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		<journal-meta>
			<journal-id journal-id-type="publisher-id">faeeba</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Rev. FAEEBA - Ed. e Contemp.</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. FAEEBA - Ed. e
					Contemp.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2358-0194</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Universidade do Estado da Bahia</publisher-name>
			</publisher>
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		<article-meta>
			<article-id pub-id-type="doi">10.21879/faeeba2358-0194.2023.v33.n73.p74-90</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigo</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>PESQUISA EM EDUCAÇÃO: DO INDIVÍDUO AO/À GRUPO/REDE INTERNACIONAL
					APONTAMENTOS SOBRE ORIGENS E PERSPECTIVAS</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>RESEARCH IN EDUCATION: FROM THE INDIVIDUAL TO THE GROUP AND
						INTERNATIONAL NETWORK. NOTES ON ORIGINS AND PERSPECTIVES</trans-title>
				</trans-title-group>
				<trans-title-group xml:lang="es">
					<trans-title>INVESTIGACIÓN EN EDUCACIÓN: DESDE EL INDIVIDUO AL GRUPO/ RED
						INTERNACIONAL. NOTAS SOBRE ORÍGENES Y PERSPECTIVAS</trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-9748-5646</contrib-id>
					<name>
						<surname>Bianchetti</surname>
						<given-names>Lucídio</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"/>
					<bio>
						<p>Doutor em Educação (PUC/SP), com estágio pós-doutoral na Universidade do
							Porto, PT. Professor aposentado/voluntário na Universidade Federal de
							Santa Catarina, Programa de Pós-graduação em Educação. Pesquisador 1A do
							CNPq.</p>
					</bio>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-3593-4746</contrib-id>
					<name>
						<surname>Thiengo</surname>
						<given-names>Lara Carlette</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2"/>
					<bio>
						<p>Doutora em Educação (UFSC), com período sanduíche na Universidade
							Autônoma de Barcelona (ES) e estágio pós-doutoral na Universidade do
							Oeste de Santa Catarina. Professora adjunta da Universidade Federal dos
							Vales do Jequitinhonha e Mucuri-Campus Diamantina e do Programa de
							Pós-Graduação em Educação (PPGed/UFVJM).</p>
					</bio>
				</contrib>
			</contrib-group>
			<aff id="aff1">
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal de Santa
					Catarina</institution>
				<institution content-type="original">Universidade Federal de Santa
					Catarina</institution>
			</aff>
			<aff id="aff2">
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha
					e Mucuri</institution>
				<institution content-type="original">Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha
					e Mucuri</institution>
			</aff>
			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>01</day>
				<month>05</month>
				<year>2024</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<season>Jan-Mar</season>
				<year>2024</year>
			</pub-date>
			<volume>33</volume>
			<issue>73</issue>
			<fpage>74</fpage>
			<lpage>90</lpage>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>25</day>
					<month>09</month>
					<year>2023</year>
				</date>
				<date date-type="accepted">
					<day>29</day>
					<month>12</month>
					<year>2023</year>
				</date>
			</history>
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				<license license-type="open-access"
					xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>Neste artigo tem-se como objetivo resgatar alguns aspectos dos passos iniciais da
					organização daquilo que é considerado o embrião da passagem da pesquisa
					individual para a pesquisa de grupos, em direção às atuais redes de pesquisa. O
					foco, inicialmente, são os “Centros Regionais de Pesquisas Educacionais (CRPEs)”
					(1950-1960) e o “Programa de Intercâmbios” (1981-1992), iniciativas induzidas
					por políticas públicas. Num segundo momento, apresenta-se o CAPES-PrInt, como a
					política atual mais expressiva da passagem do grupo para as redes internacionais
					de pesquisa. Para isso, em termos metodológicos, lança-se mão de levantamento de
					literatura, análise de documentos e entrevistas. Destacase a utilização de
					manifestações de Bernardete Gatti, uma das protagonistas envolvidas na
					organização e implementação do “Programa de Intercâmbio” e figura de proa na
					pesquisa educacional brasileira. Em linhas gerais, a pesquisa permite afirmar
					que, do mix dessas experiências pedagógicas e exigências formais, foi/vai se
					criando uma cultura de grupo/rede de pesquisa com potencial de passar da indução
					para a práxis incorporada</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>The objective of this article is to review some aspects of the initial steps in
					the organization of what is considered the embryo of the transition from
					individual research to group research. The article first focuses on the
					“Regional Educational Research Centers (CRPEs)” (1950-1960) and the “Exchange
					Programs” (19811992), which were initiatives induced by public policies. We then
					present CAPESPrInt, which is the most significant current policy involved in the
					transition from research groups to research networks. The methodology involved a
					literature survey, document analysis and interviews. We highlight the use of
					statements by BernardeteGatti, one of the protagonists involved in the
					organization and implementation of the “Exchange Programs” and a leading figure
					in Brazilian educational research. In general, the study allows affirming that
					from the combination of these pedagogical experiences and formal requirements a
					research culture involving groups and networks has been created with the
					potential to move from induction to incorporated praxis.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>RESUMEN</title>
				<p>En este artículo el objetivo es abordar algunos aspectos de los pasos iniciales
					em La organización de lo que se considera El embrión de La transición de La
					investigación individual a La investigación grupal, hacia lãs actuales redes de
					investigación. El foco, inicialmente, fueronlos “Centros Regionales de
					Investigación Educativa (CRPEs)” (1950-1960) y el “Programa de Intercambio”
					(1981-1992), iniciativas inducidas por políticas públicas. E nun segundo
					momento, CAPES-PrInt se presenta como la política actual más significativa em La
					transición del grupo hacia redes de investigación. Para lograrlo, en términos
					metodológicos, se utiliza um mapeo bibliográfico, análisis de documentos y
					entrevistas. Se destaca el uso de declaraciones de Bernardete Gatti, una de las
					protagonistas involucradas em La organización e implementación del “Programa de
					Intercambio” y figura destacada de La investigación educativa brasileña. Em los
					últimos años, lasinvestigacionespermiten afirmar que, al mezclar experiencias
					pedagógicas y requerimientos formales, se creó una cultura de grupo/red de
					investigación con potencial para pasar de La inducción a La praxis
					incorporada.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave</title>
				<kwd>Grupo/rede de Pesquisa</kwd>
				<kwd>Pós-graduação e Pesquisa</kwd>
				<kwd>CAPES/ <italic>PrInt</italic></kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Research Group</kwd>
				<kwd>Research Network</kwd>
				<kwd>Postgraduate Research</kwd>
				<kwd>CAPES/ PrInt</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Palabras clave</title>
				<kwd>Grupo/red de investigación</kwd>
				<kwd>Postgrado e Investigación</kwd>
				<kwd>CAPES-PrInt</kwd>
			</kwd-group>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução<sup><xref ref-type="fn" rid="fn3">1</xref></sup></title>
			<p>A formação de pesquisadores da área de Educação, no Brasil, é a temática central
				deste artigo, que é fruto de um conjunto de pesquisas que vêm sendo realizadas nos
				últimos anos com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
				Tecnológico (CNPq). Desse modo, o que apresentamos ao do longo texto é um recorte
				das análises que viemos desenvolvendo com o objetivo de resgatar alguns aspectos dos
				passos iniciais da organização daquilo que é considerado o embrião da passagem da
				pesquisa individual para a pesquisa de grupos, em direção às atuais redes de
				pesquisa e à perspectiva de internacionalização da PósGraduação induzida pelo
				“Programa Institucional de Internacionalização” (CAPES-<italic>PrInt</italic>). Em
				termos metodológicos, trabalhamos com a análise de documentos e também com dados de
				pesquisa recente sobre o processo de formação e atuação de orientadores de
				dissertações e teses na perspectiva de apreender como se passou da orientação
				individual, espontânea, assistemática, intuitiva, para a orientação coletiva, em
				direção a uma preconizada “pedagogia/didática da orientação” (<xref ref-type="bibr"
					rid="B43">WALKER, THOMSON, 2010</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B34">PEELO,
					2011</xref>), trazendo especialmente os elementos relacionados à criação dos
				grupos de pesquisa e a organização da própria pesquisa em educação no Brasil. Como
				parte desta investigação, além da revisão de literatura, fizemos observação
				participante e desenvolvemos grupo focal com três Grupos de Pesquisa consolidados
				das Regiões Sul, Sudeste e Nordeste, somado a entrevistas com suas líderes.
				Aplicamos um questionário a 1971 líderes de grupos de pesquisa registrados no
				Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq, com 562 líderes respondendo ao
				questionário. Também realizamos entrevistas com Dermeval Saviani e Bernardete Gatti,
				no ano de 2016,considerando seu amplo reconhecimento na comunidade educacional do
				país. Ambos estão incluídos na coletânea “Perfis da Educação”, conforme podese
				constatar em <xref ref-type="bibr" rid="B41">Vidal (2011)</xref> e Garcia
				(2010).</p>
			<p>Considerando o exposto, o foco recairá, inicialmente, sobre as experiências pioneiras
				que fomentaram grupos/redes de pesquisa. Para a análise dos “Centros” e do
				“Projeto”, utilizamos documentos de época, artigos escritos por <xref
					ref-type="bibr" rid="B24">Gatti (1982</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B26"
					>2001</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B25">2005</xref>, 2017), o trabalho de
				Garcia (2010), assim como a entrevista que ela nos concedeu em dezembro de 2016.</p>
			<p>Na segunda parte deste texto, como espécie de ´ponto de chegada´, buscaremos seguir o
				movimento de criação do Programa de Internacionalização (<italic>PrInt</italic>),
				programa este financiado pela CAPES e que visa o aprofundamento da
				internacionalização da educação superior a partir da criação de redes de
				pesquisa.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>O Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais e os Centros de Pesquisas
				Educacionais do INEP</title>
			<p>A partir de 1955 e início dos anos de 1960, são criados o Centro Brasileiro de
				Pesquisas Educacionais (CBPE) e os Centros Regionais de Pesquisas Educacionais
				(CRPEs), como parte da estrutura organizacional do Instituto Nacional de Estudos e
				Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), vinculado ao então Ministério da
				Educação e Cultura. Esta iniciativa, afirma <xref ref-type="bibr" rid="B20">Ferreira
					(2008, p. 279)</xref>, “representou um importante estímulo ao desenvolvimento de
				pesquisas em ciências sociais sobre questões relacionadas à educação brasileira”.
				Segundo a autora citada, este aspecto deu-se tanto “por meio da contratação de
				pesquisadores formados nessa área do conhecimento para integrar seus quadros
				permanentes, quanto pelo financiamento a projetos em ciências sociais elaborados
				fora dessas instituições”.</p>
			<p>Esta é considerada a primeira iniciativa governamental voltada à organização,
				sistematização e ao incentivo a pesquisas que avaliassem, subsidiassem e promovessem
				investigações direcionadas ao mapeamento da situação educacional do país. Um ponto
				forte da iniciativa era o financiamento oferecido aos pesquisadores e às
				instituições para realizarem estas pesquisas.</p>
			<p>Neste período, a relação entre educação e possibilidade de desenvolvimento do país
					(<xref ref-type="bibr" rid="B13">CUNHA, 1975</xref>) era muito forte e
				tornava-se necessário contar com diagnósticos da situação educacional que
				permitissem desenvolver estratégias para a implantação e dinamização da pesquisa
				educacional. Conforme <xref ref-type="bibr" rid="B20">Ferreira (2008, p.
				282)</xref>, “na década de 1950, época de desenvolvimento econômico e social
				fomentado pelo Estado, o Centro Brasileiro e os CRPEs - criados na gestão de Anísio
				Teixeira no INEP - entraram em funcionamento”. De acordo com a autora, o seu
				propósito era “promover a realização de pesquisas em ciências sociais acerca das
				relações existentes entre a educação e os processos de mudança para uma sociedade de
				tipo urbano-industrial, que se estava estabelecendo, em diferentes ritmos, nas
				diversas regiões do país”.</p>
			<p>No final da década de 1950 e início da década de1960, o Brasil encontra-se em um
				momento de grande efervescência econômica, social e educacional. No tocante à
				educação, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, após uma longa discussão
				que se estende por mais de uma década, está no seu processo de finalização e
				promulgação (LDB 4024/61), em um cenário de acirradas disputas entre católicos e
						liberais<sup><xref ref-type="fn" rid="fn4">2</xref></sup> (<xref
					ref-type="bibr" rid="B14">CURY, 1978</xref>).</p>
			<p>É nesse contexto que são criados e entram em funcionamento o CBPE e os CRPEs. O
				Centro Brasileiro tinha sua sede no Rio de Janeiro, a capital federal, e as
				Regionais criadas foram as de São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto
				Alegre. Os Centros foram concebidos como meios para colocar em prática iniciativas
				desencadeadas por, entre outros intelectuais, Anísio Teixeira (1900-1971) em anos
				anteriores quando o INEP foi criado, nos anos de 1930. Em documento que apresenta a
				proposta de criação dos Centros, <xref ref-type="bibr" rid="B40">Teixeira
					(1956)</xref> reafirma o compromisso de fazer do INEP o principal instrumento de
				coordenação e controle da expansão educacional brasileira, entendendo que os Centros
				deveriam promover um programa de pesquisas educacionais em todo o País e de
				assistência pedagógica aos Estados, ao elaborarem e aplicarem instrumentos que
				permitissem contar com dados objetivos e reveladores sobre a educação e estimulassem
				a troca de informações e esclarecimentos. No mesmo documento, enfatizava-se que os
				Centros teriam como objetivo “contribuir para que o Governo possa exercer uma
				liderança estimuladora e criadora no quadro de descentralização administrativa da
				educação, a ser regulamentado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, então em
				votação no Congresso” (<xref ref-type="bibr" rid="B40">TEIXEIRA, 1956</xref>, p. 1).
				Os Centros foram dinamizados por pesquisadores que tinham Lourenço Filho
				(1897-1970), Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro (1922-1997), Florestan Fernandes
				(1920-1995), Luís Pereira (1933-1985) e outros tantos educadores e sociólogos como
				mentores e incentivadores.</p>
			<p>Esses Centros não se tornaram importantes somente no que diz respeito à criação de um
					<italic>ethos</italic> pesquisante onde foram organizados e funcionaram nas
				diversas regiões do Brasil. Foram importantes também no desencadeamento do processo
				de discussão da teoria e da metodologia da pesquisa, bem como da ´entrada´ da
				pesquisa na universidade<sup><xref ref-type="fn" rid="fn5">3</xref></sup>.</p>
			<p>Com o golpe de 1964, muitas iniciativas tiveram que ser abandonadas, suprimidas ou
				passaram a funcionar com outras demandas. As atividades dos Centros, embora
				redirecionadas, foram mantidas até que, finalmente, em 1970, os Centros de Pesquisas
				Educacionais do INEP foram extintos. No entanto, o processo de organização da
				pesquisa no país estava em funcionamento e em momento oportuno, de forma
				gradativa,passaria a emergir novamente, agora com outros protagonistas
				institucionais, porém, com a novidade de fomentar e envolver grupos de pesquisa,
				para sua afirmação e na direção da formação de redes de pesquisadores nacionais e
				internacionais. Entre esses entes estarão indivíduos e grupos no interior das
				universidades, em especial com a criação e expansão da pós-graduação <italic>stricto
					sensu</italic>, formalmente, a partir do Parecer n. 977/65 e da criação de
				Associações, como foi o caso da ANPEd, em meados da década de 1970. Entre
				protagonismos e induções<sup><xref ref-type="fn" rid="fn6">4</xref></sup>- de
				indivíduos, grupos, associações e órgãos governamentais de financiamento e avaliação
				-gradativamente, a história da pesquisa educacional no Brasil vai ganhando contornos
				cada vez mais nítidos. No próximo item veremos mais um dos passos nessa direção.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>O Programa de Intercâmbios (1981-1992)</title>
			<p>Em entrevista concedida a Walter Garcia, a profa. Bernardete Gatti<sup><xref
						ref-type="fn" rid="fn7">5</xref></sup> descreve as inúmeras frentes
				educacionais nas quais se envolveu, de forma protagonista. No que nos interessa
				aqui, ela assim se manifesta: “Muito enriquecedora foi minha participação na
				concepção, com outros pesquisadores, do Projeto de Intercâmbio entre Pesquisadores
				de Educação, para CNPq, FINEP, ANPEd, INEP e CAPES, nos anos 1980, que foi sediado
				pela Fundação Carlos Chagas e o qual passei a coordenar até o seu término, oito anos
				depois” (GARCIA, 2010). Nesta entrevista, ela também faz referência a um artigo
				publicado na <italic>Revista Brasileira de Educação</italic> (n. 30/2005), no qual
				se estende mais demoradamente nas informações e análises sobre esta iniciativa. Em
				continuidade, trazemos elementos desse texto (<xref ref-type="bibr" rid="B25">GATTI,
					2005</xref>) relativos ao Projeto de Intercâmbio, iniciativa tributária das
				atividades de pesquisa desenvolvidas pelos Centros Federal e Regionais de Pesquisas
				Educacionais.</p>
			<p>De acordo com a profa. Bernardete, no início dos anos de 1980, a pesquisa era
				desenvolvida “de modo esparso em universidades e instituições autônomas, públicas ou
				privadas”, a partir de núcleos que tinham condições materiais e humanas diversas.
				Segundo a autora “as dificuldades materiais, pela distância entre os diversos
				Centros, e a falta de tradição de comunicação científica na área da pesquisa em
				educação, que estava começando a tomar corpo, resultava no relativo isolamento
				desses pesquisadores”, o que gerava uma situação em que “deixavam de se beneficiar
				da contribuição e da crítica dos seus pares para e sobre o seu trabalho”.</p>
			<p>A professora analisa que começou a se impor a necessidade de criar “condições para
				incentivar a comunicação e o aperfeiçoamento qualitativo do trabalho resultante”. É
				neste momento, que surge a proposta, elaborada pelos comitês e pelas agências de
				fomento, de “um programa de intercâmbio na área da pesquisa educacional, nos moldes
				do que já havia na área da saúde”. A ideia era, por meio de recursos específicos,
				abrir “o leque de contatos dos pesquisadores e das próprias instituições às quais
				pertenciam”. Objetivava-se, com isto, melhorar “a qualidade da pesquisa educacional
				no país, por meio do aperfeiçoamento dos profissionais envolvidos, da permuta de
				informações e da realização de trabalhos de pesquisa em cooperação”. O meio
				utilizado seria “uma sistemática de intercâmbio com o trabalho face a face de
				pesquisadores das várias instituições envolvidas, bem como pela assessoria a grupos
				emergentes por grupos mais solidamente estabelecidos na área”. Para Gatti, ao
				analisar os documentos da época, é possível aferir que o resultado esperado era “o
				aprimoramento na elaboração teórica das pesquisas, o aprimoramento e a
				diversificação do tratamento metodológico, e, ainda, a criação de condições para a
				realização de pesquisas comparadas ou de trabalhos conjuntos de pesquisa” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B25">GATTI, 2005</xref>, p. 124-5).</p>
			<p>O Programa contou com o apoio de órgãos como CNPq, INEP, CAPES, FINEP e da Associação
				Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd), entidade que havia sido
				criada em 1978.</p>
			<p>O comitê responsável pelos Intercâmbios era formado por pesquisadores de instituições
				com trajetória de pesquisa reconhecida e com representatividade regional. Assim, em
				1981, na primeira reunião realizada para definir os rumos do Programa, participaram
				representantes de seis universidades (UFMT, UFPA, UFRGS, UFSC, UFC, UFPB) e tambémda
				Fundação Carlos Chagas (FCC)<sup><xref ref-type="fn" rid="fn8">6</xref></sup>. Em
				1983, com um número maior de representantes, envolvendo outras IES, foi realizada a
				sua avaliação e uma das conclusões da equipe foi a de que o formato “estágio”
				proposto no Programa foi aquele que alcançou os melhores resultados, dentro dos
				objetivos propostos para o Programa. <xref ref-type="bibr" rid="B25">Gatti
					(2005</xref>, p. 127) explicita em que consistiam esses “estágios”, remetendo-se
				a um documento da ANPEd no qual se definem as intenções e o formato do estágio, a
				saber:</p>
			<disp-quote>
				<p>Entende-se por estágio, no Programa de Intercâmbio, a situação em que
					pesquisador(es) de um Centro responsável por ou participante(s) de uma pesquisa
					em andamento desloca(m)se para outro Centro durante certo tempo e ali entra(m)
					em contato com outro(s) pesquisador(es) envolvido(s) em pesquisa relativa ao
					mesmo problema, ou realizada com a mesma metodologia, ou interessada numa mesma
					teoria, para a troca de experiências e de ideias em situação de trabalho. O que
					se pretende com esse tipo de ação é: a) que pesquisadores envolvidos em
					pesquisas análogas tenham contato pessoal direto e que esse contato se centre
					nos problemas concretos das pesquisas em que estão envolvidos; b) que a troca de
					informações, experiências e ideias realizadas em função de interesses comuns
					representem apoio e estímulo recíprocos para os pesquisadores e que esse contato
					direto tenha continuidade de outros modos, independentemente do Programa; c)
					que, instalado esse intercâmbio, se desenvolva o interesse por outras formas de
					colaboração entre os pesquisadores e entre os Centros, tais como a realização de
					pesquisas comparativas ou de pesquisas em colaboração. (<xref ref-type="bibr"
						rid="B2">ANPEd, 1984</xref>, p. 3, <italic>apud</italic>
					<xref ref-type="bibr" rid="B25">GATTI, 2005</xref>, p. 127).</p>
			</disp-quote>
			<p>Esses estágios, por meio dos quais pesquisadores mais experientes, de instituições
				mais consolidadas,colaboravam com pesquisadores e instituições onde a realização de
				pesquisas era ainda incipiente, tinham como foco temáticas de pesquisa que
				gradativamente se fortaleceram e deram origem a Grupos de Trabalho (GT) da ANPEd.
				Este aspecto ganhou tal espaço que na 10ª Reunião Anual da ANPEd, realizada em 1987,
				definiu-se que se faria a extensão do “Programa de Estágios” a todos os Programas de
				Pós-graduação em Educação vigentes. Podemos dizer que os “Estágios”, realizados em
				estreita articulação com GTs da ANPEd, favoreceram o alcance do principal objetivo
				do Programa de Intercâmbios, ou seja, aproximar pesquisadores experientes dos
				iniciantes, bem como reunir pesquisadores experientes para discutir problemas de
				pesquisa considerados de ponta. Ao avaliar esta perspectiva dos “Estágios”, Gatti
				afirma que sua extensão a todos os Programas de Pós-graduação em Educação e seu
				vínculo com a ANPEd, “deu nova feição aos trabalhos” (2005, p. 130). Segundo a
				autora, após discussão e orientação oriunda da 11ª Reunião Anual da ANPEd, em 1988,
				“a organização dos intercâmbios foi transferida definitivamente para os grupos de
				trabalho, que, apoiados pela direção da Associação, passaram a propor e organizar os
				futuros encontros em função da própria evolução dos GTs e de suas necessidades”. Ao
				analisar a importância do Programa de Intercâmbios, e dentro dele, dos “estágios”,
				para o desenvolvimento da pesquisa em educação, a autora ressalta que,</p>
			<disp-quote>
				<p>dos primeiros encontros à expansão, verifica-se que os participantes nesses
					estágios se consolidaram como pesquisadores-chave em suas subáreas, por suas
					pesquisas, trabalhos e publicações, bem como por seu papel na formação de novas
					gerações de pesquisadores, por meio das orientações de mestrados e doutorados e
					da institucionalização de núcleos de referência em suas instituições (<xref
						ref-type="bibr" rid="B25">GATTI, 2005</xref>, p. 132).</p>
			</disp-quote>
			<p>As avaliações realizadas a respeito do impacto dos “Estágios” foram muito positivas,
				seja por apontarem os ganhos que a estratégia garantia, seja por mostrar aspectos
				que precisavam ser observados e supridos. No geral, é consenso que a sua
				implementação preencheu uma lacuna no que diz respeito ao processo de fazer
				pesquisas e de socializá-las, a fim de criar uma cultura da pesquisa. Tanto os
				pesquisadores individualmente quanto os grupos de pesquisa tiveram a possibilidade
				de criar o “hábito de intercâmbio”, garantindo o “fluxo de trocas” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B25">GATTI, 2005</xref>, p. 131). Na análise de Gatti, o
				entusiasmo presente nas avaliações talvez se deva ao fato de ser a “primeira vez que
				explicitamente se destinavam recursos específicos para atividades de intercâmbio na
				área de pesquisa em educação, de modo sistemático e planejado pelos envolvidos”. A
				autora afirma que isto significou “um investimento a médio e longo prazo, coisa rara
				nas perspectivas de nossas instituições”. (IDEM, p. 132).</p>
			<p>Como decorrência desta iniciativa de intercâmbios para disseminar a cultura da
				pesquisa, iniciativas similares foram tomadas em outras frentes<sup><xref
						ref-type="fn" rid="fn9">7</xref></sup>. No decorrer do próximo subitem
				outras menções a este respeito serão feitas.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A constituição dos grupos de pesquisa na área de educação</title>
			<p>Neste subitem nos concentramos nas manifestações da profa. Gatti, a partir da
				entrevista que nos concedeu no final de 2016. Suas falas são indicadoras dos
				caminhos da pesquisa em educação e dos pesquisadores para organizarem-se em grupos e
				redes de pesquisadores.</p>
			<p>No decorrer da entrevista, as primeiras indicações sobre a constituição de grupos de
				pesquisa na área de educação foram referências ao trabalho realizado pela professora
				Aparecida Joly Gouveia (1919-1998) e por outras colegas que atuavam na FCC. Para
				Gatti, a gênese dos grupos de pesquisa está aí<sup><xref ref-type="fn" rid="fn10"
						>8</xref></sup>:</p>
			<disp-quote>
				<p><italic>Então, quando eu vim aqui para a Fundação Carlos Chagas, logo que fiz o
						meu doutorado, encontrei a ideia de grupo de pesquisa. Nós éramos cinco
						pesquisadores que demos início aqui ao Departamento, mas nós tínhamos
						direito de ter um grupo, tínhamos bolsas e tínhamos que constituir um grupo
						em função dos projetos a desenvolver. Então eu constituí um grupo na área de
						formação de professores.[...]. A ideia de grupo de investigação esteve na
						origem dos nossos trabalhos na FCC, com inspiração da Aparecida Joly Gouveia
						e do José Pastore, da USP, que foram consultores, com apoio da Fundação
						Ford, para montar esse Departamento. Propuseram o esquema de formar grupos
						com um pesquisador coordenador e outros em formação. Porque eles percebiam
						que não dava para avançar no mundo da investigação em educação sem nuclear,
						de modo individualista como predominava, então, no sistema da
						universidade.</italic></p>
			</disp-quote>
			<p>Ao falar sobre o momento atual, remete-se às pesquisas em educação e à formação de
				grupos de pesquisa no final da década de 1970 e início da década de1980. Para Gatti,
				o momento atual é um ponto de chegada de iniciativas anteriores ligadas a órgãos
				governamentais, como foi o caso pioneiro do INEP.</p>
			<p>Gatti continua falando sobre sua inserção no CNPq, como avaliadora de projetos de
				pesquisa. Esta experiência evidenciou que as demandas dos pesquisadores a partir dos
				seus projetos eram predominantemente individuais. E ressalta: <italic>até hoje
					é!</italic> Segue fazendo um relato sobre a sua trajetória neste órgão de
				fomento à pesquisa, indicando que havia um grupo que atuava no setor do CNPq voltado
				para <italic>o desenvolvimento social.</italic> Este grupo procurou atuar dentro de
				uma proposta de organização de projetos de pesquisa coletivos que abrangessem
				temáticas supradisciplinares: <italic>foi nesta integração que surgiu um projeto que
					eu acho que realmente provocou na área de educação a formação de grupos de
					pesquisa</italic>.</p>
			<p>Na sequência, a professora Bernadete faz um longo depoimento sobre os ganhos, a
				consolidação de grupos de pesquisa e as perdas, resultantes das descontinuidades dos
				Programas oriundos de políticas públicas:</p>
			<disp-quote>
				<p><italic>Esse germe nos anos de 1980, me parece que foi muito importante. (...) No
						setor de Desenvolvimento Social seguiu-se na ideia de que nós precisaríamos
						ter uma formação melhor dos nossos grupos de pesquisa. (...) Sobre o
						Programa de Intercâmbio as reuniões eram feitas aqui em São Paulo porque nós
						podíamos oferecer espaço, suporte. Então fazíamos aqui de preferência.
						Trazia os grupos e oferecia o espaço. Aí quem capitaneava a reunião era um
						dos docentes pesquisadores experiente no tema. Eu assisti várias das
						reuniões porque eu estava aqui. Vinha a presidente da ANPEd e representantes
						da Associação nas reuniões. Ali sim foi uma coisa muito interessante. Isso
						depois passamos para a ANPEd e deu origem ao GTs e os grupos estão
						funcionando</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn11"
						>9</xref></sup><italic>. Mas agora acho que falta articulação entre os
						pesquisadores. Nós perdemos essa coisa da articulação. E das redes. E aí os
						grupos começaram a surgir de outras maneiras. Há pesquisadores que estão
						constituindo redes nacionais e cada um trabalha isolado.</italic></p>
			</disp-quote>
			<p>Ao concluir seu depoimento, a professora Bernardete reforça a necessidade de
				aprofundamento teórico na área de pesquisa, um aspecto que as trocas proporcionadas
				pelos grupos de pesquisa podem ajudar e fortalecer, algo necessário na década de
				1980 e mais ainda na atualidade.</p>
			<p>Ao chegar aos dias atuais, o olhar em retrospectiva evidencia inúmeros ganhos para a
				área de Educação,que sequer se constituía como tal na classificação do CNPq até
				inícios da década de 1980, quando estava agregada à área de Psicologia. Houve grande
				expansão dos mestrados e doutorados, com reestruturação e organização dos Programas
				de Pós-graduação em Educação em torno de linhas de pesquisa, visando adequar-se ao
				objetivo da formação de pesquisadores<sup><xref ref-type="fn" rid="fn12"
					>10</xref></sup>. Com a criação do comitê Assessor da Área de Educação<sup><xref
						ref-type="fn" rid="fn13">11</xref></sup>, iniciativas induzidas de
				financiamento, como a dos “Intercâmbios”, foram sendo criadas<sup><xref
						ref-type="fn" rid="fn14">12</xref></sup>. Um número maior de Bolsas de
				iniciação científica, de mestrado e doutorado foram concedidas, somadas ao
				incremento de bolsas por parte da CAPES e das Fundações de Amparo à Pesquisa dos
				Estados. Dotações orçamentárias foram feitas para induzir/apoiar projetos de
				pesquisa de pesquisadores individuais e grupos de pesquisa, visando à estruturação
				de redes de pesquisa nacionais e internacionais<sup><xref ref-type="fn" rid="fn15"
						>13</xref></sup>. Presente nesses esforços está a “ideia que percorrerá a
				década de oitenta que pesquisa se aprende fazendo, no trabalho com equipes
				competentes...” (<xref ref-type="bibr" rid="B27">GATTI, 2017</xref>, p. 160), com
				manifestações em inúmeras frentes nos dias atuais.</p>
			<p>Contudo, se há muito a festejar, em termos de conquistas, não há como deixar de ter
				presente que as mais expressivas tendem para o quantitativo, para a adequação a
				avaliações mais afetas a dados, classificações, <italic>rankings</italic>, levando a
				sacrificar ou secundar o caráter formativo de que as iniciativas deveriam se
				revestir e que as avaliações deveriam promover.</p>
			<p>No próximo subitem, fazemos um salto histórico para focar em um programa público
				indutivo de atuação e formação de pesquisadores na perspectiva da
				internacionalização da educação superior, via pós-graduação: o “Programa
				Institucional de Internacionalização - CAPES-PrInt”. Com isso, nossa intenção é
				levantar a seguinte reflexão: Em que medida o que está sendo proposto e executado é
				tributário de experiências anteriores, representando um adensamento, um patamar
				qualitativo mais elevado na espiral das preocupações e iniciativas voltadas à
				formação de pesquisadores, à execução de pesquisas e à criação de redes?</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>CAPES-PrInt: rede de pesquisadores</title>
			<p>O estímulo à formação de redes de pesquisa internacionais é um dos objetivos do
				Programa CAPES-PrInt, que foi lançado no final de 2017, por meio da portaria nº 220,
				de 4 de novembro de 2017 (<xref ref-type="bibr" rid="B31">MEC/CAPES, 2017</xref>).
				Como percebemos, é um Programa recente, o que limita as possibilidades em termos de
				acesso aos dados de acompanhamento, bem como no tocante a possibilidades de
				adensamento analítico.</p>
			<p>Neste subitem, apontamos alguns avanços na investigação do Programa, com o objetivo
				de analisar a política de formação de pesquisadores e incentivo a grupos/redes de
				pesquisa na atual conjuntura. O subitem está organizado em três subdivisões, a
				partir de elementos que consideramos importantes à compreensão da criação e
				efetivação deste Programa: 1. CAPES-PrInt: antecedentes e caracterização; 2.
				CAPES-PrInt e o estímulo à formação de redes: ‘internacionalizar as redes’ ou ‘redes
				para internacionalizar’?; e 3. As Redes, os pesquisadores e a
				internacionalização.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>CAPES-PrInt: antecedentes e caracterização</title>
			<p>Em termos de origem, o CAPES-PrInt é precedido pelo Programa Ciências sem Fronteiras
				(CsF) (2012-2017), cujo objetivo era promover a consolidação, expansão e
				internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade
				brasileiras. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B30">Leal (2020)</xref>, o
				CAPES-PrInt é elaborado a partir de críticas ao CsF, como consta em relatório da
				Diretoria de Relações Internacionais da CAPES sobre o estado do conhecimento da
				‘internacionalização’ nas universidades brasileiras (<xref ref-type="bibr" rid="B8"
					>CAPES, 2017b</xref>).</p>
			<p>O cenário em que ambos os Programas são lançados é de substanciais mudanças no
				paradigma de educação superior em âmbito global, crescente pressão pela
				internacionalização da educação superior e acirramento da competitividade dos/entre
				países, blocos e universidades - para responder às demandas do mercado e garantir a
				inserção na chamada “economia/sociedade do conhecimento”<sup><xref ref-type="fn"
						rid="fn16">14</xref></sup>.De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B32"
					>Morosini (et al 2023, p. 14)</xref>:</p>
			<disp-quote>
				<p>As políticas de Internacionalização da Educação Superior acompanham o movimento
					de atualização do conceito, pois, conforme a internacionalização adquire maior
					importância no âmbito das IES, a implementação de políticas, planos,
					estratégias, ações e indicadores se torna necessária. Isso porque, “a
					internacionalização não é mais uma questão além da vida acadêmica. Deve estar no
					âmbito das políticas e decisões estratégicas dos conselhos institucionais
					superiores. Ela deixa de ser uma opção e se transforma em uma meta a ser
					alcançada, com razões evidentes para isso (<italic>apud</italic> STALLIVIERI,
					2017, p. 19).</p>
			</disp-quote>
			<p>O objetivo do Programa é colaborar com a implantação da internacionalização da
				educação superior a partir da construção de “um processo mais sólido, focado em
				instituições que já tivessem uma política institucional voltada à
				internacionalização e que demonstrassem potencial para o desenvolvimento desse tipo
				de programa” (<xref ref-type="bibr" rid="B32">MOROSINI et al, 2023</xref>, p.
				15).Neste viés, o <italic>PrInt“</italic>estimula o avanço na internacionalização
				das Instituições de Ensino Superior brasileiras”, visando resultar “na
					<bold>competitividade e visibilidade da produção científica</bold> do País”
				(INFOCAPES, 2018, s/p, destaque nosso). Os objetivos do <italic>PrInt</italic> são:
				fomentar a construção, a implementação e a consolidação de planos estratégicos de
				internacionalização das instituições em áreas do conhecimento priorizadas; estimular
				a formação de redes de pesquisas internacionais; ampliar as ações de apoio à
				internacionalização da pós-graduação; promover a mobilidade de docentes e discentes;
				provocar transformações das instituições participantes em um ambiente
				internacional.</p>
			<p>Dentre as ações previstas e financiadas, via editais, destacam-se: missões de
				trabalho no exterior; bolsas no exterior; professor visitante júnior; professor
				visitante sênior; bolsas no país: jovem talento, pós-doutorado, entre outras
				possibilidades.</p>
			<p>Para concorrer à seleção do <italic>PrInt</italic>, as IES devem: apresentar um plano
				de internacionalização em duas línguas - português e inglês; possuir pelo menos
				quatro (4) programas (dois doutorados) recomendados pela CAPES, com a nota mínima 4;
				definir uma série de instrumentos para fins de “acompanhamento e das avaliações do
				projeto de internacionalização”, o que tem incluído visitas regulares da CAPES às
				IES selecionadas e encontros/<italic>workshops</italic> promovidos pelo órgão e seus
				parceiros, para tratar de temas relacionados ao Programa; estabelecer metas para
				melhoria da qualidade da pós-graduação, com parcerias estratégicas e contrapartidas
				bem definidas, prevendo o fortalecimento de grupos de pesquisa em colaboração
				internacional (INFOCAPES, 2018).</p>
			<p>Percebe-se, assim, a busca de consolidação de uma ‘política de editais
						competitiva<sup><xref ref-type="fn" rid="fn17">15</xref></sup>’ e a
				edificação de um Programa mais voltado para a internacionalização do âmbito
				institucional das IES do que efetivamente dos indivíduos, como ocorreu com o CsF.
					<xref ref-type="bibr" rid="B30">Leal (2020</xref>, p. 154) destaca ainda outras
				diferenças do <italic>CAPES-PrInt</italic> em relação ao CsF: a exclusividade na
						pósgraduação<sup><xref ref-type="fn" rid="fn18">16</xref></sup> e a
				possibilidade de atuação mais autônoma e ativa das universidades, uma vez que os
				comitês gestores passam a gerenciar o financiamento e as próprias IES devem traçar
				seus projetos estratégicos e ‘escolher’ os parceiros internacionais.</p>
			<p>No que se refere à forma de alocação de recursos, o <italic>PrInt</italic>
				materializa a tendência de aprofundamento da diferenciação institucional a partir da
				concentração de fundos em algumas instituições com potencial de tornarem-se de
				‘excelência’ a partir de um regime de base competitiva.</p>
			<p>A explicitação dessas diferenças do <italic>PrInt</italic> em relação ao CsF torna
				evidente que o Programa materializa/expressa tendências a subsidiar a
				internacionalização da educação superior, uma vez que contém as características do
				modelo de Universidade de Classe Mundial (UCM) (<xref ref-type="bibr" rid="B38"
					>SALMI, 2009</xref>).</p>
			<p>Como afirma <xref ref-type="bibr" rid="B30">Leal (2020, p. 154)</xref>:</p>
			<disp-quote>
				<p>A CAPES busca investir na mudança comportamental de um número específico de
					instituições - as que “vêm [...] aproveitando melhor das oportunidades de
					fomento oferecidas [...] [e que portanto] permite[m] uma ação ampla [...]”
						(<xref ref-type="bibr" rid="B7">CAPES, 2017a</xref>, p 43) - para
					transformá-las em ‘universidades de classe mundial’: instituições de pesquisa
					que se apresentam como mais produtivas do ponto de vista da capitalização de
					recursos e que ocupam posições significativas nos <italic>rankings</italic>
					universitários.</p>
			</disp-quote>
			<p>Desse modo, “o foco ocorre naquilo em que o sistema de educação superior e as IES
				selecionadas têm de ‘melhor’, ou seja, aquilo que é mais ‘comercializável’ do ponto
				de vista da capitalização de recursos no contexto da ‘economia global do
				conhecimento’” (<xref ref-type="bibr" rid="B30">LEAL, 2020</xref>, p.159).</p>
			<p>O resultado do primeiro edital corrobora esses argumentos, uma vez que contemplou 36
				IES, a grande maioria da região Sul e Sudeste. Apenas seis são do Nordeste. Nenhuma
				IES da região Norte foi contemplada com financiamento e nenhum PPG com nota 4.</p>
			<p>Em termos gerais, a diferenciação aprofundada pelo Programa induz a criação de polos,
				ambos operando em favor do mercado, o que implica deflagração das diferenciações na
				oferta de educação superior, que reforçam uma lógica excludente, mascarada pela
				falsa democratização do acesso e pela meritocracia.</p>
			<p>Diferenciações interinstitucionais também são potencializadas, uma vez que o enfoque
				sobre a pesquisa em detrimento de outras funções da universidade circunscreve seu
				alcance aos programas de pós-graduação com maior potencial de elevar o
				posicionamento da IES nos ranqueamentos universitários globais pela via, entre
				outros aspectos, das publicações científicas de alto impacto.</p>
			<p>Processo similar ocorre quando se trata da escolha dos parceiros para cooperação
				internacional. No Anexo 1 do Edital do <italic>PrInt</italic> (<xref ref-type="bibr"
					rid="B9">CAPES, 2017c</xref>) estão listados os 26 países<sup><xref
						ref-type="fn" rid="fn19">17</xref></sup>de localização das instituições às
				quais ao menos 70% dos recursos para parcerias devem ser alocados. Os outros 30% dos
				recursos podem ser alocados para parcerias com Instituições de países que não
				constam dessa relação dos países mais desenvolvidos.</p>
			<p>A seleção dos países prioritários para cooperação em rede explicita a concepção de
				internacionalização hegemônica e colonial que instrumentaliza o Programa, deixando
				uma margem muito estreita para a edificação de relações pautadas por outras
				concepções de compartilhamento científico.</p>
			<p>No âmbito da gestão, a aparente desburocratização do financiamento, travestida de
				“autonomia” dos grupos das IES, aprofunda a responsabilização pela eficiência e
				amplia a presença de mecanismos de monitoramento de resultados. Isto é, implica
				maior intervenção estrutural no âmbito da instituição universitária de modo a minar
				a autonomia quanto às formas de interagir internacionalmente.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>CAPES-PrInt e o estímulo à formação de redes: ‘internacionalizar as redes’ ou
				‘redes para internacionalizar’?</title>
			<p>Dentre os objetivos do <italic>PrInt</italic>, destacamos aqueles referentes ao
				estímulo à formação de redes de pesquisas internacionais. Assim, se nas experiências
				dos Centros Regionais de Pesquisas Educacionais (CRPEs) (1950-1960) e do “Programa
				de Intercâmbios” (1981-1992), apresentados anteriormente, vemos a estruturação e a
				consolidação da pesquisa em educação e da formação de pesquisadores a partir da
				criação de grupos de pesquisa regionais e nacionais, o movimento atual, com o
					<italic>PrInt</italic>, orienta-se em direção à internacionalização desses
				grupos a partir da dinâmica das redes de pesquisa. Tais redes são apresentadas como
				formas de “aprimorar a qualidade da produção acadêmica vinculada à pós-graduação”
					(<xref ref-type="bibr" rid="B7">CAPES, 2017a</xref>, p.1).</p>
			<p>A necessidade da criação de redes de pesquisa internacionais, todavia, já estava
				sinalizada em outros documentos da política educacional e de ciência e tecnologia a
				partir de 2000 (<xref ref-type="bibr" rid="B30">LEAL, 2020</xref>). No Plano
				Nacional de Educação (PNE 2014-2020), por exemplo, a internacionalização aparece
				como uma expectativa, notadamente nas estratégias de consolidação de programas,
				projetos e ações com escopo alinhado à internacionalização da pesquisa e da PG; no
				incentivo à atuação em rede; no fortalecimento de grupos de pesquisa e na promoção
				do intercâmbio científico e tecnológico, nacionais e internacionais. O lançamento do
					<italic>PrInt</italic> expressa a materialização desta lógica de
				internacionalização via redes de pesquisa na pós-graduação (<xref ref-type="bibr"
					rid="B30">LEAL,2020</xref>).</p>
			<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B29">Knight (2012)</xref>, a existência de
				redes, associações e projetos internacionais é uma das dimensões do processo de
				internacionalização, bem como a mobilidade acadêmica (estudantes/professores), a
				inclusão de uma dimensão internacional/intercultural e/ou global no currículo e no
				processo de ensino-aprendizagem.</p>
			<p>Em conteúdo sobre o Programa, na página oficial de informações da CAPES (INFOCAPES,
				2018, s/p), a então coordenadora geral de PG da Universidade Mackenzie, uma das
				cinco IES privadas selecionadas para fazer parte do Programa, afirma: “o
					<italic>PrInt</italic> veio ao encontro da nossa tentativa de se aproximar, em
				projetos colaborativos, de países que têm impacto muito maior na ciência”. Ainda de
				acordo com a entrevistada, “o programa vai permitir dar mais visibilidade e projeção
				mundial ao Brasil”.</p>
			<p>Por ora, podemos observar que a formação de redes de pesquisa não expressa o objetivo
				central do <italic>PrInt,</italic> mas apresenta-se como uma dimensão de promoção da
				internacionalização da educação superior. Trata-se, pois, de uma política indutiva
				no sentido de promover parcerias com grupos e pesquisadores internacionais,
				publicações em parceria, internacionalização do currículo, estimular a oferta de
				disciplinas em língua inglesa, dentre outras questões que aparecem de forma
				explícita no Edital do Programa e também no conjunto de orientações para a
				elaboração dos projetos institucionais conforme orientações disponíveis no site do
				CAPES-PrInt. Em estudo recente sobre as estratégias de internacionalização das
				instituições que que fazem parte do <italic>PrInt</italic>, <xref ref-type="bibr"
					rid="B32">Morosini et al (2023, p. 13)</xref> destacam que “é a partir desse
				modelo de rede que a produção técnico-científica internacionalizada se consolida nas
				IES brasileiras que participam do Programa CAPES-PrInt”. Um questionamento
				importante sobre a indução das redes está relacionado ao lugar e aos interesses do
				Brasil na organização das redes de pesquisa internacional.</p>
			<p>Embora seja muito prematura qualquer afirmação e generalização sobre o que as redes
				de pesquisa organizadas via <italic>PrInt</italic> promovem em termos qualitativos,
				cabe alertar que os Organismos Internacionais (OIs) entendem a dinâmica de redes
				como uma alternativa para países menos desenvolvidos. De acordo com documentos
				organizados pela Unesco e pelo Banco Mundial (BM), as redes são formas de os países
				que não compõe o eixo dinâmico do capital “construírem força suficiente em campos
				selecionados, a fim de promover a participação na ciência global<sup><xref
						ref-type="fn" rid="fn20">18</xref></sup>” (<xref ref-type="bibr" rid="B37"
					>SADLAK; CAI, 2009</xref>, p. 66). Assim, tem-se que, “[...] na economia global,
				pequeno significa que você tem que ser focado e ágil, encontrar um nicho e trabalhar
				com parceiros” (IDEM, p. 185).</p>
			<p>Neste mesmo sentido, percebemos que a criação de redes de pesquisa internacionais em
				torno de áreas prioritárias também vem sendo a dinâmica adotada pela União Europeia,
				no âmbito do <italic>Programa Horizonte 2020</italic>, lançado em 2014, e pela
					<italic>Rede de Universidades do Brics</italic>, lançada em 2015 (THIENGO,
				2018). Nos dois movimentos percebemos a busca pela excelência acadêmica e científica
				fundamentada na formação de redes entre universidades de diferentes países-membros,
				a centralidade da pesquisa e, no âmbito da PG, a promoção da mobilidade acadêmica,
				políticas para atração de talentos, estabelecimento de áreas estratégicas, interação
				com o setor produtivo.</p>
			<p>Assim, nos parece que ao <italic>PrInt</italic> cabe a mesma consideração que fizemos
				em pesquisa anterior sobre os Programas acima referidos:</p>
			<disp-quote>
				<p>A introdução de programas promotores de excelência baseados em diferenciação
					financeira, prêmios, fusões e seleções tende a criar um cenário com poucos
					vencedores e muitos perdedores, o que pode desencadear um efeito desmobilizador
					para a maioria dessasinstituições. Outro possível desdobramento estreitamente
					relacionado às questões da investigação científica é o privilégio concedido a
					algumas das dimensões de atividade das IES, neste caso, à pesquisa induzida.
					Assim, a promoção de certos tipos de excelência pode vir a ser feita em
					detrimento da qualidade observada em outras dimensões, porventura menos
					valorizadas em termos de prioridades políticas e institucionais (THIENGO, 2018,
					p. 182).</p>
			</disp-quote>
			<p>Não queremos afirmar com isso que as redes de pesquisa não apresentam potencialidades
				em termos de desenvolvimento científico. Pelo contrário:</p>
			<disp-quote>
				<p>A heterogeneidade dos componentes dos grupos torna o processo de pesquisa
					desafiador e proporciona originalidade e solidez nos resultados, permitindo
					realizar monitoramento para detectar erros ou inconsistências nos dados
					encontrados. No caso de estudantes de graduação e pós-graduação, as redes
					propiciam o acesso a diferentes abordagens do conhecimento e especificidades de
					outros territórios acerca de uma temática específica (<xref ref-type="bibr"
						rid="B32">MOROSINI et al, 2023</xref>, p.13).</p>
			</disp-quote>
			<p>Todavia, como indicamos anteriormente, é preciso destacar que as políticas de
				internacionalização em âmbito global e local induzem mudanças comportamentais em um
				reduzido número de universidades com potencial de contribuir para a inserção do
				país, de forma mais competitiva, no mercado global. Além disso, acirram a
				competitividade intra e entre as IES e tendem a estimular a incorporação de um
					<italic>ethos</italic> internacionalizado em substituição à noção de qualidade,
				ou mesmo, “estreitar” a própria noção de qualidade.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>As Redes, os pesquisadores e a internacionalização</title>
			<p>No edital da CAPES-PrInt está explícito que a efetivação das redes de pesquisa
				internacionais tem também como objetivo (e fim) a atração de corpo docente
				internacional. A questão está diretamente relacionada com a intenção de tornar mais
				ativa a dinâmica de mobilidade internacional estabelecida inicialmente com o
				Programa CsF. <xref ref-type="bibr" rid="B32">Morosini et al (2023)</xref>
				identificam que são centrais a criação e o fortalecimento de redes colaborativas
				como estratégias de internacionalização das IES que fazem parte do
					<italic>PrInt</italic>, o que ocorre a partir das ações, como: missões e visitas
				técnicas, incentivo à atração de pesquisadores internacionais, fomento à criação de
				projetos com participação de docentes e pesquisadores internacionais e instituição
				ou fortalecimento do Programa de Cátedras.</p>
			<p>Neste sentido, compreendemos que o <italic>PrInt</italic> materializa orientações da
				lógica de ‘classe mundial’, segundo a qual “o primeiro, e talvez o mais importante
				determinante da excelência, é a presença de uma massa crítica de estudantes e
				professores de primeira classe” (<xref ref-type="bibr" rid="B38">SALMI, 2009</xref>,
				p. 6). Essa posição é convergente com publicação organizada pela Unesco (<xref
					ref-type="bibr" rid="B37">SADLAK; CAI 2009</xref>), em que estão assinaladas as
				dificuldades para transformar ‘pesquisas excelentes’ em produtos ou serviços
				comercializáveis. Para a Unesco “há evidências crescentes de que os desenvolvimentos
				econômicos dependem cada vez mais de trabalhadores talentosos e altamente
				qualificados, particularmente aqueles que possuem as habilidades científicas e de
				engenharia necessárias”. Como desdobramento, os países têm interesse em atrair
				cientistas ‘de classe mundial’, que “possam ter ideias brilhantes ou estejam prontos
				para investir em novos projetos” (<xref ref-type="bibr" rid="B37">SADLAK; CAI,
					2009</xref>, p. 63). As redes de pesquisa, incluindo instituições de diferentes
				países e também o setor privado, neste contexto, são incentivadas a tornarem-se cada
				vez mais úteis.</p>
			<p>Não se trata, pois, de qualquer docente. De acordo com documento do BM sobre as UCMs,
				os professores “devem ter consciência de sua essência internacional” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B1">ALTBACH; SALMI 2011</xref>, p. 20). Isso significa
				colaborar com colegas que residem em países diferentes, participar de eventos e
				publicações internacionais e, inclusive, estar disponível para mudanças geográficas.
				Outra orientação relevante é a necessidade de conhecimento da Língua Inglesa, já que
				uma das principais marcas das universidades de pesquisa é seu caráter internacional.
				A formatação via Rede de Pesquisa Internacional apresentada pelo
					<italic>PrInt</italic> é, então, orientada nesta perspectiva.</p>
			<p>Sendo assim, a despeito da diversidade e do enriquecimento teórico e metodológico que
				o intercâmbio de professores de outros/outras países/culturas acadêmicas pode
				promover com PPGs e IES brasileiras, cabe questionar: Quais os desdobramentos dessa
				dinâmica para a pesquisa em termos qualitativos? E para a constituição e o
				funcionamento dos/ das grupos/redes de pesquisa? Quais as repercussões dessa
				dinâmica para o corpo docente vinculados aos PPGs e às IES? O que significa, para
				professores e discentes, a obrigatoriedade de desenvolvimento de disciplinas e de
				intercâmbios em língua inglesa? Como situar-se em termos de equanimidade quando as
				relações globais predominantes seguem a (uni)direção norte-sul? E no tocante à
				especificidade das Ciências Sociais e Humanas, em particular, à área de Educação,
				pergunta-se: Qual o lugar da Pesquisa em Educação no CAPES-PrInt? Quantos PPGs em
				Educação fazem parte dos Projetos em desenvolvimento?<sup><xref ref-type="fn"
						rid="fn21">19</xref></sup> Que tipo de avanço qualitativo promove o Programa
				para a formação de pesquisadores na área? E em relação ao Brasil, como garantir que
				esse Programa não seja mais uma ´vítima´ da descontinuidade administrativa e/ou do
				redirecionamento de prioridades, (re)formatadas pelos e para os desígnios do
				mercado, nos quais não cabem as humanidades ou, quando inseridas, o serão
				marginalmente?</p>
			<p>Embora ainda seja prematuro levantar estas questões, dado o histórico das políticas
				de financiamento anteriormente apresentadas, torna-se necessário elencá-las.</p>
			<p>Neste sentido, cabe retomar a pesquisa de <xref ref-type="bibr" rid="B30">Leal
					(2020)</xref> sobre o cenário de internacionalização no Brasil, incluindo o
					<italic>PrInt.</italic> Para a autora, a indução à criação de redes de pesquisa
				tende a dicotomizar os indivíduos/grupos da Universidade em ‘internacionalizados’ e
				‘não internacionalizados’, institucionalizando uma hierarquização entre os docentes
				e os grupos, de modo a legitimar uma ‘elite acadêmica´. A indução, via
					<italic>PrInt</italic>, de alguns centros/grupos de excelência em pesquisa,
				coexiste com a lógica da produtividade e da competitividade científica - quando não
				a induz! -, pautada por formas de avaliação quantitativo-classificatórias que,
				paralelamente às vantagens que traz, intensifica o processo de trabalho e interfere
				na dinâmica do processo formativo da universidade que deveria pautar-se por
				critérios diversos daqueles do mercado.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações finais</title>
			<p>A preocupação com a formação de pesquisadores da área de educação no Brasil é uma
				constante que se desenvolve/modifica ao longo do próprio processo de consolidação e
				expansão do sistema de educação superior no Brasil que, por sua vez, está articulado
				a um processo mais amplo de mudanças na dinâmica capitalista global.</p>
			<p>Como vimos na primeira parte do texto, nas experiências dos “Centros Regionais de
				Pesquisas Educacionais (CRPEs)” (1950-1960) e, especialmente, no “Programa de
				Intercâmbios” (1981-1992), havia uma preocupação em qualificar pesquisadores e
				qualificar teóricometodologicamente as pesquisas. Desse modo, a articulação a partir
				de Grupos de pesquisa assumia, frente a distintas estratégias, um caráter formativo
				com o objetivo de consolidar a produção científica na área. Uma análise mais
				aprofundada permitiria entender o quanto a formação e atuação de grupos e redes de
				pesquisa atuais e a própria organização da ANPEd em Grupos de Trabalho (GTs) -
				assentados na atuação de pesquisadores e de grupos de pesquisa - são tributários das
				referidas iniciativas anteriores.</p>
			<p>Neste sentido, ao olharmos para essas experiências seminais é que problematizamos
				sobre o que pretende o <italic>PrInt</italic> e quais elementos fundamentam a
				dinâmica de rede de pesquisa internacional. Considerando que há um interstício
				temporal significativo entre as propostas analisadas, a escolha do CAPES-PrInt
				deu-se a partir da compreensão de que este Programa expressa, de forma mais avançada
				e também mais atualizada, o lugar da universidade, da pósgraduação e da pesquisa na
				atual conjuntura.</p>
			<p>A condição recente e em andamento do Programa, como inferimos anteriormente, suscita
				cautela em nossas análises. Ainda assim, podemos afirmar quea constituição de redes
				de pesquisadores tem como objetivo precípuo a internacionalização e não o contrário,
				o que reforça uma filosofia determinística e reducionista por trás da ideia de
				‘internacionalização como imperativo’, suscitando que os membros da comunidade
				universitária sejam concebidos como instrumentos de efetivação de uma determinada
				‘internacionalização’ requerida ao ajustamento a uma suposta “necessidade
				global”.</p>
			<p>Nesse mesmo sentido, podemos afirmar que a perspectiva de internacionalização adotada
				pelo CAPES-PrInt é hegemônica e está “imersa na matriz cultural do poder colonial,
				que reforça geografias desiguais de poder, de saber e de ser”, o que promove a
				“reincidência de um viés mimético e reprodutivo, que nega o lócus da inserção
				regional e reforça a ideia dicotômica Norte-Sul, com todas as mazelas coloniais que
				enseja” (<xref ref-type="bibr" rid="B30">LEAL, 2020</xref>, p.148 ).Tais
				considerações apontam para questões, como: A quem serve essa internacionalização? O
				que promove efetivamente a articulação em rede? O que significa, em termos de
				formativos, a interação prioritária com determinados tipos de
				conhecimentos/países?</p>
			<p>Assim, se em retrospecto vimos, ainda que com algumas contradições, a consolidação da
				pesquisa em educação a partir de 1950-60, e de forma mais contundente na década de
				1980, a partir da emergência dos grupos de pesquisa, hoje, estaríamos acompanhando
				um salto qualitativo com a criação de redes internacionalizadas, ou seria esse o
				esfacelamento da pesquisa na área pela falta de ‘prioridade’ ou ‘mérito’
				internacional?</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>1</label>
				<p>Texto revisado por Maria Elisa Reis Luciani.Traduções realizadas por Jeffrey Hoff
					(inglês) e Hildegard Susana Jung (espanhol)</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>2</label>
				<p>Este fato, por si só instigador, é acompanhado pela atuação engajada dos
					professores e teóricos da educação, com o Movimento de Educação de Base (MEB); a
					disseminação dos primeiros resultados da alfabetização de adultos proposta por
					Paulo Freire (1921-1997) a partir de método próprio; os debates em torno da
					proposta paradigmática da Universidade de Brasília (<xref ref-type="bibr"
						rid="B35">RIBEIRO, 1969</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B42">VILAR e
						CASTIONI, 2012</xref>), entre outros.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>3</label>
				<p>Recorde-se que a pouca pesquisa que era feita anteriormente à criação dos Centros
					era produzida em Institutos de Pesquisa (<xref ref-type="bibr" rid="B45">WEBER,
						2011</xref>). <xref ref-type="bibr" rid="B17">Ferraro (2005</xref>, p. 49)
					afirma que no campo educacional “o pouco de pesquisa que se podia identificar às
					vésperas da indução da pós-graduação na área vinha em grande parte de fora da
					universidade”. Nas áreas de Sociais e Humanas a preocupação voltava-se à
					formação de professores, ganhado destaque aí as “missões universitárias”,
					especialmente da/na USP e na Universidade do Distrito Federal que “consistia no
					agrupamento de professores iniciantes em torno de um professor sênior” (p. 25).
					A estrutura da cátedra dificultava interações com outros grupos e o
					desenvolvimento de trabalhos interdisciplinares. As “missões” mais conhecidas
					são as francesas na USP e na UDF, nos anos de 1930 a 1950 (<xref ref-type="bibr"
						rid="B18">FERREIRA, 1999</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>4</label>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B17">Ferraro (2005</xref>, p. 51) ao falar da criação
					da ANPEd referese a um “parto induzido”, por parte da CAPES. Acrescenta que,
					nominalmente, nos primeiros anos a Associação era de “pós-graduação”. A
					“Pesquisa” foi inserida quatro anos após a criação da Associação.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>5</label>
				<p>Entre os anos de 1971 e os dias atuais a professora Bernardete esteve vinculada à
					Fundação Carlos Chagas, inicialmente como pesquisadora, depois coordenadora do
					Departamento de Pesquisas Educacionais (hoje extinto), Superintendente de
					Educação e Pesquisa (GARCIA, 2010) e Diretora Vice-Presidente da Fundação Carlos
					Chagas (FCC). Foi membro e presidiu o Comitê Científico da Área de Educação do
					CNPq e Coordenadora da Área de Educação da CAPES. Em 2014 assumiu como Diretora
					Vice-Presidente da Fundação Carlos Chagas, orientando e respondendo pelas ações
					do setor de Pesquisa e Educação. Participa de comitês científicos de várias
					revistas nacionais e internacionais. Em 2016 foi eleita Presidente do Conselho
					Estadual de Educação de São Paulo.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>6</label>
				<p>No livro <italic>Uma História para Contar: a Pesquisa na Fundação Carlos
						Chagas</italic>, de <xref ref-type="bibr" rid="B11">Costa et al
						(2004)</xref>, estão contemplados aspectos relacionados a importância desta
					Instituição para a avaliação e a pesquisa educacional no Brasil. </p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>7</label>
				<p>Sem dúvida a mais visível das frentes é a dos Grupos de Trabalho (GT) da ANPEd,
					como veremos adiante. Em outras frentes, a título de exemplo, e como confirmação
					da disseminação da cultura dos intercâmbios e das trocas interinstitucionais,
					encontramos no Plano Estratégico (2006-2011) da Associação Nacional de Política
					e Administração Educacional (ANPAE) o objetivo de “estimular e promover a
					colaboração, a cooperação e o intercâmbio de estudos e experiências nas suas
					áreas com outras associações, instituições e organizações, constituindo-se como
					fonte de consulta e troca de informações”.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>8</label>
				<p>As manifestações a seguir, retiradas da entrevista que nos foi concedida por
					Bernardete Gatti, serão assim referenciadas: Quando o excerto exceder quatro
					linhas será destacado com recuo de 2,5cm, em letra tamanho 11, itálico, espaço
					simples. Quando o excerto for de até três linhas será mantido no corpo do texto,
					com letra tamanho 11 e em itálico, sem aspas. </p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn11">
				<label>9</label>
				<p>Atualmente a ANPEd conta com 23GTs.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn12">
				<label>10</label>
				<p>A atuação, entre outros, de Dermeval Saviani e Bernardete Gatti, foi decisiva na
					organização e nofuncionamento do Comitê Científico da Área de Educação do CNPq
						(<xref ref-type="bibr" rid="B41">VIDAL, 2011</xref>; GARCIA, 2010).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn13">
				<label>11</label>
				<p>Além dos “Intercâmbios”, inúmeras iniciativas poderiam ser elencadas no processo
					de indução de políticas públicas na Área de Educação. Para ficar apenas nas mais
					recentes: o Programa “Observatório de Educação”, a partir de 2006, para
					financiar projetos de estudos e pesquisas na área de educação, com recursos da
					INEP e CAPES; a organização da “Nova CAPES”, a partir de 2008, voltada à
					formação de professores e pesquisadores da e para a Educação Básica (<xref
						ref-type="bibr" rid="B36">RISTOFF e BIANCHETTI, 2012</xref>). Pode também
					ser citado o “Programa Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT/
					CNPq/CAPES;BNDES/FAPs)”. Porém, as Áreas de Ciências Sociais e Humanas,
					institucionalmente, pouco foram contempladas por este último Programa. Um dos
					poucos beneficiados é o “Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Inclusão
					no Ensino e na Pesquisa (INCTI)”, com sede na UnB, uma rede de pesquisadores que
					foi criada a partir da inclusão de cotistas na Educação Superior. Uma segunda
					rede nacional de pesquisadores das áreas de Sociais e Humanas é o INCT de
					“Violência, Democracia e Segurança Cidadã”, ancorado na USP. </p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn14">
				<label>12</label>
				<p> Em texto de meados da década de 1980, Brandão é cética em relação ao fato de a
					pós-graduação ser considerada geradora de pesquisas. Afirma que as “dissertações
					de mestrado, em seu conjunto, não representam, a não ser excepcionalmente,
					atividades de pesquisa”. Segundo a autora, “qualificá-las como pesquisas, é
					desqualificar a pesquisa...” (1986, p. 25). Sua hipótese é a de que a expansão
					da Pós-graduação não se fez acompanhar na melhoria qualitativa da Pesquisa no
					Brasil. Em texto de 1990, Warde, referindo-se aos ´produtos´ da pós-graduação
						<italic>stricto sensu</italic>, afirma que “gerar dissertações e teses e
					titular quadros” é algo diverso de gerar pesquisa (<xref ref-type="bibr"
						rid="B44">1990</xref>, p. 70).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn15">
				<label>13</label>
				<p> Cabe destacar que esses avanços ocorrem dentro da lógica de diferenciação de
					áreas de pesquisa. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B33">Oliveira
						(2003)</xref>, durante a década de 1990, por meio dos fundos setoriais, o
					CNPq passou a promover a formação de especialistas, mestres e doutores em áreas
					de interesse dos setores a que estão vinculados esses fundos. Assim, o Comitê
					Gestor dos fundos passou a definir as/osáreas/ temas em que há necessidade de
					formação de especialistas e os recursos são liberados para que este órgão possa
					operacionalizar o processo de formação. Neste mesmo sentido, ocorre a
					implantação de Institutos de Pesquisa de Padrão Internacional (Institutos do
					Milênio), os quais são criados com o objetivo de situarem-se na dianteira do
					conhecimento científico, especialmente nas áreas do conhecimento consideradas
					estratégicas. Outro movimento importante nesse contexto é a criação, em 2008, do
					Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), coordenado pelo Ministério da
					Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e gestado operacionalmente
					pelo CNPq, em articulação com outras entidades que contribuem com recursos
					financeiros para o programa. Os INCTs têm como metas, em termos nacionais:
					mobilizar e agregar, de forma articulada, os grupos de pesquisa em áreas de
					fronteira da ciência e em áreas estratégicas para o desenvolvimento sustentável
					do país; impulsionar a pesquisa científica básica e fundamental competitiva
					internacionalmente; estimular o desenvolvimento de pesquisa científica e
					tecnológica de ponta associada a aplicações para promover a inovação e o
					espírito empreendedor, em estreita articulação com empresas inovadoras, nas
					áreas do Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec).Autor (2018), a partir de
					dados do CNPq, afirma que de 2009 a 2014 o Programa lançou dois editais, criou
					126 Institutos e 27 convênios com um recurso global de 863,51 milhões de reais.
					Considerando a alocação dos recursos em cada uma das linhas de atuação do
					Programa, destaca-se a linha de Desenvolvimento Tecnológico e Industrial, que
					abarcou mais de 50% das bolsas.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn16">
				<label>14</label>
				<p>Essas mudanças na educação superior são pautadas pelo referencial neoliberal, no
					âmbito da mundialização do capital e das novas formas de governança educacional
						(<xref ref-type="bibr" rid="B21">FERREIRA, 2009</xref>). Nesta lógica,
					destacam-se como outros mecanismos de ‘pressão’ os <italic>rankings
						acadêmicos</italic> e o modelo de Universidade de Classe Mundial (UCM)
					difundido pelos Organismos Internacionais (OI) e seus
					<italic>experts</italic>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn17">
				<label>15</label>
				<p>A estratégia ampara-se em uma base competitiva mais explícita: coloca as IESe os
					PPGs brasileiros para disputar os recursos disponíveis, do mesmo modo que
					estabelece critérios que excluem a maior parte das instituições universitárias
					do país. O mesmo ocorre com o <italic>Programa Horizonte 2020</italic> da União
					Europeia e a <italic>Universidade do Brics</italic>, como se pode ver em Autores
					(2019a e b).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn18">
				<label>16</label>
				<p>A centralidade da PG não é novidade se considerarmos o desenvolvimento deste
					nível de ensino nas últimas duas décadas no Brasil. Isso porque, de acordo com
					Silva Junior (<xref ref-type="bibr" rid="B39">2017</xref>, p. 224), a PG
						<italic>stricto sensu</italic> pode ser considerada “o polo irradiador da
					lógica da excelência acadêmica, a partir da regulação, controle e indução da
					CAPES, CNPq, FINEP, e Fundações Estaduais de apoio à pesquisa”.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn19">
				<label>17</label>
				<p>São eles: África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica,
					Canadá, China, Coréia do Sul, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos da América,
					Finlândia, França, Índia, Irlanda, Itália, Japão, México, Noruega, Nova
					Zelândia, Países Baixos, Reino Unido, Rússia, Suécia e Suíça.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn20">
				<label>18</label>
				<p>Um dos capítulos do referido documento produzido pela Unesco (<xref
						ref-type="bibr" rid="B37">SADLAK; CAI, 2009</xref>), inclusive, tem como
					objetivo discutir o papel das pequenas nações e suas universidades na economia
					global do conhecimento, bem como examinar alternativas estratégicas para os
					tomadores de decisão destes países se adaptarem aos <italic>rankings</italic>,
					uma vez que deve ser considerada “a incapacidade das pequenas nações e de suas
					universidades para competirem em condições de igualdade no recrutamento e na
					prestação continuada de recursos para atrair e desenvolver pesquisadores com
					altos índices de citação ou ganhadores de importantes prêmios” (<xref
						ref-type="bibr" rid="B37">SADLAK; CAI, 2009</xref>, p. 187)</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn21">
				<label>19</label>
				<p>Em contato com a CAPES, nos foi informado de que não há detalhamento dos PPGs
					participantes, sendo a única forma de conseguir tais informações o contato
					direto com as 36 instituições selecionadas nos editais. </p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>REFERÊNCIAS</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>ALTBACH. P; SALMI, J. <italic>El camino hacia La excelência
						académica:La constitución de Universidades de Investigación de Rango
						Mundial</italic>. Tradução para o espanhol: EdicionesGondo e Banco Mundial.
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				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ALTBACH.</surname>
							<given-names>P</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>SALMI</surname>
							<given-names>J.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>El camino hacia La excelência académica:La constitución de Universidades
						de Investigación de Rango Mundial</source>
					<comment>Tradução para o espanhol: EdicionesGondo e Banco Mundial</comment>
					<publisher-loc>Washington, EUA</publisher-loc>
					<publisher-name>Banco Mundial</publisher-name>
					<year>2011</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>ANPEd - Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa. Documento
					sobre o Programa de Intercâmbio (datilografado), 1984.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>ANPEd - Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa</collab>
					</person-group>
					<source>Documento sobre o Programa de Intercâmbio (datilografado)</source>
					<year>1984</year>
				</element-citation>
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					relação tão delicada. Curitiba, UFPR/PPGE. Projeto de pesquisa - PQ/ CNPq, em
					desenvolvimento, 2014.</mixed-citation>
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					<article-title>Orientação de Doutorado e contratransferência: uma relação tão
						delicada</article-title>
					<source>Curitiba, UFPR/PPGE</source>
					<comment>Projeto de pesquisa - PQ/ CNPq, em desenvolvimento</comment>
					<year>2014</year>
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			</ref>
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						culturais</italic>. Curitiba: W.A. Editores, 2016, p.
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					<person-group person-group-type="editor">
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					<source>Diálogos epistemológicos e culturais</source>
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