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				<journal-title>Rev. FAEEBA - Ed. e Contemp.</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. FAEEBA - Ed. e
					Contemp.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2358-0194</issn>
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				<publisher-name>Universidade do Estado da Bahia</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi"
				>10.21879/faeeba2358-0194.2024.v33.n75.p136-154</article-id>
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					<subject>Artigo</subject>
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			<title-group>
				<article-title>TRANSIÇAO DO ENSINO FUNDAMENTAL PARA O ENSINO MEDIO DA EJA: DESAFIOS
					CURRICULARES</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>TRANSITION FROM ELEMENTARY TO SECONDARY EDUCATION IN EJA:
						CURRICULAR CHALLENGES</trans-title>
				</trans-title-group>
				<trans-title-group xml:lang="es">
					<trans-title>TRANSICION DE LA EDUCACION PRIMARIA A LA EDUCACION SECUNDARIA EN LA
						EJA: DESAFIOS CURRICULARES</trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
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				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-2345-6780</contrib-id>
					<name>
						<surname>Vidal</surname>
						<given-names>Zirani Neta</given-names>
					</name>
					<bio>
						<p>* Zirani Neta Vida!. Especialista no Programa Nacional de Integração da
							Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de
							Jovens e Adultos (PROEJA) pelo Instituto Federal de Educação (IFBA).
							Membro do Grupo de Pesquisa Educação, Direitos Humanos e
							Interculturalidade (GREDHI). Mestra nda do Programa em Educação de
							Jovens e Adultos (MPEJA). Professora da Educação de Jovens e Adultos
							(EJA). E-mail: tete <email>tive@yahoo.com</email> br</p>
					</bio>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-7770-0118</contrib-id>
					<name>
						<surname>Costa</surname>
						<given-names>Graça Dos Santos</given-names>
					</name>
					<bio>
						<p>** Graça dos Santos Costa. Doutora em Pedagogia pela Universidade de
							Barcelona (UB). Professora Titular da Unive rsidade do Estado da Bahia
							(UNEB.) Professora do Mestrado Profissional em Educação de Jovens e
							Adultos (MPEJA). Líder do Grupo de Pesquisa Educação, Direitos Humanos e
							Interculturalidade (GREDHI). E-mail: <email>gracacosta@gmail.com</email>
						</p>
					</bio>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2">**</xref>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-2038-8132</contrib-id>
					<name>
						<surname>Costa</surname>
						<given-names>Patrícia Lessa Santos</given-names>
					</name>
					<bio>
						<p>*** Patrícia Lessa Santos Costa. Doutora em Ciências Sociais pela
							Universidade Federal da Bahia (UFBA). Professora dos Mestrados
							Profissionais em Educação de Jovens e Adultos (MPEJA) e em Gestão e
							Tecnologias Aplicadas à Educação (GESTEC) do Departamento de Educação
							Ida Universidade do Estado da Bahia (UNEB)- Brasil. E-mail:
								<email>plessacosta@gmai</email> l.com</p>
					</bio>
					<xref ref-type="aff" rid="aff3">***</xref>
				</contrib>
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			<aff id="aff1">
				<institution content-type="orgname">Universidade do Estado da Bahia</institution>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>15</day>
				<month>09</month>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<volume>33</volume>
			<issue>75</issue>
			<fpage>136</fpage>
			<lpage>154</lpage>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>18</day>
					<month>03</month>
					<year>2024</year>
				</date>
				<date date-type="accepted">
					<day>27</day>
					<month>07</month>
					<year>2024</year>
				</date>
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				<license license-type="open-access"
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>Nas últimas décadas, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) apresenta gradativo
					aumento da presença de jovens, fenômeno impulsionado pela migração de estudantes
					da educação regular, ocasionado por fatores de diversas ordens, como aspectos
					políticos, legais, pedagógicos, sociais, econômicos e subjetivos (Bru ne!, 2014;
					Car ra no, 2007 e outros). Partimos do pressuposto de que a EJA redireciona os
					estudantes nas suas trajetórias forma tivas, assegurando o direito à educação. O
					presente artigo tem por objetivo analisar as percepções de estudantes do ensino
					médio da EJA de uma escola pública do Sul da Bahia sobre o processo de
					transição, apresentando os dilemas e desafios curriculares. <italic>A</italic>
					referida pesquisa é do tipo descritiva, se ancora na abordagem qualitativa e tem
					como sujeitos entrevistados estudantes da EJA. Os resultados sinalizam lacunas
					significativas em relação a projetos, ações e estratégias específicas de apoio à
					transição escolar na EJA, o que representa um obstáculo significativo para os
					estudantes, impedindo-os de enfrentar os desafios acadêmicos e sociais
					associados à mudança para o Ensino Médio.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>In recent decades there has been a gradual increase in the presence of young
					people in Youth and Adult Education (EJA), a phenomenon driven by the movement
					of students from regular school, caused bypolitical, legal, pedagogical, so
					cial, economic and subjective factors (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Brunel,
						2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B12">Carrano, 2007</xref>). In this
					article we start from the assumption that EJA redirects students in their
					educational trajectories, aims to analyze the perceptions of EJA high school
					students from a public school in Southern Bahia about the transition process,
					presenting curricular dilemmas and challenges. The studyis based on qualitative
					interviews with EJA st udents.The results indicate significant gaps in relation
					to specific projects, actions and strategies to support the school transition in
					EJA, which represents a significant obstacle for students, preventing them from
					facing the academic and social challenges associated with the change to High
					School.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>RESUMEN</title>
				<p>En las últimas décadas se ha producido un paulatino aumento de la presencia de
					jóvenes en la Educación de Jóve nes y Adul tos (EJA), fenómeno impulsado por la
					migración de estudiantes de la escuela regular, provocado por factores
					políticos, jurídicos, pedagógicos, sociales, económicos y subjetivos. (Bru ne!,
					2014; Carra no, 2007). En este artículo partimos dei supuesto de que EJA reor
					ien ta a los estud iantes en sus trayectorias educativas, garantizando su
					derecho a la educación. Este artículo tiene como objetivo analizar las
					percepciones de estudiantes de secundaria de la EJA de una escuela pública dei
					Sur de Bahía sobre el proceso de transición, presentando dilemas y desafios curr
					iculares. El estudio se basa en entrevistas cualitativas a estudiantes de la
					EJA. Los res ultados apuntan brechas significativas en relación a proyectos,
					acciones y estrategias específicas para apoyar la transición escolar en la EJA,
					lo que representa un obstáculo importante para los estudiantes, impidiéndoles
					enfrentar los desafios académicos y sociales asociados a la transición a la
					Educación Secundaria.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>EJA</kwd>
				<kwd>Ensino Médio</kwd>
				<kwd>Transição</kwd>
				<kwd>Currículo.</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>ADULT EDUCATION</kwd>
				<kwd>HIGH SCHOOL</kwd>
				<kwd>TRANSITION</kwd>
				<kwd>CURRICULUM.</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Palabras clave:</title>
				<kwd>EJA</kwd>
				<kwd>ESCUELASECUNDARIA</kwd>
				<kwd>TRANSICIÓN</kwd>
				<kwd>CURRÍCULO.</kwd>
			</kwd-group>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade da Educação Básica que atende
				estudantes a partir dos 15 anos de idade<sup><xref ref-type="fn" rid="fn1"
					>1</xref></sup>. Gera lmente , integra m a referida modalidade pessoas de
				classes populares que vivem ou viveram histó rias de negação de direitos por sua
				raça/etnia, gênero e classe social e, consequentemente, foram excluídas do processo
				de escolarização. Sendo assim, o público da EJA, formado por adolescentes, jovens,
				adultos e idosos, é composto por um grupo diversificado e heterogêneo, bem como com
				interesses diferenciados provenientes da sua faixa etária, trajetórias, vivências e
				posições sociais (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Gadotti, 2013</xref>).</p>
			<p>Na atualidade, constata-se essa complexidade também por um processo de juvenilização
				da EJA, que traz consigo novos desafios e possibilidades curriculares, conforme
				aponta <xref ref-type="bibr" rid="B12">Carrano (2007)</xref>.</p>
			<disp-quote>
				<p>Para enfrentar o desafio disso que temos chamado de 'juvenilização da EJA',
					deveríamos caminhar paraa produção de espaços escolares culturalmente
					significativos para uma multiplicidade de sujeitos jovens - e não apenas
					estudantes - histórica e territorialmente situados e impossíveis de conhecer a
					partir de definições gerais e abstratas. Neste sentido, seria preciso abandonar
					toda a pretensão de elaboração de conteúdos únicos e arquiteturas curriculares
					rigidamente estabelecidas para os 'jove ns da EJA'. (<xref ref-type="bibr"
						rid="B12">Carrano, 2007</xref>, p. 2)</p>
			</disp-quote>
			<p>Tal contexto enfatiza a necessidade das instituições educacionais refletirem sobre a
				pluralidade de juventudes, bem como a importância de repensar a proposta curricular
				da EJA. Esse fenômeno, ao qual <italic>Silva</italic> (<xref ref-type="bibr"
					rid="B33">2014</xref>, p.35) denomina de&quot;juvenilização&quot;,está em
				ascensão na atualidade; é uma <italic>nova</italic> especificidade,que tem trazido
				muita inquietação e desafios às escolas ofertantes da modalidade. Estas , por sua
					<italic>vez,</italic> procuram respostas formativas e curriculares que venham
				atender a esse público crescente e que traz consigo uma diversidade de vivências e
				costumes provenientes de diferentes contextos sociais. Ess a <italic>nov a</italic>
				caracterização tenciona um novo currículo, no qual o jovem seja autor e coautor de
				si, produtor de conhecimento, saberes/cultura.</p>
			<p>O aumento cada <italic>vez</italic> maior de jovens na EJA demonstra mudanças
				significativas na configuração dessa modalidade. Para garantir esse direito, os
				horizontes legislativos no Brasil legitimam a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
				Nacional (<xref ref-type="bibr" rid="B9">BRASIL, 1996</xref>), reduzindo a faixa
				etária dos candidatos do Ensino Supletivo para 15 anos no Ensino Fundamental e 18
				anos para o Ensino Médio. Em con cordância, a Câmara de Educação Básica do Conselho
				Nacional de Educação (CNE/CEB) expediu a Res olução CNE/CEB nº 03/2010 (<xref
					ref-type="bibr" rid="B10">Brasil, 2010</xref>), que determinou também essa idade
				mínima para a matrícula na EJA<sup><xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref></sup>•</p>
			<p>Em se tratando da transição dos jovens da escola regular para a modalidade da EJA,
				Brune!(2014) cita que a juvenilização é decorrente não só da Lei de Diretrizes e
				Bases da Educação Nacional de 1996 (<xref ref-type="bibr" rid="B9">BRASIL,
					1996</xref>) , mas do contexto em que esse aluno está inserido, ou se ja, o meio
				escolar, social e cultural do qual faz parte.</p>
			<p>Todos esses fatores ocasionam uma prática deliberada de transferir adolescentes do
				ensino regular para a Educação de Jovens e Adultos (EJA), incidindo no processo de
				aceleramento do processo de formação escolar. Em lugar de priorizar a criação de
				condições adequadas para que esses adolescentes permaneçam no ensino regular e
				completem sua educação de maneira integral, alguns gestores educacionais e
				defensores do direito à educação consideram a idade mínima estabelecida para
				ingresso na EJA como baixa. Essa percepção equivocada da EJA como uma alternativa
				rápida para obtenção de certificação escolar mascara as causas subjacentes à
				evasão/expulsão e repetência no ensino regular. Além disso , essa transferência é
				interpretada como um meio de corrigir o fluxo educacional, reduzindo os índices de
				distorção idade-série/ano.</p>
			<p>De acordo do <xref ref-type="bibr" rid="B29">Pereira e Oliveira (2018</xref>, p.
				528), &quot;a correção de fluxo tem funcionado como mecanismo de escape, utilizado
				por gestores com o objetivo de evitar as sanções previstas nas políticas de
				responsabilização às escolas e aos professores e profess oras que não alcançam as
				metas de desempenho estabelecidas pelas diferentes esferas do sistema&quot;.</p>
			<p>Em resumo, a prática de transferir estudantes para a EJA não pode ser encarada como
				uma abordagem superficial para problemas mais complexos dentro do sistema
				educacional, negligenciando as questões estruturais que afetam a permanência e o
				progresso dos estudantes no ensino regular.</p>
			<p>Além dos fatores elencados, a configuração pedagógica é um forteelemento que
				proporciona a transição dos jovens à EJA. A organização e a estruturação do ensino
				diurno, com horários incompatíveis com a vida do estudante trabalhador, a quantidade
				de tarefas extraescolares e o currículo rígido são alguns dos elementos que fomentam
				a migração dos jovens para a EJA. Devem-se mencionar também os entraves do sistema
				de ensino regular, cujos arranjos didáticos e curriculares nada flexíveis e
				herméticos configuram-se como fator&quot;que produz trajetórias com interrupções no
				ensino diurno, devido a recorrentes reprovações, o que acaba deixando os estudantes
				desconfortáveise apartados do ensino neste turno&quot; (<xref ref-type="bibr"
					rid="B27">Oliveira; Costa, 2020</xref>, p.52).</p>
			<p>Es te texto apresenta os resultados da pesquisa, desenvolvida no Programa de
				Pósgraduação de Educação de Jovens e Adultos (MPEJA), que teve por objetivo analisar
				as percepções de estudantes do ensino médio da EJA de uma escola pública do Sul da
				Bahia sobre o processo de transição, apresentando os dilemas e desafios
				curriculares. Iniciamos por uma breve discussão sobre a transição do ensino médio da
				EJA e os desafios curriculares correspondentes e, a seguir, apresentamos o estudo e
				suas respectivas conclusões.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Algumas facetas da transição escolar</title>
			<p>A noção de transição, como fenômeno social, é fundamental para compreendermos o curso
				da vida na contempo raneidade, implicando em mudanças constantes e impactantes em
				toda existência - infância, juventude, adulta, velhice (<xref ref-type="bibr"
					rid="B25">Muller, 2013</xref>). Aqui enfocamos uma fase específica, que faz
				parte desse contínuo devir, relacionada à passagem do ensino fundamental para o
				ensino médio na EJA. O que essa mudança significa e implica para os sujeitos?
				Expulsão? Oportunidade? Trata-se de um tema sociológico, pouquíssimo estudado, que
				precisa ser entendido de forma cuidadosa. Importante destacar, desde pronto, que a
				idade, a própria transição e as possíveis oportunidades envolvidas (ou não) são
				categorias muito mais complexas e multidimensionais do que se possa imaginar à
				primeira vista e agregam um contexto de incertezas, inseguranças e crises. Aqui
				estamos falando do jovem da EJA, perpassado por atravessamentos de classe, gênero,
				etnia, dentre outros, que compõem a forma como experienciam o mundo da vida.</p>
			<p>A Antropologia é a fonte nascedoura do conceito de transição, com os estudos sobre os
				rituais de passagem demarcadores da mudança de um <italic>status</italic> para outro
				do indivíduo. Em sociedades ditas &quot;primitivas&quot;, os ritos de passagem
				envolvem sofrimento e celebração que fazem os indivíduos incorporarem a nova fase da
				vida, implicando ruptura com a anterior realidade e a assunção de novos papéis.Tais
				ritos desenvolvem-se com vistas aos indivíduos assumirem direitos e
				responsabilidades e legitimarem-se junto à sociedade.</p>
			<p>A Sociologia traz reflexões sobre o impacto do contexto social e cultural nessa
				transição nas diversas etapas da vida. A noção já conhecida de socialização deve,
				nesse caso, assumir uma dimensão que dê conta de um processo muito mais dinâmico,
				que engloba aprendizagem escolar, a qual não consiste em transmissão e acumulação de
				conhecimento, mas envolve mecanismos complexos de interação com os sujeitos e as
				experiências acumuladas que eles trazem para o cotidiano escolar em termos dos
				capitais - social, cultural, humano, como tão bem discutidos por <xref
					ref-type="bibr" rid="B8">Bourdieu e Passeron (2014)</xref>. Significa dizer que
				atores socializados em condições mais homogêneas teriam reações muito mais
				previsíveis às mudanças. Em comparação, atores com histórias de vida heterogêneas,
				marcadas por contradições, crises e dificuldades de toda ordem têm marcadamente
				momentos de instabilidade e indefinição na mudança da etapa de ensino.</p>
			<p>Estudos mostram que a EJA é frequentemente associada a trajetórias educacionais
				interrompidas, exclusão e vulnerabilidade social, corroborando dificuldades na
				passagem marcadamente para ao ensino médio. Portanto, é crucial considerar as
				desigualdades sociais e as experiências anteriores de aprendizagem dos estudantes
				nessa transição, a fim de promover a inclusão e a valorização de suas vivências. Ao
				contemplar as narrativas que informam este estudo, encontramos as noções de
				responsabilidade, dificuldades diversas, necessidade de independência, dentre
				outras, como se verá a seguir nos depoimentos dos estudantes da EJA e
				ntrevistados.</p>
			<p>Sacristán e Pérez Gomez (<xref ref-type="bibr" rid="B32">1998</xref>), pesquisando a
				transição para o ensino secundário na Espanha, explora o contexto social como de
				fundamental importância para a compreensão do processo de transição no ensino;
				destaca o fenômeno do afrouxamento das redes de sociabilidade estabelecidas com
				professores/as e colegas na passagem do ensino básico para o secundário, o que pode
				ter como consequência distanciamentosfavorecedores da desintegra-
					<italic>ção</italic> do ambiente escolar. Corroborando o autor, <xref
					ref-type="bibr" rid="B1">Abrantes (2005)</xref> considera que as transições
				entre os diferentes ciclos educativos marcam a vida social não somente dos
				estudantes, mas a de seus pais e familiares, sendo um processo social complexo,
				pautado por incertezas relacionadas ao sucesso ou fracasso. Ademais, se estabelecem
				como uma tríade que envolve <italic>inter (ação),</italic> conforme discutido em
				relação às redes de sociabilidade, com possível afrouxamento das mesmas na passagem
				para o ensino médio; mas também o fenômeno da <italic>exclusão,</italic> se as
				possibilidades de insucesso são ampliadas na transição, principalmenteno ensino
				médio. Destarte, o caráter seletivodo sistema escolar reforça seu <italic>modus
					operandi ,</italic> principalmente para jovens e adultos advindos de meios
				sociais menos favorecidos, com trajetórias escolares marcadas pelas
				descontinuidades, por razões de todo tipo. Em crítica ao sistema de ensino como um
				todo, autores discutem exatamente essa instituição como reprodutora da cultura
				dominante, reforçando a própria reprodução das relações de classe (<xref
					ref-type="bibr" rid="B7">Bourdieu; Passeron, 1982</xref>).</p>
			<p>Aqui situamos a problemática da Educação de Jovens e Adultos, marcada por um público
				diversificado, com diferentes idades, experiências de vida e trajetórias escolares,
				o que exige um olhar diferenciado para suas necessidades e demandas educacionais.
				&quot;A educação de adultos é um espaço de diversidade e de experiências diversas,
				de relações intergeracionais, de conhecimento e de diálogo intercult ural&quot;
					(<xref ref-type="bibr" rid="B18">Ga dotti, 2013</xref>, p. 26-27). Esses
				sujeitos, na maioria das vezes, são trabalhadores das mais variadas atividades, com
				históricos de reprova- <italic>ção</italic> e distanciamento escolar, por vários
				motivos, valores e crenças dos grupos, quer sejam:</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] negros , brancos, indígenas, amarelos, mestiços, homens, mulheres , jove
					ns, adultos, idosos, quilombolas , ribeirinhos, pescadores, agricultores,
					pantaneiros, camponeses, sem-terra, sem teto, sem emprego... das periferias
					urbanase dos campos. (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Gadotti, 2013</xref>, p.
					14).</p>
			</disp-quote>
			<p>Esses sujeitos específicos, ou seja, com suas características, gênero, raça, etnia,
				religião, represen tam os muitos perfis encontrados na sociedade: são donas de casa,
				comerciantes, campesinos, autônomos, desemprega dos, boias-frias, sacoleiros,
				camelôs, topiqueiros, manicures, cabeleireiros , mães solteiras, pessoas com
				deficiências físicas e intelectuais, açougueiros, feirantes ou trabalhadores rurais
				temporários (colhedores de cacau, café etc.). Podem ser, ainda, artesãos,
				agricultores, domésticas; habitantes de comunidades tradicionais, assentados da
				reforma agrária, trabalhadores urbanos, como carrinheiros, carpinteiros, varredores
				de rua, trabalhadores do comércio, dos tra nsportes, da saúde e da construção civil
				e coletores de materiais recicláveis, garise profissionais do sexo, trabalhadores do
				serviço doméstico, trabalhadores da limpeza ou da segurança pública, jovens ou
				adolescentes em medidas socioeducativas,enfim, os mais variados segmentos da
				população.</p>
			<p>Nesta direção, a EJA deve ser pensada para sujeitos específicos, como afirma <xref
					ref-type="bibr" rid="B3">Arroyo (2007</xref>, p.7), &quot;educação para sujeitos
				concretos, em contextos concretos, com histórias concretas, com configurações
				concretas&quot;. É inegável que estas pessoas estão efetivamente situadas na
				sociedade e necessitam de políticas públicas afirmativas voltadas para a perspectiva
				da inclusão social, do desenvolvimento cultural e social da pessoa, que atendam aos
				anseios dos sujeitos da EJA, valorizando seus saberes populares, tradicionais e
				ancestra is, para que eles possam adquirir o conhecimento que liberta e transforma
				vidas.</p>
			<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B30">Ribeiro (2011)</xref>, o modo como se dá a
				transição para o Ensino Médio influi diretamente na continuidade ou não dos estudos.
				Dos discentes matriculados no 1º ano do Ensino Médio, cerca de quase 20% repetem
				essa série e cerca de 11 % abandonam os estudos. Por conta disso, essa série é a
				campeã em reprovação e evasão/expulsão.</p>
			<p>Segundo diagnosticou <xref ref-type="bibr" rid="B35">Titton (2010)</xref>, os
				discentesque chegam ao Ensino Médiosentemse incapazes de aprender os conteúdos desse
				segmento de ensino e sofrem com a falta de acolhimento nas escolas, assim como
				reclamam da falta de atividades que favoreçam um maior convívio entre os
				estudantes.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B34">Souza (2019)</xref>, em pesquisa realizada em
				Salvador, observou que os estudantes que procuraram a EJA estavam buscando corrigir
				a distorção idade-série, pois a maior parte declarou ter repetido de ano ou
				abandonado a escola em face das reprovações constantes ou pela necessidade de se
				ausentar para cuidar de um familiar doente.</p>
			<p>Lima (<xref ref-type="bibr" rid="B22">2017</xref>) estudou os estudantes da EJA em um
				município do Rio de Janeiro. Ela observou que muitos discentes que chegam ao Ensino
				Médio passaram por correção de fluxo por apresentarem distorção idade/série. Ela
				destaca que esses educandos &quot;[...] são mais vulneráveis, tendo em vista que o
				percentual de NIS<sup><xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref></sup> é mais
				elevado&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Lima, 2017</xref>, p.13).</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B21">Lebourg, Coutrim e Silva (2021)</xref> trazem alguns
				dados importantes, muitas vezes ignorados no processo de transição para o EJA/EM - a
				separação dos colegas de infância com os quais estudaram por longa data. Muitas
				vezesa ida para o Ensino Médio da EJA os separa dessas pessoas com quem mantém
				importantes laços afetivos, seja por estudarem em escolas ou turnos diferentes. Há,
				ainda, problemas de deslocamento para aqueles que moram em zona rural, que passam
				por estradas sem pavimentação, cujos transportes não vão até seu lugar de moradia,
				obrigando-os a percorrem longos quilômetros para ter acesso ao transporte escolar.
				Como ignorar essas questões?</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B21">Lebourg, Coutrim e Silva (2021</xref>, p.86) ainda
				apontam, quantoà questão da transição escolar para o Ensino Médio/EJA, o fato de que
				a escola oferta &quot;[...] conteúdos disciplinares formais e pouco atrativos e
				problemas com a criação de espaços de sociabilidade que valorizem sua cultura
				extraescolar&quot;.Por conta disso, o estudante que vem das camadas populares, que
				enfrenta problemas socioeconômicosé obrigado a lidar com &quot;o currículo estrito e
				o desconhecimento das cult uras juvenis por parte de gestores, professores,
				professoras e pelo próprio sistema de ensino impedem que muitos estudantes se
				reconheçam na escola e se sintam parte dela&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B21"
					>Lebourg; Coutrim; Silva, 2021</xref>, p. 86).</p>
			<p>A pesquisa sugere que, seja qual for sua conotação, é fundamental criar estratégias
				de apoio à transição, sendo cruciais a compreensão e o auxílio àqueles que enfrentam
				desafios na Educação de Jovens e Adultos. Est udos ressaltam que essa transição
				frequentementenão é desejada; ela se assemelha, em certo sentido, a uma exclusão ou
				expulsão paraa EJA, seja por motivos disciplinares ou administra tivos. Para muitos
				desses sujeitos, essa transição representa também uma migração forçada, onde os
				estudantes são compelidos a abandonar suas escolas de origem devido a diversos
				fatores, como mudanças familiares, deslocamentos geográficos ou instabilidade
				socioeconômica. Essa migração muitas vezes interrompe abruptamente o percurso
				educacional dos estudantes, exigindo que se adaptem a novos ambientes e realidades,
				o que pode impactar significativamente seu desenvolvimento acadêmico e emocional
					(<xref ref-type="bibr" rid="B36">Vida l, 2024</xref>).</p>
			<p>A ilusão da liberdade de escolha no itinerário formativo revela-se como uma cruel
				farsa, especialmente dentro do contexto da EJA, tanto na modalidade em que a oferta
				de cursos durante o turno da noite predomina, quanto no ensino médio
				&quot;regular&quot; noturno.</p>
			<p>Nesse contexto, a falsa sensação de escolha apenas reforça a marginalização dos
				estudantes adultos, negando-lhes uma educação verdadeiramente personalizada e
				inclusiva. A falta de investimento em alternativas educacionais mais flexíveis e
				adaptadas às necessidades dos estudantes adultos perpetua essa injustiça, reforçando
				a ideia de que a educação noturna é, em essência, uma segunda opção, desprovida das
				mesmas oportunidades e recursos oferecidos aos estudantes em horários
				convencionais.</p>
			<p>Diante das diversas nuances que caracterizam a transição para o ensino médio na EJA,
				surge o presente estudo. Nele, a concepção de transição é tomada numa perspectiva
				crítica, com todas as suas tensões nosentido de propor estratégias de apoio voltadas
				a amparar os estudantes já inseridos no contexto da EJA, com o intuito de facilitar
				sua integração nessa nova etapa educacional. Esse enfoque materializase por meio da
				disponibilização de recursos e orientações que visam a auxiliar os educandos a
				enfrentarem os desafios que surgem ao longo do processo educacional na EJA, como a
				transição entre os diferentes níveis de ensino e a adaptação às novas exigências
				curriculares e ambie ntais.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Dilemas e desafios curriculares no processo de transição do ensino fudamental
				para o ensino médio da EJA</title>
			<p>Odesvelamento e a visibilização das diferentes juventudes no currículo da EJA
				implicam em fazer um giro curricular didático e epistemológico. O currículo é um
				território tensionado, em que todos os sujeitos requerem/exigem respeito,
				valorização e reconhecimento (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Oliveira; Costa,
					2020</xref>, p.55). Esse entendimento de currículo aponta para a necessidade e
				urgência de repensar o conhecimento e as práticas curriculares.</p>
			<p>O currículo é um instru mento potente que define o projeto educativo da escola. Para
					<xref ref-type="bibr" rid="B31">Sacristán (2013</xref>, p.18), o currículo é um
				instrumento capaz de&quot;[...] estruturar a escolarização, a vida nos centros
				educacionais e as práticas pedagógicas, pois dispõe, transmite e impõe regras,
				normas e uma ordem que são determinantes&quot;. Isso significa dizer que os
				conteúdos, os procedimentos metodológicos, assim como as diretrizes de uma
				determinada unidade de ensino, são currículo.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B5">Arroyo (2014</xref>, p.167) discute a questão do
				processo de escolha que permeia o ato de construir currículos. Para o estudioso,
				construir um currículo, em especial na EJA, significa &quot;[...] fazer opções,
				sobretudo quando chegam à educação média jovens-adolescentes e adultos populares,
				trabalhadores não pensados para trabalhos e profissões nobres&quot;. Enfatiza a
				questão da juvenilização, da especificidade da EJA. Diante desse pensamento, é
				preciso compreender essa juvenilização da EJA como um campo que pode
				&quot;[...produzir (re)conhecimentos e proximidades, mas també m dist âncias e
				estranhamentos entresujeitos situados em distintos lugares sociais; pesquisadores e
				pesquisados, docentes e estudantes&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Carrano,
					2011</xref>, p.1).</p>
			<p>Se os discentes estão mudando, cabe ao professor repensar o currículo, haja vista
				que</p>
			<disp-quote>
				<p>O currículo, os conteúdos, seu ordenamento e seqüenciação, suas hierarquias e
					cargas horárias são o núcleo fundante e estruturante do cotidiano das escolas,
					dos tempos e espaços, das relações entre educadores e educandos, da
					diversificaçãoque se estabelece entre osprofessores (<xref ref-type="bibr"
						rid="B4">Arroyo, 2011</xref>, p.18).</p>
			</disp-quote>
			<p>Se o currículo se configura como ponto focal do trabalho docente, há que se pensar
				sensivelmente sobre este; caso contrário, como afirma <xref ref-type="bibr" rid="B4"
					>Arroyo (2011)</xref>, o professor poderá ficar limitado ou talvez escravo do
				currículo.</p>
			<p>Dada a complexidade e os desafios do currículo do ensino médio da EJA, é fundamental
				construir estratégias de acolhimento, apoio e respeito às juventudes , pautadas no
				reconhecimento das diferentes culturas juvenis presentes no espaço escolar, bem como
				a superação de preconceitos, hierarquizaçõese subalternizações culturais de
				diferentes saberes. Nesse sentido, <xref ref-type="bibr" rid="B27">Oliveira e Costa
					(2020)</xref> sublinham o diálogo intercultural como possibilidade para a
				construção de um currículo que atenda a cultura juvenil, que respeite as autorias,
				saberes e fazeres de todos os sujeitos.</p>
			<p>Nesta trama e teia curricular, as transições educacionais representam momentos
				críticos na jornada de qualquer estudante, influenciando não apenas seu desempenho
				acadêmico, mas também seu desenvolvimento pessoal e emocional. No contexto da EJA, a
				transição do Ensino Fundamental para o Ensino Médio assume uma relevância
				particular, dadas as características singulares desse público.</p>
			<p>Um dosdesafios mais evidentes na transição do EF para o EM/EJAé a necessidade de
				adaptação a um novo ambiente escolar e a demandas acadêmicas mais complexas. Muitos
				estudantes da EJA retornam à sala de aula após um longo período afastados do sistema
				educacional formal, o que pode gerar dificuldades de readaptação e de acompanhamento
				do ritmo de aprendizado. A mudança na dinâmica escolar e a exigência de maior
				autonomia no processo de estudo representam obstáculos adicionais, especialmente
				para aqueles que enfrentam defasagens de aprendizado.</p>
			<p>Além disso, a questão da autoconfiança e autoestima dos estudantes surge como um
				desafio significativo durante essa transição. A idade avançada, em comparação com os
				colegas mais jovens, pode gerar sentimentos de inadequação e insegurança,afetando
				negativamente o envolvimento e a participação dos estudantes nas atividades
				escolares. A falta de suporte emocional e encorajamento adequado por
				partedoseducadores e da comunidade escolar pode agravar esses sentimentos, tornando
				a adaptação ainda mais difícil.</p>
			<p>Apesar dos desafios, a transição do EF para o EM da EJA também oferece oportunidades
				significativasde crescimento e desenvolvimento para os estudantes. Para muitos
				deles, essa transição representa uma segunda chance de retomar seus estudos e
				alcançar seus objetivos educacionais e profissionais.O ambiente inclusivo e
				acolhedor da EJA pode proporcionar um espaço seguro para explorar novas habilidades
				e interesses, encorajando os estudantes a se engajarem ativamente em sua própria
				jornada de aprendizado.</p>
			<p>Assim, no processo de transição escolar, os desafios se apresentam significativos,
				mas também se revelam como uma oportunidade valiosa para o desenvolvime nto pessoal
				e acadêmico dos estudantes. Torna-se imprescindível que educadores e instituições de
				ensino identifiquem e atendam às necessidades específicas dos estudantes durante
				essa fase crítica,fornecendo um suporte emocional, acadêmico e social adequado. É
				impres cindível a criação de estratégias curriculares que apoiem a persistência por
				meio de &quot;itinerários personalizados baseados em planos de ação tutorial que
				acompanhem e promovam satisfação e desempenho nas atividades e sejam flexíveis e
				adaptados às suas circunstâncias de trabalho, de forma a fortalecer o vínculo do
				aluno com a instituição&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Daza; Llanes,
					Figuera, 2024</xref>, p.06, tradução nossa).</p>
			<p>Enfim, são muitas as barreiras que dificultam a persistência dos estudantes na
				trajetória educativa do ensino médio da EJA: disposicional, institucional e
				situacional. É fundamental que a transição dos discentes demande uma compreensão de
				fatores macro e micro estruturais.</p>
			<disp-quote>
				<p>Os fatores que sustentam que os estudantes persistam extrapolam os fatores
					unicamente escolares (dinâmicas sociais de desigualdades e exclusão,
					responsabilidadesfamiliares, necessidades financeiras e pressões sociais,
					obstáculos s itua cionais), mas também precisamos considerar fatores pedagógicos
					e administrativos escolares (gestão do currículo e da instituição formati va,
					qualidade do ensino, financiamento, disposição dos espaços formativos).
					(Mallows; Costa, 2020, p. 53).</p>
			</disp-quote>
			<p>Sejam quais forem as barreiras, é necessário apoiar os educandos no processo de
				transição e saber quais são os fatores macro e micro que se correlacionam com a
				persistência/abandono/pausa. A persistência é um processo de aprendizagem contínuo
				que dura até o alcance dos objetivos educativos (Ma llows; Costa, 2019; <xref
					ref-type="bibr" rid="B14">Cross, 1974</xref>).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Aspectos metodológicos e perfil dos estudantes</title>
			<p>O estudo que buscou entender as percepções dos sujeitos acerca de processos
				educativos, como no caso dos estudantes da EJA, demanda abordagem de pesquisa que
				busque dar conta das subjetividades,das formas como os indivíduos percebem o mundo e
				suas experiências nele. Desta forma, realizamos uma pesquisa
				exploratório-descritiva, ancorada na metodologia qualitativa, com uso da entrevista
				como ferramenta para compreender as percepções dos educandos acerca da transição do
				ensino fundamental para o ensino médio da EJA de uma escola pública de cidade do
				interior da Bahia. Nosso objetivo foi iden tificar os desafios enfrentados e as
				oportunidades vividas por esses jovens na transição.</p>
			<p>Em se tratando dos estudantes, foi feita uma seleção a partir do quantitativo de
				turmas na escola. Os critérios para inclusão na pesquisa foram: ser estudante da
				EJA/EM, desejar participar e ser estudante residente na zona rural ou urbana. Foram
				selecionados dois estudantes de cada turma, entre as seis existentes no colégio. O
				recorte congregou doze participantes,identificados por pseudônimos atribuídos sem
				qualquer associação prévia ou conhecimento dos participantes,escolhidos de forma
				aleatória em consenso com todos os envolvidos nesteestudo. Em um primeiro momento
				foi aplicado um questionário socioeconômico com os entrevistados.</p>
			<p>Durante a realização da pesquisa, todos os procedimentos éticos e morais foram
				rigorosamente observados, em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo
				Comitê de Ética. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e
				Esclarecido (TCLE) e receberam informações detalhadas sobre a natureza da
				pesquisa.</p>
			<p>Primeiro, buscou-se verificar como os estudantes se identificam quanto a diversos
				aspectos identitários, conforme mostrado na <xref ref-type="fig" rid="f1">Figura
					1</xref>.</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Figura 1</label>
					<caption>
						<title>Perfil dos respondentes conforme autodeclaração</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2358-0194-faeeba-33-75-0136-gf01.tif"
						xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink"/>
					<attrib>Fonte: Pesquisa de campo, 2023.</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>No que diz respeito ao gênero dos estudantes, os dados revelam que 27,3% são do sexo
				masculino, 54,5% do sexo feminino e 18,2% optaram por não informar. Posteriormente,
				buscou-se identificar a que grupo étnico os estudantes declaravam pertencer. Com
				base nas informações coletadas, é possível concluir que a maioria dos discentes se
				identifica como pertencente às etnias negra e parda, indicando que nenhum dos
				educandos se identificou como branco.</p>
			<p>Outra questão do questionário socioeconômico referiu-se às condições de moradia dos
				educandos. Observou-se que a maioria dos estudantes reside em casasalugadas,
				representando 58,3%, enquanto 41,7% possuem moradia própria,conforme evidenciado na
					<xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>. Além disso, foi investigado se a
				residência dos estudantes estava localizada na zona urbana ou rural. Constatou-se
				que 68,3% residem na zona urbana, enquanto 31,7% vivem na zona rural.</p>
			<p>Adicionalmente, buscou-se verificar a inserção dos educandos da EJA no mercado de
				trabalho. Em relação às ocupações, notouse que 59,3% dos estudantes entrevistados
				trabalham como autônomos, alguns estão envolvidos em trabalhos temporários e outros
				possuem empregos com carteira assinada. Além disso, 41,7% dos educandos não estão
				atualmente empregados, conforme exposto na <xref ref-type="fig" rid="f1">Figura
					1</xref>.</p>
			<p>Ao delinear este cenário, começamos a perceber de forma mais estruturada o que o
				cotidiano já indicava : os estudantes da EJA, da sala do Tempo formativo II e do
				Tempo Juvenil, que participaram desta pesquisa, possuem distintas práticas culturais
				e, como resultado, diferentes percepções.</p>
			<p>Os dados coletados foram agrupados conforme temas ou padrões decorrentes
				identificados durante as entrevistas (<xref ref-type="fig" rid="f2">Figura
				2</xref>). Esses agrupamentos incluíram desafios na transição escolar, motivos que
				impulsionaram o retorno aos estudos, experiências de aprend izado, obstáculos
				relacionados ao trabalho, dificuldades educacionais, ambiente educacional da EJA e
				as metodologias pedagógicas adotadas pelos professores e professoras.</p>
			<p>
				<fig id="f2">
					<label>Figura 2</label>
					<caption>
						<title>Categorias de análise para o estudo</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2358-0194-faeeba-33-75-0136-gf02.tif"
						xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink"/>
					<attrib><bold>Fonte:</bold> Autoria própria.</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Importante destacar que a análise das respostas abertas obtidas nas entrevistas em
				profundidade foi realizada a partir da análise de conteúdo (<xref ref-type="bibr"
					rid="B6">Bardin, 1977</xref>). A análise da informação coletada durante a
				investigação é uma tarefa complexa e criativa que reúne rigor e trabalho
				sistemático. As categorias apresentadas a seguir são frutos dodiálogo entre teoria e
				empiria e foram selecionadas no movimento da análise das informações teóricas
				(dedução) e fruto das emergências das informações coletadas através das técnicas de
				pesquisa (indução).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>O que pensam os estudantes sobre a transição para o ensino médio da EJA em Gandu,
				Bahia</title>
			<p>Parte dos resultados obtidos serão aqui apresentados, com foco nas categorias
				elencadas na <xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>. Desta forma, elementos
				que foram sendo suscitados no bojo do processo de transição amalgamam as categorias
				relacionadas ao currículo e práticas curriculares, abandono e persistência escolar,
				como segue.</p>
			<sec>
				<title>Práticas pedagógicas na EJA: desafios e potencialidades curriculares</title>
				<p>A Educação de Jovens e Adultos assume um papelvital na promoção da inclusão
					educacional e na ampliação do acesso contínuo à aprendizagem ao longo da vida.
					No entanto, a efetividade desse processo educacional frequentementese depara com
					desafios complexos, especialmente no que diz respeito às metodologias de ensino
					adotadas nesse contexto específico.</p>
				<p>É fundamental discutir as práticas de ensino-aprendizagem nessa modalidade,
					refletindo sobre a adaptação das abordagens pedagógicas na EJA para impulsionar
					a aprendizagem dos estudantes. Ao considerar a necessidade de uma abordagem
					didática inclusiva, buscou-se a perspectiva dos educandos sobre as metodologias
					utilizadas pelos docentes.</p>
				<p>Diante disso, observam-se as seguintes respostas:</p>
				<disp-quote>
					<p>Às vezes é só atividade no quadro, eu gosto quando o assunto é algo diferente
						(Sâmela, entrevista, 11 de agosto de 2023).</p>
					<p>Muitas vezes eu não aprendo nada, mesmo assim copio tu do (Marcos entrevista,
						11 de agosto de 2023).</p>
				</disp-quote>
				<p>Nesse contexto, as respostas dos estudantes revela ram predominantemente um
					modelo pedagógico baseado em exposições orais e atividades no quadro, porém
					pouco significativo para a construção do conhecimento. Expressar a dificuldade
					em aprender destaca a desconexão entre os tópicos abordados e a realidade dos
					estuda ntes. Assim, é crucial enfatizar a importância do processo de ensino,
					estimulando a criação de estratégias docentes que considerem as necessidades e
					desafios enfrentados pelos discentes da EJA.</p>
				<p>Diante disso, a inovação nas práticas é vital para uma educação de qualidade, não
					apenas focando no conteúdo, mas também considerando a realidade e interesses dos
					estudantes.</p>
				<p>As metodologias de ensino delineiam o que pode e deve ser realizado, ass umindoum
					papel orientador no contexto pedagógico, facilitando a construção do conhecime
					nto entre professores/as e estudantes, especialmente na prática. As narrativas
					dos educandos apontam para a necessidade de criar estratégias de ensino,
					contribuindo para o aprimoramento pedagógico e para uma educação mais inclusiva
					e dinâm ica, alinhada às necessidades dos jovens e adultos que buscam a
					continuidade dos estudos.</p>
				<p>Contrariando algumas visões anteriores , há estudantes que apreciam a metodologia
					escolar, sentem-se à vontade nas aulas e avaliam positivamente o processo de
					aprendizado.</p>
				<disp-quote>
					<p>Temos aulas atraentes, que nos ensina muito. (Berenice, entrevista, 11 de
						agosto de 2023).</p>
					<p>Gosto de ir para escola porque sempre aprendo algo diferente,os professores
						sempre criam uma forma diferente de ensinar. (Marcos, entrevista, 11 de
						agosto de 2023).</p>
				</disp-quote>
				<p>Essas opiniões demonstram, por outrolado, que quando os docentes investem em uma
					variedade de metodologias de ensino estimulam a motivação dos estudantes,
					promovendo sua permanência na escola. A instituição escolar deve proporcionar um
					ambiente educativo, acolhedor e participativo.Assim, compreender claramente o
					que e para quem se está ensinando é essencial para desenvolver metodologias
					educacionais adequadas às especificidadesdos estudantes e ao que eles e elas têm
					em comum.</p>
				<p>Nesse sentido, <xref ref-type="bibr" rid="B4">Arroyo (2011)</xref> defende que os
					saberes, por si só, são insuficientes para garantir uma aprendizagem eficaz.
					Além dos conhecimentos, é crucial adotar uma metodologia que considere a
					realidade dos discentes, suas particularidades no processo de ensino
					-aprendizagem e suas experiências anteriores ao ingresso na instituição.</p>
				<p>Quando questionados se as metodologias os preparam para avançar nos estudos ou
					ingressar no mercado de trabalho, todos afirmaram que sim. Eles mencionaram que
					os docentes utilizam situações reais para elucidar os conhecimentos, aplicáveis
					em suas vidas profissionais.</p>
				<p>Isso apenas reforça a importância de conectar os conhecimentos eleitos como
					escolares com a vidae a realidade dos estudantes. Conhecer as histórias, hábitos
					e experiências diárias dos educandos é fundamental para construir um projeto de
					ensino que atenda às suas reais necessidades. Muitos desses estudantes têm uma
					jornada escolar marcada por idas e vindas; alguns frequentaram a escola desde a
					infância porém, por diferentes motivos, interromperam os estudos e, já ad ultos,
					retornaram.</p>
				<p>Além dessas considerações, os estudantes foram indagados sobre o que a escola
					poderia oferecer para evitar que desistissem dos estudos. Dentre as várias
					respostas, destacam-se aquelas que ressaltam um dos pontos mais importantes na
					discussão sociológica sobre a transição escolar, que se refere às redes de
					sociabilidade, cujo enfraquecimento pode ser fator preponderante para o
					insucesso:</p>
				<disp-quote>
					<p>A escola já oferta o que precisamos, pois há bom relacionamento entre
						estudantes e docentes (André, entrevista, 11 de agosto de 2023).</p>
					<p>Há uma boa merenda e também o Programa Bolsa Presença da Rede Estadual, que
						eu recebo no valor R$ 150,00 mensais de auxílio para permanecer estudando.
						(Érica, entrevista, 11 de agosto de 2023).</p>
				</disp-quote>
				<p>Essas respostas evidenciam aspectos positivos do ponto de vista dos educandos,
					tais como obom relacionamentoentre professores, professoras e estudantes. Para
					além das questões relacionadas às redes de sociabilidade, a condição humana dos
					sujeitos com privações de toda ordem faz ressaltar aspectos relacionados à
					merenda escolar e à bolsa fornecida pelo estado, que, segundo eles, contribuem
					para a assiduidade dos estudantes. Isso ressalta o que já foi apresentado: a
					universalizaçãodo acesso não é suficiente para garantir a presença dos
					discentes. As relações interpessoais , representadas pelo acolhimento do
					professor, a garantia de uma alimentação adequada e até mesmo programas de
					incentivo à permanência, como a bolsa, são ações fundamentais.</p>
				<p>Ao investigar os motivos que levam os estudantes a persistirem na formação
					escolar, em todas as respostas percebe-se a busca por uma vida melhor. Os
					educandos entendem que o mercado de trabalho está cada vez mais exigente,
					demandando maior qualificação. Alguns mencionam o desejo de prosseguir com
					estudos em nível superior para conquistar melhores cargos e remunerações,
					enquanto outros buscam ser exemplo para seus filhos, como expressou a aluna
					Berenice.</p>
				<disp-quote>
					<p>O meu principal motivo é servir de exemplo para o meu filho. Quando ele
						crescer; terá um modelo a seguir.Se algum dia ele pensar em não estudar,
						poderá lembrar que a mãe dele foi um exemplo disso. Esse é o meu objetivo
						principal ao estar aqui hoje; caso contrário, eu não estaria aqui.
						(Berenice, entrevista, 11 de agosto de 2023).</p>
				</disp-quote>
				<p>Uma análise da realidade de vida desses educandos sugere que, para a grande
					maioria deles, a conclusão do ensino médio torna-se um desafio árduo e complexo.
					Isso ocorre devido à jornada diária de trabalho que enfrentam, muitas vezes
					deixando-os exaustos e desmotivados ao chegarem à escola. As demandas do
					trabalho, as responsabilidades familiares e outros fatores restritivos
					provavelmente limitam as oportunidades de concluir os estudos para esses grupos
					considerados heterogêneos do ponto de vista da trajetória escolar, conforme
					refletido, tornando ainda mais difícil a busca por umaocupaçãoque possa melhorar
					sua qualidade de vida. Sobre este tema, estudos mais aprofundados são
					necessários para verificar se tais pressupostos se confirmam.</p>
				<p>Nessa perspectiva, a escola desempenha um papel crucial na aquisição de
					conhecimento e na ascensão social. Esta modalidade de ensino exige um posiciona
					mento especial, uma educação que vá além das disciplinas; que seja capaz de
					auxiliar os estudantes em seu crescimento profissional e na superação de suas
					condições atuais.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Barreiras enfrentadas à persistência naEJA</title>
				<p><italic>A</italic> transição para o Ensino Médio na Educação de Jovens e Adultos
					marca um momento significativo na tra jetó ria educacional dos discentes, reple
					to de desafios que afetam diretamente sua persistência e continuidade nos
					estudos. Durante essa migração, os estudantes da EJA de param-se com diversas
					questões pessoais e situacionais que podem influenciar sua decisão de seguir
					adiante com os estudos. Essas barreiras podem ser class ificadas em
					disposicionais, instit ucionais e situacionais, cada categoria desempenhando um
					papel crucial na compreensão dosobstáculos enfrentados pelos discentes (<xref
						ref-type="bibr" rid="B24">Mallows; Costa, 2019</xref>, <xref ref-type="bibr"
						rid="B14">Cross, 1974</xref>).</p>
				<p>As barreiras disposicionais estão relacionadas às atitudes e percepções
					individuais dos discentes em relação à aprendizagem e ao currículo. É comum que
					muitos estudantes da EJA demonstrem uma postura negativa em relação aos est
					udos, muitas vezes devido a experiências passadas de fracasso escolar ou à falta
					de confiança em suas habilidad es acadê micas. Essa disposição negativa pode
					minar significativamente sua motivação para continua r os estudos e comprometer
					sua persistência na EJA, como ilustra o caso da aluna a seguir:</p>
				<disp-quote>
					<p>Eu fiquei vários anossem estudar porque eu não conseguia aprender. Tudo era
						muito difícil para mim; tinha que cuidar dos meus trêsfilhos e dos afazeres
						de minha casa.</p>
					<p>Não tinha tempo de estudar e não conseguia fazer o dever, que era muito
						difícil. (Berenice, e ntrevista, 11 de agosto de 2023).</p>
				</disp-quote>
				<p>Por sua vez, as bar reira s institucionais estão ligadas aos aspectos
					organizacionais e estru tura is das instituições de ensino da EJA. Isso inclui
					questões como horários de aula inadequados, falta de flexibilidade nos
					currículos e procedimentos burocráticos complexos. Esses obstáculos
					institucionais podem criar dificu ldad es adicionais para os estudantes,
					especialmente aqueles com responsabilidades familiares ou profissionais que
					limitam sua disponibilidade para frequentar as aulas nos horários esta
					belecidos. Essa situação é ilustrada pela experiência do estudante a seguir.</p>
				<disp-quote>
					<p>Chegava muito tarde do trabalho, cansado, em casa e não dava tempo de tomar
						banho para ir para a escola. Resolvi então desistir naquele ano e hoje,
						depois de três anos, vou tentar não desistir. Preciso mostrar para os filhos
						que é importante estudar. (André, entrevista, 11 de agosto de 2023).</p>
				</disp-quote>
				<p>As barreiras situacionais estão relacionadas às dinâmicas sociais mais amplas que
					afetam a vida dos estudantes fora da sala de aula. Isso abrange questões como
					desigualdades socioeconômicas, exclusão social e pressões familiares. Muitos
					estudantes da EJA enfrentam desafios significa tivos , como a necessidade de
					cuidar dos filhos, tra balhar em tempo integral ou lidar com
					condiçõessocioeconômicasdesfavoráveis, o que pode dificultar sua capacidade de
					se dedicar aos estudos de forma consistente, como ilustrado pelo relato do
					estudante a seguir.</p>
				<disp-quote>
					<p>Em 2020, fiquei desempregado e deixei de estudar porque tive que ir para a
						colheita do café em outra cidade para sustentar a minha família. Quando
						retorn ei, achei que não conseguiria alcançar os outros estudantes. Retornei
						este anoe,graças a Deus, estou trabalhando. Espero não desistir. (Marcos,
						entrevista, 11 de agosto de 2023)</p>
				</disp-quote>
				<p>Para superar essas barreiras e promover a persistência dos discentes na EJA, é
					essencial adotar abordagens pedagógicas e estratégias de apoio que levem em
					consideração esses desafios. Isso inclui a implementação de currículos flexíveis
					e adaptáveis, a oferta de horários de aula mais acessíveis, a criação de
					programas de apoio socioemocional e o estabelecimento de parcerias com
					organizações comunitárias para fornecer suporte adicional aos estudantes. Além
					disso, é fundamental envolver os próprios discentes no processo de tomada de
					decisão e garantir que suas necessidades e preocupações sejam ouvidas e
					atendidas. Somente por meio de uma abordagem ampla e sensível às questões
					enfrentadas pelos estudantes da EJA será possível promover uma maior
					persistência e sucesso educacional nesse contexto específico.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Fatores determinantes do abandono escolar na EJA</title>
				<p>O abandono escolar na Educação de Jovens e Adultos é um fenômeno complexo,
					influenciado por diversos fatores interligados. Esta análise propõe-se a
					investigar os elementos determinantes dessa realidade educacional, buscando
					compreender as razões que levam os estudantes a interromperem seus estudos na
					EJA. Essa compreensão é vital para o desenvolvimento de estratégias eficazes de
					prevenção e intervenção.</p>
				<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B2">Arroyo (1997)</xref>, um dos motivos
					frequentes para a evasão escolar entre os estudantes são os desafios pessoais e
					familiares, como a obrigação de trabalhar para contribuir com a renda familiar.
					Isso muitas vezes coloca-os dianteda difícil escolha (opção condicionada) entre
					trabalho e educação, com frequente prevalência do primeiro. Mesmo com o respaldo
					familiar, aqueles que não possuem renda frequentemente abandonam os estudos em
					busca de oportunidades mais promissoras. A evasão esconde um processo de
					expulsão, fruto das desigualdades, e se materializa na negação do direito a
					educação.</p>
				<p>A partir das questões apresentadas, <xref ref-type="bibr" rid="B2">Arroyo
						(1997)</xref> destaca desafios familiares e do trabalho como fatores que
					contribuem para o abandono escolar.Sobre as questões familiares, os sujeitos da
					pesquisa fornecem a seguinte justificativa:</p>
				<disp-quote>
					<p>Eu, porque eu casei, aí cuidei de casa, trabalho; aí depois veio o filho.
						Quando eu engravidei em 2010, desisti; aí depois separei, resolvi voltar de
						novo e agora estou estudando. Depois de 13 anos, voltei a estudar.
						(Berenice, entrevista, 11 de agosto de 2023).</p>
				</disp-quote>
				<p>Analisando as narrativas dos educandos, é perceptível que a estrutura familiar
					muitas vezes impõe responsabilidades extras, como a administração do lar e
					cuidados com os filhos. Em alguns casos, as pessoas redefinem suas prioridades,
					colocando a educação emsegundo plano diante das necessidades imediatas da
					família. Além disso, a falta de apoio do cônjuge para a continuidade dos estudos
					pode influenciar na decisão de abandonar a escola.</p>
				<p>Outro aspecto evidenciado nas falas dos participantes foi quando questionados
					sobre os motivos que os impediram de concluir os estudos no tempo previsto. A
					res po s ta frequentemente citada foi a dificuldade em conciliar o trabalho com
					os estudos. Muitos desses estudantes já estão ativos no mercado de trabalho,
					enfrentando jornadas exaustivas e responsabilidadesprofissionais.A necessidade
					urgente de sustentar a si mesmos ou suas famílias frequentemente se torna
					prioridade, o que resulta em um desafio complexo ao dividir o tempo entre o
					trabalho e os estudos.</p>
				<p>Quando as participantes da pesquisa dizem que casaram ou formaram família e por
					este motivo interromperam os estudos, há que se pontuar que essas participantes
					são mulheres, as quais engravidaram ainda na adolescência e deixaram de estudar
					para cuidar dos filhos. Ou se ja, a necessidade de deixar os filhos em casa
					sozinhos à noite para estudar e</p>
				<disp-quote>
					<p>Voltar a estudar foi muito difícil, porque me denunciaram para o conselho
						tutelar, porque meu marido trabalhava no turno da noite e para eu terminar
						os estudos eu tinha que deixar os dois filhos que eu tenho sozinhos.
						(Lorena, entrevista, 26 agosto de 2023).</p>
				</disp-quote>
				<p>As várias responsabilidades assumidas no serviço do lar, mais uma vez, são
					destacadas pelas estudantes da EJA, que se sentem pressionadas pelo próprio
					contexto da maternidade, ou ainda, em função da própria escola, que não está
					preparada para atender o interesse destes estudantes, compreender suas
					dificuldades, promover um ensino com atividades de assistência domiciliar ou
					possuir espaços berçários.</p>
				<p>Outro impedimento entra em pauta: a questão do trabalho. Sobre esse eixo, os
					estudantes expressaram suas realidades ao narrarem: &quot;Estou estudando hoje
					com essa idade, porque precisei abandonar a escola para trabalhar e ajudar a
					minha família.&quot; (Marta, entrevista, 11 de agosto de 2023).</p>
				<p>Os resultados destacam que a necessidade de trabalhar para auxiliar nas despesas
					familiares e sustentar a família é o principal motivo que leva os estudantes a
					optarem pelo traba lho ao invés da escola, contribuindo para o abandonoou a
					evasão escolar. Como afirma <xref ref-type="bibr" rid="B26">Oliveira
						(1999)</xref>, os estudantes da EJA são oriundos de famílias
					desfavorecidaseconomicamente, com pais não alfabetizados ou com baixo nível de
					instrução escolar, com passagem curta e assistemática pela escola, permeada por
					ingressos e desistências na escola e que precisam traba lhar desde cedo para
					ajudar na manutenção financeira da família ou para ajudar nos afazeres
					domésticos.</p>
				<p>Esses relatos trazem à tona reflexões importantes sobre os desafios enfrentados
					pelos estudantes da EJA, que frequentemente lidam com batalhas pela
					sobrevivência e restrições financeiras. Para muitos, a escola representa um
					refúgio que não apenas supre suas necessidades básicas, mas também fortalece sua
					autoestima e proporciona um ambiente acolhedor. Isso destaca a necessidade de
					considerar as particularidades desse público ao plane jar estratégias de
					acolhimento e ensino, visando uma educação mais inclusiva para todas as
					pessoas.</p>
				<p>Essas narrativas refletem os achados de pesquisas anteriores. <xref
						ref-type="bibr" rid="B28">Paiva (1987)</xref>, <xref ref-type="bibr"
						rid="B13">Carrano (2011)</xref> e Laran jeira, Iriart e Rodrigues (<xref
						ref-type="bibr" rid="B20">2016</xref>) ressaltam que as desigualdades
					sociais impactam mais significativamente os jovens de baixa renda. Muitos deixam
					a escola para contribuir com o sustento familiar e, posteriormente, retornam
					buscando a EJA, mas a rotina exaustiva de trabalho compromete seu desempenho e
					aprendizado.</p>
				<p>Éevidente que questões sociais, econômicas e de gênero são fundamentais.
					Principalmente as mulheres, a maioria delas mães solo, apontam a dificuldade de
					prosseguir em seus estudos devido à falta de suporte para cuidar de seus filhos
					pequenos. Lima e Carvalho (<xref ref-type="bibr" rid="B23">2021</xref>) ressalt
					am a influência direta de elementos como raça, gênero e região do país na
					trajetória educacional dos estudantes.</p>
				<p>Refletir sobre essas questões nos faz compreender que existem várias razões de
					natureza sociocultural, especialmente de cunho econômico, que contribuem para a
					evasão escolar na Educação de Jovens e Ad ultos (EJA). Esses desafios extrapolam
					os limites da sala de aula e transcendem os muros da escola.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec>
			<title>A título de conclusão</title>
			<p>A Educação de Jovens e Adultos é repleta de complexidades e dinâmicas singulares,
				moldadas pelas experiências individuais de seus estudantes. Neste contexto, explorar
				o perfil desses estudantes tornou-se fundamental para compreender os desafios e as
				possibilidades presentes na EJA sob a ótica dos próprios envolvidos. Este estudo
				buscou adentrar esse universo multifacetado, analisando o perfil dos estudantes da
				EJA e examinando os desafios enfrentados e as oportunidades percebidas por eles
				nesse contexto educacional.</p>
			<p>Durante a pesquisa, evidenciou-se que os estudantes da Educação de Jovens e Adultos
				(EJA) enfrentam uma série dedesafios durante a transição do ensino fundamental (EF)
				para o ensino médio (EM) da EJA. A necessidade de adaptação a um novo ambiente
				escolar pode representar um desafio significativo, especialmente para aqueles que
				estiveram afastados da escola por um período prolongado, enfrentando dificuldades de
				reintegração ao contexto educacional. Associadas a esses desafios estão as pressões
				sociais e emocionais, presentes durante a transição do EF para o EM na EJA,
				incluindo expectativas familiares e sociais relacionadas ao sucesso acadêmico, bem
				como o desafio de superar estigmas associados à retomada dos estudos em idade adulta
				e aos históricos de reprovações da educação regular.</p>
			<p>Apesar dos obstáculos mencionados, é relevantedestacar que a transição do EF para o
				EM na EJA também oferece diversas oportunidades aos estuda ntes. Por meio dessa
				transição, os estudantes têm a chance de retomar seus estudos e buscar novos
				objetivos acadêmicos, ampliando seus horizontes educacionais e desenvolvendo
				competências pessoais e profissionais. A conclusão do ensino médio na EJA pode
				preparar esses estudantes para futuras oportunidades, como ingresso no ensino
				superior ou obtenção de certificações profissionais, impulsionando suas perspectivas
				de inserção no mercado de trabalho e de ascensão social.</p>
			<p>No contexto específico da cidade de Gandu, Bahia, identificou-se uma lacuna
				significativa em relação à implementação de pro jetos , ações e estratégias
				específicas de apoio à transição escolar na EJA. Embora os estudantes recebam
				acolhimento por parte dagestão escolar e dos docentes, constatou-se a ausência de
				material didático adequado para auxiliá-los nesse processo crucial de transição.
				Essa falta de recursos educacionais específicos pode representar um obstáculo
				significativo para os discentes, impedindo-os de enfrentar os desafios acadêmicos e
				sociais associados à mudança para o Ensino Méd io.</p>
			<p>Na categoria das barreiras enfrentadas à persistência, a transição do EF parao EM da
				EJA representa um marco importante na trajetória educacional dos estudantes, repleto
				de desafios que podem afetar diretamente sua persistência e continuidade nos
				estudos. Durante essa migração, os estudantes da EJA enfrentam diversas barreiras
				disposicionais, situacionais e institucionais que influenciam na decisão de
				prosseguir com os estudos.</p>
			<p>As barreiras disposicionaisestão relacionadas às atitudes e percepções individuais
				dos estudantes em relaçãoà aprendizagem e ao currículo. Muitos estudantes da EJA
				demonstram uma postura negativa em relação aos estudos, muitas vezes devido a
				experiências passadas de fracasso escolar ou à falta de confiança em suas
				habilidades acadêmicas. Essa disposição negativa pode minar significativamente sua
				motivação para continuar os estudos e comprometer sua persistência na EJA, como
				ilustrado pelo caso da aluna Berenice, que enfrentou dificuldades para conciliar os
				estudos com as responsabilidades familiares. Essas barreiras disposicionais que
				geram atitudes negativas em relação os estudos resultam da interconexãode fatores
				situacionais e institu ciona is que levam os estudantes a internalizarem a cultura
				da expulsão dos processos for mativos.</p>
			<p>Por sua vez, as barreiras institucionais estão ligadas aos aspectos organizacionais e
				estruturais das instituições de ensino da EJA. Isso inclui questões como horários de
				aula inadequados, falta de flexibilidade nos currículos e procedimentos burocráticos
				complexos. Esses obstáculos institucionais podem criar dificuldades adicionais para
				os discentes, como demonstrado pela experiência do aluno André, que enfrentou
				dificuldades para frequentar as aulas devido ao horário conflitante com seu
				trabalho. É importante ressaltar que as desigualdades perpetuadas no processo de
				escolarização demandam leituras estruturais para compreensão da estratificação das
				desigualdades quegeram barreiras à permanência dos estudantes.</p>
			<p>As barreiras situacionais estão relacionadas às dinâmicas sociais mais amplas que
				afetam a vida dos estudantes fora da sala de aula. Isso abrange questões como
				desigualdades socioeconômicas, exclusão social e pressões familiares. Muitos
				educandos da EJA enfrentam desafios significativos, como a necessidade de cuidar dos
				filhos, trabalhar em tempo integral ou lidar com condições socioeconômicas
				desfavoráveis, como exemplificado pelas experiências dos estudantes Marcos e
				Lorena.</p>
			<p>São muitos os desafios no processo de transição do EF para o ensino médio da EJA para
				evitar o abandono. As narrativas dos estudantes evidenciam que a estrutura familiar
				impõe responsabilidades extras, como a administração do lar e os cuidados com os
				filhos. Em alguns casos, as pessoas redefinem suas prioridades, colocando a educação
				escolar em segundo plano diante das necessidades imediatas da família. Além disso, a
				falta deapoio do cônjuge para a continuidade dos estudos pode influenciar na decisão
				de abandonar a escola.</p>
			<p>Outro aspecto destacado pelos educandos é a dificuldade em conciliar o trabalho com
				os estudos. Muitos desses estudantes já estão ativos no mundo de trabalho,
				enfrentando jornadas exaustivas e responsabilidades profissionais. Anecessidade
				urgentede sustentar a si mesmos ou suas famílias frequentementese torna prioridade,
				dificultando a dedicação aos estudos. Essas narra tivas refletem os achados de
				pesquisas anteriores, que ressaltam que as desigualdades sociais impactam mais
				significativamente os jovens de baixa renda.</p>
			<p>Refletir sobre essas questões nos faz compreender que existem várias razões de
				natureza sociocult ural, especialmente de cunho econômico, que contribuem para a
				evasão escolar na EJA. Esses desafios extrapolam os limites da sala de aula e
				transcendem os muros da escola, tornando essencial enfatizar a integração dos
				educandos navida escolar e utilizar de maneira eficaz a riqueza de experiências que
				eles trazem para a sala de aula.</p>
			<p>Desde a perspectiva institucional, para superar barreiras e apoiar oprocesso de
				transição e promovera persistência dos estudantes na EJA, é essencial adotar
				abordagens pedagógicas e estratégias de apoio que levem em consideração esses
				desafios. Isso inclui a impleme ntação de currículos flexíveis e adaptáveis, a
				oferta de horários de aula mais acessíveis, a criação de programas de apoio
				socioemocional e o estabelecimento de parcerias com organizaçõescomunitárias para
				fornecer suporte adicional aos discentes. Além disso, é fundamental envolver os
				próprios estudantes no processo de tomada de decisão e garantir que suas
				necessidades e preocupações sejam ouvidas e atendidas. Somente por meio de uma
				abordagem ampla e sensível às questões enfrentadas pelos estudantes da EJA será
				possível promover uma maior persistência e sucesso educacional nesse contexto
				específico.</p>
			<p>Enfim, o estudo revelou que a transição do EF para o EM da EJA é um fenômeno
				complexo, que requer uma leitura integradora de fatores institucionais,
				disposicionaise situacionais. Em se tratando de questões instit ucionais, a pesquisa
				sinaliza a necessidade de estratégias de acompanhamentoe orientação mais próximas
				dos estudantes para apoiá-los noseu processo de transição. Apesar de a escola contar
				com um coordenador pedagógico, cuja carga de trabalho é considerável, é fundamental
				oferecer um suporte mais individualizado e profissional, auxiliando os estudantes a
				encontrarem o caminho mais adequado para o seu desenvolvimento acadêmico e
				pessoal.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p> A educação Básica, a partir da Lei 9.394/96, está estruturada em três etapas:
					Educação Infanti l, Ensino Fundamental e Ensino Médio. A EJA é uma modalidade de
					ensino que perpassa todos os níveis da Educação Básica. A EJA é destinada
					&quot;a àqueles (as) que não tiveram acesso ou continuidade de estudos nos
					ensinos Fundamental e Méd io na idade considerada própria e constituirá
					instrumento para a educação e a aprendizagem ao longo da vida (<xref
						ref-type="bibr" rid="B9">BRASIL, 1996</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p> De acordo com o Censo Escolar de 2023, a migração dos jovens do ensino Regular a
					EJA vem crescendo. De 2020 para 2021, aproximadamente 107,4 mil estudantes dos
					anos finais do ensino fundamental e 90 mil do ens ino médio migraram para
					EJA.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p> O Número de Identificação Social tem sido utilizado em pesquisas nacionais como
					uma <italic>proxy</italic> da pobreza , pois está associado ao risco de
					vulnerabilidadesocial, em vista de estar relacionado ao Cadastro Único para
					Programas Sociais do Governo Federal, cujos beneficiários são notadamente
					famílias que se encontram na faixa da pobreza ou extrema pobreza (<xref
						ref-type="bibr" rid="B22">Lima, 2017</xref>, p.12).</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>REFERENCIAS</title>
			<ref id="B1">
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					<person-group person-group-type="author">
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							<surname>ABRANTES</surname>
							<given-names>Ped ro.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>As transições entre ciclos de ensino:entre problema social e
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					<source>lnte racções</source>
					<issue>01</issue>
					<fpage>25</fpage>
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					<source>Escola coerente à Escola possível</source>
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						xlink:href="http://mariaellytcc.pbworks.com/f/REVEJ@_0_MiguelArroyo.pdf"
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					&gt;.</mixed-citation>
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					<article-title>Balanço da EJA: o que mudou nos modos de vida dos jovens-adultos
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					<comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
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