações subjetivas que buscam formar sujeitos adaptados e direcionados ao mercado
				neoliberal globalizado, como é apresentado por <xref ref-type="bibr" rid="B14"
					>Caetano (2020</xref>, p. 39) quando diz que as reformas&quot;[...] aproximam a
				educação de um mercado cada vez mais global [...]&quot;.</p>
			<p>Torna-se necessário o diálogo entre os documentos oficiais que regulamentam o EM e a
				BNCC, no sentido de se adequarem ao que se pretende ampliar na formação de
				professores. Por exemplo, o diálogo entre os professores é fundamental para
				consolidar saberes emergentes da prática profissional, como advoga <xref
					ref-type="bibr" rid="B39">Nóvoa (2001)</xref>, e também ao inferir que a criação
				de redes coletivas de trabalho constitui um fator decisivo de socialização
				profissional e de afirmação de valores próprios da profissão docente. Todavia, isso
				não esteve presente na construção dos documentos aqui destacados.</p>
			<p>Por outro lado, a Resolução nº 01/2021, que institui Diretrizes Operacionais para a
				Educação de Jovens e Adultos nos aspectos relativos ao seu alinhamento à Base
				Nacional Comum Curricular (BNCC) e ao Ensino Médio, estabelece que:</p>
			<disp-quote>
				<p>Art. 12 - O 3º segmento da EJA, correspondente ao Ensino Médio, poderá ser
					ofertado na forma presencial e/ou a distância, e seus currículos serão compostos
					por formação geral básica e itinerários formativos, indissociavelmente. Os
					sistemas de ensino poderão organizar os cinco itinerários formativos integrados,
					sendo que até 960 (novecentas e sessenta) horas serão destinadas à BNCC e 240
					(duzentos equarenta) horas para o itinerário formativo escolhido (Lei nº
						13.415/<xref ref-type="bibr" rid="B5">2017</xref>, art. 4º, §2º).</p>
				<p><italic>§</italic> 3º Os itinerários formativos devem ser organizados por meio da
					oferta de diferentes arranjos curriculares, conforme a relevância para o
					contexto local e a possibilidade dos sistemas de ensino, considerando as áreas
					deconhecimento (linguage ns e suas tecnologias; matemática e suas tecnologias;
					ciências da natureza e suas tecnologias; ciências humanas e sociais aplicada e a
					formação técnica e profissional, sendo sua carga horária mínima de 240 (duzentos
					e quarenta) horas para o itinerário formativo escolhido (<xref ref-type="bibr"
						rid="B12">BRASIL, 2021</xref>, p. 5).</p>
			</disp-quote>
			<p>Embora o documento refira-se ao EM e à BNCC, é importante destacar que no Novo Ensino
				Médio (NEM) a EJA não foi considerada. Então, esse documento é fruto da necessidade
				do Estado inserir os itinerários formativos também para a EJA, visto que, ao
				utilizar o termo &quot;itinerários formativos&quot;, entende-se a sua associação com
				o NEM.</p>
			<p>Em relação à formação de professores, o documento reconhece a necessidade, mas não se
				compromete com esse processo, pois, na atualidade, em decorrência da implantação do
				NEM, existem diversas discussões que vão desdea implantação de um currículo
				universal até o aumento dotrabalho do professor (de 02 disciplinas para 09, por
				exemplo), que ampliou a sua área de atuação em detrimento da redução de componentes
				curriculares necessários à formação do estudante. Assim, amplia a lacuna na formação
				dos professores, uma vezque não estabelece possibilidades de atender ao que
				normatiza o documento da EJA na Bah ia.</p>
			<p>Dessa forma, o poder público não considera as especificidades da EJA em relação à
				tentativa de alinhá-la à BNCC e ao NEM, visto que, a partir do ano de <xref
					ref-type="bibr" rid="B26">2020</xref>, houve um retrocesso na configuração dessa
				modalidade de ensino. No CIENB, por exemplo, o retrocesso começou, principalmente,
				na redução do tempo de contato entre professor e alunos (reduzido de quatro aulas
				semanais para uma ou duas), o que para EJA é um pre juízo, porque o docente reduz a
				intera ção com os sujeitos.</p>
			<p>Afinal, a prática docente e a própria formação caracterizam o professor não somente
				no domínio de uma disciplina e sua gama de conteúdo, mas de todo um conjunto de
				conhecimentos, ao qual chamamos de saber docente (<xref ref-type="bibr" rid="B56"
					>Tardif, 2000</xref>), que inclui não só saberes, também práticas relativas ao
				ofício de ensinar. Nessa direção, &quot;O ofício do professor implica um saber fazer
				que assegure a aprendizagem da disciplina e a transmissão do que lhe é confiado pela
				via das diretrizes curriculares e que, inevitavelmen te, expressa uma determinada
				concepção de mundo&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B56">Tardif, 2000</xref>, p.
				32).</p>
			<p>Desse modo, e com base na teoria do pensamento complexo,&quot;[...] relacionar o todo
				e as partes e trabalhar com e contra as incertezas e contradições é uma das
				estratégias que se coloca como desafio para pensar&quot;(<xref ref-type="bibr"
					rid="B35">Morin, 2005</xref>, p. 75). Por isso, essa teoria não se fecha em um
				programa e não tem metodologias definidas, mas sugere uma sensibilidade atenta e uma
				mentalidade aberta, a fim de perceber as diversas manifestações de uma dada
				realidade, bem como suas interconexões.</p>
			<p>Nesse sentido, <xref ref-type="bibr" rid="B23">Freire (1983</xref>, p.17) convida à
				reflexão de que&quot;[...] Ohomem é um ser das práxis, da ação e da reflexão&quot;.
				Cabe aqui também a discussão da natureza indissociável entre ato e sujeito. Os atos
				são sempre da responsabilidade do sujeito, conforme entende-se que a ação do
				indivíduo altera o mundo em que ele está inserido e, automaticamente, esse sujeito
				também é alterado (<xref ref-type="bibr" rid="B53">Sobral, 2008</xref>).</p>
			<p>Assim, torna-se notória a necessidade de buscar dialogar com ações investigativas
				utilizadas por <xref ref-type="bibr" rid="B47">Sampaio (2021)</xref> para destacar
				que&quot;[...] o conhecimento não é uma produção asséptica e solitária,
				desvitalizada, mas antes o encontro, confronto e diálogo entre diversas
				consciências&quot;. A autora ainda acrescenta que é &quot;[...] um encontro entre
				sujeitos, que forjados pelo mundo, também oforjam por meio de suas ações e relações
				cotidianas tecendo as redes de saberes marcadas, sempre pela polifonia constitutiva
				das relações humanas&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B47">Sampaio, 2021</xref>, p.
				218).</p>
			<p>Nesse cenário, manter o rizoma vivo significa investir na formação de professores
				para que a Ecologia de fato esteja presente nosentido de que os seres vivos
				(professores) sobrevivam e desenvolvam as inter-relações entre eles e o ambiente,
				reconhecendo a importância dos processos necessários à vida, ao organismo e à
				construção humana.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Caminhos metodológicos</title>
			<p>No desenvolvimentoda pesquisa, optamos pelas conversas para produção de dados, porque
				elas criam um elo capaz de &quot;fazer-pensar com o outro&quot;, tendo-as como um
				efeito provisório e coletivo de competências na arte de manipular lugares e de jogar
				o inevitável dos acontecimentas para torná-los habitáveis, como nos faz refletir
					<xref ref-type="bibr" rid="B15">Certeau (1998)</xref>. Nesse sen tido, a
				utilização das conversas, aqui nomeadas de <italic>conversas
					interativo-provocativas</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B43">Nunes,
					2010</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B41">2011</xref>; <xref ref-type="bibr"
					rid="B42">2020</xref>), oportunizam aos sujeitos da pesquisa uma interlocução a
				partir de um roteiro prédeterminado, porém livre para ampliar a visão sobre o
				fenômeno vivenciado por eles, uma vez que constrói uma relação aberta e de confiança
				antes, durante e após os diálogos.</p>
			<p>Por fim, para análise de dados, utilizamos a metáfora do rizoma, que, diferente da
				metáfora arbórea, não se hierarquiza, assim como não envolve significação prévia e
				nem pode ser reduzido a uma unidade. O rizoma é sempre múltiplo e só atua em função
				de seu agenciamento com outro rizoma, pode ser acessado em múltiplos pontos, segundo
				sua cartografia. O rizoma é devir, pois&quot;[...] não tem começo nem fim, mas
				sempre um meio pelo qual ele cresce e tra nsborda&quot; (Dele uze;Guattari, 1995, p.
				32).</p>
			<p>Os sujeitos da pesquisa foram os professores que atuam na EJA do EM do Centro
				Integrado de Educação Navarro de Brito (CIENB), organizados pelas seguintes áreas de
				conhecimentos: área de Humanas e Linguagem; área das Ciências da Natureza e área de
				Exatas. O texto que segue apresenta a discussão das áreas de Exatas, Ciências da
				Natureza e Ciências Humanas, totalizando 06 (seis) professores.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A metáfora do rizoma</title>
			<p>A metáfora do rizoma é utilizada no texto para apresentar e discutir a formação de
				professores no aspecto mais geral e também nas fragmentações do conhecimento, os
				quais se encontram organizados, buscando possibilidades fundamentadas em alguns
				pontos da teoria do pensamento complexo. Essa metáfora, presente na obra <italic>Mil
					Platôs,</italic> é utilizada por <xref ref-type="bibr" rid="B19">Deleuze e
					Guattari (1995)</xref> para explicar a filosofia a partir de desenhos imagéticos
				e explicativos; nós a utilizamos na formação de professores a partir da analogia com
				os achados da pesquisa. Adotando esse raciocínio, o conceito de rizoma - oriundo da
				Botâ nica<sup><xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref></sup> - torna-se importante
				para a compreensão da metáfora ao longo do texto, requerendo apresentação:</p>
			<disp-quote>
				<p>Ele não tem começo nem fim, mas sempre um meio pelo qual ele cresce e transborda.
					Ele constitui multiplicidades lineares a não dimensões. Sem sujeito nem objeto,
					exibíveis num plano de consciência e do qual o Uno é sempre subtraído (n-1). Uma
					tal multiplicidade não varia suas dimensões sem mudar de natureza nela mesma e
					se metamorfosear.Oposto a uma estrutura, que se define por um conjunto de pontos
					e posições, por correlações binárias entre esses pontose relações biunívocas
					entre estas posições, o rizoma é feito somente de linhas: linhas de
					segmentaridade. De estratificação , como dimensões, mas também linhas de fuga ou
					de desterritorialização (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Deleuze; Guattari,
						1995</xref>, p. 35).</p>
			</disp-quote>
			<p>Assim, é necessário retroalimentar esse ecossistema (escola) para que os seres
				existentes (professores) percebam a necessidade de interação entre eles. Um dos
				caminhos para essa retroalimentação é a formação de professores, também imersa na
				fragmentação do conhecimento gerada pela organização curricular das disciplinas que
				as coloca como realidades estanques, sem interconexão, dificultando a compreensão do
				conhecimento como um todo integrado, a construção de uma cosmovisão abrangente que
				lhes permita uma percepção totalizante da realidade (Morin, 2003; <xref
					ref-type="bibr" rid="B28">Gallo, 2008</xref>).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A educação de jovens e adultos no cienb e a organização da pesquisa</title>
			<p>A estrutura curricular da EJA corresponde à conclusão do Ensino Médio em dois anos
				consecutivos. O primeiro ano refere-se ao Eixo VI, com disciplinas da <italic>Área
					das Exatas;</italic> no segundo ano letivo, o Eixo VII agrega as disciplinas da
					<italic>Área das Humanas e da Ling uagem,</italic> no turno noturno, conforme
				explicitado no <xref ref-type="table" rid="t1">Quadro 1</xref>. O horário das 19h às
				21h:30min, de segunda a sexta-feira, é determinado pela proposta da modalidade EJA
				para o EM, no Estado da Bahia , no período de 2018 a 2022. Entretanto, no ano de
					<xref ref-type="bibr" rid="B13">2023</xref>, a EJA deixa de ser considerada com
				esse contexto organizacionale passa a integrar a educação básica no turno da noite,
				porém mantém os mesmos formulários avaliativos, baseados em pareceres e com os
				horários de aulas reduzidos.</p>
			<table-wrap id="t1">
				<label>Quadro 1</label>
				<caption>
					<title>Orga nização geral do Tempo Formativo Ili - Ensino Médio</title>
				</caption>
				<table>
					<thead>
						<tr>
							<th align="left" valign="top">ÁREA DO CONHECIMENTO</th>
							<th align="center" valign="top">COMPONENTES CURRICULARES</th>
							<th align="center" valign="top">EIXO VI<break/>1 ° ANO/CURSO</th>
							<th align="center" valign="top">EIXO VII<break/>2° ANO/CURSO</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">Linguagem, códigos e suas tecnologias</td>
							<td align="center" valign="top">Língua Portuguesa Literatura Brasileira
								Língua Estrangeira</td>
							<td align="center" valign="top">4 aulas<break/>4 aulas<break/>2
								aulas</td>
							<td align="center" valign="top">-</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">Ciências Humanas e suas Tecnologias</td>
							<td align="center" valign="top">Geografia; His tória; Sociologia;
								Filosofia</td>
							<td align="center" valign="top">4 aulas<break/>4 au las<break/>2
								aulas<break/>2 aulas</td>
							<td align="center" valign="top">
								<break/>
								<break/>-</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">Ciências da Natureza, Matemática e suas
								tecnologias</td>
							<td align="center" valign="top">Matemática; Física; Química;
								Biologia</td>
							<td align="center" valign="top">
								<break/>-</td>
							<td align="center" valign="top">4 aulas<break/>4 aulas<break/>4
								aulas<break/>4 aulas</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<attrib><bold>Fonte:</bold> Elaboração própria a partir dosdocumentos da
						Implantação da EJA/TempoFormativo- <xref ref-type="bibr" rid="B4">BAHIA
							(2009)</xref>.</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
			<p>Os professores participantes da pesquisa estão identificados com nome de plantas que
				têm o rizoma na sua constituição. Tais pseudônimos estão elencadosno <xref
					ref-type="table" rid="t2">Quadro 2</xref> e foram adotados em função da
				exigência do Comitê de Ética e do compromisso com os próprios sujeitos da pesquisa,
				no sentido de preservar o anonimato em pesquisas com humanos.</p>
			<table-wrap id="t2">
				<label>Quadro 2</label>
				<caption>
					<title>Sujeitos da pesquisa das áreas de Ciências Exatas, Ciências da Natureza e
						Ciências Humanas</title>
				</caption>
				<table>
					<thead>
						<tr>
							<th align="left" valign="top">PROFESSOR(A)</th>
							<th align="center" valign="top">NOME FICTÍCIO</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">Matemática</td>
							<td align="center" valign="top">Gengibre</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">Biologia</td>
							<td align="center" valign="top">Bambu</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">Física</td>
							<td align="center" valign="top">Grama</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">Química</td>
							<td align="center" valign="top">Samambaia</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">História</td>
							<td align="center" valign="top">Bananeira</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">Geografia</td>
							<td align="center" valign="top">Orquídea</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<attrib><bold>Fonte:</bold> Elaboração própria a partir das <italic>conversas
							interativo provocativas coletivas</italic> (2021).</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
			<p>Importante destacar que esse processo de construção de dados cumpriu algumas
				exigências e que o agendamento com os professores que atuam na EJA só ocorreu após o
				trâmite de todas elas. Dessa forma, o primeiro encontro com os professores da área
				de conhecimento das Ciências Exatas e das Ciências da Natureza ocorreu no dia 13 de
				setembro de 2021, por meio da plataforma <italic>Google Meet,</italic> e contou com
				a presença de todos os quatro professores que compõem as referidas áreas
				(Matemática, Biologia, Física e Química). O segundo encontro ocorreu com os
				professores das áreas das Ciências Humanas, no dia 30 de novembro de 2021, também
				por meio da mesma plataforma, e contou com a presença de dois professores que
				compõem as referidas áreas (História e Geogra fia). Em ambos os encontros, após
				serem informados do objetivo da pesquisa, ocorreu a assinatura do Ter mo de
				Consentimento Livre (TCL), seguida da conversa que foi fonte para a produção de
				dados.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Os achados da pesquisa</title>
			<p>Destacamos que as conversas foram realizadas a partir de um roteiro previamente
				construído, a fim de manter no horizonte os objetivos da pesquisa. Esse roteiro tem
				os seguintes aspectos norteadores: apresentação, destacando o nome, a área de
				formação nagraduação, a pós-graduação,as disciplinasde atuação, o tempo de docência
				no Ensino Médioe na EJA. Essas informações iniciais culminaram naorganização do<xref
					ref-type="table" rid="t3">Quadro 3</xref>.</p>
			<table-wrap id="t3">
				<label>Quadro 3</label>
				<caption>
					<title>Formação dos professores das áreas de Ciências Exatas, Ciê ncias da
						Natureza e Ciências Humanas</title>
				</caption>
				<table>
					<thead>
						<tr>
							<th align="left" valign="top">PROFESSORES</th>
							<th align="center" valign="top">TEMPO NA REGÊNCIA</th>
							<th align="center" valign="top">1 ª GRADUAÇÃO</th>
							<th align="center" valign="top">2ª GRADUAÇÃO</th>
							<th align="center" valign="top">PÓS-GRADUAÇÃO</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">Professor A
								GENGIBRE<break/>(Matemática)</td>
							<td align="center" valign="top">20 anos</td>
							<td align="center" valign="top">Licenciatura em Ciências com Habilitação
								em Matemática</td>
							<td align="center" valign="top">
								<break/>-</td>
							<td align="center" valign="top">Especialização em Matemática pura.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">Professor B BAMBU<break/>(Biologia)</td>
							<td align="center" valign="top">
								<break/>20 anos</td>
							<td align="center" valign="top">Licenciatura em Ciências com Hab
								ilitação em Biologia</td>
							<td align="center" valign="top">Licenciatura em Química</td>
							<td align="center" valign="top">Especialização em
								Zoologia;<break/>Mestrado em Genética, Biodiversidade e
								Conservação</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">Professor C GRAMA<break/>(Física)</td>
							<td align="center" valign="top">
								<break/>10 anos</td>
							<td align="center" valign="top">Licenciatura em Ciências com Hab
								ilitação em Matemática</td>
							<td align="center" valign="top">Licenciatura em Física</td>
							<td align="center" valign="top">Especialização em Mate mática pura;
								Especialização em Ensino Superior; Mestrado em Física</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">Professora
								D<break/><bold>SAMAMBAIA</bold><break/>(Química)</td>
							<td align="center" valign="top">
								<break/>10 anos</td>
							<td align="center" valign="top">Licenciatura em Ciências Biológicas</td>
							<td align="center" valign="top">Bachare lado em Enfermagem; Licenciatura
								em Química</td>
							<td align="center" valign="top">Especialização em Enfermagem
								Clínica</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">Professora E
								ORQUÍDEA<break/>(Geografia)</td>
							<td align="center" valign="top">33 anos</td>
							<td align="center" valign="top">Licenciatura em Geografia</td>
							<td align="center" valign="top">
								<break/>
								<break/>-</td>
							<td align="center" valign="top">Especialização em Ensinode Geografia;
								Coordenação Pedagógica e em Gestão.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">Professor
								F<break/><bold>BANANEIRA</bold><break/>(História)</td>
							<td align="center" valign="top">22 anos</td>
							<td align="center" valign="top">Licenciatura em História</td>
							<td align="center" valign="top">-</td>
							<td align="center" valign="top">Especialização em Históriada Cultura
								Afro-brasileira</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<attrib><bold>Fonte :</bold> Elaboração própria a partir das <italic>conversas
							interativo-provocativascoletivas</italic> (2021).</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
			<p>No decorrer das conversas registramos e reafirmamos a importância da utilização desse
				recurso como parte integrante da metodologia de pesquisa, tanto por gostarmos de
				conversar, como também pelos escritos de <xref ref-type="bibr" rid="B34">Marques
					(2018</xref>, p.17): &quot;[...] pelas questões que constituem na atitude
				política de pensar com ele para e sobre eles, possibilita fluxos, acasos,
				experiências, encontros, devir, multiplicidades e permanentes aberturas paraos
				acontecimentos, tecidos com afeto&quot;.</p>
			<p>Dito isso, destacamos que as <italic>conversas interativo-provocativas
					coletivas</italic> seguiram seu curso de forma bastante descontraída e que
				culminaram na elaboração <italic>a posteriori</italic> das seguintes categorias:
				formação dos professores e tempo de regência; inserção do professor na EJA do EM; o
				currículo da EJA e as dificuldades encontradas. Outros elementos surgiram durante as
				conversas, foram considerados, destacados e discutidos, porém, não enquadrados nas
				categorias citadas.</p>
			<sec>
				<title>Formação dos professores, tempo de regência e formação para lecionar na
					EJA</title>
				<p>As categorias &quot;formação&quot;e &quot;tempo de regência&quot; foram importa
					ntes para se conhecer a formação inicial dos professores e ao mesmo tempo
					associá-la à área de atuação, constatando, assim, que todos eles atuam na sua
					área de formação e que aqueles que atuam em mais de uma área buscaram, por conta
					própria, a segunda formação. Além disso , foi possível identificar que os seis
					professores que participaram do estudo têm 10 (dez), 20 (vinte) ou 30 (trinta)
					anos de atuação na docência e que a grande maioria iniciou a carreira na rede
					estadual de ensino de Vitória da Conquista já no Ensino Médio; porém, quanto à
					atuação na EJA, temos quatro professores que lecionam na modalidade desdea sua
					implantação no CIEB, no ano de 2018 (Gengibre, Bambu, Bananeira e Orquídea) -
					portanto , iniciantes na regência/EJA.</p>
				<p>Correlacionando à metáfora do rizoma, a <italic>nutrição</italic> do ser
					professor, no qual ele <italic>cresce e transborda,</italic> é demonstrada pelo
					foto de que todos os seis professores que participaram do estudo têm formação
					adequada, ou seja, são licenciados na área de atuação, mesmo que em alguns
					momentos lecionem outra disciplina. Isso indica que, do pontode vista da
					formação, atendem ao que preconizam a LDB (<xref ref-type="bibr" rid="B7"
						>1996</xref>) e as Res olu ções que instituem as Diretrizes Nacionais para
					Formação de Professores. Entretanto, é importante destacar que dois dos três
					professores da área de Ciências da Natureza buscaram uma segunda licenciatura
					por compreenderem a necessidade da formação, uma vez que, desde que iniciaram a
					docência, atuam tanto na sua área de formação quanto em outra área, como
					descrito em algumas falas: &quot;desde quando fui concursado pelo estado, eu
					sempre dei aula de Matemática e Física, acho que só 2 anos dei aula com carga
					horária só de Matemática. Voltei para os estudos e fiz Física&quot; (Professor
					Grama). Por outro lado, a professora de Biologia ministrava apenas aulas de
					Química, então &quot;eu falei, realmente, a gente tem que se formar, até para
					servir melhor os alunos, tem muita coisa que eu preciso aprender. Então formei
					ano passado em Química&quot; (Professora Samambaia).</p>
				<p>Ambas as falas confirmam a importâ ncia da formação na área de atuação como uma
					responsa bilidade do próprio professor, uma vez que a busca pela segunda
					graduação ocorreu porque eles também atuam em outra área de conhecimento, que
					difere da formação na qual iniciaram a docência na rede estadual de ensino. Além
					disso, a Professora Samambaia acrescenta &quot;[...] eu acho que não vou parar
					de estudar e aprender coisas novas, é o tempo todo&quot;, remetendo ao que Paulo
						<xref ref-type="bibr" rid="B25">Freire (2014</xref>, p. 25) cunha sobre o
					fato de que &quot;[...] não há docência sem discência, as duas se explicam e
					seus sujeitos, apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à condição
					de objeto um do outro[...]&quot;.</p>
				<p>Aformação inicial já é um passo significativo para atuação do professor na
					Educação Bás ica, nesse caso, no Ensino Médio, uma vez que, assim como a melhor
					educação é a educação possível, a melhor formação também é a formação possível.
					Dessa forma, consideramos a formação de professores como uma produção de
					conhecimentos necessários à práticadocente. Então, faz-se necessário reconhecer
					que o modelo de formação 3 + 1 esteve ancorado no pensamento positivista que
					propagou o modelo de árvore do conhecimento, no qual todo conhecimento emerge do
					tronco para os caules. A partir do momento em que esse modelo de conhecimento
					não consegue mais responder à contemporaneidade,surge a necessidade de se
					aventurar para além dos seus territórios existenciais (<xref ref-type="bibr"
						rid="B54">Souza, 2012</xref>). Sendo assim, nos aventuramos, utilizando o
					rizoma para esta discussão.</p>
				<p>Associamos e nomeamos agora o termo <italic>sobrevivência</italic> nos achados
					seguintes, os quais, a partir dasfalas dos professores, caracterizamse por
					apresentar, de um lado, as necessidades de so brevivência para a planta com
					rizomas ou caules rizomáticos manter-se viva em um ambiente em que, muitas
					vezes, nem todas as condições estão favoráveis; de outro, as falas dos
					professores que necessitam dessa sobrevivência, mesmo quando se sentem
					pressionados pelo sistema; há, ainda, as falas que abo rdam as lacunas no
					processo formativo e que muitas vezesdemonstram como eles estão ou como se
					sentem sozinhos durante o processo. Assim, o Professor Gengibre destaca:
					&quot;estou no 4º ano trabalhando na EJA, nesse tempo de 21 anos de formado, em
					momento algum eu tive contato com formação voltada para EJA. Não tive nenhuma
					formação para atuar nesse público&quot;. Enquanto esse professor percebe a falta
					de formação, ooutro reforça e clama por uma formação ao destacar &quot;acredito
					que o que a gente precisa, né, nós como professores, o que a gente precisa ainda
					é realmente isso, uma forma para trabalhar com esse público, que não tivemos na
					graduação, não tivemos nas pós-graduação [...]&quot;; completa afirmando que
					&quot;ainda falta muito para gente se qualificar&quot; (Professor Bambu).</p>
				<p>As inquietações desses professores são percebidas também nas falas dos
					professores da área das Ciências Humanas ao afirmarem que &quot;[...] a gente
					não recebeu informação nenhuma para saber exatamente o que é a EJA, como
					funciona, para quem especificamente foi criada&quot; (Professor Ba nanei ra).
					&quot;E a gente não tem, como o colega disse, né, vem tudo para o ensino regular
					e a EJA fica sempre por último&quot; (Professora Orquídea). Dessa maneira, ficam
					claras as questões impostas pelo sistema , tanto no sentido de inserir o
					professor na EJA, quanto na negligência em disponib ilizar uma formação que
					atenda a essa especificidade, demonstrando, assim, as lacunas no processo
					formativo. Nesse sentido, vale lembrar que a maior partedas Licenciat uras não
					contemplam formação para atuar na EJA, exceto alguns cursosde Licenciatura em
					Pedagogia que oferecem disciplinas direcionadas à modalidade. Is to nos remete a
					destacar a importância das pesquisas que denunciam o descaso com a formação de
					professores e ao mesmo tempo indicam caminhos para fazer com que essa formação
					efetivamente aconteça. Sobre isso, <xref ref-type="bibr" rid="B31">Laffin
						(2012</xref>, p. 213) advoga que:</p>
				<disp-quote>
					<p>[...] tais ações nem sempre vêm acompanhadas de um investimento sólido nas
						condições de materialização do trabalho docente, ou seja, nas condições
						objetivas da escola e nos salários, nem na formação docente, masda
						elaboração de padrões que propõem uma pretensa qualidade para a educação
						nacional, que possam ser 'medidos' enquanto indicadores dessa qualidade.</p>
				</disp-quote>
				<p>O fragmento demonstra a falta de investimento de políticas públicas na formação
					de professores e na EJA, dado que ainda não consideram uma formação específica
					para atuar nesse público, para além da alfabetização e da conclusão do Ensino
					Fundamental pelos sujeitos que constituem a modalidade no Ensino Médio.</p>
				<p>O professor Bananeira, da área das Ciências Humanas, apresentou umaoutra
					problemática bem comum na EJA: a evasão escolar. Porém, faz referência também
					àqueles que concluem o ensino fundamental e não iniciam o ensino médio ao
					destacar que: &quot;Es ta mos num momento muito crítico da sociedade brasileira,
					que desmotiva a clientela que deveria estar na escola, não é à toa que a gente
					tem uma evasão no EM de mais de 50%, entre o final do ensino fundamental e o
					início do ensino médio [...]&quot;. Acrescenta afirmando, com base em uma
					reportagem, que &quot;mais da metade que termina o ensino fundamental, não vão
					para o ensino médio. A metade está largando a escola no início do processo
					formativo fina l&quot;. (Professor Bananeira).</p>
				<p>A evasão escolar é preocupante e envolve vários fatores; entre eles está o fato
					de que a classe trabalhadora que ocupa as nossas escolas está na EJA e, com a
					reforma do EM, que passa a ser oferecido exclusivamenteem turno integral, a
					tendência é que haja migração de muitos alunos do Ensino Médio para essa
					modalidade. Com base nosdadosdo INEP (2022), a taxa de evasão escolar na EJA é
					de 73%, sendo 37% por incompatibilidade de horário, 29% por desinteresse e baixa
					qualidade da oferta e os outros 34% por causas diversas.</p>
				<p>Por outro lado, a EJA não faz parte das modalidades inseridas nos instrumentos
					que &quot;mede m&quot; a qualidade da educação pelo Estado, porém sempre se
					apresenta, no EM, como oportunidades de avanços para conclusão da
					escolaridade.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>A inserção do professor na EJA do Ensino Médio</title>
				<p>Essa inserção é pontuada nas falas de todos os professores, que são unânimes em
					destacar a forma desrespeitosa como a EJAfoiimplanta da no Ensino Médio no Co
					légio em que atuam. Citaremos apenas a fala do Professor Gengibre, da área das
					Ciências Exatas, por ser re presentativa das demais.</p>
				<disp-quote>
					<p>Recordo bem quando a EJA entrou no CIENB, nós vivíamos o dilema da redução de
						turmas do ensino regular e a escola precisava ou implantar o curso
						profissionalizanteou implantar alguma coisa para que tivéssemos clientes,
						tivéssemos alunos e assim garantir a carga horária do professor. Então ,
						assim, quando a EJA chegou no CIENB, não foi um movimento no sentido de
						nossa , a gente precisa desse público, é importante pensar em jovens e
						adultos. Chegou meio sem discussão[...] (Professor Gengibre).</p>
				</disp-quote>
				<p>O depoimento do Professor Gengibre deixa claro que, muitas vezes, a EJA c hega na
					escola apenas com o objetivo de complementar a carga horária do professo r.
					Consideramos que uma modalidade de ensino de tamanha importâ ncia não deva ser
					tratada dessa forma, primeiro pela própria história de luta que a envolve e,
					principalmente, pelos sujeitos que a constituem. Outros fatores percebidos nas
					falas dos professores de todas as áreas do conhecimento são a similaridade entre
					os estudantes do noturno e os da EJA, bem como a necessidade de formação para
					atuar na modalidade, assinalada recorrentemente na fala dos professores. ''A
					gente recebeu a EJA né, no CIENB, assim, caiu do céu assim para gente né. E a
					gentede repente se viu lá professor da EJA. No primeiro momento assim nãopercebi
					muita diferença, do alunado, do alunado da EJA para o alunado do
					noturno[...]&quot;. (Professor Bambu). Outro aspecto presente nas falas é o
					fechamento de classes e escolas da EJA, &quot;Me deram a EJA do Ensino Médio
					porque eu vim de uma escola que fechou e lá eu trabalhava com o tempo de
					aprender que é do ensino fundamental&quot; (Professora Samambaia).</p>
				<p>As falas reforçam o descaso do Estado na implantação da EJA no CIENB.
					Inicialmente, porque fica evidente que tal implantação ocorreu para manter o
					professor na referida escola com carga horária completa. Outro fator que
					contribuiu paraa implantação da EJA no Ensino Médio (Tempo Formativo III) foi o
					fechamento das turmas em outras instituições de ensino da Rede Estadual em
					Vitória da Co nquista. Adema is, note-se, em relação à formação de professores,
					que fica demonstrado claramente o distanciamento entre o escrito e o cotidiano
					real da prática docente, uma vez que o documento da política da EJA na Rede
					Estadual da Bahia afirma, em seu item três, que trata do perfil e formação do
					educador da EJA, que &quot;[...] os coletivos de educadores (as) da EJA serão
					formados a partir de uma seleção interna. Para tanto, estes devem optar por
					participar do coletivo e assumir algumas construções necessárias no fazer da
					EJA&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Bahia, 2009</xref>, p.16).</p>
				<p>Desta forma, a introdução do conceito de rizoma é apropriada para destacar que
					ele seria uma maneira de expressar multiplicidades sem ter que ligá-las à
					unidade. Assim , as multiplicidades seriam a escola e os professores, que são
					das diversas áreas do conhecimento, e a unidade, a própria EJA. Entã o, a
					implantação da EJA no EM necessitaria de conexões em diversos âmbitos, agregando
					todas as áreas do conhecimento, inclusive entre os próprios professores que
					compõem os Eixos.</p>
				<p>Nesse sentido, a indignação sobre como a modalidade de ensino EJA é imposta
					representa o princípio da ordem, presente na ciência moderna. A teoria da
					complexidade, na obra Os <italic>Sete Saberes Necessários para a Educação do
						Futuro</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Morin, 2006</xref>),
					baseia-se na crítica ao que considera os três pilares da ciência moderna: a
					ordem, a separabilidade e as lógicas indutivas e dedutivas, caracterizando um
					modelo arboresce nte. Na proposta do Estado, esse discurso é presente ao
					considerar a atuação do professor somente no preenchimento de formulários (<xref
						ref-type="table" rid="t4">Quadro 4</xref>) que são utilizados para mostrar o
					nível de formação do estudante da EJA, que necessita, a todo custo, concluir o
					Ensino Médio em dois anos consecutivos.</p>
				<table-wrap id="t4">
					<label>Quadro 1</label>
					<caption>
						<title>Documentos que compõem o Tempo Formativo EJA/EM</title>
					</caption>
					<table>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left" valign="top"><bold>Caderno de Registro do Percurso
										da Aprendizagem</bold><break/><bold>EIXO VI</bold></td>
								<td align="center" valign="top"><bold>Caderno de Registro do
										Percurso da Aprendizagem</bold><break/><bold>EIXO
									VII</bold></td>
								<td align="center" valign="top"><bold>Matriz Curricular Tempo
										Formativo</bold> I <bold>e li EIXOS 1, li,</bold> Ili</td>
								<td align="center" valign="top"><bold>Matriz curricular Tempo
										Formativo</bold> Ili <bold>EIXOS VI E VII</bold></td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<attrib><bold>Fonte:</bold> Elaboraça<sup>-</sup> o própna a partJr do
							documento em vigor dos Tempos Formativos (2009).</attrib>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
				<p>Sobre esses formulários que acompanham a proposta da EJA, o Professor Bananeira
					destaca que &quot;Nem a parte burocrática o Estado tinha para fornecer para a
					gente. Nem dos formulários que a gente tem que preencher, escrever isso e
					aquilo, não tem um manual, um formulário específico. [...]&quot;. Continua
					afirmando que&quot;[...] a gente pegou a caderneta do ensino médio regular e
					adaptou por nossa conta para lançar frequência, lançar conteúdos, lançar os
					conceitos porque não tem nota. Foi nossa decisão [...]&quot;. (Professor
					Bananeira).</p>
				<p>Em relação à organização da EJA do EM, não nos opomos à conclusão do Ensino Médio
					como proposto. Entre tanto, destacamos a importância de considerar uma formação
					mais específica, que dê conta do conhecimento de forma mais articulada entre as
					áreas dos Eixos VI e VII como uma responsabilidade do Estado e da Esco la, e não
					somente do professor. Contudo, os professores de Ciências Humanas discorrem
					sobrea redução do tempo da EJA no EM. &quot;No ensino regular o EM é feito em 3
					anos, na EJA pega esses 3 anos e aglutinam em 2anos, dividem em dois blocos.
					Humanas de um lado, Exatas de outro ea Linguagem misturada entre as duas&quot;
					(Professor Bananeira). &quot;Desde quando a EJAestava sendo introduzida até
					hoje, temos dúvidas. Como que vai ser esse trabalho? Ninguém sabe como é que
					trabalha a EJA né, mas em relação a organização do currículo, a EJA, como todos
					os outros, têm a desejar.&quot; ( Professora Orq uídea).</p>
				<p>As falas dos professores permitem refletir sobre o ensino, principalmente porque
					o professor Banane ira leciona no EM desde o seu ingresso na Rede Estadua l de
					Ensino (há quase 24 anos) e questiona o fato do EM na EJA acontecer em dois
					anos. O que pe rm ite, ainda, pensarmos no conhecimento que será trabalhado
					durante esse período e na organização curricular que a EJA apresenta.</p>
				<p>É importante destacar que, pelo tempo de docência, todos os professores sujeitos
					desta pesquisa se formaram no modelo tecnicista e iniciaram a vida profissional
					sem nenhuma formação específica para a EJA, sendo que até o momento essa
					formação ainda é inexistente, principalmente para aqueles/as queatuam no EM.
					Então, é comum a preocupação dos professores, tanto com os conteúdos quanto com
					o trabalho proposto.</p>
				<p>Nessa linha de raciocínio, os caminhos formativos cruzam-se no entendimento de
						<xref ref-type="bibr" rid="B48">Santos (2008)</xref> para ajudar a
					compreender que&quot;(...] a concepção de conhecimento adotada nos cursos de
					formação podeoscilar entre uma posição conformadora, mantenedora da realidade,
					até uma posição em contradição com a dominante&quot;. Nesse sentido, &quot;(...]
					o conhecimento e sua construção passam por uma busca permanente porque jamais é
					dado ou está acabado&quot;. Assim, é fundame nta l considerar que o cotidiano
					escolar tem exigido dos professores, mesmo diante dos condicionantes
					limitadores, uma reação à passividade, à aceitação de múltiplas disputas, dos
					conflitos e das contradições que constituem os sentidos do trabalho e o sentido
					da escola e que estão presentes também no cotidiano da prática docente. É nesse
					sentido que o professor vai se constituindo professor da EJA por meio dossaberes
					que têm origem na prática cotidiana dos professores. E isto é visto e revisto na
					fala dos professores (<xref ref-type="bibr" rid="B56">Tardif, 2000</xref>).</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>O currículo da EJA</title>
				<p>Essa categoria constitui temática de extrema importância na EJA porque é uma
					modalidade de ensino que discute um cur rículo dialógico, portanto, pautado na
					qualidade e não na quantidade de conteúdos a que estamos acostumados, inclusive
					com ênfase nos conceitos. Essa é uma questão preocupante nesta pesquisa, visto
					que todos os professores citaram e relacionaram o currículo aos conteúdos, aos
					pré-requisitos necessários nas suas áreas de conhecimento e à necessidade de
					partilha com o outro, por insegurança em saber se estão ou não trabalhando de
					maneira correta, como percebe-se nas falas dos professores da área de Ciências
					da Natureza e das Ciências Exatas, conhecidas como áreas duras, que mencionaram,
					respectivamente, questões curriculares como uma preocupação da sua atuação
					docente. &quot;Você tem um currículo mais reduzido. Eu queria trabalhar
					determinados conteúdos com os alunos, mas você não tem tempo de aplicar esse
					conteúdo ou então não tem os pré-requisitos necessários para que vocêpossa traba
					lhar certo conteúdo&quot; (Professor Grama). Outra fala nesta direção relata:
					&quot;uma coisa que eu notei também que a EJA é que não tem um currícu lo pro
					nto. O currículo da EJA é ditado pelo aluno da EJA. O aluno da EJA que põe o
					currículo da EJA. Não adianta chegar lá com tudo pronto e enquadrar o aluno ali,
					não vai! O currículo vem de lá para cá, eu consigo perceber isso&quot;
					(Professor Gengibre).</p>
				<p>Então, é a prática que exige a experiência do sujeito que se relaciona com o
					objeto de conhecimento. Dessa forma, o que trabalhar, em termos de conteúdo, com
					o conhecimento de Física para a EJA? De que forma encorajar alunos que deixaram
					a escola há 10 anos e retomaram seus estudos a se interessarem pelo conteúdo da
					Física? Essas são indagações que apareceram nas <italic>conversas
						interativo-provocativascoletivas</italic> e provocaram a ajuda mútua entre
					os professores, ou seja, os próprios professores se ajudando e possibilitando a
					discussão na área de conhecimento, destacadas também pelos demais professores. A
					preocupação dos professores com o currículo e, por conseguinte, com os conteúdos
					que devem ser trabalhados é grande, o que pode estar relacionado à formação
					inicial que receberam, pautada na expansão e na valorização somente de conteúdos
					e na falta de uma formação específica para atuar na EJA do EM. Por outro lado,
					apesar de não existir um currículo específico para a EJA, há liberdade para
					oprofessor trabalhar - sem ferir as diretrizes -; entretanto, percebemos que o
					professor necessita de uma direção para estruturar o trabalho (<xref
						ref-type="bibr" rid="B8">Brasil, 2000</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B6"
						>Barreto, 2006</xref>).</p>
				<p>Nessa linha de raciocínio, <xref ref-type="bibr" rid="B32">Macedo (2008</xref>,
					p. 28) infere que essas questões constituem-se no currículo como um poder que
					requer do educador uma compreensão epistemológica e um compromisso &quot;sócio
					pedagógico&quot; na formação dos educadores e formadores de educadores. Ademais,
					salienta que isso deve acontecer também no cotidiano da prática docente,
					inclusive, para que os professores compreendam a própria organização curricular
					da EJA.</p>
				<p>Nesse sentido, recorremos à ecologia dos saberes, por exemplo, em que o
					conhecimento não implica num amontoado de saberes, mas numa ligação, uma conexão
					de saberes que se articulam e apresentam contradições. A ecologia dos saberes
					tem como objetivo principal criar um novo tipo de relacionamento entre o saber
					científico e outras formas de conhecimento que constituem, por exemplo, o
					cotidiano da prática docentee a singularidade dos estudantes e dos professores
					que participam desse cotidiano na EJA do EM (<xref ref-type="bibr" rid="B50"
						>Santos, 2015</xref>). Arriscamos agregar a teoria do cotidiano à metáfora
					do rizoma no sentido de valorizar aquilo que os professores têm a dizer, visto
					que nas suas falas eles não descrevem somente fatos e situações, mas revelam a
					complexidade do cotidiano escolar e a forma como os conhecimentos sãotecidos
					pelosdiferentes sujeitos em seus diferentes <italic>saberesfazeres</italic>
						(<xref ref-type="bibr" rid="B3">Alves, 2017</xref>).</p>
				<p>Nesse sentido, faz-se necessário, em relação à construção da docência na EJA,
					considerar que &quot;[...] aspectos legais, influências das concepções
					hegemônicas que permeiam a sua formação e pelo exercício cotidiano no contexto
					do trabalho&quot; (La ffin, 2012, p. 212) é que os professores participam do
					processo formativo da EJA, buscando compreender todo o contexto dos alunos com
					os quais exercerão seu trabalho.</p>
				<p>O rizoma faz-se presente nas falas dos professores participantes da pesquisa no
					sentido de que aspectos <italic>dos princípios de conexão e
						heterogeneidade</italic> são encontrados (Dele uze; Guattari, 1995). Dentre
					eles, o fato de que &quot;Os pontos de um rizoma podem e devem se conectar a
					quaisquer outros pontos, promovendo a heterogeneidade&quot;. Isso está presente
					quando os professores dialogam entre si no cotidiano da prática docente na
					tentativa de atuar na EJA de forma assertiva. Também há relação quando eles,
					mesmo com muita experiência na docência, valorizam a formação no sentido de
					perceber que a falta de uma formação específica interfere na sua atuação como
					professor/a da EJA no EM (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Khouri, 2009</xref>,
					p.5).</p>
				<p>Assim, o professor vai sobrevivendo no cotidiano da sua prática, porque encontra,
					muitas vezes, em seus próprios colegas a partilha necessária a essa
					sobrevivência, uma vez que a construção da docência na EJA vai se constituindo
					como elemento importante.Adicionalmente, eles sobrevivem na medida em que, para
					além dos conteúdos tradicionalmente estabelecidos nos documentos prescritos,
					essas políticas (formação de professores e da EJA) passam a ser compreendidas
					nos enredamentos dos múltiplos contextos cotidianos que as constituem. É nesse
					contexto que se necessita compreender a EJA em todas as suas dimensões, uma
					vezque a proposta da Rede Estadual da Bahia para o Tempo Formativo III,
					específica para a EJA do Ensino Médio, dá destaque aos documentos que a compõem,
					mas não avança no sentido de romper com ordenamentos e regras, seguidas de
					algumas ou poucas orientações para preenchimento desses documentos. Além dos
					formulários destacados anteriormente pelos professores, há ainda as orientações
					para o uso dos instrumentos de acompanhamento do percurso da EJA que apresentam,
					inicialmente, a seguinte orientação intitulada <italic>Instrumentos
						Didático-Pedagógicos da EJA,</italic> dentre outros aspectos, descreve a
					necessidade de &quot;[...] conhecimento dos fundamentos que sustentam a Política
					da EJA para a educação básica&quot;. Sobre o currículo, o documento infere que
					&quot;o currículo a ser desenvolvido através dos EixosTemáticos e os Temas
					Geradores - realidade vivenciada - que organizam as diferentes áreas do
					Conhecimento&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Bahia, 2017</xref>, p.
					1).</p>
				<p>Com base nesse documento, as instruções pedagógicas retratadas não são
					suficientes para que professor desenvolva seu trabalho a partir dos Eixos
					Norteadores, muito menos dos Temas Geradores, porque não apresentam os Eixos
					propriamente ditos. Neste contexto, os professores também reafirmam a falta de
					formação para aprender a ensinar considerando esses elementos necessários e
					sempre citados no trabalho com a EJA, principalmentena perspectiva freiriana, o
					que pode ser evidenciado na seguinte fala do Professor Gengibre: &quot;[...]
					então a gente conversa na perspectiva de que a gente precisa alinhar a proposta
					do EIXO, só que a gente ainda não conseguiu. É algo que está na própria
					linguagem da EJA. A const ru ir&quot; (Professor Gengibre).</p>
				<p>Esta formação a constru ir, destacada pelos professores que participaram desta
					pesquisa, pode estar associada à afirmação de que os currículos dos cursos
					normais e das licenciaturas precisariam contemplar&quot;[...] saberes gerais e
					específicos numa relação teoria-prática&quot;,destacando que &quot;não podemos
					aceitar uma formação aligeirada, de curta dura ção, sem consistência teórica nem
					metodológica&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B51">Santos, 2019</xref>, p. 47),
					pelo menos para os novos professores e, para aqueles que já estão atuando na
					modalidade, é necessário que haja ao menos - e urgentementediscussão e formação
					da/sobre a EJA no cotidiano da prática docente.</p>
				<p>Fica evidente que, apesar da carência de cursos nessa área para os professores,
					há de se considerar o que <xref ref-type="bibr" rid="B16">Dantas e Cardoso
						(2019</xref>, p. 32) destacam.</p>
				<disp-quote>
					<p>[...] os cursos de aperfeiçoamento também contribuem para o processo
						formativo do professor, visto que nesses espaços também é possível repensar
						nossos saberes, concepções, práticas, reformular e ressignificar nossos
						conhecimentos e sa beres, entretanto, a formação não se delimita unicamente
						a isso.</p>
				</disp-quote>
				<p>Dessa forma, podemos afirmar que a ausência de teóricos para nortear a
					implantação da EJA do EM aqui no Estado da Bahia, bem como de professores atores
					do processo ensino aprend izagem, demonstrada nas falas utilizadas até aqui,
					revela a falta de interesse do Estado, tanto pelo público que compõe a
					modalidade de ensino quanto pelos professores que lecionam cotidianamente para
					esse público, o que está em sintonia com as palavras de <xref ref-type="bibr"
						rid="B51">Santos (2019</xref>, p. 47), quando cita algumas das pesquisas
					desenvolvidas por <xref ref-type="bibr" rid="B45">Ribeiro (1999)</xref>, <xref
						ref-type="bibr" rid="B52">Soares (2006)</xref>, <xref ref-type="bibr"
						rid="B38">Moura (2005)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B18">Dantas
						(2012)</xref>.</p>
				<p>Além disso, é importante destacar alguns aspectos citados pelos professores
					durante as <italic>conversas</italic> que est ão relacionados ao horário e
					número de aulas para a EJA no Ensino Médio. Para o Professor Bananeira, da Área
					de Humanas, a redução da conclusão do ensino médio de 03 para 02 anos e o número
					de 04 aulas por noite em vez de 05, como acontece no ensino regular, configura
					prejuízo para a EJA. Esse professor demonstra que não tem conhecimento das
					especificidades da EJA, visto que considera como público apenas aqueles que
					retornaram à escola para concluir o EM, e não considera o histórico e as
					necessidades dos sujeitos. Já o Professor Bambu destaca que, apesar de ter o
					número de aulas reduzidas por noite, a disciplina dele consegue mais horários
					que o diurno e, assim, &quot;encontra com o aluno mais vezes do que no ensino
					regular&quot;,sendo que &quot;isso interfere muito na nossa forma de ensinar
					porque dá tempo [de] desenvolver empatia&quot; (Professor Bambu).</p>
				<p>Essa empatia é necessária no cotidiano da prática docente, porque só há diálogo
					quando há empatia; afinal, <xref ref-type="bibr" rid="B25">Freire (2014</xref>,
					p. 133) nos ensina que&quot;[...] o sujeito que se abre ao mundo e aos outros
					inaugura com seu gesto a relação dialógica em que se confirma como inquietação e
					curiosidade, como inconclusão em permanente movimento na história&quot;. Aqui,
					percebemos o quanto cabe a metáfora do rizoma no sentido de que&quot;oposto a
					uma estrutura, que se define por um conjunto de pontos e posições, por
					correlações binárias entre esses pontos e relações biunívocas entreestas
					posições': estão presentes nas falas dos professores e na sua relação com o
					currículo, afinal ambos interferem no meio e são afetados por ele (<xref
						ref-type="bibr" rid="B19">Deleuze; Guattari, 1995</xref>, p. 35).</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Dificuldades encontradas</title>
				<p>O cotidiano da prática docente segue seu curso nas palavras dos professores que
					salientam algumas das dificuldades encontradas durante o exercício da docência
					na EJA, como descrevem os professores da área das Ciências Humanas:</p>
				<disp-quote>
					<p>No início eu tive receio de cair nosso padrão com a EJA.As primeiras turmas
						que eu trabalhei foram excelentes, ótimas mesmo, você entrava na sala e dava
						gosto. Encontrava gente que estava ali para estudar.Todos já maduros,
						adultos. Esse é um ponto positivo da EJA. [...]. (Professor Bananeira).</p>
					<p>[...] com todas as dificuldades que a gente tem de trabalhar conteúdo, né,
						mas é bom, porque eles querem, eles têm um olhar diferente com gente, eles
						têm um olhar diferente entre eles. bom você ter um relacionamento com a EJA.
						E um negócio diferente, realmente é um público mais tranquilo. (Professora
						Orquídea).</p>
				</disp-quote>
				<p>Os destaques dos professores mostram uma percepção inicial da docência da EJA
					como se fosse uma diminuição do padrão de qualidade, uma diminuição do
					professoroqual consegue desenvolver um bom trabalhoa despeito falta de
					pré-requisitos. Sublinham, também, a afetividade que acontece no cotidiano da
					prática docente, associada a um bem-querer das turmas da EJA, principalmente ao
					destacar sobre os sujeitos que constituem essa modalidade no CIENB. Esse nutrir
					da prática docente perpassa pelas palavras de <xref ref-type="bibr" rid="B57"
						>Tardif e Gauthier (1996</xref>, p. 11) ao cunharem que &quot;[...] o saber
					docente é um saber composto de vários saberes oriundos de fontes diferentes e
					produzidos em contextos institucionais e profissionais variados&quot;. Desse
					modo, o professor precisa dossaberes edossentimentos que esses saberes despertam
					para sobreviver no cotidiano da prática docente.Tal como o rizoma é necessário
					para manter vivaa planta, o professor precisa sen tir-se vivo, e ambos buscam
					isso em dimensões, e não em unidades.</p>
				<p>Ent ã o, torna-se importante a discussão da formação de professores enquanto área
					de conhecimento no cotidiano da prática docente, uma vez que a proposta da EJA é
					organizada por áreas de conhecimento. E essa discussão é fortalecida quando, no
					momento da conversa<sup>,</sup> o Professor de Matemática e o Professor de His
					tória , de áreas distintas, destacam, respectivamente:</p>
				<disp-quote>
					<p>Essa conversa sobre a nossa organização enquanto área é bem oportuna, bem
						oportuna mesmo porquedepois de quatro anos atuando a gente tem que estar
						buscando essa organização. Agente ficou como um públicoà parte da escola
						noano de 2018porque tinha as AC, mas eram da área regular. Não tinha uma AC
						do professor da EJA para a gente conversar. <italic>A</italic> EJA ficava à
						parte (Professor Gengibre);</p>
					<p>Parece que é uma modalidade que sofre algum tipo de exclusão, de
						discriminação.Tanto équea gente fazconselho de classe ao longo do ano e a
						EJAfica paradepoise acaba que nunca acontece (Professor Bananeira).</p>
				</disp-quote>
				<p>Além dos professores terem feito referência à falta de Atividades Complementares
					(AC) na EJA, ainda colocam questões de exclusão. Ambos carecem de encontros
					pedagógicos para discussão sobre a EJA e também de umplanejamento coletivo, uma
					vez que eles mesmos afirmam que esses encontros nunca acontecem.</p>
				<p>Assim, constata-se que a interdisciplinaridade não está presente no cotidiano da
					prática desses docentes no sentido de discutir, por exemplo, os temas geradores,
					presentes na proposta da EJA que consta no documento que a regulamenta (<xref
						ref-type="bibr" rid="B4">Bahia, 2009</xref>). Esse apelo é bem presente nas
					palavras do Professor de Física, ao inferir que:&quot;Se você abrir espaço em
					qualquer aula da EJA para eles poderem falar da vida deles, eles vão falar, eles
					vão comentar, falar das dificuldades. Então, a gente percebe, eu como professor
					percebo a necessidade da formação para EJA. Eu sou carente dessa formação&quot;
					(Professor Grama).</p>
				<p>Essa ausência de encontros pedagógicos reverbera na prática do professor em sala
					de aula. Isso é bastante preocupante por diversos fatores, desde a
					especificidade da EJA para conhecer, reconhecer e considerar seu público até o
					desenvolvimento das atividades pertinentes ao currículo dessa modalidade. Nesse
					sentido, encontra-se na contramão do que <xref ref-type="bibr" rid="B24">Freire
						(1991</xref>, p.58) advoga quando afirma que&quot;[...] ninguém nasce
					educador ou marcado para ser educador. A gente se fazeducador, a gente se forma
					como educador permanente mente, na prática e na reflexão da prática&quot;.</p>
				<p>O Professor de Matemática faz uma observação ao relatar que também trabalha na
					Comissão Permanente de Avaliação (CPA) e que &quot;há uma equipe grande, com
					coordenação, com o olhar apenas para o Tempo de Aprender, que é do Ensino
					Fundamental, mas a EJA do ensino médio eu não escuto falar [...]&quot;
					(Professor Gengibre).</p>
				<p>Na fala do professor fica notóriaa descoberta de um setor para trabalhar com a
					EJA e, ao mesmo tempo, expressa um grito de socorro por um contato, uma
					formação, um olhar para a EJA no Ensino Médio. Entã o, apesar da escola
					pertencer ao Estado, ter Núcleos Territoriais de Educação (NTE) e um Espa ço na
					Secretaria de Educação do Estado da Bahia (SEC), em Salvador, não existe
					interlocução entre eles. En tão , ao nosso olhar, salta a falta do princípio
					dialógico recomendado por Freire nas obras <italic>Educação Como Prática da
						Liberdade</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B22">2020</xref>) e
						<italic>Pedagogia da Autonomia</italic> (2014).</p>
				<p>A respeito disso, Félix e <xref ref-type="bibr" rid="B42">Nunes (2020</xref>,
					p.101) ressaltam que:&quot;[...] pensara dialética desta formação, é pensara
					ambivalência de uma prática que se canibaliza à medida que se reinventa. Exige o
					entendimento da prática docente como fruto de disputas [...]&quot;. Os
					autoresainda descrevem os elementos envolvidos nessa disputa:&quot;a organização
					escolar, os interesses da família, objetivos do Estado, saberes docentes,
					expectativas para a infância e juventude&quot;.</p>
				<p>Assim, os elementos aqui citados, às vezes como necessidades, outras vezes como
					saberes necessários à docência, existem, mesmo considerando que os professores
					da EJA estão vivenciando, em muitos instantes na escola, momentos impostos pelo
					Estado. As lacunas identificadas no processo formativo são reais e demandam
					atenção constante para as mudanças presentes e futuras. Portanto, é pertinente
					não esquecer que <xref ref-type="bibr" rid="B25">Freire (2014</xref>, p. 25) nos
					ensina que &quot;[...] ensinar não é transferir conhecimentos, conteúdos, nem
					formar, é ação pela qual um sujeito criador dá forma, estilo ou alma a um corpo
					indeciso e acomodado&quot;. Essas reflexões e inferências dos autores estão
					presentes nas falas daqueles professores que, apesar de não terem escolhido a
					EJA para ensinar, tiveram que iniciar na modalidade e assumem o compromisso que
					estabelecem com os sujeitos da EJA.</p>
				<disp-quote>
					<p>Nas minhas aulas de física eu não me preocupo apenas só com os conceitos, o
						conhecimento de física. Eu sempre abro espaço para poder questionar questões
						sociais, questões econômicas que a gente está vivendo nesse momento. Falar
						dos problemas sociais, dos problemas econômicos e das dificuldades que vivem
						em casa. (Professor Grama)</p>
					<p>Eu tento usarosexemplos que eles entendam na minha aula, que aproximem mais
						da realidade deles para que eles participem e para ser uma troca
						boa.(Professora Samambaia)</p>
					<p>É saber queoque precisa ser trabalhado na EJA é essa troca, troca mesmo,
						porque o que eles trazem para a gente de conhecimentopróprio, o que eles
						trazem para gente é fabuloso. (Professor Bambu)</p>
				</disp-quote>
				<p>Essas falas reforçam as estratégias desenvolvidas pelo professor para permanecer
					na profissão, nas turmas da EJA, e adaptar-se a elas. Afinal, <xref
						ref-type="bibr" rid="B40">Nóvoa (2007</xref>, p. 115) nos ensinou que
					&quot;Ninguém se forma no vazio. Formar-se supõe troca de experiências,
					interações sociais, aprendizagens, um sem fim de relações&quot;. Os relatos dos
					sujeitos relacionam-se também com o rizoma, no sentido dos entrelaçamentos
					necessários para manter-se vivo.</p>
				<p>Essas inquietações são reais, estão presentes nos professores e são
					características dos rizomas. Assim, o princípio da multiplicidade desenvolvido
					por <xref ref-type="bibr" rid="B19">Deleuze e Guattari (1995)</xref> não mantém
					relação com o uno e não admite sujeito nem objeto, mas somente&quot;[...]
					determinações, grandezas, dimensões que não podem crescer sem que mudem de
					natureza&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Deleuze; Guattari, 1995</xref>,
					p. 35). Então, o rizoma defende a inclusão. Ele abarca os diversos pontos de
					partida, assimila e legitima osdiferentes pontos de vista. Dessa forma,
					fortalece a sobrevivência do professor no ambiente de atuação (<xref
						ref-type="bibr" rid="B30">Khouri, 2009</xref>, p. 5).</p>
				<p>Assim, a discussão da formação de um grupo de professores para atuar em uma
					determinada modalidade e, considerando as reflexões que fazemos dos momentos das
					nossas práticas docentes, 'individual' e 'coletiva', é que dá sentido à metáfora
					do rizoma quando ressaltamos que constitui multiplicidades lineares e não
					dimensões.</p>
				<p>Ainda assim , a EJA não é considerada na escola, no sentido de compreender que a
					formação de professores é imprescindível para atuar na modalidade e garantir não
					apenas o acesso à escola, mas também a uma educação de qualidade. Isso está
					associado a questões pedagógicas e políticas: pedagógicas, para avançar do
					ensino 'conteudista',que fortalece e que permeia a EJA com jovens apenas
					copistas; e as políticas, pela necessidade de avaliação das políticas públicas
					até então implementadas na EJA e nos cursos de licenciatura no Brasil.</p>
				<p><italic>A</italic> partirdoquefoi discutido nesta categoria, percebemos que o
					sentimento que o professor nutredurante a docência na EJA, a necessidade de
					discussão enquanto área do conhecimento e a falta de momentos com a EJA nas at
					ividades complementaresestão diretamente associadas à adaptação do professor no
					espaço formativo, conforme reafirma a fala do professor Grama, da área das
					Ciências da Natureza: &quot;[...] eu me senti angustiado porque para a gente, os
					encontros das AC são muito importantes né. Eu acho que é ali que você consegue
					ter algum parâmetro, principalmente dessa modalidade de ensino que cai no nosso
					colo [...]&quot;.</p>
				<p>Desta forma, é possível afirmar quese o rizoma deve expressar os agenciamentos
					que se produzem nos acontecimentos,ele nãopode ter uma estrutura definida, pois
					assim aconteceria um aprisionamento,característicoda metáfora arborescente. O
					riz oma constitui-se de novas formas a todo inst ante, escapando de
					configurações prévias, e, na prática docente, essa característica rizomática
					está imbricada na reflexão crítica do professor na/sobre a ação. Os aspectos que
					vão se apresentando nas conversas com os professores são característicos do
					rizoma ao atribuir que &quot;[...] oposto a uma estrutura, que se define por um
					conjunto de pontos e posições, por correlações binárias entre esses pontos e
					relações biunívocas entre essas posições, o rizoma é feito somente de linhas:
					linhas de segmentaridade [...]&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Deleuze;
						Guattari, 1995</xref>, p.35). Isso vai evoluindo em as pectos da cultura, da
					poética e da humanização que estão no cotidiano da prática docente.</p>
				<p>O Professor Gengibre destaca essa questão ao citar &quot;E ass im esse processo
					formativo entre o professor e o aluno da EJA vai sendo construído e fortalecido
					no cotidiano da prática docente desde que o professor adentra a sala de
					aula&quot;. Dessa forma, o processo formativo está associado também ao caminhar
					pelas trilhas dos estudos nos/dos/com os cotidianos nosentido de compreender o
					conhecimento tecido em rede, em considerar que o limite que a teoria aponta para
					a formação do professor deve ser encarado como ponto de partida (<xref
						ref-type="bibr" rid="B2">Alves, 2008</xref>). E, como os rizomas, são
					constituídos de <italic>nós</italic> que, ao mesmo tempo em que se firmam,
					fortalecem e surgem novas ramificações, novos pontos emergem, assim como ocorre
					na construção formativa do professor.</p>
				<p>Essas indagações convergem com as palavras de Santos (2011, p. 166) ao mencionar
					na sua tese que os trabalhos, em geral, &quot;[...] se reportam à formação de um
					profissional para atuar no contexto da educação básica&quot;. Nessa direção,
						<xref ref-type="bibr" rid="B31">Laffin (2012</xref>, p. 225) defende
					&quot;[...] uma formação que contemple as particularidades e um campo de
					conhecimento e saberes teóricos metodológicos próprios da docência na EJA''.</p>
				<p>Sobre isso, os professores, nas suas falas, demonstram que eles são os reais
					implementadores da política, por meio da efetivação do currículo prescrito para
					compreender as aproximações e distanciamentos entre o currículo prescrito e o
					currículo vivido na sua área de atuação, no cotidiano da prática docente. São os
						<italic>sujeitos praticantes</italic> fundamentais no processo. Destaco a
					fala do Professor de Matemática, da área das Ciências Exatas , ao afirmar que
					&quot;A gente sabe que é jovem e adultos, que é aquele pessoal que tem uma
					proficiência em matemática não muito elevada por conta da própria EJA do
					município no fundamental também. A gente começa conversando, vendo a trajetória
					deles, o que eles fizeram ao longo da vida, porque estão ali&quot;.</p>
				<p>Essa fala demonstra uma infinidade de discussões. Inicialmente, sobre
					pré-requisitos para o componente curricular,seguido da importância de conhecer
					os sujeitos da EJA e, por fim, a formação do professor em tentar construir a
					cada dia algo diferente. Dessa forma, é visível o processo de adaptação do
					professor que se assemelha à metáfora do rizoma quando afirma que &quot;[...]
					sem sujeito nem objeto, exibíveis num plano de consciência e do qual o Uno é
					sempre subtraído (n-1) [...]&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Deleuze;
						Guattari, 1995</xref>, p. 35).</p>
				<p>Quanto aos conceitos, concepções e interligação acerca de teoria-prática na
					educação de forma geral, principalmente na formação de professores, <xref
						ref-type="bibr" rid="B29">Gatti <italic>etal.</italic> (2019</xref>, p.180)
					afirmam que &quot;[...] nas discussões sobre concepções e práticas na formação
					docente é uma bandeira sempre presente': principalmente no sentido de
					&quot;melhorar a formação de professores&quot;. Os professores apresentam que as
					formações que ocorrem no cotidiano da prática docente, tanto na forma como lidam
					com o público da EJA quanto com o currículo, vão sendo construídas e/ou
					lapidadas.</p>
				<p>Assim, por meio das estratégias desenvolvidas é queo professor que atua na EJA
					sobrevive, porque adapta a sua prática docente na busca constante do se fazer
					professor , sempre no processo de metamorfosear-se.</p>
				<p>Outro aspecto importante que esta pesquisa pontua está relacionado à
					juvenilização na EJA, a qual aparece nas palavras de todos os professores também
					como dificuldade para desenvolvime nto do trabalho pedagógico, conforme as falas
					abaixo:</p>
				<disp-quote>
					<p>Então, hoje a gente tem um quadro diferente na EJA, nós temos um público
						diferenciado de quando começou, porque nós estamos vendo na EJA um público
						jovem, muito jovem, meninos que deveriam estar no ensino regular, estão na
						EJA. E isso acaba sendo um pouco difícil [...] ( Professora Orquídea).</p>
					<p>Eu tenho percebido nas minhas aulas que ele não está adaptando bem, ou seja,
						não está se loca lizando, não está se identificando dentro desse ensino da
						EJA, eu acho que realmente, cabe um estudo aí. Isso está descaracterizando
						esse grupo da EJA (Professor Bambu).</p>
				</disp-quote>
				<p>As falas dos professores explicitam a juvenilização da EJA no EM e apresentam
					reflexões interessantes.Já existem pesquisas que investigam essa temática e que
					vêm apontando tal fenômeno como resultado de um processo de invalidação das
					políticas públicas e da falta de perspectiva para a Educação Básica (<xref
						ref-type="bibr" rid="B55">Souza Filho; Cassol; Amorim, 2021</xref>). Para
					além disso, <xref ref-type="bibr" rid="B27">Furtado (2015</xref>, p. 55) infere
					que a juvenilização na EJA &quot;[...] resulta também do processo de
					escolarização degradada, que perpetua a exclusão escolar&quot;, e complementa
					afirmando que &quot;os/as alunos/as têm acesso ao espaço físico, mas não a uma
					educação de qualidade, que os/as considere como sujeitos de direitos&quot;.</p>
				<p>Por fim, os professores destacaram que, apesar das dificuldades encont radas,
					gostam de trabalhar com a EJA pelo respeito que os discentes demonstram e pelas
					experiências de vida que levam para sala de aula. Relatam, também, que aprendem
					muito enquanto ensinam nesta modalidade.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec>
			<title>Palavras finais</title>
			<p>O início e o fim de uma planta são construídos de várias etapas que contribuem para
				sua manutenção no ecossistema e seu desenvolvimento ecológico. Desse modo, acontece
				também com o rizoma, mas com uma característica essencial: &quot;[...] não tem
				começo nem fim, mas sempre um meio peloqual ele cresce e transborda [...]&quot;.
					(<xref ref-type="bibr" rid="B19">Deleuze; Guattari, 1995</xref>, p. 32).</p>
			<p>Assim como a planta que tem rizoma na sua constituição desenvolve estratégias de
				sobrevivência com as condições que encontra no ambiente, os professores vão se
				tornando professores da EJA p e la s experiências que compartilham dentro e fora do
				ambiente de trabalho com seus pares.</p>
			<p>Compreendemos que a formação inicial é de grande importância para o professor que
				atua na EJA do Ensino Médio. Entr etanto, não basta para abarcar, por si só, a
				complexidade que acontece no exercício dessa prática; também não deve ser vista
				apenas como uma formação necessária e suficiente para sua área de atuação. A
				formação de professores é uma viade mão dupla, composta de teoria e prática que se
				complementam em todos os momentos, seja como docentes, como estudantes ou como
				pesquisadores - o que demonstra um meio pelo qual a formação cresce e
				transborda.</p>
			<p>O professor adquire ao longo da sua caminhada uma reserva energética que o fortalece
				no cotidiano da prática docente, principalmente na educação. A coletividade está
				presente na formação, através das pesquisas como bases de sustentação para leitura e
				escrita, seja com as aproximações teóricas, metodológicas ou práticas que fazemos ao
				longo da vida de professor e que se constituem multiplicidadeslineares e não
				dimensões.</p>
			<p>Assim, a formação de professores é rizomática, porque ninguém se forma sozinho, nem
				se forma no vazio, ou se ja, a formação desenvolve multiplicidades. Essas
				multiplicidades vão se apresentando como rizomáticas porque seconhecem os sujeitos
				da EJA e, neste ato, busca-se compreendê-los.Então, sente-se a necessidade de
				adaptação das metodologias, ajustamento curricular, organização de conteúdos e
				conceitos que ajudem a compreender a importância daquele momento para a vida, seja
				para obter um trabalho melhor, ascensão notrabalho existente,ou um conhecimento
				formal que conceda ao cidadão/ã um diploma.</p>
			<p>Além disso, afirmamos que a formação de professores é rizomática porque permite ao
				professor também uma compreensão de uma ciência mais humanizada e, consequentemente,
				de uma educação mais humanizadora, o que se torna possível ao considerar que
				&quot;[...] a ordem pode nascer da desordem&quot;; que &quot;o tempo é
				irreversível&quot; e que a &quot;flecha do tempo&quot; indica &quot;probabilidades e
				nunca certeza porque a evolução do universo abriga desvios, flutuações, bifurcações
				e acontecimentos criadores de novas ordens&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B1"
					>Almeida, 2012</xref>, p.92). Quando isso acontece, podemos dizer que a formação
				de professores é por si só um processo de metamorfose.</p>
			<p>Os princípios de conexão e heterogeneidade cunhados por Deleuze e Guattari também
				estiveram presentes nas variabilidades de conexões que a formação de professores
				estabelece, principalmente no exercício da prática docente, e que foram colocados
				pelos docentes no tocante a aspectos pedagógicos e às questões políticas e/ou
				sociais.</p>
			<p>Dessa forma, constatamos que ser professor da EJA é conseguir entrelaçar sentimentos,
				ensino e aprendizagem e reconhecer que o aluno pode aprender mesmo com as limitações
				de vida que ganham corpo quando se juntam às impostas pelo sistema social.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p> Sobre a observação de procedimentos éticos: importante destacarque o processo de
					construção de dados cumpriu algumas exigências, dentre as quais, elencamos:
					contato com a escola; consulta aos documentos necessários do Comitê de Ética da
					UNEB; contato com os professores; criação do grupo no <italic>WhatsApp</italic>
					( que se deu através do Professor Gengibre); retorno à escola para formalizar o
					desenvolvimento da pesquisa por meio de documento da direção; submissão ao
					Comitê de Ética; aprovação do Comitê de Ética.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p> Rizoma é um tipo de caule subterrâneo ou aéreo, geralmente comformato cilíndrico
					e que,apesar de ser parecido com uma raiz, apresenta gemas, sendo por isso é
					classificado como caule. Estetipo de caule cresce paralelo ao solo, formando
					raízes adventícias a partir dosnós. Raízes adventícias são aquelas que se
					originam de outras estruturas da planta que não da própria raiz. O rizoma não
					possui clorofila e pode ser ou não ramificado.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>REFERENCIAS</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>ALMEIDA, M. da C. de. <bold>Ciências da complexidade e
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				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ALMEIDA</surname>
							<given-names>M. da C. de</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Ciências da complexidade e educação: razão apaixonada e politização do
						pensamento</source>
					<publisher-loc>Natal, RN</publisher-loc>
					<publisher-name>EDUFRN</publisher-name>
					<year>2012</year>
				</element-citation>
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			<ref id="B2">
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							<surname>ALVES</surname>
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					<chapter-title>Sobre movimentos das pesquisas nos/dos/com os
						cotidianos</chapter-title>
					<person-group person-group-type="editor">
						<name>
							<surname>ALVES</surname>
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							<surname>OLIVEIRA</surname>
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					<date-in-citation content-type="access-date">Acesso em: 22 nov. 2021</date-in-citation>
				</element-citation>
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					<publisher-name>DOE</publisher-name>
					<publisher-loc>Salvador</publisher-loc>
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