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	<front>
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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">faeeba</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Rev. FAEEBA - Ed. e Contemp.</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. FAEEBA - Ed. e
					Contemp.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2358-0194</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Universidade do Estado da Bahia</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi"
				>10.21879/faeeba2358-0194.2023.v33.n73.p124-136</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigo</subject>
				</subj-group>
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			<title-group>
				<article-title>PRÁTICAS LOCAIS DE INTERNACIONALIZAçÃO: GESTÃO FINANCEIRA E
					SOCIOPOLÍTICA DO PROGRAMA CAPES-PRINT</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>LOCAL PRACTICES OF INTERNATIONALIZATION: CAPES-PRINT PROGRAM’S
						FINANCIAL AND SOCIOPOLITICAL MANAGEMENT</trans-title>
				</trans-title-group>
				<trans-title-group xml:lang="es">
					<trans-title>PRÁCTICAS LOCALES DE INTERNACIONALIZACIÓN: GESTIÓN FINANCIERA Y
						SOCIOPOLÍTICA DEL PROGRAMA CAPES-PRINT</trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-4614-8687</contrib-id>
					<name>
						<surname>Alves</surname>
						<given-names>Daniela Alves de</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"/>
					<bio>
						<p>Daniela Alves de Alves é doutora em Sociologia pela UFRGS. Professora
							associada do Departamento de Ciências Sociais e docente do Programa de
							Pós-graduação em Educação, ambos da Universidade Federal de Viçosa. É
							coordenadora do Laboratório de Estudos de Ciência, Tecnologia e
							Sociedade (LECTS). E-mail: <email>danielaa.alves@ufv.br</email></p>
					</bio>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-2770-721X</contrib-id>
					<name>
						<surname>Mourão</surname>
						<given-names>Victor Luiz Alves</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2"/>
					<bio>
						<p>Professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de
							Viçosa. Doutor em Sociologia pelo Instituto de Estudos Sociais e
							Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Coordenador do
							Laboratório de Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade (LECTS).
							Email: <email>vmourao@ufv.br</email></p>
					</bio>
				</contrib>
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				<institution content-type="orgname">Universidade Federal de Viçosa</institution>
				<institution content-type="original">Universidade Federal de Viçosa</institution>
			</aff>
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				<institution content-type="original">Universidade Federal de Viçosa</institution>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>01</day>
				<month>05</month>
				<year>2024</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<season>Jan-Mar</season>
				<year>2024</year>
			</pub-date>
			<volume>33</volume>
			<issue>73</issue>
			<fpage>124</fpage>
			<lpage>136</lpage>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>26</day>
					<month>09</month>
					<year>2023</year>
				</date>
				<date date-type="accepted">
					<day>11</day>
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					<year>2024</year>
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				<license license-type="open-access"
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>O presente trabalho visa apresentar, a partir de uma perspectiva crítica, uma
					análise sobre o Programa Capes-PrInt, política que busca promover a
					institucionalização da internacionalização em universidades brasileiras. Para
					tal utilizamos metodologia qualitativa, que envolve análise documental e a
					realização de entrevistas com membros do comitê gestor de quatro universidades
					brasileiras partícipes do programa. Como resultado indicamos que a
					internacionalização se mostra como atributo altamente legítimo de avaliação da
					qualidade da produção acadêmica, funcionando como ponto central de definição
					referente a alocação de recursos científicos. O Programa Capes-PrInt vem
					promovendo uma dinâmica institucional que envolve a descentralização da gestão
					de recursos científicos aliada a sua concentração em universidades, programas e
					grupos de pesquisa estabelecidos, promovendo sua consolidação em detrimento de
					grupos com perfis menos internacionalizados ou com vinculações regionais e
					locais.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>This work aims to present, from a critical perspective, an analysis of the
					Capes-PrInt Program, a policy to promote the institutionalization of
					internationalization in Brazilian universities, formulated and implemented since
					2016 and currently in force. To this end, we used document analysis
					methodologies and interviews with members of the management committee of four
					Brazilian universities participating in the Capes-PrInt program. As a result, we
					indicate that internationalization appears to be a highly legitimate aspect of
					evaluating the quality of academic production, functioning as a central
					criterion of definition regarding the allocation of resources. The Capes-Print
					Program has been promoting an institutional dynamic that involves the
					decentralization of the management of scientific resources combined with their
					concentration in <italic>status quo</italic> universities, programs and research
					groups, promoting their consolidation to the detriment of groups with less
					internationalized profiles or with regional and local links.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>RESUMEN</title>
				<p>Este trabajo tiene como objetivo presentar, desde una perspectiva crítica, un
					análisis del Programa Capes-PrInt, una política para promover la
					institucionalización de la internacionalización en las universidades brasileñas,
					formulada e implementada desde 2016 y actualmente vigente. Para ello, utilizamos
					metodologías de análisis de documentos y entrevistas con miembros del comité
					directivo de cuatro universidades brasileñas que participan en el programa. Como
					resultado, indicamos que la internacionalización parece ser un aspecto altamente
					legítimo de la evaluación de la calidad de la producción académica, funcionando
					como un criterio central de definición respecto de la asignación de recursos. El
					Programa Capes-PrInt viene promoviendo una dinámica institucional que implica la
					descentralización de la gestión de los recursos científicos combinada con su
					concentración en universidades, programas y grupos de investigación
					establecidos, promoviendo su consolidación en detrimento de grupos con perfiles
					menos internacionalizados o con perfiles regionales y enlaces locales.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Internacionalização dos Conhecimentos</kwd>
				<kwd>Políticas Públicas</kwd>
				<kwd>Ciência e Tecnologia</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Public policy</kwd>
				<kwd>Internationalization of Knowledge</kwd>
				<kwd>Science and technology</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Palabras clave:</title>
				<kwd>Políticas públicas</kwd>
				<kwd>Internacionalización del conocimiento</kwd>
				<kwd>Ciencia y Tecnología</kwd>
			</kwd-group>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução<sup><xref ref-type="fn" rid="fn3">1</xref></sup></title>
			<p>A internacionalização da ciência e da tecnologia (CT) tem sido um tema de extrema
				relevância e atualidade no contexto contemporâneo. Multiplicam-se as iniciativas dos
				países, institutos de pesquisa e universidades em estabelecer acordos bilaterais ou
				multilaterais de cooperação científica e tecnológica, com o objetivo de trocar,
				compartilhar ou transferir informações, tecnologias, processos, métodos e resultados
				de pesquisa. A pesquisa científica tem sido um <italic>lócus</italic> privilegiado
				das relações internacionais no âmbito diplomático em um contexto em que as
				universidades e institutos de pesquisa são vistos como alicerces do desenvolvimento
				técnico e científico das diferentes nações.</p>
			<p>As relações internacionais no campo da ciência e da tecnologia têm sido destacadas
				como um dos principais ganhos da globalização, ampliando não somente a publicação
				internacional, tal qual amplamente divulgada pelos <italic>rankings</italic>
				bibliométricos, mas também na formação de equipes internacionais de pesquisa e
				intercâmbio de estudantes de diversos níveis. Considera-se que o comércio exterior,
				a defesa dos interesses nacionais e a cooperação internacional possuem estreita
				conexão com a área da ciência e tecnologia. A presença de unidades sociais
				transnacionais, enlaçadas por conhecimento usado tecnologicamente, reconfiguram o
				poder dos Estados-nação, evidenciando a CT como elemento estratégico fundamental no
				mundo contemporâneo (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Knorr-Cetina, 1999</xref>).</p>
			<p>Uma pesquisa realizada pela Capes em 2017 com os programas de pós-graduação sobre o
				conceito de internacionalização encontrou que a maioria dos critérios citados se
				relacionavam à mobilidade de pessoas (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Morosini,
					2019</xref>). Ainda que haja uma diversidade e pluralidade de maneiras de
				conceber a internacionalização, iremos seguir aqui a pesquisadora <xref
					ref-type="bibr" rid="B15">Jane Knight (2003)</xref> ao colocar que a
				“Internacionalização nos níveis nacional, setorial e institucional é definida como o
				processo de integrar uma dimensão internacional, intercultural e global aos
				propósitos, funções ou formação de ensino em nível superior” (<xref ref-type="bibr"
					rid="B15">Knight, 2003</xref>, p. 2).</p>
			<p>Este artigo tem o objetivo de analisar, sob uma perspectiva crítica do campo de
				estudos sociais da ciência e tecnologia, as principais características do Programa
				Institucional de Internacionalização Capes-PrInt, dando destaque para o seu
				desdobramento em algumas das principais instituições brasileiras<sup><xref
						ref-type="fn" rid="fn4">2</xref></sup>. O Programa Capes-PrInt é uma
				política de promoção da internacionalização de instituições universitárias
				brasileiras, formulada e implementada a partir de 2016 no âmbito da CAPES/MEC. Foram
				36 instituições de educação superior brasileiras selecionadas a partir do edital
				41/2017.</p>
			<p>Como forma de aprofundarmos a coleta de dados, selecionamos quatro universidades.
				Utilizamos como critérios de seleção a representatividade regional (com exceção da
				região norte, que não teve nenhuma instituição contemplada pelo programa), a
				amplitude das áreas (buscando contemplar instituições com maior diversidade de áreas
				de conhecimento em seus projetos atrelados ao programa) e a disponibilidade de
				documentos e para entrevistas (instituições cujos gestores se mostraram abertos à
				realização de entrevista e que mantêm documentos à disposição em seus sites).
				Obedecendo a estes critérios, foram selecionadas a Universidade Federal de Santa
				Catarina (UFSC), a Universidade Federal do Ceará (UFC), a Universidade de Brasília
				(UnB) e a Universidade de São Paulo (USP), nas quais entrevistamos os presidentes
				dos comitês gestores. Em fase anterior da pesquisa, tivemos oportunidade de realizar
				entrevistas com membros do comitê gestor da Universidade Federal de Viçosa (UFV).
				Também entrevistamos uma assessora da Diretoria de Relações Internacionais que
				trabalhou diretamente com a elaboração do Capes/PrInt.</p>
			<p>Este trabalho foi desenvolvido a partir de uma análise dos documentos disponíveis do
				Programa, tanto em âmbito federal, quanto local, de documentos das instituições
				selecionadas analisadas, além de entrevistas semiestruturadas com membros do comitê
				gestor das instituições selecionadas.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Internacionalização e produção científica nacional</title>
			<p>A internacionalização da ciência brasileira tem sido concebida, de maneira cada vez
				mais contundente, como algo inescapável e benéfico. Os critérios de avaliação
				científica (de pesquisas, produções científicas, pesquisadores, programas de
				pós-graduação e instituições de educação superior) incorporam de maneira cada vez
				mais central a dimensão internacional, e os programas de pós-graduação de excelência
				são vistos como “internacionalizados”, ou seja, com uma produção científica e uma
				formação de recursos humanos “de ponta”.</p>
			<p>O debate sobre internacionalização é permeado por diagnósticos clássicos sobre a
				ciência brasileira: sua concentração e financiamento no setor público, com pouca
				participação do setor privado; sua produção científica (em artigos) considerável,
				mas com desempenho pouco expressivo no âmbito tecnológico (patentes concedidas). A
				fonte de financiamento público coloca questões em torno da regulamentação excessiva
				(denominada “burocracia”) no manuseio dos recursos humanos e financeiros. Também é
				característica da internacionalização da ciência brasileira, a individualização da
				mobilidade internacional, ou seja, o processo de internacionalização é geralmente
				baseado em esforços, financiamentos e formação de redes individuais, o que remete à
				hipótese a ser trabalhada de que os projetos e programas brasileiros tendem a uma
				colaboração restrita e assimétrica, diferente da proposta da cooperação, que busca
				ser mais simétrica e envolver mais diálogo, negociação e decisão conjunta (<xref
					ref-type="bibr" rid="B28">Silva, 2007</xref>).</p>
			<p>As práticas políticas institucionais da ciência brasileira têm tentado acompanhar,
				como critério de avaliação e validação do conhecimento técnico-científico dos
				pesquisadores e das revistas, regras internacionais de certificação e avaliação dos
				periódicos, utilizando cada vez mais indicadores oriundos de
					<italic>rankings</italic> internacionais como parâmetro de produtividade e de
				internacionalização do conhecimento. Os documentos institucionais das áreas de
				conhecimento voltadas para a avaliação da pesquisa nacional na pós-graduação dão
				relevância à produção científica internacionalizada, e as revistas científicas
				estrangeiras costumam ter uma presença massiva nos estratos superiores da avaliação
				QUALIS de periódicos científicos. Também se destacam as iniciativas das instituições
				de ensino superior em promover políticas de intercâmbio, especialmente na
				pósgraduação, bem como estimular a ampliação das disciplinas ministradas em língua
				inglesa. Datam do final da década de 1990, as primeiras exigências da CAPES
				relativas a práticas de cooperação e inserção internacional, impactando no processo
				avaliativo dos programas de pós-graduação. Em 2007, a CAPES assume como um de seus
				objetivos a promoção da internacionalização do sistema nacional de pósgraduação.
				Isso provocou transformações no âmbito administrativo e financeiro da agência (<xref
					ref-type="bibr" rid="B24">Oliveira, 2019</xref>).</p>
			<p>Uma das formas recorrentes de medição quantitativa do grau de interação internacional
				de países, instituições científicas e pesquisadores é a cienciometria ou
				bibliometria. As medidas da produção científica de um país levam em consideração
				variáveis como o número de artigos publicados em revistas internacionais e a
				contagem das citações feitas dos artigos, que mede o impacto da produção. Uma das
				constatações recorrentes no debate da internacionalização é a de que, ainda que a
				ciência brasileira não seja fortemente internacionalizada, seu perfil vem caminhando
				nesta direção. No entanto, áreas do conhecimento distintas possuem graus de
				internacionalização variados: enquanto as humanidades são menos internacionalizadas,
				as ciências exatas e biológicas são mais internacionalizadas quanto à sua produção
				bibliográfica (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Mueller, 2005</xref>).</p>
			<p>Para além da quantificação da produção científica, a internacionalização da ciência
				brasileira pode assumir formas variadas, envolvendo: mobilidade de pesquisadores,
				colaboração física e virtual, contratos de pesquisa supranacionais, participação em
				organizações internacionais de pesquisa, coordenação e planejamento conjunto de
				atividades em CTI, e também processos locais de construção de políticas que promovam
				essas relações internacionais científicas.</p>
			<p>Desse modo, o debate sobre a internacionalização da ciência brasileira tem se tornado
				um tema recorrente na reflexão sobre a área, mesclando aspectos
				estratégico-políticos (relativos à posição brasileira na divisão de trabalho da
				produção científica e tecnológica internacional e nas formas de cooperação política
				bilaterais e multilaterais) e científicos (relativos à importância de constituirmos
				grupos científicos de nível “internacional”).</p>
			<p>Sob perspectiva histórica, é possível perceber que a internacionalização da ciência
				brasileira é uma realidade desde a fundação das primeiras universidades no Brasil,
				que contavam com a formação de quadros intelectuais da elite nos centros políticos,
				ou ao trazer professores/pesquisadores destes mesmos centros para compor o corpo
				docente das instituições recém-criadas (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Schwartzman,
					2001</xref>). A formação dos quadros de nível superior no ensino e na pesquisa
				estiveram vinculados a interesses políticos e também concentrados regionalmente.
				Desta forma não há uma tradição no país de uma política sistemática e consolidada de
				financiamento da produção e colaboração científica, em que pese os acordos
				internacionais no campo diplomático, que envolvem parcerias e também na produção do
				conhecimento.</p>
			<p>Sob uma perspectiva crítica, este modelo de internacionalização é um dos aspectos da
				colonialidade do poder (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Quijano, 2007</xref>), que
				pressupõe que o conhecimento produzido do Norte Global é supostamente universal e
				global, em detrimento dos conhecimentos produzidos no restante do planeta. Em que
				pese a tradição de investimentos e fomentos em cooperação do Brasil com os países do
				Norte (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Gaillard, 1995</xref>), a posição subalterna
				assumida pelo Brasil pode ser observada tanto na distribuição de recursos econômicos
				e decisórios, quanto na de prestígio e reconhecimento.</p>
			<p>Nas hierarquias políticas e cognitivas, o Brasil, assim como outros países fora do
				eixo central do poder global, se constitui como periférico, em que pese a expertise
				e/ou o pioneirismo desenvolvido em várias áreas da produção do conhecimento. Assim,
				a internacionalização da produção do conhecimento científico brasileiro tem sido
				sobretudo voltada para o Norte global e centrada no intercâmbio de pessoas em
				formação entre os países (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Morosini, 2021</xref>). O
				lugar de periferia ou de inferioridade é legitimado por uma ordem hierarquizadora
				instaurada no interior das práticas científicas, nos procedimentos, nos valores e no
				imaginário corrente. Nas relações de internacionalização do conhecimento científico,
				observam-se as marcas do que Fabrício Neves denomina processo de periferização
					(<xref ref-type="bibr" rid="B23">Neves, 2020</xref>). Assumir um lugar
				periférico na hierarquia significa, na prática, aprender com os países vistos como
				centrais; significa buscar em outro lugar o que não sabemos aqui, ou que é visto
				como aquilo que nos “falta” (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Ferreira, 2019</xref>).
				Por outro lado, essa posição periférica se inverte em relação a outros países: o
				Brasil tem sido um polo de atração de estudantes e pesquisadores de países africanos
					(<xref ref-type="bibr" rid="B8">Finardi, 2022</xref>).</p>
			<p>O financiamento da internacionalização, levando-se em conta os editais da Capes, tem
				sido concentrado nos subsídios para bolsas individuais de estudos no exterior,
				vinculados a projetos conjuntos ou direcionado a um público específico de
				pesquisadores, como são as cátedras, professores visitantes no exterior (<xref
					ref-type="bibr" rid="B24">Oliveira, 2019</xref>). Nos últimos anos, a qualidade
				da produção científica tem sido diretamente relacionada à capacidade de
				internacionalização dos pesquisadores e das instituições, sendo entendida de
				diversas formas: produção em colaboração, produção em revista internacional,
				intercâmbio acadêmico de pós-graduandos e pesquisadores, consultoria internacional,
				bancas de pós-graduação com membros estrangeiros, co-tutela das teses de doutorado.
				Há uma forte relação na pós-graduação entre excelência e internacionalização.
				Fomentada pela cultura dos indicadores quantitativos de qualidade e pela adesão à
				cultura dos <italic>rankings</italic> internacionais, que inclui o negócio lucrativo
				das editoras de alto impacto e de acesso restrito, a internacionalização encontrava
				seu limite na imprevisibilidade e inconstância das políticas. Parte da comunidade
				acadêmica criticava o baixo enraizamento institucional da internacionalização (<xref
					ref-type="bibr" rid="B24">Oliveira, 2019</xref>).</p>
			<p>O último grande investimento público federal na internacionalização <italic>stricto
					sensu</italic>, anteriormente ao Capes-PrInt, foi o Programa Ciências sem
				Fronteiras, voltado para a mobilidade acadêmica de estudantes em diversos níveis,
				mas com maior investimento para o nível de graduação sanduíche. Ele representou o
				“ápice do foco na mobilidade acadêmica”, destacando-se, “seja pelo número de alunos
				em mobilidade acadêmica e de instituições parceiras, seja pelo volume de recursos
				envolvidos” (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Oliveira, 2019</xref>, p. 93): foram
				aproximadamente R$ 13 bilhões de reais e cerca de 100 mil bolsas concedidas. Várias
				críticas têm sido apontadas a esta política: caráter individual e pouco sistêmico da
				concessão de bolsas, com alta concentração em bolsas de graduação; ausência de
				planejamento e estratégia, com foco em “áreas do conhecimento, em lugar de temáticas
				abrangentes e necessárias ao desenvolvimento do país”; baixo retorno em termos de
				formação de redes atrelada às experiências de intercâmbio, devido ao foco na
				graduação, além de baixo aproveitamento dos créditos, alto custo orçamentário e a
				origem do fomento (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Oliveira, 2019</xref>).</p>
			<p>Também na educação superior podemos destacar o Projeto BRICS, cujo objetivo era
				internacionalizar a pós-graduação entre os países emergentes Brasil, Rússia, Índia,
				China e África do Sul, e que tem apresentado baixa colaboração entre os países do
				bloco (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Khomyakov; Dwyer; Weller, 2020</xref>). O
				afastamento do Brasil dos BRICS se deu especialmente após a ruptura institucional
				que sofreu o governo da presidente Dilma Rousseff (2011-2016) e das abordagens
				ideológicas antiglobalização assumidas pelo então presidente Jair Bolsonaro
				(2019-2023).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Internacionalização, colonialidade e dependência</title>
			<p>Mas para que internacionalizar a ciência brasileira? Em um seminário dedicado ao
				tema, Paulo Sérgio Lacerda Beirão (então diretor de cooperação institucional do
				CNPq) identificou ao menos quatro razões: atualizar a ciência brasileira em relação
				aos programas científicos e tecnológicos estrangeiros; detectar possibilidades de
				desenvolvimento na área de C&amp;T; comparar a qualidade de nossa produção
				científica em relação às estrangeiras; adquirir competências e habilidades
				indisponíveis nacionalmente. O pesquisador indica que “é necessário e importante
				desenvolver a tecnologia no Brasil para que não seja preciso sua
						importação”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn5">3</xref></sup>. Há aqui dois
				motivos recorrentes para os propósitos de internacionalização da ciência brasileira
				e que justificam a criação de políticas públicas voltadas para tal objetivo, a
				saber, a melhoria da qualidade da ciência brasileira, e a busca por internalizar a
				capacidade tecnológica e científica nacional.</p>
			<p>Essas observações apontam para duas problemáticas: a primeira relativa à importância
				dos processos de constituição de competências científicas e tecnológicas. O debate
				sobre essas competências é permeado por uma característica identificada por Michel
				Polanyi, a saber, do caráter tácito do conhecimento científico. Enquanto grande
				parte dos estudos sobre a ciência e tecnologia nacionais focam em aspectos
				quantificáveis (número de artigos publicados, patentes, titulados em pós-graduação),
				a avaliação do estado de formação nacional dessas competências encontra uma
				dificuldade inerente relativa à intangibilidade do seu processo de formação, difusão
				e acumulação, ou, como coloca Michel Callon, de adoção (<xref ref-type="bibr"
					rid="B4">Callon, 1995</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B25">Polanyi,
					1996</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B9">Foray; Mairesse, 1999</xref>). Uma
				segunda se volta para a problemática da dependência tecnológica, tema este que foi
				recorrente no debate sobre as políticas de ciência e tecnologia (PCTs) nacionais nas
				décadas de 1970 e 1980, e que se volta para uma busca para contrapor-se à
				concentração de atividades mais simples e primárias no desenvolvimento da ciência e
				da tecnologia nacionais (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Amin, 1973</xref>), de uma
				posição de consumidores de ciência para a posição de produtores de ciência (<xref
					ref-type="bibr" rid="B3">Burgos, 1999</xref>). Um campo de debate emergente no
				âmbito da sociologia da ciência e da tecnologia está se desenvolvendo no sentido de
				apreender aspectos que se situam entre estas duas problemáticas. Podemos aqui
				apontar a pesquisa desenvolvida por Leandro Medina e que identifica “objetos
				subordinantes” no âmbito da produção científica transou internacional e que ajuda a
				compreender como diferentes campos científicos são subordinados uns aos outros
					(<xref ref-type="bibr" rid="B17">Medina, 2013a</xref>, <xref ref-type="bibr"
					rid="B18">b</xref>).</p>
			<p>Por outro lado, Fabrício Neves (2009; 2014) apreende um processo de extroversão da
				própria prática científica periférica ao se utilizar da distinção centro/periferia
				nos processos de avaliação e legitimação dos conhecimentos científicos, apontando
				não para o aspecto de dominação externo no funcionamento da ciência periférica, mas
				sim para processos internos que estruturam essa subordinação no nível mais amplo.
				Assim, na perspectiva que queremos construir aqui, é também possível ver como se
				estabelecem tensões entre aspectos estrangeiros/externos e aspectos locais na
				construção das políticas científicas (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Invernizzi et
					al., 2014</xref>). A produção científica de países do Sul tende a endogenamente
				produzir conhecimento em uma lógica de extroversão e dependência (<xref
					ref-type="bibr" rid="B2">Domingues; Bringel, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr"
					rid="B11">Hountondji, 1990</xref>), na medida em que o polo dinâmico destes
				processos é externo em relação à vida intelectual e acadêmica desses países. A
				extroversão implica também um espelhamento, que significa que o processo de
				internacionalização da ciência permite aos/as pesquisadores/as brasileiros/as,
				através dos olhos dos/as pesquisadores/as do Norte, avaliar qual é a qualidade de
				sua pesquisa e onde ela se situa no âmbito da produção científica mundial (<xref
					ref-type="bibr" rid="B21">Mourão; Alves, 2021</xref>). Desse modo, seria mais
				profícuo olhar tal processo sob a perspectiva de zonas de contato/troca
					(<italic>trading zones</italic>) em que parceiros mais ou menos desiguais em
				termos de recursos, habilidades e competências se encontram de modo a produzir
				conhecimentos (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Dasgupta, 2016</xref>).</p>
			<p>Nos interessa compreender o modo pelo qual a política de internacionalização está
				reorganizando e/ou consolidando processos de institucionalização da
				internacionalização no âmbito das universidades. Qual o modelo de cooperação e de
				trocas internacionais seguido no Programa Capes-PrInt? Quais os princípios e
				interesses mobilizados no Programa Capes -PrInt? Como o programa se insere dentro da
				universidade enquanto campo social e político de produção de saberes, de pessoas e
				de pesquisas? Essas são as indagações que nortearam nossa pesquisa, cuja
				contribuição espera auxiliar na compreensão, formulação e avaliação das políticas
				públicas de internacionalização da pesquisa executadas pelo poder público.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Programa Institucional de Internacionalização Capes-PrInt</title>
			<p>O Programa Capes-PrInt surgiu com o objetivo de provocar a institucionalização da
				internacionalização nas instituições acadêmicas brasileiras, criando assim uma
				cultura institucional de internacionalização. Sob uma perspectiva geral, a proposta
				do Programa nasce, por um lado, na busca por uma inserção mais significativa da
				ciência produzida nacionalmente (vislumbrada nos <italic>rankings</italic> e índices
				métricos acima relatados) e, por outro, de uma resposta aos déficits do Ciências Sem
				Fronteiras. Como colocou Cyntia Sandes <xref ref-type="bibr" rid="B24">Oliveira
					(2019</xref>, p.155), “o Capes -PrInt nasceu da insatisfação da Capes com os
				resultados brasileiros nos indicadores internacionais de impacto da produção
				acadêmica e do esgotamento do modelo de internacionalização centrado na mobilidade
				acadêmica de saída, cujo auge se deu com o programa Ciência sem Fronteiras”. A
				proposta inicial de formulação do programa foi construída dentro da CAPES pela
				Diretoria de Relações Internacionais, que em 2016 criou um grupo de trabalho com a
				participação de pesquisadores da comunidade acadêmica UnB, UFRGS, USP e UFPB e
				alguns servidores de carreira da CAPES. Este grupo implementou um questionário de
				consulta às IES para levantar informações sobre a internacionalização nas
				instituições, e percepções sobre critérios, benefícios e ações prioritárias,
				buscando sugestões para implementar no programa. Embora esta participação tenha
				enfrentado os costumeiros obstáculos de retorno às enquetes, especialmente
				padronização das respostas e taxa de retorno, ela embasou as discussões que se deram
				a seguir no interior da CAPES, representando um processo entendido como sendo de
				cocriação da política de internacionalização (<xref ref-type="bibr" rid="B24"
					>Oliveira, 2019</xref>).</p>
			<p>Um dos objetivos iniciais do projeto era estimular a denominada “internacionalização
				em casa”, financiando a vinda de pesquisadores estrangeiros ao Brasil, através da
				bolsa de Professor Visitante do Exterior (PV) (<xref ref-type="bibr" rid="B24"
					>Oliveira, 2019</xref>). A institucionalização do programa passaria a contar com
				a descentralização da gestão do orçamento da CAPES para as bolsas para as
				instituições.</p>
			<p>O Capes-PrInt foi implantado pelo Edital Nº 41/2017, com os seguintes objetivos:</p>
			<p>São objetivos do Programa:</p>
			<disp-quote>
				<p>1.2.1. Fomentar a construção, a implementação e a consolidação de planos
					estratégicos de internacionalização das instituições contempladas nas áreas do
					conhecimento por elas priorizadas;</p>
				<p>1.2.2. Estimular a formação de redes de pesquisas internacionais com vistas a
					aprimorar a qualidade da produção acadêmica vinculadas à pós-graduação;</p>
				<p>1.2.3. Ampliar as ações de apoio à internacionalização na pós-graduação das
					instituições contempladas;</p>
				<p>1.2.4. Promover a mobilidade de docentes e discentes, com ênfase em doutorandos,
					pós doutorandos e docentes para o exterior e do exterior para o Brasil,
					vinculados a programas de pós-graduação stricto sensu com cooperação
					internacional.</p>
				<p>1.2.5. Fomentar a transformação das instituições participantes em um ambiente
					internacional.</p>
				<p>1.2.6 Integrar outras ações de fomento da Capes ao esforço de
					internacionalização.</p>
			</disp-quote>
			<p>No âmbito deste edital, foram selecionados 36 instituições de ensino superior
				públicas e privadas, com o objetivo de financiar as seguintes modalidades: Missões
				de curta duração; Capacitação em cursos de curta duração (no exterior); Programa de
				Doutorado Sanduíche no Exterior; Professor Visitante no Exterior Sênior
				(sabática/pós-doutorado); Professor Visitante no Exterior Júnior; Professor
				Visitante no Brasil (com experiência no exterior); Jovem Talento (com experiência no
				exterior); Pós-doutorado com experiência no exterior. A dotação orçamentária
				prevista era de R$300.000.000,00 (trezentos milhões de reais) por ano.</p>
			<p>Como coloca <xref ref-type="bibr" rid="B24">Oliveira (2019</xref>, p. 63), “o
				Programa Capes-PrInt representa uma mudança de abordagem na política de
				internacionalização do sistema nacional de pós-graduação brasileiro”. Se antes as
				políticas de internacionalização se voltavam exclusivamente para a mobilidade
				acadêmica internacional, com o envio de docentes e discentes, agora busca-se uma
				“internacionalização em casa” que objetiva articular institucionalmente e
				internamente processos de internacionalização das atividades científicas. Diferentes
				vocações e estágios de internacionalização das universidades deveriam estar de
				alguma forma contemplados no âmbito da implementação e execução da política, que
				deveria induzir uma capacidade institucional local - de cada instituição de ensino
				superior - de planejamento estratégico da internacionalização (<xref ref-type="bibr"
					rid="B24">Oliveira, 2019</xref>).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Capes-PrInt: Descentralização, concentração e consolidação</title>
			<p>A característica descentralizada do Programa Capes-PrInt permitiu uma grande
				diversidade na gestão e aplicação interna dos recursos, na organização dos comitês
				gestores, na distribuição interna do poder de deliberação sobre a seleção de bolsas
				via editais e na escolha das instituições e países parceiros. A partir dos
				resultados da análise das instituições UnB, USP, UFV, UFSC e UFC, apresentamos
				algumas características que podem contribuir para a construção de um modelo de
				análise desta política.</p>
			<table-wrap id="t1">
				<table>
					<thead>
						<tr>
							<th colspan="8" style="background-color:#C1D7EC;">COMPOSIÇÃO COMITÊS
								GESTORES PRINT (UNIVERSIDADES SELECIONADAS): ÁREA DE FORMAÇÃO</th>
						</tr>
						<tr>
							<th valign="top"> </th>
							<th valign="top">UnB</th>
							<th valign="top">USP</th>
							<th valign="top">UFC</th>
							<th valign="top">UFV</th>
							<th valign="top">UFSC</th>
							<th valign="top">TOTAL</th>
							<th valign="top">% TOTAL</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td valign="top">Ciências Exatas e da Terra</td>
							<td>4</td>
							<td>2</td>
							<td>1</td>
							<td>0</td>
							<td>2</td>
							<td>9</td>
							<td>21%</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#E6E7E8;">Ciências Biológicas</td>
							<td style="background-color:#E6E7E8;" valign="top">1</td>
							<td style="background-color:#E6E7E8;" valign="top">0</td>
							<td style="background-color:#E6E7E8;" valign="top">1</td>
							<td style="background-color:#E6E7E8;" valign="top">0</td>
							<td style="background-color:#E6E7E8;" valign="top">0</td>
							<td style="background-color:#E6E7E8;" valign="top">2</td>
							<td style="background-color:#E6E7E8;" valign="top">5%</td>
						</tr>
						<tr>
							<td>Engenharias</td>
							<td valign="top">1</td>
							<td valign="top">1</td>
							<td valign="top">4</td>
							<td valign="top">0</td>
							<td valign="top">3</td>
							<td valign="top">9</td>
							<td valign="top">21%</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#E6E7E8;">Ciências da Saúde</td>
							<td style="background-color:#E6E7E8;" valign="top">1</td>
							<td style="background-color:#E6E7E8;" valign="top">3</td>
							<td style="background-color:#E6E7E8;" valign="top">1</td>
							<td style="background-color:#E6E7E8;" valign="top">1</td>
							<td style="background-color:#E6E7E8;" valign="top">4</td>
							<td style="background-color:#E6E7E8;" valign="top">10</td>
							<td style="background-color:#E6E7E8;" valign="top">24%</td>
						</tr>
						<tr>
							<td>Ciências Agrárias</td>
							<td valign="top">0</td>
							<td valign="top">1</td>
							<td valign="top">1</td>
							<td valign="top">5</td>
							<td valign="top">0</td>
							<td valign="top">7</td>
							<td valign="top">17%</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#E6E7E8;;" valign="top">Ciências Sociais
								Aplicadas</td>
							<td style="background-color: #E6E7E8;">1</td>
							<td style="background-color: #E6E7E8;">0</td>
							<td style="background-color: #E6E7E8;">0</td>
							<td style="background-color: #E6E7E8;">0</td>
							<td style="background-color: #E6E7E8;">0</td>
							<td style="background-color: #E6E7E8;">1</td>
							<td style="background-color: #E6E7E8;">2%</td>
						</tr>
						<tr>
							<td>Ciências Humanas</td>
							<td valign="top">3</td>
							<td valign="top">1</td>
							<td valign="top">0</td>
							<td valign="top">0</td>
							<td valign="top">0</td>
							<td valign="top">4</td>
							<td valign="top">10%</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#E6E7E8;;" valign="top">Linguística, Letras
								e Artes</td>
							<td style="background-color: #E6E7E8;">0</td>
							<td style="background-color: #E6E7E8;">0</td>
							<td style="background-color: #E6E7E8;">0</td>
							<td style="background-color: #E6E7E8;">0</td>
							<td style="background-color: #E6E7E8;">0</td>
							<td style="background-color: #E6E7E8;">0</td>
							<td style="background-color: #E6E7E8;">0%</td>
						</tr>
						<tr>
							<td>Multidisciplinar</td>
							<td valign="top">0</td>
							<td valign="top">0</td>
							<td valign="top">0</td>
							<td valign="top">0</td>
							<td valign="top">0</td>
							<td valign="top">0</td>
							<td valign="top">0%</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#C1D7EC;;" valign="top">Total (por
								instituição e amostra)</td>
							<td style="background-color: #C1D7EC;">11</td>
							<td style="background-color: #C1D7EC;">8</td>
							<td style="background-color: #C1D7EC;">8</td>
							<td style="background-color: #C1D7EC;">6</td>
							<td style="background-color: #C1D7EC;">9</td>
							<td style="background-color: #C1D7EC;">42</td>
							<td style="background-color: #C1D7EC;">100%</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<attrib><bold>Fonte:</bold> Elaboração própria a partir dos documentos
						disponíveis nos portais virtuais institucionais e da tabela de áreas de
						conhecimentos/avaliação da CAPES</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
			<p>O comitê (ou grupo) gestor do PrInt tem uma série de funções, dentre elas a de
				gerenciar recursos e autorizar beneficiários de bolsas. A princípio, sua composição
				deve contemplar diferentes áreas do conhecimento, e seus integrantes devem ter
				liderança acadêmica e experiência internacional nas áreas do programa, refletindo
				assim os projetos de pesquisa e os programas de pós-graduação que compõem cada
				programa institucional PrInt. Analisamos a área de formação dos membros dos comitês
				gestores das instituições selecionadas para nossa amostra.</p>
			<p>Na UnB, a maior parte dos membros do comitê gestor são das Ciências Exatas e da Terra
				(quatro) e das Ciências Humanas (três), de um total de 11. Na USP, são dois membros
				das Ciências Exatas e da Terra e três da área da Saúde, de um total de oito. Na UFC,
				quatro membros do comitê gestor são das Engenharias, do total de oito membros, que
				estão espalhados pelas demais áreas. Na UFV, dos seis membros, cinco são das
				Ciências Agrárias. Na UFSC predominam as Ciências da Saúde, são quatro membros com
				esta formação e as Engenharias com três membros do comitê gestor. Do ponto de vista
				mais geral, dentro da delimitação das universidades aqui em foco, observamos comitês
				gestores com uma predominância das Ciências da Saúde (24% dos membros), seguida
				pelas Ciências Exatas e da Terra e Engenharias (21% cada) e Ciências Agrárias
				(17%).</p>
			<p>Na UNB, dentre os 16 programas de pósgraduação de nota 6 e 7, cinco deles são das
				Ciências Humanas e três das Ciências Sociais Aplicadas. Na USP, há uma diversidade
				maior de programas com notas 6 e 7, em todas as áreas do conhecimento. Na UFC, que
				concentra engenheiros como membros do comitê gestor embora haja um curso da área das
				engenharias com nota 7, a Engenharia Civil e dois com nota 6, a Engenharia de
				Teleinformática e a Engenharia Química. Na UFV, todos os cinco programas de
				pós-graduação nota 7 são das Ciências Agrárias e dos seis programas nota 6, apenas
				um é da área da Saúde, os demais são das Ciências Agrárias, o que explica o perfil
				do comitê gestor. Esse perfil só muda com os programas de nota 5. Na UFSC, os
				programas nota 7 são Ciência e Engenharia de Materiais, Engenharia Química e
				Química. Já dentre os 17 programas nota 6, há uma maior diversidade de áreas, mas as
				engenharias ainda tem mais quatro cursos nota 6.<sup><xref ref-type="fn" rid="fn6"
						>4</xref></sup></p>
			<p>Os dados indicam que os membros do comitê gestor tendem, na maioria dos casos, a
				serem recrutados nas áreas de conhecimento dos programas de maior nota na avaliação
				da Capes ou nas áreas de maior prestígio institucional, o que nos leva a inferir que
				o efeito a longo prazo desta política caso ela seja renovada é uma maior
				concentração de poder e recursos nas áreas de conhecimento mais tradicionais das
				instituições contempladas ou nas áreas que já estão consolidadas.</p>
			<p>A partir das entrevistas realizadas, podemos mapear os limites, os desafios e os
				ganhos do Capes-PrInt. As entrevistas indicaram um grande entusiasmo dos gestores
				com relação à possibilidade de construção de uma política institucional com recursos
				descentralizados e maior autonomia e flexibilidade na sua gestão. As universidades
				organizaram estratégias diferenciadas para a seleção de bolsistas e de instituições
				estrangeiras vinculadas aos projetos. Algumas universidades deixaram a cargo dos
				programas de pós-graduação e dos coordenadores dos projetos ou coordenadores de
				áreas dos projetos a definição das bolsas; em um segundo modelo os editais
				selecionavam planos de trabalho dos projetos, para posterior definição de bolsistas;
				em um terceiro modelo o comitê gestor concentrou as tarefas de organização dos
				editais e seleção dos bolsistas. Desse modo, o processo de descentralização política
				relacionada a alocação de recursos (especialmente bolsas) abriu espaço institucional
				de experimentação administrativa, com diferentes modos de decisão sendo testados e,
				frequentemente, corrigidos e reconfigurados.</p>
			<p>No que se refere às universidades estrangeiras parceiras, alguns comitês utilizaram
				uma lista prévia de instituições onde os programas atendidos já tinham parcerias
				estabelecidas, enquanto outras fizeram um trabalho maior de prospecção de novos
				parceiros e nas quais o comitê gestor assumiu um papel de protagonismo na
				organização de missões e de filtragem da lista de parceiros. Aqui identificamos uma
				tensão entre uma opção mais restritiva e diretiva por parte de comitês gestores que
				visaram promover recursos e relações com um número delimitado de instituições,
				enquanto outros optaram por uma lista aberta e ampla de instituições parceiras,
				compilada a partir de sugestões dos vários programas e projetos que compõem os
				PrInts institucionais.</p>
			<p>No que se refere às áreas do conhecimento, algumas instituições, como a USP, buscaram
				atender um número de projetos que abrangessem todos os programas de pós-graduação da
				instituição. Já outras instituições concentraram recursos em projetos vinculados a
				programas a partir da nota 5, como é o caso da UFV. De qualquer forma, a ênfase da
				política em atender principalmente projetos vinculados a programas de excelência
				levou à concentração de recursos nos grupos consolidados e, quanto maior é esta
				concentração, maiores são os obstáculos internos de gerenciamento dos PrInts.</p>
			<p>Além dos desafios internos, desafios externos de três ordens variadas foram
				observados a partir deste trabalho. Em primeiro lugar, o advento da pandemia que
				teve impacto direto no fluxo internacional de pessoas. Além de instituições
				fechadas, alguns países estabeleceram regras rígidas de controle de voos comerciais
				de passageiros. Mas os maiores obstáculos mencionados no período, mesmo após a
				pandemia, se referiram à dificuldade de comunicação com a CAPES e aos cortes
				orçamentários, feitos desde o primeiro ano do projeto. Os recursos poderiam ser
				utilizados durante quatro anos, a contar de novembro de 2018. No ano de 2019, o
				corte orçamentário foi de 30%, postergando o fim da vigência do programa para
				2023.</p>
			<p>No que se refere à comunicação com a CAPES, as dificuldades mencionadas estiveram
				relacionadas às mudanças contínuas de orientação. Como argumentou um dos gestores
				entrevistados, a comunicação neste tipo de política é central, já que problemas que
				envolvem a renda e a mobilidade de bolsistas em deslocamento em países estrangeiros
				deveriam ser prioritários. As dificuldades de comunicação com a CAPES, para alguns
				entrevistados, dificultaram o processo de descentralização da gestão política e
				financeira do programa, já presente em sua concepção.</p>
			<p>A descentralização permitiu uma concentração ainda maior de recursos nas áreas de
				conhecimento e nos programas de pós-graduação já dominantes nas instituições,
				indicando que a participação mais ativa da comunidade acadêmica na gestão de
				recursos nem sempre implica em uma democratização de acesso aos recursos políticos e
				financeiros. O programa, neste sentido, pode ser bem-sucedido na consolidação de
				grupos e áreas, mas com alcance limitado para inclusão e diversificação de grupos e
				áreas de conhecimento nas atividades internacionalizadas.</p>
			<p>Observamos que a UnB se distanciou na implantação deste modelo na medida em que, na
				seleção inicial dos projetos, estimulou as articulações entre programas e as
				discussões interdisciplinares, por outro lado concentrou os recursos no decanato
				para posterior implementação por planos de trabalhos. Já na USP a inclusão de todos
				os programas de pósgraduação da instituição permitiu, ao menos potencialmente, uma
				maior democratização dos recursos.</p>
			<p>No que se refere aos países das instituições conveniadas, há uma tendência de
				direcionamento aos países do norte global, incentivado inclusive pelo edital que
				indicou países prioritários. Um exemplo é que, na América Latina, apenas a Argentina
				foi citada no edital de 2018 como país prioritário para a realização de parcerias
				com suas instituições. Pelo edital, as universidades tinham que ter pelo menos 70%
				de suas bolsas destinadas a estas instituições prioritárias.</p>
			<p>Esta política indica dois caminhos aliados, uma adequação à cultura internacional dos
					<italic>rankings</italic> atrelada a uma visão gerencial das instituições
				acadêmicas brasileiras, seguindo o modelo das universidades de classe internacional,
				que buscam se inserir em um mercado internacional de educação em nível de graduação
				e pós-graduação, ofertados em língua inglesa, dentro de uma lógica de
				transnacionalização do mercado universitário. Internamente o programa PrInt se
				adequam a uma modernização dos modos de dominação presentes nas universidades,
				adotando técnicas gerencialistas e produtivistas de avaliação da relevância e da
				qualidade da produção do conhecimento, atualizando processos de gestão em
				consonância com a consolidação de grupos de pesquisa estabelecidos (<xref
					ref-type="bibr" rid="B5">Carlotto, 2014</xref>).</p>
			<p>Desse modo, o Capes-PrInt significou uma inflexão nos modos de atuação pública já que
				promoveu: (1) reorientação do modo de financiamento de bolsas para atividades
				internacionais de pesquisa, retirando bolsas da modalidade “balcão” (com tomada de
				decisão centralizada em Brasília) para uma flexibilização permitindo que a gestão
				universitária ficasse encarregada de decidir o processo de alocação dessas bolsas;
				(2) centralização dos recursos financeiros e políticos nas universidades
				selecionadas; (3) reorganização política e administrativa interna às instituições,
				de modo a lidar com a complexidade gestionária da nova situação e de responder às
				demandas institucionais vinculadas ao projeto; e (4) consolidação dos grupos
				nacionais e institucionais com acesso aos recursos.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações Finais</title>
			<p>Buscamos, nesse artigo, fazer uma análise do Programa Capes-PrInt, principal política
				de promoção da internacionalização da ciência vigente atualmente no país. Essa
				política foi resultado de um processo de reflexão e de consulta à comunidade
				científica, que se deu no âmbito da Capes a partir de 2016, e surgiu em parte como
				uma contraposição ao Ciência Sem Fronteiras, política estabelecida pelo governo
				Dilma Rousseff. Sob uma perspectiva crítica, buscamos identificar processos que
				envolvem não apenas aspectos coloniais e externos à implementação da política, mas
				os modos de articulação local/global no âmbito da gestão da política. O Capes-PrInt
				é marcado pela descentralização da gestão dos recursos financeiros das atividades de
				pesquisa e pela concentração de recursos em universidades e programas tidos como de
				excelência, promovendo ainda processos de reorganização institucional visando lidar
				com a situação criada pela política.</p>
			<p>O Programa permanece em execução no momento da escrita deste artigo continua como um
				pilar fundamental de financiamento de programas e pesquisas de pós-graduação
				nacionais. Os processos de descentralização, de concentração e de consolidação
				precisam ser observados e analisados com atenção, já que implicam desdobramentos
				centrais na configuração do sistema de pesquisa brasileiro. Uma análise que consiga
				rastrear os processos de alocação de recursos financeiros e de concentração de
				recursos políticos seria central para compreender a dinâmica desta política, para
				além dos aspectos que foram possíveis de serem observados aqui, dentro dos limites
				dessa pesquisa. A construção de uma produção global da atividade científica se
				encontra, desse modo, imbricada em processos locais que envolvem instituições,
				agendas de pesquisa, alocação de recursos financeiros e decisórios, que se por um
				lado anunciam um novo modo de gerir as atividades de pesquisa levadas adiante em
				nosso país, podem se mostrar, ao mesmo tempo, como processos de consolidação das
				posições dominantes dentro da comunidade universitária e de pesquisa nacional.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>1</label>
				<p>Texto revisado e normalizado por Ana Paula Lopes da Silva Rodrigues.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>2</label>
				<p>Este trabalho de pesquisa foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da UFV,
					registrado sob o número CAEE 60690016.4.0000.5153, e contou com a colaboração de
					Carolina Véo de Jesus Acevedo, Enilson Mitunaga Júnior, João Gabriel Paes e
					Thiago Henrique Rodrigues. Agradecemos à FAPEMIG e ao CNPq pelo financiamento
					recebido.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>3</label>
				<p>Seminário ANPG Internacionalização da Ciência Brasileira. Disponível em:
						<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.anpg.org.br/?p=7367"
						>http://www.anpg.org.br/?p=7367</ext-link>. Acesso em 13/03/2024.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>4</label>
				<p>Os dados referentes ao programas de pós-graduação foram extraídos da plataforma
					sucupira, disponível em <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://sucupira-beta.capes.gov.br/sucupira4/observatorio/programas?ano-base=2022&amp;id-ies=4362&amp;conceito=7&amp;search=&amp;size=20&amp;page=0"
						>https://sucupira-beta.capes.gov.br/sucupira4/observatorio/programas?ano-base=2022&amp;id-ies=4362&amp;conceito=7&amp;search=&amp;size=20&amp;page=0</ext-link>
					Acesso em 13/03/2024.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>REFERÊNCIAS</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>AMIN, S. <bold>Le Développement Inégal</bold>. Paris: Les Éditions
					de Minuit, 1973.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>AMIN</surname>
							<given-names>S.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Le Développement Inégal</source>
					<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
					<publisher-name>Les Éditions de Minuit</publisher-name>
					<year>1973</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>BRINGEL, Breno; DOMINGUES, José Maurício. Teoria social, extroversão
					e autonomia: impasses e horizontes da sociologia (semi) periférica
					contemporânea. <bold>Cadernos CRH</bold>, v. 28, n. 73, p. 59-76,
					2015.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BRINGEL</surname>
							<given-names>Breno</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>DOMINGUES</surname>
							<given-names>José Maurício.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Teoria social, extroversão e autonomia: impasses e horizontes da
						sociologia (semi) periférica contemporânea</article-title>
					<source>Cadernos CRH</source>
					<volume>28</volume>
					<issue>73</issue>
					<fpage>59</fpage>
					<lpage>76</lpage>
					<year>2015</year>
				</element-citation>
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					<chapter-title>Colonialidad del poder y clasificación social</chapter-title>
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					<source><bold>El giro decolonial</bold>: reflexiones para una diversidad
						epistémica más allá del capitalismo global</source>
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					<publisher-name>Siglo del Hombre Editores; Universidad Central, Instituto de
						Estudios Sociales Contemporáneos y Pontificia Universidad Javeriana,
						Instituto Pensar</publisher-name>
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				<mixed-citation>SCHWARTZMAN, Simon. <bold>Um espaço para a ciência: a formação da
						comunidade científica no Brasil</bold>. Brasília: MCT/CEE,
					2001.</mixed-citation>
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							<surname>SCHWARTZMAN</surname>
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					<source>Um espaço para a ciência: a formação da comunidade científica no
						Brasil</source>
					<publisher-loc>Brasília</publisher-loc>
					<publisher-name>MCT/CEE</publisher-name>
					<year>2001</year>
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				<mixed-citation>SILVA, Darly Henriques. Cooperação internacional em ciência e
					tecnologia: oportunidades e riscos. <bold>Revista Brasileira de Política
						Internacional</bold>, v.50, n.1, jan-jun., 2007.</mixed-citation>
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							<surname>SILVA</surname>
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					<article-title>Cooperação internacional em ciência e tecnologia: oportunidades e
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					<source>Revista Brasileira de Política Internacional</source>
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